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Pelo que conheço dos "Irmãos Exclusivos", o procedimento é não ter contato para evitar contaminação

 Alguém me escreveu por e-mail:

Gostaria de fazer algumas perguntas. 

1) Qual entendimento dos Irmãos com quem você se reúne sobre quando um irmão comete um pecado moral, doutrinal ou eclesiástico ou simplesmente decide parar de congregar ou ir para uma denominação católica ou evangélica? Pelo que conheço dos Irmãos Exclusivos, o procedimento é não ter contato para evitar contaminação. Por isso gostaria de entender o ponto de vista dos "Irmãos Abertos", sei que são terminologias que os irmãos não gostam de usar, mas é só para diferenciar melhor.

2) Para um irmão estar partindo o pão ele precisa passar por um tempo de espera até ser recebido pela assembleia ou pode partir o pão sem esse procedimento?

3) A Ceia para vocês é um memorial simbólico ou vocês creem em uma presença real de Cristo? 

Minha Resposta:

Suas perguntas são muito importantes, porque tocam em três áreas fundamentais da vida da igreja: disciplina, comunhão e a pessoa do Senhor na Ceia. Vou responder ponto a ponto, de forma bíblica e organizada.

  1. Como é tratado um irmão que peca, abandona a comunhão ou vai para uma denominação?

Antes de tudo, é importante dizer que não seguimos um sistema humano, mas princípios das Escrituras. E esses princípios fazem distinções importantes.

a) Quando há pecado moral, doutrinal ou eclesiástico

A Palavra de Deus mostra que a disciplina existe, mas não com o objetivo de “cortar relações humanas”, e sim preservar a santidade da assembleia e restaurar o irmão.

Em 1 Coríntios 5:11 lemos:
“Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador...”

Aqui vemos claramente:

  • Há casos em que o pecado exige afastamento da comunhão prática
  • Isso não é por desprezo pessoal, mas por fidelidade a Deus

Em 2 Tessalonicenses 3:14-15 há um equilíbrio importante:
“...não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão.”

Ou seja:

  • Não há indiferença
  • Não há ódio
  • Há cuidado, mas com separação necessária

Portanto, diferente do que você mencionou sobre certos grupos, não se trata de cortar todo tipo de contato humano, mas de:

  • Suspender a comunhão cristã (especialmente na Ceia)
  • Manter um espírito de restauração

b) Quando alguém decide parar de congregar

Aqui não se trata imediatamente de disciplina formal, mas de uma condição espiritual triste.

Hebreus 10:25 diz:
“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns...”

A assembleia deve:

  • Procurar
  • Exortar
  • Restaurar

Mas se a pessoa insiste, ela se coloca fora da comunhão prática.

c) Quando alguém vai para sistemas religiosos (católicos ou evangélicos denominacionais)

Isso é visto como afastamento da verdade prática da reunião simples ao nome do Senhor Jesus.

2 Timóteo 2:19-22 mostra que há um chamado à separação do erro:
“...aparte-se da iniquidade todo aquele que profere o nome de Cristo...”

E também:
“...se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra...”

Portanto:

  • Não tratamos como inimigo
  • Mas reconhecemos que não está andando na mesma base de comunhão

  1. Sobre participar do partir do pão

A Ceia do Senhor não é algo individual, mas um ato de comunhão da assembleia.

Atos dos Apóstolos 2:42 mostra:
“E perseveravam... no partir do pão...”

E em 1 Coríntios 10:16-17 vemos:
“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo...”

Isso mostra que:

  • Não é um ato isolado
  • Expressa comunhão com o corpo de Cristo

Por isso, normalmente:

  • Há um reconhecimento da assembleia
  • Não é um “tempo de espera formal”, como uma regra rígida
  • Mas há cuidado para conhecer a pessoa, seu testemunho e doutrina

Em 1 Coríntios 14:40:
“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.”

Ou seja:

  • Não é burocracia
  • É responsabilidade espiritual

  1. A Ceia é simbólica ou há presença real?

A Ceia é um memorial, mas não é algo vazio.

O próprio Senhor disse em Lucas 22:19:
“Fazei isto em memória de mim.”

E em 1 Coríntios 11:26:
“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.”

Portanto:

  • Não cremos em transformação literal (como no catolicismo)
  • Nem em uma presença física de Cristo nos elementos

Mas também não é algo meramente simbólico no sentido superficial

Existe:

  • Uma realidade espiritual profunda
  • Comunhão com Cristo

1 Coríntios 10:16 diz:
“O cálice de bênção... não é a comunhão do sangue de Cristo?”

Ou seja:

  • Não há presença física nos elementos
  • Mas há comunhão real com a pessoa do Senhor

Conclusão

Resumindo:

  • A disciplina visa restaurar, não excluir definitivamente
  • A comunhão da Ceia exige responsabilidade coletiva
  • A Ceia é um memorial com profunda realidade espiritual, não ritual vazio nem presença física

Tudo isso está ligado a um princípio central:

Mateus 18:20:
“Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

É a presença do Senhor no meio da assembleia que governa tudo — não um sistema humano.

Fico à disposição se quiser aprofundar algum desses pontos, especialmente sobre disciplina ou recepção à comunhão.

Um abraço em Cristo.

Josué Matos

Sempre tive dúvida sobre a questão de expulsar demônios

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Olá irmão, estou lendo o Evangelho de Marcos e sempre tive dúvida sobre a questão de expulsar demônios. Na sinopse de Darby ele dá a entender que esse é um direito do crente.  É isso mesmo?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito importante, porque hoje existe muita confusão sobre esse assunto, e é necessário olhar para toda a Palavra de Deus, e não apenas para uma impressão isolada.

A questão não é simplesmente se “o crente pode expulsar demônios”, mas sim: em que contexto bíblico isso aconteceu, a quem foi dado esse poder, e se isso é normativo para a Igreja hoje.

Vamos organizar a resposta de forma clara e bíblica.

  1. O QUE ACONTECEU NOS EVANGELHOS

No Evangelho de Marcos, vemos claramente que o Senhor Jesus deu autoridade específica aos seus discípulos:

Marcos 3:14-15
“E nomeou doze para que estivessem com ele e os enviasse a pregar, e para que tivessem autoridade para expulsar os demônios.”

Também em Marcos 6:7, o Senhor envia os doze e lhes dá poder sobre os espíritos imundos.

Isso mostra que:

  • Não era algo geral para todos os crentes

  • Era uma autoridade concedida diretamente pelo Senhor

  • Estava ligada ao testemunho do reino

O mesmo ocorre com os setenta em Lucas 10:17:
“Senhor, até os demônios se nos submetem pelo teu nome.”

Mas note: isso fazia parte de um período específico — o testemunho do reino de Deus em Israel.

  1. O QUE ACONTECEU EM ATOS

No livro de Atos, vemos expulsões de demônios, mas sempre ligadas a homens com autoridade apostólica ou delegada:

Atos 5:16 — os apóstolos
Atos 8:7 — Filipe
Atos 16:18 — Paulo

Ou seja:

  • Não era algo praticado por todos os crentes

  • Estava ligado ao poder apostólico

  • Confirmava a mensagem do evangelho naquele início da Igreja

Isso está em harmonia com o caráter único daquele período, onde sinais acompanhavam os apóstolos para autenticar a mensagem.

  1. NÃO É UM DIREITO UNIVERSAL DO CRENTE

Aqui está o ponto central da sua pergunta:

A Bíblia nunca ensina que expulsar demônios é um direito de todo crente.

Pelo contrário, há até um aviso sério:

Atos 19:13-16
Os filhos de Ceva tentaram expulsar demônios e foram atacados.

Isso mostra que:

  • Não é algo que se faz simplesmente por fórmula

  • Não é uma prática generalizada

  • Não é uma “autoridade automática” de qualquer crente

  1. A POSIÇÃO DO CRENTE HOJE

No ensino das epístolas — que são a doutrina para a Igreja — não há mandamento para expulsar demônios.

O que encontramos é:

Tiago 4:7
“Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”

Efésios 6:11
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as astutas ciladas do diabo.”

Ou seja:

  • O crente resiste, não expulsa

  • A luta é espiritual, não de confrontação direta

  • A vitória está na posição em Cristo

A própria doutrina mostra que o foco não é “expulsar demônios”, mas:

  • Viver em santidade

  • Permanecer na Palavra

  • Andar no Espírito

  1. O PERIGO DA INTERPRETAÇÃO ERRADA

Muitos hoje pegam textos dos Evangelhos ou de Atos e aplicam diretamente à Igreja, sem considerar o contexto.

Mas isso gera confusão, porque:

  • Mistura o período do reino com a Igreja

  • Transforma sinais apostólicos em prática comum

  • Cria experiências que a Bíblia não ensina como norma

Os próprios escritos mostram que nem tudo o que aconteceu é para ser reproduzido hoje, pois havia um propósito específico naquele tempo .

CONCLUSÃO

Então, respondendo diretamente:

Não, expulsar demônios não é um direito de todo crente.

Foi:

  • Um poder dado especificamente aos apóstolos e a alguns servos no início

  • Um sinal que acompanhava a confirmação da mensagem

Hoje, o crente:

  • Resiste ao diabo

  • Vive em dependência de Deus

  • Está seguro em Cristo

Colossenses 2:15
“E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.”

A vitória já foi conquistada pelo Senhor Jesus. O crente não precisa viver “expulsando demônios”, mas permanecendo n’Ele.

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Esta pessoa enviou outa questão:

Mas e quando vemos pessoas na nossa família claramente dominadas por algum demônio ou espírito maligno,  não podemos fazer nada então?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito prática, e mostra cuidado com a família — isso é algo correto diante de Deus. Mas precisamos responder com equilíbrio bíblico, para não cair nem na passividade, nem em práticas que a Palavra de Deus não autoriza.

A questão não é “não fazer nada”, mas sim fazer aquilo que Deus realmente nos mandou fazer.

  1. PRIMEIRO: NEM TODO COMPORTAMENTO É POSSESSÃO DEMONÍACA

É importante ter cuidado aqui.

Na Palavra de Deus, vemos possessões reais (por exemplo, em Marcos 5), mas também vemos:

  • Pecado da carne (Gálatas 5:19-21)

  • Engano do coração (Jeremias 17:9)

  • Influência do mundo (1 João 2:16)

Nem todo comportamento difícil, vício, agressividade ou descontrole é possessão.

Se errarmos aqui, podemos:

  • Tratar pecado como demônio

  • Ou ignorar a responsabilidade pessoal

  1. O QUE O CRENTE PODE E DEVE FAZER

A Bíblia não manda o crente sair “expulsando demônios”, mas mostra claramente o que devemos fazer diante do mal espiritual.

a) ORAR

Marcos 9:29
“Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração.”

Mesmo nesse contexto apostólico, o princípio permanece: dependência de Deus.

Por alguém da família, devemos:

  • Interceder constantemente

  • Clamar pela libertação

  • Pedir que Deus opere

b) ANUNCIAR O EVANGELHO

A verdadeira libertação vem pela verdade:

João 8:32
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

Se há influência maligna, a solução não é confronto direto com demônios, mas:

  • Levar a pessoa a Cristo

  • Apresentar o evangelho

  • Conduzir ao arrependimento e fé

Porque quando uma pessoa crê:

  • Ela é libertada do domínio das trevas

Colossenses 1:13
“O qual nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor.”

c) VIVER UM TESTEMUNHO REAL

1 Pedro 3:1 mostra que até sem palavras alguém pode ser ganho pelo comportamento.

Em casa, isso é essencial:

  • Vida santa

  • Paciência

  • Amor verdadeiro

Isso tem impacto espiritual real.

  1. O QUE NÃO NOS FOI MANDADO FAZER

Em nenhuma epístola encontramos instrução para:

  • Mandar demônios sair de pessoas

  • Fazer confrontos diretos com espíritos malignos

  • “Repreender demônios” em outros

Nem mesmo Miguel ousou agir dessa forma diretamente:

Judas 1:9
“Mas o arcanjo Miguel... não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele, mas disse: O Senhor te repreenda.”

Isso é muito sério.

Se até Miguel não tomou essa atitude por si mesmo, quanto mais nós devemos agir com cuidado.

  1. A REAL BATALHA ESPIRITUAL

Efésios 6:12
“Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas sim contra os principados...”

Mas note:

  • A armadura é para permanecer firme

  • Não para sair confrontando demônios em pessoas

Efésios 6:13
“...para que possais resistir no dia mau...”

Ou seja:

  • Resistir

  • Permanecer

  • Não atacar diretamente

  1. ENTÃO, O QUE FAZER NA PRÁTICA?

Se você vê alguém da família em situação preocupante:

  • Ore continuamente por essa pessoa

  • Fale do evangelho com sabedoria

  • Evite confrontos espirituais diretos

  • Viva um testemunho consistente

  • Confie que Deus pode libertar

E lembre-se:

2 Coríntios 10:4
“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruição das fortalezas.”

As fortalezas são derrubadas:

  • Pela Palavra

  • Pela verdade

  • Pela ação de Deus

CONCLUSÃO

Você pode fazer muito — mas da forma correta.

Não é passividade, é dependência de Deus.

A libertação verdadeira não vem de confrontar demônios, mas de conduzir a pessoa ao Senhor Jesus, pois só Ele tem autoridade absoluta sobre todo o poder das trevas.

Josué Matos

Onde na Bíblia diz que a idolatria é do diabo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Onde na Bíblia diz que a idolatria é do diabo?

Minha Resposta:

"Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém." 

 (1 João 5:21)

A Bíblia não usa exatamente a frase “a idolatria é do diabo”, mas ensina com muita clareza que por trás da idolatria há ação demoníaca.

Os textos mais diretos são estes:

Deuteronômio 32:16-17

“Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominações o irritaram. Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; a deuses que não conheceram...”

Aqui, a idolatria de Israel é ligada diretamente aos demônios.

Salmo 106:36-38

“E serviram os seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios... e sacrificaram aos ídolos de Canaã...”

Nesse texto, servir aos ídolos e sacrificar aos demônios aparecem juntos. Ou seja, a idolatria não era algo neutro: havia um poder maligno por trás dela.

1 Coríntios 10:19-21

“Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.”

Esse é talvez o texto mais forte no Novo Testamento. Paulo explica que o ídolo em si nada é, mas o culto idólatra se relaciona com demônios.

Apocalipse 9:20

“E os outros homens... não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira...”

Aqui, adorar demônios e adorar ídolos aparecem novamente ligados.

Então, a resposta bíblica é esta:

A Bíblia não diz com essas palavras exatas: “idolatria é do diabo”.

Mas ela diz que:

- a idolatria é uma abominação contra Deus;

- os sacrifícios idólatras são oferecidos aos demônios;

- quem participa conscientemente desse culto entra em comunhão com poderes malignos.

Em resumo: biblicamente, a idolatria está ligada ao mundo demoníaco.

Josué Matos


Arrebatamento e manifestação em glória não são o mesmo evento?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Arrebatamento e manifestação em glória não são o mesmo evento?

Minha Resposta:

Para esclarecer bem essa questão, é importante separar os assuntos que muitas vezes são misturados. A confusão normalmente acontece quando se coloca no mesmo bloco o arrebatamento da Igreja, a manifestação do Senhor Jesus em glória, o evangelho da graça, o evangelho do reino, as ressurreições e os diversos juízos. As Escrituras mostram que não estamos tratando de um único evento, mas de etapas diferentes no programa de Deus. O arrebatamento não é a mesma coisa que a vinda do Senhor Jesus à terra em glória. O primeiro é um mistério revelado no Novo Testamento, no qual o Senhor vem até os ares para receber os Seus; o segundo é a Sua manifestação pública, visível, em poder e grande glória, quando todo o olho O verá e Ele virá para julgar e estabelecer o Seu reino. Por isso, não é correto fazer de Mateus 24 o mesmo evento de 1 Tessalonicenses 4 e 1 Coríntios 15. A própria distinção é afirmada com clareza: o arrebatamento é para a Igreja, é iminente e ligado à esperança celestial; a manifestação em glória é precedida por sinais, está ligada a Israel e ao mundo, e culmina no reino milenar.

  1. O evangelho da graça e o evangelho do reino

Hoje, o que está sendo pregado é o evangelho da graça de Deus. Este está ligado ao período da Igreja, que começou historicamente no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio habitar na Igreja, formando o Corpo de Cristo. Todos os salvos desde o Pentecostes até o arrebatamento pertencem a esse Corpo. O foco presente é um povo celestial, unido a Cristo, aguardando ser levado para estar com Ele.

Depois do arrebatamento, o testemunho da Igreja na terra termina, mas Deus não deixará de operar. As Escrituras mostram que, após a retirada da Igreja, ainda haverá salvação na terra durante a tribulação. Nesses dias, será pregado o evangelho do reino. Mateus 24:14 fala disso claramente. Esse evangelho estará ligado à proximidade do reino do Messias e preparará pessoas para entrarem vivas no reino milenar na terra. Ainda assim, a salvação continuará sendo baseada na obra do Cordeiro, pois Apocalipse mostra claramente pessoas lavando suas vestes no sangue do Cordeiro. Ou seja, a base da salvação nunca muda: sempre é Cristo e Seu sacrifício. O que muda é o caráter da mensagem no programa dispensacional de Deus. Hoje o evangelho da graça chama um povo para Cristo e para a esperança celestial; naquele período, o evangelho do reino chamará pessoas ao arrependimento, em vista da vinda do Rei e do estabelecimento do reino na terra.

  1. Quem pregará depois do arrebatamento

Uma dúvida comum é esta: se a Igreja tiver sido arrebatada, quem vai pregar depois? A resposta apresentada nas Escrituras é que Deus selará servos Seus, especialmente os cento e quarenta e quatro mil de Apocalipse 7, provenientes de Israel. Eles estarão ligados a esse testemunho futuro e, juntamente com os que forem alcançados, a mensagem do reino será difundida pelo mundo. Assim, haverá um remanescente salvo na tribulação. Isso está em harmonia com Mateus 24:14 e com Apocalipse 7.

  1. Arrebatamento e manifestação em glória não são o mesmo evento

A diferença entre os dois pode ser resumida assim:

No arrebatamento, o Senhor vem para os Seus; na manifestação em glória, Ele vem com os Seus.

No arrebatamento, os santos O encontram nos ares; na manifestação em glória, Ele vem à terra.

No arrebatamento, há consolo para a Igreja; na manifestação em glória, há juízo sobre o mundo e preparação para o reino.

No arrebatamento, trata-se do cumprimento de um mistério revelado no Novo Testamento; na manifestação, trata-se do cumprimento de muitas profecias já anunciadas.

Além disso, entre o arrebatamento e a manifestação em glória há um intervalo. Isso é necessário porque, depois do arrebatamento, no céu ocorrem pelo menos o tribunal de Cristo e as bodas do Cordeiro. Esses acontecimentos mostram que não se trata de uma volta instantânea à terra no mesmo momento.

  1. Então haverá pessoas salvas depois do arrebatamento?

Sim. Haverá pessoas regeneradas e salvas após o arrebatamento. Não pertencerão à Igreja, porque a Igreja já terá completado o seu curso e sido levada ao céu. Serão salvos daquele período de tribulação, muitos deles por meio da pregação do evangelho do reino. Entre eles haverá judeus do remanescente fiel e também gentios alcançados nesse período. Alguns entrarão vivos no reino; outros morrerão como mártires na tribulação e serão ressuscitados mais adiante.

Portanto, à pergunta “então haverá um arrebatamento, junto com a ressurreição dos irmãos que dormem, e depois um ajuntamento de pessoas regeneradas após o arrebatamento?”, a resposta é: sim, mas é preciso distinguir bem os grupos. No arrebatamento, são ressuscitados os crentes da presente era e transformados os crentes vivos da Igreja. Depois, durante a tribulação, Deus salvará outras pessoas que não pertencem à Igreja, mas ao testemunho daquele tempo.

  1. As ressurreições

As Escrituras não apresentam uma única ressurreição geral para todos ao mesmo tempo. Há distinções.

Primeiro, no arrebatamento, ressuscitam os crentes da era da Igreja que dormiram em Cristo, e os crentes vivos são transformados. Isso é o que vemos em 1 Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:51-52. O arrebatamento inclui ressurreição e transformação.

Depois, no fim da tribulação e em conexão com a vinda do Senhor em glória, há ressurreição dos santos ligados àquele período, incluindo os mártires da tribulação. O plano da “ressurreição para a vida” tem etapas. Não é tudo no mesmo instante.

Por fim, depois do milênio, ocorre a ressurreição dos ímpios para comparecerem diante do grande trono branco. Essa é a ressurreição para juízo. Ela é distinta da ressurreição dos justos e ocorre mil anos depois.

  1. Os juízos nas Escrituras

Também aqui é necessário separar.

Há, em primeiro lugar, o juízo que caiu sobre o Senhor Jesus na cruz. Ali a questão do pecado do crente foi tratada de uma vez por todas. Romanos 8:1 e 2 Coríntios 5:21 mostram que a condenação do crente foi levada por Cristo. Por isso, o salvo nunca mais comparecerá para ser julgado quanto à sua salvação.

Há também o autojulgamento do crente nesta vida. O crente é chamado a examinar-se, julgar-se e andar em santidade diante de Deus. Além disso, existe o juízo governamental de Deus em Sua casa, isto é, Sua disciplina no presente sobre os Seus. Exemplos disso são citados no Novo Testamento.

Depois do arrebatamento, vem o tribunal de Cristo. Esse tribunal não é para decidir salvação ou perdição. Essa questão já foi resolvida pela fé em Cristo. O tribunal de Cristo é para avaliação de obras, serviço, fidelidade, motivos e galardão. O crente comparece ali como salvo, não como réu perdido.

Depois, durante a tribulação, há os juízos de Deus derramados sobre a terra, como vemos em Apocalipse 6 a 19. São juízos providenciais e depois mais intensos, preparando o cenário para a manifestação do Senhor em glória.

Quando o Senhor vier em glória, haverá juízo sobre as nações vivas, como em Mateus 25:31-46. Esse juízo não é o grande trono branco. Aqui o Senhor trata com pessoas vivas das nações, separando-as como ovelhas e bodes, em conexão com a Sua vinda para reinar.

Quanto a Israel, haverá também um juízo purificador e seletivo. Jeremias 30 fala do “tempo de angústia de Jacó”, e Ezequiel 20 mostra o Senhor tratando com Israel, separando os rebeldes do remanescente que entrará na bênção do reino. Portanto, há, sim, um juízo especial ligado ao povo judeu antes da plena restauração nacional.

Finalmente, depois do milênio, ocorre o juízo do grande trono branco. Ali comparecem os mortos ímpios. Esse juízo não é para a Igreja, nem para os salvos, nem para decidir quem talvez possa ainda ser salvo. É o juízo final dos perdidos, segundo suas obras, culminando no lago de fogo.

  1. Uma sequência simples para não confundir

Se quisermos colocar de forma bem simples, a ordem é esta:

Primeiro, vivemos hoje no período da Igreja, em que é pregado o evangelho da graça.

Depois, o próximo grande evento é o arrebatamento da Igreja, com ressurreição dos crentes que dormem em Cristo e transformação dos crentes vivos.

Em seguida, no céu, acontecem o tribunal de Cristo e as bodas do Cordeiro.

Enquanto isso, na terra ocorre a tribulação, com juízos divinos e a pregação do evangelho do reino, inclusive por meio do remanescente judeu selado.

Depois, o Senhor Jesus volta em glória à terra, com os Seus santos.

Então há juízo sobre as nações vivas e o trato purificador com Israel.

Em seguida, vem o reino milenar de Cristo.

No final do milênio, vem a ressurreição dos ímpios e o juízo do grande trono branco.

  1. Resposta direta à dúvida levantada

Portanto, não são “três eventos soltos” sem relação, mas uma sequência profética ordenada.

Sim, haverá o arrebatamento com a ressurreição dos crentes da Igreja.

Sim, depois do arrebatamento haverá pessoas salvas na terra, não como Igreja, mas como remanescente e convertidos do período da tribulação.

Sim, haverá outra ressurreição ligada aos santos desse período, antes do milênio.

E sim, a manifestação em glória não é o mesmo acontecimento do arrebatamento. Uma é a vinda do Senhor para buscar a Sua Igreja; a outra é a Sua revelação pública ao mundo para julgar e reinar.

Se desejar, depois eu posso transformar tudo isso numa resposta curta, pronta para enviar no grupo, em formato de mensagem.

Josué Matos