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A forma de agir do Espírito Santo será diferente após o Arrebatamento?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa tarde, irmão. Num vídeo que você postou hoje referente ao Espírito Santo na tribulação, gostaria de perguntar: a forma de agir do Espírito Santo será diferente? É por isso que “levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (Mateus 24:11)? A “operação do erro” já ocorre nos nossos dias e será intensificada após o arrebatamento, ou ainda não iniciou? Pergunto isso porque vejo muitos amigos e parentes dando crédito a palavras desconexas apenas porque alguém se intitula pastor, apóstolo, profeta ou missionário.

Minha Resposta:

Tenho um livro que trata profundamente sobre o Espírito Santo: https://a.co/d/06v4vPKE

Boa tarde, querido irmão. Sua pergunta é muito pertinente, porque a Palavra de Deus realmente fala tanto do engano presente nos últimos dias quanto de uma intensificação desse engano no futuro.

Primeiramente, precisamos entender que o Espírito Santo sempre esteve ativo no mundo desde a criação. Ele agia no Antigo Testamento, continua agindo hoje e também estará ativo durante o período da tribulação. Entretanto, a forma de sua atuação varia de acordo com os propósitos de Deus em cada dispensação. Hoje, por exemplo, o Espírito Santo habita na Igreja como Corpo de Cristo, formando e preservando esse corpo espiritual. Isso é algo característico do período atual. O apóstolo Paulo explica que os crentes são “santuário de Deus” e que “o Espírito de Deus habita em vós” (1 Coríntios 3:16).

Quando ocorrer o arrebatamento da Igreja, essa presença coletiva do Espírito Santo na Igreja cessará, porque a Igreja terá sido levada para estar com o Senhor. Contudo, isso não significa que o Espírito Santo deixará de agir completamente na terra. Durante a tribulação ainda haverá pessoas que crerão em Deus e serão salvas, e isso só é possível pela obra do Espírito de Deus convencendo o pecador e aplicando a Palavra ao coração. Em João 16:8 está escrito que o Espírito Santo convence “do pecado, da justiça e do juízo”.

Agora, quanto ao engano espiritual, a Bíblia mostra claramente que ele já está presente hoje e continuará aumentando. O apóstolo Paulo escreveu: “o mistério da injustiça já opera” (2 Tessalonicenses 2:7). Isso significa que a força do erro e da apostasia já estava em ação nos dias apostólicos. Esse engano se manifesta através de falsos mestres, falsos profetas e sistemas religiosos que misturam verdade com erro.

Porém, após o arrebatamento da Igreja, esse processo atingirá um nível muito mais intenso. A Escritura diz que Deus permitirá uma ação judicial sobre aqueles que rejeitaram deliberadamente a verdade do evangelho. Assim está escrito: “Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na injustiça” (2 Tessalonicenses 2:11-12).

Observe que esse texto não fala de pessoas que nunca ouviram a verdade, mas daqueles que a rejeitaram. Durante a presente dispensação da graça, Deus chama os homens ao arrependimento através do evangelho. Mas aqueles que persistentemente rejeitam essa luz podem, no futuro período de juízo, ser entregues a um engano ainda maior.

Isso explica também as palavras do Senhor em Mateus 24:11: “levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos”. Durante a tribulação haverá uma explosão de engano religioso. A própria Bíblia fala do falso profeta e do sistema enganador que acompanhará o Anticristo. Será um tempo em que o engano espiritual atingirá níveis jamais vistos.

Contudo, é importante notar que o princípio desse engano já está presente hoje. O apóstolo João escreveu: “já agora muitos anticristos se têm feito” (1 João 2:18). Isso mostra que o espírito de engano, de falsa doutrina e de falsa autoridade religiosa já opera no mundo há muito tempo.

Por isso, o que você observa — pessoas seguindo qualquer um que se autoproclama pastor, apóstolo ou profeta — é, de certa forma, um reflexo desse ambiente espiritual de confusão. Quando a Palavra de Deus deixa de ser o padrão absoluto, as pessoas passam a seguir títulos, personalidades e emoções.

A Escritura alerta sobre isso: “virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” (2 Timóteo 4:3).

Portanto, podemos resumir da seguinte forma:

  1. O engano espiritual já está presente no mundo hoje.

  2. O “mistério da injustiça” já está operando desde os dias apostólicos.

  3. Após o arrebatamento, esse engano será muito mais intenso.

  4. A chamada “operação do erro” será um juízo de Deus sobre aqueles que rejeitaram a verdade.

  5. Mesmo durante a tribulação, o Espírito Santo continuará atuando para salvar aqueles que crerem.

Diante disso, a proteção do crente é permanecer firme na Palavra de Deus. O Senhor Jesus disse: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17). Quanto mais alguém conhece as Escrituras, menos será enganado por falsos mestres.

A confusão religiosa dos nossos dias não deve surpreender o crente. Pelo contrário, ela confirma exatamente aquilo que a Palavra de Deus já havia anunciado.

Josué Matos

Se estamos em um corpo corruptível e em nós não habita bem algum, como entender versículos como 1 João 5:18?

Alguém me escreveu no WhatsApp:

A paz, presbítero. Se estamos em um corpo corruptível e em nós não habita bem algum, como entender versículos como 1 João 5:18? Pecamos todos os dias, uns mais e outros menos.

Minha Resposta:

A dificuldade nessa passagem surge porque, à primeira vista, parece haver uma contradição entre duas verdades ensinadas na própria epístola de João. Por um lado, o apóstolo afirma claramente:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.” (1 João 1:8)

E também:

“Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso.” (1 João 1:10)

Portanto, João não está ensinando que o crente se torna uma pessoa absolutamente incapaz de pecar. Pelo contrário, ele reconhece que ainda existe pecado na vida do crente. Tanto é assim que escreve:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” (1 João 2:1)

Assim, a própria epístola deixa claro que o crente ainda pode pecar.

Então, como entender 1 João 5:18?

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.”

A chave para compreender este versículo está na nova natureza que o crente recebe no novo nascimento. Quando uma pessoa crê no Senhor Jesus Cristo, Deus comunica uma nova vida. Essa nova vida é santa, divina e incompatível com o pecado.

A Escritura ensina que existem duas realidades no crente:

  1. A velha natureza (a carne)

  2. A nova natureza (a vida que vem de Deus)

O apóstolo Paulo descreve isso claramente:

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.” (Romanos 7:18)

Aqui está exatamente o ponto mencionado em sua pergunta: na carne realmente não habita bem algum.

Mas ao mesmo tempo o crente recebeu uma nova vida de Deus. Essa vida não tem ligação com o pecado. Ela é caracterizada pela justiça e pela santidade. A nova natureza não peca porque procede de Deus.

Por isso João pode afirmar que aquele que é nascido de Deus “não peca”. Ele está falando da natureza que vem de Deus.

Em outras palavras, João não está dizendo que o crente nunca comete atos de pecado, mas que a vida divina que ele recebeu não vive na prática do pecado, nem tem o pecado como seu caráter.

Esse é o mesmo pensamento expresso em outro versículo da mesma epístola:

“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” (1 João 3:9)

A “semente” mencionada ali é a vida divina implantada no crente. Essa vida é santa e não pode produzir pecado.

Contudo, enquanto o crente ainda vive neste corpo, existe um conflito entre a carne e o Espírito. Paulo descreve esse conflito assim:

“Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro.” (Gálatas 5:17)

Portanto, o crente pode pecar quando anda segundo a carne. Mas isso não é o caráter da nova vida que ele recebeu de Deus.

Por isso João acrescenta ainda no versículo:

“...o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.”

Isso mostra duas coisas importantes:

Primeiro, o crente possui uma nova vida que o preserva do domínio do pecado.

Segundo, o maligno não pode dominar essa vida que procede de Deus.

O diabo pode tentar, acusar e perturbar, mas não pode destruir a vida divina que Deus implantou no crente.

Assim, 1 João 5:18 não ensina perfeição sem pecado na vida presente, mas ensina que a nova vida recebida no novo nascimento não vive no pecado como estilo de vida.

O verdadeiro nascido de Deus pode cair, pode falhar, pode pecar — mas não permanece no pecado, não vive no pecado e não tem o pecado como prática habitual.

Isso distingue o verdadeiro crente do mundo. João conclui dizendo:

“Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno.” (1 João 5:19)

Portanto, a presença ocasional de pecado na vida do crente não nega o novo nascimento; o que a Palavra de Deus ensina é que aquele que realmente nasceu de Deus não vive na prática contínua e deliberada do pecado, pois a vida de Deus nele produz um novo caráter e um novo caminho.

Josué Matos

Uma filha no Senhor pode ir a um restaurante público de camisola interior para almoçar com amigos?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, amado irmão. 

Graça e paz do nosso amado Senhor Jesus Cristo. 

Irmão Josué, estou aqui com uma dúvida: uma filha no Senhor pode ir a um restaurante público de camisola interior para almoçar com amigos?

Embora não esteja nada transparente?

Desculpe a minha dúvida.  

Acho que não deve, porque um crente não deve dar nas vistas aos olhos do mundo. 

Obrigada, irmão, e desculpe.

Desejo um dia abençoado 

Um abraço.

Obs. Tenham em mente que a expressão "camisola interior" é no contexto de Portugal.

Minha Resposta:

Bom dia, querida irmã.

Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

A sua pergunta é muito importante, porque trata de um princípio que aparece diversas vezes nas Escrituras: o comportamento do crente diante do mundo e o testemunho que ele apresenta.

Antes de tudo, é importante lembrar que a Palavra de Deus não estabelece uma lista detalhada de roupas específicas que o crente pode ou não usar. No entanto, ela apresenta princípios claros que devem orientar a conduta do cristão.

Um desses princípios é o da modéstia e do recato. O apóstolo Paulo escreveu:

“Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia...” (1 Timóteo 2:9).

A ideia aqui não é apenas a roupa em si, mas a atitude do coração que deseja honrar a Deus também na aparência exterior. A modéstia bíblica procura evitar tudo aquilo que chama atenção indevida ou que possa despertar pensamentos impróprios.

Outro princípio é o do testemunho diante do mundo. O crente vive neste mundo, mas é chamado a refletir um caráter diferente. O Senhor Jesus disse que os Seus discípulos são “a luz do mundo” (Mateus 5:14). Isso significa que a maneira como nos vestimos, falamos e nos comportamos comunica algo às pessoas que nos observam.

O apóstolo Pedro também escreveu:

“Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1 Pedro 1:15).

Observe que ele não limita a santidade a reuniões ou momentos religiosos, mas a “toda a maneira de viver”, ou seja, também às situações comuns do dia a dia, como sair, trabalhar, ou ir a um restaurante.

Há ainda outro princípio muito importante: evitar ser pedra de tropeço para outros. Em Romanos 14:13 lemos:

“Não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão.”

E em 1 Coríntios 10:31-32 está escrito:

“Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo.”

Isso significa que o crente não deve apenas perguntar se algo é permitido, mas se aquilo glorifica a Deus e se preserva um bom testemunho.

Assim, quanto à sua pergunta específica: ir a um restaurante usando apenas uma camisola interior (mesmo que não seja transparente) normalmente não corresponde ao princípio de modéstia que a Escritura recomenda. Esse tipo de vestimenta costuma ser considerado roupa íntima ou muito informal, e pode facilmente chamar atenção desnecessária.

Por isso, muitos crentes entendem que é mais sábio escolher roupas simples, discretas e adequadas para ambientes públicos. O objetivo não é criar regras humanas, mas demonstrar um espírito de sobriedade e bom testemunho.

Ao mesmo tempo, também é importante manter equilíbrio. A vida cristã não se baseia em regulamentos externos, mas em um coração que deseja agradar ao Senhor. Quando o amor por Cristo governa o coração, naturalmente o crente procura aquilo que honra a Deus.

Paulo resume esse princípio dizendo:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas edificam.” (1 Coríntios 10:23)

Portanto, a pergunta que cada crente deve fazer é:
Isto convém a alguém que pertence ao Senhor Jesus?
Isto honra a Deus e preserva o testemunho cristão?

A sua preocupação mostra exatamente esse desejo de agradar ao Senhor, e isso é algo muito precioso.

Que o Senhor continue a nos dar discernimento em todas as áreas da vida, para que o nosso comportamento seja digno do evangelho de Cristo (Filipenses 1:27).

Um grande abraço em Cristo. Que o Senhor a abençoe ricamente.

Josué Matos

Bem interessante a mensagem de hoje (11/03/26) sobre os "filhos de Deus".

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, irmão Josué.

Bem interessante a mensagem de hoje (11/03/26) sobre os "filhos de Deus".

Li rapidamente a minha Bíblia Septuaginta em português. E, salvo melhor juízo, você está certo.

Veja o texto da Septuaginta anexo.

Minha Resposta:

Bom dia, irmão.

Agradeço muito por ter dedicado tempo para verificar o texto na Septuaginta e por ter compartilhado essa observação comigo. Fico contente em saber que o irmão foi conferir diretamente no texto, pois isso demonstra o cuidado que devemos ter ao examinar as Escrituras.

De fato, a Septuaginta apresenta uma tradução que, à primeira vista, pode levar o leitor a pensar em seres angelicais naquele trecho de Gênesis. Isso acontece porque os tradutores gregos, ao lidarem com a expressão hebraica original, optaram por uma forma que reflete uma interpretação já existente entre alguns judeus daquele período. Entretanto, é importante lembrar que a Septuaginta é uma tradução — antiga e valiosa, sem dúvida — mas ainda assim uma tradução interpretativa do texto hebraico.

No texto hebraico de Gênesis 6:2 aparece a expressão “bene haElohim”, literalmente “filhos de Deus”. Essa mesma expressão é usada em diferentes contextos no Antigo Testamento e nem sempre se refere a anjos. O ponto essencial da interpretação deve considerar não apenas a expressão isolada, mas todo o contexto bíblico e a linha geral da revelação.

Observando o desenvolvimento do texto em Gênesis, percebemos que o capítulo anterior apresenta duas linhagens distintas: a descendência de Caim e a descendência de Sete. Em Gênesis 4 vemos a linha marcada pelo afastamento de Deus; já em Gênesis 4:26 lemos que “então se começou a invocar o nome do Senhor”. Essa observação prepara o leitor para entender que havia um testemunho daqueles que buscavam a Deus.

Assim, quando chegamos a Gênesis 6, a narrativa mostra a mistura dessas duas esferas: homens que tinham algum vínculo com o testemunho de Deus passaram a se unir indiscriminadamente com as “filhas dos homens”, expressão que indica o ambiente humano corrompido que se afastara de Deus. O resultado foi a completa degeneração moral da sociedade, culminando na declaração divina: “Viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra” (Gênesis 6:5).

Há também um ponto importante: o julgamento que segue no texto recai sobre a humanidade. O dilúvio vem por causa da corrupção do homem, não por causa de anjos. O texto afirma claramente: “O meu Espírito não contenderá para sempre com o homem” (Gênesis 6:3). Isso mostra que a responsabilidade moral apresentada ali é humana.

Outro detalhe relevante é que o Senhor Jesus, ao falar dos anjos, declarou que eles “não casam nem se dão em casamento” (Mateus 22:30). Isso torna difícil sustentar a ideia de anjos formando uniões matrimoniais na terra. A linha narrativa das Escrituras aponta muito mais para a deterioração do testemunho daqueles que deveriam andar com Deus, até restar apenas Noé e sua família como um remanescente fiel.

Portanto, embora a Septuaginta registre uma tradução que reflete uma interpretação antiga, quando observamos o texto hebraico, o contexto imediato e o ensino geral das Escrituras, a explicação que envolve a mistura entre aqueles que professavam conhecer a Deus e o mundo ao redor parece harmonizar-se melhor com o conjunto da revelação bíblica.

Agradeço novamente ao irmão por compartilhar a observação. Esse tipo de troca é sempre muito proveitosa, pois nos incentiva a voltar às Escrituras e examiná-las com mais cuidado, como os bereanos faziam diariamente para ver se as coisas eram assim (Atos 17:11).

Um forte abraço.

Josué Matos