Alguém que me escreveu no YouTube:
Irmão, permita-me fazer uma observação sobre o que disse em seu vídeo. Os irmãos exclusivistas não afirmam que a fé dos pais seja suficiente para garantir a salvação dos filhos, mas que os filhos, ao serem batizados, são tirados do paganismo e inseridos no cristianismo, mas não que sejam salvos. Falo isso porque estive em comunhão com os irmãos exclusivistas e conversávamos muito sobre esse assunto. Paz seja contigo.
Minha Resposta:
Meu irmão, agradeço sinceramente pela sua observação e pelo esclarecimento. Considero importante fazer essa distinção, especialmente porque você esteve em comunhão com os chamados irmãos exclusivistas e conhece de perto aquilo que eles ensinam sobre esse assunto.
Portanto, aceito a correção quanto à maneira como apresentei essa posição no vídeo. Se dei a entender que eles ensinam diretamente que a fé dos pais é suficiente para garantir a salvação dos filhos, então essa afirmação precisa ser corrigida.
Entretanto, feita essa correção, permanece uma questão doutrinária ainda mais profunda: qual é, biblicamente, o significado de batizar uma criança que ainda não creu pessoalmente no Senhor Jesus Cristo?
Segundo aquilo que você explicou, eles não afirmam que a criança seja salva pelo batismo. O argumento seria que, pelo batismo, ela é retirada da esfera do paganismo e colocada exteriormente na esfera do cristianismo ou da cristandade.
É exatamente aqui que precisamos examinar a questão com mais cuidado, porque podemos mudar as palavras sem resolver o problema bíblico.
Se o batismo não salva, o que ele mudou espiritualmente na criança?
Creio que uma pergunta ajuda a levar esse ensino às suas consequências.
Suponhamos que uma criança seja batizada quando pequena, com base na fé de seus pais. Os anos passam, ela cresce, chega à idade em que pode compreender o Evangelho, arrepender-se e exercer pessoalmente fé no Senhor Jesus Cristo. Contudo, ela nunca o faz. Permanece sem conversão, sem novo nascimento e sem fé pessoal em Cristo e, nessa condição, parte para a eternidade.
Qual foi, então, o efeito daquele batismo sobre seu estado espiritual e sobre seu destino eterno?
Essa é a questão que considero decisiva.
Ela foi salva porque havia sido batizada?
Pelo esclarecimento apresentado, a resposta necessariamente deverá ser não, porque os próprios irmãos não atribuem ao batismo o poder de salvar.
Ela recebeu vida eterna por aquele batismo?
Não.
Foi justificada por aquele batismo?
Não.
Nasceu de novo por aquele batismo?
Não.
Foi reconciliada com Deus por aquele batismo?
Não.
Então, se chegou à idade de responsabilidade pessoal, ouviu ou teve condições de compreender o Evangelho, mas nunca creu pessoalmente em Cristo, que diferença aquele batismo realizado na infância produziu quanto à sua relação eterna com Deus?
Se não produziu diferença alguma, precisamos perguntar qual fundamento bíblico existe para afirmar que ele a retirou do paganismo e a colocou no cristianismo.
E, se alguém disser que aquele batismo produziu alguma diferença espiritual quanto ao seu destino eterno, então será necessário demonstrar nas Escrituras qual foi essa diferença. Nesse caso, já se estaria atribuindo ao batismo alguma eficácia espiritual sobre uma pessoa que jamais creu pessoalmente no Senhor Jesus.
Esse é precisamente o problema.
Isso é diferente da questão das crianças que morrem na primeira infância
Faço aqui uma distinção importante para que ninguém interprete erroneamente o argumento.
Não estou falando de uma criança que morre ainda pequena, sem ter chegado à capacidade de compreender o Evangelho e exercer pessoalmente a fé. Essa é outra questão.
Há boas razões bíblicas para entendermos que uma criança que parte deste mundo nessa condição está segura nas mãos de Deus. Quando o filho pequeno de Davi morreu, ele declarou:
“Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim” (Segundo Livro de Samuel 12:23).
Portanto, minha argumentação aqui não pretende afirmar que uma criança que morre antes de possuir capacidade de exercer fé pessoal esteja condenada por não ter crido.
A situação que estou propondo é diferente.
Uma criança foi batizada porque seus pais eram cristãos. Cresceu. Chegou à idade em que podia responder pessoalmente ao Evangelho. Entretanto, nunca se arrependeu nem creu pessoalmente no Senhor Jesus. Morreu nessa condição.
Nesse caso, não podemos recorrer à sua incapacidade infantil, porque ela já havia chegado à idade em que podia responder à mensagem do Evangelho.
A pergunta permanece: o batismo que recebeu na infância alterou seu destino eterno?
Se não alterou, então precisamos reconhecer que aquele batismo não lhe conferiu vida espiritual.
Se alterou, então precisamos perguntar onde a Escritura atribui ao batismo infantil semelhante eficácia.
“Introduzida na cristandade”, mas em que sentido?
Também precisamos definir cuidadosamente o significado dessa expressão.
Se significa simplesmente que a criança nasceu numa família cristã, é criada por pais cristãos, ouve a Bíblia, aprende sobre Cristo, frequenta reuniões cristãs e recebe influência do Evangelho, ela não precisa ser batizada para desfrutar desses privilégios.
Ela já os possui por ter nascido naquele lar.
Timóteo é um excelente exemplo:
“E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (Segunda Epístola a Timóteo 3:15).
Timóteo possuía desde a infância um enorme privilégio espiritual. Tinha uma avó temente a Deus e uma mãe temente a Deus (Segunda Epístola a Timóteo 1:5). Desde pequeno conhecia as Sagradas Escrituras.
Contudo, Paulo faz uma distinção muito importante. Conhecer as Escrituras desde criança poderia torná-lo “sábio para a salvação”, mas a salvação continuava sendo “pela fé que há em Cristo Jesus”.
Portanto, existe diferença entre privilégio familiar e salvação pessoal.
Uma criança criada num lar cristão encontra-se numa posição privilegiada quanto ao conhecimento da verdade. Mas não precisamos criar uma categoria batismal intermediária — alguém que não está salvo, mas teria sido retirado do paganismo e colocado no cristianismo mediante o batismo.
Precisamos perguntar onde o Novo Testamento ensina essa categoria.
O problema fundamental: o batismo é administrado com base na fé dos pais
Há outro aspecto muito importante.
A criança não pediu para ser batizada.
Ela não confessou Cristo.
Ela não declarou arrependimento.
Ela não exerceu fé pessoal.
Ela não compreendeu o significado de sua identificação com a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo.
Então, qual foi a base daquele batismo?
A fé e a decisão dos pais.
É verdade que os pais podem responder:
“Nossa fé não salva nosso filho.”
Concordamos.
Mas permanece o fato de que uma ordenança cristã foi aplicada ao filho porque os pais creram, e não porque o filho creu.
Portanto, mesmo que não se diga que a fé dos pais salvou a criança, é a fé dos pais que está servindo de fundamento para administrar à criança uma ordenança que, no Novo Testamento, está ligada à fé daquele que é batizado.
É precisamente aí que encontro a dificuldade.
Não encontramos nas Escrituras:
“Crê no Senhor Jesus Cristo e, com base na tua fé, batiza teus filhos.”
Encontramos:
“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra” (Atos dos Apóstolos 2:41).
Em Samaria:
“Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres” (Atos dos Apóstolos 8:12).
Em Corinto:
“E muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados” (Atos dos Apóstolos 18:8).
A sequência apresentada é muito clara:
ouvir → crer → ser batizado.
Não encontramos:
os pais creem → os filhos são batizados → são colocados na cristandade → posteriormente espera-se que eles venham a exercer fé pessoal.
O batismo bíblico pressupõe uma profissão pessoal
É importante observar ainda que não basta alguém passar pela água para que o ato tenha automaticamente o significado bíblico do batismo cristão.
Em Atos dos Apóstolos 8, Simão professou crer e foi batizado. Entretanto, posteriormente Pedro lhe disse:
“Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus” (Atos dos Apóstolos 8:21).
Isso demonstra, pelo menos, que o rito exterior não substitui a realidade interior.
A água não transforma uma profissão sem realidade em salvação.
No caso de uma criança pequena, existe uma questão ainda anterior: ela nem sequer está fazendo profissão de fé.
Não significa que a criança esteja mentindo ou fazendo uma falsa profissão. Significa simplesmente que não fez profissão alguma.
Por isso, o problema do batismo infantil não é simplesmente a idade cronológica. O problema é a ausência daquilo que biblicamente precede o batismo: recepção consciente do Evangelho e profissão pessoal de fé.
As famílias batizadas não demonstram batismo infantil
Frequentemente são mencionadas as famílias batizadas no livro de Atos dos Apóstolos.
No caso do carcereiro de Filipos, porém, lemos:
“E lhe pregaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa” (Atos dos Apóstolos 16:32).
Depois:
“E logo foi batizado, ele e todos os seus” (Atos dos Apóstolos 16:33).
Primeiro, portanto, a Palavra foi anunciada à casa.
Além disso, o versículo seguinte relaciona aquela casa com a alegria resultante da fé:
“E, levando-os a sua casa, lhes pôs a mesa; e, na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa” (Atos dos Apóstolos 16:34).
Não existe no texto qualquer informação de que havia bebês naquela família. Construir o batismo infantil sobre a possibilidade de existirem crianças pequenas nessas casas é acrescentar ao texto algo que ele não afirma.
O mesmo princípio aparece repetidamente: Palavra, fé e batismo.
Primeira Epístola aos Coríntios 7:14 não estabelece o batismo infantil
Outro texto que merece consideração é:
“Doutra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos” (Primeira Epístola aos Coríntios 7:14).
Mas Paulo não diz:
“Vossos filhos são santos porque foram batizados.”
A condição especial dos filhos aparece em razão da relação familiar tratada no contexto, não como resultado do batismo.
Isso é muito importante.
Se alguém deseja chamar essa condição de uma posição exterior privilegiada dos filhos de crentes, então o próprio texto demonstra que eles já possuem esse privilégio sem batismo.
Nesse caso, novamente surge a pergunta: por que precisamos do batismo para retirá-los do paganismo e introduzi-los numa esfera privilegiada, se Paulo reconhece uma posição peculiar dos filhos de um crente sem mencionar qualquer batismo?
O batismo não substituiu a circuncisão de Israel
Outro argumento comum é relacionar diretamente a circuncisão de Israel ao batismo cristão.
Entretanto, Israel e a Igreja não são constituídos segundo o mesmo princípio.
Um israelita nascia fisicamente dentro daquela nação. A circuncisão estava relacionada à descendência natural e às promessas dadas àquela nação.
Mas ninguém nasce fisicamente dentro da Igreja.
O Evangelho segundo João estabelece claramente:
“Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Evangelho segundo João 1:12-13).
A expressão “não nasceram do sangue” é especialmente importante.
Pais cristãos não geram filhos cristãos espiritualmente.
A vida eterna não é hereditária.
A fé não é hereditária.
O novo nascimento não é hereditário.
A pertença ao Corpo de Cristo não é hereditária.
Por isso, não podemos transportar para a Igreja um princípio genealógico pertencente a Israel.
O significado do próprio batismo aponta para uma realidade espiritual
Epístola aos Romanos 6 apresenta o significado do batismo:
“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Epístola aos Romanos 6:4).
O batismo fala de identificação com Cristo em Sua morte, sepultamento e ressurreição.
Ele não foi estabelecido para transformar uma criança num membro exterior da cristandade enquanto se aguarda para saber se, no futuro, ela realmente crerá em Cristo.
O batismo não torna alguém cristão; ele é o testemunho daquele que professa pertencer a Cristo.
O batismo não comunica vida eterna:
“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (Evangelho segundo João 3:36).
O batismo não substitui o novo nascimento:
“Necessário vos é nascer de novo” (Evangelho segundo João 3:7).
O batismo não substitui a fé:
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).
A semelhança prática com o batismo infantil católico
Aqui aparece também outra dificuldade.
Se batizamos uma criança sem fé pessoal com a finalidade de colocá-la exteriormente dentro da cristandade, acabamos realizando um ato muito semelhante, na sua forma básica, ao batismo infantil praticado pelo catolicismo.
Evidentemente, existem diferenças doutrinárias importantes. Não seria correto afirmar que os irmãos exclusivistas necessariamente atribuem ao batismo a mesma eficácia sacramental que a doutrina católica lhe atribui.
Mas permanece uma semelhança fundamental: uma ordenança é administrada a uma criança que não exerceu fé pessoal.
E a dificuldade torna-se ainda maior se posteriormente for considerado válido até mesmo o batismo católico recebido na infância quando aquela pessoa, anos depois, realmente se converte.
Nesse caso precisamos perguntar:
Como pode uma cerimônia realizada antes da fé tornar-se, retroativamente, o batismo de alguém que posteriormente creu?
O batismo recebido quando a pessoa não possuía fé não pode adquirir posteriormente a fé que estava ausente no momento em que foi realizado.
A fé posterior não pode ser transportada retrospectivamente para a infância.
Atos dos Apóstolos 19 apresenta um princípio importante
Em Atos dos Apóstolos 19:1-5, Paulo encontrou homens que haviam recebido anteriormente o batismo de João.
Depois de receberem esclarecimento acerca do Senhor Jesus:
“E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus” (Atos dos Apóstolos 19:5).
Isso apresenta um princípio importante.
A verdade compreendida posteriormente não transformou automaticamente o ato anterior em algo diferente daquilo que ele representava quando foi realizado.
Portanto, se uma pessoa recebeu uma cerimônia batismal quando criança, sem fé pessoal em Cristo, sua conversão aos quinze, vinte, trinta ou cinquenta anos não pode voltar no tempo e colocar fé pessoal dentro daquele ato praticado na infância.
O padrão bíblico continua sendo que o batismo cristão acompanha a fé daquele que é batizado.
Voltemos à pergunta que realmente testa essa doutrina
Talvez a maneira mais simples de verificar as consequências dessa posição seja apresentar um caso concreto.
Um casal cristão tem um filho.
A criança é batizada porque seus pais creem.
Diz-se que ela foi retirada do paganismo e colocada na cristandade.
Ela cresce.
Aos dez, quinze, vinte anos ou mais, possui plena capacidade de compreender o Evangelho.
Entretanto, nunca se arrepende.
Nunca recebe pessoalmente o Senhor Jesus.
Nunca nasce de novo.
Nunca exerce fé salvadora em Cristo.
E morre nessa condição.
Pergunto:
Aquele batismo infantil modificou seu destino eterno?
Se a resposta for “sim”, então o batismo recebeu alguma eficácia espiritual independente da fé pessoal, e precisamos encontrar nas Escrituras onde Deus prometeu isso.
Se a resposta for “não”, então precisamos perguntar qual foi o significado espiritual real de dizer que o batismo a “retirou do paganismo e a colocou na cristandade”.
Porque, quanto à questão fundamental da relação daquela pessoa com Deus, permaneceu necessária a mesma coisa que seria necessária se ela jamais tivesse recebido aquele batismo:
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).
É justamente aí que aparece a inconsistência.
Não estamos discutindo aqui o destino eterno de bebês ou crianças que morrem antes de possuírem capacidade de responder pessoalmente ao Evangelho. Estamos falando de alguém que recebeu o batismo infantil, cresceu, tornou-se pessoalmente responsável diante da mensagem do Evangelho, mas nunca creu.
O batismo recebido dos pais não pode ocupar o lugar da fé que aquela pessoa jamais exerceu.
A fé dos pais tem enorme importância, mas não pode substituir a fé do filho
A fé dos pais é preciosa.
Pais cristãos devem ensinar seus filhos:
“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos” (Deuteronômio 6:6-7).
Devem criá-los:
“Na doutrina e admoestação do Senhor” (Epístola aos Efésios 6:4).
Devem orar por eles, ensinar-lhes as Escrituras e apresentar-lhes continuamente a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo.
Mas existe algo que nenhum pai cristão pode fazer pelo filho: crer em seu lugar.
Os pais podem ensinar o Evangelho aos filhos, mas não podem arrepender-se pelos filhos.
Podem orar pelos filhos, mas não podem nascer de novo pelos filhos.
Podem levar os filhos às reuniões cristãs, mas não podem convertê-los.
Podem transmitir-lhes conhecimento bíblico, mas não podem transmitir-lhes vida eterna biologicamente.
Da mesma forma, sua fé não pode servir de substituto para a fé pessoal que, no padrão do Novo Testamento, precede o batismo.
Portanto, reconheço a correção, mas permanece a divergência bíblica
Meu irmão, agradeço novamente sua observação. É importante representar corretamente aquilo que outros irmãos realmente ensinam.
Portanto, faço a correção: se esses irmãos não ensinam que a fé dos pais salva os filhos e não ensinam que o batismo infantil salva a criança, não devemos afirmar que eles ensinam isso.
Contudo, isso não resolve a questão bíblica.
Pelo contrário, leva-nos à pergunta principal:
Se a fé dos pais não salva o filho e o batismo não salva o filho, com que autoridade bíblica a fé dos pais é utilizada como base para administrar ao filho uma ordenança que, no Novo Testamento, acompanha a fé pessoal daquele que é batizado?
E onde encontramos no Novo Testamento a doutrina de que esse batismo retira uma criança do paganismo e a introduz na cristandade?
Não basta dar um nome a essa posição. É necessário demonstrá-la pelas Escrituras.
Quando examinamos os exemplos apostólicos, encontramos repetidamente:
“foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra” (Atos dos Apóstolos 2:41);
“como cressem... se batizavam” (Atos dos Apóstolos 8:12);
o eunuco ouviu acerca de Jesus e então pediu o batismo (Atos dos Apóstolos 8:35-38);
Cornélio e os seus ouviram a Palavra e então foram batizados (Atos dos Apóstolos 10:44-48);
a Palavra foi anunciada ao carcereiro e à sua casa e então veio o batismo (Atos dos Apóstolos 16:31-34);
“muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados” (Atos dos Apóstolos 18:8).
O padrão é claro:
Evangelho → recepção da Palavra → fé pessoal → batismo.
Não:
fé dos pais → batismo dos filhos → entrada na cristandade → fé pessoal talvez muitos anos depois.
É por isso que considero que a questão não pode ser resolvida simplesmente dizendo que “o batismo não salva; apenas introduz na cristandade”. A própria ideia de introduzir pelo batismo alguém que ainda não creu numa posição cristã precisa de fundamento apostólico.
O batismo bíblico não é uma antecipação da fé futura.
Não é uma extensão da fé dos pais sobre os filhos.
Não é uma cerimônia que recebe posteriormente seu significado quando a pessoa finalmente se converte.
É o testemunho daquele que pessoalmente recebeu o Evangelho e professa pertencer ao Senhor Jesus Cristo.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Epístola aos Efésios 2:8-9).
Portanto, agradeço pela correção e pelo espírito respeitoso com que apresentou sua observação. É sempre proveitoso corrigirmos uma descrição quando ela não representa exatamente aquilo que outros irmãos ensinam. Mas, depois dessa correção, permanece intacta a necessidade de examinar o ensino à luz das Escrituras. E é nesse ponto que continuo não encontrando fundamento no Novo Testamento para o batismo infantil, seja ele apresentado como meio de salvação, seja apresentado apenas como meio de introduzir uma criança na cristandade.
Paz seja contigo também.