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Eu entendo o seu ponto de vista, porém precisamos entender que a mensagem central do Evangelho é a ressurreição dos mortos.

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Eu entendo o seu ponto de vista, porém precisamos entender que a mensagem central do Evangelho é a ressurreição dos mortos. O objetivo dele é fazer com que o homem vença o seu maior inimigo, a morte, através do combate ao pecado. Sendo assim, todos os trechos que você menciona são exemplos de figuras de linguagem, sentido figurado e visões. Eles não me parecem ser fatos, mas sombras do que há de acontecer. Então, não devemos levá-los ao pé da letra.

Veja, por exemplo, a transfiguração, onde parecia que Jesus conversava com Moisés e Elias. O objetivo ali era mostrar aos discípulos a divindade de Jesus, e não que Elias e Moisés estavam vivos na Glória. O texto deixa claro que o episódio era uma visão.

Minha Resposta:

Agradeço pelo seu comentário. Concordo que a ressurreição ocupa um lugar fundamental na mensagem do Evangelho. O apóstolo Paulo deixa isso muito claro em 1 Coríntios 15. Se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é vã (1 Coríntios 15:14-17). Também concordo que a morte é chamada de “o último inimigo” (1 Coríntios 15:26) e que sua derrota definitiva está relacionada à ressurreição.

Entretanto, precisamos distinguir duas verdades que a Bíblia apresenta claramente: uma coisa é a existência consciente da pessoa depois da morte; outra coisa é a ressurreição do corpo. A primeira não elimina a necessidade da segunda.

A ressurreição não significa que uma pessoa que deixou completamente de existir volta a existir. Ressurreição, nas Escrituras, envolve o corpo. Por isso Paulo pergunta: “Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?” (1 Coríntios 15:35). Depois explica que aquilo que é semeado em corrupção ressuscitará em incorrupção (1 Coríntios 15:42-44).

É justamente aqui que está a diferença.

Quando um crente morre, seu corpo fica aguardando a ressurreição, mas ele não deixa de existir conscientemente diante de Deus.

O próprio Paulo escreveu:

“Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).

Observe a relação estabelecida pelo apóstolo: deixar o corpo e estar com o Senhor.

Paulo apresenta novamente essa mesma esperança em Filipenses:

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. [...] Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:21-23).

Se, ao morrer, Paulo simplesmente deixasse de ter existência consciente até a ressurreição, seria difícil entender por que ele descreveu a morte como “ganho” e afirmou que “partir e estar com Cristo” era “ainda muito melhor”.

Mas há ainda outros textos.

Na cruz, o Senhor Jesus disse ao malfeitor arrependido:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).

O homem estava pensando no futuro: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lucas 23:42). Entretanto, o Senhor lhe respondeu falando daquele mesmo dia: “Hoje estarás comigo no Paraíso”.

Portanto, sua esperança não precisava aguardar a ressurreição para começar. Seu corpo morreria e aguardaria a ressurreição, mas ele estaria com Cristo.

O mesmo princípio aparece em Lucas 16:19-31, na narrativa do rico e Lázaro. Depois da morte, ambos aparecem conscientes. Lázaro está consolado e o rico está em tormento. Abraão também aparece consciente. Independentemente da discussão sobre ser uma parábola ou não, o Senhor jamais construiria um ensino usando como fundamento uma condição falsa acerca dos mortos.

Agora chegamos à transfiguração.

É verdade que Mateus 17:9 registra a palavra “visão”:

“E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem seja ressuscitado dentre os mortos.”

Mas a palavra “visão” não significa necessariamente algo imaginário, irreal ou sem correspondência com aquilo que realmente estava acontecendo.

O próprio texto deixa isso evidente.

Lucas escreve:

“E eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias” (Lucas 9:30).

Observe que Lucas não diz que os discípulos imaginaram Moisés e Elias. Ele identifica claramente os dois homens.

E mais:

“Os quais apareceram com glória e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém” (Lucas 9:31).

Eles não estavam apenas aparecendo. Estavam conversando com Cristo, e Lucas informa inclusive o assunto da conversa: a morte que o Senhor Jesus realizaria em Jerusalém.

Moisés havia morrido muitos séculos antes. Deuteronômio registra claramente:

“Assim morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor. E o sepultou num vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém tem sabido até hoje a sua sepultura” (Deuteronômio 34:5-6).

Elias, por outro lado, não passou pela morte da maneira comum, pois foi levado por Deus (2 Reis 2:11).

Séculos depois, ambos aparecem com Cristo.

Há um detalhe ainda mais importante. Pedro estava presente naquele acontecimento e, muitos anos depois, explicou o que havia acontecido:

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2 Pedro 1:16).

Pedro não diz: “Tivemos uma imaginação” ou “assistimos a uma representação fictícia”.

Ele diz: “Nós mesmos vimos”.

E continua:

“E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo” (2 Pedro 1:18).

Portanto, a transfiguração foi uma visão no sentido de uma revelação sobrenatural concedida aos discípulos, mas aquilo que lhes foi mostrado comunicava uma realidade verdadeira. Eles realmente viram a majestade de Cristo, realmente ouviram a voz do Pai e realmente viram Moisés e Elias falando com o Senhor.

Além disso, é importante observar que a transfiguração não tinha apenas a finalidade de demonstrar a divindade de Cristo. Ela também antecipava a glória futura do Seu reino.

Pouco antes, o Senhor havia dito:

“Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino” (Mateus 16:28).

Logo depois vem a transfiguração (Mateus 17:1-8).

Pedro posteriormente relacionou aquela experiência à “virtude e à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Pedro 1:16). Portanto, o monte apresentou antecipadamente uma manifestação da glória do reino futuro de Cristo.

Moisés e Elias também são significativos nessa cena. Moisés havia passado pela morte; Elias havia sido trasladado sem passar pela morte comum. Assim, naquela cena gloriosa temos uma bela antecipação daquilo que ocorrerá quando Cristo vier: haverá santos que morreram e serão ressuscitados, e haverá crentes vivos que serão transformados.

Paulo ensina exatamente isso:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:16-17).

Portanto, precisamos evitar dois extremos.

O primeiro seria negar a ressurreição futura do corpo. Isso seria contrário a 1 Coríntios 15.

O segundo seria pensar que, porque haverá uma ressurreição futura, necessariamente não existe consciência entre a morte e a ressurreição. A Bíblia não ensina isso.

O corpo aguarda a ressurreição, mas a pessoa continua existindo.

É por isso que a Escritura pode chamar a morte física de “sono”. O Senhor disse acerca de Lázaro:

“Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono” (João 11:11).

Os discípulos entenderam literalmente e pensaram que Lázaro estivesse dormindo. Então o Senhor esclareceu:

“Lázaro está morto” (João 11:14).

Portanto, “dormir” é uma figura bíblica para a morte, especialmente porque o corpo do crente será despertado na ressurreição. Não significa necessariamente inconsciência da pessoa diante de Deus.

Apocalipse apresenta a mesma verdade quando João vê “as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus” (Apocalipse 6:9). Essas almas estão conscientes e clamam:

“Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Apocalipse 6:10).

Depois recebem uma resposta e lhes é dito que “repousassem ainda um pouco de tempo” (Apocalipse 6:11).

Novamente temos pessoas que morreram fisicamente, mas aparecem conscientes antes da ressurreição final.

Por isso, não considero correto classificar todos esses textos simplesmente como figuras de linguagem e concluir que não descrevem nenhuma realidade presente. Quando diferentes partes das Escrituras convergem para a mesma verdade, devemos permitir que uma passagem esclareça a outra.

A esperança cristã completa não é simplesmente a sobrevivência da alma depois da morte. Nossa grande esperança é Cristo e, juntamente com Sua vinda, a ressurreição e transformação do corpo.

“Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (1 Coríntios 15:53).

Então se cumprirá plenamente a palavra:

“Tragada foi a morte na vitória” (1 Coríntios 15:54).

Portanto, concordamos que a vitória definitiva sobre a morte será manifestada na ressurreição. A diferença está em afirmar que, até essa ressurreição, os mortos deixaram de existir conscientemente. É justamente isso que textos como Lucas 16:19-31; Lucas 23:43; 2 Coríntios 5:6-8; Filipenses 1:21-23; Apocalipse 6:9-11 e a própria transfiguração não nos permitem concluir.

A ressurreição continua sendo indispensável, porque Deus não salvará apenas uma parte do homem. O corpo também pertence ao propósito redentor de Deus. Por isso aguardamos “a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23).

Assim, quando um crente morre, seu corpo aguarda a ressurreição, enquanto ele está com Cristo. Quando Cristo vier, o corpo será ressuscitado e transformado, e então a obra de redenção será manifestada também nele.

Essa é a maravilhosa esperança cristã: morrer é estar com Cristo; ressuscitar é receber um corpo incorruptível e glorificado; e o destino final do salvo é estar para sempre com o Senhor.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Penso que ninguém irá se salvar, a julgar por nossa natureza e pelo nosso coração terrivelmente pecaminoso. Haverá graça e misericórdia para quem falhar na obediência?

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Um tema difícil de entender, irmão. Penso que ninguém irá se salvar, a julgar por nossa natureza e pelo nosso coração terrivelmente pecaminoso. Haverá graça e misericórdia para quem falhar na obediência?

A aparente contradição desaparece quando se distingue justificação de santificação.

Justificação: ninguém é declarado justo diante de Deus por cumprir a Lei. Paulo diz: “pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Romanos 3:20; Gálatas 2:16). A salvação é pela graça, mediante a fé, e não como mérito humano (Efésios 2:8-9).

Santificação: depois de justificado, o cristão é chamado a viver em obediência e transformação. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).

Quem santifica? Deus, pelo Espírito Santo, mediante Cristo. O sangue de Jesus purifica do pecado (1 João 1:7; Hebreus 13:12), e o Espírito produz a santificação (2 Tessalonicenses 2:13; 1 Pedro 1:2).

Então, as obras não salvam? Não como causa da justificação. Mas a fé verdadeira produz uma vida obediente: “somos feitura sua... criados em Cristo Jesus para as boas obras” (Efésios 2:10).

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos” (1 João 1:8). João não está ensinando que o cristão pode viver deliberadamente no pecado. Está reconhecendo a realidade de que ainda precisamos de confissão e purificação (1 João 1:9).

A graça salva → Cristo justifica → o Espírito santifica → o cristão pratica boas obras como fruto da fé.

As obras não compram a salvação, mas uma vida de santidade é apresentada no Novo Testamento como evidência e fruto da obra de Deus na pessoa.

“Para que sejais irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.” — 1 Coríntios 1:8

E:

“Fostes selados para o dia da redenção.” — Efésios 4:30

Minha Resposta:

Irmão, você compreendeu corretamente uma distinção muito importante: justificação e santificação não são a mesma coisa. Entretanto, eu acrescentaria alguns pontos para que não fiquemos com a impressão de que a segurança da nossa salvação depende de alcançarmos determinado nível de obediência.

Se a nossa entrada no céu dependesse de chegarmos ao fim da vida sem falhar, realmente ninguém seria salvo. A Escritura é muito clara quanto à condição natural do homem: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). E ainda: “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10).

É justamente nesse cenário de completa incapacidade humana que aparece a grandeza da graça de Deus.

  1. A justificação é uma obra completa de Deus

Romanos 3:24 diz:

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.”

Observe a palavra “gratuitamente”. Deus não justifica o pecador porque encontrou nele algum mérito, nem porque previu que aquele pecador conseguiria posteriormente viver uma vida perfeita. Deus o justifica com base na obra consumada de Cristo.

Por isso Romanos 5:1 afirma:

“Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo.”

Não diz que talvez tenhamos paz com Deus se conseguirmos manter determinada quantidade de boas obras. A justificação coloca o crente numa nova posição diante de Deus.

Cristo pagou completamente a dívida na cruz. É por isso que Romanos 8:33-34 pergunta:

“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena?”

A segurança do crente repousa primeiramente naquilo que Cristo fez, e não naquilo que o crente consegue fazer.

  1. Isso não significa que o crente se torna impecável

Aqui está outra distinção necessária.

Quando Deus justifica uma pessoa, isso não significa que sua velha natureza pecaminosa desapareceu ou que ela se tornou incapaz de pecar.

O próprio apóstolo João escreve aos crentes:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 João 1:8).

Portanto, a Bíblia não ensina perfeição sem pecado durante a nossa vida presente.

Mas João também não permite que alguém utilize isso como desculpa para viver no pecado. Logo depois ele escreve:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).

Veja o equilíbrio maravilhoso desse versículo.

“Para que não pequeis” — esse é o padrão de Deus.

“Se alguém pecar” — essa é a possibilidade da nossa fraqueza.

“Temos um Advogado para com o Pai” — esse é o recurso da graça de Deus.

João não diz: “Se alguém pecar, deixou de ser filho e precisa ser salvo novamente”.

Ele diz que temos “um Advogado para com o Pai”.

A relação continua sendo de Pai e filho. O pecado prejudica a nossa comunhão com Deus, entristece o Espírito Santo e pode trazer disciplina do Pai, mas Cristo continua sendo nosso Advogado.

  1. Existe diferença entre cair em pecado e viver deliberadamente no pecado

Esse ponto é fundamental para compreendermos 1 João.

João não está dizendo que um verdadeiro crente jamais cometerá um pecado. Se fosse isso, 1 João 1:8-10 e 2:1 seriam contraditórios.

Quando chegamos a 1 João 3, encontramos:

“Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu” (1 João 3:6).

E:

“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado” (1 João 3:9).

O pensamento ali é a prática habitual do pecado como característica da vida. Há uma grande diferença entre um crente que cai e um homem cuja vida é caracterizada pela prática deliberada e contínua do pecado, sem arrependimento.

Pedro caiu terrivelmente. Negou o Senhor Jesus três vezes (Lucas 22:54-62). Mas sua queda não revelou amor pelo pecado. Quando percebeu o que havia feito, “saindo para fora, chorou amargamente” (Lucas 22:62).

O pecado entristece aquele que nasceu de Deus.

  1. Então haverá graça e misericórdia quando falharmos?

Sim. E isso não é uma licença para pecar; é justamente uma das grandes consolações do Evangelho.

Hebreus 4:15-16 diz:

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas... Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”

Observe as duas palavras: “misericórdia” e “graça”.

Deus conhece perfeitamente a nossa fraqueza.

O Senhor Jesus sabia que Pedro iria negá-Lo antes mesmo de Pedro cair. Disse-lhe:

“Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lucas 22:31-32).

Cristo não aprovou o pecado de Pedro, mas também não abandonou Pedro por causa de sua queda.

Depois da ressurreição, o Senhor restaurou aquele servo caído e ainda lhe disse:

“Apascenta as minhas ovelhas” (João 21:17).

Isso é graça.

  1. Mas a graça nunca deve ser usada como desculpa para pecar

Alguém poderia raciocinar: “Se Deus me perdoará quando eu pecar, então posso viver como quiser”.

Paulo responde diretamente:

“Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum” (Romanos 6:1-2).

A mesma graça que salva também começa a transformar a vida daquele que foi salvo.

Tito 2:11-12 declara:

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente.”

Portanto, a graça não apenas nos salva da condenação do pecado; ela também nos ensina a dizer “não” ao pecado.

  1. As boas obras são resultado da salvação, não sua causa

Você citou corretamente Efésios 2:8-10. A ordem desses versículos é muito importante.

Primeiro:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé.”

Depois:

“Não vem das obras, para que ninguém se glorie.”

Somente então Paulo acrescenta:

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras.”

Portanto, não fazemos boas obras para sermos salvos.

Fazemos boas obras porque fomos salvos.

A árvore não se torna viva porque produz fruto; ela produz fruto porque está viva.

Assim também acontece espiritualmente. As obras são evidências da vida que Deus concedeu, não o preço pago por essa vida.

É dessa perspectiva que devemos entender também Tiago 2:17:

“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.”

Tiago não está acrescentando obras ao preço da salvação. Ele está mostrando que uma fé verdadeira manifesta sua realidade na vida. Abraão foi declarado justo quando creu em Deus (Gênesis 15:6; Romanos 4:1-5). Muitos anos depois, sua obediência no oferecimento de Isaque demonstrou exteriormente a realidade daquela fé (Gênesis 22:1-18; Tiago 2:21-23).

As obras não produziram a fé; demonstraram que aquela fé era real.

  1. E Hebreus 12:14: “sem a qual ninguém verá o Senhor”?

Esse versículo não ensina salvação pelas obras.

A santidade é uma característica necessária da vida que Deus produz naquele que nasceu de novo. Não devemos inverter a ordem bíblica.

Não somos santos para nos tornarmos filhos de Deus; somos chamados a viver em santidade porque somos filhos de Deus.

Primeira Pedro 1:15-16 diz:

“Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”

A santificação prática é progressiva. O Espírito Santo trabalha no crente, utilizando a Palavra de Deus para conformá-lo cada vez mais à imagem de Cristo.

Por isso o Senhor Jesus orou:

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17).

E Paulo escreveu:

“Mas todos nós... somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Coríntios 3:18).

Essa transformação continuará enquanto estivermos neste mundo e será completada quando estivermos com Cristo.

  1. Nossa esperança final está em Cristo, não em nossa perfeição

Primeira João 3:2 apresenta uma verdade maravilhosa:

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.”

Hoje ainda não somos aquilo que seremos.

Ainda temos fraquezas.

Ainda enfrentamos tentações.

Ainda podemos falhar.

Ainda precisamos confessar pecados.

Ainda precisamos da intercessão e advocacia de Cristo.

Mas Deus não terminou Sua obra em nós.

Filipenses 1:6 diz:

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.”

Portanto, irmão, não devemos olhar para a nossa natureza pecaminosa e concluir: “Se depender de mim, nunca chegarei ao céu”.

Nesse ponto, eu concordaria plenamente: se dependesse de nós, ninguém chegaria.

Mas a salvação não depende da capacidade do pecador de conservar-se a si mesmo. Ela repousa na obra de Cristo.

O Senhor Jesus declarou:

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:27-28).

Ao mesmo tempo, note que Ele diz: “elas me seguem”.

Temos, portanto, as duas verdades juntas: segurança e discipulado; graça e santidade; posição e prática.

  1. O selo do Espírito Santo confirma essa segurança

Você mencionou corretamente Efésios 4:30:

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.”

É muito significativo que Paulo diga isso justamente numa passagem que trata da possibilidade de um cristão entristecer o Espírito Santo.

Ele não diz: “Não entristeçais o Espírito, para não perderdes o selo”.

Ele diz que os crentes estão “selados para o dia da redenção”.

Efésios 1:13-14 acrescenta que, depois de crermos, fomos “selados com o Espírito Santo da promessa”, que é “o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida”.

Portanto, nossa esperança não está em conseguirmos manter uma vida absolutamente impecável até o último dia. Nossa esperança está naquele que nos salvou, nos justificou, nos selou e continua trabalhando em nós.

  1. Então, qual deve ser a atitude do cristão quando falha?

Não deve pensar: “Já que sou salvo, não importa”.

Também não deve concluir imediatamente: “Pequei, portanto perdi minha salvação”.

Deve reconhecer o pecado diante de Deus:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).

Deve abandonar o pecado:

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13).

E deve continuar olhando para Cristo:

“Temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).

Portanto, podemos resumir desta maneira:

Não somos salvos porque obedecemos perfeitamente.

Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo.

Não praticamos boas obras para conquistar a justificação.

Praticamos boas obras porque fomos criados em Cristo Jesus para elas.

Não buscamos santidade para comprar um lugar no céu.

Buscamos santidade porque pertencemos Àquele que é santo.

Quando pecamos, não devemos tratar o pecado levianamente.

Devemos confessá-lo, abandoná-lo e buscar restauração na presença de Deus.

E nossa confiança final não está na força com que seguramos Cristo, mas na perfeição da obra que Cristo realizou por nós e na fidelidade daquele que nos segura.

Por isso Paulo podia dizer:

“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:38-39).

A graça não nos dá liberdade para viver no pecado. A graça nos salva da condenação do pecado e nos conduz numa vida de santificação. E quando, em nossa fraqueza, falhamos, encontramos em Cristo não uma desculpa para continuar pecando, mas um Advogado, um Sumo Sacerdote e graça suficiente para sermos restaurados e continuarmos caminhando com Deus.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Não faz sentido a pessoa voltar para ressuscitar, visto que 1 Coríntios 15 deixa claro que não será o corpo carnal que ressuscitará, mas, sim, outro corpo, o corpo espiritual?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Não faz sentido a pessoa voltar para ressuscitar, visto que 1 Coríntios 15 deixa claro que não será o corpo carnal que ressuscitará, mas, sim, outro corpo, o corpo espiritual. Jesus explicava aos saduceus que Deus era Deus dos vivos justamente por causa da ressurreição. Do contrário, Ele diria que Abraão vive, e não que iria ressuscitar no último dia.

Minha Resposta:

É importante separar duas verdades bíblicas que não se contradizem: a existência consciente depois da morte e a futura ressurreição do corpo.

Em parte, o seu raciocínio está correto: quando um crente morre, ele não deixa de existir e não fica inconsciente aguardando a ressurreição. Entretanto, 1 Coríntios 15 não ensina que Deus simplesmente abandona definitivamente o corpo que morreu e cria outro ser sem relação com aquele que foi sepultado. O capítulo ensina ressurreição e transformação.

  1. O que significa “corpo espiritual”?

Paulo escreve:

“Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1 Coríntios 15:44).

A expressão “corpo espiritual” não significa “um espírito sem corpo”. Isso seria uma contradição com a própria expressão usada por Paulo. Continua sendo um corpo, porém um corpo transformado e perfeitamente adequado à esfera celestial.

Observe a linguagem empregada em 1 Coríntios 15:

“Semeia-se em corrupção, ressuscitará em incorrupção; semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória; semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual” (1 Coríntios 15:42-44).

Paulo não diz simplesmente: “um corpo é sepultado e outro, sem qualquer relação com ele, é criado”. Ele diz: “semeia-se” e “ressuscitará”. Existe continuidade de identidade, embora haja uma transformação extraordinária na condição desse corpo.

É semelhante à ilustração da semente apresentada pelo próprio apóstolo:

“Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão” (1 Coríntios 15:36-37).

O trigo que nasce não possui a mesma aparência do grão que foi colocado na terra, mas existe continuidade entre a semente e aquilo que dela surge. Assim será na ressurreição.

Portanto, podemos dizer que será o mesmo corpo quanto à identidade, mas completamente diferente quanto à sua condição. Hoje é corruptível; será incorruptível. Hoje é mortal; será imortal. Hoje é corpo natural; será corpo espiritual. Hoje está sujeito à fraqueza; será ressuscitado em poder.

Filipenses confirma isso:

“Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Filipenses 3:21).

Observe que Paulo não diz que Cristo simplesmente descartará nosso corpo e nos dará uma identidade diferente. Ele diz que transformará “o nosso corpo”.

  1. A ressurreição de Cristo é o grande modelo

O melhor exemplo é o próprio Senhor Jesus Cristo.

Quando Ele ressuscitou, não apareceu simplesmente como um espírito. O Senhor disse aos discípulos:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24:39).

Era verdadeiramente o mesmo Jesus que havia sido crucificado. Havia continuidade de identidade. Todavia, Seu corpo estava agora numa condição gloriosa de ressurreição.

Da mesma forma, a esperança do crente não é simplesmente continuar existindo como espírito depois da morte. Nossa esperança inclui “a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23).

  1. O que acontece entre a morte e a ressurreição?

Aqui está um ponto fundamental.

Quando o crente morre, seu corpo fica na sepultura, mas ele próprio continua consciente na presença do Senhor.

Paulo escreve:

“Desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).

E também:

“Desejo partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:23).

Portanto, a Bíblia não ensina que o crente deixa completamente de existir até a ressurreição.

O corpo morreu, mas a pessoa continua existindo conscientemente diante de Deus.

É justamente aqui que entram Abraão, Isaque e Jacó.

  1. O argumento do Senhor Jesus aos saduceus

Os saduceus negavam a ressurreição. Eles apresentaram ao Senhor Jesus o conhecido caso da mulher que havia sido esposa de sete irmãos, perguntando:

“Na ressurreição, pois, de qual dos sete será a mulher?” (Mateus 22:28).

O Senhor respondeu:

“Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mateus 22:29).

Depois acrescentou:

“E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mateus 22:31-32).

Há duas verdades nessa resposta.

Primeiro: Abraão, Isaque e Jacó continuavam vivos diante de Deus.

Quando Deus falou com Moisés na sarça ardente, Abraão já estava morto havia séculos. Mesmo assim, Deus não disse: “Eu era o Deus de Abraão”. Ele disse:

“Eu sou o Deus de Abraão” (Êxodo 3:6).

Isso demonstra que Abraão continuava existindo.

Lucas torna isso ainda mais claro:

“Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos” (Lucas 20:38).

Portanto, neste ponto precisamos fazer uma pequena correção à afirmação apresentada na pergunta: o Senhor Jesus realmente ensinou que Abraão estava vivo naquele momento, embora seu corpo estivesse morto. Abraão estava vivo diante de Deus, aguardando a ressurreição.

  1. Se Abraão já estava vivo, por que precisava ressuscitar?

Porque estar vivo como espírito na presença de Deus não é a mesma coisa que estar ressuscitado.

Esta distinção resolve grande parte da dificuldade.

Abraão está vivo diante de Deus, mas ainda aguarda a ressurreição do corpo.

A morte produziu uma separação entre o espírito e o corpo. A ressurreição desfará essa condição, não fazendo Abraão voltar simplesmente à antiga vida mortal, mas introduzindo-o numa condição corporal adequada à eternidade.

Por isso, quando o Senhor Jesus disse que Deus é “Deus dos vivos”, Ele não estava negando uma futura ressurreição. Pelo contrário, Ele estava usando exatamente essa verdade para provar aos saduceus a certeza da ressurreição.

O próprio Senhor introduziu Sua explicação dizendo:

“E, acerca da ressurreição dos mortos...” (Mateus 22:31).

Portanto, a conclusão não pode ser que Abraão já estava vivo e, por isso, não precisava ressuscitar. O argumento é justamente o contrário: Abraão continua existindo diante de Deus e ainda receberá aquilo que Deus prometeu na ressurreição.

  1. Marta também compreendia a ressurreição futura

Quando Lázaro morreu, o Senhor Jesus disse:

“Teu irmão há de ressuscitar” (João 11:23).

Marta respondeu:

“Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia” (João 11:24).

Marta conhecia a doutrina da futura ressurreição. Porém, o Senhor levou-a a algo ainda maior:

“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25).

Portanto, existe vida consciente depois da morte e existe uma futura ressurreição corporal. Uma verdade não elimina a outra.

  1. Jó esperava uma ressurreição corporal

Essa esperança já aparece no Antigo Testamento:

“Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus” (Jó 19:25-26).

Também Daniel escreveu:

“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão” (Daniel 12:2).

Observe a expressão: “no pó da terra”. A ressurreição está relacionada precisamente àquilo que aconteceu com o corpo.

  1. A mesma verdade aparece em 1 Tessalonicenses

Paulo escreve:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16).

Esses crentes já estão com Cristo quanto à sua parte imaterial, mas seus corpos ainda aguardam a ressurreição.

Quando Cristo vier, acontecerá algo extraordinário:

“Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15:52).

Veja as duas situações:

Os mortos: “ressuscitarão”.

Os vivos: “seremos transformados”.

Em ambos os casos, o resultado será um corpo glorificado, adequado à presença de Deus.

  1. “Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus”

Talvez parte da dificuldade esteja em 1 Coríntios 15:50:

“A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção.”

Paulo não está dizendo que não haverá corpo. Se fosse isso, estaria contradizendo tudo aquilo que acabara de ensinar sobre o “corpo espiritual”.

“Carne e sangue”, nesse contexto, descreve nossa atual condição mortal, corruptível e natural.

Por isso ele imediatamente explica:

“Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados” (1 Coríntios 15:51).

A palavra fundamental é “transformados”.

  1. Portanto, não é simplesmente “outro corpo”

Dizer que será “outro corpo” pode causar uma impressão errada, como se Deus descartasse completamente o corpo atual e criasse uma pessoa corporalmente sem qualquer continuidade com aquela que morreu.

A linguagem bíblica é mais precisa: é ressurreição acompanhada de transformação.

Paulo escreve:

“Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (1 Coríntios 15:53).

Observe a força da expressão “isto que é corruptível”.

Existe continuidade.

O corruptível torna-se incorruptível.

O mortal reveste-se de imortalidade.

O corpo natural é ressuscitado como corpo espiritual.

O corpo de humilhação é transformado à semelhança do corpo glorioso de Cristo.

Assim, a ressurreição não significa simplesmente fazer o homem retornar à mesma condição física que possuía antes de morrer. Isso seria apenas voltar à mortalidade. A ressurreição bíblica significa Deus levantar o corpo em uma condição nova, gloriosa, incorruptível e imortal.

  1. Conclusão

Podemos resumir o ensino bíblico desta maneira:

Quando o crente morre, seu corpo permanece na morte, mas seu espírito continua consciente na presença do Senhor. Por isso Abraão, Isaque e Jacó estavam vivos diante de Deus mesmo séculos depois de sua morte física.

Entretanto, essa condição não é a ressurreição.

Na ressurreição, Deus levantará o corpo, preservando a identidade da pessoa, porém transformando completamente sua condição. O corpo que hoje é natural, mortal, corruptível, fraco e sujeito à morte será ressuscitado espiritual, incorruptível, glorioso e imortal.

Portanto, 1 Coríntios 15 não contradiz as palavras do Senhor Jesus aos saduceus. Pelo contrário, as duas passagens se completam.

Abraão vive diante de Deus agora, mas ainda aguarda a ressurreição.

E o corpo que ressuscitará não será simplesmente o velho corpo restaurado à sua condição mortal, nem um corpo completamente desconectado daquele que morreu. Será o corpo ressuscitado e transformado pelo poder de Deus.

É precisamente por isso que Paulo termina essa grande exposição dizendo:

“Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1 Coríntios 15:54-55).

A esperança cristã não é apenas que a alma sobreviva à morte. É muito maior: Cristo venceu a própria morte, e essa vitória será finalmente manifestada quando os mortos em Cristo forem ressuscitados e receberem corpos glorificados, semelhantes ao Seu corpo glorioso.

Josué Matos

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E, quanto a termos poder em nossas mãos para combater a injustiça/opressão, caso ela nos seja evidenciada, não temos responsabilidade?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Graça e paz.

Assunto muito delicado em seu vídeo, Josué Matos: “Crentes, Peregrinos e Forasteiros Neste Mundo”. Entendo que Cristo é o melhor, e a régua do mundo vai até o menos pior.

O que pode me dizer sobre aquela profecia sobre os oito príncipes que se levantarão no fim dos tempos? (Malaquias)

E, quanto a termos poder em nossas mãos para combater a injustiça/opressão, caso ela nos seja evidenciada, não temos responsabilidade?

Deus abençoe sua vida.

Tenho aprendido muito com o que o Senhor lhe deu!

Minha Resposta:

Graça e paz. Agradeço pelas palavras e pelas perguntas, que realmente tratam de assuntos importantes.

Primeiramente, creio que a passagem à qual você se refere não está no livro de Malaquias, mas em Miqueias 5:5-6:

“E este será a nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra e quando pisar em nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada e a terra de Ninrode nas suas entradas; assim nos livrará da Assíria, quando vier à nossa terra e quando calcar os nossos termos.”

É muito importante observar o contexto, pois Miqueias 5 é uma passagem profundamente messiânica. Poucos versículos antes encontramos uma das profecias mais conhecidas acerca do nascimento do Senhor Jesus:

“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miqueias 5:2).

Mateus 2:5-6 confirma que essa profecia se refere ao Senhor Jesus Cristo.

Portanto, Miqueias não está simplesmente apresentando oito líderes políticos que aparecerão isoladamente no fim dos tempos. Todo o contexto aponta para Israel, para seus inimigos, para a manifestação do Messias e para o estabelecimento do Seu governo.

Quando chegamos a Miqueias 5:5, encontramos a expressão “sete pastores e oito príncipes dentre os homens”. Não devemos necessariamente entender esses números como se Deus estivesse revelando que exatamente oito homens específicos aparecerão no cenário mundial e que precisássemos tentar identificá-los hoje.

Essa construção numérica aparece outras vezes no Antigo Testamento. Por exemplo:

“Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará” (Jó 5:19).

Também lemos:

“Por três transgressões de Damasco e por quatro, não retirarei o castigo” (Amós 1:3).

A ideia é de suficiência, abundância ou plenitude. Assim, “sete pastores e oito príncipes” aponta para a provisão suficiente que Deus levantará para enfrentar o inimigo naquele contexto. O centro da profecia não são os oito príncipes; o centro é Cristo.

Observe a expressão maravilhosa: “E este será a nossa paz” (Miqueias 5:5). A segurança final de Israel não estará nos governantes humanos, nos exércitos ou na capacidade política da nação, mas no próprio Messias.

Isso também explica por que devemos ter cuidado ao pegar essa passagem e aplicá-la diretamente à Igreja. Miqueias está tratando profeticamente de Israel. A Igreja possui esperança e vocação diferentes. Nossa esperança não é conquistar o governo deste mundo, mas aguardar o Senhor Jesus Cristo dos céus (Filipenses 3:20-21; 1 Tessalonicenses 1:10).

Quanto à segunda pergunta, ela é muito importante: se temos condições de combater uma injustiça ou uma opressão, não temos responsabilidade?

Sim, temos responsabilidade, mas precisamos definir biblicamente qual é essa responsabilidade.

Ser peregrino e forasteiro não significa ser indiferente ao sofrimento das pessoas. O cristão jamais deve olhar para uma pessoa sofrendo injustiça e dizer: “Isso não me interessa porque minha cidadania está nos céus”.

O Senhor Jesus contou a parábola do bom samaritano justamente mostrando a responsabilidade moral de socorrer aquele que está diante de nós necessitado (Lucas 10:30-37).

Gálatas 6:10 também diz:

“Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.”

E Tiago escreve:

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tiago 4:17).

Portanto, se presenciamos uma injustiça e temos meios legítimos para ajudar uma pessoa, devemos fazê-lo. Podemos socorrer uma vítima, denunciar um crime às autoridades competentes, servir como testemunha, prestar auxílio material, defender alguém que está sendo injustamente acusado e utilizar os recursos legais disponíveis.

Há uma diferença, porém, entre isso e assumir para a Igreja a missão de transformar politicamente este mundo.

Romanos 13:1-7 ensina que Deus estabeleceu a autoridade civil justamente para manutenção da ordem e punição do mal. Paulo chama a autoridade de “ministro de Deus” quando ela exerce essa função.

Isso significa que, diante de um crime ou de uma injustiça, recorrer às autoridades não contradiz nossa condição de peregrinos.

O próprio apóstolo Paulo utilizou seus direitos legais quando necessário.

Quando foi açoitado ilegalmente em Filipos, ele não simplesmente ignorou o abuso. Paulo lembrou aos magistrados que ele e Silas eram cidadãos romanos e haviam sido açoitados sem condenação (Atos dos Apóstolos 16:35-39).

Em outra ocasião, quando estavam prestes a açoitá-lo, Paulo perguntou:

“É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?” (Atos dos Apóstolos 22:25).

E, quando percebeu que não teria julgamento justo, utilizou o direito que possuía:

“Apelo para César” (Atos dos Apóstolos 25:11).

Portanto, submissão às autoridades não significa aceitar passivamente toda injustiça. O cristão pode recorrer aos meios legais disponíveis.

Existe, contudo, um limite muito claro.

Quando uma autoridade exige aquilo que Deus proíbe ou proíbe aquilo que Deus ordena, nossa primeira fidelidade pertence a Deus.

Foi por isso que Pedro e os demais apóstolos disseram:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

Mas observe que os apóstolos não organizaram uma revolução contra o governo. Eles obedeceram a Deus e aceitaram sofrer as consequências dessa fidelidade.

Aqui encontramos o equilíbrio.

O cristão não deve ser indiferente à injustiça, mas também não recebeu de Cristo a missão de conquistar o sistema político para estabelecer o Reino de Deus.

Nossa responsabilidade é fazer o bem, ajudar o necessitado, denunciar aquilo que deve ser denunciado pelos meios legítimos, agir com justiça em nossa esfera de responsabilidade, obedecer às autoridades enquanto isso não significar desobedecer a Deus e, sobretudo, anunciar o Evangelho.

O Senhor Jesus disse:

“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).

E:

“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).

A influência cristã deve acontecer principalmente pelo caráter, pelas boas obras, pela verdade e pelo testemunho do Evangelho.

Há algo muito significativo em 1 Timóteo 2:1-4. Quando Paulo fala sobre reis e autoridades, ele não manda a Igreja conquistar o poder político. Ele manda os cristãos orarem:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência.”

Por quê?

“Para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.”

E então Paulo relaciona isso ao propósito evangelístico de Deus:

“Que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.”

Portanto, nosso grande objetivo não é colocar o mundo em ordem antes da vinda de Cristo. As Escrituras não apresentam a presente era caminhando para uma transformação moral progressiva produzida pela Igreja. Pelo contrário, Paulo escreveu:

“Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13).

A solução definitiva para a injustiça deste mundo não virá de um partido político, de uma ideologia ou de um governante humano. Virá quando aquele que nasceu em Belém, mencionado justamente em Miqueias 5, assumir publicamente o governo que Lhe pertence.

Isaías profetizou:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros” (Isaías 9:6).

Então haverá justiça perfeita porque o próprio Cristo governará.

Enquanto esse dia não chega, o cristão vive numa posição muito especial: está no mundo, mas não pertence ao mundo (João 17:14-16); respeita as autoridades (Romanos 13:1-7); ora por elas (1 Timóteo 2:1-2); faz o bem a todos (Gálatas 6:10); socorre quem sofre (Lucas 10:30-37); utiliza legitimamente seus direitos quando necessário (Atos dos Apóstolos 16:35-39; 22:25; 25:11); recusa-se a obedecer quando o Estado exige desobediência a Deus (Atos dos Apóstolos 5:29); e anuncia ao mundo a única mensagem capaz de transformar verdadeiramente o ser humano: o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Assim, ser “peregrino e forasteiro” não significa fugir das responsabilidades. Significa saber onde está nossa verdadeira cidadania, a quem pertencemos e qual é nossa principal missão enquanto atravessamos este mundo.

“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma” (1 Pedro 2:11).

Estamos aqui por algum tempo, fazemos todo o bem que pudermos enquanto estivermos aqui, mas aguardamos nossa verdadeira Pátria e o nosso verdadeiro Rei.

Josué Matos

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