O Espírito Santo no Velho Testamento

O Espírito Santo é o autor tanto do Velho quanto do Novo Testamento, e Sua obra em relação à Inspiração já foi considerada no cap. 4 deste livro. Devido a esta autoria divina não há elemento confuso ou contraditório quanto à Pessoa ou obra do Espírito Santo em qualquer passagem do livro sagrado. O Velho Testamento contém muitas referências ao Espírito Santo, mencionadas explicitamente e representadas ilustrativamente em tipos ou visões. O pleno alcance da revelação quanto a esta Pessoa Divina só pôde ser obtido com a chegada do Novo Testamento. Contudo, temos que admitir que um estudo dos atos do Espírito Santo nos tempos do Velho Testamento é muito importante para nos dar uma apreciação correta de como Ele opera na era presente, e de como Ele há de agir na era vindoura.
Esta apreciação é muito prática e importante, uma vez que alguns cristãos, com ideias confusas sobre o modo de agir do Espírito Santo na presente Dispensação da Graça, têm se apropriado de passagens do Velho Testamento sobre o Espírito Santo e as aplicado diretamente a si mesmos, com resultados tristes e prejudiciais. Nas eras sucessivas da história da Igreja houve diversas manifestações de fenômenos que são atribuídos à ação do Espírito Santo, mas quando vistos do ponto de vista dispensacional (isto é, “manejando [dividindo] bem” a Palavra da verdade) podem ser identificadas biblicamente como as obras astutas da carne, que tendem a promover os desígnios do inimigo.
Embora haja muitos livros de ajuda sobre o Espírito Santo e Seu ministério, é bom reconhecer que a recuperação da verdade dispensacional, no século XIX, enfatizou aspectos negligenciados da obra do Espírito Santo em relação ao Seu papel na Igreja, no mundo e no cristão individual nesta era presente, enquanto enfatizava aspectos evidentes do Seu ministério em dispensações anteriores.

Antes do Dilúvio

Criação
Bem no começo das Sagradas Escrituras, encontramos referências ao Espírito Santo. A narrativa da Criação se inicia com Ele se movendo sobre a face das águas quando a Terra estava no seu caos primordial (Gn 1:2). A palavra “mover” também poderia ser traduzida “agitar”, “esvoaçar”, como as asas de um pássaro. Esse papel criatorial do Espírito Santo é mencionado em Jó 26:13: “Pelo Seu Espírito ornou os céus”.
Salmo 33:6 também fala metaforicamente do Espírito Santo na Criação: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo Espírito da Sua boca”.*
O Espírito Santo não é apenas central na Criação, mas também está envolvido na sustentação da Criação através daquilo que podemos considerar como sendo as leis da natureza (veja Sl 104:29 e Is 34:16).
Versículos como esses deveriam obrigar os cristãos a julgar as pressuposições ateístas ou agnósticas da ciência natural contemporânea como fundamentalmente falhas.
A Nova Criação é um termo do Novo Testamento que se apropria da doutrina da Criação do Velho Testamento, e a centralidade do Espírito Santo é tão importante em uma quanto na outra‡. A doutrina do novo nascimento não é exclusiva ao Novo Testamento. Nicodemos foi admoestado pelo Senhor Jesus Cristo por causa da sua fraca compreensão desta importante doutrina do Velho Testamento, que alguém com o seu conhecimento religioso deveria ter conhecido. O Espírito Santo é fundamental para o novo nascimento de uma alma. Sua semelhança com o vento e a respiração é usada. O vento na visão que Ezequiel teve do vale de ossos secos (Ez 37:1-14) vem para vivificar os corpos sem vida, um exemplo no Velho Testamento da atividade do Espírito Santo, que Nicodemos deveria ter reconhecido.

Os dias de Noé
A impiedade do homem se multiplicou grandemente no período antediluviano. No entanto, a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, mesmo depois de Deus ter anunciado a Sua decisão de destruir o mundo com um dilúvio. Durante esse período o Espírito de Deus estava ativo. “Ele contendeu com o homem na sua impiedade desenfreada até que Deus cessou contender mais (Gn 6:3)”.
O fato que uma pequena minoria dos habitantes da Terra era de crentes fiéis demonstra a vivificação espiritual destes patriarcas que antes estavam mortos em ofensas e pecados. Abel, Enoque e Noé são três exemplos mencionados no Novo Testamento.
Além do Espírito Santo contender com o homem e vivificar almas, encontramos Seu testemunho em operação naquela era longínqua, através dos primeiros casos de profecia e pregação. A profecia de Enoque, acerca do juízo vindouro sobre o mundo que rejeitava a Deus, ia além do cataclismo imediato do juízo divino nos dias do seu neto Noé. O fato de Enoque estar ciente do dilúvio vindouro é indicado pelo significado do nome do seu filho Matusalém (“quando ele morrer virá”), e no mesmo ano da morte deste homem, o que mais tempo viveu, o Dilúvio levou todos os ímpios do mundo. A mensagem de Enoque também incorpora uma referência clara ao Arrebatamento dos santos antes da Segunda Vinda em juízo, pois precisa haver uma reunião prévia do Senhor com os Seus santos antes que eles sejam trazidos com Ele na manifestação apocalíptica.
Essa profecia notável é omitida no relato do Velho Testamento, e desvendada a nós somente na epístola de Judas. O Espírito Santo, que inspirou a mensagem inicial de Enoque, teve por apropriado, na Sua sabedoria, incorporar essa mensagem antiga numa das últimas epístolas do Novo Testamento — prova da imutável verdade e importância da profecia divina, não importa quão antiga ela seja, e da nossa confiança no Espírito Santo para preservar a Palavra de Deus através das eras.

Pregação
Noé era um pregador da justiça. Não pode haver dúvida que a sua pregação era no poder do Espírito Santo, pois o Novo Testamento afirma que foi através do Espírito Santo que o Senhor Jesus pregou aos espíritos em prisão (I Pe 3:19). Isto geralmente é entendido* como se referindo à pregação fiel de Noé àqueles antediluvianos que desprezaram a Deus, descritos por Pedro como “espíritos em prisão”. Eles tinham se beneficiado da longanimidade paciente de Deus; eles resistiram à obra do Espírito Santo; ignoraram a construção da arca que estava sendo construída diante dos seus próprios olhos, e foram desobedientes à pregação de Noé. Eles são coletivamente descritos como “o mundo dos ímpios” (II Pe 2:5).
É notável que o grande assunto da pregação de Noé era a justiça.
Hebreus 11 nos faz lembrar que Noé foi feito “herdeiro da justiça que é segundo a fé” — linguagem semelhante àquela usada de Abraão como herdeiro, em Romanos 4:3, onde é declarado que não foi pela Lei, mas pela justiça da fé. Justificação pela fé é o grande elemento unificador da pregação do Evangelho através de todas as eras. A pregação de Noé é singular pelo fato de ter durado mais tempo. Ele continuou pregando durante cento e vinte anos. O grande tema da justiça de Deus não pode ser exaurido, mesmo durante um período de tempo longo como esse.
Devemos notar que Noé pregava uma justiça exigida por Deus, enquanto que a mensagem de hoje é de uma justiça suprida por Deus no Seu Filho. Contudo, isso é uma lição e um desafio a todos que pregam o evangelho nesta era presente: temos nós esse tipo de compreensão da doutrina da justificação pela fé? É salutar perceber que a pregação de Noé, embora energizada pelo Espírito Santo, não resultou em conversões além daquelas da sua própria família. As Escrituras nos dizem que por ela, ele “condenou o mundo” (Hb 11:7).

Os profetas do Velho Testamento
O status dos escritos do Velho Testamento como divinamente inspirados diretamente pelo Espírito Santo é plenamente afirmado no Novo Testamento. Os profetas no Velho Testamento são descritos, cerca de nove vezes, como “Meus servos, os profetas” (ex. Jr 7:25; 26:5; 29:19; 35:15; 44:4). Eles tinham um mandato autorizado pelo Espírito para comunicar segredos revelados a eles por Deus, avisar de juízos vindouros por causa dos pecados do povo de Deus, e colocar diante do Seu povo a Lei de Deus. Abraão é a primeira pessoa especificamente chamada de profeta (Gn 20:7), embora, como já vimos, não fosse o primeiro a profetizar. Os outros patriarcas também são chamados de profetas, veja Salmo 105:15.
Embora não seja frequentemente mencionada em relação à inauguração dos profetas, a prática de ungir profetas era reconhecida; Elias é um exemplo disso, e os profetas patriarcais foram descritos como “Meus ungidos” (Sl 105:15). A unção de Davi por Deus é mencionada em relação aos seus salmos e declarações inspiradas, embora sua unção por
Samuel pareça concentrar-se na sua realeza. “Davi … o ungido do Deus de Jacó, e o suave em salmos de Israel”, disse: “O Espírito do Senhor falou por mim, e a Sua Palavra está na minha boca” (II Sm 23:1-2). A unção era uma prática ritual que significava que a pessoa era especialmente dotada pelo Espírito Santo para um ofício ou serviço específico.
Pela declaração de Moisés a Josué, no incidente de Medade e Eldade, aprendemos que os profetas eram constituídos profetas pelo Espírito do Senhor, quer fosse ou não aplicada uma unção externa. “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o Seu Espírito sobre ele!” (Nm 11:29).
O tema comum a “todos os Seus santos profetas desde o princípio” é a “restauração de tudo”, no segundo advento do Senhor Jesus Cristo (At 3:21-22). O ministério profético também envolvia repreender o povo pelo seu pecado. Como disse Miquéias: “Mas eu estou cheio do poder do Espírito do Senhor, e de juízo, e de força, para anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” (Mq 3:8). Houve, algumas vezes, certo grau de arrependimento associado com o adiamento do juízo iminente. Entretanto, como ressalta S. Ridout, não encontramos o profeta tentando restaurar à sua condição anterior um estado de coisas arruinado. “Para os olhos da razão o trabalho do profeta era desanimador e extremamente deprimente … Mas se o pessimismo repousava sobre a cena presente, a glória de Deus iluminava o futuro”.(RIDOUT, Samuel. Lecture 1 em The Person and Work of the Holy Spirit: Seven Lectures. Kilmarnock: John Ritchie Ltd, s.d.)
O Novo Testamento nos proporciona uma compreensão especial da obra do Espírito Santo no ministério profético do Velho Testamento.
Este tópico também se enquadra sob o cabeçalho da doutrina da Inspiração. A profecia provinha não de iniciativa humana, mas Divina.
“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (I Pe 1:21).
Além disso, os profetas eram estudiosos diligentes das suas próprias declarações, procurando saber sobre a futura salvação e graça e o tempo do cumprimento destas profecias. “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o Evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (I Pe 1:11-12). A passagem de I Pedro nos diz que o Espírito Santo “estava” nos profetas do Velho Testamento. Não devemos entender disso que Ele habitava neles no sentido do Novo Testamento, pois em seguida lemos que a transmissão “agora” da mensagem do Evangelho é através da pregação “pelo Espírito Santo enviado do céu”. (* De que outra forma Moisés saberia acerca do vitupério de Cristo, que ele estimou como maiores riquezas do que os tesouros do Egito? (Hb11:26)
Isto destaca uma distinção importante entre os profetas do Velho Testamento e os ministros da Nova Aliança de hoje. Os profetas do Velho Testamento profetizavam do futuro, dos sofrimentos de Cristo e da glória que se haveria de seguir, as quais são agora proclamadas como fatos históricos pelo pregador do Evangelho. O Espírito Santo está na Terra, tendo sido “enviado do céu”. Ele não está mais temporariamente nos cristãos, Ele habita neles permanentemente. Os profetas do Velho Testamento receberam do Espírito Santo a revelação de que a sua profecia estava relacionada com o futuro e com a geração vindoura. Enquanto cremos que eles permaneceram ignorantes dos mistérios doutrinários do Novo Testamento, não devemos subestimar a sua compreensão, dada pelo Espírito, de doutrinas importantes.
Nem toda a profecia do Velho Testamento foi proclamada por “homens santos de Deus”. Nas Suas operações soberanas, o Espírito Santo às vezes julgou apropriado operar nos inimigos de Deus, fazendo-os * De que outra forma Moisés saberia acerca do vitupério de Cristo, que ele estimou como maiores riquezas do que os tesouros do Egito? (Hb11:26)  proferir palavras e fazer coisas que eram contrárias às suas inclinações e trajetória. Balaão e Saul são dois dos principais exemplos disso. O último exemplo de um profetizar involuntário da parte de um inimigo de Deus é visto em Caifás, que disse aos seus companheiros: “Vós nada sabeis, nem considerais que nos convém que um homem morra pelo
povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isso de si mesmo, mas sendo o sumo sacerdote daquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação …” (Jo 11:49-52).

O Tabernáculo
O Espírito de Deus era o principal agente que capacitava as pessoas na construção do Tabernáculo no deserto. Bezalel é especialmente destacado como o artesão chefe do grande projeto do Tabernáculo. Ele é descrito como sendo cheio “do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência, e em todo o lavor” (Êx 31:3). Associados com ele estavam Aoliabe e um número indeterminado de indivíduos anônimos que são descritos como “sábios de coração”. Destes é dito: “Tenho dado sabedoria de coração a todos aqueles que são hábeis, para que façam tudo o que tenho ordenado” (Êx 31:6). Essa infusão de sabedoria divina não é o mero aumento da uma qualidade natural notável, pois em Êxodo 28:3 os homens sábios de coração que foram encarregados de fazer as vestes sacerdotais de glória e beleza, são descritos como cheios do “espírito de sabedoria”, isto é, o Espírito Santo. O posterior Templo de Salomão deve a sua existência ao Espírito Santo, pois o seu modelo, que Davi entregou a Salomão, foi dado a Davi pelo Espírito Santo: “… a planta de tudo que ele tinha pelo Espírito* …” (I Cr 28:12). (* As versões em Português traduzem “mente” ou “ânimo”, mas o texto da KJV em inglês traduz “Espírito”. No hebraico é usada a palavra normal para “espírito” no VT (ruach), palavra que também pode ser traduzida “mente”, “sopro”, etc. (N.do E.)).
Assim aprendemos que o centro de ajuntamento para o povo de Deus — Sua habitação terrena, ou templo — era o resultado direto da mente de Deus. O Espírito de Deus comunicou o padrão, e a construção (incluindo coisas como as vestes sacerdotais) não foi o mero produto de habilidade humana, mas de trabalhadores habilidosos dotados com o Espírito de Deus. Sendo que foi assim nos tempos do Velho Testamento, o que devemos esperar em relação à base atual para o ajuntamento do povo de Deus e a habitação de Deus na Terra, hoje? Vivemos numa era de grande indiferença entre os cristãos, em relação a esta questão. Os colaboradores deste livro estão convencidos que somente as Escrituras fornecem o padrão dado pelo Espírito que permanece como a autoridade máxima para o ajuntamento dos cristãos, e que os princípios do Novo Testamento para a igreja se tornam operacionais somente através de dependência no Espírito de Deus e em concordância com a Sua vontade revelada (veja “A glória da igreja local”, publicado por Assembly Testimony). ( Esperamos publicar este livro logo, se Deus permitir. Cremos plenamente na afirmação feita acima sobre a importância de seguirmos o padrão deixado pelo
Espírito na Bíblia para as igrejas locais, e fazê-lo no poder do próprio Espírito (N. do E.)).

O Espírito Santo e o Messias
Há duas passagens em Isaías que são de especial importância em profetizar sobre o papel e a ação do Espírito Santo em relação à vinda do Messias. Isaías 11:2 declara: “E repousará sobre Ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”.
Reconhecemos, imediatamente, que isto se cumpriu no Senhor Jesus Cristo. O cumprimento é relatado na descida visível do Espírito Santo que repousou como pomba sobre o Senhor Jesus. No entanto, há ainda um sentido no qual uma aplicação mais ampla deste versículo é verdade, em relação aos cristãos da era presente, pois em I Pedro 4:14 lemos: “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus”. Não era assim com os crentes do Velho Testamento — nem mesmo com os heróis da fé mais notáveis em Hebreus 11 — mas é verdade quanto aos cristãos desta dispensação.
É um exemplo da grandeza do nosso privilégio, nesta época da graça, encontrar o Espírito Santo aplicando a pecadores redimidos, em I Pedro 4:14, linguagem que originalmente era verdadeira somente
do Senhor Jesus Cristo (em Is 11:2). Vamos reconhecer, juntamente com Paulo, a nossa dívida de gratidão, atribuindo louvor e adoração “àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” (Ef 3:20-21).
Em Isaías 11:2, cada um dos títulos do Espírito Santo é significativo e digno de consideração — especialmente quando nos perguntamos até que ponto estamos cheios do Espírito.

O Espírito de sabedoria
Esse tipo de sabedoria não é cultivada através do intelecto ou do esforço do homem … pois ela é vida, força, uma capacidade que entra na própria composição da alma e é o próprio princípio da sua existência e bem-estar. Vem de cima e conduz a mente às coisas que são de cima … Logo esta sabedoria parece ser a principal das operações divinas do Espírito; porque é a base e o fundamento de todo o resto.
Josué é um exemplo histórico de alguém descrito como cheio do Espírito de sabedoria (Dt. 34:9), e em outro lugar ele é descrito como “um homem em quem está o Espírito”, o que nos dá uma prova suplementar de que o “espírito de sabedoria” é um título divino. Devemos notar que a menção de Josué ter o Espírito precede, e não está casualmente
relacionado com, a imposição das mãos de Moisés. Aquela cerimônia ocorreu em obediência ao Senhor que disse a Moisés: “E põe sobre ele da tua glória, para que lhe obedeça toda a congregação dos filhos de Israel” (Nm 27:20). Temos um nobre exemplo desse aspecto do ministério do Espírito Santo pós-Pentecostes na pregação de Estêvão, (Atos 6:8-15 — é importante aprender a lição que destreza e habilidades oratórias, mesmo quando tão manifestamente energizadas pelo Espírito Santo e acompanhadas por milagres, não garantem sucesso em convencer os ouvintes. Mas o testemunho de Estêvão não foi nenhum fracasso. Saulo de Tarso estava entre os ouvintes, e embora fosse então um inimigo fervoroso de Cristo, depois da sua conversão os elementos-chave do seu ministério doutrinário podem ser traçados ao último nobre sermão de Estêvão.) quando seus oponentes incrédulos “não podiam resistir à sabedoria, e ao
espírito com que falava”.

O Espírito de entendimento
Isto significa entendimento principalmente no sentido de discernimento.
Essa faculdade era essencial para o exercício do serviço sacerdotal, tanto ao fazer distinções morais e espirituais quanto como um pré-requisito para ensinar os outros (Lv 10:10-11; Ml 2:7). Entre os cristãos de hoje, esse discernimento é um aspecto de maturidade espiritual (Hb 5:14).

O Espírito de conselho e de fortaleza
“Conselheiro” é um dos títulos do Salvador prometido. Ele será caracterizado pelo conselho de paz ao combinar os ofícios de Rei e Sacerdote no reino futuro. (* Desde Melquisedeque não se vê um resultado pacífico da combinação dos ofícios de Sacerdote e Rei sobre a Terra. Somente o Senhor Jesus Cristo poderá fazer isso (Zc 6:13).)Essa é uma característica rara, mas altamente valorizada entre os cristãos. Paulo lamentou a ausência disto em Corinto ao contemplar a triste cena dos irmãos se lançando em litígio uns contra os outros (I Co 6:1-11). Que sejamos cuidadosos e aprendamos, nos nossos dias, as lições de Corinto, e que possamos aprender daquele que é manso e humilde de coração (Mt 11:29).
“Fortaleza” refere-se ao poder onipotente que acompanha o conselho divino e que o torna diferente de mero conselho. Além do mais, somos lembrados que qualquer outra forma de poder é vã, comparada com Ele: “Não por força, nem por violência, mas sim pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6).

O Espírito de conhecimento e de temor do Senhor
A aquisição de conhecimento espiritual não pode ser obtida independentemente do Espírito do Senhor; e nem pode ser separada de um intenso senso do temor do Senhor. “Se alguém quiser [“está disposto a”, diz Newberry] fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus” (Jo 7:17). O Espírito Santo é aquela unção comum a todos os cristãos desta era, e que age para promover percepções espirituais acuradas, independentemente de dependência em ensinadores humanos (I Jo 2:20-21). O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e isso nos leva diretamente de volta ao primeiro atributo do Espírito, mencionado no nosso breve estudo de Isaías 11:2. A associação da perfeita e imensurável plenitude do Espírito Santo repousando sobre o impecável Filho de Deus encarnado é digna de muita reflexão reverente. Verdadeiramente, Ele é digno dos títulos: “Maravilho, Conselheiro, Deus Forte, o Pai da Eternidade, o Príncipe da Paz” (Is 9:6).
Isaías 61 começa com as palavras: “O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim; porque o Senhor Me ungiu para pregar as boas novas aos mansos …”. Essa passagem foi escolhida pelo Senhor Jesus Cristo naquele notável incidente na sinagoga de Nazaré, registrado em Lucas 4.
Quando o Senhor Jesus leu essa mesma passagem do rolo de Isaías, Ele encerrou a leitura imediatamente após ler as palavras “a anunciar o ano aceitável do Senhor” — no meio da frase; Ele omitiu as palavras “e o dia da vingança do nosso Deus” — e fechando o livro entregou-o novamente ao assistente e Se assentou. Os ouvintes ficaram estarrecidos. “Então
começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (v. 21). Para os ouvintes de Nazaré isso foi algo surpreendente. Ele havia acabado de Se identificar com o Messias ungido pelo Espírito.
Nem menos surpreendente foi o ponto onde o Senhor parou de ler, pois o Senhor estava inserindo ali, naquele versículo de Isaías 61, um grande intervalo dispensacional — aquele no qual ainda estamos agora. O “dia da vingança do nosso Deus” ainda está para se cumprir.

O Espírito Santo antes e depois de Pentecostes
Parece, através do Velho Testamento e dos Evangelhos, que o relacionamento do Espírito Santo com o crente era semelhante em cada dispensação anterior a Pentecostes. O Espírito não habitava nos crentes, naquele tempo.
Há exemplos no Velho Testamento de indivíduos dos quais se diz que tinham o Espírito Santo, e estes são às vezes usados para contradizer essa afirmação. Entretanto, esses casos não são típicos dos santos do Velho Testamento em geral, mas sim de pessoas especiais que foram escolhidas para cumprir um papel específico em serviço para Deus.
Há aqueles dos quais se diz que eram cheios do Espírito Santo (Bezalel e seus companheiros — veja acima). Lemos de outros “em quem está o Espírito” (José e Josué). Sobre os Setenta Anciãos está escrito que, quando o Espírito repousava sobre eles, eles profetizavam. No caso de vários juízes, o Espírito do Senhor vinha sobre eles. Estão incluídos Otniel (Jz 3:10), Gideão (6:34), Jefté (11:29), e Sansão (esporadicamente, na sua conturbada carreira — Juízes caps. 13-15).
O Espírito do Senhor também veio sobre Saul, como profetizado por Samuel (I Sm 10:6), em mais de uma ocasião. Entretanto, depois da unção de Davi lemos que “o Espírito do Senhor se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do Senhor” (I Sm 16:14), embora mesmo durante a sua perseguição de Davi, há uma ocasião final quando o Espírito de Deus veio sobre ele fazendo-o profetizar (I Sm 19:23-24). Davi era diferente de Saul no fato que, “desde aquele dia em diante o Espírito do Senhor Se apoderou de Davi” (I Sm 16:13), indicando assim que o Espírito Santo esteve em Davi no decorrer da sua vida. Davi era muito cônscio desse privilégio, e na sua contrição, relacionada ao caso de Urias, o heteu, e sem dúvida lembrando-se do que acontecera com Saul, ele suplica: “Não retires de mim o Teu Espírito Santo” (Sl 51:11). O cristão de hoje não deve orar: “Não retires de mim o Teu Espírito Santo”, pois sabemos que somos, por Ele, “selados para o dia da redenção” (Ef 4:30).
A análise abrangente desses casos do Velho Testamento leva à conclusão que são exemplos da energização do Espírito para a execução de uma tarefa específica, ou para o exercício de um ofício*. Eles não ensinam que o Espírito Santo habitava nos crentes naquele tempo, como Ele habita agora, depois de Pentecostes. (O uso que J. F Walvoord faz da expressão “habitar em” para descrever o “ser cheio” e a “vinda sobre” do Espírito Santo nas pessoas no VT, é uma escolha infeliz de terminologia no seu livro, que do resto é muito útil. The Holy Spirit: A comprehensive study of the Person and Work of the Holy Spirit. Grand Rapids, MI: Zondervan, 1974, 3ª edição.)

Manifestações milagrosas do poder do Espírito nos tempos do Velho Testamento
O poder do Espírito Santo para fisicamente arrebatar uma pessoa (por exemplo, Elias) e transportá-la instantaneamente para outro lugar, era plenamente aceito pelos Israelitas crentes — Obadias temeu que isso acontecesse depois dele informar Acabe do paradeiro de Elias (I Rs 18:12), e os filhos dos profetas erroneamente postularam isto, como explicação para o desaparecimento de Elias depois dele ter sido arrebatado para o Céu (II Rs 2:16). Ezequiel também passou por esta experiência sobrenatural de ser transportado pelo Espírito Santo, em diversas ocasiões (Ez 3:14; 8:3; 11:1; 43:5).
O mesmo fenômeno é também exemplificado no Novo Testamento, no caso de Filipe, o evangelista (At 8:39). A força sobrenatural dada a Sansão e suas proezas de força e resistência física são diretamente atribuídas ao Espírito de Deus. Outros milagres do Velho Testamento são creditados a Deus, ou ao Senhor, sem maiores distinções quanto às Pessoas divinas.

Hostilidade contra o Espírito Santo
Perto do final do Velho Testamento, quando israelitas piedosos contemplavam a historia nacional, eles reconheceram o pecado e o fracasso do povo em obedecer a Deus. Eles reconheceram, especificamente, a questão da resistência e oposição ao Espírito Santo por parte da nação como um todo. Esta hostilidade contra o Espírito Santo se manifestou na indiferença e inimizade contra os profetas, divinamente comissionados. “E deste o Teu bom Espírito para os ensinar” (Ne 9:20). “Porém estendeste a Tua benignidade sobre eles por muitos anos, e testificaste contra eles pelo Teu Espírito, pelo ministério dos Teus profetas; porém eles não deram ouvidos; por isso os entregaste nas mãos dos povos das terras” (Ne 9:30). “Mas eles foram rebeldes, e contristaram o Seu Espírito Santo; por isso Se lhes tornou em inimigo, e Ele mesmo pelejou contra eles” (Is 63:10). “Sim, fizeram seus corações como pedra de diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo Seu Espírito por intermédio dos primeiros profetas; daí veio a grande ira do Senhor dos Exércitos” (Zc 7:12). O resumo de Estêvão da história de Israel continua este tema, e ele intencionalmente conclui com as palavras: “Vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais. A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas” (At 7:51-52).
Aspectos futuros do Espírito Santo revelados no Velho Testamento Com o arrebatamento da Igreja, a operação do Espírito Santo no mundo para impedir o aparecimento do Homem do Pecado cessará. O
relacionamento do Espírito Santo com o mundo e os fiéis sobre a Terra voltará a ser como era nos dias do Velho Testamento. Isso não indica a ausência do Espírito Santo, como fica claro pelo fato que haverá muitas conversões (Ap 7:9-17), e pela presença de um remanescente fiel em Israel.
A estes mensageiros do Reino vindouro, perseguidos durante a Tribulação, o Senhor Jesus promete que o Espírito Santo os suprirá com o que devem falar quando interrogados por Sua causa (Mt 10:17-20).
É certo que no Milênio o Espírito Santo habitará nos fiéis, e que esse é um dos resultados do pleno cumprimento da Nova Aliança. Ezequiel 36:25-29 fala da nação de Israel restaurada e sendo aspergida com água limpa, purificada de toda a sua imundícia. Essas pessoas restauradas receberão um novo coração e um novo espírito. Deus promete: “E porei dentro de vós o Meu Espírito, e farei que andeis nos Meus estatutos, e guardeis os Meus juízos, e os observeis”.
Diz a grande promessa de Isaías 59:21: “Esta é a Minha aliança com eles, diz o Senhor: o Meu Espírito, que está sobre ti, e as Minhas palavras que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre”. Isso nos ensina que os fiéis de Israel que entrarem no Milênio terão em si mesmos o Espírito Santo, assim como seus descendentes que se tornarem verdadeiros crentes eternamente. Jeremias 31:33-35 é uma passagem semelhante sobre a Nova Aliança, e é novamente explicada em Hebreus 8, que embora não menciona claramente o Espírito Santo, está em pleno acordo com outras passagens que o fazem. A rebelião final de Gogue e Magogue consistirá daqueles gentios não salvos que viverão na periferia da bênção divina, e não inclui ninguém da semente de Israel (Ap 20:8-9).
Enquanto todos os que entrarem no Reino Milenar serão regenerados (Jo 3:3, compare com Zc 14:16), os descendentes da primeira geração de gentios cristãos não serão todos salvos, e enquanto a conformidade aparente ao domínio justo do Reino não será desafiada, a multidão dos rebeldes, no final, provará que mil anos de paz mundial com justiça, não melhorou em nada a depravação natural do coração humano.
A descrição dessa bem-aventurança futura de Israel inclui a promessa de que o Espírito Santo será “derramado”. Joel 2:28-32 é a passagem específica citada no Dia de Pentecostes. Isaías 44:3 também fala do mesmo derramamento do “Meu Espírito sobre a tua semente”, e Ezequiel 39:29 diz: “Pois derramarei o Meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor Deus”. A fase inicial desse derramamento do Espírito Santo é descrita em Zacarias 12:10, onde Deus promete que durante o dia do retorno vitorioso do Senhor Jesus Cristo a Jerusalém, “sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graças e de súplicas; e olharão para Mim, a Quem traspassaram”.
Este é o momento do arrependimento do remanescente de Israel. “Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi, e para os habitantes de Jerusalém, para purificação do pecado e da imundícia” (Zc 13:1), indicando que esse arrependimento nacional e o derramamento do Espírito de Deus, dependem da aplicação do poder purificador do grande Sacrifício do Pastor ferido (Zc 13:7).
A citação de Joel 2 no sermão de Pedro, em Atos 2, não quer dizer que a descida do Espírito Santo no Pentecostes, e todos os fenômenos miraculosos associados com isso, tenha cumprido plenamente essa profecia.
Pedro diz: “Isto é o que foi dito …”, mas deve-se diferenciar isto de um cumprimento final. Walvoord* nos ajuda, ao apontar uma diferença importante entre a vinda do Espírito Santo no Pentecostes e o derramamento do Espírito no Segundo Advento. O batismo do Espírito é notável por estar relacionado, de forma exclusiva, com a doutrina da Igreja que é o Seu corpo (I Co 12:13), e limitada à dispensação presente.
Não há nenhuma referência ao batismo do Espírito em qualquer outra era. O testemunho coletivo à verdade divina na época presente é caracterizado pelo desaparecimento de distinções nacionais. Não há “parede de separação” entre aqueles que Deus tirou dentre as nações como um povo para o Seu nome (Ef 2:11-12; At 14:14). Após o arrebatamento, entretanto, as distinções nacionais e as promessas proféticas voltarão a operar. A ideia de um organismo transnacional como o Corpo de Cristo presente na Terra é desconhecida na Tribulação ou no Milênio.

Reprimidor do mal
Em todas as dispensações o Espírito opera como um reprimidor do mal. Seja como em Gênesis, contendendo com os antediluvianos, ou como aquele que resiste em II Tessalonicenses 2, cuja remoção (no Arrebatamento) abrirá a porta para o aparecimento do Homem do Pecado, o Espírito Santo representa uma restrição poderosa sobre a maldade humana. Isso se dá, além de intervenção divina direta, através do impacto da palavra profética, ou do exemplo moral dos justos, ou da influência das Escrituras Sagradas. Toda a história do Velho Testamento testemunha disto. O testemunho inconsciente prestado a essa verdade ocorre nos escritos de historiadores seculares e até mesmo de jornalistas contemporâneos.

Representações simbólicas do Espírito Santo
Uma introdução abrangente à doutrina do Espírito Santo no Velho Testamento precisa notar as passagens onde Ele não é explicitamente mencionado, mas Sua presença e atividade são ensinadas, de forma emblemática.
Este assunto já foi tratado em muito mais detalhe no cap. 2 deste livro. Outra referência útil é o livro de Samuel Jardine: Floods upon the Dry Ground. Assim, aqui nos limitaremos a mencionar quatro dos símbolos mais destacados no Velho Testamento. Pomba O relato do batismo do Senhor Jesus Cristo no Novo Testamento, escrito por João, não deixa dúvida quanto ao significado desta figura. Ela
ocorre em Gênesis, vista por alguns no “mover-se” do Espírito Santo sobre a face das águas em 1:2, a primeira de tais referências. A primeira referência explícita está na pomba de Noé, em Gênesis 8:8, onde a sua pureza é destacada em contraste com a impureza do corvo carnívoro.

Vento/Sopro
A palavra traduzida “Espírito” (ruach) algumas vezes é traduzida “sopro” ou “vento”. No ato da criação de Adão, Deus soprou em suas narinas o fôlego (ou sopro) da vida. A invocação do vento por Ezequiel para soprar o fôlego de vida nos corpos do vale de ossos secos (cap. 37) é mais uma ilustração. Exemplos do poder divino em destruição ou juízo, associados com o sopro de Deus ou com o vento, ocorrem no Velho Testamento e ilustram a ação do Espírito Santo. Entre eles estão a desolação da infiel Samaria (Os 13:15-16), o vento destruidor contra Babilônia (Jr 51:1), e a morte do ímpio pelo sopro dos Seus lábios (Is 11:4) — que é tão semelhante à descrição de Paulo da destruição do Homem do Pecado com o sopro da Sua boca (II Ts 2:8).

Azeite
O uso de azeite como combustível para lâmpadas é um símbolo do Espírito Santo tanto no Velho quanto no Novo Testamentos. Veja Zacarias 4:1-10, comparando com Apocalipse 4:5 e com os detalhes do castiçal de ouro do Tabernáculo. Essa figura também está contida no significado do azeite na parábola das dez virgens, em Mateus 25.
O azeite também é uma figura do Espírito Santo no que diz respeito à unção. As três ordens especiais de serviço espiritual no Velho Testamento são: profeta, sacerdote e rei. Para cada um desses há exemplos da sua nomeação através de uma unção cerimonial. Isso representa o símbolo visível do Espirito Santo, suprindo as habilidades necessárias para o desempenho do ofício. No caso de Davi, a unção por Samuel estava intimamente associada com a vinda do Espírito Santo sobre ele, daquele momento em diante. Já temos observado anteriormente a unção dos profetas. A mistura especial de óleo usada para ungir o Sumo Sacerdote era feita segundo a arte do perfumista, e era chamada de azeite da santa unção. Era uma substância muito restrita, pois havia uma proibição severa contra qualquer imitação da sua composição e contra sua aplicação não aprovada (Êx 30:22-38). Era usado na consagração do Sumo Sacerdote e seus filhos, e usado também para ungir o Tabernáculo com seus utensílios e vestes sacerdotais*, indicando que o Espírito Santo era indispensável na operação do sistema sacerdotal no Tabernáculo. O Salmo 133 usa essa unção fragrante permeando o Sumo Sacerdote e suas vestes como uma metáfora da união espiritual entre irmãos. Isso enfatiza o valor que Deus vê na união entre irmãos, e nos ensina que isso só pode ser alcançado através de dependência no Espírito Santo. Essas lições tipológicas deixam óbvio que a igreja local, como uma congregação de Deus, requer a presença do Espírito Santo para torná-la e mantê-la operacional. Vários movimentos para promover a união entre cristãos professos, baseados numa espiritualidade falsa, espelham as tendências da carne de violar a proibição de usar uma imitação do azeite da unção.
Tais inovações são da carne e promovem o controle humano, usurpando o controle do Espírito Santo entre os cristãos.

Água
No clima semidesértico de Israel, com sua economia agrícola, havia uma maior apreciação deste símbolo específico do Espírito Santo do que em países bem regados pela chuva. Em Isaías 44:1-5 há uma promessa muito clara da concessão futura do Espírito Santo à restaurada nação de Israel, representada por água derramada “sobre o sedento, e rios sobre a terra seca”. Isso combina com as palavras do Salvador em João 7:38-39, onde essa promessa é condicionada à glorificação do Senhor Jesus. Nacionalmente, ela ainda espera seu cumprimento futuro para Israel. O “homem bem-aventurado” do Salmo 1 é comparado a “árvore plantada junto a ribeiros de águas” (v. 3), simbolizando o segredo espiritual do sustento e da fertilidade num mundo hostil. Isaías 12:3 representa a alegria de tirar águas das fontes da salvação. Isaías 55:1 lança um convite do Evangelho: “Vós, os que tendes sede, vinde às águas”. O Senhor Jesus Cristo disse no Seu discurso à mulher de Samaria: “Qualquer que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” (Jo 4:14). Não há outra provisão para a alma sedenta a não ser o Senhor Jesus Cristo como Salvador, e o gozo da salvação através do Espírito Santo. Será que o leitor já obedeceu ao chamado final do Evangelho, da parte do Espírito Santo: “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: vem. E quem tem sede venha. E quem quiser, tome de graça da água da vida”? (Ap 22:17

 

por Samuel James McBride, Irlanda do Norte

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