Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Você tem algum estudo específico de quando surgiu e quando terminou a era apostólica? E outra pergunta: no Novo Testamento existem apóstolos além dos doze; uma interpretação equivocada não poderia dar margem para defender a continuidade do apostolado hoje?
Minha Resposta:
Suas perguntas são muito pertinentes, e realmente precisam ser tratadas com cuidado bíblico, porque hoje há muita confusão nesse assunto.
Quando começou e quando terminou a era apostólica?
A chamada era apostólica começa com a formação do fundamento da Igreja, que está ligado diretamente à vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, conforme Atos dos Apóstolos 2. Ali inicia-se uma nova dispensação, a da graça, e também o testemunho apostólico.
Os apóstolos foram escolhidos diretamente pelo Senhor Jesus Cristo. Em Lucas 6:13 vemos que Ele chamou os seus discípulos e escolheu doze, aos quais deu também o nome de apóstolos. Posteriormente, em Atos dos Apóstolos 1:21-26, vemos a escolha de Matias para substituir Judas, mostrando que havia critérios muito claros: tinha que ser alguém que tivesse acompanhado o Senhor Jesus desde o princípio e fosse testemunha da sua ressurreição.
Além disso, o apóstolo Paulo também foi chamado de forma extraordinária pelo próprio Senhor glorificado, conforme Atos dos Apóstolos 9 e confirmado em 1 Coríntios 15:8.
A função dos apóstolos era fundamental e única: lançar o fundamento da Igreja. Efésios 2:20 declara claramente que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o Senhor Jesus Cristo a principal pedra da esquina.
Ora, fundamento não se lança repetidamente. Uma vez colocado, a construção continua sobre ele.
Assim, a era apostólica se estende desde o início da Igreja em Atos dos Apóstolos até o período em que os apóstolos ainda estavam vivos e completaram a revelação divina. Isso inclui também o fechamento do cânon do Novo Testamento.
Historicamente e biblicamente, entende-se que essa era se encerra com a morte do último apóstolo, João, por volta do final do primeiro século. A partir daí, não há mais apóstolos no sentido fundacional.
O próprio caráter dos apóstolos confirma isso: eles eram testemunhas oculares do Senhor Jesus ressuscitado (Atos 1:22), tinham autoridade para revelar a verdade divina (João 16:13) e realizar sinais apostólicos (2 Coríntios 12:12).
Esses sinais tinham o propósito de autenticar o ministério deles no início, quando o Novo Testamento ainda não estava completo.
Existem outros “apóstolos” no Novo Testamento?
Sim, o termo “apóstolo” aparece em alguns casos com um sentido mais amplo, como “enviado”. Por exemplo, em Atos dos Apóstolos 14:14, Barnabé também é chamado apóstolo. Em Romanos 16:7, Andrônico e Júnias são mencionados como notáveis entre os apóstolos.
Porém, isso não significa que eles tinham a mesma posição dos doze ou de Paulo. Aqui é fundamental distinguir:
Apóstolos do Cordeiro (os doze + Paulo) → autoridade única e fundacional
Outros enviados (missionários) → uso mais geral da palavra “apóstolo”
Confundir essas duas coisas é exatamente o erro que hoje muitos cometem.
Há continuidade do apostolado hoje?
Não. E aqui precisamos ser firmes, porque a Escritura não dá base para isso.
Como já vimos, os apóstolos tinham requisitos que não podem mais ser cumpridos hoje:
Ter visto o Senhor ressuscitado (1 Coríntios 9:1)
Ter sido chamado diretamente por Ele
Ter participado do fundamento da Igreja
Além disso, Efésios 2:20 deixa claro que o fundamento já foi lançado.
Permitir a ideia de “novos apóstolos” hoje é, na prática, negar que o fundamento já está completo e abrir espaço para novas autoridades e revelações, o que contradiz textos como Judas 1:3, que fala da fé que uma vez foi dada aos santos.
O próprio desenvolvimento do Novo Testamento mostra que, após o período apostólico, a Igreja passa a ser edificada pelo ensino já revelado, e não por novas revelações.
Aplicação ao caso que você mencionou
Essa questão de “apóstola” hoje é fruto exatamente dessa confusão: pegar o uso amplo da palavra e aplicar ao ofício fundacional.
Mas isso não se sustenta biblicamente.
Além disso, 1 Coríntios 1:10-13 já adverte contra divisões e sistemas humanos, e Mateus 7:21 mostra que nem todo aquele que usa o nome do Senhor está realmente em submissão à sua vontade.
A autoridade hoje está na Palavra de Deus, não em homens com títulos.
Portanto, seu sentimento de tristeza é compreensível, e sua preocupação é correta. Ore por esse irmão Adriano Júnior, sim, e procure ajudá-lo com mansidão, mostrando essas verdades das Escrituras.
Conclusão
A era apostólica foi um período único, irrepetível, ligado ao início da Igreja e à revelação do Novo Testamento. O apostolado, no sentido bíblico pleno, não continua hoje. O que permanece é o ensino dos apóstolos, registrado nas Escrituras, que continua sendo a base e autoridade para a Igreja.