Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Bom dia, irmão.
Algumas atividades estão muito intensas há algum tempo e isso tem me chamado muito a atenção. Me parece um reflexo espiritual. Comigo está totalmente ao contrário! Parece que eu é que estou no caminho errado… Quando vou ao supermercado, fico impressionado com a quantidade de alimentos que as pessoas põem no carrinho, independentemente da classe social, sempre lotado. Eu compro somente o necessário! Como trabalho na área comercial, vejo uma atividade intensa de compra e venda, muitas pessoas compram um imóvel e, pouco tempo depois, mudam para outro, isso também se estende para outras coisas. Tudo isso em meio ao país ruindo pela corrupção.
A passagem abaixo parece refletir muito o que está acontecendo hoje.
É correto? Esse trecho refere-se aos nossos dias?
“O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar.” (Lucas 17:28-30)
Minha Resposta:
Bom dia, irmão.
A sua observação é muito pertinente, e a passagem que citou realmente ajuda a compreender o espírito de muitos períodos da história humana. O Senhor Jesus disse:
“O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar.” (Lucas 17:28-30)
Primeiramente, é importante notar o ponto principal que o Senhor Jesus quis destacar. Ele não estava dizendo que comer, beber, comprar ou vender sejam pecados em si mesmos. Todas essas coisas fazem parte da vida normal da humanidade. O problema está em viver completamente absorvido pelas coisas desta vida, ignorando Deus e desprezando o aviso divino.
Foi exatamente isso que aconteceu em duas épocas que o Senhor mencionou: os dias de Noé e os dias de Ló. As pessoas viviam suas rotinas normalmente, ocupadas com a vida material, sem perceber que estavam à beira do juízo. O grande erro delas não foi a atividade diária, mas a indiferença espiritual.
Em Gênesis 19 vemos que Sodoma havia chegado a um estado moral e espiritual extremamente degradado. Contudo, mesmo assim, os seus habitantes continuavam vivendo normalmente, sem imaginar que o juízo de Deus estava tão próximo. A mesma ideia aparece em Mateus 24:38-39:
“Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não o perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos.”
Observe a expressão: “não o perceberam”. A vida seguia aparentemente normal.
Portanto, a passagem de Lucas 17 não descreve apenas uma época específica da história, mas um padrão que se repete muitas vezes. Sempre que a humanidade se afasta de Deus, o coração se volta totalmente para o material, para o consumo, para os negócios e para os prazeres da vida presente.
O que você percebe hoje — consumo exagerado, correria por dinheiro, troca constante de bens, uma sociedade absorvida pelo material — realmente lembra esse espírito de distração espiritual.
O apóstolo Paulo também descreveu algo semelhante ao falar do caráter dos últimos tempos:
“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos…” (2 Timóteo 3:1-2)
E em outra passagem ele disse:
“Os que querem ser ricos caem em tentação e em laço…” (1 Timóteo 6:9)
Isso mostra que uma sociedade dominada pelo materialismo é frequentemente um sinal de decadência moral e espiritual.
Contudo, há um ponto importante que talvez possa trazer paz ao seu coração. O fato de você perceber essas coisas e se preocupar com elas não significa que você esteja no caminho errado. Muitas vezes acontece exatamente o contrário. Quando alguém anda com Deus, passa a enxergar com mais clareza o vazio espiritual do mundo.
A Bíblia diz:
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há.” (1 João 2:15)
E também:
“Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele.” (1 Timóteo 6:7)
O crente que vive com essa consciência naturalmente se sente diferente da mentalidade dominante da sociedade.
Portanto, aquilo que você está percebendo pode ser simplesmente o contraste entre duas maneiras de viver:
uma vida centrada nas coisas temporais e outra vida que procura viver com os olhos voltados para Deus.
O Senhor Jesus terminou esse ensino dizendo que tudo isso acontecerá “no dia em que o Filho do Homem se manifestar”. Ou seja, a humanidade continuará ocupada com seus interesses terrenos até o momento em que o juízo de Deus se tornará repentinamente visível.
Por isso a Palavra de Deus sempre chama os crentes à vigilância:
“Portanto, vigiai, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.” (Mateus 24:42)
E também:
“Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite.” (2 Pedro 3:10)
Assim, o importante não é medir nossa vida comparando-nos com o ritmo da sociedade, mas examinar se estamos andando em comunhão com o Senhor.
Às vezes, quando o mundo está correndo atrás de tudo, o crente é chamado a viver de maneira mais simples, mais sóbria e mais dependente de Deus.
Isso não é sinal de que você está no caminho errado. Muitas vezes é exatamente o contrário.
Forte abraço, irmão.