OS ANJOS DAS IGREJAS NO APOCALIPSE

Leitura: Apocalipse 1 - 3
 
A compreensão da palavra "anjo" relacionada a cada igreja tem sido um dos pontos de maior controvérsia durante anos, e uma variedade de interpretações são apresentadas. Alguns comentaristas insistem que a dificuldade surge porque a palavra "angelo i"  foi transliterada e não traduzida. Ao invés do seu significado normal, "ser espiritual", os que defendem este ponto de vista a traduzem como "mensageiro". Temos que reconhe- cer que ela é assim traduzida em Mat. 11: 10; Mar. 1:2 (ARA); Luc. 7 :24, 27 (ARA); 9:52; II Cor. 12:7; Fil. 2:25 - assim, sete vezes de um total de 186 ocorrências da palavra. Isto faz do anjo somente um mensageiro humano que levaria (como um carteiro) a epístola às igrejas menciona- das. O comentarista que apresenta os argumentos mais claros sobre este ponto de vista provavelmente é G. A. Hadiantonlou no seu livro The Postman of Patmos (O Carteiro de Patmos). Embora este ponto de vista é atrativamente simples, os argumentos contra ele são importantes:
 
A) A razão por que a palavra angeloi deveria ser traduzida "mensagei- ro" nos três primeiros capítulos, mas "anjo" em todas as outras 67 ocorrências da palavra neste livro, nunca foi explicada de maneira satisfatória.
B) É muito difícil entender como um "mensageiro", ou até mesmo, como alguns sugerem, "secretário" ou "correspondente", poderia ser considerado responsável pelos fracassos das igrejas. O anjo é acusado pelo Senhor como se ele fosse a igreja.
 
Muitos comentaristas, talvez a grande maioria, fariam do anjo um símbolo "do bispo", "do pastor" ou "ministro" da igreja. A expressão varia de acordo com a convicção eclesiástica do comentarista, mas o anjo é visto, geralmente, como o homem responsável pela igreja. Os que compreendem que esta interpretação é antibíblica, além de anacrônica, diriam que o anjo simboliza "o presbítero responsável", "o elemento responsável", ou simplesmente "a liderança" da igreja. Estas explica- ções novamente são atraentes e simples, mas apresentam as seguintes dificuldades:
 
a) É óbvio que o anjo não faz parte da igreja, fisicamente, pois as estrelas estão na mão do Senhor e Ele está no meio dos candeeiros.
 
b) O anjo é mencionado e acusado corno se ele fosse a igreja. O Senhor nunca sugere que o anjo deveria agir independentemente da igreja.
 
d)As estrelas são símbolos; o Senhor explicou que os símbolos são anjos. Para ir além disto, seria criar um símbolo do símbolo, e acrescentar uma explicação pessoal. Sabemos que temos um símbolo duplo em 17:9-10, mas ali ele é explicado. Nenhuma explicação é dada aqui, e parece que precisaríamos ter cuidado na aceitação desta interpretação. Há sempre o perigo de usarmos a imaginação neste método de interpretação. Tal passo de interpretação simbólico duplo necessitaria uma indicação clara, que não temos neste caso. W. Hoste, referindo-se a esta interpretação do anjo, dá uma explicação bem clara: "Outros, também, talvez com mais autoridade bíblica, vêem nos anjos aqueles que são capacitados para governar e edificar nas igrejas - os pastores responsáveis ao Sumo Pastor. A objeção a isto, que eu considero insuperável, é que um símbolo não pode ser interpretado por um símbolo. Os candeeiros são simbólicos de igrejas literais, e as estrelas só podem representar seres angelicais literais".
 
Ver o anjo de cada igreja como um anjo literal é talvez o ponto de vista com maior apoio bíblico. Não podemos duvidar do fato de que os anjos literais tem um grande interesse na Igreja dispensacional (Ef. 3: 10) e local (I Cor. 11: 10), mas concluir que. um anjo literal está associado com cada igreja local provoca uma série de perguntas difíceis de responder. A idéia de um "anjo de guarda" para cada igreja local pode agradar à nossa inclinação religiosa, mas tem pouco apoio bíblico. Também, parece estranho que anjos, que são chamados de "santos" e "eleitos", sejam acusados de fracasso e pecado, e chamados a se arrependerem. Dizer que as características especiais deste livro exigem este método de apresentação parece simplesmente querer evitar a questão, e levantar perguntas difíceis sobre como um anjo e uma igreja podem se comunicar. O ponto de vista literal precisará de alguma modificação.
 
Aceitando o anjo literalmente, há uma maneira bíblica de entender o que o Senhor quer dizer com isso. Há uma linha de ensino nas Escrituras que mostra uma correspondência entre as coisas celestes e seu correlativo terrestre (veja Heb. 8:2, 5; 9:23-24). Quando é o caso de pessoas, parece que a palavra "anjo" é usada de forma representativa. É assim que o Senhor usou a palavra em Mat. 18: I O, em relação àqueles que Ele chamou de "pequeninos". "Porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus". Isto não deve ser mal interpretado como sendo um "anjo de guarda" - pelo contrário, a idéia é que os pequeninos são representados por anjos no Céu. A reação dos cristãos reunidos, que disseram: "é o seu anjo" (Atos 12: 15), quan- do Rode anunciou a chegada de Pedro, se encaixa nesta mesma classe - não estavam pensando em "seu fantasma", nem "seu anjo da guarda"; eles queriam dizer "seu representante". A palavra de conforto a Josué, o sumo sacerdote da nação de Israel restaurada da Babilônia em Zac. 3:7, é muito relevante: "e te darei lugar entre os que estão aqui". O interesse dos céus era tal que eles tinham seus representantes no Céu. A idéia é de representação diante de Deus.
 
Assim, se os candeeiros representam congregações literais e físicas, vistas contra um fundo terrestre, então as estrelas devem representar o mesmo grupo, mas na sua condição moral e espiritual contra um fundo celestial. A expressão que o Senhor usou para representar sua verdadeira condição é "anjo". Se surgir o argumento que isto parece estar repetindo o erro do símbolo duplo, podemos dizer que não é verdade; estamos simplesmente aplicando a palavra "anjo" a um de seus significados autorizados, apresentados nas Escrituras. O uso que o Senhor faz da palavra "anjo" focaliza, de maneira representativa, a idéia do verdadeiro "espírito" ou "essência" da igreja. No "anjo" representativo a igreja é vista contra um fundo celestial, e assim não pode haver engano - tudo é real, o verdadeiro estado da igreja está em vista. Por esta razão é o anjo, a igreja, vista no seu estado espiritual verdadeiro, que é aprovado, condenado, cobrado e desafiado.
 
Pode surgir a pergunta: por que o Senhor usa a palavra "mistério" (musterion) em relação às sete estrelas e sete candeeiros? A palavra precisa ter seu significado normal no NT, indicando algo que não pode ser conhecido pelo processo de dedução humana, mas é revelado por Deus, no Seu tempo. Portanto, o mistério deve estar na razão, ou razões, por que o Senhor escolheu estas sete igrejas para receber as mensagens. Em outras palavras, o Senhor está indicando que há mais envolvido aqui do que apenas sete mensagens a sete igrejas. Este mistério será revelado, no tempo determinado, pelo próprio Senhor.
 
(Extraído do Comentário RITCHIE – Apocalipse de James Allen
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