Certamente, não é exagero dizer que, para muitas pessoas, hoje, o ateísmo é apenas mais um credo viável. A dificuldade que impede as pessoas de abandoná-lo completamente, entretanto, é a sua incerteza sobre qual credo poderiam satisfatoriamente colocar em seu lugar. Não é autoevidente para elas que a alternativa óbvia ao ateísmo é o cristianismo.
Admitindo que a única alternativa ao ateísmo é acreditar em um deus de algum tipo: mas por que, perguntam-se, deve este ser o Deus do cristianismo?
Por que não Shiva, Vishnu, Rama, Krishna ou qualquer um, ou todos, os numerosos deuses do hinduísmo? 
Ou Alá, o primeiro e único deus do islamismo? Ou, o budismo Theravada poderia ser a alternativa mais atrativa ao ateísmo? Ao contrário do budismo Mahayana, que acredita em dez mil e uma divindades, o budismo Theravada não é, de fato, uma religião, mas uma filosofia que não acredita em nenhum deus, seja qual for. Contudo, oferece a seus adeptos um corpo de doutrina (Tri-Pitakas) e um conjunto de disciplinas calculado para livrá-los da tirania de seus desejos e levá-los a um modo de vida cada vez mais livre da agitação, do estresse e do medo, e a relações pacíficas com seus semelhantes, homens e mulheres.
O propósito de toda religião, como muitas pessoas sentem, é produzir um comportamento aceitável. Portanto, que importância tem, eles dizem, qual sistema específico você escolhe, desde que você siga os preceitos de sua religião escolhida de forma consistente e sincera? Se o objetivo moral é o mesmo, o que importa em qual direção e por qual caminho alguém sobe a montanha? Você atinge o mesmo cume no final. Não é verdade que todos os raios de uma roda levam ao seu cubo? Como G. B. Shaw disse: “Existe apenas uma religião no mundo, embora haja uma centena de versões dela.” Então, todas as religiões levam a Deus?
 
O QUE AS RELIGIÕES DIZEM SOBRE SI MESMAS
 
No entanto, nem todas as religiões individuais concordam que são simplesmente rotas alternativas para o mesmo objetivo. Buda afirmou: “Há um único caminho para a purificação dos seres humanos”¹ e “A verdade é uma só, não há uma segunda”². O judaísmo monoteísta nunca vai concordar com o hinduísmo que há milhões de deuses. E o cristianismo dirá ao judaísmo monoteísta e ao islamismo que “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). Para muitas pessoas, essas afirmações mutuamente exclusivas de primazia parecem arrogantes e perigosamente fora de lugar na aldeia global que o mundo se tornou. Não seria, então, melhor para um ex-ateu seguir a filosofia eclética do movimento da Nova Era, tomando o que ele gosta de todas as religiões e combinando elementos de animismo, culto à natureza, panteísmo e moralidade cristã em um amálgama pragmático? A Nova Era, negando a existência objetiva da verdade, pode acomodar quase qualquer crença religiosa — desde que a crença não faça nenhuma afirmação absoluta por si só.
Irresistível como tudo isso pode parecer, no entanto, devemos estar vigilantes, pois sua demasiada atratividade é uma ilusão não suportada pelos fatos.
Tome primeiro a alegação de que não importa qual sistema uma pessoa segue desde que ela seja sincera. Em qualquer outro departamento da vida, nenhuma pessoa responsável ficaria contente em ter a sinceridade como garantia da verdade ou de segurança. Todas as formas de prática médica têm, por definição, o mesmo objetivo, a saber, a cura dos doentes. Mas nem todos os medicamentos são igualmente potentes ou igualmente seguros. Alguns produzem efeitos colaterais nocivos. Outros são venenos. Nós não seríamos sábios ao engolir o conteúdo de uma garrafa sem saber diferenciá-lo, porque o rótulo trazia a palavra “medicamento”. Todos nós acreditamos na objetividade da verdade quando se trata de medicamento!
Em segundo lugar, mesmo se fosse verdade — e não é — que o alvo principal de todas as religiões é levar as pessoas a comportarem-se bem umas com as outras, não seria seguro supor, sem investigações adicionais, que se comportarem bem umas com as outras é uma meta suficiente a visar. Nos séculos passados, os mares do mundo foram navegados por muitos navios piratas. Em alguns desses navios, os piratas, sem dúvida, comportavam-se muito bem uns para com os outros e possuíam regras rigorosas e bem mantidas para garantir que o espólio capturado fosse compartilhado de forma justa. Nesse sentido, eles podem muito bem ter ficado satisfeitos com o padrão de moralidade que haviam alcançado. Mas isso teria negligenciado o fato fundamental de que eles eram piratas em rebelião contra o governo legal em terra! Se esse governo os tivesse pegado, sua moralidade não os salvaria da forca. Supor que o principal objetivo da religião é levar-nos a nos comportarmos bem uns para com os outros negligencia a questão de saber se existe um ser supremo, um criador que nos fez, a quem devemos a lealdade e que irá chamar-nos para prestarmos contas de nossa negligência e de nossa deslealdade a ele. E, se houver tal ser supremo e o tivermos ignorado e quebrado as suas leis, não será desculpa, quando ele nos chamar para prestarmos contas, pleitear dizendo que nos comportamos bem para com nossos contemporâneos seres humanos. Aqui há um abismo intransponível entre, digamos, o budismo Theravada, por um lado, e o cristianismo, por outro. Para os budistas Theravada, o homem em sua essência eterna é a maior presença espiritual no universo.3 No judaísmo e no cristianismo, um homem adotar essa atitude sobre si mesmo equivale à blasfêmia. Para eles, o homem é certamente feito à imagem de Deus; mas o homem não é Deus. Deus continua a ser a maior realidade espiritual, e o homem usurpar seu lugar é o cúmulo da rebelião contra o Altíssimo.
Além disso, existe outra diferença irreconciliável entre religiões como o hinduísmo e o budismo, por um lado, e o judaísmo e cristianismo, por outro. O primeiro par afirma que o mundo material é uma ilusão (maya) e que o objetivo verdadeiro do homem sábio é escapar do mundo material para um nirvana imaterial. Judaísmo e cristianismo negam isso categoricamente. Eles afirmam que a criação material, feita pela mão do Criador, era boa, que os nossos corpos materiais, da mesma forma, eram bons; e, embora corrompidos pelo pecado, serão, um dia, fisicamente ressuscitados. Aqui, então, estão duas irreconciliáveis visões opostas de mundo. Seria um sinal de pensamento muito superficial supor que alguém poderia tirar o melhor de ambos e colocá-los juntos. E, obviamente, fará uma enorme diferença na atitude de um homem para com o mundo em torno dele e até mesmo para com seu próprio ser, qual das duas visões ele vai adotar.
 
RELIGIÕES E O PROBLEMA DA CULPA
 
Naturalmente, é verdade que, quando se trata dos preceitos básicos da moralidade — honrar os pais, não matar etc. — todas as religiões ensinam mais ou menos o mesmo. Compare, por exemplo, os cinco preceitos do budismo com os dez mandamentos do judaísmo. Em uma palavra, as religiões nos ensinam que devemos ser bons. Mas o nosso problema é que nós não fomos bons. Nós já pecamos contra Deus, quebramos suas leis e ficamos sujeitos a suas penalidades. Nós pecamos contra nossos semelhantes, homens e mulheres, e lhes causamos dano. Pecamos contra nós mesmos, e, se somos, de fato, criaturas de Deus, então pecar contra nossos semelhantes e contra nós mesmos também é um pecado grave contra Deus. Os seres humanos são feitos de tal forma que, quando pecam contra Deus e seus semelhantes, desenvolvem uma consciência culpada que destrói sua paz e os assombra como um esqueleto no armário. Para ficarem em paz, para encararem o futuro com confiança, eles devem ser capazes de se livrar dessa consciência culpada. Assim, qualquer religião digna desse nome deve lidar com essa questão da culpa. Mas como? É pior do que inútil tentar se livrar da culpa da consciência dizendo a homens e a mulheres que seus pecados e sua culpa passados não importam. De fato, no fim, isso significaria que as pessoas contra as quais pecaram não importam, que o dano que causaram não importa e que a consciência é uma mera fraqueza de caráter que pode convenientemente ser suprimida com impunidade. Nenhum paraíso jamais poderia ser construído sobre uma teoria como essa, que sugere que, no fim, os seres humanos não importam; porém, infelizmente, a tentativa foi feita mais de uma vez.
Cada homem e cada mulher, portanto, precisa urgentemente de uma solução para esse problema, uma que pode sustentar seus padrões morais e seu senso de justiça e, ao mesmo tempo, trazer-lhes perdão e justamente libertá-los das cadeias da culpa passada.
Aqui, naturalmente, as grandes religiões diferem, e não adianta esconder o fato. Certas formas de budismo negam que haja tal coisa como o perdão. Homens e mulheres simplesmente têm de sofrer seu inevitável karma de demérito, que cada indivíduo acumula para si ao longo de suas vidas presentes e passadas, até que isso se esgote, e eles sejam liberados ao seu nirvana esperado.
Eles não podem esperar nenhuma ajuda externa.
“Ninguém pode purificar outro.”4 Existe apenas a operação inexorável da lei de causa e efeito, e qualquer excesso de demérito sobre mérito deve ser liquidado em uma sucessão de reencarnações possivelmente infinita.
Algumas formas primitivas do hinduísmo sugeriam que o perdão podia ser obtido pela oferta de presentes cerimoniais e sacrifícios aos deuses. O judaísmo, da mesma forma, tinha um elaborado sistema de sacrifícios em razão dos quais as pessoas poderiam encontrar o perdão de Deus. Mas o próprio judaísmo teve o cuidado de salientar que o sacrifício de bois e vacas não podia ser considerado uma solução adequada ao problema da culpa humana (Salmo 40:6). Afinal, o que as vacas sabem sobre pecado? Elas não vão para a cama, à noite, assombradas por uma consciência culpada. As considerações morais permanecem para sempre sem afetá-las. É a glória e o fardo do ser humano ser consciente das exigências da moralidade.
Na melhor das hipóteses, portanto, os sacrifícios de animais eram apenas uma forma simbólica de reconhecer que a pena do pecado deve ser paga, para que a consciência tenha descanso pelo perdão. Hoje, o judaísmo perdeu até mesmo o sistema de símbolos e não tem nada para colocar em seu lugar. Nisso, assemelha-se ao islamismo, que ensina as pessoas a lançarem-se sobre a misericórdia do Altíssimo, mas não pode apontar qualquer sacrifício que possa adequadamente pagar o preço do pecado.
 
A IMPARIDADE INQUESTIONÁVEL DE CRISTO
 
Neste contexto, o cristianismo é único, pois, embora ensine as pessoas a serem boas, esse não é o maior impulso de sua mensagem. O coração de sua mensagem é que Deus, o juiz contra o qual todos nós pecamos, tomou para si a tarefa de defender a honra de sua lei e da justiça pública, oferecendo o seu Filho como um sacrifício para tirar o pecado do mundo. Nisso, Cristo é único. De todos os grandes fundadores e líderes de religiões, ele é o único que vem a nós alegando ser nosso Criador encarnado, o qual veio lidar com o problema da culpa do nosso pecado pelo seu sacrifício no Calvário, para que possamos receber perdão e paz com Deus. Por exemplo, como H. D. Lewis afirma: “... e o próprio Buda, de acordo com o famoso texto que descreve o seu falecimento, desmentiu, na época de sua morte, quaisquer afirmações peculiares feitas em seu nome como instrumento de salvação”.5 Perguntar por que temos de pensar que Cristo é o único caminho para Deus é perder o ponto completamente. Ninguém mais se oferece para tratar desse problema fundamental.
Cristo é o único. Não é mente estreita aceitar de Cristo o que ninguém mais oferece!
Além disso, é importante ser esclarecido sobre a condição básica na qual a oferta de Cristo é feita, pois aqui, mais uma vez, está uma área em que o cristianismo é único.
Como nem todos aqueles que professam o cristianismo viram esta distinção, nós a salientamos, considerando a metáfora familiar que representa a religião como um caminho ou uma trilha. No budismo, é o “Caminho Óctuplo” ou ”Caminho do Meio”, e, desde tempos muito antigos, o cristianismo era conhecido como “O Caminho”. Nesse esquema de coisas, geralmente, há uma porta no início, através da qual se deve entrar, ou algum ritual ou experiência pela qual se deve passar a fim de pôr-se a caminho. Em muitos, há também um portão no final, que leva para o céu, nirvana etc. — embora os budistas Zen afirmem que a iluminação (satori) é possível nesta vida presente.
A ideia comum a todas elas é que, passar pelo por tão final ou não (ou atingir a iluminação ao longo do caminho ou não), depende de como você progride ao longo do caminho — o princípio básico é o mérito. As pessoas costumam pensar nisso da mesma forma como o fazem por um diploma universitário. Se você deseja obter um diploma de uma universidade, você deve passar pelo exame de ingresso necessário a fim de se qualificar para entrar na universidade. Se você não passar por essa porta, você não pode nem mesmo começar o curso universitário que possa levá-lo a uma graduação. Mas entrar por essa porta no início não é garantia de que você vai obter um diploma no final do curso, pois existe uma outra porta no final do curso, a saber, a prova final. Chegar ou não a esse portão, dependerá de quão bem você se sairá no curso e na prova final. Os professores empenhar-se-ão para ajudá-lo, mas mesmo eles não podem garantir que você passará. No final, tudo depende de seu mérito. Você tem de ganhar o diploma, mas não pode ser decidido se você fez o suficiente para ganhá-lo até a prova final.
Na mente popular, o próprio cristianismo é uma religião desse tipo. Para obter a salvação e a aceitação de Deus, você primeiro deve entrar através da porta no início da estrada, isto é, o ritual do batismo. Entrar nessa porta o coloca na corrida para a salvação; mas, naturalmente, isso não significa que você já está salvo. Conseguir a salvação e a aceitação de Deus depende de passar pela prova no final do curso, isto é, o juízo final; e passar nesse juízo final deve depender do progresso que você fez e do mérito que você atingiu durante a vida. Naturalmente, a “igreja” e seus dirigentes estão lá para ajudá-lo em tudo o que puderem; mas mesmo eles não podem garantir que você vai passar no juízo final. Assim, a questão da sua aceitação final por Deus deve ser deixada em aberto até a avaliação final, porque (conforme as pessoas pensam) a aceitação de Deus depende das obras, do progresso e do mérito de alguém.
Agora isso, por mais plausível que pareça, é exatamente o oposto daquilo que o Novo Testamento realmente ensina sobre a aceitação de Deus, pois, nessa matéria, o cristianismo vai claramente contra toda religião. Ele diz, categoricamente, que a salvação não é por obras e mérito. É dom de Deus (Efésios 2:8-9).
Como um dom gratuito, portanto, a salvação não pode tornar-se dependente de quão bem alguém progrediu no caminho. A pergunta, então, surge: em que ponto, ao longo do caminho, alguém recebe esse dom? Em que ponto Deus nos dá a garantia de que ele nos aceitou?
No final do caminho? Não! No início do caminho, como o Senhor Jesus explicou aos seus contemporâneos: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5:24). Ou, como Paulo explicou: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da gloria de Deus” (Romanos 5:1-2).
Além disso, vemos em ambas as declarações a garantia de que, com o fundamento de termos sido justificados no início da estrada, Deus nos assegura que passaremos pelo portão no final da estrada também. Como o apóstolo Paulo explicou: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira ” (Romanos 5:9).
 
BOM DEMAIS PARA SER VERDADE?
 
À primeira vista, isso soa de modo tão contrário ao que as pessoas pensam, que elas são inclinadas a descartar isso e a considerar que essa não pode ser uma verdadeira interpretação do cristianismo. Mas esta segurança básica e o senso de ser aceito por Deus foi central nos ensinamentos de Jesus.
“As minhas ovelhas,” disse ele, “ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (João 10:27-29).
Mas, no caso de ainda acharmos difícil aceitar que um crente em Cristo possa desfrutar, nesta vida, a paz da aceitação completa de Deus, vamos considerar, por analogia, a mais profunda das relações humanas, que é entre um homem e sua esposa. Para assegurar um casamento feliz, seria sábio um marido deixar o maior tempo possível, depois de uma cerimônia de casamento, antes de permitir que sua esposa saiba que ele a aceitou? A resposta é óbvia. Para uma mulher, passar toda a sua vida de casada incerta de haver feito o suficiente para ganhar a aceitação de seu marido iria transformar essa vida em uma espécie de escravidão. Em casamentos normais, o marido assegura a sua esposa de sua aceitação e de seu compromisso com ela desde o início. É a confiança da esposa no amor e na aceitação de seu marido, desde o início, que traz à tona sua devoção a ele e a dele para ela.
A analogia não é inverossímil. De acordo com o cristianismo, a salvação não é um esquema de acumulação de méritos que compra a aceitação de Deus. É uma questão de entrar em um relacionamento pessoal presente com nosso Criador, que a Bíblia descreve em termos de amor de um marido para sua esposa (Efésios 5:22-33). Essa relação não é para ser deixada na incerteza até o fim da vida. Na verdade, se for para ser formada, ela deve ser formada agora, nesta vida. Mas uma vez formada, durará eternamente.
Mais uma vez, para muitas pessoas, parece que isso simplesmente não pode ser verdade; pois, se fosse, seria, elas pensam, perigoso. “Se pudéssemos ter certeza, nesta vida, da aceitação de Deus”, elas dizem, “isso não nos levaria a abusar de seu amor e de sua graça por vivermos indignamente?”
A questão parece razoável o suficiente, especialmente para pessoas que nunca  experimentaram o que acontece quando alguém responde ao convite de Cristo e entra nessa relação pessoal com ele. Mas a resposta à pergunta é “Não”, decididamente “Não”. E “Não”, devido à porta pela qual devemos passar para começar o caminho cristão. A porta não é o rito de batismo infantil, realizado em um bebê que desconhece completamente o que está acontecendo. É o verdadeiro novo nascimento, produzido em uma pessoa pelo poder regenerador do Espírito Santo (Tito 3:3-7; João 3:5-16). Não é alcançado pelo esforço de uma pessoa e pelas suas obras. É um dom dado a todos que pessoalmente se arrependem e recebem a Cristo como Senhor e Salvador (João 1:12-13; Efésios 2:8-10), mas, porque o dom é a nova vida espiritual, com novos poderes, novos desejos, novos objetivos e, acima de tudo, uma nova relação com Deus, isso naturalmente leva a boas obras, na verdade, a um novo estilo de vida. Isso não significa que o crente seja perfeitamente sem pecado;  mas, quando pecar, um crente verdadeiro se arrependerá, confessará seus pecados e receberá o perdão prometido de Deus (1 João 1:9).
Esta, então, é a glória do evangelho cristão. Mas carrega um corolário grave. Quando não há nenhuma evidência de um estilo de vida mudado, há todas as razões para duvidar se esse novo nascimento aconteceu de fato, se realmente a pessoa em questão já entrou pela porta. As Escrituras dizem: “Assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2:26). Não é pelo choro que o bebê ganha a vida; mas um recém-nascido que não chora provavelmente está morto.
 
A AFIRMAÇÃO DA VERDADE DE
CRISTO NÃO É TIRANA
 
Um ponto final surge em conexão com a afirmação de Cristo ser o único Salvador. Por exemplo, ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Da mesma forma, seus apóstolos proclamaram sua desigualdade: “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). Agora, em um mundo cada vez mais pluralista, muitas pessoas ficam muito apreensivas quando ouvem tais afirmações. Elas compartilham o medo articulado por Karl Popper no seu famoso livro, The Open Society, de que a crença de que apenas um possui a verdade é sempre implicitamente totalitária. Popper salienta que é apenas um pequeno passo da confiança que diz: “Eu tenho certeza...” à tirania que diz: “...portanto, devo ser obedecido”. Isso leva Popper dizer que todas as afirmações de verdade absoluta devem ser rejeitadas para proteger a sociedade. Como a história nos fornece muitos exemplos da realidade desse medo, é de importância vital que vejamos que Cristo, que fez tais afirmações, repudiou a violência e a tirania. Na verdade, esta é uma das glórias da mensagem cristã: que Cristo não forçou seu caminho na vida das pessoas com demonstrações explícitas de poder — e não lhe faltava poder. Ele queria que homens e mulheres viessem confiar e amar a Deus — e confiança e amor não podem ser forçados, eles só podem ser ganhos. Cristo demonstrou seu amor e seu cuidado para com as pessoas, como os Evangelhos descrevem em detalhes. E, quando algumas pessoas, no entanto, o rejeitaram e lhe pediram para que saísse, ele não os forçou violentamente a se submeterem a ele, contudo aceitou seu veredito e foi embora triste (Mateus 8:34-9:1). E, quando seus discípulos pegaram espadas para defendê-lo, ele os impediu imediatamente, proferindo as famosas palavras: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão” (Mateus 26:52). Para Pilatos, o procurador romano, diante de quem ele tinha sido acusado como um potencial líder de insurreição, ele disse: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus...” (João 18:36) Respondendo a essa declaração, com a plena autoridade de Roma atrás dele, Pilatos pronunciou-se: “Eu não acho nele crime algum” (João 18:38). O contexto é a afirmação de Cristo a Pilatos de que ele era um rei, vindo ao mundo “a fim de dar testemunho da verdade” e afirmando que “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (João 18:37). Assim, a sentença de Pilatos mostra que ele não viu nenhuma ameaça política na afirmação de Cristo.
Além disso, Cristo até orou pelos soldados que foram designados para crucificá-lo. Ele não pode, portanto, ser responsabilizado por aqueles de seus professos seguidores que, em desobediência direta a seu comando explícito, usaram força e violência para tiranizar outros. Tal comportamento simplesmente não é cristão, seja lá o que possa afirmar o contrário. As afirmações de Cristo, se verdadeiramente aceitas, levam as pessoas a obedecerem a seus ensinamentos e, sobretudo, a amarem até seus inimigos. Cristo não pode ser nem um pouco criticado pelo comportamento daqueles que, ao longo dos séculos e ainda hoje, rejeitam seus ensinamentos e transformam o cristianismo em uma tirania.
 
NOTAS DE FIM
1. R. C. Zaehner, The Concise Encyclopaedia of Living Faiths, London: Hutchinson, 1977, p. 265.
2. Ibid., p. 275.
3. Ibid., p. 409.
4. Ibid., p. 265.
5. Lewis and Slater, World Religions, London: Baltimore Penguin Books, 1966.
 

Por David Gooding & John Lennox

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