MORMONISMO

De seis membros em 1830 para mais de dois milhões em 1964, com aderentes quase sem número de grande destaquenos mundos político, educativo, financeiro, social e mdustrial, com recursos monetários astronômicos, e com umprograma de beneficiência social igual aos melhores do mundo(embora limitada estritamente aos membros da seita),não é de se admirar que os Mórmons despertem cada vezmaior interesse.
Por outro lado: baseado nos mitos mais incríveis que se dizem resultado direto de revelações a indivíduos que possuam unicamente o testemunho de suas próprias afirmações para confirmar aquilo que alegam; uma atitude prejudicial antiga e inteiramente desacreditada para com o negro americano à base de uma lenda que está em flagrante contradição com todos os fatos bíblicos e antropológicos;com missionários que recebem um curso de duas semanasem proselitização e fazem convertidos por meio de seis lições; com uma Livraria Deseret com vendas anuais queultrapassam um milhão e meio de dólares americanos; com uma renda diária da "igreja" de mais de um milhão de dólares.
.. tal é, em poucas palavras, a história dessa instituição religiosa de puríssima origem americana, de acordo com o livro mais recente e talvez mais bem informado sobre essa seita estranha e sui generís. (William J. Whalen: The Latter-day Saints in the Modern Day World (Os Santos dos Últimos Dias no Mundo do Dia Moderno). The John Day Company, Nova Iorque, 1964. Cf. também N. Vogelzang, "Proselyting All the World" (Proselitizando Todo o Mundo), Meios de Comunicação em Massa do Mormonismo, em The Banner (A Bandeira), 4.11.1960.)
Algumas das doutrinas ensinadas pelos Mórmons primitivos, tais como a doutrina Adão-Deus, foram abandonadas, embora sustentem até hoje que Deus foi uma vez um homem morando em algum outro planeta e que os Mórmons fiéis de hoje serão deuses em vários planetas no porvir.
Ainda dizem que Adão e Eva moravam no Jardim do icden )perto de Independence, Missúri.
Não crêem mais na expiação sangüinária nem a ensinam; e pode ser que haja outras pequenas modificações.
A poligamia, os Mórmons de hoje preferem não discutir, se bem que seu autor contemporâneo John J. Stewart afirme: "A Igreja nunca renunciou, nem jamais renunciará essa doutrina. A revelação sobre o matrimônio pluralista ainda faz parte integrante das escrituras dos SUD e sempre o fará."
Os Mórmons não se dizem protestantes, e sim a quinta religião maior da América (a ordem por número de adeptos era então: protestantismo, catolicismo romano, judaísmo, mormonismo, ortodoxia) e possivelmente terá sem muitas delongas que ser reconhecida como tal.
Considerando-se a doutrina capital do monoteísmo, crida e confessada por todos os cristãos, judeus e maometanos, a doutrina abertamente defendida do politeísmo tende a classificar os Mórmons com o antigo paganismo, do qual também tomaram emprestada a doutrina da pre-exístência das almas humanas.
O Mormonismo é, na realidade, uma fé maravilhosamente composta. Nas palavras do Sr. Ferguson: "Compuseram lá em Utah uma religião sintética."
 
Povo Simpático
 
Apesar de todas as suas doutrinas curiosas e pagãs, os Mórmons apresentam em Utah uma vida encantada, se bem que ex-Mórmons, convertidos ao Cristianismo, queixam-se amargamente dos métodos não éticos pelos quais a hierarquia consegue apropriar-se de fazendas e imóveis pertencentes a homens de outras religiões, e da tirania que tudo abrange, mantendo a vida dos Mórmons presa a seus caprichos. E é notável que onde a seita é numericamente mais forte, poucos convertidos são acrescentados.
Com tudo isso, não há dúvida de que "esses incríveis Mórmons" têm conseguido apagar admiravelmente bem o registro sombrio dos feitos anti-sociais do primitivo Mormonismo em Illinois e Missúri. Suas cooperativas em matéria socío-religíosa têm produzido frutos surpreendentes.
Na guerra e na depressão econômica nenhum Mórmon se torna pesado ao Estado, e não se aceita nenhum auxílio do capital nacional.
Mantém-se elevado nível de vida familiar e são admiravelmente livres de divórcio, crime e delinqüência juvenil.
Mesmo a dança entre adolescentes tem o apoio e a supervisão eclesiástica, e é conducente à criação e conservação de um povo "separado", dando pronta entrada a suas "posses" à juventude não ligada a nenhuma igreja, dos colégios e universidades. Tais candidatos são assim atraídos e ensinados uma "religião" que de fato é desta terra e que ensina numa utopia estritamente atual, a ser repetida em umavida futura.
 
História
 
O "Profeta" dos Mórmons, Joseph Smith Júnior, nasceu em 23 de dezembro de 1805 em Sharon, Estado de Vermonto Foi criado na ignorância, pobreza e superstição.
Além do mais, na juventude ele era indolente. Contudo, e de inteiro acordo com o ambiente de superstição em que vivia, ele alegava ter visões e revelações divinas, desde 1820.
Em 1823 o anjo Moroni revelou-lhe o lugar onde placas de ouro estavam enterradas contendo a história da América antiga em "carates egípcios reformados." Sem dúvida Smith queria dizer caracteres, porém, ao contrário da Mãe Eddy, ele não conhecia gramática suficiente para que fosse eclipsada por uma revelação divina, por isso de vez em quando cometia erros gramaticais.
Gerações posteriores de Mórmons, têm, a exemplo dos devotos da Sra. Eddy, expurgado muitos dos lapsos gramaticais que enfeavam os primeiros livros como O Livro de Mórmon.
Em 1830, "Joe" (Juca), como era conhecido, organizou em Fayette, Estado de Nova Iorque, a "Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos Dias." Isso ele conseguiu depois de ter convencido um punhado de amigos que sua "tradução" das Placas de Ouro (que ele depois devolvera devidamente ao anjo Moroni) fora feita, não, conforme diziam as más línguas, com a ajuda de "um cristal dentro de um chapéu," mas com o auxílio do apropriado "Urim e Thummim" que o obsequioso anjo fornecera. Afirma-se que as placas estiveram ocultas na terra desde o ano 420 de nossa era até o dia 22 de setembro de 1823, quando Joe Smith as descobriu no "Morro Cumorah". Contudo, o Livro de Mórmon, como fiel reprodução das referidas placas, transcreve extensas citações da Bíblia na tradução inglêsa do ano de 1611! Contém ainda expressões e idéias modernas que não podiam ser conhecidas pelo seu suposto autor em 420 A.D.. Põe as palavras de Jesus, muitas vezes desvirtuadas, nos lábios de homens que supostamente viveram séculos antes de Cristo. Não somente foi escrito em fraca imitação do estilo bíblico, mas também solapa a Bíblia, declarando-a insuficiente e fazendo acréscimo e alterações a muitas passagens bíblicas, "por divina revelação." Razões como essas demonstram que dificilmente podia ter sido revelado por um anjo. Sua história dos antigos habitantes da América, os supostos antepassados dos "Santos dos últimos Dias", contém doze erros históricos.
O Livro de Mórmon é oficialmente reconhecido por ambos os ramos do Mormonismo como sendo de autoridade igual à da Bíblia, e na prática recebe honra muito além da Bíblia. Há, porém, abundância de evidência inconteste de que a origem do Livro de Mórmon deve ser procurada no  romance inédito e roubado de Solomon Spauldíng, The Manuscript Found (O Manuscrito Encontrado). Os Mórmons procuram apagar essa evidência fazendo alusao a outro manuscrito, A História do Manuscrito, do mesmo Spaulding, provam que o Livro de Mórmon não é a cópia desse último. Assim os incautos se convencem de que Joseph Smith não copiou "do manuscrito de Spaulding;" o verdadeiro argumento, porém, de que a "Bíblia Dourada" é a obra de cópia e enfeite efetuada por Rigdon e Smith, permanece sem resposta.
Em junho de 1831 uma "revelação" ordenou os Santos a que fôssem habitar em Missúri, a "terra de Sião." Kirtland, Estado de Ohio, e Zion (Sião), Estado de Missúri, passaram então a ser seu quartel general. Mas, por qualquer razão pagã, os vizinhos "gentios" não confiavam nos Mórmons, acusando-os de vários crimes. Os Santos não hesitaram em atacar os gentios como "inimigos do Senhor."
Quando o "Safety Bank" (Banco de Segurança) em Kirtland, uma empresa mórmon, faliu em 1838, Smith e seu amigo, Sidney Rigdon, fugiram para Missúri. De Missúri foram expulsos por ordem do Governador Boggs em 1839.
Encontrando acolhimento em Illinois, erigiram a cidade "Nauvoo". Aí nosso profeta fez seu maior espalhafato, anunciando-se, entre outras proezas, candidato à presidência dos Estados Unidos. Acusado de grosseira imoralidade, de falsificação, de abrigar criminosos no ato de fugirem da justiça, e de outros delitos, Smith foi preso, porém uma turba invadiu a cadeia e matou a tiros tanto o profeta Joseph como seu irmão Hyrum.
Isso foi um tanto contraproducente para a causa anti-Mórmon, pois o profeta agora tornou-se mártir. Com sua condenação à vista e quando o movimento podia muito bem ter morrido de morte natural, homens exaltados que tinham uma queixa justa mataram sua própria causa, imortalizando seu inimigo e dando suposta ocasião a seus seguidores para buscarem vingança contra os ímpios habitantes da América gentia e seus descendentes.
Brigham Young chegou da Inglaterra, onde estivera granjeando prosélitos, e, pela força de sua personalidade, pôs fora de ação diversos rivais. Tornou-se o líder reconhecido da grande maioria dos Mórmons. Young era homem forte. Com apenas onze dias de escola, foi longe neste mundo e se tornou estadista e líder de vulto respeitável. Com a fé ingênua de um intelecto inculto, Young acreditava em Joseph Smith e permaneceu fiel ao "profeta" durante toda sua vida.
Brigham Young liderou os milhares de discípulos através de indizíveis sofrimentos até que, em julho de 1847, chegaram a Utah, que naquele tempo era território mexicano não ocupado. O próprio Young não sabia onde ia terminar o longo êxodo. De vez em quando dizia: "Conhecerei o lugar quando o avistar." Quando o posto avançado dos peregrinos chegou ao Lago do Sal, Young anunciou sua única "revelação", a saber: o Senhor lhe revelara que era esse o lugar onde os Santos ficariam livres da perseguição americana gentia.
Os Mórmons sob a liderança de Young revelaram-se excelentes pioneiros. Durante muitos anos tiveram as cousas inteiramente a sua própria vontade. O incidente das gaivotas que comeram os gafanhotos que tinha baixado sobre sua primeira colheita convenceu-os de que o Senhor estava com eles e aprovava seu novo empreendimento.
Condições duras de pioneiros, hábitos frugais, a entrega do dízimo à "igreja"enriqueceram os primitivos Mórmons e sua Igreja. Logo foram enviados missionários à Inglaterra e outros países europeus a buscar convertidos, principalmente mulheres. Young, que tinha vinte-cinco esposas, dominava a colônia com mão de ferro. Quanto a seu domínio na Colméia e na Casa do Leão, as opiniões de sua esposa fugida, Ana Elisa, e de sua filha, Susana, divergiam algum tanto uma da outra.
Quando em 1849, no término da guerra com o México, Utah tornou-se território americano, os Mórmons recusaram-se a ser governados por Washington. Pois não tinham eles fugido dos Estados Unidos por causa de "perseguição"?
Seguiu-se longa história de erros diplomáticos e outros de parte a parte, até que finalmente Brigham Young, primeiro governador do Estado de Utah, teve de admitir outro governador.
Young, contudo, permaneceu como Primeiro Presidente da Igreja. Era assistido por doze apóstolos.
Notório é o incidente do Massacre de Mountain Meadow quando, em 1857, toda uma leva de imigrantes de caminho de Arkansas para a Califórnia, durante a corrida do ouro, foi assassinada em Utah. Por esse crime bárbaro foi executado John D. Lee pelo governo dos Estados Unidos em 1877. (The Mountain Meadows Massacre, por Juanita Brooks -Stanford University Press, 1950. A escritora é Mórmon, que admite que o massacre dos homens desarmados por Mórmons armados que
tinham por incumbência protegê-Ias contra os índios, foi um crime mórmon que ela atribui ao hísterísmo coletivo.)
Brigham Young viveu até a idade de 76 anos e morreu em 1877. Depois que os Estados Unidos alcançaram maior influência, os Mórmons tornaram-se conhecidos como boos pioneiros mas também como intriguistas polítícos. Contínuaram a levantar templos suntuosos. Entre esses está o grande Nono Templo ou de Mesa, no Estado de Arizona, construído em 1927. Aí se mostram aos visitantes de todos os Estados os murais que retratam a história do Mormonismo conforme deturpada pelos Mórmons. Em 1937 mais dois templos, em Los Ângeles e Idaho Falls, estavam no programa da Igreja com o custo total de dois milhões e seiscentos mil dolares. No morro Cumorah no Estado de Nova Iorque, alto monumento agora convence a grande número de pessoas da verdade da lenda do Urim e Thummim de Moroni.
Em 1956 Utah anunciou a inauguração de "um dos maiores atrativos turísticos da Califórnia", a saber, seu décimo templo, o Templo de Los Angeles da Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias, construído pelo custo de seis milhões de dólares, com a área de cem mil metros quadrados e à altitude de quase 900 metros, sendo encimado por uma estátua de ouro do anjo Moroni. Além do salão de assembléia (com capacidade para 2.600 pessoas), uma sala para a "selagem" de casamentos, outra para a instrução das noivas, e vasta fonte batismal, o segundo piso do Templo contém "as Cinco Salas", de formato oval, com murais do sol e da lua. O número 2 é o Jardim do Éden, onde, segundo informa a placa, "Adão e Eva tomaram sua grande decisão."
Em seguida vem a Sala Mundial, com murais inspirados pelo Vale da Morte e que "representa o mundo solitário e triste, o campo de prova." O número 4 é a Sala Terrestre, "quarta etapa no caminho para a glória celestial, o passo anterior à entrada no Reino Celestial." Uma de suas paredes dá para a quinta sala, ornada como sala-de-estar de luxo, com poltronas e sofás muito bem estofados, murais delicados e candelabros primorosos. Isso representa o próprio Reino Celestial, "onde o homem exaltado poderá habitar na presença de Deus."
Outros templos dos Mórmons de Utah ficam em: Logan, Utah; Cardston, Província de Alberta; Saint George, Utah; Mesa, Estado de Arizona; Honolulu; Salt Lake City; Idaho Falls; Berna, Suíça. Além dos templos, o programa mais amplo de construção na história dos Mórmons está se efetuando, de "posses" em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.
Em 1951 o Concílio dos Doze Apóstolos escolheu David O. MacKay, então com 77 anos de idade, como presidente da Igreja. Sucedeu a George Albert Smith, parente longe do fundador.
 
Dois Grupos Principais
 
Após a morte de Joseph Smith Júnior, o Profeta, os Mórmons dividiram-se em vários grupos. Brigham Young conseguiu combinar a maior parte desses sob sua liderança, com exceção de uma pequena minoria que, com o título de "A Igreja Reorganizada dos Santos dos últimos Dias", ou Josephitas, se instalou no Estado de Missúri. Escolheram a liderança de um filho de Joseph Smith. O grupo reorganizado sentiu o constrangimento que lhes impunha seu ambiente cristão do Leste, ao ponto de repudiarem por completo a poligamia. Depois disso fizeram ingentes esforços para pôr a culpa da poligamia na entidade irmã que foi com Brigham para Utah, que sendo território mexicano desocupado servia para praticarem o sistema à vontade. Os fatos, porém, não admitem essa interpretação. Não só é certo que Smith escreveu a "Revelação sobre Matrimônio Celeste", mas, dos seguidores de Joseph, vinte mil foram com o polígamo Young contra apenas mil que foram com os Josephitas. A verdade é que a poligamia era ensinada e praticada por todos os doze primitivos "apóstolos" e por seis, pelo menos, dos grupos da Igreja quando se dividiu por ocasião da morte de Joseph. Além disso, lideres destacados dos primitivos Josephitas têm admitido a origem josephita da doutrina, ao passo que as evasivas de Josephitas posteriores, examinadas de perto, demonstram ser infundadas.
Eles mesmos "são muitas vezes um tanto vagos e incertos na fixação da responsabilidade da poligamia e a ocasião de sua introdução na igreja." Fawn M. Brodie dá uma lista de 48 esposas plurais do próprio Joseph Smith.
Há, então, certas diferenças entre os ensinos dos Brighamitas e os dos Josephitas. Dizem respeito principalmente à sucessão profética e à poligamia.
 
1. Os Josephitas declaram que o Presidente da Igreja tem que ser "da semente de Joseph Smith." Shook comenta com espírito: "A mim me parece que, se eles partissem a diferença, teriam aproximadamente a verdade, e que, como está agora, os Josephitas têm o presidente e os Brighamitas a igreja." Outro converso da Igreja Reorganizada, contudo, refuta em boas bases a alegada sugestão de Joseph Smith que seu filho fosse seu sucessor. Ao mesmo tempo se admite que os Josephitas estavam sem o presidente desde 1852, o ano de sua organização, até 1860,quando o filho de Joseph ingressou em suas fileiras. Onde então estava a "Igreja de 1844 a 1860 se os Josephitas estão certos?
 
2. Os Josephitas rejeitam a poligamia, o que da sua parte é tão sem lógica quanto é a rejeição por parte de Utah da "Tradução Inspirada" da Bíblia que os Josephitas aceitam.
 
3. Os Josephitas desde o princípio rejeitam in totum a doutrina Adão-Deus dos Brighamitas; porém os dois grupos crêem em muitos deuses, e em deuses de carne e ossos.
 
Há um outro grupo, menor, que se intitula simplesmente a Igreja de Cristo. Eles possuem o Lote do Templo no condado de Jackson, Estado de Míssúrí. sobre o qual, de acordo com uma "revelação" outorgada a Joseph Smith, seria erigido o Templo da Nova Jerusalém. Afirmam que a Igreja de Utah já lhes ofereceu cinco milhões de dólares pelo Lote do Templo, mas até aqui não quiseram abrir mão do terreno. Esses também são de doutrina não-polígama.
Grupo menor ainda (seis igrejas com o total de cerca de 250 membros) são os Stranguitas, seguidores de certo James J. Strang, que se recusou a seguir Brigham Young mudou-se para a Ilha Beaver e mais tarde para Wisconsin.
E:sses adotam a poligamia, a circuncisão, e se afirmam verdadeiros seguidores de Smith, embora tenham sido excomungados pela Igreja de Utah. Constituem ainda outro grupo os Fundamentalistas, principalmente nos Estados de Utah e Arizona. Esses sustentam a teoria e prática da polígamia. Ainda em março de 1944 e julho de 1953 houve interferência em suas vidas por parte da polícia, tendo ido alguns dos maridos e das esposas pluralistas para a cadeia.
 
A Essência do Mormonismo
 
Surge assim a questão do que constitui a essência do Mormonismo. Tanto um como o outro dos dois grupos principais, a Igreja de Utah e a Reorganizada, apresentam ao público documentos enganosos que pretendem declarar suas crenças mas que na realidade as ocultam. "Mas suas verdadeiras crenças," informa um que durante toda a sua vida vem estudando o Mormonismo, "são essencialmente comuns, a saber: Smith como profeta; revelação contínua por intermédio dele e de outros; o Livro de Mónnon e o livro Doctrine and Covenants (Doutrina e Convênio) como sendo tais revelações; o livro Pearl of Great Price (Pérola de Grande Preço) como traduzido por Smith, partes desse livro sendo da sua "Tradução Inspirada"; mais revelações para vir ainda pelo menos iguais à Bíblia; sacerdócios de Melquisedeque e Arônico; reunião; dízimo; Deus de carne e ossos; muitos deuses lógicamente envolvidos nisso (porém não defendidos com freqüência pelos Josephítas) ; Cristo e
o Espírito (mas não os conceitos bíblicos); o pecado, uma necessidade para o homem; o inferno) uma agência salvadora; salvação pelas obras e não pela fé em Cristo; o batismo (imersão) essencial à salvação; pré-exístêncía de todos os homens; apostasia da Igreja cristã; autoridade; organização da igreja, à moda deles; castigo temporário após a morte e medido pelos pecados; premilenialismo; a Bíblia deficiente e práticamente superada pelas revelações deles; somente o Presidente deles o porta-voz de Deus, etc. "Uma porção de raridades, realmente, mas a lista não pretende ser completa. Quanto a isso, o Rev. I. Van Dellen nos lembra que o sistema contém elementos tomados de fontes tão diversas como sejam o Cristianismo, o Judaísmo, o Maometanismo, o Fetichismo, o Comunismo, o Maniqueísmo, o Campbellismo e outros. Estudar e acompanhar todos
êsses erros um por um, conforme ele acrescenta, exigiria um livro enorme só para tratar da doutrina do Mormonismo, e nêle discutir quase todas as seitas religiosas de tempos antigos e modernos. Seria realmente quase impossível fornecer uma visão concisa de seus muitos elementos heterogêneos.
Seus primeiros apologistas podiam ser tudo,menosteólogos.
 
Poligamia
 
É, contudo, impossível avaliar corretamente o Mormonismo sem dar a devida atenção à doutrina da poligamia, da qual a Sra. Rhea Kunz afirmou em entrevista com o Salt Lake Telegram: "Esta cousa é muito maior que o indivíduo, pois inevitavelmente abrangerá muito mais do que as leis humanas pelas quais o mundo vive e se tornará um componente fundamental das vidas das pessoas que viverem como devem."
O Supremo Tribunal dos Estados Unidos confirmou em 18 de novembro de 1946 a condenação de seis "Fundamentalistas" pelo tribunal de Salt Lake City. A maioria do tribunal, representada pelo Juiz Douglas, sustentou que a poligamia não é excluída da Lei Mann. A minoria (Juízes Ruga L. Black, Robert li, Jackson e Frank Murphy) manteve o seguinte: "O matrimônio, mesmo quando ocorre em forma que nós desaprovamos, não deve ser comparado à prostituição, à libertinagem ou outras imoralidades desse caráter." O Juiz Douglas, porém, exprimiu a parecer da maioria do Tribunal nestas palavras: "O argumento da defesa, de que os seis adeptos da seita eram motivados por uma crença religiosa, afirma demais. Se fosse sustentado, colocaria fora do âmbito da lei qualquer ato praticado sob alegação de sanção religiosa." Depois que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos se recusou a revisar essa sentença, o Supremo de Utah em 16 de dezembro confirmou a condenação de 20 Fundamentalistas acusados de conspirar para violar as leis do Estado que proibiam casamentos pluralistas.
Por que, então, é que essa teoria, bem como sua prática esporádica e secreta, é difícil de se extinguir?
Pode muito bem ser que a teoria mormônica da poligamia tenha seguido na esteira de sua prática, porém o que é certo é que se tornou parte integrante da doutrina.
Ancião William Clayton, que foi o secretário confidencial do Profeta, relatou nas palavras seguintes, sob atestação jurada, o que aprendeu de Joseph Smith a respeito: "Dele aprendi que a doutrina do matrimônio pluralista e celestial é a doutrina mais santa e mais importante que jamais foi revelada ao homem sobre a terra, e que, sem a obediência a esse princípio, ninguém jamais atingirá a plenitude da exaltação na glória celestial." Isso não quer dizer que "Joe" Smith desejava ou permitia que as pessoas vivessem na promiscuidade, sem o devido acato aos desejos do Profeta.
Em seu Diário ele escreveu, sob data de 5 de outubro de 1843:
"Dei instruções para que fossem trazidas a julgamento aquelas pessoas que estavam pregando, ensinando ou praticando a doutrina da pluralidade de esposas; pois, de acordo com a lei, eu retenho as chaves desse poder nos últimos dias; pois não há nunca mais do que um sobre a terra a um só tempo a quem é conferido o poder e suas chaves; e eu tenho afirmado constantemente que nenhum homem terá apenas uma esposa de cada vez a não ser que o Senhor ordenar em contrário."
Essa declaração está de pleno acordo com a linguagem velada com que o Livro de Mórmon, desde 1830, fazia alusão à poligamia. Após a declaração (introduzida pelo usual Eis que, que é celebre no livro) que "Davi e Salomão na verdade tiveram muitas esposas e concubinas, o que era abominação para mim, diz o Senhor," o povo é admoestado a "não proceder à semelhança deles" e sim a "guardar meus mandamentos." Essa passagem, porém, é seguida de palavras que deixem uma brecha: "Pois se eu quiser, diz o Senhor dos Exércitos, suscitar semente para mim, ordenarei a meu povo; de outro modo darão ouvidos a essas cousas."
A exegese josephita, de que a expressão "de outro modo" aqui significa "em outras palavras," nasceu evidentemente do embaraço; o sentido evidente da cláusula está de pleno acõrdo com a passagem do Diário.
O livro Doctríne and Covenants (Doutrina e Convênios), escrito por Smith em data posterior e quando a oposição à doutrina tinha minguado suficientemente entre os "Santos," contém uma "Revelação sôbre a Eternidade do Pacto Matrimonial, Inclusive Pluralidade de Esposas, Dada por Intermédio de Joseph, o Vidente, em Nauvoo, Condado de Hancock, Illinois, em 12 de julho de 1843." Aí se afirma que as esposas pluralistas de Davi e Salomão foram dadas pelo Senhor. Aí também ocorre esta passagem notável:
"E novamente no que diz respeito à lei do Sacerdócio: Se algum homem esposar uma virgem, e desejar esposar outra, e a primeira der seu consentimento; e se ele esposar a segunda, e elas forem virgens, e não se tiverem votado a nenhum outro, então ele é justificado; ele não pode adulterar, pois elas lhe são dadas; pois ele não pode adulterar com aquilo que lhe pertence a ele e a mais ninguém. E se lhe foram dadas dez virgens de acordo com essa lei, ele não pode praticar adultério, pois elas lhe pertencem, e são dadas a ele, portanto ele é justificado."
Essas referências, embora a última tenha sido removida de Doctrine and Covenants pelos Josephitas, provam que a verdadeira doutrina mormônica sobre esse ponto é ensinada em Utah; e corroboram a evidência de que a Revelação sobre Matrimônio Celestial partiu de Joseph.
 
A Teoria à Base da Poligamia
 
O darmos tanta atenção a essa feição do Mormonismo, não é porque a consideremos assunto de conversa salgada.
Antes estamos convictos de que a poligamia faz parte integrante do sistema, e que os verdadeiros Mórmons devem almejar o dia quando a prática da poligamia será restaurada.
A filha de Young nos informa: "O princípio do matrimônio pluralista foi adotado por meu pai conforme lhe foi ensinado pelo Profeta Joseph Smith, depois de grandes lutas íntimas e fervorosa oração. Sua educação estritamente puritana não o dispunha para a aceitação de semelhante doutrina. Ele previa - e quem não o havia de prever? - a tempestade de maledicência e oposição que semelhante ação havia de despertar. E era como morte para ele ... Permanece verdade que os homens e as mulheres que nos primeiros tempos entravam naquela relação, fizeram-no por motivos puramente religiosos. Para eles representava um empreendimento elevado e sacro, que importava em muito sofrimento e sacrifício por parte tanto de homens como de mulheres."
Pode ser que o retrato da vida doméstica ideal na família de Young conforme a Sra. Gates o apresenta, com todos os cinqüenta e seis filhos e as "titias" vivendo na mais perfeita compreensão e amor mútuos, seja algum tanto colorido pelo amor à propaganda. Pode ser, também, que Young não fosse bem o marido indiferente que Ana Elísa pintou. Seja qual for a verdade a esse respeito, aceitamos prontamente a declaração da Sra. Gates sobre o princípio que conduziu à poligamia. De maneira alguma queremos falar da poligamia mormônica nos termos levianos do livro Roughing It de Mark Twain.
O fato de alguém proceder de determinada maneira por princípio, contudo, não torna correto esse princípio.
Permanece a questão de por que o obstinado e indomável Brigham Young cedeu à desagradável doutrina. E por que será que esse princípio é tido por tão altamente importante que adere tenazmente ainda depois de oficialmente suspensa sua prática?
 
1. Os Mórmons partem do pensamento que o matrimônio que foi consagrado para a vida presente importa pouco. Marido e mulher hão de ser unidos para toda a eternidade. "Sede fecundos, multiplicai-vos" é o grande mandamento. De seu cumprimento depende a futura glória dos casados. A mulher não pode salvar-se sem o homem; ou, pelo menos, não pode atingir a mais alta glória possível para a mulher. É portanto o dever do homem compadecer-se  da mulher, casando-se com ela. Melhor é ser esposa pluralista do que não ser esposa Quando, no porvir, o Mórmon salvo reinar, um rei em um novo mundo, suas esposas serão entronizadas como rainhas a seu lado.
 
2. A doutrina conforme consta da Revelação sobre Matrimônio Celestial de Smith contém dois elementos. O primeiro é chamado pluralidade de espôsas: o segundo, matrimônio espiritual. Os casamentos não são válidos para a eternidade a não ser que haja afinidade espiritual, e tais núpcias podem ser celebradas somente nos Templos secretos mormônicos que continuam a aparecer. O fator de segredo e os títulos altissonantes de quase todo Mórmon, diga-se de passagem, lembram-nos de que todos os Mórmons originais eram em algum tempo Maçons. Por isso mesmo não é de se admirar que um homem, descobrindo depois de alguns anos de vida matrimonial que existe afinidade espiritual entre ele e outra mulher, vá ao Templo a fim de ser "selado para a eternidade", ou mesmo "para o tempo e para a eternidade," em união com sua simpatia recém-descoberta.
Da mesma forma não será de se admirar se mulheres, ensinadas desde a meninice que o homem será o salvador da mulher, defenderem a doutrina e preferirem partilhar à eternidade na qualidade de esposas polígamas na mais alta glória, a ocuparem no porvir, o lugar de criadas.
 
3. Os deuses do Mormonismo são "homens grandes, como Brigham Young" graduados, poderíamos dizer, na escola da vida humana, e estudantes pós-graduação na ciência da procriação. Um dos primeiros conspiradores com Rigdon e Smith foi Parley P. Pratt, que se converteu ao Mormonismo e se tornou missionário em agosto de 1830.
Esse "Santo" escreveu sobre o assunto o seguinte: "Ó candidatos à glória celestial! Seriam plenos vossos gozos durante os anos incontáveis da eternidade sem que formásseis as ligações, a relação, os elos de parentesco que se concentram no círculo doméstico, brotam, florescem e produzem frutos de eterno aumento? Ficaria essa emoção eterna de caridade e de benevolência que cresce em vosso peito, em gozar em estado de solteiro, sem aumento de posteridade, aquela abundância inesgotável de riquezas e prazeres infindos? Ou quereríeis vós, como vosso Pai celestial, inspirados pela eterna benevolência e caridade, encher incontáveis milhões de mundos com os filhos e filhas que gerastes? conduzi-Ios a todos através de todas as graduações de ser progressivo, para herdar corpos imortais e moradas eternas, cada um em seus próprios domínios?" E um pouco mais adiante: "A eterna união dos sexos, na ressurreição e depois, visa principalmente renovar e continuar a obra da procriação." Se essa não é a religião do falicismo, que é então? Entrementes, a maneira pela qual os santos senhores em Utah exerciam a "eterna benevolência e caridade" que "crescia em seus peitos", antecipando a bem-aventurança maior a seguir depois, pode ser conhecida através da história sóbria, porém eloqüente e profundamente dolorosa, contida no livro Wüe N.o 19 (Espôsa n.? 19) de Ana Elisa Young.
 
A Influência da Poligamia em Todo o Sistema
 
O desejo da satisfação sexual, o qual caracterizou Smith, Young, Pratt, e outros fundadores do sistema mormônico, resultou na doutrina da poligamia. Essa, por sua vez, se tornou tão fundamental para a teoria, que o matrimônio polígamo foi transferido da vida sõbre a terra para a vida futura no céu. E isso exerceu influência sôbre todo o modo de encarar o céu e Deus, cuja habitação é o céu. E uma vez que nosso conceito de Deus determina naturalmente nosso conceito do pecado contra Deus, da salvação e de Cristo o Salvador, torna-se evidente que o falicismo do Mormonismo é o responsável pela estranha mistura de doutrinas que parece terem sido tomadas de empréstimo de todos os lados.
Uma vez que o conceito mais elevado da bem-aventurança é o de gerar filhos e filhas, Deus mesmo se torna polígamo.
Os homens que atingem esse estado de bem-aventurança no porvir, atingiram o pináculo: eles mesmos são deuses. Assim é ensinado um politeísmo grosseiro.
Segue-se que todo deus foi a algum tempo um homem sobre a terra. Esses deuses e su~sas geram filhos como espíritos; esses espíritos-filhos estão aguardando oportunidade para virem para a terra receber corpos.
Daí o dever de toda mulher ser casada, e de todo homem gerar quantos corpos for possível. Vê-se assim que as doutrinas da pré-existência da alma humana e do dever da poligamia são intimamente relacionadas. Será, portanto, de estranhar que missionários mórmons afirmem que "esperamos dias melhores quando novamente será praticada a poligamia"?
Sendo tal o conceito dos deuses, Cristo fica sendo o filho vulgar de Adão-deus e uma de suas esposas. Não pode em sentido algum ser um Salvador.
Nem mesmo é tão terrível o pecado contra um deus que foi da terra e ainda é humano. O homem torna-se seu próprio salvador. E, uma vez que a salvação só se alcança pelo caminho mórmon - pois é peculiar a todas as seitas não-cristãs condenarem com a maior severidade toda doutrina sem ser a sua - os Mórmons possuem um sacerdócio autorizado, com um batismo que é absolutamente necessário para a salvação.
E isso, por sua vez, produz a doutrina do batismo pelos mortos. Os Mórmons ocupam-se diligentemente em verificar suas genealogias, e alguns deles têm sido batizados "por procuração" cinqüenta ou mais vezes em benefício de seus antepassados "gentios". Isso se realiza sempre nos templos secretos e por imersão.
É considerado de grande importância ter vivido e morrido como Mórmon, e os missionários mórmons, mesmo na atualidade, quando as pessoas de fora quase recebem essa seita como sendo mais uma denominação cristã, exibem cartazes que por meio de gráficos ensinam o seguinte: Ao morrer, todos que não aceitaram as doutrinas do Joseph Smith vão para uma "prisão dos espíritos". Ali é-lhes concedida oportunidade para aceitarem "a Verdade" (de acordo com a passagem muito abusada em 1 Pedro 3.19-20, versão mormônica). Todos os bons Mórmons vão para o grau celestial de glória, onde Deus Pai e Filho habitam. Quem não era Mórmon e que levou uma vida mais ou menos reta, vai para o grau terrestrial de felicidade, visitado ocasionalmente por Cristo. Os ímpios vão para a morada telestial, onde bons espíritos da esfera celestial lhes ministrarão.
Outro diagrama mostra a "revelação" de que são os seguintes os passos que conduzem para o céu: Fé, Arrependimento, Batismo, Confirmação, e que há graus de glória no céu paralelos aos serviços prestados à Igreja sobre a terra na qualidade de Diácono, Ensinador, Sacerdote, Ancião, Bispo, Setentas, Apóstolos, Presidente.
 
Os Ritos Secretos
 
Os ritos secretos têm por fim principalmente a selagem dos casamentos para a eternidade e a salvação dos mortos, sendo que"para este segundo caso; Mórmons vivos passam pelo batismo e outras cerimônias em lugar de ascendentes seus no mundo dos espíritos, os quais podem então decidirse a aceitar ou rejeitar a obra feita para eles.
Whalen informa que a biblioteca de microfilmes nos escritórios da Sociedade Genealógica em Salt Lake City inclui mais de 500 milhões de páginas de registros de nascimento, óbitos, etc.; que ainda em 1857 o Presidente Woodruff afirmou que ele tinha sido batizado por procuração mais de 100 vezes a favor de homens eminentes como João Wesley, Colornbo, etc.; e que só no decorrer do ano de 1962 a Igreja registrou 2.566.476 batismos pelos mortos." (Se é que ainda existem exemplares nas bibliotecas públicas. Durante anos os missionários mórmons têm adquirido e remetido para Utah, para confisco, exemplares desse livro. A sórdida história é relatada também, com um relato dos atos de impiedade dos inimigos turbulentos dos Mórrnons, em Polygamy, or the Mysteries and Crimes of Mormonism (Poligamia, ou, os Mistérios e Crimes do Mormonismo), de J. H. Beadle, redator de The Salt Lake Reporter e secretário do Supremo Tribunal de Utah, e Exmo. Sr. O. J. Hollister, Coletar de Rendas dos Estados Unidos no Estado de Utah.)
Esses ritos "secretos" (bem como os da Maçonaria) têm sido desmascarados ou descritos mais de uma vez, e de novo agora por Whalen. O Rev. W. P. Walters, da Igreja Presbiteriana Unida de Marissa, Illinois, em carta ao presente escritor, apresenta uma lista de pelo menos dezoito "publicações que dão a Cerimônia do Templo dos Mórmons por extenso ou parcialmente" (junho de 1964).
O batismo por procuração baseia-se na dupla convicção de que:
1) somente o batismo ministrado por um sacerdote mórmon, e por imersão, é válido, e -
2) que somente esse batismo é que dá acesso à maior bem-aventurança no porvir.
 
A base bíblica que osMórmons alegam para essa representação é pior do que fraca. Eles têm por única referência l.a Coríntios 15.29, onde São Paulo pergunta: "Doutra maneira, que farão os que se batizam por causa dos mortos?
Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que se batizam por causa deles?" Aí o texto grego reza: baptizomenoi huper toon nekroon e huper autoon. Hyper, porém, não significa em lugar de, por procuração de. Auguste Lacerf, falecido professor de Dogmática na Faculdade Livre de Teologia Protestante de Paris, tem chamado atenção a que hyper significa sobre, acima de (hipertensão é tensão acima do normal) e por conseguinte devemos traduzir. "Que farão os que se batizam acima dos mortos, sobre os mortos (sur les morts)?" Isso se fazia então para expressar que aquele que recebia o sacramento declarava sua unidade na fé com o morto no Senhor, e que esperava participar com o morto na mesma ressurreição.
Os Batistas sem dúvida encontrarão dificuldade em aceitar essa solução simples; mas quem já leu em Marcos 7.4 que "muitas autoridades antigas" falam do batismo de leitos não terá a mesma dificuldade. Essa exegese hipotética mas crível encontra corroboração no fato de que, na igreja primitiva, erigiam-se templos e tomavam-se refeições memoriais sobre os supostos túmulos dos apóstolos, costume que deu origem a abusos tão grosseiros que Agostinho achou necessário condena-los.
 
O Livro de Mórrnon
 
Examinado, o próprio Livro de Mórmon em si demonstra claramente a natureza espúria da "inspiração" tanto de seu conteúdo quanto de sua tradução. Pois:
1) está cheio de um estilo pomposo, verboso, que se esforça por imitar a Bíblia, abundando em erros gramaticais ("our dearly beloved brethren, who have so dearly beloved us;" "I am consigned that there are my days;" "they having been waxed strong in battle;" "until they had arriven to the land of Middoni;" etc.). Foram necessárias várias edições expurgadas para remover esses erros do texto "inspirado".
 
2) a obra narra vários assim-chamados milagres que não são milagres em nenhum sentido bíblico da palavra, e sim acrobacias fornecidas por Deus, como por exemplo:
a) uma curiosa bola redonda de fino latão contendo dois eixos, um dos quais apontava o caminho que Nephi, filho de Lehi, deveria tomar;
b) a bússola preparada por Deus para Nephi quando tinha havido uma revolta ("eles chegam a largas águas. Os irmãos de Nephi rebelam-se contra ele.") a fim de guiá-lo através das águas;
c) Deus ordena a Jared e seu grupo que cortem uma abertura nos tetos de suas seis chatas para admitir o ar, e o irmão de Jared "fez, moldadas de uma rocha, 16 pequenas pedras e ora: 'Por isso toca estas pedras, Senhor, com teu dedo,' " - e elas se tornam em lanternas portadoras de luz para as chatas;
d) todo o grupo de Lamanitas é tornado preto para que não sirvam de tentação para os Nephitas; 500 anos mais tarde, porém, esses Lamanitas se reúnem aos então Nephitas; a maldição é removida, e com igual rapidez sua pele se torna branca. E assim por diante.
 
3) toda a "história" narrada no Livro de Mórmon é desacreditada por todo o estudo científico da antropologia americana primitiva. Alega ter havido dois povos americanos primitivos inteiramente distintos, sendo o primeiro os Jareditas, que vieram da Torre de Babel sob Jared e seu irmão, atravessando o Oceano Atlântico em 344 dias nas acima-citadas oito chatas de forma de charuto e localizando-se na América Central. Chegaram a seu fim, após uns 16 séculos, por volta de 600 A.C., em virtude de dissensões e revoltas.
O segundo grupo é o dos quatro filhos de Lehi: Leman, Lemuel, Sam e Nephi, sendo que esse Nephi partiu de Jerusalém nos dias de Zedequias e chegou "à costa do Chile, não muito longe do 13.º grau, latitude sul." Nephi começou imediatamente a escrever a história de seu povo em chapas de metal. Seu descendente Moroni terminou as placas e escondeu-as no morro Cumorah no.Estado de Nova Iorque no ano de 420 A.D.
a) a prova final do caráter fradulento do Livro de Mórmon está no fato de afirmar ele a necessidade de mais revelação: pois diz que a Bíblia foi grandemente viciada pela igreja apóstata entre 420 e 1830 A.D. Entretanto o Livro de Mórmon contém cerca de dois mil versículos tirados de nossa Bíblia, e são apresentados nas palavras da tradução ínglêsa de 1611.
 
O Mormonismo e a Bíblia
 
Charles A. Shook, estudante meticuloso do Mormonismo, lembra-nos as palavras de Shakespeare:
 
"Em religião, que erro maldito haverá
Que alguma fronte sóbria não bendiga,
Aprovando-o por meio de um texto
E ocultando seu caráter crasso e grosseiro
Sob belo ornato?"
 
Muito certo - e eminentemente aplicável ao Mormonismo.
Bem me lembro de ex-colega meu na Escola Cristã em minha cidade natal do lado de lá do oceano, o qual, com a esposa, foram "convertidos" por dois missionários mórmons.
Ele tinha engolido o sistema inteiro: anzol, linha e chumbo.
Tanto ele como a esposa defendiam ardentemente a poligamia.
"Provou" por Ezequiel 37.16-19 que a Bíblia previa o aparecimento do Livro de Mórmon. "Não é a Bíblia a vara de Judá?" exclamou ele triunfante. "Então o Livro de Mórmon tem que ser a vara de Efraim!" Posteriormente li esse pedacinho fantástico de "exegese" no livro clássico de Talmadge sobre a doutrina mormônica, Apenas mais um exemplo, mostrando como tudo se pode provar por meio de textos deslocados.
Os Mórmons "provam" a poligamia por Isaías 4.1:
"Sete mulheres naquele dia lançarão mão dum homem, dizendo:
Nós mesmas de nosso próprio pão nos sustentaremos, e do que é nosso nos vestiremos (não há dúvida que praticaram isso ao pé da letra em Utah) ; tão-somente queremos ser chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio."
(Contra a poligamia, veja-se Mateus 19.4-6; Efésios 5.24-33.)
Mateus 22.30: "Porque na ressurreição nem casam nem se dão em casamento," é explicado para significar que não serão feitos novos casamentos no porvir; daí, a "selagem" tem de ser feita na vida atual. Isso, como se as palavras seguintes: "mas são como os anjos no céu", não excluíssem semelhante exegese artificial.
Resta apenas apontar algumas passagens das Escrituras que se aplicam peculiarmente a todo o sistema, com seus
apostolos e revelação e passagens bíblicas "corrigidas". Tais referências se encontram em:
 
Mateus 7.15: "Acautelaí-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores;"
2 Coríntios 11.13: "Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo;"
2 Pedro 3.16: " ... que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria  destruição deles;"
Apocalipse 2.2: " ... puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são;"
Apocalipse 22. 18: "Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro."
 
 
Em Conclusão:
Amostras de Doutrina Mormônica
 
Anjos
 
1. "Há duas espécies de seres no céu, a saber: anjos, que são personagens ressurretos, tendo corpos de carne e ossos ... "
2. "Por exemplo, Jesus disse: 'Apalpaí-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho..."
3.. " ... os espíritos dos justos aperfeiçoados - os que não são ressurretos,mas herdam a mesma glória." - Joseph smith."
 
Batismo
 
"Portanto as criancinhas estão sãs, pois não são capazes de cometer pecado; portanto a maldição de Adão é tirada delas em mim (Cristo), que não tem poder nenhum sobre elas; e a lei da circuncisão é anulada em mim ... E suas criancinhas não necessitam de arrependimento, nem de batismo .. Eis que eu vos digo, que aquele que imagina que as criancinhas necessitem de batismo, está em fel de amargura e laço de iniqüidade ... portanto ele deve ser cortado enquanto está no pensamento, ele há de descer para o inferno." - Livro de Mórmon.
"Os vivos podem ser batizados pelos mortos. Outras ordenanças essenciais podem ser atendidas vicariamente. Essa verdade gloriosa, oculta do conhecimento humano durante séculos, foi agora dada a conhecer nesta a maior de todas as dispensações divinas. .. Dá a homens e mulheres o poder de se tornarem 'Salvadores no Monte Sião,' sendo Jesus o grande Capitão do exército de redentores." Penrose.
 
Expiação
 
"Torna-se evidente que, através da grande expiação, o sacrifício expiatório do Filho de Deus, fez-se possível que o homem seja remido, restaurado, ressurreto e exaltado à posição elevada que lhe foi destinada na criação como um Filho de Deus.
"Em primeiro lugar, de acordo com a justiça, os homens não podiam ter sido resgatados da morte temporal, a não ser pela expiação de Jesus Cristo; e em segundo lugar, não podiam ser resgatados da morte espiritual, somente pela obediência a sua lei ...
"Daí, o que foi perdido em Adão foi restaurado em Jesus Cristo, no que diz respeito a todos os homens em tôdas as épocas, com algumas exceções muito ligeiras que surgem do abuso de privilégio. Transgressões da lei trouxeram morte sobre toda a posteridade de Adão; a restauração pela expiação restaurou a vida a toda a família humana.
De modo que tudo que foi perdido por Adão foi restaurado por Jesus Cristo. A pena da transgressão da lei foi a morte do corpo. A expiação feita por Jesus resultou
na ressurreição do corpo humano. Seu escopo abrangeu todos os povos, nações e línguas." - Presidente John Taylor.?
Igreja "Pelos fatos já declarados, é evidente que a Igreja foi literalmente expulsa da terra; nos primeiros dez séculos que
seguiram logo após o ministério de Cristo, a autoridade do sacerdócio foi perdida dentre os homens, e nenhum poder humano podia restaurá-Ia. Mas o Senhor em sua misericórdia providenciou o restabelecimento de sua Igreja nos últimos dias, e pela última vez. .. Foi já demonstrado que essa restauração foi efetuada pelo Senhor através do Profeta - Joseph Smith." - Talmadge."
 
A Queda
 
"Adão encontrou-se em situação que o impeliu a desobedecer uma das exigências de Deus. A ele e a sua esposa fora ordenado que se multiplicassem e enchessem a terra.
Adão ainda era imortal; Eva tinha incorrido na pena da mortalidade; e em condições assim dissimilares os dois não podiam permanecer juntos; por isso não podiam cumprir com a exigência divina. Por outro lado, cedendo ao pedido da esposa Adão, desobedeceria outro mandamento. Deliberada e sabiamente ele resolveu firmar-se no primeiro e maior mandamento; por isso, e com a plena compreensão da natureza de seu ato, ele participou do fruto que crescia na árvore do conhecimento. O fato de ter Adão agido compreendendo o que fazia nessa matéria é afirmado pelas Escrituras. Paulo, escrevendo a Timóteo, explicou que "Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão." O profeta Lehi. .. declarou: "Adão caiu para que o homem-fosse, e os homens são para que tenham gozo." - Talmadge.
 
Deus
 
"São numerosas as passagens nos escritos inspirados que indicam a pluralidade de Deus." - F. D. Richards.
"Quando nosso pai Adão entrou no Jardim do Éden, ele entrou com um corpo celestial e trouxe consigo Eva, uma de suas esposas. .. Ele é nosso pai e nosso Deus - o único Deus com quem temos que tratar." - Brigham Young.
"O Pai tem corpo de carne e ossos tão palpável quanto o do homem; o Filho também; mas o Espírito Santo não tem corpo de carne e ossos)mas é um personagem de espírito ...
Se não fosse assim, o Espírito Santo não podia habitar em nós. Um homem pode receber o Espírito Santo, e este pode descer sobre ele, e não permanecer com ele." - Joseph Smith.
 
Inspiração
 
"Louco, tu que disseres: Uma Bíblia, uma Bíblia, nós temos uma Bíblia, e não precisamos de mais Bíblia... Por que resmungais vós? - pois haveis de receber mais da minha palavra" - Livro de Mormon.
"E tudo quanto eles (os ordenados ao sacerdócio) falarem quando forem movidos pelo Espírito Santo, será escritura, será a vontade do Senhor, será a mente do Senhor, será a palavra do Senhor, será a voz do Senhor, e o poder de Deus para salvação." - Joseph Smith.w
"As obras escritas, adotadas pelo voto da Igreja como guias autorizados na fé e na doutrina, são quatro: a Bíblia, o Livro de Mórmon, Doutrina e Pactos e a Pérola de Grande Preço." - Talmadge."
"Citaremos primeiramente os escritos do Antigo e Novo Testamentos, e, embora sejamos informados por revelações posteriores que muitas partes que são claras e mui preciosas foram tiradas deles, contudo resta ainda uma grande quantidade de testemunho nesse .registro valioso e sagrado." - Presidente John Taylor.
As Sagradas Escrituras. Traduzidas e Corrigidas pelo Espírito de Revelação, por Joseph Smith Júnior, o Vidente.
(Em inglês) 20.º Edição. Lamoni, Estado de Iowa. Publicada pela Igreja Reorganizada de Jesus Cristo dos Santos dos últimos Dias. 1920.
"Wilfred Woodruff é um profeta, e ele tem muitos profetas em redor de si, e ele pode fazer escrituras tão boas quanto aquelas que estão na Bíblia." - Taylor.
 
Justificação
 
"O dogma sectário da justificação pela fé somente tem exercido influência maléfica desde os primeiros dias do Cristianismo." - James E. Talmadge.
 
Sacerdócio
 
"Mas há duas divisões ou grandes cabeças: uma é o Sacerdócio de Melquisedeque, e a outra é o sacerdócio Arôníco ou Levítico. O ofício de ancião fica subordinado ao Sacerdócio de Melquisedeque. O Sacerdócio de Melquisedeque detém o direito da Presidência, e tem poder e autoridade sobre todos os ofícios na Igreja em todas as eras do mundo, para administrar em cousas espirituais." - Joseph Smith.
 
Matrimônio
 
"Jesus Cristo foi polígamo: Maria e Marta, as irmãs de Lázaro, eram suas esposas pluralistas, e Maria Madalena era outra. Também, a festa nupcial de Caná da Galiléia, onde Jesus transformou a água em vinho, foi por ocasião de um de seus próprios casamentos." - Brigham Young.
"Nós dizemos, que foi Jesus Cristo que se casou [em Caná, com Marta e Maria], pelo que ele podia ver sua própria semente antes de ser crucificado. A referência é Isaías 53.10." - Orson Hyde.
 
Nascido da Virgem
 
"Quando a Virgem Maria concebeu o menino Jesus, o Pai o tinha gerado a sua própria semelhança. Ele NÃO foi gerado pelo Espírito Santo. E quem era o Pai? Era o primeiro da família humana... Jesus, nosso irmão mais velho, foi gerado em carne pelo mesmo personagem que estava no Jardim do Éden, e que é nosso Pai do Céu." - Brigham Young.
Devo contribuir?
Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
Desenvolvido por Palavras do Evangelho.com