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Estou precisando de ajuda para melhor explicar Primeira Coríntios 11:15, onde diz: "pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha".

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, irmão Josué. Estou precisando de ajuda para melhor explicar Primeira Coríntios 11:15, onde diz: "pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha".

Há mulheres que querem justificar o não uso do véu na congregação com este verso bíblico.

Minha Resposta:

Bom dia, irmão. Desculpe não ter respondido na hora. Quando o irmão me enviou a mensagem, eu estava saindo para caminhar. Agora voltei e preparei este texto para tentar explicar melhor 1 Coríntios 11:15, porque realmente esse versículo, quando é separado do restante do capítulo, pode dar a impressão de que o cabelo substitui o véu. Mas, quando acompanhamos o argumento de Paulo desde o início, percebemos que o cabelo comprido e o véu são duas coisas diferentes.

O versículo 15 diz:

“Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.” — 1 Coríntios 11:15

A pergunta então é: se o cabelo foi dado à mulher “em lugar de véu”, por que ela precisaria usar também uma cobertura na cabeça na congregação?

A resposta fica mais simples quando não começamos pelo versículo 15, mas pelos versículos anteriores.

Em 1 Coríntios 11:5-6, Paulo fala da mulher que está com a cabeça descoberta. E então diz:

“Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também...”

Veja a importância desse argumento.

Paulo está falando de uma mulher que já possui cabelo. Tanto possui que ele diz que, se ela não quiser se cobrir, então que seja também tosquiada ou rapada.

Portanto, naquele momento existem duas coisas distintas:

1. O cabelo que a mulher já possui.
2. Uma cobertura que ela deve colocar sobre a cabeça.

Se o cabelo fosse o próprio véu dos versículos 5 e 6, o argumento de Paulo não faria sentido. Seria como se Paulo estivesse dizendo: “Se a mulher não tem cabelo, então corte o cabelo”. Isso seria contraditório.

Mas não é isso que ele diz.

Ele diz, em outras palavras: se ela não quer colocar a cobertura sobre a cabeça, então que corte também o cabelo. E, como é vergonhoso para a mulher ficar tosquiada ou rapada, Paulo conclui claramente:

“Que ponha o véu.” — 1 Coríntios 11:6

Então, este é o primeiro ponto que eu explicaria às irmãs: o próprio contexto mostra que cabelo e véu não são a mesma coisa.

Depois, chegando aos versículos 14 e 15, Paulo passa a falar da cobertura que a própria natureza deu à mulher.

Ele diz que é desonra para o homem ter cabelo crescido, mas:

“Ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso.”

Ou seja, Deus deu à mulher uma glória natural: o cabelo comprido.

Há inclusive uma diferença interessante nas palavras gregas usadas por Paulo.

Nos primeiros versículos, quando Paulo fala de a cabeça estar coberta, ele emprega palavras relacionadas ao verbo grego κατακαλύπτω — katakalyptō, que significa cobrir, velar, manter coberto.

Mas, no versículo 15, quando diz que o cabelo foi dado à mulher “em lugar de véu” ou “por cobertura”, a palavra é περιβόλαιον — peribólaion, que tem o sentido de cobertura, envoltório, algo que envolve ou cai ao redor.

Portanto, Paulo não está simplesmente repetindo no versículo 15 exatamente a mesma coisa que havia dito nos versículos 5 e 6.

Podemos entender assim, de uma maneira bem simples:

A mulher possui uma cobertura natural: o seu cabelo comprido.

E, quando está na reunião da igreja, usa uma cobertura sobre a cabeça: o véu, lenço ou mantilha.

Uma cobertura não elimina a outra.

Pelo contrário, as duas ensinam o mesmo princípio espiritual.

E qual é esse princípio?

Precisamos voltar ao versículo-chave de toda essa passagem, 1 Coríntios 11:3:

“Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.”

Esse é o assunto principal do capítulo: a ordem de chefia estabelecida por Deus.

Por isso o homem participa das reuniões com a cabeça descoberta, enquanto a mulher cobre a cabeça. São sinais visíveis de uma verdade espiritual.

Paulo ainda diz em 1 Coríntios 11:10:

“Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.”

Ou seja, existe alguma coisa sobre a cabeça dela que manifesta exteriormente o reconhecimento da autoridade estabelecida por Deus.

Depois, nos versículos 14 e 15, Paulo mostra que a própria natureza confirma essa distinção: o cabelo comprido é desonroso para o homem, enquanto o cabelo comprido é glória para a mulher.

Então podemos resumir assim:

O homem: cabelo curto e cabeça descoberta na reunião.

A mulher: cabelo comprido e cabeça coberta na reunião.

São duas distinções que caminham juntas.

Há ainda uma maneira muito simples de mostrar que o versículo 15 não pode significar: “Como tenho cabelo, não preciso usar véu.”

Se essa interpretação fosse correta, teríamos que voltar ao versículo 6 e perguntar:

Por que Paulo mandaria colocar o véu?

Ele diz expressamente:

“Que ponha o véu.”

Não faria sentido Paulo ensinar nos versículos 5 e 6 que a mulher deve se cobrir e, nove versículos depois, dizer que ela não precisa se cobrir porque já tem cabelo.

Isso faria Paulo contradizer a si mesmo dentro de poucos versículos.

Não há contradição quando entendemos que são duas coberturas diferentes.

O cabelo é a cobertura natural, a glória que Deus deu à mulher.

O véu é a cobertura colocada sobre a cabeça no contexto da reunião, manifestando a ordem de chefia estabelecida por Deus.

Por isso, quando alguém usa somente a última frase do versículo 15 — “o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha” — para dizer que a irmã não precisa usar véu, está isolando essa frase de todo o raciocínio que Paulo começou no versículo 3 e desenvolveu até o versículo 16.

É preciso ler o capítulo inteiro.

E há outro detalhe importante: Paulo não fundamenta isso simplesmente num costume de Corinto. Nos versículos 7 a 9, ele volta até Gênesis, capítulos 1 e 2, à criação do homem e da mulher. No versículo 10 menciona os anjos. Nos versículos 14 e 15 apela à natureza. E no versículo 16 termina mencionando “as igrejas de Deus”.

Portanto, o argumento é muito mais amplo do que um costume local de Corinto.

Assim, eu explicaria às irmãs com bastante simplicidade:

“Irmãs, o cabelo comprido não substitui o véu. Se substituísse, Paulo não poderia dizer no versículo 6: ‘que ponha o véu’. O cabelo comprido é a cobertura natural e a glória que Deus deu à mulher; o véu é a cobertura que ela coloca sobre a cabeça na reunião, como sinal da ordem de chefia ensinada desde o versículo 3. Uma coisa não anula a outra.”

E é importante ensinar isso com mansidão, sem transformar o véu simplesmente numa regra da congregação. A irmã precisa compreender por que usa o véu. Quando compreende o princípio da chefia, deixa de ser apenas “a igreja manda usar” e passa a ser uma maneira consciente de honrar a ordem que Deus estabeleceu.

No final, o assunto não é simplesmente um pedaço de tecido sobre a cabeça. O assunto maior é a honra devida a Cristo e a submissão à ordem estabelecida por Deus na Sua Palavra.

Josué Matos

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PRIMEIRA CORÍNTIOS 11:1-16

 

A Ordem Divina da Chefia, a Cobertura da Cabeça e o Cabelo

A primeira epístola aos Coríntios foi escrita aproximadamente no ano 57 d.C., quando o apóstolo Paulo estava em Éfeso, durante aquele período de três anos relacionado com a sua terceira viagem missionária.

Paulo tinha ouvido, por intermédio da família de Cloé, acerca de certas desordens existentes na igreja em Corinto. Além disso, tinha recebido uma carta, provavelmente enviada por pessoas daquela igreja, na qual eram levantadas determinadas questões. Por isso, o apóstolo escreveu esta epístola, tratando de vários assuntos relacionados com a vida e o funcionamento de uma igreja de Deus.

Podemos dividir a epístola, de maneira simples, da seguinte forma:

  • capítulos 1 a 4 — unidade;

  • capítulos 5 a 7 — santidade;

  • capítulos 8 a 10 — liberdade;

  • capítulos 11 a 14 — os ajuntamentos da igreja;

  • capítulo 15 — ressurreição;

  • capítulo 16 — coletas.

Nos capítulos 11 a 14 encontramos várias referências às ocasiões em que os crentes se ajuntam. Isso indica que Paulo está tratando especificamente do procedimento relacionado com as reuniões da igreja e daquilo que deve acontecer nesses ajuntamentos.

O capítulo 11 pode ser dividido em duas partes principais. Os versículos 1 a 16 tratam da chefia e dos sinais visíveis relacionados com ela; os versículos 17 a 34 tratam da Ceia do Senhor.

É significativo que Paulo trate da chefia antes de tratar da Ceia do Senhor. Havia coisas em Corinto que precisavam ser corrigidas antes que o apóstolo abordasse a Ceia.

Os primeiros dezesseis versículos também podem ser divididos em três partes:

Versículos 1 a 6 — o princípio.
O princípio fundamental aparece especialmente no versículo 3: Deus estabeleceu uma ordem de chefia que precisa ser reconhecida.

Versículos 7 a 12 — o protótipo.
Paulo leva os nossos pensamentos de volta a Gênesis, capítulos 1 e 2. Adão e Eva apresentam o padrão estabelecido por Deus desde a criação.

Versículos 13 a 16 — aquilo que é próprio e a própria natureza.
Aquilo que é apropriado, juntamente com o testemunho da natureza, confirma a distinção estabelecida por Deus entre o homem e a mulher.


1 CORÍNTIOS 11:1

“Sede meus imitadores, como também eu de Cristo”

Na realidade, este versículo pertence ao final do assunto tratado no capítulo 10. Ali Paulo está tratando da liberdade cristã e explica como procurou fazer tudo o que era possível para alcançar almas.

Em determinadas circunstâncias, ele estava disposto a abrir mão dos seus próprios direitos, desde que isso não significasse violar a Palavra de Deus, a fim de ganhar pessoas para Cristo.

Por isso ele podia dizer:

“Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.”

Em outras palavras: façam aquilo que eu faço; imitem o meu exemplo.

Também nós devemos ter essa disposição. Devemos fazer tudo aquilo que pudermos, sem infringir a Palavra de Deus, para alcançar almas para Cristo.


1 CORÍNTIOS 11:2

Paulo começa elogiando os coríntios

Paulo inicia esta seção dizendo que louva os irmãos porque eles se lembravam dele e conservavam os ensinamentos que lhes haviam sido transmitidos.

É interessante comparar isso com o versículo 17. No versículo 2, Paulo pode dizer:

“Eu vos louvo.”

Mais adiante, porém, no versículo 17, ele precisa dizer:

“Não vos louvo.”

Há aqui um princípio importante. Antes de censurar ou corrigir, Paulo reconhece aquilo que havia de recomendável nos coríntios.

Encontramos algo semelhante nas cartas dirigidas pelo Senhor Jesus às sete igrejas da Ásia, em Apocalipse, capítulos 2 e 3. Antes de censurar aquilo que estava errado, o Senhor reconhecia aquilo que podia ser elogiado.

Naturalmente, Esmirna e Filadélfia não receberam as mesmas censuras das demais igrejas, pois estavam andando de maneira diferente. Mas, nas outras, antes da repreensão, encontramos palavras de reconhecimento.

Isso nos ensina uma lição prática. Quando precisamos corrigir um irmão ou uma irmã, é bom reconhecer primeiramente aquilo que há de recomendável naquela pessoa. Não devemos procurar apenas aquilo que está errado.

Paulo tinha ensinado os coríntios durante aproximadamente dezoito meses de trabalho entre eles, na sua segunda viagem missionária. Em boa medida, eles se lembravam dos seus ensinamentos e os praticavam. Por isso Paulo podia elogiá-los.

Entretanto, havia áreas nas quais tinham se afastado seriamente do padrão apostólico, e algumas delas seriam tratadas a partir deste ponto.


1 CORÍNTIOS 11:3

O princípio fundamental da chefia

“Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.”

Este é o versículo-chave desta seção e talvez possamos considerá-lo o versículo-chave de toda esta primeira parte do capítulo.

Cada expressão é importante.

Paulo apresenta três relações:

Deus → Cristo → homem → mulher.

Ele diz que:

  • Deus é a cabeça de Cristo;

  • Cristo é a cabeça do homem;

  • o homem é a cabeça da mulher.

Trata-se de uma ordem estabelecida por Deus e que deve ser respeitada.

É interessante que Paulo comece mencionando Cristo. Alguém poderia perguntar: “Se Deus é a cabeça de Cristo, por que Paulo não começou com Deus?”

Quando estudamos cuidadosamente os escritos de Paulo, percebemos que muitas vezes aquilo que ele coloca primeiro recebe especial destaque. Aqui ele deseja salientar Cristo.

Cristo é a Pessoa central. Ele é Aquele que nos atrai. Ele deve ocupar o lugar central nos ajuntamentos da igreja.

Por isso Paulo começa:

“Cristo é a cabeça de todo o varão.”

Precisamos também distinguir, ainda que sejam assuntos relacionados, Cristo como Senhor e Cristo como Cabeça.

Quando pensamos em Cristo como Senhor, pensamos especialmente em propriedade e domínio. Ele é Senhor; pertencemos a Ele e estamos sob o Seu senhorio.

Quando pensamos em Cristo como Cabeça, o pensamento é particularmente de ordem, governo e autoridade. É Cristo dirigindo e exercendo a autoridade que Lhe pertence.

Portanto, nesta passagem, estamos tratando da ordem divina de chefia.

A partir desse princípio estabelecido no versículo 3, Paulo passa a mostrar como essa verdade deve ser expressa visivelmente.

Não basta dizer que reconhecemos a chefia estabelecida por Deus. Há sinais pelos quais essa ordem deve ser demonstrada.


1 CORÍNTIOS 11:4

O homem deve estar com a cabeça descoberta

“Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.”

A expressão “sua própria cabeça”, neste contexto, refere-se a Cristo, pois o versículo anterior declarou:

“Cristo é a cabeça de todo o varão.”

Imaginemos, portanto, um irmão presente numa reunião da igreja. Ele se levanta para orar ou profetizar e está com a cabeça coberta.

Segundo o ensino apostólico, ao fazer isso ele desonra a sua Cabeça, isto é, Cristo.

Aqui encontramos a razão pela qual os homens assistem às reuniões da igreja com a cabeça descoberta.

Não se trata simplesmente de um costume criado pelos irmãos.

Não se trata apenas de uma tradição.

O homem permanece com a cabeça descoberta porque deseja honrar o Senhor Jesus Cristo.

Cristo merece ser honrado.

Por isso, o varão não coloca sobre a cabeça véu, lenço, mantilha ou outra cobertura correspondente.

Sua cabeça permanece descoberta como reconhecimento visível da ordem estabelecida por Deus.


1 CORÍNTIOS 11:5

A mulher e a cabeça coberta

“Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça...”

Agora Paulo apresenta a situação correspondente da mulher.

Precisamos observar primeiramente uma questão que às vezes causa dificuldade. Paulo menciona aqui uma mulher orando ou profetizando. Isso significa que ele está autorizando uma irmã a levantar-se e falar audivelmente numa reunião da igreja?

Não.

Neste capítulo, Paulo não aprova nem censura diretamente essa prática. Ele está tratando de outro assunto: a chefia e a cobertura da cabeça.

O apóstolo mantém os assuntos organizados e trata de um problema de cada vez.

Para conhecermos a orientação apostólica quanto à participação audível das mulheres nas reuniões da igreja, precisamos chegar a 1 Coríntios 14:34-36, onde o assunto é tratado diretamente.

Ali é ensinado que não é permitido à mulher falar audivelmente nas reuniões da igreja, devendo permanecer em silêncio.

Portanto, 1 Coríntios 11:5 não deve ser usado para contradizer 1 Coríntios 14. Paulo simplesmente considera aqui a situação sob o aspecto da cobertura da cabeça, porque esse é o assunto que está tratando.

Quando uma mulher comparece ao ajuntamento com a cabeça descoberta, ela desonra a sua cabeça — isto é, o homem, segundo a ordem apresentada no versículo 3.

E, por consequência, a desordem acaba atingindo toda a sequência da chefia estabelecida por Deus.

Assim, a prática bíblica é que as irmãs usem uma cobertura sobre a cabeça ao participarem das reuniões da igreja.

Essa cobertura pode ser chamada de:

  • véu;

  • lenço;

  • mantilha;

  • cobertura da cabeça.

O elemento fundamental é que a cabeça da mulher esteja coberta.


1 CORÍNTIOS 11:5-6

Se não se cobre, que também se tosquie

Paulo fortalece seu argumento fazendo uma comparação bastante incisiva.

Se uma mulher se recusa a cobrir a cabeça, então, seguindo o raciocínio apostólico, que também seja tosquiada ou rapada.

Mas isso era considerado extremamente vergonhoso.

Mesmo no primeiro século, uma mulher aparecer publicamente com a cabeça rapada ou o cabelo tosquiado era algo humilhante. Poderia estar associado à condição de escrava ou, em determinadas circunstâncias, a uma mulher marcada pela vergonha do adultério.

A grande maioria das mulheres teria horror de aparecer dessa maneira.

Por isso o argumento chega a uma conclusão muito simples:

“Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.”

Em outras palavras: se ela reconhece a vergonha de eliminar aquilo que naturalmente distingue e honra a mulher, deve igualmente reconhecer a necessidade da cobertura prescrita para a ocasião em consideração.

Assim, Paulo encerra essa parte do argumento:

“Que ponha o véu.”


1 CORÍNTIOS 11:7

O homem é a glória de Deus e a mulher é a glória do homem

“O varão, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus; mas a mulher é a glória do varão.”

A partir daqui, Paulo leva nossos pensamentos de volta à criação.

Temos diante de nós Gênesis 1:26-27.

Deus criou o homem à Sua imagem.

Por isso Paulo ensina que o varão não deve cobrir a cabeça, pois é imagem e glória de Deus.

Essa glória deve ficar exposta.

Mais uma vez encontramos a razão doutrinária para o homem permanecer com a cabeça descoberta nas reuniões.

Depois Paulo acrescenta:

“Mas a mulher é a glória do varão.”

Nesta passagem encontramos uma sequência muito interessante:

  • o homem é a glória de Deus;

  • a mulher é a glória do homem;

  • posteriormente veremos que o cabelo comprido é a glória da mulher.

Podemos pensar numa roseira. A roseira é bela, mas qual é a sua glória? A rosa.

Da mesma maneira, o homem foi colocado por Deus como ponto culminante da criação terrestre. Nenhuma outra criatura ocupa a posição que Deus deu ao ser humano.

Por isso Paulo afirma que o homem é imagem e glória de Deus e, no contexto das reuniões da igreja, não deve cobrir a cabeça.


1 CORÍNTIOS 11:8

“A mulher provém do varão”

“Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão.”

Agora Paulo passa de Gênesis 1 para Gênesis 2.

Sabemos o que aconteceu na formação de Eva.

Deus fez Adão cair em profundo sono, tomou uma das suas costelas e dela formou a mulher. Depois apresentou a mulher ao homem.

Assim, historicamente, a primeira mulher procedeu do primeiro homem.

É exatamente isso que Paulo utiliza em seu argumento:

“A mulher [provém] do varão.”

A ordem da criação demonstra a precedência dada ao homem dentro da estrutura de chefia estabelecida por Deus.

Isso não significa que a mulher seja espiritualmente inferior ao homem.

Inferioridade não é o assunto.

O assunto é ordem e chefia.

Uma mulher espiritual reconhece a ordem estabelecida por Deus sem entender isso como uma declaração de menor valor pessoal ou espiritual.

É importante observar também uma diferença entre Efésios 5 e 1 Coríntios 11.

Em Efésios 5, encontramos especificamente a relação entre marido e esposa.

Aqui, porém, Paulo usa o princípio de maneira mais abrangente: ele está falando de homem e mulher, ou varão e mulher.

Portanto, o princípio de 1 Coríntios 11 não está limitado simplesmente ao relacionamento conjugal.


1 CORÍNTIOS 11:9

A mulher foi criada por causa do homem

“Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão.”

Continuamos em Gênesis 2, especialmente Gênesis 2:18.

Ali encontramos o propósito declarado por Deus ao formar a mulher.

Ela seria uma ajudadora idônea para Adão.

Portanto, na ordem original da criação, o homem foi a razão para a formação da mulher.

Também nesse sentido Paulo demonstra a precedência do homem dentro da ordem estabelecida por Deus.

Não estamos falando de superioridade moral, intelectual ou espiritual.

Estamos falando da ordem da criação, que Paulo utiliza como fundamento para a doutrina da chefia.

Isso também demonstra que o ensino de 1 Coríntios 11 não pode ser descartado simplesmente como um costume social particular da cidade de Corinto.

Paulo fundamenta seu argumento na própria criação de Adão e Eva.


1 CORÍNTIOS 11:10

O sinal de autoridade sobre a cabeça

“Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.”

Este versículo apresenta uma expressão que pode parecer mais difícil.

Talvez esperássemos que Paulo dissesse:

“sinal de sujeição”.

Mas encontramos a ideia de autoridade.

O sinal está sobre a cabeça da mulher.

Portanto, devemos observar a posição da mulher em relação a esse sinal: ela está debaixo dele.

Assim, ao colocar sobre a cabeça a cobertura que representa autoridade, ela demonstra visivelmente que reconhece estar debaixo da ordem de autoridade estabelecida por Deus.

É uma explicação simples:

o sinal de autoridade está sobre ela; ela voluntariamente ocupa o lugar que Deus lhe designou debaixo dessa autoridade.

Assim, a cobertura não é apresentada como objeto de inferiorização.

É um sinal visível de reconhecimento da ordem divina.

A irmã cristã, portanto, tem a responsabilidade de cobrir a cabeça nas ocasiões indicadas pela passagem.

Paulo acrescenta uma expressão solene:

“por causa dos anjos”.

Isso nos lembra que as reuniões da igreja têm uma dimensão que ultrapassa aquilo que os nossos olhos conseguem perceber. As inteligências celestiais observam a ordem de Deus sendo manifestada entre o Seu povo.

Por isso, aquilo que fazemos numa reunião da igreja não deve ser avaliado simplesmente pela moda, pelos costumes da sociedade ou pelas preferências pessoais.

Há princípios divinos sendo representados.


1 CORÍNTIOS 11:11-12

Homem e mulher são mutuamente dependentes no Senhor

Depois de estabelecer a precedência do homem na criação, Paulo evita qualquer conclusão errada de independência ou superioridade absoluta.

O homem e a mulher não são independentes um do outro no Senhor.

É verdade que a primeira mulher procedeu do homem.

Eva veio de Adão.

Mas, desde então, todo homem nasce de uma mulher.

Assim, existe uma bela dependência mútua.

E, acima de tudo:

“Tudo vem de Deus.”

A chefia bíblica, portanto, não dá ao homem licença para desprezar a mulher, tratá-la como inferior ou imaginar que não precisa dela.

Deus estabeleceu diferenças de posição e responsabilidade, mas também estabeleceu uma profunda dependência entre homem e mulher.

Tudo encontra a sua origem e ordem final no próprio Deus.


1 CORÍNTIOS 11:13

“É decente que a mulher ore a Deus descoberta?”

Paulo agora apela para aquilo que é próprio, apropriado e conveniente.

Ele convida os próprios leitores a julgarem a situação.

Quando uma irmã participa de uma reunião da igreja com a cabeça descoberta, algo está faltando em relação ao sinal exterior da posição que Deus deu à mulher.

A cobertura corresponde à ordem de chefia anteriormente estabelecida.

Por isso, a pergunta de Paulo praticamente conduz o leitor à resposta:

não é apropriado que a mulher esteja descoberta nessa situação.


1 CORÍNTIOS 11:14

O cabelo comprido no homem

“Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelo crescido?”

Agora Paulo chama a atenção para a própria natureza.

Há uma distinção natural que deve ser preservada entre homem e mulher.

O cabelo comprido não corresponde ao sinal que a natureza atribui ao homem.

Por isso Paulo o chama de desonra para o varão.

Assim, além da cabeça descoberta nas reuniões, existe outra característica correspondente ao homem:

o cabelo curto.

Os sinais, portanto, harmonizam-se:

  • homem — cabeça descoberta e cabelo curto;

  • mulher — cabeça coberta nas reuniões e cabelo comprido.

Esses sinais visíveis expressam a distinção que Deus estabeleceu.


1 CORÍNTIOS 11:15

O cabelo comprido é a glória da mulher

“Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso...”

A palavra empregada transmite a ideia de glória.

O cabelo comprido é a glória da mulher.

Observe que Paulo não diz apenas “a irmã em Cristo”. Ele fala da mulher.

Trata-se de uma distinção relacionada à própria natureza.

Por isso devemos animar as irmãs a deixar o cabelo crescer ao seu comprimento natural.

Essa expressão é importante:

“Deixar o cabelo crescer ao comprimento natural”

O princípio apresentado não consiste em estabelecer uma medida em centímetros.

Paulo não diz:

  • até a cintura;

  • até os ombros;

  • tantos centímetros abaixo dos ombros;

  • determinada medida universal.

O princípio é que a mulher deixe crescer o seu cabelo, em contraste com o homem, para quem o cabelo comprido é apresentado como desonra.

Naturalmente, o comprimento alcançado não será idêntico em todas as mulheres. Há diferenças individuais na capacidade de crescimento, densidade, textura e comprimento natural do cabelo.

Por isso, não devemos estabelecer arbitrariamente uma medida que a Escritura não estabelece.

O ponto é preservar o sinal feminino apresentado no texto:

a mulher deixa o cabelo crescer, em vez de adotar deliberadamente o cabelo curto característico do homem.


“PORQUE O CABELO LHE FOI DADO EM LUGAR DE VÉU”

1 Coríntios 11:15 não elimina a cobertura dos versículos 5 e 6

Esta expressão precisa ser entendida cuidadosamente.

Alguém poderia argumentar:

“Se o cabelo foi dado à mulher em lugar de véu, então, tendo cabelo comprido, ela não precisa colocar outra cobertura sobre a cabeça durante a reunião.”

Mas essa conclusão não corresponde ao argumento do capítulo.

Se o cabelo comprido fosse a mesma cobertura exigida anteriormente, os versículos 5 e 6 perderiam o sentido.

Paulo já havia falado da mulher que não se cobre e havia dito:

“Se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também.”

Observe a distinção.

Ela possui cabelo, mas ainda assim Paulo pode dizer que ela está descoberta.

Além disso, ele argumenta que, se ela não quiser a cobertura, deveria também cortar ou rapar o cabelo.

Portanto, no raciocínio apostólico existem duas coisas distintas.

1. A cobertura colocada sobre a cabeça

É a cobertura usada no contexto das reuniões:

véu, lenço ou mantilha.

Ela constitui um sinal exterior relacionado com a ordem de chefia.

2. A cobertura natural

É o cabelo comprido da mulher.

Essa cobertura foi dada pela própria natureza e constitui a glória da mulher.

Portanto, a mulher entra na reunião apresentando duas coberturas:

uma cobertura natural — seu cabelo comprido;

e

uma cobertura colocada sobre a cabeça — o véu, lenço ou mantilha.

Uma não anula a outra.

O cabelo comprido não foi apresentado para cancelar o mandamento dos versículos anteriores.

Ao contrário, a cobertura natural confirma o mesmo princípio que a cobertura usada na reunião representa.

A natureza deu à mulher o cabelo comprido como sinal correspondente à sua posição; e, na reunião da igreja, ela acrescenta a cobertura prescrita pelo ensino apostólico.

As duas coisas apontam na mesma direção.


UMA OBSERVAÇÃO SOBRE AS PALAVRAS GREGAS PARA “COBERTURA”

Há uma distinção interessante no vocabulário empregado no capítulo.

Nos versículos em que Paulo fala de cobrir a cabeça, aparece o verbo grego relacionado a κατακαλύπτω — katakalyptō, com o sentido de cobrir, velar, manter coberto.

Já no final do versículo 15, quando Paulo diz que o cabelo foi dado à mulher “em lugar de véu” ou “por cobertura”, aparece outra palavra:

περιβόλαιον — peribólaion.

A palavra transmite a ideia daquilo que é lançado ou colocado ao redor, uma cobertura ou envoltório.

Essa diferença de vocabulário é importante porque reforça que não devemos simplesmente identificar, sem distinção, todas as referências do capítulo como se Paulo estivesse falando exatamente da mesma coisa.

Na primeira parte, ele trata da cabeça estar coberta ou descoberta no contexto da ordem da igreja.

No versículo 15, apresenta o cabelo comprido como uma cobertura natural concedida à mulher.

Assim, o cabelo comprido confirma, em vez de eliminar, o princípio anteriormente apresentado.


O QUE SIGNIFICA, NA PRÁTICA, “MANTER O CABELO CRESCIDO”?

O ensino apresentado nesta exposição é que a mulher deve deixar seu cabelo crescer ao comprimento natural.

Isso precisa ser distinguido de uma regra humana segundo a qual “uma mulher jamais poderá cortar sequer alguns milímetros do cabelo”.

O texto bíblico enfatiza o cabelo crescido/comprido em contraste com aquilo que caracteriza o homem.

Portanto, o princípio que deve governar a irmã é:

preservar conscientemente o cabelo comprido como a glória que Deus lhe deu.

Não seria correto transformar isso numa busca por uma medida mínima em centímetros, porque Paulo não forneceu tal medida.

Também precisamos reconhecer diferenças naturais. O cabelo de algumas mulheres cresce muito mais do que o de outras. Algumas possuem cabelo extremamente denso e pesado; outras possuem cabelo fino; algumas chegam naturalmente a comprimentos muito grandes; outras não.

A fidelidade ao princípio não pode ser medida simplesmente comparando o comprimento do cabelo de duas mulheres.

O importante é a disposição de conservar aquilo que a passagem apresenta como distintivo feminino: cabelo crescido ou comprido.


CONSIDERAÇÃO PRÁTICA: E QUANTO A APARAR AS PONTAS OU A PROBLEMAS REAIS COM O CABELO?

É necessário distinguir entre preservar o princípio bíblico e criar regras além daquilo que está escrito.

Podem existir circunstâncias excepcionais relacionadas ao peso, à densidade ou a outras dificuldades práticas. A Escritura não fornece uma tabela de centímetros nem regulamenta cada situação possível.

Por isso, não devemos estabelecer uma legislação que Deus não estabeleceu.

O princípio permanece:

“ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso.”

A aplicação deve procurar preservar esse princípio, e não descobrir uma maneira de contorná-lo.

Assim, diante de necessidades práticas, a pergunta principal não deveria ser:

“Quanto posso cortar sem pecar?”

Mas:

“Como posso resolver esta necessidade, preservando, tanto quanto possível, aquilo que Deus apresenta como glória da mulher?”

Isso coloca o coração na direção correta: submissão à Palavra, e não procura por uma medida mínima de obediência.


1 CORÍNTIOS 11:16

“Se alguém quiser ser contencioso”

“Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.”

Paulo encerra o assunto antecipando a possibilidade de alguém desejar contender.

Não deveríamos abordar essas verdades com espírito de discussão ou procurando maneiras de escapar daquilo que foi ensinado.

Nas igrejas de Deus, esses símbolos deveriam ser mantidos como expressão visível da ordem divina de chefia.

Temos, portanto:

O HOMEM

  • cabeça descoberta nas reuniões;

  • cabelo curto.

A MULHER

  • cabeça coberta nas reuniões;

  • cabelo comprido.

Esses sinais demonstram exteriormente o grande princípio estabelecido no versículo 3:

Deus é a cabeça de Cristo.
Cristo é a cabeça do homem.
O homem é a cabeça da mulher.

Não são meros costumes inventados por determinada congregação.

São sinais que apontam para uma realidade maior.

Quando uma irmã cobre a cabeça na reunião e conserva o cabelo comprido, ela está reconhecendo visivelmente a ordem estabelecida por Deus.

Quando o irmão permanece de cabeça descoberta e mantém o cabelo curto, também está reconhecendo essa ordem.

Assim, tanto o homem quanto a mulher têm o privilégio de demonstrar, por sua conduta, a autoridade de Cristo e a ordem estabelecida por Deus.

O propósito final não é exaltar o homem sobre a mulher.

O propósito final é que Cristo seja honrado.

Quando cada pessoa ocupa voluntariamente o lugar que Deus lhe deu, a ordem divina é manifestada na igreja.

É por isso que devemos continuar mantendo esses símbolos nas reuniões públicas da igreja, não simplesmente porque “sempre fizemos assim”, mas porque desejamos sujeitar-nos à Palavra de Deus e dar ao Senhor Jesus Cristo o lugar que Lhe pertence.

“Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.” — 1 Coríntios 11:3

Josué Matos

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Vale a pena ter Bíblias de estudo ou é melhor investir em comentários bíblicos? O que acha da Bíblia de estudo MacArthur?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Olá, tudo bem? Vale a pena ter Bíblias de estudo ou é melhor investir em comentários bíblicos? O que acha da Bíblia de estudo MacArthur?

Minha Resposta:

São duas coisas diferentes, e eu diria que uma não substitui a outra.

Uma Bíblia de estudo é muito útil porque acompanha a leitura bíblica e oferece, de maneira rápida, notas explicativas, introduções aos livros, referências, mapas e comentários sobre determinados versículos. Porém, por uma questão de espaço, normalmente ela apresenta de forma resumida a interpretação adotada pelo autor ou pelos editores. Muitas vezes você encontra a conclusão, mas não todos os argumentos que levaram àquela conclusão.

Já os comentários bíblicos e livros de estudo conseguem aprofundar muito mais. Um bom comentário pode dedicar várias páginas a uma passagem, analisar o contexto, comparar outros textos das Escrituras, explicar palavras e apresentar os argumentos para determinada interpretação. Por isso, para quem realmente deseja se aprofundar no estudo da Palavra de Deus, eu não dispensaria os comentários e bons livros, mesmo possuindo uma excelente Bíblia de estudo.

Quanto à Bíblia de Estudo MacArthur, considero uma Bíblia muito boa. John MacArthur foi um expositor muito dedicado às Escrituras, e suas notas são geralmente claras, conservadoras e bastante úteis. É uma Bíblia de estudo bem completa e, para alguém que deseja ter numa única Bíblia um resumo de muitos assuntos e explicações de milhares de passagens, é uma boa aquisição.

Naturalmente, como acontece com qualquer Bíblia de estudo, as notas não são inspiradas. Inspirado é o texto das Escrituras. Por isso, precisamos sempre fazer como os bereanos, que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11). Nenhum comentarista deve ocupar o lugar da própria Palavra de Deus.

Há também uma observação importante sobre MacArthur: ele não pertence à linha histórica dos chamados Irmãos. Entretanto, em alguns pontos há aproximações interessantes. Por exemplo, ao contrário do que às vezes se pensa, MacArthur não ensina biblicamente que uma igreja deva ser governada simplesmente por um único pastor. Ele defendeu a pluralidade de anciãos na igreja local, algo que encontramos em Atos dos Apóstolos 14:23; 20:17,28; Filipenses 1:1; Tito 1:5 e 1 Pedro 5:1-3. Evidentemente, a maneira prática como o ministério funciona dentro do meio eclesiástico ao qual ele pertence não é igual à maneira como entendemos uma assembleia local em todos os seus aspectos.

Na escatologia, MacArthur está relativamente próximo da linha dispensacionalista. Ele sustenta uma interpretação pré-milenista, distingue Israel da Igreja e reconhece um futuro para Israel no propósito de Deus. Portanto, nesse aspecto existem vários pontos de aproximação com a interpretação dispensacional das Escrituras. A tradição dispensacional também enfatiza justamente a importância de reconhecer as diferentes administrações de Deus e a distinção entre Israel e a Igreja.

Outra Bíblia que considero muito útil é a Bíblia de Referência Scofield. Ela teve uma importância enorme na divulgação do ensino dispensacional e possui notas muito claras e concisas. Há literatura dos próprios Irmãos reconhecendo o grande valor e a utilidade de muitas das notas de Scofield, embora, naturalmente, elas devam ser examinadas pelas Escrituras como qualquer comentário humano.

Também existe a Bíblia de Estudo Ryrie, de Charles C. Ryrie, que segue uma linha dispensacionalista e pode ser muito útil. Há uma análise antiga publicada em literatura ligada aos Irmãos que compara justamente as Bíblias Scofield e Ryrie e observa que Ryrie segue, em termos gerais, a mesma perspectiva dispensacional de Scofield, embora suas notas tenham características diferentes.

Então, se você me perguntasse: “Tenho dinheiro para comprar apenas uma coisa agora: uma Bíblia de estudo ou vários comentários?”, dependeria do objetivo.

Se você ainda não possui uma boa Bíblia de estudo e deseja uma ferramenta que possa consultar constantemente durante a leitura, a Bíblia de Estudo MacArthur pode valer muito a pena. Você terá uma quantidade enorme de informação reunida num único volume.

Mas, se o seu objetivo é realmente aprofundar-se nas doutrinas e na exposição dos livros da Bíblia, eu começaria gradualmente a formar também uma biblioteca de bons comentários e livros de estudo. Com o tempo, isso oferece muito mais profundidade do que qualquer Bíblia de estudo poderia oferecer.

E há ainda algo que considero mais importante: não ficar dependente de um único autor. Mesmo um excelente expositor pode interpretar alguma passagem incorretamente. O princípio deve continuar sendo:

“Examinai tudo. Retende o bem.” — 1 Tessalonicenses 5:21.

Portanto, sim, recomendo a Bíblia de Estudo MacArthur, mas não como substituta dos comentários bíblicos. Eu a utilizaria como uma excelente ferramenta de consulta rápida e, paralelamente, investiria aos poucos em bons comentários e livros de exposição bíblica. Acima de tudo, sempre comparando aquilo que qualquer homem escreveu com a própria Palavra de Deus.

Josué Matos

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IRMÃO, ME CORRIJA SE EU ESTIVER ERRADO EM ALGUM PONTO.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

IRMÃO, ME CORRIJA SE EU ESTIVER ERRADO EM ALGUM PONTO.

Então, a julgar por tantas heresias, como a criação de denominações ditas igrejas; o dízimo, que é pregado a milhões de pessoas de forma distorcida para enganá-las, mantendo um sistema religioso comercial, rentável e vantajoso pelos ditos pastores, que também mantêm o discurso de que Jesus deu uma exceção para se casar novamente em caso de adultério — moicheia —, sendo que Jesus disse porneia, fornicação entre judeus e não a gentios, que não tem nada a ver com o casamento consumado, pois, se a judia era desposada e ainda não tinha relação sexual com o marido, é óbvio que, no contexto judaico, o casamento tinha seus ritos até a consumação.

E, mesmo entre judeus, o que as denominações não contam é que, se a judia provasse a virgindade, o casamento era consumado e os dois estariam ligados até a morte, depois da ordem de Jesus, usando a conjunção adversativa: “Porém eu vos digo”, contrapondo e revogando o divórcio de Moisés, deixando claro que o plano original de Deus passa a não tolerar mais segundo casamento, exceto a viúvos(as).

Por isso, quem casasse com a repudiada cometia adultério, mesmo se houvesse um divórcio. Também as denominações tentam justificar que o segundo casamento é pecado só quando se casa com repudiadas(os) que ainda não estão divorciadas(os). As denominações não entendem — ou, se entendem, escondem — que o divórcio de Moisés foi tolerado, como foram a bigamia, a poligamia e a escravidão.

Mesmo a Bíblia afirmando que o casamento é até a morte, as denominações não vão mudar o discurso herético devido ao temor de perder membros dizimistas.

Percebo que, a cada dia, a porta estreita da sã doutrina está ficando cada vez mais insuportável aos hereges, quem dirá aos incrédulos. Quando a Bíblia adverte sobre prevaricação contra a sã doutrina, os ditos cristãos que estão na contramão do justo, santo e bom mandamento não deveriam se arrepender e corrigir aquilo que é heresia?

Desde já, deixo aqui registrada minha elevada estima e admiração por você, presbítero, pelo zelo e cuidado com a Palavra de Deus.

SE UMA ALMA VIR ESSE COMENTÁRIO COM A SUA EXPLICAÇÃO, JÁ SERÁ FRUTÍFERO E, PRINCIPALMENTE, PARA A HONRA E A GLÓRIA DE DEUS.

Minha Resposta:

Meu irmão, agradeço pelas suas palavras e, principalmente, pelo desejo de submeter essas questões à Palavra de Deus. Há vários pontos importantes no que você escreveu com os quais concordo, mas também penso que precisamos fazer algumas distinções para que, ao combatermos erros religiosos, não ultrapassemos aquilo que as Escrituras nos permitem afirmar.

  1. DENOMINAÇÕES E A IGREJA DO NOVO TESTAMENTO

Primeiramente, é correto observar que não encontramos no Novo Testamento o sistema denominacional como o conhecemos hoje.

Quando o Senhor Jesus disse: “Edificarei a minha igreja” (Mateus 16:18), Ele não estava falando de uma organização religiosa humana. A Igreja pertence a Cristo.

Da mesma maneira, quando encontramos igrejas locais no Novo Testamento, elas são identificadas normalmente pelo lugar onde os cristãos estavam reunidos: “a igreja de Deus que está em Corinto” (1 Coríntios 1:2), “a igreja dos tessalonicenses” (1 Tessalonicenses 1:1), “as igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2).

Paulo condenou claramente o espírito partidário quando alguns diziam: “Eu sou de Paulo”, “eu, de Apolo”, “eu, de Cefas” e “eu, de Cristo”. Sua pergunta foi contundente: “Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:12-13).

Portanto, o princípio bíblico não é reunir cristãos em torno do nome de um fundador, de uma tradição, de uma doutrina distintiva ou de uma organização religiosa. Cristo deve ser o centro.

Entretanto, precisamos fazer uma distinção: condenar o denominacionalismo como sistema não significa declarar que todas as pessoas que estão dentro de uma denominação são hereges ou incrédulas.

Há verdadeiros filhos de Deus em diferentes ambientes religiosos. O Senhor conhece os que são Seus (2 Timóteo 2:19). Podemos rejeitar um sistema que consideramos contrário ao modelo neotestamentário sem assumir o direito de julgar indiscriminadamente a salvação de todos que estão dentro dele.

  1. O PROBLEMA DO DÍZIMO

Aqui também é necessária uma distinção importante.

O dízimo fazia parte da ordem estabelecida para Israel. Os levitas recebiam os dízimos porque não receberam uma herança territorial como as demais tribos. Isso aparece claramente em Números 18:21-24.

No Novo Testamento, porém, não encontramos os apóstolos estabelecendo para as igrejas uma lei segundo a qual cada cristão deve obrigatoriamente entregar dez por cento de sua renda.

Quando Paulo ensina acerca da contribuição cristã, a linguagem é diferente:

“No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade” (1 Coríntios 16:2).

E ainda:

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Coríntios 9:7).

Portanto, a contribuição cristã deve ser voluntária, consciente, proporcional e resultante de exercício espiritual. O cristão não deve ser constrangido por ameaças, manipulação emocional ou promessas de enriquecimento.

Isso não significa que contribuir seja desnecessário. Muito pelo contrário. A graça pode levar um cristão a dar muito mais do que dez por cento. O erro está em transformar uma porcentagem da legislação de Israel numa espécie de imposto obrigatório da Igreja e, pior ainda, utilizar medo ou promessas de prosperidade material para arrecadar dinheiro.

Também seria injusto afirmar que todo pastor ou pregador que ensina o dízimo está conscientemente enganando as pessoas para enriquecer. Alguns podem fazê-lo; outros simplesmente ensinam aquilo que sinceramente acreditam ser bíblico. Deus julgará as motivações. Nós podemos julgar o ensino pela Escritura, mas devemos ter cautela ao atribuir intenções ao coração das pessoas.

  1. DIVÓRCIO: JESUS VOLTOU AO PRINCÍPIO DA CRIAÇÃO

Neste ponto, você tocou numa questão fundamental.

Quando os fariseus perguntaram ao Senhor:

“É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?”

Jesus não começou por Deuteronômio 24. Ele voltou a Gênesis.

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:4-6).

Essa passagem é decisiva.

O padrão não foi estabelecido por Moisés. O padrão foi estabelecido na criação.

Um homem.

Uma mulher.

Uma só carne.

Uma união estabelecida por Deus.

Quando os fariseus perguntaram por que Moisés permitira a carta de divórcio, o Senhor respondeu:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:8).

Observe cuidadosamente: “permitiu”.

Não foi o divórcio que Deus estabeleceu na criação. Foi uma concessão dentro de determinada situação causada pela dureza do coração humano.

Por isso, não devemos usar a tolerância encontrada na legislação mosaica para diminuir a força do padrão original de Gênesis 2.

  1. PORNEIA E MOICHEIA

Aqui chegamos a um ponto muito importante do seu comentário.

Você observou corretamente que o texto grego emprega palavras distintas.

Moicheia refere-se propriamente ao adultério.

Porneia possui um campo semântico mais amplo relacionado à imoralidade sexual.

Isso merece atenção porque, em Mateus 15:19, por exemplo, encontramos as duas ideias mencionadas separadamente: “adultérios” e “prostituições”. Portanto, simplesmente afirmar que porneia e moicheia são necessariamente a mesma coisa em Mateus 5 e Mateus 19 cria uma dificuldade interpretativa.

Além disso, existe uma característica importante no Evangelho segundo Mateus.

Logo no primeiro capítulo encontramos José e Maria numa situação própria dos costumes matrimoniais judaicos.

Maria estava “desposada com José” (Mateus 1:18).

Eles ainda não haviam se unido conjugalmente, mas o compromisso era tão sério que José já é chamado de seu “marido”:

“José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mateus 1:19).

Então aparece exatamente a situação de um homem desposado considerando romper aquela união antes da consumação matrimonial porque acreditava ter ocorrido infidelidade sexual.

Isso ajuda consideravelmente na compreensão da chamada “cláusula de exceção” encontrada em Mateus.

É também significativo que a exceção registrada em Mateus não apareça quando o mesmo princípio é apresentado em Marcos e Lucas.

O Senhor declara em Lucas 16:18:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.”

E em Marcos 10:11-12:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera.”

Portanto, devemos interpretar a passagem mais difícil considerando todo o testemunho das Escrituras, e não construir uma doutrina de novo casamento sobre uma única expressão controversa.

  1. O DIVÓRCIO CIVIL NÃO DESFAZ AUTOMATICAMENTE O VÍNCULO DIANTE DE DEUS

Este é outro ponto extremamente importante.

Jesus afirma:

“Qualquer que casar com a repudiada comete adultério” (Mateus 5:32).

Perguntamos então: se a carta de divórcio tivesse realmente dissolvido o vínculo matrimonial diante de Deus, por que uma nova união seria chamada de adultério?

O próprio conceito de adultério pressupõe a existência de um vínculo anterior.

Uma autoridade civil pode declarar duas pessoas legalmente divorciadas perante o Estado. Isso resolve questões jurídicas, patrimoniais e civis. Mas a pergunta do cristão deve ser outra:

O Estado possui autoridade para desfazer aquilo que Deus uniu?

O Senhor disse:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Essa é a questão fundamental.

  1. A MORTE E O VÍNCULO MATRIMONIAL

Quando chegamos às epístolas, o ensino permanece muito claro.

Romanos 7:2-3 diz:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for de outro marido.”

Observe a expressão:

“enquanto ele viver”.

Paulo volta ao assunto em 1 Coríntios 7:39:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Portanto, temos uma afirmação explícita acerca daquilo que encerra definitivamente o vínculo matrimonial: a morte.

Isso também explica por que Paulo diz que as viúvas podem casar novamente.

  1. E SE HOUVER SEPARAÇÃO?

A Palavra de Deus contempla até mesmo essa triste possibilidade.

Em 1 Coríntios 7:10-11, Paulo escreve:

“Todavia, aos casados, mando, não eu mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.”

Veja as duas possibilidades apresentadas depois da separação:

“fique sem casar”

ou

“reconcilie-se com o marido”.

Não aparece uma terceira alternativa dizendo: divorcie-se e procure outro cônjuge.

Isso é muito significativo.

O objetivo de Deus continua sendo a reconciliação, sempre que esta for possível.

  1. TOLERÂNCIA DIVINA NÃO SIGNIFICA APROVAÇÃO DIVINA

Também concordo com o princípio que você apresentou acerca de determinadas práticas encontradas no Antigo Testamento.

Precisamos distinguir entre aquilo que a Bíblia registra e aquilo que Deus aprova.

A Bíblia registra a poligamia de Abraão, Jacó, Davi e Salomão. Isso não significa que a poligamia fosse o padrão estabelecido por Deus.

O próprio Senhor explicou o princípio:

“Mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:8).

Gênesis 2 permanece sendo a referência.

A entrada da poligamia na história bíblica aparece com Lameque, em Gênesis 4:19, e não como parte da instituição original do casamento.

Por isso, uma prática aparecer na narrativa bíblica não significa automaticamente que ela expresse a vontade de Deus.

  1. DEVEMOS DENUNCIAR O ERRO, MAS SEM PERDER O ESPÍRITO DE CRISTO

Aqui eu acrescentaria uma ressalva importante ao seu comentário.

Sim, a sã doutrina deve ser defendida.

Paulo escreveu:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina” (2 Timóteo 4:3).

Tito deveria falar aquilo que convém à sã doutrina (Tito 2:1).

Judas exortou os cristãos a batalharem “pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3).

Portanto, não devemos adaptar a Palavra de Deus aos costumes da sociedade.

Entretanto, defender a verdade não nos autoriza a tratar todos os que discordam de nós como pessoas deliberadamente perversas.

Paulo escreveu que “ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem” (2 Timóteo 2:24-25).

É possível ser firme sem ser arrogante.

É possível denunciar o erro sem odiar quem está no erro.

É possível combater uma doutrina falsa e, ao mesmo tempo, desejar sinceramente a restauração daquele que foi enganado por ela.

  1. O PROBLEMA MAIOR É QUANDO O INTERESSE HUMANO SUBSTITUI A PALAVRA DE DEUS

Neste ponto, sua preocupação é legítima.

Quando uma igreja modifica sua doutrina porque determinada verdade poderá diminuir o número de membros, reduzir contribuições financeiras ou criar problemas sociais, já deixou de perguntar: “O que dizem as Escrituras?”

Passou a perguntar: “O que é conveniente?”

Isso é extremamente perigoso.

Paulo advertiu:

“Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus” (2 Coríntios 2:17).

E escreveu a Timóteo:

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Timóteo 4:16).

A verdade de Deus não pode ser alterada para preservar uma organização religiosa.

  1. MAS TAMBÉM PRECISAMOS TER CUIDADO COM OUTRO EXTREMO

Existe, porém, um perigo do outro lado.

Podemos abandonar uma denominação e continuar profundamente denominacionais em nosso coração.

Podemos dizer: “Nós não temos denominação”, mas começar a pensar:

“Somente nós entendemos.”

“Somente nós obedecemos.”

“Todos os outros são hereges.”

Isso reproduziria exatamente o espírito partidário que estamos condenando.

O centro da reunião cristã não somos nós.

Não é nossa interpretação.

Não é nossa tradição.

Não é nossa história.

Não é o nome de determinado pregador.

É Cristo.

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).

  1. HERESIA EXIGE ARREPENDIMENTO

Finalmente, você pergunta se aqueles que percebem estar ensinando algo contrário às Escrituras não deveriam arrepender-se e corrigir o erro.

Certamente.

E isso vale para todos nós.

Não apenas para “eles”.

Se eu descobrir que durante anos ensinei alguma coisa contrária à Palavra de Deus, minha responsabilidade não é defender minha reputação. É corrigir meu ensino.

Se uma igreja descobrir que determinada prática não possui fundamento bíblico, deve abandoná-la.

Se um presbítero descobrir que ensinou equivocadamente, deve reconhecer o erro.

Se um pregador descobrir que interpretou uma passagem segundo sua conveniência, deve voltar às Escrituras.

Nenhum de nós está acima da Palavra.

Os bereanos foram elogiados porque examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Eles estavam examinando até aquilo que Paulo ensinava.

Esse continua sendo um excelente princípio.

Não devemos perguntar primeiro: “O que minha igreja ensina?”

Nem: “O que minha denominação acredita?”

Nem mesmo: “O que o presbítero Josué ensina?”

A pergunta deve ser:

“O que dizem as Escrituras?”

Se aquilo que eu ensino estiver de acordo com a Palavra de Deus, receba a Palavra. Se algum dia eu ensinar algo contrário às Escrituras, fique com as Escrituras e rejeite aquilo que eu disse.

Nosso compromisso não pode ser com homens, organizações ou tradições.

Nosso compromisso deve ser com o Senhor Jesus Cristo e com Sua Palavra.

Portanto, irmão, considero legítima grande parte da preocupação expressa em seu comentário: o denominacionalismo não corresponde ao padrão simples das igrejas locais encontrado no Novo Testamento; o dízimo não deve ser imposto aos cristãos como uma cobrança legal de dez por cento; a contribuição cristã deve proceder voluntariamente do coração; o padrão matrimonial estabelecido por Deus é uma união entre um homem e uma mulher; Moisés permitiu o divórcio por causa da dureza do coração humano; e as declarações de Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39 mostram claramente a seriedade e permanência do vínculo matrimonial enquanto o cônjuge vive.

Minha ressalva seria principalmente contra generalizações. Nem todo cristão que está numa denominação é herege. Nem todo pastor que ensina o dízimo está tentando enriquecer. Nem toda interpretação diferente procede necessariamente de desonestidade. Há pessoas sinceramente enganadas, pessoas que nunca examinaram profundamente determinados assuntos e também verdadeiros filhos de Deus que ainda carregam tradições recebidas durante muitos anos.

Por isso precisamos de verdade e graça.

“Seguindo a verdade em amor” (Efésios 4:15).

A verdade sem amor pode produzir dureza e orgulho.

O amor sem verdade transforma-se em tolerância ao erro.

Em Cristo encontramos ambos perfeitamente unidos: “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (João 1:17).

Que permaneçamos, portanto, firmes naquilo que está escrito, examinando tudo pelas Escrituras, rejeitando aquilo que é contrário à Palavra, mas sempre lembrando que nosso objetivo não é vencer discussões. É honrar a Cristo, preservar a verdade e, se possível, ganhar e restaurar aqueles que estão no erro.

Josué Matos

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