IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

A imposição de mãos é mencionada, Atos 6: 6, pela primeira vez no NT. Era uma prática muito comum nos tempos do VT, relacionada com os sacrifícios de animais, mostrando a identificação do ofertante com o seu sacrifício. Este significado foi transferido para o NT. A imposição de mãos, quer seja pelos apóstolos em Atos 6, pelos profetas e doutores em Atos 13:3, ou pelos anciãos em I Tim. 4:14, indicou uma identificação total com a obra que seria realizadapor aqueles sobre quem impunham as mãos.
 
Em Atos 13: 3, temos a revelação recebida da parte do Espírito de Deus, sobre Barnabé e Paulo, e por meio dos profetas e doutores levou-os ao costume bíblico de impor as mãos. Não foi feito pelos anciãos, nem pela igreja toda, mas por estes profetas e doutores. Não tinha muito significado além daquele do contexto dos sacrifícios do VT. Neles, aquele que oferecia o sacrifício se identificava completamente com a oferta, para que a perfeição dela fosse imputada a ele, como no caso do holocausto, ou para que os seus pecados fossem imputados a ela, como no caso do sacrifício pelo pecado. Em Antioquia, os irmãos que recomendaram se identificaram totalmente com os dois servos que estavam sendo recomendados. Em Atos 14:26, vemos que Saulo e Barnabé "tinham sido encomendados à graça de Deus para a obra que já haviam cumprido". A recomendação não foi para um determinado lugar, nem para alguma outra igreja, foi simplesmente "à graça de Deus".
Observe que eles "os despediram". Uma tradução literal da palavra grega aqui seria: "deixaram-nos ir"; isto é, não impediram em nada a partida deles de Antioquia, embora ambos  fariam muita falta.
 
A expressão "imponha as mãos" em 1 Timóteo 4: 14 e 2 Timóteo 1:6, indica o reconhecimento de, ou identificação com, uma pessoa. Isto é visto claramente nas passagens do Velho Testamento que estabeleceram esta prática através de instrução divina (Núm, 8:10; 27:18,23). Em 1 Timóteo 5: 22, o chamado e a capacidade eram divinamente dados, e reconhecidos publicamente pelo ato de impor as mãos na pessoa. Nesta passagem, o assunto de presbíteros ainda está em consideração, e Paulo avisa que o reconhecimento precoce de um presbítero poderá levar a problemas futuros. Favoritismo (v. 21) poderia levar ao reconhecimento prematuro de um homem, como presbítero, sem tempo suficiente para que o seu caráter seja totalmente provado. Assim, se viessem à tona, em dias futuros, erros doutrinários ou desvio moral, Timóteo seria, aos olhos dos outros, cúmplice (koinoneo) destes pecados.
A tradução da palavra tacheos por "apressadamente" é melhor do que "precipitadamente", pois não é a maneira como o ato é feito, mas a precocidade do ato que está em vista. Outra possibilidade é que o reconhecimento precoce de um homem, que mais tarde se mostrou inapto para o presbitério, deu-lhe a oportunidade, ou ocasião, para pecar. Assim, os que o colocaram nesta posição de responsabilidade participariam da culpa pois, neste sentido, eles compartilham do seu fracasso. Os pecados neste versículo (contraste com o v. 24), seguindo esta linha de interpretação, poderiam ser futuros. É neste contexto que a instrução se torna aguçada "conserva-te a ti mesmo puro", onde "conserva-te" (tereo) significa exercitar cuidado vigilante, e "puro" (hagnos) tem o seu significado secundário de reto, honrado ou imaculado. Uma boa ilustração deste significado de hagno está em 11 Cor. 7: 11, onde é traduzido "inocentes" (ARA; veja também Fil. 4:8 e I Ped. 3:2).
Timóteo poderia, até certo ponto, ser considerado responsável se um homem, que fosse precocemente reconhecido como presbítero, se tornasse o assunto de um escândalo. Diante deste aviso, Timóteo teria de tomar muito cuidado em relação àqueles que ele, ou a igreja local, reconhecessem como presbíteros.
 
Na Bíblia, podemos identificar quatro usos diferentes da imposição das mãos:
 
i) O primeiro é ligado aos sacrifícios do VT. As instruções sobre a consagração dos sacerdotes de Israel, em Êx. 29: 10, 15, 19, mostram que quando o sacerdote era consagrado era-lhe imputada a natureza imaculada do novilho, ou carneiro, que estava sendo sacrificado, e por causa disto ele poderia aproximar-se de Deus. Essas instruções de Êx. 29 se vêem, na prática, em Levítico 8:14, 18, 22. Sempre foi assim com os sacerdotes de Israel. Porém, suas qualificações morais e físicas tinham que ser de acordo com este rito, tanto antes como depois da sua consagração.
Os Israelitas que ofereciam sacrifícios tinham que proceder de modo semelhante.
 
i.1) Aplicava-se aos holocaustos, conforme Lev. 1:4, provavelmente também significando que a perfeição do sacrifício era atribuída ao que sacrificava.
 
i.2) Aplicava-se ao sacrifício pacífico, conforme Lev. 3:2, 8, 13.
 
i.3) Aplicava-se ao sacrifício pelo pecado, conforme Lev. 4:4, 15, 24, 29, 33, com o significado inverso, a culpa de quem oferecia era transferida à vítima perfeita. Isto acontecia, novamente, quando o bode vivo era solto no dia da expiação, levando assim ao deserto inabitado os pecados do povo. O caso dos levitas, em Núm. 8:12, foi semelhante ao caso dos sacerdotes quando eram consagrados para servir a Deus. Outro exemplo é 11Crônicas 29:23.
 
ii) Se o primeiro uso da imposição de mãos se encontra exclusivamente no VT, o segundo se encontra em ambos os Testamentos.
 
ii.1) Moisés impôs as suas mãos sobre Josué (Deut. 34:9), de acordo com as instruções que lhe foram dadas em Núm. 27:18, 23, 24, para que Josué assumisse a liderança de Israel como seu sucessor. Esta imposição das mãos foi um ato público, pelo qual a sucessão seria vista como tendo a aprovação e endosso de Moisés.
 
ii.2) Paulo fez algo semelhante a Timóteo, em 11Tim. 1:6. Foi mais um ato de identificação do que sucessão porque Paulo, sendo apóstolo, não tinha sucessor. Esta é a segunda vez que este jovem recebeu a imposição das mãos. Os presbíteros da sua igreja local evidentemente haviam feito isto, identificando-se com a obra que O seu dom estava levando-o a fazer (I Tim. 4: 14).
 
ii.3) Já temos visto, em Atos 6:6, como isto foi praticado pelos apóstolos no caso dos sete diáconos, assim chamados.
 
ii.4) Temos uma advertência em I Tim. 5:22; Paulo está dizendo a Timóteo que não se apressasse em reconhecer como presbíteros pessoas cujo caráter espiritual não lhe era bem conhecido.
 
iii) O terceiro uso da imposição das mãos se encontra somente em Atos, e isto apenas duas vezes. Em ambas as ocasiões foi feita com a intenção de fazer com que as pessoas recebessem o Espírito Santo.
 
iii.1) A primeira foi em 8:17, por Pedro e João, no caso dos convertidos de Samaria, quando receberam o Espírito, e O impostor Simão, o mágico, teve o desejo de possuir o mesmo poder.
 
iii.2) O segundo caso foi quando Paulo impôs as mãos sobre os doze discípulos em Éfeso, os quais ainda não tinham ouvido da vinda do Espírito Santo.
Lemos somente de três dos apóstolos fazendo isto, e cada um somente numa ocasião. Em Atos 10 os gentios entraram na bênção de Pentecostes sem a imposição das mãos. Hoje,iá que não temos mais apóstolos, todos os cristãos recebem o Espírito Santo no momento da sua conversão, sem qualquer intermediário. Só Deus é quem tem o poder de dar o Espírito Santo aos que crêem.
 
iv) Enquanto era o propósito de Deus que milagres fossem realizados, estes eram às vezes realizados mediante a imposição das mãos, como o Senhor havia prometido (Mar.  16:18). Citamos como exemplo o caso de Ananias, que impôs as mãos sobre Saulo para que este recuperasse a vista (9: 12, 17), e o de Paulo impondo as mãos sobre o pai de Públio, em 28:8.
Destes quatro casos, o único que poderia existir, hoje, é o caso ii, isto é, a recomendação de servos do Senhor e, mesmo em Atos, isto não aconteceu todas as vezes que  homens especiais eram enviados para servir.
Certamente, quando há convicção quanto ao chamado o equivalente espiritual deve ser praticado, isto é, os irmãos devem se identificar pessoalmente com o novo missionário, ou obreiro, apoiando-o com oração e ajuda prática.
 
Concluímos que hoje este reconhecimento não está tanto no ato de “impor as mãos” literalmente, mas sim em apoiar, aprovar e reconhecer na igreja aqueles irmãos que o Espírito Santo tem preparado e levantado para a sua obra. Pois vemos que muitos atos físicos do Velho Testamento, que tinham um significado espiritual, ainda seguiu no inicio da igreja, mas que com o passar do tempo foram deixados por realidades espirituais.
 
Plenitude do Espírito Santo
 
Lucas é o único escritor neotestamentário que menciona este assunto detalhadamente. Ele o menciona quatro vezes no seu Evangelho, e dez vezes em Atos. As quatro pessoas que ele menciona no Evangelho como sendo cheias do Espírito são: João Batista (1: 15); Isabel, a sua mãe (1:41); Zacarias, o seu pai (1:67); e o Senhor Jesus (4:1). João é descrito como estando cheio do Espírito já desde o ventre, o que indica que não foi por mérito seu. Seus pais foram cheios do Espírito para falar certas coisas importantes. O Senhor foi ungido para servir, e podemos ter certeza que foi algo permanente.
Lucas desenvolve este assunto no seu segundo livro.
 
i) "Todos foram cheios do Espírito Santo", descrevendo o que aconteceu a todos os que estavam no cenáculo no dia de Pentecostes, sem esforço da parte deles, depois de serem batizados em um Espírito (Atos 2:4).
 
ii) "Pedro, cheio do Espírito Santo" (4:8).
 
iii) "Todos foram cheios do Espírito Santo" (4:31).
 
iv) "Sete homens ... cheios' do Espírito Santo" para um trabalho administrativo (6:3).
 
v) "Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo" (6:5).
 
vi) Estêvão, "estando cheio do Espírito Santo" (7:55).
 
vii) "Saulo ... sejas cheio do Espírito Santo" (9: 17).
 
viii) Barnabé, "cheio do Espírito Santo e de fé" (11:24).
 
ix) "Saulo ... cheio do Espírito Santo" (13:9).
 
x) "E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo" (13:52).
 
A palavra "Espírito" é usada muito mais vezes em Atos do que em qualquer outro livro do NT. Na segunda parte do livro, porém, não se menciona mais ser cheio do Espírito Santo. Como fenômeno, não poderia ter cessado. A verdade é que veio a ser uma experiência perfeitamente normal para os cristãos, e já não era preciso ser mencionado quando algum serviço especial estava sendo realizado. Era aexperiência normal de todos os cristãos em quem o Espírito habitava.
Esta experiência não tornava a vida deles mais fácil, pois se assim fosse não teríamos a triste história de Estêvão. Foi uma experiência que se repetia nos vários aspectos do serviço (como também em circunstâncias perigosas), e as primeiras três referências se relacionam com Pedro. Era acompanhada por fé e sabedoria, capacitando-os a fazer e a falar de acordo com a vontade de Deus.
A única outra referência é Ef. 5: 18, onde é um mandamento. E este mandamento se acha no meio de vários outros que exigem que o cristão viva como cristão, e não como mundano, em toda em todos os aspectos do seu viver e falar. Deveria ser a experiência normal de todo cristão na vida e no serviço.
 
Por James Anderson e James R. Baker

 

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