Não há necessidade de listar aqui, mais uma vez, os muitos desastres naturais aos quais nosso planeta Terra está sujeito de tempos em tempos. Também não podemos ignorar o efeito destrutivo que eles têm sobre a vida e a propriedade humana.
Pense nos estragos causados pelos terremotos no Japão e na Turquia, ou pelas enchentes em Bangladesh e na Europa Oriental e pela fome na Etiópia nos últimos anos.
No entanto, não devemos ignorar o fato de que, quanto mais a ciência descobre sobre o nosso planeta, mais incrivelmente notável ele parece ser.
 
NOSSO PLANETA INCRIVELMENTE NOTÁVEL
 
Antes de qualquer coisa, ele sustenta a vida! E não simplesmente a vida, mas a vida inteligente, mentes que podem girar em torno do universo e começar a entender como ele funciona e perguntar como tudo começou e qual é o objetivo final de sua existência. Por existe? Quanto tempo ele irá durar? Quando ele irá acabar? — e, naturalmente, por que ele sofre o que chamamos de desastres naturais?
O eminente físico e matemático, o Professor Paul Davies, parece não acreditar em Deus como descrito na Bíblia. Contudo, a existência de mentes inteligentes em nosso planeta moveu-o a escrever o seguinte:
“Eu não posso acreditar que nossa existência neste universo é um mero equívoco do destino, um acidente da história, um incidente insignificante no grande drama cósmico. O nosso envolvimento é muito íntimo. A espécie Homo Sapiens pode não contar para nada, porém a existência da mente em algum organismo em algum planeta do universo é, certamente, um fato de fundamental importância. Através de seres conscientes, o universo gerou autoconsciência. Isso não pode ser um detalhe trivial, ou um inferior subproduto de forças irracionais e despropositadas. Nós estamos realmente destinados a estar aqui.”¹
Não é como se planetas capazes de sustentar formas avançadas de vida fossem algo comum no universo. O falecido Professor Carl Sagan acreditava, fervorosamente, na possibilidade da existência de seres inteligentes em outros planetas do universo. No entanto, ele mesmo estimou que, teoricamente, apenas 0,001% de todas as estrelas poderia ter um planeta capaz de sustentar vida avançada (e isso, agora, parece ter sido uma estimativa excessivamente grande). Depois de passar uma vida inteira pesquisando e gastando milhões de dólares tentando encontrar evidências da existência de tais seres inteligentes, ele não encontrou nenhuma. 2
É verdade, nenhum dos outros planetas em nosso sistema solar é capaz de sustentar formas avançadas de vida. E, quando se considera a longa lista (que continua crescendo) das condições que agora nós sabemos que têm de haver, e são cumpridas pelo nosso planeta a fim de sustentar a vida, a evidência de que o nosso planeta foi cuidadosamente projetado e construído com essa finalidade torna-se impressionante.3 A partir disso, também, parece que - citando a frase de Paul Davies, “estamos realmente destinados a estar aqui”.
E há também a fantástica complexidade da maquinaria bioquímica em todas as células do corpo humano. No livro The Concept of a Creator, o astrônomo de Cambridge, Fred Hoyle, e o matemático Chandra Wickramasinghe, escrevendo sobre as enzimas básicas necessárias para a vida, observam:
“Um cálculo simples mostra que a possibilidade de obter o total necessário de 2000 enzimas montando, aleatoriamente, cadeias de aminoácidos é excessivamente mínima. A chance é... p contra 1, sendo p um enorme número superastronômico igual a 1040,000 (1 seguido por 40.000 zeros)... Se todas as outras condições relevantes para a vida também são levadas em conta no nosso cálculo, a situação... torna-se ainda pior. As probabilidades de um em 1040,000 são horrendamente suficientes, mas isso teria de ser elevado para um grau muito maior. Tal número excede o número total de partículas fundamentais por todo o universo observado, por muitos, muitos graus de magnitude. Estas são as chances de vida ser produzida de maneira puramente mecânica...”
Assim, mais uma vez, evidências esmagadoras apontam para o fato de que a nossa existência como seres humanos no planeta Terra não é o resultado de forças irracionais. A ocorrência de ocasionais desastres naturais não pode, portanto, apagar essa massiva evidência que tanto o nosso planeta, quanto nós mesmos tenhamos sido deliberadamente criados. E isso levanta a questão: quem é o Criador?
A Bíblia, é claro, diz que é Deus; mas isso, imediatamente, nos traz de volta ao problema da dor: Como podemos acreditar que um mundo em que há tantos desastres naturais foi criado por um Deus Todo-bondoso, onipotente e onisciente, um Deus pessoal?
 
A ATITUDE DA PRÓPRIA HUMANIDADE À DOR
 
Comecemos, então, por pensar sobre a atitude que homens e mulheres, em geral, tomam em relação à dor. Isso não vai responder a todas as nossas perguntas; mas, irá, pelo menos, ajudar-nos a ver o nosso problema em devidas proporções.
Nós podemos falar rapidamente sobre o óbvio ponto que nós não consideramos todas as dores ruins. Algumas dores são preventivas e, portanto, benéficas. Passe o seu dedo acidentalmente sobre a lâmina de uma faca afiada, e a dor do corte irá fazê-lo, involuntariamente, retirar o seu dedo evitando, assim, uma lesão maior.
O medo da dor pode ser preventivo. O medo de nos queimarmos nos impede de colocarmos nossas mãos no fogo. O medo de contrair AIDS poderia até mesmo impedir que algumas pessoas cometessem imoralidade. Portanto, esse medo é benéfico.
Dor e sofrimento evocam, constantemente, simpatia, compaixão, preocupação e dedicação abnegada por parte de enfermeiros, médicos, assistentes sociais e outros, criando nessas pessoas caridosas um caráter nobre que a mera busca de um prazer egoísta e uma determinação para evitar a dor e o sacrifício a todo o custo nunca iriam produzir. Isso também é bom; e todos nós admiramos essas pessoas (embora, curiosamente, o público lhes pague uma miséria, enquanto pagam uma fortuna para as estrelas do rock).
Mas vamos considerar a atitude que muitas pessoas tomam em relação aos riscos de ferimentos graves, à dor e até mesmo à morte. Nenhuma pessoa normal está preparada para sofrer dor ou morrer sem razão aparente. Porém, milhares de pessoas normais estão dispostas a correr o risco de sofrer uma lesão bastante grave, e, às vezes, até mesmo morrer, simplesmente por praticar esportes, como rúgbi, corridas de Fórmula-1, asa-delta, espeleologia e montanhismo. Bailarinas sofrem dor em seus pés; e a dor que os ginastas e os atletas suportam, voluntariamente, ao se forçarem através da barreira da dor, durante seus treinos, é notória. Mas o espírito humano os impele a atingir o domínio de seus corpos, e, para atingir a perfeição, a beleza e a graciosidade dos movimentos, eles acham que a dor envolvida vale a pena.
Mas, novamente, vamos passar para temas ainda mais graves. Nenhuma nação é obrigada, apenas por uma questão de pura sobrevivência, a envolver-se na exploração do espaço. No entanto, as nações se envolvem nisso - nenhuma é mais famosa do que a Rússia - em plena consciência dos colossais riscos; e as pessoas ainda se voluntariam para serem treinadas como astronautas e irem a missões espaciais, apesar de estarem plenamente conscientes de que outros já morreram em missões semelhantes.
As forças fundamentais da natureza — fogo, vento, ondas, eletricidade, gravidade, energia atômica — são todas muito mais poderosas do que o homem; e, sendo impessoais e irracionais, elas vão destruí-lo sem remorso se ele as maltratar. A eletricidade esquentará o seu banho, ou irá, se você cometer um erro, eletrocutá-lo. Ela não conhece o perdão. E, apesar disso, o homem, feito à imagem de Deus (queira ele reconhecer isso ou não) e feito para ter domínio sobre as obras feitas pelas mãos de Deus (Gênesis 1:26-28; Salmo 8:6), sabe em seu espírito que ele, com sua mente e com sua inteligência, é infinitamente mais importante do que as forças fundamentais da natureza; e, desde o início do tempo, ele estabeleceu o processo de descobrir como controlar essas forças e fazê-las servir aos seus propósitos. O fogo foi controlado cedo. Com a invenção dos navios e velas, o vento e as ondas que, sem os navios e velas, afogariam um homem, agora serviam para levá-lo em suas viagens de exploração e de descoberta. Hoje, até mesmo a gravidade da Terra é aproveitada e usada para acelerar uma sonda espacial para a Terra, e, depois, para arremessá-la ao espaço, como um estilingue faz com uma pedra, no seu caminho para algum outro planeta.
 
A ATITUDE DA HUMANIDADE
AO CUSTO DO PROGRESSO
 
Todo esse empreendimento científico de aproveitar as forças fundamentais da natureza tem sido uma magnífica expressão do espírito humano. O processo envolveu enormes riscos, e a realização foi adquirida à custa de uma dor infinita e de inúmeras vidas. Contudo, no entendimento da maioria das pessoas, os imensos benefícios que teriam sido obtidos para toda a raça humana superaram e justificaram o custo em termos de dor e de morte.
Então, devemos observar outra coisa muito importante. Controlar as forças fundamentais não significa removê-las do seu poder essencial para infligir dor e morte, e ninguém deveria desejar isso. O fogo que tivesse perdido o seu poder de queimar não seria mais útil. A eletricidade que não pudesse reduzi-lo a cinzas já não seria capaz de executar muitas das tarefas que, quando controlada, ela executa. Os feixes de laser podem destruir o tecido humano; se não pudessem, eles não poderiam ser usados em delicadas cirurgias dos olhos como são hoje. Isso significa, é claro, que a utilização de tais forças fundamentais sempre envolve certa quantidade de risco; no entanto, a maioria das pessoas considera que o risco de lesão e morte vale a pena, tendo em conta os benefícios conquistados.
Os aviões podem vencer a força da gravidade. Sua invenção e seu aperfeiçoamento têm custado milhares de vidas; mas nós continuamos a usá-los para viajar, conscientes do risco de que, se os motores falharem, a gravidade irá destruir tanto o avião quanto os passageiros. No entanto, ninguém que eu conheça pensaria em argumentar que Deus deveria ter criado a nossa Terra sem qualquer gravidade, ou com menos gravidade do que ela tem agora, de modo que, quando os motores de um avião falhassem, a gravidade não o faria cair. Se a gravidade da Terra fosse muito mais fraca do que é, o planeta iria perder sua atmosfera, e a vida seria impossível, para começar.
Então, para resumir o que foi dito até agora. Deixadas sozinhas e sem serem forçadas, as pessoas de todas as idades teriam pensado ser aceitável se arriscarem e, até mesmo, se exporem a certa quantidade de sofrimentos graves e à morte no decorrer do desenvolvimento das potencialidades do seu planeta (e, atualmente, também de outros planetas), por causa das grandes vantagens a serem ganhas, correndo os riscos necessariamente envolvidos no progresso. As pessoas geralmente não admiram a atitude que se recusa a procurar progresso, por receio de que isso possa envolver sofrimento e dor.
Isso, contudo, parece indicar que a humanidade não pode, com toda a honestidade, reclamar se o propósito de Deus na criação do nosso planeta e dos seres humanos que nele habitam envolve, inevitavelmente, o sofrimento, não só para o homem, mas também para o próprio Deus, com a intenção de dar ao homem um benefício infinitamente glorioso e eterno.
 
O PROPÓSITO DE DEUS EM CRIAR O MUNDO
 
Segundo a Bíblia, a nossa Terra nunca foi projetada para existir para sempre; um dia ela vai acabar (2 Pedro 3:13-18; 1 João 2:17; Apocalipse 20:11-21:1). O homem, porém, sendo espírito assim como corpo, nunca deixará de existir. A morte física não coloca um fim a ele. Ele continuará a existir em algum lugar e em algum estado, no céu ou no inferno, eternamente.
A Terra, portanto, nunca foi projetada para ser um lar permanente da humanidade. Ela foi feita simplesmente como uma plataforma temporária em direção à realização de um objetivo muito maior para o homem, que Deus tinha em mente antes mesmo dele ter criado a nossa Terra.
Este propósito envolveu dois estágios:
Estágio 1. O homem nasceria neste mundo como uma das criaturas de Deus. Ele seria dotado de corpo, alma e espírito; de inteligência, de capacidade de se comunicar, de senso de moral e de conhecimento de Deus. Mas para nada disso seria necessário que Deus pedisse o prévio consentimento, ou mesmo, a cooperação do homem. O homem iria, eventual e simplesmente tornar-se ciente de que ele tinha nascido e, aos poucos, descobrir que ele tinha essas capacidades.
Estágio 2. Mais tarde, teria sido oferecida ao homem a oportunidade de tornar-se, o que até então ele não tinha sido, um filho de Deus. Mas, para isso, o consentimento voluntário e a escolha do homem seriam necessários.
Para entender a progressão entre essas duas etapas, nós precisamos ter cuidado para notar a diferença na terminologia bíblica entre a criatura de Deus de um lado e o filho de Deus do outro lado. A ideia religiosa popular confunde, muitas vezes, essas duas coisas e expõe como se todos os seres humanos fossem filhos de Deus. Isso, porém, não é verdade. Deus certamente ama todos os seres humanos, pois ele é o Criador de todos que são suas criaturas; e, em uma linguagem não técnica, podemos até dizer que ele cuida de todos de uma forma paternal. Em uma linguagem bíblica, no entanto, apesar de todos os seres humanos serem criaturas de Deus, nem todos são filhos de Deus.
A declaração clássica da situação ocorre em João 1:10-13. Vale a pena citá-la na íntegra:
“O Verbo (isto é, o Filho de Deus) estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
Dessa passagem cinco verdades são muito claras:
Primeiro, um ser humano não é automaticamente um filho de Deus, como resultado de ter nascido neste mundo. Para ser um filho de Deus, ele tem de se tornar um; e você não pode se tornar o que você já é.
Segundo, a condição para se tornar um filho de Deus é que se deve receber a Cristo e crer no seu nome: é a todos quantos o receberem que ele dá a autoridade de se tornarem filhos de Deus.
Terceiro, nem todos os seres humanos se tornam filhos de Deus pela simples razão de que nem todos recebem a Cristo: “Veio para o que era seu, e os seus (isto é, etnicamente, em outras palavras, a maioria dos judeus que eram seus contemporâneos) não o receberam”. E muitos hoje, de todas as nacionalidades, não o recebem.
Quarto, o processo pelo qual uma pessoa se torna um filho de Deus: o que não é. Não é o mesmo processo pelo qual somos primeiramente concebidos e, então, nascidos neste mundo através de nossos pais. Também não é uma operação que podemos realizar em nós mesmos por nossa própria força de vontade.
Quinto, o processo pelo qual uma pessoa se torna um filho de Deus: o que é. É ser gerado por Deus, que coloca sua própria vida em nós.
Essa última descrição, “gerado por Deus”, aponta claramente a diferença entre criaturas de Deus e filhos de Deus. As criaturas de Deus são feitas por ele, os filhos de Deus são gerados por ele. Vamos usar uma analogia. Um engenheiro eletrônico não pode obter uma criança pelo mesmo processo que ele usa para obter um computador. Ele faz, ou cria, o computador; mas ele tem de gerar o filho. E, naturalmente, existe uma vasta diferença de categoria entre seu computador e seu filho. O computador pode ser altamente sofisticado e capaz de executar complicadas operações, muito além da capacidade da criança pequena. Mas o computador não possuiria a vida do engenheiro: a criança, sim. E, com aquela vida, a criança iria crescer para desfrutar de um relacionamento com seu pai e da alegria da vida, do amor e do companheirismo de seu pai, dos quais o computador jamais esperaria desfrutar.
Esse, então, foi o magnífico propósito que Deus concebeu em seu coração, antes mesmo de fazer o mundo. Ele desejava filhos e filhas que poderiam compartilhar de sua própria vida e, assim, compreendê-lo, apreciá-lo, e ele a eles, em uma comunhão possível apenas em uma relação pai-filho/filha de uma vida compartilhada. Vamos ouvir isso afirmado em linguagem bíblica:
“…como (Deus) nos escolheu, nele (Cristo), antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado” (Efésios 1:4-6).
Aqui, então, está o verdadeiro progresso que o próprio Deus traçou para a humanidade: de nascido pelo nascimento físico neste mundo temporário, como uma criatura de Deus, a tornar-se um filho de Deus pelo nascimento espiritual enquanto ainda neste mundo, para eventualmente poder viver em adoração a Deus eternamente.4
 
UM DEUS SOFREDOR
 
A vastidão deste projeto pode ser vista, em primeiro lugar, pelo fato de que sua realização envolveu a própria Divindade. Aquele a quem os cristãos chamam de Segunda Pessoa da Trindade nem sempre foi humano. O Verbo, como é chamado, nem sempre foi carne. Mas se fez carne, tornou-se humano, para que homens e mulheres redimidos pudessem ser espiritualmente incorporados a ele, como um corpo humano físico e seus membros fazem parte um do outro (ver João 1:1-14; 17:20-26; 1 Coríntios 12:12-14). E, tornando-se verdadeiramente humano, ele sofreu, tal como nós, mas sem pecado; e, por esse sofrimento, foi equipado para se tornar nosso líder espiritual em nosso caminho para a glória eterna (Hebreus 2:17-18; 4:14-16; 5:7-9; 12:1-3). Deus não é estático ou insensível!
“Mas o que”, diz alguém, “tudo isso tem a ver com o problema da dor e do sofrimento sobre o qual estamos discutindo?”
É assim! Tornar-se filho de Deus depende do consentimento da vontade do homem para receber a Cristo. Por essa razão (além de outras razões que discutimos anteriormente), o homem teve de ser criado, o que chamamos de primeiro estágio, com um livre-arbítrio genuíno. Contudo, como já observamos, Deus, em sua onisciência, previu que o homem, desde o começo, usaria seu livre-arbítrio para definir sua própria vontade contra a vontade de Deus, para desobedecer a Deus e para liderar a si mesmo e a toda a raça humana numa trajetória descendente, para longe dele. Deus também previu que a única maneira de resgatar o homem, trazê-lo de volta e tornar possível prosseguir com o estágio 2 do projeto, era o Filho de Deus, não só tornar-se humano, mas oferecer-se como Representante, Redentor e Salvador do homem, suportar o preço, o sofrimento, a dor e a pena enormes do pecado humano e, assim, como o Cordeiro de Deus, tirar o pecado do mundo. Deus previu isso. E, para seu próprio bem e pelo bem do homem, Deus estava disposto a passar pelo sofrimento envolvido na realização do projeto em que estava definido o coração de Deus. O Cordeiro já era conhecido antes de o projeto ter início, antes mesmo da fundação do mundo (1 Pedro 1:18-21).
Duas observações fluem disso:
Primeiro, quão grandes devem ser o benefício e a glória para Deus e para a humanidade redimida, se o próprio Deus pensou que valia a pena a Divindade estar envolvida na Encarnação e, em seguida, no sofrimento da cruz, a fim de alcançar isso.
Segundo, respostas intelectuais ao problema da dor são necessárias e úteis. Mas a única coisa que acalma o coração dos crentes e lhes dá coragem para enfrentar qualquer sofrimento que Deus possa permitir-lhes encontrar é o fato de que Deus não permaneceu indiferente. Ele não começou com a intenção de alcançar seu objetivo, permitindo-lhes sofrer sem que ele próprio nada sofresse. Precisamente porque o próprio Filho de Deus sofreu, sendo tentado, ele é agora capaz de ajudar os crentes quando eles, por sua vez, são tentados (Hebreus 2:18). E como Deus deu seu Filho para morrer por eles, os crentes são ensinados, pelo Espírito de Deus, a saber e sentir nas profundezas do seu ser que:
“Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas... É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?... Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:32-39).
 
AS CONSEQUÊNCIAS DA REBELIÃO
DO HOMEM NO ESTÁGIO UM
 
Agora, nós devemos voltar o nosso pensamento para o que chamamos de Estágio 1 no projeto de Deus para a humanidade, porque, segundo a Bíblia, foi a rebelião do homem nesse estágio que resultou em grande parte do sofrimento do mundo desde então.
Dissemos que o Estágio 1 foi apenas o primeiro degrau para o cumprimento do grande propósito de Deus. Mas isso não significa que o Estágio 1 não tivesse nenhum valor ou nenhum significado em si. Pelo contrário, a posição e o papel dados por Deus ao homem em relação ao planeta Terra foram, e ainda são, nobres e magníficos ao extremo. O homem deveria ser o vice-rei de Deus, feito à imagem dele, colocado sobre a Terra e todo o seu conteúdo como administrador chefe, para desenvolver o planeta e todas as suas potencialidades. Essa era uma tarefa maravilhosamente desafiadora, emocionante e responsável, calculada para desenvolver não apenas suas habilidades técnicas, porém, seu caráter moral. Apesar da rebelião do homem e do distanciamento de Deus, ainda é. Porém, feita em constante e ininterrupta comunhão com o Criador e de acordo com a suas diretivas morais, ela poderia ter transformado o mundo inteiro em um paraíso.
O relato bíblico conta que, para dar início ao homem, Deus plantou um jardim em um determinado local na Terra e colocou seu vice-rei recém-formado lá. Isso mostra, no entanto, que o resto do planeta não era um jardim. E os termos de referência do homem teriam-no obrigado, bem como seus descendentes, eventualmente, a sair e a desenvolver as potencialidades de todo o planeta sobre o qual Deus lhes tinha dado domínio.
Essa tarefa não seria completamente sem perigo e sem dor, como vemos o fato de que Deus, em sua presciência, havia fornecido ao corpo do homem vários mecanismos de defesa e de reparação: um sistema imunológico, por exemplo, para resistir à doença, e um sistema de coagulação do sangue para reparar as feridas e evitar uma perda fatal de sangue. Toda a criação de Deus foi boa, como o próprio Deus pronunciou (Gênesis 1:31); mas não era necessariamente tudo seguro, a menos que tratado adequadamente.
Mas o homem se rebelou. Não era que ele desceu imediatamente ao vício. Era algo fundamentalmente muito mais grave do que isso. Ele foi tentado a pensar que a vida poderia ser desenvolvida de maneira mais inteligente, mais bonita e mais satisfatória se ele se atrevesse a ser independente de Deus. Ele decidiu, como muitos ainda fazem, que o aviso de Deus de que certas atitudes e certos comportamentos levariam à morte, era um absurdo restritivo. Ele deliberadamente pisou fora da dependência moral e espiritual de Deus.
Quando o homem fez isso, ele não foi destituído do seu papel de gestor do planeta Terra. Mas duas grandes mudanças ocorreram.
Em primeiro lugar, a criação foi submetida à frustração por Deus (Romanos 8:20).
Duas metáforas são usadas para descrever isso. Em primeiro lugar, a criação é semelhante a uma mulher no parto: sentindo as dores de parto a fim de obter o esplêndido resultado que, sob os cuidados do homem, ela foi projetada a produzir; mas nunca consegue, até então, apesar de sua dor e de seus esforços, produzi-lo totalmente; porque, em segundo lugar, a criação, como um escravo, está sujeita agora à escravidão da corrupção (Romanos 8:20-22). A Bíblia se apressa para explicar que essa condição, imposta sobre a natureza, não vai durar para sempre. Um dia, a criação será posta em liberdade, realizará seu pleno potencial e atingirá seu objetivo glorioso.
Mas, quando o homem se agarrou tolamente à independência de Deus, foi para o bem do homem que ele fosse informado da loucura de sua atitude. O mundo, afinal, não era dele. Ele não o inventou. Ele pertencia ao seu Criador. Se as frustrações na criação o frustrassem e causassem-lhe dor e tristeza a ponto de ele se arrepender e voltar-se para Deus, isso seria bom e saudável.
As dores no peito, em nosso corpo, que nos avisam de que o nosso coração está doente e precisa de atenção, são boas! E, se as frustrações e os gemidos constantes da criação lembram o mundo que a humanidade está em rebelião contra Deus e precisa se reconciliar com ele, isso também é bom.
Segundo, o próprio homem foi submetido à morte (Gênesis 2:17; 3:17-24).
A desobediência ao Criador e o afastamento da fonte da vida inevitavelmente mudaram o próprio homem, sua atitude diante de Deus e sua atitude para com a criação. Isso também trouxe declínio, envelhecimento e eventual morte em todos os níveis. Linda como a criação continuou a ser, gloriosa como a vida física, emocional, estética, intelectual e prática do homem ainda é, o homem teve de aprender pela experiência que não viverá só de pão, e sim de toda palavra que procede da boca de Deus (Deuteronômio 8:3; Mateus 4:1-4). Ter todos os prazeres de um paraíso indolor sem comunhão pessoal com Deus, mesmo se fosse possível, seria um desastre espiritual.
Mas, naturalmente, não é possível. A alienação do homem ao Criador e sua desobediência aos comandos morais de seu Criador perverteram o homem como um administrador e um procurador dos recursos e das forças elementares da Terra. O resultado é que, muitas vezes (embora, naturalmente, nem sempre), não é o perigo inerente das forças elementares da Terra, nem os desastres naturais por si sós, que trazem dor e morte para a maioria, mas o uso perverso pelo homem dessas forças e desses recursos. Veja alguns exemplos.
No século XX, o homem descobriu como dividir o átomo e, em seguida, como induzir a fusão nuclear. Essa foi uma brilhante conquista do intelecto científico humano. Mas o primeiro uso que o homem fez dessa descoberta foi para destruir centenas de milhares de seus semelhantes. Depois, por várias décadas, o Oriente e o Ocidente fabricaram milhares de ogivas atômicas a um custo enorme, ruinoso para suas economias, e ameaçavam um ao outro com elas. Se eles as tivessem usado, isso poderia ter levado a um vasto desastre natural em todo o mundo, se não à devastação total do planeta. Agora, não utilizadas e ociosas, essas ogivas decadentes e estações nucleares provaram ser fontes reais e potenciais de terríveis malformações humanas, de doenças e de morte.
Nas décadas recentes, a fome matou milhares de etíopes. No Ocidente, no entanto, a aplicação de métodos científicos avançados na agricultura resultou na produção de grandes montanhas de cereais, carne e manteiga, que não eram necessários e eram armazenados sem uso em depósitos especialmente construídos. Mas, quando as pessoas estavam morrendo como moscas aos milhares na Etiópia, os países europeus por muito tempo se recusaram a dar qualquer dessas vastas quantidades de alimentos excedentes para salvar os etíopes da morte por fome, por medo de perturbar suas economias!
As principais nações gastam prodigiosas somas de dinheiro com armamentos na esperança de que a ameaça de usá-los poderia deter a agressão. Se as nações pudessem confiar umas nas outras, elas poderiam investir esse dinheiro para livrar a Terra de sua pobreza, de pragas e de desertos. Mas elas não podem e não ousam confiar umas nas outras. Então, a pobreza, as pragas e os desertos permanecem, enquanto enormes somas de dinheiro, cérebros e esforços humanos continuam a ser empregados na produção de armas cada vez mais sofisticadas.
Os processos industriais de nosso mundo moderno produzem emissões nocivas de substâncias químicas que estão criando um buraco na camada de ozônio e ameaçando produzir um aquecimento global, que, se não controlado, levará a graves desastres naturais em todo o mundo. Apesar disso, mesmo alguns dos países ricos se recusam a comprometer-se a reduzir essas emissões industriais nocivas; o consumismo insaciável de seus cidadãos não lhes permitirá.
Não sabemos se, de fato, é possível ter um planeta como o nosso sem as forças e os processos internos que levam ao deslocamento das placas tectônicas terrestres e a erupções e terremotos ocasionais. O que podemos ver claramente é que este mundo estaria muito mais perto do paraíso que poderia ser se não fosse pela perversão pecaminosa da administração e do desenvolvimento dos recursos e das forças elementares da Terra pelo homem.
 
O PROGRAMA DE DEUS PARA A
RESTAURAÇÃO DA CRIAÇÃO
 
Mas há esperança! Esperança real solidamente baseada! A Bíblia afirma que a sujeição da criação à frustração é apenas temporária: um dia, “a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8:21).
Na verdade, a restauração já começou, porque, quando o homem, em sua cegueira, assassinou Jesus Cristo, o Autor da Vida, o Filho do próprio Deus, Deus ressuscitou Jesus Cristo fisicamente dentre os mortos. Essa ressurreição carrega implicações para toda a criação.
O Cristo ressuscitado, diz a Bíblia, é as primícias dos que dormem (isto é, dos que morreram). A colheita será constituída de todos os redimidos de cada século, desde o início dos tempos (1 Coríntios 15:20-28). A própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção (Romanos 8:21). Haverá, eventualmente, um novo céu e uma nova terra (2 Pedro 3:13; Apocalipse 21:1). E, quem sabe, quantos outros projetos o Deus de toda inventividade e de poder criativo vai iniciar depois disso?
“Mas por que temos de esperar tantos séculos para essa restauração prometida acontecer?” diz alguém. “A verdadeira razão não é a de que a promessa nunca passou de um pensamento desejoso de pessoas religiosas?”
Bem, essa certamente não é a razão que a própria Bíblia dá para o atraso. Ela diz que a restauração da criação está esperando “a revelação dos filhos de Deus” (Romanos 8:19). Que utilidade teria para Deus restaurar a criação e colocá-la de volta nas mãos do mesmo tipo de seres humanos pecadores e fracos como antes? Em outras palavras, a criação está esperando a conclusão do que anteriormente chamamos de Estágio 2 do projeto de Deus: a produção de filhos de Deus e, em seguida, o seu desenvolvimento em filhos de Deus totalmente crescidos (Colossenses 1:28; 1 João 3:1-2), aptos a assumirem e executarem a administração dos novos céus e da nova terra como o corpo executivo de Cristo (Colossenses 1:13-20; Efésios 1:9-10, 19-23).
O primeiro passo neste processo é, como vimos anteriormente, que os seres humanos criados por Deus possam, então, se tornar filhos de Deus. Quando isso acontece, não significa que, daí em diante, eles estarão isentos do sofrimento que aqueles que não são filhos de Deus normalmente experimentam. “Mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23), diz a Bíblia. Na verdade, eles podem descobrir que tornarem-se filhos de Deus envolverá sofrer perseguição e até mesmo a morte por amor a Cristo (João 15:18-16:4; 1 João 3:13-16), como tem acontecido tão frequentemente aos cristãos ao longo dos séculos em países totalitários. Um problema adicional para os crentes é a desproporção de sua distribuição.
 
SOFRIMENTO DESPROPORCIONAL
 
Seja o sofrimento que provém do comportamento mau e injusto do homem para com seus semelhantes, ou o sofrimento que vem de acidentes, doenças ou desastres naturais, algumas pessoas sofrem muito mais do que outras. Não é o sofrimento por si só que as esmaga, mas a sensação de que é manifestamente injusto que devam sofrer tanto e outros tão pouco. “Por que eu?” dizem.
A Bíblia, é claro, reconhece o problema e também reconhece que se trata de um aspecto do sofrimento que testa a fé ao limite, até mesmo dos crentes em Deus. O autor do Salmo 73, por exemplo, era crente em Deus; mas ele admite (v. 2) que sua fé na justiça de Deus quase entrou em colapso, quando ele observou que pessoas frequentemente más, inescrupulosas e violentas demais prosperam, tornam-se ricas e têm poucos problemas de saúde. Enquanto isso, em comparação, muitas pessoas boas sofrem enormemente (vs. 3-4). Da mesma forma, o homem cuja história é contada no livro de Jó do Antigo Testamento era um crente em Deus e uma pessoa de caráter exemplar e preocupação social. No entanto, ele sofreu uma extraordinária sucessão de desastres naturais, doenças perniciosas e angústia mental e física excruciantes, para além do que pessoas más normalmente experimentam. Sua fé no amor e na justiça de Deus foi quase completamente destruída, embora, no fim, tenha triunfado.
A Bíblia não chama a atenção para esses problemas sem ter respostas para dar. Mas nós devemos observar dois aspectos. A Bíblia não tenta dar uma resposta completa e final para esses problemas agora. Tal resposta não pode ser dada até que toda a história, com sua complexidade quase infinita, chegue ao fim, e os detalhes do caso de cada pessoa possam ser considerados à luz do contexto total de vida e de seus resultados visíveis e eternos. E, em segundo lugar, enquanto a Bíblia nos dá algumas respostas que satisfazem nossos intelectos, entretanto, concentra-se mais nas respostas que falam ao nosso coração. Com efeito, o objetivo principal da Bíblia neste contexto visa a apoiar nossa fé em Deus e a manter nossa coragem, até que os caminhos de Deus conosco sejam totalmente explicados e vindicados no julgamento final. (Lembra-se do início do capítulo 5 e do que os pais tiveram de fazer para a garota que sofria de problema de coluna?)
Claro, respostas que falam ao coração vão provar-se eficazes com pessoas que já experimentaram o amor de Deus em Cristo como uma realidade antes de se depararem com sofrimento grave. Elas não terão, necessariamente, nenhuma importância sobre os ateus, cuja incredulidade nunca lhes permitiu qualquer experiência pessoal do amor de Cristo. Mas isso apenas expõe a desolação da posição dos ateus, o que os obriga a aceitar que a distribuição desproporcional do sofrimento é simplesmente mais um efeito irracional de um universo basicamente irracional, amoral e, finalmente, injusto e desesperançoso.
Com os crentes é de outra forma. Quando se trata do sofrimento injusto infligido sobre eles por homens maus, eles se atrevem a confiar na promessa de Deus, garantida por seu caráter e afirmada pela ressurreição de Cristo, de que haverá um juízo final onde todos os erros serão corrigidos. Como o autor do Salmo 73, consideram o fim definitivo dos homens maus e, apesar dos sofrimentos dos crentes e a aparente prosperidade dos ímpios, mesmo agora os crentes não mudariam de lugar com eles por nada (Salmo 73:17-28).
Além disso, os cristãos não ficam surpreendidos, quando se encontram sofrendo muito mais que os cidadãos comuns nas mãos de homens maus — como aconteceu na URSS, nos maus dias, agora felizmente passados, e ainda acontece em muitos outros países. De fato, os cristãos sabem, desde o início, que eles são chamados a seguir o exemplo deixado por Cristo, “o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:21-23).
Confiante de que, no juízo final, Deus se certificaria de que a justiça fosse feita, Cristo aceitou o sofrimento dos homens maus. E mais do que isso, ele orou por seus executores e sofreu a penalidade do pecado nas mãos de Deus por eles, para que todos pudessem ser salvos, se quisessem.
Portanto, os cristãos são chamados, por sua vez, a sofrer por amor a Cristo, seu Salvador, ao declarar corajosamente sua fé nele e a sofrer por causa de seus semelhantes, ao apresentar a oferta de perdão e a paz de Deus para um mundo que no coração é hostil a Deus. Mas os cristãos não encontram em tal sofrimento um motivo para duvidarem do amor de Deus ou de sua justiça: eles o aceitam como a confirmação do prévio aviso de Cristo (João 15:18-16:4) e como uma honra (Mateus 5:10-12; Atos 5:40-42; 1 Pedro 4:12-14).
Mas e o outro tipo de sofrimento que vem não de homens maus, mas de causas naturais, acidentes, desastres, doenças, luto e coisas assim? A Bíblia não explica por que alguns crentes sofrem desproporcionalmente muito mais do que outros. O que ela faz é pegar o caso mais extremo, que é o sofrimento de Jó, e apontar como Deus permitiu e usou seu sofrimento para demonstrar que sua fé era genuína, para purificá-la e fortalecê-la e, depois, para ampliá-la. Fé, a Bíblia explica, é como o ouro (1 Pedro 1:6-7). Um pedaço valioso de ouro verdadeiro, no entanto, pode conter impurezas. Um ourives irá, portanto, colocá-lo no calor de seu cadinho para remover as impurezas. Em seguida, o pedaço de ouro ficará mais valioso. Então, a fé deve ser demonstrada como sincera e genuína (2 Timóteo 1:5). Ela também precisa ser purificada, para que possamos amar e confiar em Deus para a glória dele e não apenas por causa dos benefícios que recebemos dele (Jó 1:9). Além disso, a fé pode variar em quantidade (pequena ou grande, ver Mateus 14:31; 15:28) e em qualidade (fraca ou forte, veja Romanos 4:19-20). E, como os músculos do corpo humano, a fé cresce e se desenvolve por ser exercitada e testada em situações cada vez mais difíceis. Deus não nos explica por que ele dá a alguns de seu povo provações que nos parecem ser desproporcionalmente severas. Somente a eternidade vindoura irá revelar isso, quando os resultados dessas provas forem revelados. Todos os testes de fé, a Bíblia nos assegura (1 Pedro 1:7), leves ou graves, serão descobertos como tendo produzido louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado em sua segunda vinda. Mas, quanto maior o teste, maior a glória e a honra.
Aqui na Terra, alguém com treinamento de primeiros-socorros faz um trabalho muito valioso. Mas essa pessoa não passa por provas difíceis como um estudante de medicina que quer ser cirurgião. De tantos em tantos meses, pilotos de avião são colocados em um simulador onde passam por todos os tipos imagináveis de situação de emergência de arrepiar os cabelos para testar sua habilidade, até que mesmo homens fortes se desfaçam em lágrimas. Mas ninguém se preocupa em perguntar por que seus testes têm de ser tão difíceis e maiores do que os de um motorista que vai tirar sua carteira de habilitação. De acordo com Cristo, posição e responsabilidade no seu reino vindouro dependerão, em parte, do sofrimento de um discípulo aqui na Terra (Marcos 10:37-39). Quanto maior o sofrimento, maior a posição de responsabilidade.
 
A MELHOR ABORDAGEM
AO PROBLEMA DO SOFRIMENTO
 
Nesses últimos dois capítulos, nós gastamos um longo tempo — longo demais, alguns achariam — tentando encarar e pensar nos muitos problemas relacionados com o sofrimento. Mas a melhor abordagem não é tentarmos, por nós mesmos, resolver todos os nossos problemas primeiro e depois chegarmos ao nosso Criador e colocarmos nossa fé nele. Antes, nós deveríamos chegar e colocar nossa fé em nosso Criador primeiro, para, em seguida, deixá-lo nos ajudar a pensar em nossos problemas.
A Bíblia, em uma metáfora útil, nos diz que somos todos como ovelhas que precisam de um pastor. O nosso Criador nos proveu com o Grande e Bom Pastor que deu a sua própria vida pelas ovelhas. Agora, ressuscitado dentre os mortos, ele assegura segurança eterna a todas as suas ovelhas, muito além dos curtos anos de nossa vida na Terra (João 10). Ele sabe como ungir nossas cabeças com óleo, guiar-nos pelo vale da sombra da morte sem medo do mal e, finalmente, trazer-nos para habitar na casa do Senhor eternamente (Salmo 23). Enquanto isso, aninhados perto dele, encontraremos descanso para nosso coração e calmante para nossas dores, mesmo quando temos de esperar pelas respostas finais para os nossos problemas.
UM CONTRASTE FINAL
Apontamos diversas vezes que o ateísmo não pode oferecer nenhuma esperança. Mas a posição do ateu é pior do que isso. Sua recusa, ou sua incapacidade, de acreditar em Deus não significa que Deus não existe. O ateu acredita que a morte finaliza tudo para o indivíduo: que não há nenhuma vida após a morte. Mas sua crença não torna isso realidade. Morte não significa extinção. Após a morte, vem o juízo (Hebreus 9:27-28). Cristo morreu para que todos os que se arrependerem e crerem pudessem se salvar e entrar no céu de Deus finalmente. Mas ele não morreu desnecessariamente. Morrer sem se salvar não é o fim do sofrimento: é o início da eterna angústia de ser excluído da presença de Deus para sempre. O suicídio definitivamente não é a melhor resposta ao sofrimento. Para o descrente, a morte é, de acordo com o próprio Cristo, a porta de entrada para a dor eterna (Lucas 16:19-31). Na natureza das coisas, não poderia ser de outra forma.
Por outro lado, para o que confia em Cristo, o sofrimento, de qualquer tipo, nunca é meramente destrutivo: ele é, como já vimos, um dos processos pelos quais Deus desenvolve aqueles que se tornaram seus filhos na maturidade moral e espiritual de filhos maduros de Deus (Hebreus 12:1-13; Tiago 1:2-4; 1 Pedro 1:6-7). Não há nenhuma necessidade de fingir que os crentes gostam do sofrimento; mas eles aprendem a adotar a atitude expressada pelo apóstolo de Cristo, Paulo:
“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Coríntios 4:16-18).
Além disso, para um filho de Deus, a morte física toma um aspecto diferente. Os crentes não apreciam o processo de morrer, e eles não têm nenhuma neces116
sidade de fingir que o fazem. Mas eles não temem a morte propriamente dita, nem ao que ela leva. Cristo, para eles, rompeu o medo da morte (Hebreus 2:14-15); para eles, apartar-se do corpo é estar presente com o Senhor (2 Coríntios 5:1-8).
O crente, portanto, está na melhor posição para ver quais são os verdadeiros valores da vida e agir de acordo com eles. Existem alguns valores nesta vida que são mais importantes que a própria vida física. Suprema entre eles está a fidelidade à verdade, ao Criador, ao Filho de Deus, ao Espírito Santo e a todas as implicações morais e espirituais que fluem disso. É o homem que acredita não haver nada após a morte física que será tentado a comprometer o que sabe ser verdadeiro em razão do apego à vida.
 
NOTAS DE FIM
 
1.The Mind of God, London: Simon & Schuster, 1992, p. 232.
2.Informações tiradas de Hugh Ross, “Earth, the Place for Life”, The Creator and the Cosmos, Colorado Springs: Navpress, pp. 131- 134.
3.Ex.: para ter a luz e o calor necessários para a vida, o planeta deve girar em torno de uma estrela (o nosso Sol é uma estrela); mas ele também não deve estar próximo demais da estrela, do contrário, seria quente demais para a vida humana sobreviver; nem longe demais da estrela, ou seria frio demais. Sua velocidade de rotação diária também não deve ser grande demais, do contrário, vastos ventos destrutivos seriam gerados, como em Júpiter; nem devagar demais, senão a temperatura no lado da noite seria fria demais e a do lado do dia, quente demais. O astrofísico, Hugh Ross (pp.138-145), lista 33 exemplos do tipo sobre a exatidão com que nosso planeta teve de ser projetado com o propósito de abrigar a vida humana.
4.Muito diferente do progresso miserável proposto pela evolução darwiniana: de protozoários, por meio de mudanças estúpidas e sem propósito, à vida fadada ao eventual esquecimento.

Por David Gooding & John Lennox

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