Alguém que me reescreveu no YouTube:
Prezado, é difícil concordar com tudo segundo sua opinião, assim como também não concordará com opinião diferente da tua sobre o assunto, pois já está sua opinião bem definida na sua mente e são muitos que literalmente veem assim. Mas não tem como concordar que aquele casamento desfeito por infidelidade ou agressões continua santo diante de Deus; é a mesma coisa que dizer que todos somos santos ainda que venhamos a pecar, afinal o homem foi formado por Deus. Saiba que o termo CASAR biblicamente nem sempre é como definimos hoje. O CASAR nas Escrituras também se trata de qualquer relação sexual entre um homem e uma mulher. Em Coríntios Paulo diz para as mulheres que viessem a se separar de seus maridos a não se casarem, com o objetivo único de refazerem o laço conjugal, de reconciliarem-se de fato houvesse essa possibilidade. Em Deuteronômio, no tempo da lei, o divórcio está claro, como bem disse: “permitido por Deus”. E em Deuteronômio não diz que a mulher livre do primeiro marido esteve em adultério ao ter o segundo marido, ok? Óbvio que se ela, segundo a fala de Moisés, houvesse casado com outro homem (ciente esteja que as Escrituras não narram tais relações como falamos hoje — transar, trepar etc. — e sim CASAR), seria considerada adúltera se não fosse liberta do laço conjugal por divórcio. Como bem reconhece e não pode negar que Moisés deixou claro que só é possível ter outro marido se obtiver o divórcio.
1 Coríntios 7:10... Vocês interpretam a letra e não se preocupam em buscar o fundamento dentro da letra... por isso que te disse que literalmente é o que também está escrito, que Deus deu carta de divórcio a Israel... fato. Em Coríntios, ainda que não concorda, porque é difícil querer corrigir se quando há anos ensina errado. A humildade precede a honra. Em Coríntios Paulo diz para a mulher não procurar outro homem e sim reconciliar com o marido, repetindo: se houvesse essa possibilidade. Paulo também disse aos cônjuges incrédulos, caso quisessem se apartar, que se apartem, e disse que Deus nos chama para a liberdade. É certo que você pode fazer sua colocação segundo sua opinião já definida na sua mente a esse fato, ok? Porém Paulo não disse que nesse caso não poderiam ter outro casamento e também não disse que poderiam. Assim como Jesus em Mateus 19 deixou na liberdade de decisão.
Paulo disse: “está livre de mulher, não procure mulher... mas se não contém por não suportar ficar só, que se case”, falando aos solteiros; e solteiros são todos aqueles que estão sem esposa e inclui divorciados, pois estes não estão mais em laço conjugal. Por que alguém é chamado de divorciado? Óbvio: é porque foi casado em algum momento. Divorciado não é uma identidade, divórcio é a liberdade do compromisso conjugal. Como bem sabe: andarão dois juntos se não houver acordo? Não tem jeito. Como bem sabe, existem casamentos e falsos casamentos, ok? Talvez pra você não importa porque é casamento e se é casamento então é santo. Não importa se foi forçado, por interesse e sem amor. Casou, tá casado, e só a morte separa, e se separar devido ao infortúnio conjugal por ter casado com homem enganador, com mulher promíscua, rixosa etc., tem que ficar solteiros...
Único pecado sem perdão é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Deixa eu perguntar: na sua igreja o divorciado tem oportunidade de falar da palavra de Deus ou julga que ele não tem essa autoridade? Não poderá ser obreiro... sim ou não? Mas poderá dar o dízimo, porque aí é de Deus, ainda mais se for rico... sim ou não? Aquele que adulterou mas não divorciou e que supostamente se arrependeu poderá exercer sua função de obreiro? Mas se divorciou não poderá. O mentiroso, que são a maioria aí, pode — desde que não seja divorciado? Mesmo Jesus dizendo que o pai da mentira é Satanás... se um pastor mentir e etc., tá tudo certo. Pode pregar, batizar, tomar ceia...
Prezado pastor, se julgarmos divorciados como muitos julgam é certo que ninguém será salvo. Como afirmou: divórcio não é santo... acredite ou não, pode se tornar santo... tudo que vem de Deus para o bem é santo. Deus te abençoe.
Minha Resposta:
Agradeço a sua mensagem, mas permita-me colocar algumas coisas de forma simples, direta e inteiramente baseada na Palavra de Deus — não em opiniões humanas.
Primeiro, não existe dificuldade em discordar de mim; a questão não é concordar comigo, mas concordar com a Palavra de Deus. E a Bíblia é clara: Deus nunca instituiu o divórcio, nunca chamou o divórcio de santo e nunca disse que alguém, após divorciado, está livre para contrair um outro casamento enquanto o primeiro cônjuge ainda vive. Essa é simplesmente a posição bíblica.
1. O problema não é “opinião”; é definição bíblica de casamento
Dizer que “qualquer relação sexual é casamento” não encontra apoio nas Escrituras. Se assim fosse:
• Jacó teria sido bígamo por ter se deitado com Zilpa e Bila antes de “ser dado” a elas.
• Os prostitutos cultuais seriam considerados “casados”.
• Paulo nunca teria dito “melhor casar do que abrasar” (1 Coríntios 7:9), pois segundo essa lógica, todos que pecaram sexualmente já seriam casados.
A Bíblia é clara: casamento é pacto, aliança, com testemunho e responsabilidade pública — não é sinônimo de ato sexual.
O próprio livreto sobre divórcio que você conhece reforça isso com base no texto bíblico .
2. Deuteronômio 24 não “autoriza o divórcio”; revela a dureza do coração
Quando Jesus Cristo fala de Deuteronômio 24 em Mateus 19, Ele explica:
• Moisés tolerou a carta de repúdio “por causa da dureza do vosso coração”.
• Isso não reflete o ideal de Deus.
• Desde o princípio não foi assim.
Ou seja:
– Deus não instituiu;
– Deus não aprovou;
– Deus apenas regulou um mal criado pelos homens.
E mais: Deuteronômio 24 não trata de casamento consumado, mas de desposadas, como mostram os estudos mais cuidadosos do texto hebraico, ponto amplamente tratado no material que você conhece.
3. Sobre agressões, infidelidade e abandono
A Bíblia nunca manda alguém permanecer convivendo com agressão. Separar-se para proteger a vida é legítimo e necessário. Mas separação não é divórcio, e muito menos autorização para um novo casamento. A separação protege; o novo casamento destrói o padrão divino, pois cria adultério permanente — exatamente o que o Senhor Jesus ensinou em Marcos 10:11-12.
4. Romanos 7 e 1 Coríntios 7 continuam claros
A Bíblia não muda porque o mundo mudou.
Romanos 7:2-3 diz:
• A mulher casada está ligada ao marido enquanto ele vive.
• Se ela se unir a outro com o marido vivo, será chamada adúltera.
Não há exceção, nem vírgula, nem condição adicional.
1 Coríntios 7:10-11 diz:
• Se separar, permaneça sem casar ou reconcilie-se.
Paulo não deixou espaço para outra interpretação.
5. Sobre “divorciados na igreja”, “obreiros” e “autoridade”
O seu argumento mistura duas coisas distintas:
-
Posição diante de Deus, que é imutável.
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Função na assembleia, que depende de testemunho.
A Palavra de Deus nunca diz que um divorciado não pode ser salvo, não pode participar da ceia ou não pode ser perdoado. Porém, funções de liderança exigem irrepreensibilidade (1 Timóteo 3), e isso afeta todos: mentirosos, violentos, adúlteros e, sim, situações de divórcio.
O tratamento não é discriminatório; é bíblico.
6. “Divorciado é solteiro”? A Bíblia diz exatamente o contrário
A definição bíblica não é:
“Solteiro é quem está sem cônjuge”.
A definição bíblica é:
“Solteiro é quem nunca esteve ligado a alguém pela aliança do casamento”.
Paulo nunca chamou divorciados de solteiros. Ele disse:
“Se separar, fique sem casar”.
Isso mostra claramente que um divorciado não retorna ao estado de solteiro. Ele permanece preso ao vínculo original enquanto o outro vive.
7. “Deus deu carta de divórcio para Israel”
Jeremias 3 é uma figura profética, não um manual de prática conjugal.
Se fosse literal, Deus teria:
• celebrado casamento físico com Israel;
• cometido “adultério espiritual”;
• dividido bens;
• dissolvido uma união.
É óbvio que não.
A figura ilustra infidelidade espiritual, não doutrina matrimonial.
8. “Julgar divorciados é condenar todo mundo”
Não.
Ninguém é condenado por ter pecado. Todos pecam.
A condenação vem de persistir no pecado após conhecer a verdade.
Adultério contínuo não é um deslize do passado; é uma situação presente, que precisa ser abandonada — como qualquer outro pecado.
9. “O divórcio pode se tornar santo”
Nas Escrituras, nada que Deus odeia torna-se santo.
Malaquias 2:16 é simples:
“Eu odeio o divórcio, diz o Senhor.”
O que Deus odeia não se santifica.
10. Sobre a pergunta final: “o divorciado pode falar? Pode servir?”
Depende do que significa “falar”.
• Pode pregar o evangelho? Sim, absolutamente.
• Pode ensinar doutrina? Depende da situação moral e testemunho.
• Pode pastorear, ser presbítero ou diácono? Não, porque tais funções exigem irrepreensibilidade e exemplo. Isso também vale para mentirosos, violentos, desonestos, iracundos, etc.
Não é uma questão de “aceitar ou não aceitar o pecado de uns e de outros”.
É uma questão de coerência bíblica.
Conclusão
Você expressa preocupação com pessoas que sofreram agressão, infidelidade e abandono. Eu também. A Bíblia também. Mas a solução bíblica — proteção, separação, apoio, restauração espiritual — nunca inclui um novo casamento com o primeiro cônjuge ainda vivo.
Isso não é opinião minha. É simplesmente o que as Escrituras ensinam.
E, conforme o estudo fundamental sobre o tema que me enviou, que reforça exatamente esse entendimento, o divórcio é visto como um mal humano, tolerado civilmente, mas nunca aprovado por Deus e nunca dissolvendo o vínculo matrimonial diante dEle .
O Divórcio no Contexto Judaico Era Para os Desposados, Não Para Casamentos Consumados
Na cultura judaica, o casamento tinha duas fases distintas:
-
Desposório (noivado jurídico)
– Era um compromisso legal, já reconhecido socialmente como casamento.
– Porém, a mulher ainda não vivia com o marido.
– Não havia relação sexual.
– Para romper esse compromisso, era necessária a carta de divórcio. -
Casamento consumado
– Quando o marido levava a esposa para sua casa.
– A relação era consumada.
– A união era completa e definitiva diante de Deus.
Quando Moisés mencionou o divórcio, ele estava tratando da fase do desposório, e não de casamentos já consumados.
A prova mais clara disso é o caso de José e Maria:
– Eles estavam desposados, mas ainda não viviam juntos.
– Quando José pensou em deixá-la, a Bíblia diz que ele intentou deixá-la secretamente, o que significa dar-lhe carta de divórcio, mesmo sem terem consumado o casamento (Mateus 1:18–19).
– Ou seja: divórcio era a forma jurídica de romper o desposório, não a união consumada.
Além disso, em toda a estrutura da Lei, a carta de divórcio aparece apenas para esse tipo de vínculo, nunca como autorização para dissolver um casamento pleno.
O casamento consumado, diante de Deus, só é rompido pela morte (Romanos 7:1–3).
Portanto:
– O divórcio bíblico servia unicamente para desfazer um compromisso prévio, antes da união física.
– Jamais para dissolver um casamento real, consumado.
– Confundir o divórcio mosaico com o divórcio moderno leva à interpretação errada do texto bíblico.
Assim, quando hoje alguém compara o divórcio civil com o divórcio bíblico, está comparando duas realidades completamente diferentes.
O Divórcio na Bíblia: A Diferença Entre o Repúdio em Malaquias e o Divórcio Permitido em Deuteronômio
O tema do divórcio nas Escrituras é frequentemente mal compreendido porque, ao longo da Bíblia, a mesma palavra “repúdio” aparece em contextos muito diferentes. Para evitar confusão, é essencial distinguir dois cenários completamente distintos: o divórcio permitido na Lei de Moisés durante o período de desposório e o repúdio condenado por Deus no tempo do profeta Malaquias.
1. O Divórcio Permitido em Deuteronômio Era Para o Desposório, Não Para Casamentos Consumados
No sistema judaico antigo, o casamento acontecia em duas etapas:
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Desposório (noivado jurídico)
Era um compromisso legal já reconhecido, mas a união ainda não havia sido consumada. A mulher continuava na casa dos pais, e não havia relação conjugal. -
Casamento consumado
Quando o marido finalmente levava a esposa para sua casa e a união se completava.
A carta de divórcio mencionada em Deuteronômio foi criada para tratar única e exclusivamente de situações ocorridas antes da consumação do casamento.
Se algo grave fosse descoberto depois do casamento, as regras eram completamente diferentes, e não havia previsão de divórcio: adultério era punido com morte, e não com separação.
Assim, o divórcio mosaico tratava apenas de questões que surgiam entre o desposório e o casamento propriamente dito.
2. O Repúdio Condenado em Malaquias Não É o Mesmo Divórcio de Deuteronômio
O texto de Malaquias 2 descreve um cenário totalmente diferente:
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Homens abandonando suas esposas legítimas, mulheres fiéis que foram chamadas “a mulher da tua mocidade”.
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O abandono era motivado por interesse — muitos estavam trocando suas esposas israelitas por mulheres pagãs para alianças sociais e vantagens familiares.
Deus declara de forma categórica:
“Eu odeio o repúdio.” (Malaquias 2:16)
Aqui, não existe qualquer menção a desposório.
Trata-se de casamentos plenamente consumados, com anos de convivência, aliança, filhos e história.
O que o povo estava fazendo era pecado puro e simples: desfazendo lares por vaidade, lascívia e interesse. Nada disso tem relação com o mecanismo legal do desposório em Deuteronômio.
3. Por Que É Tão Importante Fazer Essa Distinção?
Quando alguém afirma que "há divórcio na Bíblia", frequentemente mistura dois mundos distintos:
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Deuteronômio 24 — um mecanismo jurídico antes do casamento consumado, limitado ao desposório, tolerado temporariamente “por causa da dureza do coração”.
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Malaquias 2 — um abuso pecaminoso, onde homens violavam a aliança matrimonial para casar com mulheres estrangeiras. Aqui Deus não regulamenta: Ele condena.
Confundir essas realidades leva a interpretações erradas e à ideia de que Deus aceitaria a dissolução de um casamento consumado através de divórcio moderno, o que jamais aparece nas Escrituras.
4. O Padrão de Deus Sempre Foi o Mesmo: A Aliança Matrimonial Só É Desfeita Pela Morte
De Gênesis ao Novo Testamento, o fundamento permanece:
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“O que Deus ajuntou não o separe o homem.”
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“A mulher casada está ligada pela lei enquanto o marido vive.”
O divórcio mosaico não desfazia um casamento consumado, e o repúdio denunciado em Malaquias é condenado como traição à aliança. Em nenhum momento das Escrituras existe autorização divina para dissolver um casamento consumado.
Deus tolerou o divórcio no desposório, mas nunca validou a destruição da união conjugal após consumada.