A Parábola das Dez Virgens (25:1-13)

Por John Heading

Esta parábola é mais uma das "parábolas de separação" que ocorrem com tanta frequência no Evangelho segundo Mateus. As interpretações variam bastante, dependendo de como as cinco virgens prudentes e as cinco virgens néscias são interpretadas; mesmo se olhando do ponto de vista profético apresentado neste livro pode haver mais do que uma interpretação, todas cheias de exortações práticas para o povo de Deus enquanto se aproxima a vinda do Senhor. Cremos que as cinco prudentes e as cinco néscias representam classes de pessoas e não indivíduos, a primeira sendo salva e a segunda não.

 

1-2. Por questões práticas, consideraremos as cinco prudentes como representando a Igreja, e as cinco néscias como representando a nação judaica que não é salva. Outros expositores podem ver estes dois grupos como existindo durante os últimos sete anos, e neste caso as virgens prudentes não podem representar a Igreja e sim o remanescente fiel dos judeus. Não devemos nos surpreender que a Igreja pode ser vista em tal parábola, pois isto já aconteceu anteriormente, por exemplo em Mat. 21:43, onde "uma nação que dê os seus frutos" toma o lugar "dos lavradores maus".

As "lâmpadas" são as esferas de testemunho destes dois grupos, existindo lado a lado desde Atos 2, como Paulo indicou em I Cor. 10:32.

Ambos os grupos saíram com aspirações diferentes. Para a Igreja, a sua esperança era a vinda do Senhor aos ares, embora esta esperança foi perdida, em grande parte, durante os longos tempos da história da Igreja desde os dias apostólicos. Para os judeus, a sua esperança era a vinda do Messias prometido, embora os seus corações estavam fechados pela incredulidade ao fato que este Messias era Jesus de Nazaré, agora exaltado no trono dos céus. O estado das prudentes e das loucas já foi descrito em Mat. 7:24-27, onde a aceitação ou a rejeição das palavras do Senhor é o que faz toda a diferença.

 

3-4. O tipo de profissão indicado pelas lâmpadas depende do conteúdo das lâmpadas; ou há óleo para a luz ou há falta de óleo para as trevas. Estes dois versículos mostram que todas as dez lâmpadas tinham óleo no princípio, mas havia também "vasilhas" (angeion, uma pequena vasilha, a forma diminutiva de angos) cuja função era manter um suprimento constante de óleo. No VT a nação judaica era participante do Espírito Santo (Heb. 6:4), não no mesmo sentido de Atos 2, mas no sentido em que o Espírito estivera sobre os profetas (II Ped. 1:21), quando falavam à nação. Entretanto, como Estevão disse: "sempre resististes ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais" (Atos 7:51). Em contraste, as virgens prudentes tinham um suprimento abundante de óleo; o Espírito de Deus é sem medida, pois os cristãos durante o período da Igreja são batizados no Espírito e enchidos do Espírito para um viver cristão, trabalho cristão e coragem cristã. O Espírito, infelizmente, pode ser apagado (I Tess. 5:19) e entristecido (Ef. 4:30), mas o suprimento abundante nunca é interrompido, mesmo quando o testemunho está fraco.

 

5-6. O dia da graça de Deus continuou, e homens em ambas as esferas de profissão religiosa "tosquenejaram ... e adormeceram". O primeiro verbo é nustazo e está no tempo aoristo (no grego), indicando o ato de cochilar. O segundo verbo é katheudo, no tempo imperfeito; elas estavam dormindo por um espaço de tempo. Exteriormente, parecia não haver diferença alguma entre as duas classes de virgens. Como Paulo perguntou: "não sois porventura carnais e não andais segundo os homens?" (I Cor. 3:3). Esta não é a posição dos que estão aguardando a vinda do Senhor. "Não durmamos pois, como os demais, mas vigiemos" (I Tess. 5:6), mas se há fracasso, precisamos da exortação: "é já hora de despertarmos do sono" (Rom. 13:11). Os outros, entretanto, são da noite e das trevas, e "dormem de noite" (I Tess. 5:5, 7). No VT, Davi certamente não dormiu quando havia serviço importante a fazer (Sal. 132:4), e Aquele que é o guarda de Israel nunca dorme (Sal. 121:3).

O tosquenejar e o dormir que vemos na parábola obviamente se relacionam com a apreciação da verdade da vinda do Senhor. Durante os séculos, a igreja professa não tem tido um conceito verdadeiro do arrebatamento e da ressurreição dos cristãos, e os judeus não tem tido um conceito verdadeiro da vinda do seu Messias em glória, pois as Escrituras do NT eram totalmente desconhecidas por eles. Esta ignorância eclesiástica pode ser vista em citações do velho Livro de Oração Comum (da igreja anglicana). A oração para o primeiro domingo do Advento(1) diz: "para que no último dia, quando Ele vier novamente em Sua gloriosa Majestade para julgar os vivos e os mortos, possamos ressurgir para a vida imortal". Novamente, o trecho para o terceiro domingo do Advento diz: "para que na Tua segunda vinda para julgar o mundo possamos ser um povo aceitável aos Teus olhos". Tal confusão de doutrina mostra que aqueles que escreveram, perpetuaram e proferiram estas orações, estavam dormindo quanto à verdadeira doutrina do arrebatamento.

(1)    "Advento" aqui se refere às quatro semanas antes do Natal (N. do R.).

 

Na hora mais escura da ignorância eclesiástica e judaica, ouve-se o grito: "ai vem o esposo, saí-lhe ao encontro". Aqui vemos um despertar, pelo Espírito Santo, de alguns que professam ser cristãos nestes últimos dias. Verdadeiro conhecimento profético, oculto por tanto tempo dos olhos dos homens, foi reencontrado, e a esperança da Igreja é novamente ensinada e proclamada como nos dias de Paulo. O Espírito é nosso ensinador, e assim Ele é uma luz que brilha através de nós em testemunho.

Com respeito ao assunto de profecia, o Senhor disse em Apoc. 22:16: "Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas", e esta mensagem surgiu depois de séculos de escuridão, assim como o livro da Lei foi encontrado nos dias de Josias (II Crôn. 34:14-18).

 

7-9. Homens e grupos religiosos de todas as persuasões precisam avaliar a sua posição à luz do ensinamento concernente ao arrebatamento e à volta do Senhor em glória. Que testemunho darão eles com suas lâmpadas?

As virgens prudentes tinham óleo para as suas lâmpadas — o seu testemunho vinha do poder do Espírito Santo. É evidente que nem todos os cristãos são abrangidos por estas cinco virgens, e nem todos os judeus pelas cinco virgens loucas. Infelizmente, muitos cristãos, não têm um conhecimento verdadeiro da profecia, e alguns também podem não ter nenhum interesse por ela, mas todos subirão para se encontrar com o Senhor nos ares, no arrebatamento. Entretanto a parábola focaliza a atenção somente em certos cristãos, isto é, naqueles cujos corações foram abertos para receber a verdade. As loucas representam somente um grupo dos judeus incrédulos — os que ouvem o testemunho de que a vinda do Senhor está próxima. Ouvindo a mensagem do Evangelho, eles reconhecem que não possuem óleo — que não são salvos e que não possuem o Espírito Santo. Reconhecem que suas lâmpadas estão "se apagando"; seu próprio testemunho das promessas do VT acerca da vinda do Messias tornou-se fraco, e estava a ponto de se apagar por causa do excesso de incredulidade.

O pedido "Dai-nos do vosso azeite" representa ignorância; não pode haver transferência de óleo de um para outro, nenhuma transferência do Espírito Santo de uma pessoa para outra. (O jorrar do Espírito em João 7:38-39, não representa uma transferência, mas testemunho). Ao dizer "nos falte a nós", temos a indicação de que cada cristão está cheio do Espírito que habita no seu corpo, que é como um templo; Deus não contempla um cristão meio-cheio, portanto dividir é impossível. Pelo contrário, o óleo vem através da aquisição "dos que vendem"; é o Pai que dá o Consolador (João 14:16) e também o Filho (15:26; 16:7; Atos 2:33).

A idéia por trás de comprar não tem nenhuma ligação com a tentativa de Simão de comprar o Espírito, de Pedro e João, por dinheiro (Atos 8:18). Pelo contrario, volta ao conceito do VT de comprar "sem dinheiro e sem preço" (Is. 55:1).

 

10. Obviamente, estas cinco virgens loucas estavam preocupadas, pois a verdade completa do Evangelho está por trás desta preocupação. Entretanto, o Espírito de Deus não contenderá para sempre com o homem,

e elas estavam atrasadas demais para alcançar a bênção de Deus através da mensagem do Evangelho, apresentado pelas cinco virgens prudentes.

O Noivo veio, e as cinco que estavam prontas entraram com Ele para as bodas. Em outras palavras, no arrebatamento da Igreja, os cristãos entram, mas os incrédulos (neste caso judeus incrédulos mas preocupados) ficam do lado de fora. O fato de "fechar-se a porta" sugere que a oportunidade de entrar na bênção havia sido removida; a fé se manifestará entre os judeus durante os últimos sete anos, mas não entre este grupo. Quando o Senhor fechai' a porta, nenhum homem poderá abri-la (Apoc. 3:7). Alguns expositores perguntam quem será a noiva, e eles sugerem respostas diferentes, porque a noiva não é mencionada na parábola. Jerusalém (Is. 62:1, 5) parece ser uma sugestão satisfatória.

 

11-12. Mais tarde, este grupo incrédulo se encontrou numa situação em que puderam rogar ao Senhor. O seu clamor "Senhor, Senhor", expressa urgência. Dirão que se ocuparam em atividades religiosas em Seu nome (Mat. 7:21-23), mas Ele responderá: "Não vos conheço" ou "Nunca vos conheci" (v. 23). A razão é que, por causa da incredulidade, eles são os que "praticam a iniqüidade", e não fazem a vontade de Deus.

Tiveram que se retirar, evidentemente para o juízo eterno. Este diálogo acontecerá quando o Senhor vier em glória, quando tais judeus esperarão entrar no reino milenar mas, como os bodes em Mat. 25:41, eles estarão eternamente do lado de fora.

 

13. A parábola termina com a lição: "Vigiai pois". Como já comentamos anteriormente, ninguém sabe do dia nem da hora da Sua volta, por isso é perigoso dormir como se a Sua vinda não tivesse importância.

Alguns textos gregos (que são usados pela ARA, VB e VR) omitem as últimas palavras "em que o Filho do homem há de vir". A interpretação que temos dado sugere que esta omissão é válida, pois o Senhor não toma o caráter de "Filho do homem" em relação à Igreja, portanto se o que vemos no v.10 é o arrebatamento então este título específico não é apropriado.

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