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Como interpretar os versículos de Hebreus 6:1-6 e 12:28-29?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa noite, irmão Josué. Obrigado por sua ajuda na compreensão da Escritura de Deus.

Irmão, como interpretar os versículos de Hebreus 12:28-29? Hebreus não parece apoiar a ideia da “perda da salvação”, doutrina esta que não advogo? Quem são aqueles exemplos de Hebreus 6 e outras passagens análogas referentes à questão acima?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito importante porque a Epístola aos Hebreus contém algumas das advertências mais solenes de todo o Novo Testamento. Quando essas advertências são retiradas do contexto, realmente podem dar a impressão de que um verdadeiro crente, nascido de novo, pode perder a salvação. Entretanto, é necessário observar cuidadosamente para quem a epístola foi escrita, qual perigo estava diante daqueles hebreus e, principalmente, a distinção que o próprio escritor faz entre profissão de fé e posse verdadeira da salvação.

Comecemos pelo texto mencionado:

“Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; porque o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hebreus 12:28-29).

O texto não está ensinando que o cristão verdadeiro vive constantemente ameaçado de perder a salvação. Pelo contrário, começa falando de algo recebido: “tendo recebido um reino que não pode ser abalado”.

O contraste estabelecido no contexto é entre aquilo que pode ser abalado e aquilo que não pode ser abalado. O sistema antigo estava ligado às coisas terrenas e temporárias; o cristão, porém, foi introduzido numa esfera celestial e permanente. Por isso, o escritor diz que recebemos “um reino que não pode ser abalado”.

Então vem a aplicação: “sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade”.

A expressão “nosso Deus é um fogo consumidor” não significa que Deus esteja ameaçando consumir eternamente os Seus filhos. Trata-se de uma declaração acerca da santidade imutável de Deus. A expressão vem de Deuteronômio 4:24: “Porque o Senhor teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso”.

O Deus que salva continua sendo absolutamente santo.

A graça não diminui a santidade de Deus. A salvação não transforma Deus em alguém indiferente ao pecado. Pelo contrário, aquele que foi salvo deve servir a Deus reconhecendo Sua majestade, santidade e justiça.

É importante distinguir duas coisas: juízo condenatório e disciplina paternal.

Quanto ao juízo condenatório, o verdadeiro crente está seguro, pois o Senhor Jesus declarou:

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5:24).

Observe os tempos verbais: “tem”, “não entrará” e “passou”.

Da mesma maneira, Romanos 8 começa dizendo:

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).

E termina perguntando:

“Quem nos separará do amor de Cristo?” (Romanos 8:35).

Depois de enumerar diversas possibilidades, Paulo conclui que nenhuma criatura “nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:39).

Entretanto, o mesmo Deus que não condena Seus filhos pode discipliná-los. Aliás, este é justamente um dos assuntos de Hebreus 12.

“Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho” (Hebreus 12:6).

Portanto, a disciplina não prova que alguém deixou de ser filho; pelo contrário, pode provar exatamente que é filho:

“Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos” (Hebreus 12:8).

Assim, Hebreus 12 não está ensinando que um filho de Deus pode tornar-se novamente filho da perdição. Está mostrando que o Deus que é Pai continua sendo santo.

A grande dificuldade aparece principalmente em Hebreus 6:4-6:

“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento.”

Quem são essas pessoas?

A primeira coisa que precisamos perceber é que o texto não diz explicitamente que elas foram justificadas, regeneradas, seladas para o dia da redenção ou que receberam vida eterna. As expressões usadas descrevem privilégios espirituais extraordinários, mas isso não significa necessariamente regeneração.

Foram “iluminados”.

Uma pessoa pode receber grande iluminação acerca da verdade sem recebê-la salvadoramente no coração.

“Provaram o dom celestial”.

Provar alguma coisa não é necessariamente apropriar-se dela definitivamente.

Foram “participantes do Espírito Santo”.

Isso pode descrever pessoas que estiveram debaixo da poderosa influência e operação do Espírito Santo no ambiente da comunidade cristã, presenciando aquilo que Deus estava fazendo e sendo profundamente afetadas por isso, sem necessariamente terem experimentado o novo nascimento.

“Provaram a boa palavra de Deus.”

Também é possível conhecer profundamente as Escrituras e mesmo assim não possuir vida espiritual. O próprio Senhor Jesus disse a certos judeus:

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; e não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:39-40).

Judas Iscariotes talvez seja uma das ilustrações mais impressionantes desse princípio.

Judas caminhou com Cristo. Ouviu os mesmos sermões que Pedro, João e os demais apóstolos. Viu os milagres. Participou da atividade apostólica. Esteve externamente associado ao Senhor Jesus durante aproximadamente três anos.

Entretanto, Cristo disse:

“Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo” (João 6:70).

O problema de Judas não foi ter possuído a vida eterna e depois perdê-la. Ele esteve extraordinariamente próximo da fonte da vida, mas nunca pertenceu verdadeiramente a Cristo.

Essa distinção aparece claramente em Primeira João 2:19:

“Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.”

João não diz: “Eram de nós e deixaram de ser”.

Ele diz: “não eram de nós”.

A saída revelou uma condição que já existia.

É exatamente aqui que precisamos entender a palavra “apostasia”.

Apostasia não significa simplesmente um cristão cair em pecado. Também não significa um crente atravessar um período de frieza espiritual, dúvida ou fraqueza. Apostasia é a rejeição consciente e deliberada da verdade anteriormente conhecida e professada.

Esse é também o sentido de Hebreus 10:26:

“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados.”

Este versículo também é frequentemente utilizado para ensinar perda da salvação.

Mas observe que não diz: “depois de termos recebido a salvação”.

Diz:

“depois de termos recebido o conhecimento da verdade”.

Existe diferença entre conhecer a verdade e receber Cristo.

Uma pessoa pode conhecer intelectualmente todo o Evangelho e ainda permanecer perdida.

Hebreus estava tratando particularmente com judeus que haviam saído do ambiente do judaísmo e se aproximado do cristianismo. Alguns haviam verdadeiramente crido em Cristo. Outros estavam profundamente convencidos da verdade, participavam das reuniões cristãs, conheciam o Evangelho e desfrutavam dos privilégios daquela comunidade, mas corriam o risco de voltar definitivamente ao sistema judaico.

Para um judeu naquela situação, voltar ao judaísmo significava algo muito mais sério do que simplesmente mudar de congregação. Significava abandonar deliberadamente Cristo depois de reconhecer intelectualmente que Ele era o Messias e voltar para um sistema de sacrifícios que já havia sido tornado obsoleto pelo sacrifício definitivo de Cristo.

Por isso:

“já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hebreus 10:26).

Não porque o sangue de Cristo fosse insuficiente, mas porque, rejeitado o único sacrifício eficaz, nenhum outro existia.

Os sacrifícios levíticos não poderiam substituí-lo.

Cristo “com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hebreus 10:14).

Esta é, aliás, uma das grandes declarações de segurança encontradas justamente na Epístola aos Hebreus.

“Uma só oblação.”

“Aperfeiçoou.”

“Para sempre.”

Hebreus não diminui a eficácia da obra de Cristo; exalta-a.

Veja também Hebreus 7:25:

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.”

E Hebreus 9:12 declara que Cristo entrou no santuário:

“havendo efetuado uma eterna redenção”.

Se a redenção é eterna, não pode depender da manutenção humana da própria salvação.

A segurança do crente está na perfeição da obra de Cristo.

Isso também explica Hebreus 6 através da ilustração que vem imediatamente depois:

“Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hebreus 6:7-8).

Observe que a mesma chuva cai sobre os dois terrenos.

A diferença aparece no fruto.

Isso lembra a parábola do semeador. A mesma Palavra alcança diferentes corações, mas nem toda recepção inicial demonstra verdadeira conversão.

Então, imediatamente depois da terrível advertência de Hebreus 6, o escritor acrescenta:

“Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos” (Hebreus 6:9).

Essa frase é extremamente importante.

Ele acabou de descrever as experiências anteriores e depois diz que, quanto aos seus leitores, esperava “coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação”.

Isso indica que os privilégios mencionados anteriormente não devem simplesmente ser identificados com a própria salvação.

Há coisas que acompanham a salvação.

A vida espiritual produz evidências.

O mesmo princípio aparece no final de Hebreus 10:

“Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma” (Hebreus 10:38-39).

Novamente aparecem duas classes.

“Aqueles que se retiram para a perdição.”

E:

“aqueles que creem para a conservação da alma.”

O escritor se identifica com a segunda classe: “Nós, porém, não somos daqueles...”.

Portanto, Hebreus apresenta constantemente uma distinção entre verdadeira fé e mera profissão.

Isso harmoniza perfeitamente com as palavras do Senhor Jesus:

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:27-28).

Observe novamente:

“dou-lhes a vida eterna”.

“nunca hão de perecer”.

“Ninguém as arrebatará da minha mão.”

E o Senhor acrescenta:

“Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai” (João 10:29).

A segurança da salvação repousa, portanto, não na força da mão da ovelha segurando o Pastor, mas na força da mão do Pastor segurando a ovelha.

Paulo apresenta a mesma verdade:

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida” (Efésios 1:13-14).

O Espírito Santo é o selo e o penhor da herança futura.

Isso não significa que as advertências de Hebreus sejam fictícias ou desnecessárias. Elas são terrivelmente sérias. O erro está em transformar essas advertências contra apostasia em ensino de que um filho de Deus pode nascer de novo, deixar de ser filho de Deus, perder a vida eterna e voltar à condição anterior de morte espiritual.

Hebreus não ensina isso.

Ao contrário, apresenta Cristo como o Autor da “eterna salvação” (Hebreus 5:9), fala de “eterna redenção” (Hebreus 9:12), de uma herança eterna (Hebreus 9:15) e declara que, mediante uma única oferta, Cristo aperfeiçoou “para sempre” os que são santificados (Hebreus 10:14).

Devemos, portanto, manter juntas duas verdades bíblicas.

A primeira é a segurança eterna daquele que verdadeiramente nasceu de Deus.

A segunda é a realidade terrível da apostasia daquele que esteve muito próximo das coisas de Deus, foi iluminado, convencido, influenciado, participou externamente dos privilégios cristãos e até professou a fé, mas nunca recebeu verdadeiramente Cristo pela fé salvadora.

É possível estar muito perto do Reino e continuar fora dele.

Judas esteve perto.

Muitos discípulos de João 6 estiveram perto. Quando o ensino do Senhor se tornou difícil para eles, “tornaram para trás e já não andavam com ele” (João 6:66).

O Senhor então perguntou aos doze:

“Quereis vós também retirar-vos?” (João 6:67).

Pedro respondeu:

“Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente” (João 6:68-69).

A diferença aparece na fé verdadeira.

Hebreus foi escrito justamente para mostrar a judeus professos que não havia caminho de volta. Cristo é superior aos anjos, superior a Moisés, superior a Josué, superior a Arão; Seu sacerdócio é superior, Sua aliança é superior, Seu sangue é superior e Seu sacrifício é definitivo.

Abandonar Cristo não significava encontrar outra forma de chegar a Deus. Significava abandonar a única.

Por isso as advertências são tão severas.

E justamente por isso a segurança daquele que verdadeiramente está em Cristo é tão preciosa.

Quando Hebreus 12:29 diz que “nosso Deus é um fogo consumidor”, portanto, não está destruindo a doutrina da segurança eterna. Está lembrando aos redimidos que o Deus que os salvou pela graça continua sendo infinitamente santo.

Não servimos a Deus para permanecermos salvos.

Servimos a Deus porque fomos salvos.

Não vivemos em santidade para conquistar vida eterna.

Vivemos em santidade porque recebemos vida eterna.

E a verdadeira fé persevera, não porque o crente possua força independente em si mesmo, mas porque aquele que começou a boa obra é poderoso para completá-la, conforme lemos:

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

Assim, as advertências de Hebreus devem produzir reverência, vigilância, perseverança e exame pessoal, mas não devem retirar do verdadeiro filho de Deus a segurança que repousa na obra consumada de Cristo.

Josué Matos

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O jumentinho usado a serviço do Senhor

 Este texto é baseado numa mensagem dada por um irmão (John Gillespie) da Escócia numa conferência em Belfast, Irlanda do Norte.

A passagem lida: Marcos 11:1-11

Muitas vezes, quando lemos esta passagem, falamos na supremacia de Cristo, mas eu quero pensar um pouco na serventia deste jumentinho.

Cristo não está sentado num cavalo de guerra aqui. O cavalo branco de Apocalipse 19 fala da grandeza do nosso Senhor, quando Ele vier aqui reinar, tomando as rédeas do governo terrestre, num dia futuro. Mas que ele está fazendo uso de um jumentinho. Lindo, não é? Nesta passagem não há armas de guerra. E podemos ver aqui o Senhor começando sua última semana em humildade, antes de se tornar o sacrifício por nós.

O Senhor Jesus está prestes a morrer sobre a cruz, mas eu quero pensar no serviço do jumentinho, e eu tenho em mente lições que podem servir para crentes jovens.

1- O serviço do jumentinho achado na encruzilhada. 

A primeira lição que podemos pensar é que ele estava “entre dois caminhos”. Lembrem-se da passagem de Atos 27, que descreve um dos naufrágios de Paulo, “num lugar entre dois mares”, e em Filipenses 1, Paulo dizia estar num dilema em relação a se seria melhor continuar vivendo para servir a Deus ou partir e estar com Deus.

Aqui está este jumentinho numa situação como esta: numa encruzilhada. Eu creio, meus caros irmãos, que há muitos jovens nesta situação hoje. Eu gostaria que pensassem nisto. E estamos orando por eles. Sabemos que estão nesta encruzilhada.

Eu gostaria de sugerir que há placas indicativas ali. Uma delas aponta para uma descida até Jericó, a outra, para uma subida até Jerusalém.

Eu quero dizer aos crentes jovens que devem fazer uma escolha. Vivemos em uma era muito sombria, e há serviço que podemos fazer para nosso bendito Senhor Jesus: levá-lo a Jerusalém, a cidade do grande rei. 

2- Um jumentinho, o potro de uma jumenta, atado e não domado.

Outro detalhe que vemos ao analisarmos esta passagem, é que ele estava atado e não tinha sido domado. Não havia uma carga sobre ele.

Eu gostaria de lembrar nossos jovens amigos do serviço da bezerra ruiva, de que nós lemos em Números 19. Ela pôde ser usada para Deus porque ainda “sobre a qual não subiu jugo”. Eu poderia dizer, neste contexto, que Deus, o Senhor Jesus, o Espírito Santo, os crentes, a igreja, nossa congregação, não precisam das sobras da nossa vida. Mas o Senhor Jesus nos quer agora, neste momento da nossa vida.

Deram-se conta disto? O Senhor nos quer, mesmo que estejamos amarrados e não domados. Isto é uma coisa maravilhosa, em pensar que Cristo pode se utilizar de um jumentinho que está amarrado e não domado.

Eu ouvi falar uma vez de uma situação, uma vez, em que um jóquei profissional, foi à uma reunião, e enquanto ouvia falar nesta passagem e da grandeza do Senhor Jesus, tomando controle deste animal que ainda não era domado, ele dizia: “Que mãos! Que mãos!” 

Eu gostaria de dizer para crentes jovens hoje: lembrem-se de que o Senhor Jesus tem serviço para nós. Eu gostaria que ouvissem a voz de Cristo. Cristo, na sua supremacia, e seus direitos sobre nós, em relação à redenção.  

3- Agora outra coisa: requisitado por Cristo.

Eu acho isto maravilhoso, e eu chamo a atenção dos jovens crentes, para a frase no versículo 3: “o Senhor precisa dele.”

Cantamos em um de nossos hinos: “Preciso de Jesus...” e isto é verdade, não há êxito na vida espiritual sem dependência no Senhor Jesus. E eu espero que cada um sinta em seu coração de que precisamos de Cristo.

Mas quero chamar a atenção para o outro lado da moeda nesta questão: o Senhor precisa de nós também, “o Senhor precisa dele.”

E eu queria convidar os crentes jovens a colocarem-se sobre o altar e a estarem disponíveis ao Senhor Jesus, e de uma maneira renovada, renderem-se a Ele, para que possam levá-lo à Jerusalém.

Em relação à entrada triunfal do Senhor Jesus em Jerusalém, eu digo aos meus amigos jovens cristãos: somos todos jumentos. Por natureza, nós somos como Ismael: jumentos selvagens. Mas pensem no que Cristo pode fazer por nós e através de nós. O que pensam disto?

4- Então nós vemos que o jumentinho foi solto por dois discípulos. 

Isto é bonito. Podemos pensar nisto. “Soltai-o e trazei-mo”. Solto por dois discípulos. Eu acho que reuniões de ministério (ou ensinamentos escritos) podem fazer isto por nós, não é?

Numa conferência, ou numa reunião (ou num texto, que pode tocar o nosso coração) podemos pensar em Êxodo: “Deixe meu filho ir, para que me sirva”, e podemos nos lembrar do que o Senhor disse quando ressuscitou Lázaro, em João, capítulo 11: “Desligai-o e deixai-o ir”, “Leve-o adiante”. Eu entendo que é isto que Paulo está fazendo com o “jovem potrinho”, na segunda carta a Timóteo. Aqui estava um homem atado, e Paulo diz a Timóteo, animando-o ao serviço de Deus ainda jovem. Deus não nos deu o espírito de escravidão, ou de temor. Muitas vezes nos encontramos amarrados. 

Eu creio que, numa reunião como esta (ou num texto como este) o Senhor está aqui para nos ajudar. Liberdade para O servir, nesta maneira tão bela.

5- Por fim, notemos que o jumentinho estava acompanhado por sua mãe.

A mãe é a protetora do jumentinho. Eu digo para os jovens crentes: nenhum mal nos virá na companhia de crentes mais velhos e mais espirituais.

Agora eu deixo esta sugestão, do tópico da passagem convosco, e peço, acima de tudo o que dissemos, que Deus abençoe a cada um de nós com a Sua palavra, para a Sua honra e glória.

Em Atos 21:9, Filipe tinha quatro filhas que profetizavam

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, irmão Josué!

Poderia me ajudar no entendimento de um texto?

Em Atos 21:9, Filipe tinha quatro filhas que profetizavam. Entretanto, em 1 Coríntios 14, no contexto de profecias e línguas, as mulheres deveriam estar caladas nas igrejas. Como conciliar esses dois textos?

Conforme a referência citada, por que em 1 Coríntios 11:5 toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra sua própria cabeça? Se a mulher deveria estar calada, por que Paulo menciona o orar e profetizar da mulher?

Voltando um pouco na história, em Joel 2:28, sobre a profecia do derramamento do Espírito: ‘vossos filhos e vossas filhas profetizarão’. Isso se trata de Israel no fim da Tribulação, mas Pedro usou essa passagem como cumprimento parcial. Houve um duplo cumprimento? Em parte na descida do Espírito Santo e, no futuro, com Israel?

Como conciliar todos esses textos no sentido dispensacional? Como conciliar os textos em que Paulo ensina a mulher a ficar calada nas igrejas?

Minha Resposta:

Esses textos realmente precisam ser estudados em conjunto, pois não há qualquer contradição entre eles. O entendimento que tenho aprendido com irmãos que possuem mais experiência no estudo das Escrituras é que devemos analisar o contexto de cada passagem e observar a sequência do ensino inspirado pelo Espírito Santo.

Em primeiro lugar, Atos 21:9 simplesmente informa que Filipe tinha quatro filhas que profetizavam. O texto não diz onde elas exerciam esse dom, nem afirma que profetizavam nas reuniões da igreja. Há ainda um detalhe muito interessante: quando o apóstolo Paulo chegou à casa de Filipe, em Cesareia, as quatro filhas estavam ali, mas nenhuma delas transmitiu a mensagem que Deus tinha para Paulo. Pouco depois chegou o profeta Ágabo, e foi ele quem anunciou, da parte de Deus, o que aconteceria ao apóstolo (Atos 21:10-11). Isso mostra que, embora aquelas irmãs possuíssem o dom de profecia, Deus utilizou um profeta para entregar aquela mensagem pública a Paulo. Esse detalhe é bastante significativo e mostra que não há qualquer conflito com o ensino posterior dado para a assembleia.

Ao chegarmos à Primeira Epístola aos Coríntios, devemos lembrar que aquela igreja enfrentava diversos problemas. Havia divisões entre os irmãos, imoralidade moral grave, disputas judiciais entre cristãos, abusos quanto à liberdade cristã, desordem na Ceia do Senhor, embriaguez durante a ceia e confusão no uso dos dons espirituais. Portanto, Paulo escreve essa carta justamente para corrigir uma série de desordens existentes na assembleia.

Os capítulos 11 a 14 formam uma única seção dedicada às reuniões da igreja. Nesses capítulos, Paulo trata da ordem que deveria existir quando os santos estavam reunidos.

No capítulo 11, os versículos 1 a 16 tratam do princípio da chefia divina e dos símbolos visíveis dessa autoridade, especialmente a cobertura da cabeça. A partir do versículo 17, Paulo passa a tratar da Ceia do Senhor, permanecendo ainda no contexto das reuniões da igreja.

É importante observar que, no capítulo 11, Paulo não está tratando diretamente da questão de quem pode ou não falar na assembleia. Seu assunto é outro: a cobertura da cabeça e o princípio da autoridade estabelecido por Deus.

Por isso, quando ele diz:

"Toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça",

o objetivo do apóstolo não é discutir se a mulher deveria falar ou não nas reuniões da igreja, mas ensinar que, caso isso ocorresse, jamais deveria ser sem o sinal da autoridade estabelecida por Deus.

Mais adiante, no capítulo 14, Paulo aborda diretamente a ordem das reuniões e é absolutamente claro:

"As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas."

Assim, o próprio apóstolo completa seu ensino. Primeiro estabelece o princípio da chefia e da cobertura; depois estabelece quem deve exercer publicamente o ministério da Palavra na assembleia. Não existe qualquer contradição entre os capítulos 11 e 14; eles são complementares.

Quanto à profecia de Joel 2:28, entendo que seu cumprimento pleno pertence ao futuro de Israel. Todo o contexto da profecia fala da restauração nacional de Israel, dos juízos de Deus, dos sinais nos céus e do estabelecimento do Reino Messiânico.

Quando Pedro cita Joel em Atos 2, ele não afirma que toda a profecia se cumpriu naquele dia. O derramamento do Espírito Santo em Pentecostes possuía características semelhantes às anunciadas por Joel, mas vários elementos da profecia — como os sinais cósmicos e a restauração de Israel — claramente não ocorreram naquela ocasião.

Dentro da compreensão dispensacional, isso harmoniza perfeitamente as Escrituras. Hoje vivemos a dispensação da graça, na qual Deus está formando a Igreja. Após o arrebatamento, Deus retomará Seu programa profético com Israel, e então Joel 2 encontrará seu cumprimento completo no remanescente fiel da nação.

Podemos resumir o assunto da seguinte forma:

• As filhas de Filipe possuíam o dom de profecia, mas Atos não afirma que exerciam esse dom nas reuniões da igreja.

• Quando Paulo esteve na casa de Filipe, Deus não utilizou aquelas quatro profetisas para transmitir Sua mensagem ao apóstolo; enviou o profeta Ágabo para fazê-lo.

• A igreja de Corinto enfrentava muitas desordens, e a Primeira Epístola foi escrita justamente para corrigi-las.

• Os capítulos 11 a 14 tratam da ordem nas reuniões da igreja.

• Em 1 Coríntios 11, Paulo ensina o princípio da chefia divina e da cobertura da cabeça.

• Em 1 Coríntios 14, ele completa esse ensino determinando que as mulheres permaneçam em silêncio na assembleia.

• Joel 2 refere-se principalmente ao futuro de Israel, enquanto Atos 2 apresenta uma manifestação inicial do Espírito Santo, sem esgotar o cumprimento da profecia.

Quando observamos toda a sequência do ensino bíblico, percebemos que não existe qualquer contradição entre essas passagens. Pelo contrário, elas se complementam e revelam a perfeita harmonia da Palavra de Deus, respeitando tanto a ordem estabelecida para a Igreja quanto o programa profético de Deus para Israel.

Josué Matos

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A assembleia que se desviar da doutrina é disciplinada pelas demais?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A assembleia que se desviar da doutrina é disciplinada pelas demais? Havendo correção, essa assembleia volta à comunhão com as demais? Assim como um crente que pecou e se arrependeu, ou é mais difícil?

Minha Resposta:

Essa é uma excelente pergunta, porque trata da responsabilidade coletiva de uma assembleia local diante do Senhor e da comunhão prática entre as assembleias.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que, segundo o Novo Testamento, cada igreja local é diretamente responsável diante do Senhor Jesus Cristo. Ele é o Cabeça da Igreja (Efésios 5:23), e é Ele quem anda no meio dos candeeiros, examinando e julgando o estado espiritual de cada assembleia (Apocalipse 2 e 3). Portanto, nenhuma assembleia possui autoridade hierárquica sobre outra.

Ao mesmo tempo, as assembleias não são independentes umas das outras no sentido de poderem ensinar ou praticar qualquer coisa sem consequências. Elas vivem em comunhão prática, reconhecendo a mesma doutrina dos apóstolos, a mesma disciplina e o mesmo Senhor. Foi exatamente esse princípio que levou as igrejas a reconhecerem as decisões tomadas em Jerusalém, conforme Atos 15, preservando a unidade da doutrina e da comunhão.

Quando uma assembleia abandona deliberadamente a sã doutrina ou se recusa a julgar o pecado conhecido em seu meio, as demais assembleias podem interromper a comunhão prática com ela. Isso não significa que estejam "disciplinando" aquela assembleia como uma autoridade superior, mas que estão reconhecendo que já não podem andar juntas enquanto permanecer o erro. A base da comunhão é a verdade. A Palavra de Deus diz: "Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" (Amós 3:3).

Se houver arrependimento verdadeiro, abandono do erro e retorno à doutrina dos apóstolos, não existe razão bíblica para manter a separação. Assim como um crente disciplinado que demonstra arrependimento deve ser restaurado (2 Coríntios 2:6-8), também uma assembleia que reconhece seu erro e volta ao ensino bíblico deve ser novamente recebida em comunhão.

É claro que, na prática, restaurar uma assembleia pode exigir mais tempo do que restaurar um indivíduo. Isso porque normalmente o problema envolve várias pessoas, liderança, ensino público e, muitas vezes, erros que se espalharam durante anos. As demais assembleias precisam verificar cuidadosamente se houve uma mudança real e permanente, e não apenas uma declaração verbal.

O objetivo nunca é punir, mas restaurar. O Senhor deseja que Seu povo permaneça na verdade, na santidade e na comunhão. Gálatas 6:1 ensina o espírito com que toda restauração deve ser feita: "Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão."

Portanto, a resposta é: sim. Havendo arrependimento genuíno, correção do erro e retorno à doutrina bíblica, a comunhão pode e deve ser restaurada. A disciplina bíblica nunca tem como finalidade excluir para sempre, mas produzir arrependimento, restauração e a glória do Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

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