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Prezado, você disse que o divórcio é pecado. Onde está dizendo que o divórcio é pecado?

 Alguém me escreveu novamente no YouTube:

Prezado, você disse que o divórcio é pecado. Onde está dizendo que o divórcio é pecado? Lamento, mas você está ensinando errado e mentindo por causa da tradição católica, por incrível que pareça. Lembrando que a vontade de Deus é a reconciliação entre os cônjuges, desde que não tenham se divorciado e casado novamente, e desde que também não tenha havido infidelidade. O divórcio é bíblico, meu querido, permitido literalmente por Deus. E, para tua surpresa, o próprio Deus também lavrou uma carta de divórcio a Israel.

"Disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: Viste o que fez a pérfida Israel? Foi a todo monte alto e debaixo de toda árvore frondosa e se deu ali a toda prostituição. E, depois de ela ter feito tudo isso, eu pensei que ela voltaria para mim, mas não voltou. A sua pérfida irmã Judá viu isto. Quando, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério, eu despedi a pérfida Israel e lhe dei carta de divórcio, vi que a falsa Judá, sua irmã, não temeu; mas ela mesma se foi e se deu à prostituição." (Jeremias 3: 6-8)

Ao dizer que o divórcio é pecado, você está colocando Deus como pecador.

Deus abençoe sua vida. 

Minha Resposta:

Vou responder com calma e diretamente às tuas dúvidas, usando apenas a Bíblia como base.

1. A Bíblia não chama o “divórcio” de pecado — o pecado é aquilo que PRODUZ o divórcio

O que a Escritura apresenta como pecado é:

• o adultério,
• a dureza do coração,
• a infidelidade,
• a imoralidade,

e essas coisas é que resultam no divórcio.

O divórcio não aparece como um “ato moral autônomo”, mas como a consequência de um pecado já cometido.

Por isso o Senhor Jesus disse:

“Por causa da dureza dos vossos corações, Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres.”
Mateus 19:8

Ou seja, o divórcio é permitido como solução humana diante de um pecado que já rompeu o vínculo, e não porque faça parte da vontade ideal de Deus.

Portanto:

eu não disse que “o divórcio é pecado”, mas que o divórcio nasce sempre do pecado — porque sem pecado, não haveria divórcio.

Isso evita a confusão que colocaste no texto.

2. Jeremias 3 NÃO prova que Deus “casou” com Israel da mesma forma que um marido humano

Quando Deus diz ter dado “carta de divórcio”, Ele está a usar linguagem metafórica para descrever a quebra da aliança.

Israel é chamada:

• de filho,
• de videira,
• de esposa infiel,
• de rebanho,
• de povo rebelde.

Esses termos são metáforas e alegorias de relacionamento, não uniões matrimoniais literais.

Se fosse literal, então:

– Deus teria duas esposas (Israel e Judá),
– Deus teria “casado” com uma nação,
– e depois “divorciado” de outra,
– o que contraria totalmente a própria Lei.

Portanto, Jeremias 3 é um recurso profético, não um tratado sobre casamento humano.

Do contrário, chegaríamos à conclusão absurda de que:

• Deus casou,
• divorciou,
• casou de novo,

o que contraria toda a natureza divina.

3. O que é “bíblico” nem sempre é “vontade de Deus”

Aqui está a chave do mal-entendido:

Algo pode ser bíblico — no sentido de aparecer na Bíblia —
e mesmo assim não ser vontade moral de Deus.

Exemplos:

• A poligamia é bíblica — mas nunca foi vontade de Deus.
• O divórcio é bíblico — mas não foi estabelecido por Deus; foi permitido.
• O rei em Israel foi “bíblico” — mas Deus disse que não era da vontade d’Ele (1 Samuel 8).
• Os votos precipitados são bíblicos — mas são condenados por Deus.

Portanto, aparecer na Bíblia não significa ser aprovado moralmente por Deus.

O próprio Senhor Jesus fez essa distinção ao dizer:

“Moisés vos PERMITIU… mas no princípio NÃO FOI ASSIM.”
Mateus 19:8

Ou seja:

A permissão não é aprovação.

E quem diz isso é o próprio Cristo.

4. A reconciliação é sempre o desejo de Deus quando possível

E nisso estamos totalmente de acordo.

A Bíblia ensina:

• perdão,
• restauração,
• reconciliação,
• arrependimento,

antes de qualquer passo extremo.

Quando não há adultério, nem novo casamento, e quando ambos desejam reconstruir o lar, a reconciliação é o melhor caminho.

Isso é inegável.

5. Em nenhum momento eu disse que “Deus pecou”

O raciocínio “se o divórcio é pecado, Deus pecou” parte de uma premissa incorreta.
Eu não disse que o divórcio “é pecado”.

O que afirmo — e a Bíblia confirma — é que:

• O divórcio é sempre fruto do pecado, nunca da obediência.
• A vontade perfeita de Deus é o casamento único e permanente.
• A permissão existe por causa da dureza humana, não porque Deus a deseje.

Assim, não há qualquer contradição.

6. Conclusão equilibrada

• O divórcio existe.
• O divórcio é permitido por causa do pecado humano.
• O divórcio não expressa a vontade original de Deus.
• Jeremias 3 é uma metáfora profética, não casamento literal.
• A reconciliação é a vontade de Deus quando ainda possível.
• Nenhuma dessas verdades coloca Deus como pecador.

Agradeço a tua mensagem e o desejo sincero de compreender as Escrituras.
Que o Senhor te abençoe e te ajude na verdade da Sua Palavra.

Josué Matos