A Igreja e as igrejas

Introdução

Se perguntássemos a qualquer pessoa na rua: “O que é a igreja?” ou “O que é uma igreja?”, as respostas provavelmente seriam idênticas às definições encontradas em qualquer dicionário, isto é, uma seita ou denominação, ou um prédio dedicado ao culto cristão.

Contudo, no Novo Testamento a palavra “igreja” é a tradução da palavra grega ekklesia, que é composta da preposição ek, que significa “para fora”, e um verbo, kaleo, que significa “chamar ou convocar”.

Esta palavra ekklesia foi usada por Estêvão na sua defesa, quando ele se refere a Israel como “a congregação [ekklesia] no deserto” (At 7:38), pois a nação tinha sido chamada para fora da terra do Egito. Lucas usa a mesma palavra para descrever uma multidão tumultuosa em Éfeso: “o ajuntamento [ekklesia] era confuso, e os mais deles não sabiam por que causa se tinham ajuntado” (At 19:32), e também quando ele descreve o ajuntamento regular e legal em Éfeso, citando as palavras do escrivão da cidade: “e, se alguma coisa demandais, averiguar-se-á em legítima assembleia [ekklesia]” (At 19:39).

A palavra ekklesia nunca é usada no Novo Testamento para descrever um prédio. É uma grande vitória dos poderes das trevas conseguir influenciar o próprio pensamento das pessoas para dirigir sua atenção a prédios, e não aos ajuntamentos dos salvos no Senhor Jesus Cristo. Um exame de certas expressões empregadas revelará como é ridículo tentar encaixar o significado moderno da palavra “igreja”, como um prédio, no Novo Testamento:

• “Saudai a Priscila e Áquila, meus cooperadores em Jesus Cristo … Saudai também a igreja que está em sua casa“ (Rm 16:3, 5).

• “E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (At 8:3).

• “Assim, pois, as igrejas em toda a Judeia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e eram edificadas” (At 9:31).

• “E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja em Jerusalém”  (At 11:22).

Por causa destas coisas, devemos observar que lamentavelmente (na opinião do presente autor) há uma tendência em certos lugares do Reino Unido para mudar o nome Gospel Hall (“Salão Evangélico”), que descreve um lugar onde as boas novas são pregadas, para Evangelical Church (“Igreja Evangélica”).

Dois aspectos da Igreja

Lendo o Novo Testamento, fica claro que há dois significados distintos para “igreja”, e que nenhum destes concorda com o uso moderno da palavra conforme as definições dadas nos dicionários.

É importante observar que a palavra é usada num sentido geral, que abrange todos os salvos neste dia da graça; é frequentemente chamada “a Igreja universal”, “a Igreja mística”, ou “a Igreja desta dispensação”, mas precisamos lembrar que estes títulos não são usados no Novo Testamento.

Cada verdadeiro salvo desde o começo da Igreja no Dia de Pentecostes até o arrebatamento dos salvos, quando o Senhor mesmo descerá aos ares para receber os Seus, é parte desta “igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Ef 1:22-23). É usada neste sentido nas seguintes citações:

• “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja” (Ef 5:23);

• “Também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25);

• “E ele é a cabeça do corpo, da igreja” (Cl 1:18);

• “Mas chegastes … à universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb 12:22-23).

Aqueles que constituem a Igreja, tendo sido chamados para fora deste mundo, estão tão intimamente ligados com o Cabeça no Céu que, espiritualmente, são o Seu corpo. Esta verdade, desenvolvida nas epístolas aos Efésios e aos Colossenses, é posicional; inclui cada salvo, independentemente da sua condição espiritual.

Embora este aspecto da Igreja seja eterno no conceito divino, e os salvos desta presente dispensação foram eleitos “nele antes da fundação do mundo” (Ef 1:4), e são descritos como “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito” (I Pe 1:2), a Igreja não é mencionada no Velho Testamento. Contudo, achamos ilustrações e sombras da Igreja no Velho Testamento. Assim Israel, “a congregação [ekklesia] no deserto” (At 7:38), era um povo “chamado para fora” do Egito, e também “colocado em” Canaã. Além disso, Adão e Eva (embora não mencionados por nome) são vistos em Efésios 5 como uma ilustração de Cristo e Sua Igreja.

Em Efésios caps. 2 e 3 Paulo desenvolve a grande verdade dispensacional da Igreja como sendo composta tanto de judeus quanto de gentios, reunidos em um corpo; ele fala disto como sendo um mistério, isto é, uma verdade anteriormente oculta nos pensamentos de Deus, mas agora totalmente revelada: o “mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo” (Ef 3:9).

O segundo aspecto da palavra “igreja” refere-se a um grupo de pessoas “chamadas para fora”, e que se reúnem regularmente numa localidade específica. Devemos notar que embora haja somente uma Igreja, há muitas igrejas (locais); isso explica o título deste capítulo. Tais companhias locais são chamadas:

• Igrejas de Deus — “Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus” (I Co 11:16); isto fala da sua origem, são de Deus. A expressão “igreja de Deus” sempre se refere a uma igreja local.

• Igrejas de Cristo — “As igrejas de Cristo vos saúdam” (Rm 16:16); isto fala de posse, elas pertencem a Cristo.

• Igrejas dos santos — “Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” (I Co 14:33); isto nos lembra da sua composição, são compostas de pessoas santificadas, separadas para Deus.

Também encontramos as seguintes expressões no Novo Testamento:

• Igrejas dos gentios — “Saudai a Priscila e Áquila … os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” (Rm 16:3-4); embora a maioria das igrejas era composta de judeus e gentios, havia algumas igrejas compostas somente de gentios salvos.

• Igrejas da Galácia — “Paulo, apóstolo … às igrejas da Galácia” (Gl 1:1-2); Paulo não escreveu à igreja da Galácia*, mas às igrejas daGalácia, assim reconhecendo a autonomia de cada uma delas.

* A Galácia era uma região, não uma cidade. (N. do E.)

• Igrejas da Judeia — Paulo “não era conhecido de vista das igrejas da Judeia” (Gl 1:21-22).

• As sete igrejas que estão na Ásia — “João, às sete igrejas que estão na Ásia” (Ap 1:4); note como estas expressões estão todas no plural: “igrejas da Judeia”, “igrejas na Ásia”, não “a igreja da Judeia”, etc. nem como hoje em dia, “a igreja da Inglaterra”.

Estes, então, são os únicos dois sentidos da palavra “igreja” nas Escrituras.

É interessante notar como o Senhor Jesus fez menção de ambos estes sentidos no relato dado no Evangelho de Mateus, onde lemos: “Pois também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16:18). A pedra é a confissão de Pedro, “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16). A palavra “edificarei” também deve ser notada; mostra que o Senhor Jesus falou de algo ainda futuro.

A Igreja no seu aspecto mais abrangente começou a existir mais tarde, no Dia de Pentecostes.

O Senhor Jesus, posteriormente, mencionou o que mais tarde seria entendido como sendo a igreja local, quando ensinou que um irmão ofendido, tendo obedecido ao procedimento já ensinado, mas sem alcançar o resultado desejado, deveria, como último recurso, dize-lo à igreja (Mt 18:17). Ele realmente somente poderia comunicar isto a uma igreja local, e somente ela poderia tratar do assunto.

A igreja local

As igrejas locais, ou assembleias, são compostas de cristãos batizados:

“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas” (At 2:41), e reunidos em Nome do Senhor Jesus Cristo: “porque, onde estiveram dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18:20). Tais grupos se reúnem regularmente: “e perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2:42); “não deixando a nossa congregação” (Hb 10:25), numa localidade específica: por exemplo, “a igreja de Deus que está em Corinto” (I Co 1:2), seguindo o padrão Neotestamentário.

Cada igreja local é uma comunidade espiritual, reunindo-se para o partir do pão, adoração e oração, e o ensino da Palavra de Deus. Tal grupo reconhece a autoridade suprema da Palavra de Deus e o controle soberano do Senhor, através do Espírito Santo que habita neles: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Co 3:16). Os dons espirituais são reconhecidos e exercitados sob o controle do Espírito Santo para a edificação da igreja. Os membros de uma igreja local exercem, através da adoração e oração, o sacerdócio de todos os cristãos, e por meio de uma vida piedosa e julgando o pecado, nas suas próprias vidas e na igreja coletivamente, reconhecem a santidade da igreja local como o templo de Deus.

Figuras da Igreja

A Igreja, no seu caráter dispensacional, que abrange todos os salvos desta era presente, é descrita por meio de várias figuras; figuras semelhantes são usadas para a igreja local, mas a diferença entre elas é sempre clara.

Um edifício

A Igreja é comparada a um edifício espiritual, um templo santo, e um santuário “para morada de Deus em Espírito” (Ef 2:22). Cristo mesmo é o Construtor: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16:18). O alicerce é a rocha firme da confissão feita por Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16). Nada pode impedir a construção deste edifício: “… as portas do inferno [hades] não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). Jesus Cristo é a principal pedra da esquina: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas [isto é o fundamento lançado pelos apóstolos e profetas do Novo Testamento, no seu ensino], de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2:20). Pedro, tendo escrito: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual” (I Pe 2:5), continua citando a profecia de Isaías: “Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina” (I Pe 2:6). A pedra da esquina era uma grande pedra angular que dava força e caráter a todo o edifício. Todas as pedras vivas nesta construção são edificadas em relação a Jesus Cristo. O fato desta construção ainda não estar completa, e estar no processo de construção, é bem claro nas palavras: “No qual [Jesus Cristo] todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Ef 2:21).

A igreja local em Corinto é descrita não somente como um campo cultivado, mas também como uma construção: “Vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus” (I Co 3:9). Quando a igreja em Corinto é descrita desta forma, o próprio Paulo é considerado como quem lançou o fundamento: “pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento” (I Co 3:10); o fundamento era Jesus Cristo: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (I Co 3:11).

Havia outros construtores em Corinto, como, por exemplo, ensinadores, que deveriam ter cuidado como construíam sobre o alicerce: “Mas veja cada um como edifica sobre ele” (I Co 3:10).

A distinção é bem clara: quando Cristo é o Construtor, não pode existir falha alguma na obra; contudo, quando os construtores são homens, podem existir falhas, e seu trabalho será examinado perante o Tribunal de Cristo: “se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um” (I Co 3:12-13).

Um corpo

A Igreja, no seu aspecto geral, também é comparada ao corpo de Cristo: “… a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Ef 1:22-23); este corpo é espiritual. Embora a escolha e o propósito de Deus de formar um corpo de judeus e gentios foram planejados na eternidade passada, a escolha se manifestou e o propósito foi cumprido no tempo. Houve um dia quando o corpo, a Igreja, começou a existir. A Igreja é vista como o corpo inteiro, que foi constituído como uma unidade orgânica no Dia de Pentecostes (At 2). Naquela ocasião, em um Espírito todos os salvos desta dispensação foram batizados formando um corpo, independentemente de nacionalidade, nível social, ou mesmo do tempo quando foram salvos: “pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres” (I Co 12:13). O verbo “batizado”, no grego, está no tempo aoristo, indicando que quando Paulo escreveu estas palavras o batismo já tinha acontecido, e também foi algo que nunca será repetido. O corpo, na mente de Deus, estava completo no Dia de Pentecostes, mesmo que milhões tem sido acrescentados à Igreja desde aquele dia.

Esta figura dum corpo deve convencer-nos do fato que aquele batismo foi algo único e completo. Não seria correto sugerir que um crente é batizado no corpo no momento da sua conversão. Nunca lemos dum salvo sendo colocado no corpo, ou acrescentado ao corpo, ou se tornando membro do corpo, quando crê. Ele é um membro dele e foi assim constituído no Dia de Pentecostes, mas na sua conversão ele começa a funcionar como um membro.

Na Epístola aos Efésios o corpo é visto como o complemento da Cabeça, enquanto que na Epístola aos Colossenses o corpo é visto como completo na Cabeça: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja” (Cl 1:18).

Multidões de salvos que são parte deste corpo já estão no Céu, deixaram o corpo [físico] “para habitar com o Senhor” (II Co 5:8). Por isso, não é bíblico dizer que todos os salvos vivos no mundo em qualquer momento são a “Igreja na Terra”. Uma união essencial é revelada entre Cristo, a Cabeça, e os salvos como membros do Seu corpo.

Contudo, “a igreja de Deus” — uma expressão que descreve um grupo local de cristãos — também é vista como um corpo; por exemplo, a igreja em Corinto: “Vós sois [o] corpo de Cristo, e seus membros em particular” (I Co 12:27). É importante notar que aqui não ocorre o artigo definido na língua original grega do Novo Testamento, e assim temos: “Vós sois corpo de Cristo”. Enquanto este corpo é distinto da “igreja que é o Seu corpo” (Ef 1:22-23), deve, entretanto, ser característico dela na sua união. Lamentavelmente, em Corinto, o contrário era o caso, pois Paulo disse: “ouço que … há entre vós dissensões” (I Co 11:18).

O relacionamento de cada membro com a “igreja que é o Seu corpo” é baseado somente na salvação: “pela cruz reconciliar ambos [judeu e gentio] com Deus em um corpo” (Ef 2:16), e “os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo” (Ef 3:6). Porém, quando a verdade da igreja local é considerada, descobrimos que a entrada na igreja local não é pela salvação, mas pela recepção; um exemplo disto é o caso de Saulo de Tarso, que “quando … chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos” (At 9:26). Esta recepção é feita depois da salvação e do batismo, como vemos na passagem bem conhecida de Atos 2, onde “foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas” (At 2:41).

Escrevendo aos cristãos em Corinto, Paulo menciona uma situação onde “toda a igreja [local] se congregar num lugar … e entrarem indoutos  ou infiéis” (I Co 14:23), pessoas que evidentemente não eram parte da igreja. A identidade dos infiéis (“incrédulos”, ARA) é clara. Porém os “indoutos” são distintos dos “incrédulos”; a referência é a alguns que são salvos, mas que precisam de instrução. Tais são membros da “igreja, que é o Seu corpo”, mas ainda não são membros da igreja local.

Também, mesmo que a verdade do corpo não seja especificamente ensinada na Epístola aos Gálatas, Paulo, escrevendo sobre a Igreja no sentido geral, diz: “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 2:28). Mas na igreja local certamente há distinções entre os sexos, por exemplo: “… as vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar” (I Co 14:34), e “Quero, pois, que os homens [varões] orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda” (I Tm 2:8). A verdade sobre o senhorio é apresentada no começo de I Coríntios 11; ali é ensinado que, nas reuniões da igreja local, a mulher deve cobrir a sua cabeça, mas o homem deve descobrir a sua cabeça.

A Noiva

Não encontramos a expressão “a noiva de Cristo” nas Escrituras.

Contudo, este conceito é claramente indicado em Efésios cap. 5: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja” (vs. 31-32). O presente autor está convencido que “a esposa, a mulher do Cordeiro” (Ap 21:9), é “a igreja que é o Seu corpo”.

Ela é vista como absolutamente pura e preparada: “… já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças [atos justos] dos santos” (Ap 19:7-8). Somente a pureza caracteriza a Igreja no seu caráter como noiva.

Porém a situação é diferente em II Coríntios 11, onde a igreja local em Corinto é vista pronta para ser apresentada por Paulo a Cristo como “uma virgem pura a um marido” (v. 2). Embora a igreja local é vista como uma virgem esperando o casamento, Paulo teme a possibilidade dela se corromper: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (v. 3).

Cristo não tem este temor quanto à Sua noiva, não há possibilidade de contaminação nela.

Um rebanho

O Senhor Jesus disse: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco [aule]; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho [poimne] e um pastor” (Jo 10:16). O rebanho mencionado aqui inclui toda a família de Deus, composta de judeus e gentios salvos. Sob a velha aliança, Israel foi guardada dentro do aprisco da Lei; mas sob a nova aliança, o rebanho dos verdadeiros alvos é conservado junto pela sua atração ao Pastor. Nas palavras de outro, “um aprisco é uma circunferência sem um centro; um rebanho tem um centro sem uma circunferência” (H.P. Barker).

A igreja local também é chamada de “rebanho”. Paulo diz aos anciãos da igreja local em Éfeso: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentares a igreja de Deus” (At 20:28). O “rebanho” aqui obviamente é a igreja local em Éfeso. Pedro, a quem o Senhor Jesus exortou: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21:17), escreve a outros presbíteros: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós” (I Pe 5:2).

A nova Jerusalém

O apóstolo João escreve: “E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém,

que de Deus descia do céu” (Ap 21:2). A frase “nova Jerusalém” é usada aqui simbolicamente da Igreja no seu aspecto geral; não deve ser confundida com a cidade restaurada de Jerusalém, na Terra, durante o Milênio. Duas vezes em Apocalipse 21 a cidade santa é vista descendo de Deus do Céu (o terceiro Céu, intocado pela dissolução das coisas anteriores). A descida mencionada no v. 2 acontece mil anos depois da descida mencionada no v. 10. Esta descida no v. 10 é no começo do Milênio, mas a descida no v. 2 é na eternidade. A palavra “cidade” sugere o centro administrativo do Senhor onde, do meio da Sua Igreja glorificada, Ele exercitará governo universal. Este simbolismo não é usado para descrever a igreja local.

Um novo homem

A inimizade que antigamente existia entre judeu e gentio agora foi abolida em Cristo. O resultado é que não existem mais “os dois”, judeu e gentio, na Igreja, mas uma nova criação em Cristo: “Para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” (Ef 2:15). Este simbolismo também não é usado da igreja local.

Contrastes entre a Igreja e as igrejas

Paulo escreveu que “somos membros do Seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos” (Ef 5:30), e visto que o salvo não pode ser separado da  “igreja que é o Seu corpo”, isto enfatiza o relacionamento indissolúvel entre o salvo e Cristo. Contudo, é muito diferente quando chegamos a I Coríntios 5, e lemos que é possível alguém ser excomungado da igreja local por causa de pecado moral: “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou dólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais … Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (I Co 5:11, 13). Alguém propagando doutrina falsa também precisa da disciplina da igreja local.

Paulo fala de Himeneu e Alexandre, que eram culpados de blasfêmia, isto é, falar contra Deus e Sua Palavra, e no exercício da sua autoridade apostólica, ele acrescenta: “os quais entreguei a Satanás” (I Tm 1:20).

Assim, a disciplina da igreja local poderá exigir excomunhão, mas nada pode separar um verdadeiro salvo do corpo de Cristo.

Finalmente, “a igreja que é o Seu corpo” tem caráter eterno. Um dia ela será colocada na Sua presença e apresentada a Ele, glorificada: “Para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5:27). Sendo Seu corpo, a Igreja estará mais perto dEle, e sendo Sua noiva, a Igreja sempre será preciosa a Ele. Contudo, vemos que uma igreja local pode ser removida em juízo. O Senhor Jesus diz, através do anjo da igreja em Éfeso: “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar e teu castiçal, se não te arrependeres” (Ap 2:5). O fato solene é que esta possibilidade de remoção do testemunho não é por causa de imoralidade ou falsa doutrina, mas por ter deixado o seu primeiro amor.

Também devemos notar que o testemunho de toda igreja local terminará quando o Senhor Jesus voltar para os Seus; não haverá igrejas locais no Céu!

Por David West, Inglaterra

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