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Para se crer em Deus, tem que ser muito insano ao ponto de ir contra todos os estudos científicos

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Para se crer em Deus, tem que ser muito insano ao ponto de ir contra todos os estudos científicos comprovando a idade da Terra de 4,5 bilhões de anos, evolução e demais coisas, e mesmo assim, crer que tudo foi criado em 6 dias e, para piorar, tudo isso foi há 6 mil anos atrás… É muita fé mesmo.

Minha Resposta:

Meu amigo, chamar de “insano” quem crê em Deus não é um argumento científico, é apenas uma opinião. A ciência trabalha com modelos explicativos baseados em observação e interpretação de dados; ela não tem autoridade para declarar inexistente aquilo que está além do método científico.

Primeiro ponto: a idade estimada da Terra (4,5 bilhões de anos) é baseada em pressupostos interpretativos, especialmente no uniformitarismo — a ideia de que os processos atuais sempre ocorreram na mesma taxa no passado. Isso é um modelo. Não é uma observação direta de bilhões de anos. Nenhum cientista estava lá. São inferências feitas a partir de dados atuais.

Segundo ponto: evolução biológica no sentido de adaptação dentro de espécies (microevolução) é observável. Mas a transformação gradual de formas simples em toda a diversidade da vida (macro­evolução universal) continua sendo uma construção teórica baseada em interpretação de evidências fósseis e genéticas. Há debates reais dentro da própria comunidade científica sobre lacunas, complexidade irreduzível e origem da informação biológica.

Terceiro ponto: crer que tudo surgiu por acaso, a partir de matéria inanimada, que por si mesma produziu informação genética altamente organizada, consciência, moralidade e racionalidade — isso também exige fé filosófica. A ciência descreve mecanismos; ela não explica a origem última da matéria, das leis naturais ou da própria racionalidade humana.

Além disso, a própria existência de leis físicas constantes, ajuste fino do universo, ordem matemática e inteligibilidade do cosmos são argumentos que muitos cientistas veem como compatíveis com a ideia de um Criador.

Quanto aos “seis dias”, a discussão não é simplesmente científica, mas também hermenêutica. Existem diferentes interpretações entre cristãos sobre como entender Gênesis 1. Mas independentemente disso, a questão central não é o número de anos — é se o universo é fruto de mente ou de acidente.

A fé bíblica não é fé contra evidências; é fé baseada na revelação histórica, especialmente na pessoa do Senhor Jesus Cristo. O cristianismo se ancora em fatos históricos verificáveis: vida, morte e ressurreição. Se Cristo ressuscitou, então a cosmovisão bíblica merece ser levada muito a sério.

No fim, todos têm pressupostos. A pergunta não é “quem tem fé”, mas “em quê está sendo depositada a fé?”. Em matéria impessoal que, sem propósito, gerou mente e moralidade? Ou em um Deus pessoal que criou o universo com propósito?

Chamar o outro lado de insano não resolve o debate. O que precisamos é de argumentos, não de rótulos.

No fim das contas, a questão não é apenas quantos bilhões de anos a Terra teria, mas o que acontece depois que nossos poucos anos aqui terminam. A ciência pode medir matéria, energia, fósseis e radiação; mas ela não responde à pergunta mais profunda: o que acontece com a consciência, com a alma, com a responsabilidade moral do ser humano após a morte?

Se não há Criador, então a morte é apenas extinção. Não há prestação de contas, não há justiça final, não há esperança além do túmulo. Tudo termina no silêncio da decomposição. Mas se há um Deus pessoal, santo e justo, então a morte não é o fim — é transição. E, nesse caso, cada ser humano terá de responder diante dEle.

A mensagem bíblica vai além de afirmar que existe um Criador. Ela revela que o próprio Criador entrou na história. O Filho de Deus veio ao mundo não apenas para mostrar poder, mas para salvar pecadores. Ele não veio apenas como Criador, mas como Salvador. A cruz não foi um acidente; foi substituição. Ali, o Senhor Jesus levou sobre Si o juízo que cabia a nós.

A salvação não é por mérito, religião ou boas obras. É pela fé. Arrependimento diante de Deus e confiança pessoal na obra de Cristo. Reconhecer que somos pecadores, incapazes de nos justificar, e descansar somente no sacrifício dEle.

A pergunta final não é se alguém crê em bilhões de anos ou seis dias. A pergunta é: você está preparado para morrer? Se Cristo é quem disse ser, então a decisão mais racional da vida é confiar nEle enquanto há tempo.

Josué Matos

A profissão de policial não parece seguir as pegadas de Cristo, estou certa?

Alguém que me escreveu no YouTube:

Me escreveu depois de assistir ao vídeo: O Cristão e a Guerra  - C. H. Mackintosh(1820-1896) - (Áudio Livro/Audiobook)

Ela disse-me:

Irmão Josué, depois de ouvir esse áudio, eu fiquei a pensar que a profissão de policial não parece seguir as pegadas de Cristo, estou certa?

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito sincera, e mostra um coração que deseja andar nas pegadas do Senhor Jesus.

Quando lemos os Evangelhos, especialmente em Evangelho de Mateus 5:38-44, vemos o Senhor ensinando: “Não resistais ao mal... amai os vossos inimigos”. Em Evangelho de João 18:36, Ele declara: “O meu reino não é deste mundo”. E, quando Pedro usou a espada, o Senhor lhe disse: “Embainha a tua espada” (João 18:11). Tudo isso revela claramente que o caráter pessoal do cristão é marcado por mansidão, paciência, perdão e disposição para sofrer injustiça.

Sob esse aspecto, é compreensível a sua inquietação. A função policial envolve o uso legítimo da força, e às vezes até o uso de armas. À primeira vista, isso parece distante da atitude do Senhor, que Se entregou voluntariamente à cruz.

No entanto, é importante considerar também o ensino das Escrituras acerca das autoridades civis. Em Epístola aos Romanos 13:1-4, lemos que “não há autoridade que não venha de Deus” e que a autoridade “não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, vingador para castigar o que faz o mal”. Aqui não se trata de vingança pessoal, mas da função do Estado na manutenção da ordem.

Portanto, há uma distinção fundamental entre:

  1. A conduta pessoal do cristão.

  2. A responsabilidade delegada por Deus às autoridades civis.

O cristão, como indivíduo, não deve buscar vingança (Romanos 12:19). Mas o Estado, como instituição estabelecida por Deus para conter o mal, tem o direito e o dever de punir o criminoso.

A questão, então, não é simplesmente a profissão em si, mas como ela é exercida. Um policial pode agir com senso de justiça, sem crueldade, sem ódio, sem abuso de poder. Pode exercer sua função como um serviço à sociedade, preservando vidas e protegendo inocentes. Nesse caso, ele estaria atuando dentro da esfera de autoridade que Deus permitiu.

Por outro lado, é verdade que essa profissão expõe a pessoa a situações moralmente complexas e espiritualmente desafiadoras. Nem todos conseguem manter uma consciência sensível e dependente de Deus nesse ambiente. Por isso, trata-se de uma decisão que deve ser considerada diante do Senhor, com oração e convicção pessoal.

As pegadas de Cristo são marcadas por amor, verdade, justiça e submissão à vontade do Pai. A pergunta que cada crente deve fazer não é apenas “qual é minha profissão?”, mas “posso exercer essa função com uma consciência limpa diante de Deus, refletindo o caráter de Cristo?”.

Se a resposta for não, então a inquietação é um alerta. Se for sim, e houver equilíbrio entre justiça e misericórdia, então a pessoa pode entender sua função como parte da ordem estabelecida por Deus neste mundo ainda marcado pelo pecado.

Que o Senhor lhe conceda discernimento e paz ao considerar essa questão.

Josué Matos

Se certos dons extraordinários cessaram ainda no 1º século, o que seriam então estas manifestações dentro das igrejas pentecostais de hoje?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Se, como você diz, certos dons extraordinários cessaram ainda no 1º século, o que seriam então estas manifestações dentro das igrejas pentecostais de hoje, onde uns fazem vocalizações estranhas e desconexas, outros pulam e gritam, outros ainda rodopiam e rolam no chão? Com certeza, nada destas práticas esquisitas e estranhas ao culto cristão bíblico é algo produzido pelo Espírito de Deus. Estas esquisitices são atos meramente humanos, fruto de histerismos coletivos, manipulação, encenações teatrais, charlatanismo e, em alguns casos, possessão demoníaca.

Minha Resposta:

A sua preocupação é legítima, porque o culto cristão deve ser examinado à luz das Escrituras, e não à luz de experiências subjetivas ou de impressões emocionais. Contudo, é necessário tratar o assunto com equilíbrio bíblico e discernimento espiritual, evitando tanto a ingenuidade quanto a generalização precipitada.

Primeiro, é importante lembrar que os dons espirituais no Novo Testamento tinham características bem definidas. Em 1 Coríntios 12–14, o falar em línguas era um idioma real, compreensível quando interpretado, e tinha finalidade específica: sinal para os incrédulos (1 Coríntios 14:21-22). Não era vocalização desconexa, nem expressão incontrolável. Pelo contrário, o apóstolo Paulo afirma: “Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (1 Coríntios 14:32), e conclui: “Porque Deus não é Deus de confusão, mas de paz” (1 Coríntios 14:33).

Além disso, tudo deveria ser feito “com decência e ordem” (1 Coríntios 14:40). Portanto, qualquer prática que envolva descontrole físico, histeria coletiva ou ausência total de entendimento não encontra respaldo no padrão apostólico.

Entretanto, é preciso cautela antes de classificar automaticamente tais manifestações como possessão demoníaca. O Novo Testamento mostra que manifestações demoníacas tinham características claras, como vemos nos Evangelhos, por exemplo em Marcos 5:1-13. Eram situações específicas, identificáveis, e não um fenômeno coletivo dentro de reuniões cristãs professas.

Há pelo menos três possibilidades que precisam ser consideradas biblicamente:

  1. Fenômenos meramente emocionais e humanos.
    O ser humano é profundamente influenciável pelo ambiente. Música repetitiva, sugestão psicológica, expectativa coletiva e liderança carismática podem produzir estados alterados de comportamento sem qualquer intervenção sobrenatural. Isso não é necessariamente demoníaco; pode ser simplesmente emocional e psicológico.

  2. Confusão entre emoção e ação do Espírito Santo.
    Em Atos dos Apóstolos 2, quando o Espírito Santo desceu, houve línguas reais compreendidas por pessoas de várias nações. Não houve desordem, nem gritaria descontrolada, nem perda de consciência. O resultado foi entendimento da Palavra e conversão de cerca de três mil almas (Atos 2:41). A marca foi clareza doutrinária e exaltação de Cristo.

  3. Casos pontuais de engano espiritual.
    A Escritura adverte que há espíritos enganadores (1 Timóteo 4:1) e que Satanás pode se transformar em anjo de luz (2 Coríntios 11:14). Portanto, não se pode excluir totalmente a possibilidade de engano espiritual em determinados contextos. Porém, isso deve ser afirmado com prudência e discernimento, não como regra geral para todos os casos.

O critério bíblico decisivo é este: qual é o resultado?
O Espírito Santo glorifica o Senhor Jesus (João 16:14), produz fruto moral (Gálatas 5:22-23) e conduz à verdade da Palavra (João 16:13). Se o fenômeno não conduz à compreensão das Escrituras, à santidade prática e à centralidade de Cristo, ele não corresponde ao padrão do Espírito de Deus.

É também importante lembrar que o zelo sem conhecimento pode levar tanto ao excesso quanto ao desprezo indevido (Romanos 10:2). O crente é chamado a “provar os espíritos” (1 João 4:1), mas também a julgar com justiça (João 7:24).

Portanto, biblicamente falando, práticas de descontrole físico e vocalizações ininteligíveis não encontram base no modelo apostólico. Muitas delas podem ser explicadas como fenômenos humanos coletivos. Em alguns casos, pode haver engano espiritual. Mas afirmar de forma absoluta que todas são possessão demoníaca ultrapassa o que a Escritura autoriza declarar.

O caminho seguro é sempre este: voltar ao padrão claro das Escrituras, examinar tudo à luz da Palavra de Deus e manter o foco na pessoa e na obra do Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

Transformação Divina: Encontrando Paz, Propósito e Plenitude em Cristo ➖ 366 Mensagens Diárias da Sã Doutrina

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27 de Setembro

A Dispensação da Lei (1ª Parte – As revelações)
(Leituras: Êxodo 19:3-6; 24:4-7; 2 Reis 17:7-14, 18-20; Mateus 24:15-22)

Esta quinta dispensação, a da Lei, é extensa, abrangendo quase todo o Antigo Testamento e uma boa parte do Novo Testamento. A quarta dispensação começou com Deus chamando Abraão de Ur dos Caldeus para conduzi-lo à terra prometida. Agora, nesta quinta dispensação, começa de maneira semelhante, mas em uma escala muito maior. Nesta dispensação, Deus separa uma nação. Assim como tirou Abraão de Ur dos Caldeus, Ele separa a nação de Israel da terra do Egito. É a nação que Ele prometeu a Abraão. A promessa foi que, de Abraão, Ele faria uma grande nação. E essa nação nasceu no Egito e agora Deus dá início à quinta dispensação, tirando-os do Egito. Deus abre o mar Vermelho e conduz aquele povo pelo deserto até o monte Sinai, onde Ele se revela novamente a eles.

Pensando nas revelações dessa dispensação, vemos que são muitas, e não podemos entrar em todos os detalhes, mas podemos mencionar que Deus revelou primeiramente Sua vontade, Seus mandamentos para aquele povo. Mandamentos que governariam a vida deles como povo, como nação. Ele deu leis para o povo, e algumas dessas leis Deus mesmo escreveu com Seu próprio dedo em tábuas de pedra: os dez mandamentos. Além destes dez, Ele deu muitos outros mandamentos, que foram escritos no livro da lei. O livro foi escrito por Moisés e aspergido com sangue.

Além dessas leis civis e morais, Deus deu muitas instruções e ordenanças sobre a vida espiritual do povo. Ele ensinou sobre os sacrifícios, o sacerdócio e a maneira pela qual esse povo poderia chegar a Ele.

Na segunda dispensação, já observamos que o caminho de reconciliação era por meio do sacrifício, substituindo algo. Agora, nesta quinta dispensação, Deus entra em detalhes, especificando vários tipos de sacrifícios para diferentes fins. Ele também detalha o sacerdócio e os elementos relacionados a isso.

Além de todas essas leis, Deus revelou algo extremamente precioso: Sua vontade de habitar no meio do Seu povo. Em Êxodo 25, Ele diz que o povo deveria fazer um Tabernáculo para que Ele pudesse habitar no meio deles. Era uma casa simples, feita de tábuas e panos; por fora parecia simples, sem nada atraente na aparência externa. No entanto, se entrássemos lá, seríamos surpreendidos pela beleza interna. As tábuas eram cobertas de ouro puro, os móveis também eram cobertos de ouro. Ao olhar para cima, veríamos cortinas de lindas cores, adornadas com querubins. Por dentro, era rica e encantadora, mas por fora não tinha beleza alguma.

Naquela casa, Deus habitou no meio do Seu povo peregrino. No entanto, Ele mandou cercá-la com uma cerca alta, para que o povo entendesse: "Deus habita ali, mas nós não podemos chegar perto, precisamos manter distância." Havia uma entrada, e apenas uma. O povo estava lá fora, mas havia uma forma de entrar, uma maneira de chegar até Deus. Ao entrar, a primeira coisa que se via era um altar de bronze, onde os sacrifícios eram oferecidos. Para chegar à casa de Deus, era necessário passar pelo altar de sacrifício. Além disso, havia uma pia de água para purificação. Portanto, o povo podia entender que é possível chegar a Deus, mas não de qualquer maneira e nem para todos.

O povo em geral não podia chegar perto, mas os levitas podiam chegar até o pátio, embora não pudessem ir além disso. Os sacerdotes podiam entrar no lugar santo, mas também não podiam ir mais além. Somente uma pessoa, o sumo sacerdote, podia entrar no lugar santíssimo, uma vez por ano. Não era para qualquer um, nem por qualquer meio que se podia chegar a Deus. Ele estava ali, mas havia condições rigorosas para se aproximar d'Ele.

Deus estava revelando que, embora Ele quisesse habitar no meio do Seu povo, exigia santidade na Sua casa. E, em nossos dias, devemos lembrar que Deus também tem uma casa. Já sabemos que Ele não habita em casas feitas por mãos de homens. Hebreus 13 diz que a casa de Deus somos nós, os salvos desta dispensação da graça. Em 1 Timóteo 3:16, nos é ensinado que a igreja local é a casa de Deus. O Senhor Jesus disse que onde estivessem dois ou três reunidos em Seu nome, Ele estaria no meio deles (Mateus 18:20). Porém, ainda hoje, a santidade é necessária na casa do Senhor. Se o Deus Santo habita entre nós, Ele exige santidade em nossas vidas. Não podemos nos aproximar de Deus de qualquer maneira; deve haver reverência, temor e santidade, condizentes com Sua Pessoa. 

28 de Setembro

A Dispensação da Lei (2ª Parte – A Responsabilidade)

Quando Deus os tirou da terra do Egito e os levou ao monte Sinai para dar estas revelações, após ouvirem tudo, disseram a Deus: “Tudo o que o Senhor mandar, faremos!” (Êxodo 19). Assumiram essa responsabilidade.

Quando Deus deu aquela lei no capítulo 20 e aquelas palavras foram escritas, não apenas em tábuas de pedra, mas também no resto em livros, e o povo ouviu a leitura dessas palavras, tornaram a dizer: “Tudo o que o Senhor mandou, faremos!” E, após a leitura, repetiram pela terceira vez: “Tudo o que o Senhor falou, faremos e obedeceremos!”.

E realmente, era isso que Deus queria deles: obediência total. O Senhor disse: “Se ouvirdes a minha voz e fizerdes diligentemente o que eu mando, sereis, para mim, a minha propriedade peculiar.” Entre todos os povos, vocês terão um lugar especial. Um lugar de intimidade, disse Deus, perto de mim! “Diligentemente ouvirem a minha voz e obedecerem ao que vos mando.”

A responsabilidade daquele povo era obedecer às ordens do Senhor.

Em todas as dispensações, o povo tem o dever de obedecer a Deus. Porém, nesta dispensação, que era da lei, eles assumiram perante Deus aquele dever. Logo no início, na primeira dispensação, Deus deu uma lei para Adão e Eva: “Não comerás”, e eles quebraram aquela lei. Na segunda dispensação, Deus os deixou sem lei, ficando à luz da consciência que adquiriram, mas desobedeceram e contaminaram sua consciência. Na terceira dispensação, Deus estabeleceu um governo humano, dando ao homem o direito de decretar as leis e governar para Deus, mas os homens corromperam o governo, abusaram de sua autoridade e desrespeitaram as leis. Tudo fracassou!

Agora temos algo diferente na quinta dispensação, porque Deus estabelece a Sua lei e coloca homens em autoridade, como Moisés. Mas a lei vem de Deus. E os homens assumem a responsabilidade de obedecer, fazendo tudo o que Deus manda. Um grande privilégio na dispensação da lei: receber tantas revelações; uma grande responsabilidade: obedecer ao que Deus mandou.

Mas é bom observar nesta dispensação o relacionamento entre Deus e aquele povo. Ele não fez aquela aliança com todo o mundo; Ele escolheu aquela nação e fez aliança com ela. E Ele disse (Êxodo 19): “Se diligentemente ouvirdes a minha voz e obedecerdes, sereis minha propriedade peculiar.” E ainda mais, Ele disse: “Sereis, para mim, um reino sacerdotal.” Seriam um povo santo, separado para Deus. Mas com esta finalidade: ser um reino sacerdotal.

Nisso vemos o plano de Deus para esta dispensação. Para que Deus separou uma nação? Para que aquela nação fosse uma nação sacerdotal. O que quer dizer isso? Qual a função de um sacerdote? Resumindo em poucas palavras: a função do sacerdote é dupla: ele tem uma função para com o povo e uma função para com Deus.

Diante do povo, ele deve representar a Deus, trazendo a lei de Deus, a Palavra de Deus, e reproduzindo Deus ao povo. Perante Deus, ele representa o povo, orando e intercedendo por eles. Um reino sacerdotal!

Era isso que Deus queria: que aquele povo, no meio do qual Ele mesmo habitaria, fosse um reino de sacerdotes. Estando na presença de Deus, ouviriam a Sua voz e levariam esta mensagem às nações, disseminando a verdade nos quatro cantos da terra. Estando perto de Deus, aquele povo chegaria à Sua presença, intercedendo pelas massas da humanidade lá fora. Seriam o representante de Deus no mundo e o representante do mundo perante Deus. Era um plano maravilhoso da parte de Deus para esta nação: um reino sacerdotal. O fracasso entrou logo, e Deus modificou isso, escolhendo uma família de sacerdotes. Mas o plano era esse: que toda a nação fosse um reino sacerdotal.

29 de Setembro

A Dispensação da Lei (3ª Parte – O Fracasso)

Em 2 Reis 17, vemos que aquele povo, que deveria ser um reino sacerdotal, representando Deus e intercedendo pelo povo, se entregou à idolatria. Você consegue entender o tamanho desse fracasso? Um povo escolhido por Deus para ser o Seu representante, e eles abandonam a Deus, adorando as imagens das nações. Seus pais haviam feito isso no Egito, e o seu antepassado Abraão havia feito isso em Ur dos Caldeus. Mas eles foram tirados de tudo isso. O Deus vivo manifestou o Seu poder a eles e neles. Josué os exortou a que deveriam servir ao Deus vivo, e ele até lhes deu a escolha: “Resolvam se vão servir os deuses que os seus antepassados adoravam na terra da Mesopotâmia ou os deuses dos amorreus, na terra de quem vocês estão morando agora. Porém, eu e a minha família serviremos a Deus, o Senhor.” O povo respondeu: “Nunca poderíamos pensar em abandonar o Senhor para servir outros deuses! Foi o Senhor, nosso Deus, quem nos tirou, a nós e aos nossos pais, da escravidão na terra do Egito. E vimos as grandes coisas que Ele fez. Ele nos guardou pelos caminhos por onde andamos e no meio dos países por onde passamos” (Josué 24:15-17).

Então, Josué lhes mostrou as consequências por estarem escolhendo servir ao Senhor, dizendo: “Vocês não podem, porque Deus exige santidade; Ele exige obediência.” E aquele povo reafirmou: “Nós serviremos ao Senhor, estamos dispostos a isso.” Porém, em 2 Reis 17, vemos que eles se entregaram à idolatria, divididos em duas nações: a casa de Israel e a casa de Judá. A casa de Israel se entregou à idolatria devido à mistura com as nações. Mistura em casamentos, jugo desigual; misturas em festas pagãs e imorais. E o resultado foi que aquelas dez tribos do norte de Israel foram entregues ao rei da Assíria, removidos da sua terra pelo juízo de Deus.

Judá ficou, mas também não se manteve fiel. Se Israel imitou as nações, Judá imitou Israel. O mesmo que fizeram os israelitas imitando os egípcios na terra do Egito, agora Judá imitou as dez tribos do norte, chamadas de Israel. Portanto, Judá também foi entregue por Deus ao cativeiro, sendo levado para Babilônia, não sobrando nada. Isso foi o fracasso total daquele reino sacerdotal que Deus havia planejado para toda a nação de Israel.

Depois de muitos anos na Babilônia, Deus, pela Sua graça, cumprindo a Sua promessa e sendo fiel, trouxe um remanescente de volta para a terra prometida. Deus os trouxe em fraqueza para continuarem naquela terra, mas com a presença e bênção de Deus com eles. Lamentavelmente, também falharam. Quando o próprio Filho de Deus apareceu no meio deles, o entregaram para Pilatos, o gentil, clamando em alta voz: “Fora daqui com este, não queremos que Ele reine sobre nós; crucifique-o, crucifique-o!”

30 de Setembro

A Dispensação da Lei (4ª Parte – O Reino Sacerdotal)

Aqueles que Deus havia planejado para ser um reino sacerdotal, ao contemplarem o próprio Filho de Deus em seu meio, não puderam suportá-lo e clamaram: “Fora com este, crucifica-o!”. Aquele “reino sacerdotal” foi espalhado entre as nações e continua espalhado até hoje.

Um pequeno remanescente tem voltado, em cegueira espiritual e na incredulidade. Alguns deles estão morando em uma parte daquela terra, porém a nação continua espalhada entre as nações gentílicas, oprimidos. Portanto, esta dispensação ainda não terminou; algo inédito aconteceu nas dispensações, pois Deus interrompeu aquela dispensação, a da Lei, na morte de Cristo. Aquele “reino sacerdotal” foi espalhado no ano 70 d.C. e até hoje está debaixo do juízo de Deus. Deus está fazendo algo diferente em nossos dias; vivemos em um intervalo no qual Deus trabalha pela Igreja no mundo. Porém, a qualquer dia destes, seremos arrebatados pelo Senhor Jesus, sendo levados à glória do céu, e então começará novamente a mesma dispensação da Lei. Restam ainda sete anos daquela dispensação. Sete anos que começarão a contar logo após o nosso arrebatamento.

Naqueles sete anos, aquele reino sacerdotal sentirá o peso da vara do Senhor. Já fracassou, já sofreu muito, mas o que vai sofrer nesses sete anos que vêm, só Deus sabe compreender. Lendo Mateus 24, que se refere àqueles dias, percebemos que serão dias de tribulação como nunca houve desde o começo do mundo, nem jamais haverá outros dias semelhantes.
O profeta Jeremias descreveu aquele tempo como “o tempo da angústia de Jacó”. Será o juízo de Deus sobre o reino sacerdotal que fracassou.

A dispensação da Lei é uma dispensação extensa, na qual Deus deu uma revelação muito grande do Seu propósito, completando o que Ele vinha revelando desde a primeira dispensação. Preparando tudo para este tempo presente em que estamos vivendo.

Lemos em Gálatas 3 que aquela lei foi dada até que viesse o Cristo. Tudo apontava para Ele: o Tabernáculo é uma figura de Cristo, como também é uma figura da igreja local da nossa dispensação. Os sacrifícios no Tabernáculo falavam de Cristo e são figuras sobre o caminho, o plano de salvação. Na realidade, desde a primeira até a quinta dispensação, todas apontam para Cristo. E agora, há quase dois mil anos, essa quinta dispensação foi interrompida e Deus começou a sexta dispensação, na qual nós vivemos. Paulo disse aos Coríntios: “Os fins dos séculos já chegaram sobre nós” (1 Coríntios 10:11).