O Espírito Santo em Efésios

Certamente é instrutivo e animador saber que tanto no primeiro quanto no último capítulo da Bíblia há uma menção muito importante do Espírito Santo de Deus. Embora Ele não seja mencionado em todos os livros da nossa Bíblia, é importante reconhecer que Ele é a Fonte e o Meio de comunicação divina que confere à Bíblia a sua autoridade, autenticidade e aceitabilidade.

O conceito de certas pessoas modernistas e cultas é que o Espírito Santo é uma mera influência abstrata, o que nega a Sua Personalidade divina. Mas nós devemos observar que:

• Atitudes para com o Espírito indicam personalidade inquestionável:

“Foram rebeldes” (Is 63:10);

“Mentisses ao” (At 5:3);

“Resistis” (At 7:51);

“Entristeçais” (Ef 4:30).

• Ações pelo Espírito Santo também confirmam Sua Personalidade:

A instrução do Espírito (Jo 14:26);

A convicção do Espírito (Jo 16:9);

O chamado do Espírito (At 13:2);

A intercessão do Espírito (Rm 8:26).

A Palavra de Deus afirma que:

• Ele tem atributos divinos:

Onipotência (Jó 33:4);

Onipresença (Sl 139:7);

Onisciência (I Co 2:11-12).

• Ele executa atividades divinas:

Criação (Sl 104:30);

Revelação (At 28:25);

Ressurreição (Rm 8:11);

Santificação (Rm 15:16);

Habitação (Jo 14:17).

• Ele é reconhecido como Deus (At 5:3-4; 10:13-19; II Co 3:17).

• Ele tem amplitudes divinas:

Sabe (I Co 2:11);

Sonda (I Co 2:10);

Ensina (I Co 2:13).

A aptidão divina do Espírito Santo é nitidamente declarada no título sétuplo encontrado em Isaías 11:2: “ Repousará sobre Ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”.

É muito importante que os santos de Deus estejam bem informados acerca dos títulos que são aplicados ao Espírito Santo. Estes podem ser classificados sob os seguintes cabeçalhos:

• Em relação a Deus

Espírito de Deus (Mt 3:16);

Espírito do Deus vivo (II Co 3:3);

Espírito do Senhor (Lc 4:18);

Espírito do vosso Pai (Mt 10:20);

Espírito do nosso Deus (I Co 6:11);

Seu Espírito (Rm 8:11);

• Em relação a Si mesmo

O Espírito Santo (Mt 1:20);

O Senhor o Espírito (II Co 3:18, VB);

O Espírito Eterno (Hb 9:14);

O Santo (I Jo 2:20).

• Em relação a Nós

O Espírito de Verdade (Jo 14:17);

O Espírito de Vida (Rm 8:2);

O Espírito de Santificação (Rm 1:4);

O Espírito de Fé (II Co 4:13);

O Espírito de Sabedoria e de Revelação (Ef 1:17);

O Espírito de Adoção (Rm 8:15);

O Espírito da Graça (Hb 10:29).

Lucas, pelo Espírito de Deus, registra no livro de Atos três incidentes relevantes quando três classes diferentes de pessoas receberam o Espírito Santo de Deus. Estes foram: judeus (cap. 2), samaritanos (cap. 8), e gentios (cap. 10). Entretanto, quando Paulo chegou a Éfeso, ele encontrou doze homens que haviam sido batizados com o batismo de João, e que não tinham conhecimento da vinda do Espírito Santo, como suas palavras mostram: “Nem sequer ouvimos que o Espírito Santo é dado” (At 19:2, VB). O v. 6 acrescenta: “E impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam”.

Portanto, não deixa de ser significativo que, mais tarde, quando Paulo se comunicou com a igreja em Éfeso, ele fizesse, pelo Espírito Santo, doze referências claras ao Espírito Santo, que serão o nosso assunto daqui para frente.

O ministério mediador do Espírito de Deus

Em relação ao propósito divino (1:13) Nesta passagem de tanta importância divina, aprendemos sobre a conclusão, pelo Espírito, da obra da Trindade mediadora, na qual temos o propósito do Pai (vs. 2-6), a aquisição do Filho (v. 7), e a presença do prometido Espírito Santo (vs. 13-14). Se a minha salvação depende somente da escolha soberana de Deus, então, que necessidade tenho eu de crer? Paulo certamente não está confundindo o assunto, antes, por inspiração divina, está confirmando o meu imenso privilégio de ter ouvido o Evangelho, seguido pela reação necessária de crer, momento no qual eu fui selado com o Espírito Santo da promessa.

Em relação à provisão divina (1:17)

A misericórdia enriquecedora do nosso Deus está registrada para nosso bem e encorajamento espiritual, como podemos ver na dádiva feita a nós do “Espírito de sabedoria e de revelação”, por quem somos capazes de compreender o propósito da provisão divina. Assim nós temos esclarecimento (v. 18a), encorajamento (v. 18b), enriquecimento (v. 18c), e eficiência (v. 19) divinos. Se uma alma nunca crê, essa bênção nunca será sua, pois Seu poder é “sobre nós, os que cremos”.

Em relação à presença divina (2:18-22)

O ministério enriquecedor do Espírito de Deus é muito valorizado quando reconhecemos que o nosso conhecimento do Pai é, em primeiro lugar, o resultado da obra do Senhor Jesus tanto para judeus quanto para gentios salvos pela graça, e que o bendito acesso que valorizamos como um dos nossos maiores privilégios é conhecido pelo poder do Espírito.

Nós não somente temos esse privilégio como também, no v. 19, reconhecemos com prazer inexpressível que nós, como gentios, não somos mais “estrangeiros nem forasteiros”, mas “concidadãos dos santos, e da família de Deus”. Mas ainda há mais pela frente, pois ao ponderarmos sobre a obra contínua da graça, vemos que não fomos somente trazidos ao Pai: mas também o Pai, como nosso Deus, foi trazido a nós, como afirma o v. 22: “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito”.

Em relação ao preceito divino (3:5; 6:17)

A própria natureza desta dispensação da graça excede em muito a compreensão natural. As pessoas ao nosso redor, sem Cristo, nada sabem do caráter da época em que vivemos, e não compreendem que há pessoas vivas que são nascidas de Deus e que pertencem a Deus. Aqui em Efésios 3:5, a Palavra de revelação, para a dispensação presente, é comunicada pelo Espírito de Deus. Poucos são, nos nossos dias, os que aceitam a absoluta autoridade da revelação divina, mas Paulo certamente deixa claro que essa grande e rica comunicação de Deus, tendo em vista a bênção dos Seus, é dada “pelo Espírito aos Seus santos apóstolos e profetas”. A maior farsa da atualidade é a alegação de que o Espírito de Deus continua a se comunicar através de revelação divina. É importante que os santos estudem cada palavra, em qualquer passagem das Escrituras Sagradas. Ao fazer isso em Efésios 6:17, será esclarecedor descobrir que o termo traduzido “palavra” é rhema, e não é a palavra geralmente usada, logos. Desta distinção aprendemos que a palavra divinamente entregue é sempre apropriada e apta para a ocasião.

Em relação ao poder divino (3:16; 5:18)

O parágrafo em que se encontra o nosso assunto (3:14-19) registra a segunda oração de Paulo pelos santos em Éfeso: a sua oração pelos santos é que o Pai lhes conceda serem fortalecidos pelo Espírito no homem interior, para que Cristo possa habitar em seus corações. Aqui temos um ponto muito animador com relação à presença do Espírito em nós. É Ele que nos dá o poder para oferecermos uma morada ao Salvador. Lembramos, com tristeza, que quando Ele veio à Terra pela primeira vez “não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2:7). Mas quando Ele falou com Zaqueu, Suas palavras foram maravilhosas: “Porque hoje Me convém pousar em tua casa”. É somente pelo poder do Espírito Santo que habita em nós que podemos oferecer ao Salvador uma morada.

Em 5:18 somos capacitados pelo Espírito a viver com louvor abundante subindo continuamente dos nossos corações a Cristo. Cada um de nós entende plenamente as consequências da primeira parte deste versículo, pois muitas vezes já nos encontramos com pessoas dominadas por outro tipo de espírito, e testemunhamos as consequências disso.

Mas simplesmente estar cheio do Espírito nos permite oferecer louvor abundante ao nosso bendito Senhor com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor no nosso coração.

Em relação ao privilégio divino (4:3, 30)

Vendo essa exortação direta e tão necessária, é muito reconfortante saber que nós não precisamos criar esta unidade. Ela já existe como resultado da soberania divina, portanto é a nossa obrigação corresponder e manter aquilo que já existe, e isso pelo poder e auxílio do próprio Espírito Santo.

Já fomos exortados, no v. 3, a manter a unidade, e agora, no v. 30, temos um mandamento relacionado com sensitividade, que nos ensina a não entristecer o Espírito Santo. De acordo com o relato de Isaías, até mesmo o povo de Deus, no passado, fez exatamente isto (63:10).

Tal ação desagradaria profundamente a Deus, e justificaria retribuição divina em castigo severo.

Em relação a provisão divina (4:4; 6:18)

O lugar que o Espírito Santo ocupa em I Coríntios 12 é semelhante ao da passagem agora diante de nós, já que ambas anunciam a concessão de dons para a edificação do corpo de Cristo, localmente em Coríntios, mas num contexto dispensacional em Efésios. Assim, o Espírito está constantemente provendo para o nosso crescimento espiritual com recursos que são divinamente inesgotáveis. O Espírito de Deus não somente concede o dom, como também supre abundantemente o poder, a graça e a habilidade pelos quais o dom opera. Qual é o poder pelo qual um servo de Deus, trabalhando como evangelista, encontra auxílio, fruto e bênção? É somente pelo poder e graça do Espírito de Deus que capacita. Assim também com o ensinador, o ancião, ou em qualquer outro serviço prestado, nenhuma bênção será provada ou gozada sem o poder e capacitação do Espírito.

Se o termo “pregação” descreve o serviço que consideramos no parágrafo anterior, podemos dizer que a palavra “oração” engloba o exercício em Efésios 6:18, que é promovido somente pelo Espírito. O v. 18 traz um uso simples, mas instrutivo, do que chamaremos uma “pequena” palavra. É pequena porque é composta de somente quatro letras, mas sua abrangência é vasta, como, na realidade, “toda” sempre é. Repare: “toda a oração” — a prática do nosso exercício; “todo o tempo” — a perpetuidade do nosso exercício; “toda a perseverança” — a perseverança do nosso exercício; “todos os santos” — as pessoas do nosso exercício.

A importância prática e pessoal do Espírito de Deus

Sempre fazemos questão de evitar mera repetição, entretanto, é um exercício encorajador visualizar estas doze referências à Pessoa e obra do Espírito Santo de uma maneira pessoal, que trará a plenitude e graça do Espírito de Deus para dentro das nossas vidas diárias, de forma prática e efetiva.

 

Minha herança e certeza (1:13)

Nada traz mais certeza para alguém que acaba de receber uma herança inesperada, do que ter todos os detalhes oficializados num documento legal. Ele pode ouvir isso da boca de alguém, mas nada traz mais certeza do que ter a prova confirmada por um carimbo oficial. Cada crente no Senhor Jesus tem a mesma garantia confortadora de tudo que temos em relação à nossa herança espiritual eterna. Isso é gloriosamente confirmado pelo fato que fomos “selados pelo Espírito Santo da promessa”.

Refletir sobre as palavras de Paulo aos Coríntios (II Co 1:22; 5:5) confirma a garantia que ele dá aos santos em Éfeso, e a todos os que têm depositado a sua total confiança no Senhor Jesus Cristo como Salvador. Embora seja um fato, é também inacreditável, que muitos propagam a possibilidade (como eles dizem) que “uma pessoa pode ser salva hoje, e perdida amanhã”! O Deus que nos salvou e abençoou com uma certeza tão bendita acrescenta: “… o Qual é o penhor da nossa herança, para [até a] redenção da possessão adquirida, para louvor da Sua glória”.

Vale a pena considerar o significado da palavra “penhor” (arrhabon), pois não somente confirma a segurança da questão, como também indica, de forma significativa, a continuidade da bênção que o nosso Deus em graça nos tem concedido.

Minha instrução e apreensão (1:17)

Falando de um ponto de vista natural, se eu fosse o escritor dessa expressão valiosa, teria colocado o tema da revelação em primeiro lugar, e depois a sabedoria, mas quão esclarecedor é reconhecer que a ordem que Deus segue se aplica à atuação da Sua obra de graça em nossos corações. Assim, o tema diante de nós é rico e real, ao sermos enriquecidos e depois esclarecidos. No momento quando confiamos no Senhor Jesus, agimos em obediência ao Evangelho. Entretanto, havia muito acerca do nosso novo estado que não apreciávamos, mas fomos divinamente capacitados a compreender plenamente a causa e a direção da nossa mudança. No v. 18 Paulo está confirmando a revelação do nosso esclarecimento (compare Ed 9:8, a sua recuperação — Sl 13:3, a sua realidade — Sl 19:8, a sua retidão — Pv 29:13, os seus recursos — I Sm 14:17-28, a sua reposição). Em seguida temos algo para encorajar (“para que saibais qual seja a esperança da Sua vocação”), algo para enriquecer (“e quais as riquezas da glória da Sua herança”), e algo para energizar (“e qual a sobre-excelente grandeza do Seu poder”).

Minha introdução e acesso (2:18)

Que realidade bendita Paulo expressa no v. 14, quando ele usa a simples palavra “um”: “… o Qual de ambos os povos fez um”. É sempre bom ter certeza que entendemos as palavras simples e a estrutura gramatical empregada pelo Espírito. A palavra “um” aqui é neutra* quanto ao gênero, deixando perfeitamente claro que Paulo está enfatizando que as duas posições são uma, o que revela claramente que os de Israel que confiaram em Cristo, juntamente com os cristãos gentios, ocupam uma mesma posição diante de Deus. Olhemos agora para a mesma palavra nos vs. 15-16 (“um novo homem”; “um corpo”). Aqui está no gênero masculino, logo os povos são um. Isso nos traz ao nosso privilégio, que ao nos aproximarmos da presença e Pessoa do nosso Deus e Pai, fazemo-lo no poder e ajuda do “um” Espírito que formou a unidade acima mencionada.

Minha edificação e consciência (2:22)

Mais uma vez estamos diante de outro aspecto da nossa posição e privilégio comuns. Nunca devemos ignorar o fato que Paulo está falando da Igreja dispensacional, da qual fazemos parte por meio da graça divina. Paulo começa com “no Qual”, que certamente se refere à Pessoa mencionada nos vs. 20-21 — “Jesus Cristo” e “Senhor”. As próximas palavras, “também vós”, referem-se ao povo. Que privilégio isso revela quando meditamos na graça de Deus que nos coloca nesta associação.

Depois seguem as palavras “juntamente sois edificados”, indicando o processo. A estrutura é incontestável, a unanimidade é indisputável e a unidade é imutável. Mas ainda tem mais: Paulo, pelo Espírito, revela o propósito: “para morada de Deus”. Ficamos abismados ao pensar que o nosso Deus tenha escolhido tal morada. Finalmente, o poder para essa verdade é “em Espírito”. Se esse ato bondoso de Deus, em plano e propósito, tivesse sido deixado para nós como Seu povo, é óbvio que devido à nossa fraqueza humana nunca teria se concretizado. É isso que suscita o nosso louvor e adoração da Sua soberana graça e poder, demonstrada no e pelo Espírito de Deus.

Minha inclusão e associação (3:5)

Antes de tudo, Paulo relata que lhe foi concedido por Deus compreender a verdade do mistério por revelação divina, como ele afirma no v. 3. Isso deu ao apóstolo uma noção clara do propósito divino, como ele confirma nas palavras do v. 4: “… podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo”. No v. 5 ele confirma que não foi o único a receber esta verdade, pois ele acrescenta: “… como agora tem sido revelado pelo Espírito aos santos apóstolos e profetas”. Continuando, no v. 6, aprendemos que, no propósito divino, somos “coerdeiros”, “de um mesmo corpo”, e “participantes da promessa em Cristo pelo evangelho”.

Nada pode ser comparado com o nosso privilégio, mas que a nossa sincera intenção seja viver de acordo com aquilo que o propósito de Deus, por graça divina, nos apresentou. A plenitude disso enche os nossos corações de gratidão e confiança, condenando claramente qualquer reivindicação de uma nova revelação, o que definitivamente tornaria esta passagem incompleta.

Minha intimidade e atividade (3:16)

Uma característica bem instrutiva da maioria das epístolas de Paulo é a menção que ele faz do seu exercício em oração por aqueles para quem está escrevendo. Já observamos sua oração no cap. 1, que tem  a ver com questões de posição; mas na passagem diante de nós (vs. 14-19) a ocupação de Paulo tem a ver com coisas práticas. Isso é manifestado de forma maravilhosa no uso quíntuplo das palavras simples mas instrutivas, “para que”. A primeira indica o seu desejo pelo nosso enriquecimento: “para que … vos conceda”. A seguir vem a nossa energização:

“para que… sejais corroborados com poder pelo Seu Espírito no homem interior”. Pode haver algo de que mais necessitamos, hoje, do que ver este pedido de Paulo plenamente realizado nas nossas vidas pelo poder do Espírito Santo de Deus? É uma verdade, mas ainda há mais, pois Paulo faz um pedido relacionado ao nosso privilégio: “para que Cristo habite pela fé em vossos corações”. Isso nos faz lembrar as palavras de Cristo a Zaqueu: “Hoje Me convém pousar em tua casa”.

Ter o Senhor tão próximo já é precioso, mas será que é uma coisa constante? O próximo uso dessas palavras significativas é: “a fim de que [para que], estando arraigados e fundados em amor”, e aqui podemos empregar acertadamente as palavras esfera de atuação como sendo descritivas do exercício de Paulo. Nada enriquece mais a alma do que andar diariamente consciente do valor, da riqueza e da adoração que o Seu amor promove. Chegamos agora à última: “para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”, que nos permite compreender a nossa expansão espiritual, que não é somente para os anos de vida, mas para toda a eternidade.

Meu envolvimento e apreciação (4:3)

A preservação das coisas que são essencialmente divinas está segura, pois são divinamente protegidas pelo poder de Deus, e podemos ter certeza que se alguém ou alguma coisa tentar fazer algo para contaminar ou destruir, o resultado será um juízo inevitável. No entanto neste versículo, ao usar as palavras “esforçando-vos diligentemente” (VB), o apóstolo se dirige aos santos e os convoca a estar sempre vigilantes.

Qual é o assunto na mente do apóstolo? “Guardar a unidade do Espírito”. Isso nos preservará como povo de Deus, fazendo-nos desistir de introduzir qualquer coisa que seja contrária ao princípio e à prática divina. É a nossa maior responsabilidade manter aquilo que o nosso Deus, em graça, nos tem revelado. Deve ser óbvio a todos que, onde houve desobediência resoluta desta ordem celeste, o resultado triste foi a destruição da Verdade e a divisão do testemunho. Este comportamento tem, muitas vezes, perturbado a harmonia dos santos, e por isso é que há a necessidade de desejar graça para cumprir a exigência clara do Espírito para manter a unidade “pelo vínculo da paz”.

Meus interesses e aceitação (4:4)

O fato que o Espírito Santo, como em I Coríntios 12:4-11, ocupa tal lugar em termos da Trindade, nos assegura da Sua Divindade e autoridade, que deve ser constantemente e efetivamente reconhecida, em todo aspecto do nosso serviço, ao usarmos o dom concedido por Ele. No decorrer do nosso estudo da Bíblia devemos seguir o princípio de interpretação de que a verdade da Palavra nunca seja comprometida, do contrário a verdade fica nublada e o ensino das Escrituras confuso. Amados no Senhor, permitam-me enfatizar esta obra do Espírito Santo, pois muitos, hoje em dia, escolhem desconsiderar fidelidade à Palavra. O Espírito nos ajuda a extrair (interpretar), e não acrescentar às Escrituras.

Minha insensibilidade e atenção (4:30)

Será que posso ser insensível ao fato que sou capaz de entristecer o Espírito? Investigando as ocorrências desta palavra “entristecer” (lupeo), vemos que ela é usada vinte e seis vezes no Novo Testamento. Seu uso geralmente indica uma condição de tristeza, mágoa. Será que pelo meu modo de viver, de qualquer forma, eu posso entristecer o Santo Espírito de Deus? Que o Senhor possa nos preservar, na Sua graça, de tal possibilidade, já que infelizmente isso pode, sim, acontecer. Já notamos que Isaías deixa claro que Israel fez isso (63:9). É uma grande manifestação de graça, que nossos atos desfavoráveis não alteram a nossa segurança, pois estamos “selados para o dia da redenção” pelo mesmo Espírito.

Minha energização e alvo (5:18)

Uma leitura de Lucas 1:15 confirmará que João, desde o seu nascimento, deveria se sujeitar às características de um nazireu, em relação àquilo que ele não deveria fazer, e que por divina graça ele seria “cheio do Espírito”. Na medida em que caminhamos no nazireado espiritual nós, do dia da graça, podemos conhecer o privilégio de sermos cheios do Espírito Santo. Nada irá exercitar mais nossas ações, trabalho e serviço do que estar verdadeiramente cônscios da presença e do poder do Espírito no nosso interior. Isso resultará numa abundância de louvor ao nosso bendito Senhor, pessoalmente e coletivamente (v. 19), ao darmos graças, continuamente, ao nosso Deus e Pai em nome de nosso Senhor Jesus Cristo (v. 20). Esses atos preciosos de adoração e louvor devem ser seguidos por uma submissão espiritual uns aos outros, no temor de Deus (v. 21). Como é triste saber que os irmãos podem falar com o Senhor em reuniões de qualquer tipo, e ao mesmo tempo, deixam, propositalmente, de falar com seus irmãos.

Meu instrumento e armadura (6:17)

É maravilhoso como o nosso Deus nos tem equipado para a posição que Ele espera que mantenhamos nesses dias de conflito espiritual. Sendo os “lombos” a fonte de contribuição, certamente é necessário que eles estejam cingidos com a verdade, do contrário podemos dizer e fazer coisas que seria totalmente contrários à mente e à vontade de Deus. Semelhantemente, a fonte da nossa afeição precisa ser preservada, para que o nosso amor e afeições não sejam direcionados a outros e não a Deus. Da mesma forma, nossos pés precisam ser calçados com a preparação do Evangelho da paz, pois muitos que conhecemos hoje no serviço do Evangelho andam em áreas onde prevalecem a desonra e desobediência espiritual. Temos ainda para nossa proteção o “escudo da fé”. Trata-se de um escudo longo que protege o corpo todo, e aqui é retratado como a revelação plena de Deus, como uma proteção forte contra os dardos inflamados do inimigo. A nossa proteção total não pode estar completa sem o uso de dois itens essenciais da nossa armadura: “o capacete da salvação e a espada do Espírito”. É o “capacete da salvação” que preserva a mente de aceitar sem reservas qualquer coisa além da Palavra. A “espada do Espírito, que é a palavra de Deus” se refere à totalidade da Bíblia. Já notamos que o termo para “palavra” usado aqui pelo Espírito de Deus refere-se à palavra adequada para o momento. Daí a nossa necessidade de estarmos plenamente e diariamente familiarizados com a Palavra de Deus (compare Ne 8:18a). Assim, na rica provisão que o nosso Deus tem feito para nossa cabeça e mão, temos os recursos adequados que promoverão e preservarão nossa capacidade de “estar firmes contra as astutas ciladas do diabo”.

Minha intercessão e súplica (6:18)

Paulo nos garante que na nossa oração precisamos da capacitação divina que somente o Espírito pode dar (Rm 8:26-27). Da mesma forma, Judas 20 tem as seguintes palavras de conselho espiritual: “Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo”. Chegamos agora à última referência ao Espírito Santo na epístola aos Efésios, e ela O revela sob um aspecto muito necessário na nossa vida para Deus. Em nosso exercício de oração, necessitamos da Sua capacitação divina para que possamos orar de acordo com a Sua Palavra, para que possamos pedir o que Ele há de conceder liberalmente, se for de acordo com a Sua vontade. Embora as palavras “todos os santos” abrangem muitos que não conhecemos, e de cujas necessidades não sabemos, é confortador saber que Aquele a quem fazemos nossos pedidos conhece a todos. Há aqueles que conhecemos pessoalmente, e obviamente as nossas orações por estes podem ser específicas, como Paulo faz com clareza ao dirigir o exercício espiritual dos santos em Éfeso em relação ao seu próprio serviço para o Senhor (vs. 19-20).

Para todos os que leem estas linhas, concluímos com as palavras do apóstolo, ao terminar a carta: “Paz seja com os irmãos” — sua oração pela tranquilidade deles; “e amor com fé” — seu pedido pela fidelidade deles; “da parte de Deus Pai” “e da do Senhor Jesus Cristo” — sua confiança na continuidade deles; “A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor incorruptível” (VB) — seu desejo pela sinceridade deles.

Quão apropriadas são as palavras de Albert Midlane:

Nosso Pai e nosso Deus!

Abençoamos Teu santo nome;

As promessas a nós cumpridas,

Tua fidelidade proclamam.

Por Jesus glorificado o Espírito Santo foi dado,

Para aumentar no peito dos filhos

Teus o penhor do seu lar.

Os tesouros que encontramos em Jesus, Ele revela; E

le nos conquista, pelo amor de Jesus, para amar os caminhos de Jesus.

E pelo Seu poder constrangidos, o testemunho compartilhamos

De Jesus e Seu sacrifício, por quem os mortos vivem. 

Ele, pela Tua Palavra fiel, ilumina nosso caminho;

E Ele escreve nos corações do Seu povo a Tua Palavra santa.

As promessas se tornam para nós uma porção segura,

E, na esperança do que está por vir, pelo Seu poder perseveramos.

Que nunca O magoemos, mas na luz e no amor andemos,

Na alegria de santa comunhão provarmos da alegria do Céu.

Guiados pelo Teu Espírito, como filhos de Deus, desconhecidos,

Selados, até o dia da redenção, quando Teus filhos receberás.

Por Thomas Bentley, Malásia

Devo contribuir?
Ao receber o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, uma das primeiras coisas que você irá aprender é que Deus é amor. Como resultado disto, você logo perceberá que o amor precisa de uma forma prática para se expressar. Você aprenderá que há uma relação entre amar e dar. Deus é um Deus que nos dá muitas coisas. Amar e dar estão intimamente ligados nas Escrituras. “O Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20), e “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3:16). Continuar Lendo...
Desenvolvido por Palavras do Evangelho.com