Este texto é baseado numa mensagem dada por um irmão (John Gillespie) da Escócia numa conferência em Belfast, Irlanda do Norte.
A passagem lida: Marcos 11:1-11
Muitas vezes, quando lemos esta passagem, falamos na supremacia de Cristo, mas eu quero pensar um pouco na serventia deste jumentinho.
Cristo não está sentado num cavalo de guerra aqui. O cavalo branco de Apocalipse 19 fala da grandeza do nosso Senhor, quando Ele vier aqui reinar, tomando as rédeas do governo terrestre, num dia futuro. Mas que ele está fazendo uso de um jumentinho. Lindo, não é? Nesta passagem não há armas de guerra. E podemos ver aqui o Senhor começando sua última semana em humildade, antes de se tornar o sacrifício por nós.
O Senhor Jesus está prestes a morrer sobre a cruz, mas eu quero pensar no serviço do jumentinho, e eu tenho em mente lições que podem servir para crentes jovens.
1- O serviço do jumentinho achado na encruzilhada.
A primeira lição que podemos pensar é que ele estava “entre dois caminhos”. Lembrem-se da passagem de Atos 27, que descreve um dos naufrágios de Paulo, “num lugar entre dois mares”, e em Filipenses 1, Paulo dizia estar num dilema em relação a se seria melhor continuar vivendo para servir a Deus ou partir e estar com Deus.
Aqui está este jumentinho numa situação como esta: numa encruzilhada. Eu creio, meus caros irmãos, que há muitos jovens nesta situação hoje. Eu gostaria que pensassem nisto. E estamos orando por eles. Sabemos que estão nesta encruzilhada.
Eu gostaria de sugerir que há placas indicativas ali. Uma delas aponta para uma descida até Jericó, a outra, para uma subida até Jerusalém.
Eu quero dizer aos crentes jovens que devem fazer uma escolha. Vivemos em uma era muito sombria, e há serviço que podemos fazer para nosso bendito Senhor Jesus: levá-lo a Jerusalém, a cidade do grande rei.
2- Um jumentinho, o potro de uma jumenta, atado e não domado.
Outro detalhe que vemos ao analisarmos esta passagem, é que ele estava atado e não tinha sido domado. Não havia uma carga sobre ele.
Eu gostaria de lembrar nossos jovens amigos do serviço da bezerra ruiva, de que nós lemos em Números 19. Ela pôde ser usada para Deus porque ainda “sobre a qual não subiu jugo”. Eu poderia dizer, neste contexto, que Deus, o Senhor Jesus, o Espírito Santo, os crentes, a igreja, nossa congregação, não precisam das sobras da nossa vida. Mas o Senhor Jesus nos quer agora, neste momento da nossa vida.
Deram-se conta disto? O Senhor nos quer, mesmo que estejamos amarrados e não domados. Isto é uma coisa maravilhosa, em pensar que Cristo pode se utilizar de um jumentinho que está amarrado e não domado.
Eu ouvi falar uma vez de uma situação, uma vez, em que um jóquei profissional, foi à uma reunião, e enquanto ouvia falar nesta passagem e da grandeza do Senhor Jesus, tomando controle deste animal que ainda não era domado, ele dizia: “Que mãos! Que mãos!”
Eu gostaria de dizer para crentes jovens hoje: lembrem-se de que o Senhor Jesus tem serviço para nós. Eu gostaria que ouvissem a voz de Cristo. Cristo, na sua supremacia, e seus direitos sobre nós, em relação à redenção.
3- Agora outra coisa: requisitado por Cristo.
Eu acho isto maravilhoso, e eu chamo a atenção dos jovens crentes, para a frase no versículo 3: “o Senhor precisa dele.”
Cantamos em um de nossos hinos: “Preciso de Jesus...” e isto é verdade, não há êxito na vida espiritual sem dependência no Senhor Jesus. E eu espero que cada um sinta em seu coração de que precisamos de Cristo.
Mas quero chamar a atenção para o outro lado da moeda nesta questão: o Senhor precisa de nós também, “o Senhor precisa dele.”
E eu queria convidar os crentes jovens a colocarem-se sobre o altar e a estarem disponíveis ao Senhor Jesus, e de uma maneira renovada, renderem-se a Ele, para que possam levá-lo à Jerusalém.
Em relação à entrada triunfal do Senhor Jesus em Jerusalém, eu digo aos meus amigos jovens cristãos: somos todos jumentos. Por natureza, nós somos como Ismael: jumentos selvagens. Mas pensem no que Cristo pode fazer por nós e através de nós. O que pensam disto?
4- Então nós vemos que o jumentinho foi solto por dois discípulos.
Isto é bonito. Podemos pensar nisto. “Soltai-o e trazei-mo”. Solto por dois discípulos. Eu acho que reuniões de ministério (ou ensinamentos escritos) podem fazer isto por nós, não é?
Numa conferência, ou numa reunião (ou num texto, que pode tocar o nosso coração) podemos pensar em Êxodo: “Deixe meu filho ir, para que me sirva”, e podemos nos lembrar do que o Senhor disse quando ressuscitou Lázaro, em João, capítulo 11: “Desligai-o e deixai-o ir”, “Leve-o adiante”. Eu entendo que é isto que Paulo está fazendo com o “jovem potrinho”, na segunda carta a Timóteo. Aqui estava um homem atado, e Paulo diz a Timóteo, animando-o ao serviço de Deus ainda jovem. Deus não nos deu o espírito de escravidão, ou de temor. Muitas vezes nos encontramos amarrados.
Eu creio que, numa reunião como esta (ou num texto como este) o Senhor está aqui para nos ajudar. Liberdade para O servir, nesta maneira tão bela.
5- Por fim, notemos que o jumentinho estava acompanhado por sua mãe.
A mãe é a protetora do jumentinho. Eu digo para os jovens crentes: nenhum mal nos virá na companhia de crentes mais velhos e mais espirituais.
Agora eu deixo esta sugestão, do tópico da passagem convosco, e peço, acima de tudo o que dissemos, que Deus abençoe a cada um de nós com a Sua palavra, para a Sua honra e glória.