Foi, sem dúvida, a genuína compaixão pelos pobres que levou Marx a declarar: “A religião é o soluço da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração... o ópio do povo”. Assim dizendo, Marx não estava meramente criticando a falsa religião. A própria Bíblia não é menos rigorosa do que Marx ao denunciar a falsa religião que é conivente com capitalistas sem coração que oprimem seus trabalhadores (ver, por exemplo, Tiago 2:6-7; 5:1-6). Marx estava acusando todas as religiões, porque os trabalhadores as tomaram como um narcótico que atenuava sua dor com promessas ilusórias de céu e, assim, fazia-os tolerar passivamente a injustiça ao invés de lutarem ativamente contra ela.
A cura marxista, portanto, foi primeiramente abandonar toda a religião para, em seguida, começando com o homem como homem, no espírito do verdadeiro humanismo, iniciar a formação de um ‘novo homem’.
“O partido considera a educação do novo homem como a tarefa mais difícil na reforma comunista da sociedade. Até removermos as raízes dos princípios morais burgueses e tudo mais, treinarmos os homens no espírito da moral comunista e os renovarmos espiritual e moralmente, não será possível construir uma sociedade comunista.” (22º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, 1961) De modo interessante, o Novo Testamento concorda com o marxismo nesse particular, que pelo menos os rituais religiosos, as disciplinas e o esforço moral são todos insuficientes; nada se aproveita exceto a criação de um ‘novo homem’ (ver 2 Coríntios 5:17; Efésios 2:8-10; 4:22-24). Naturalmente, marxismo e cristianismo irão discordar sobre o que há de errado com o ‘velho homem’, sobre qual tipo de ‘novo homem’ é desejável e sobre quais os meios de introduzir o ‘novo homem’. Mas falaremos disso mais tarde. Por enquanto, vamos retornar à questão do ópio.
Se é verdade que, em alguns séculos e em alguns países, a religião tem agido como um sedativo, também é verdade que, em nosso próprio século, as filosofias humanistas, tanto de direita quanto de esquerda, têm agido como poderosos estimulantes. Suas promessas de uma utopia futura reanimaram o senso inato de certo e errado das pessoas em ação heroica e sacrifício para ajudar a realizar a utopia prometida. Por essa causa, durante o último século, milhões morreram. Mas a utopia prometida não foi alcançada. Ela parece mais distante do que antes. E, no que diz respeito a essas milhões de pessoas agora mortas, as esperanças geradas nelas por essas filosofias humanistas, pelas quais deram ou foram privadas de sua vida, provaram ser ilusórias.
O que diremos, então, sobre esse senso instintivo de certo e errado, que todos nós possuímos, o qual nos faz sentir que temos um direito de justiça e que leva muitas pessoas a lutar para obtê-la? Obviamente, ele não foi implantado nos seres humanos pela religião, visto que os ateus o possuem tão ardentemente quanto aqueles que acreditam em Deus. Então, de onde ele vem? E quão válido é considerado como guia para se esperar que a justiça, um dia, irá triunfar?
A Bíblia diz que ele foi implantado em nós por Deus, nosso Criador. Toda a sua autoridade divina o sustenta. E, embora, em nós e em nosso mundo, ele seja constantemente suprimido, distorcido, frustrado e traído como resultado do pecado do homem e da rebelião contra Deus, ele, um dia, será vindicado. Deus irá julgar este mundo com justiça, por meio de Jesus Cristo, e também haverá um julgamento final. A justiça será feita para todos aqueles que já viveram nesta terra (Atos 17:31; Apocalipse 20:11-15). Aqui, então, está uma tremenda garantia. Vale a pena lutar pela justiça e resistir ao pecado, ao mal e a todo tipo de corrupção. Nosso senso de certo e errado é válido: ele não é uma ilusão.
“Mas, não”, diz o humanismo, “nosso senso de certo e errado não é tão significante assim: é, simplesmente, o produto do desenvolvimento evolutivo”. Então, não há nenhuma garantia de que ele será satisfeito no caso de qualquer indivíduo ou de qualquer geração! E, uma vez que não existe Deus e uma vez que não haverá nenhum julgamento final, os milhões que sofreram injustamente na terra, no passado, não encontrarão justiça nem na vida futura, já que não há nenhuma vida futura. Além disso, os milhões que ainda vivem na esperança da justiça nesta vida, ou na próxima, irão, do mesmo modo, provar uma desilusão zombeteira.
Que tipo de incentivo é esse para se lutar pela justiça agora, ou mesmo por alguma utopia futura que, como aquela que nos foi prometida no último século, pode, de qualquer modo, nunca chegar? Isso não é um estimulante.
Isso não é, nem mesmo, um sedativo. Isso é um depressivo.
Mas vamos, agora, considerar a proposição de que nada se aproveita, exceto a formação de um ‘novo homem’.
Aqui, a Bíblia concorda totalmente com Marx contra muitas formas de religião popular. A Bíblia ensina que o homem é essencialmente mau. Seu coração é enganoso, acima de todas as coisas, e desesperadamente corrupto (Jeremias 17: 9). Nada, nem mesmo os melhores rituais religiosos ou disciplinas, nem mesmo o honesto empenho moral do homem podem curar seu
mau coração e tornar o homem aceitável a Deus ou um cidadão apto a qualquer utopia, nada, isto é, exceto a remoção do mau coração do homem e sua substituição por um coração novo, por um espírito novo; em outras palavras, nada, a não ser a criação de um novo homem por meio do arrependimento pessoal e da fé no Filho de Deus, crucificado e ressuscitado, levando à reconciliação com Deus, ao perdão e a uma nova vida (Ezequiel 36:26; Tito 3:1-7; 2 Coríntios 5:17; Efésios 2:8-10).
O marxismo, em contrapartida, ensinou que o homem não é essencialmente mau, apenas ainda imperfeito, corrompido e alienado pela opressão capitalista.
Remova a opressão, e o homem salvará a si mesmo e a sua sociedade por seu próprio trabalho. Porém, mais uma vez, a amarga experiência provou que essa esperança também é ilusória. Em todos os séculos, os melhores esquemas políticos e econômicos foram, e continuam sendo, destruídos pelo contínuo egoísmo, inveja, ciúme, ganância, luxúria, embriaguez, roubo, mentira, crueldade e assassínio do homem. A história mostra que o homem é, como a Bíblia diz que ele é, essencialmente pecador e mau.
Então, como ele pode ser salvo? Certamente, não o será pela independência de Deus: isso é a causa de seus problemas, não a cura, nem mesmo pelos rituais religiosos e pelas boas obras. Falando com um homem que já era muito religioso, Cristo colocou desta forma:
“O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo” (João 3:6-7).
Você pode alimentar, escovar e treinar um cão, mas você nunca irá, por esses meios, transformá-lo em um ser humano. Para se tornar um homem, ele teria que nascer de novo. A única maneira de tornar um ser humano caído e pecador em um filho de Deus é a regeneração pelo Espírito de Deus. As esperanças de fazê-lo por quaisquer outros meios são ilusórias.
 
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