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Fazem um corredor de pessoas na reunião e as pessoas que passam por ele — algumas caem — falava que era a unção do Espírito Santo

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Uma consulta com o irmão — vieram me perguntar se aqueles que congregam em sistemas denominacionais e vêm um pastor de fora convidado para pregar e fazem um corredor de pessoas na reunião e as pessoas que passam por ele — algumas caem — falava que era a unção do Espírito Santo — o que eu respondo para essa pessoa?

Minha Resposta:

O que precisamos avaliar nessas situações não é o efeito produzido nas pessoas, mas a origem e o fundamento bíblico da prática. No Novo Testamento, a atuação do Espírito Santo nunca é apresentada como algo mecânico, induzido por gestos humanos, filas, corredores ou comandos de um homem.

Quando lemos o livro de Atos dos Apóstolos, vemos pessoas prostrando-se diante de Deus em ocasiões específicas, mas sempre como resultado direto da revelação da glória divina ou da convicção profunda do pecado, e não como resultado de uma técnica, encenação ou ambiente criado artificialmente. Nunca encontramos apóstolos organizando filas para que pessoas passassem por eles a fim de “receber unção”.

O Espírito Santo é soberano. Ele não é transmitido por toque humano como se fosse uma energia, nem age de forma desordenada ou espetacular para impressionar. A Palavra de Deus ensina que o Espírito Santo glorifica a Cristo, convence do pecado, da justiça e do juízo, e produz fruto visível no caráter do crente, como santidade, domínio próprio e submissão à verdade.

Além disso, o Senhor Jesus advertiu claramente que, nos últimos dias, surgiriam sinais e manifestações capazes de enganar, se possível, até os eleitos. Por isso, somos chamados a provar os espíritos e a examinar todas as coisas à luz das Escrituras, retendo apenas o que é bom.

Portanto, a queda de pessoas, por si só, não é prova de que algo venha do Espírito Santo. A pergunta correta não é “o que aconteceu?”, mas “onde isso está claramente ensinado na Palavra de Deus?”. Se a prática não encontra respaldo nas Escrituras, deve ser rejeitada, ainda que produza forte impacto emocional.

Nosso padrão não são experiências, nem manifestações visíveis, mas a Palavra de Deus. O verdadeiro agir do Espírito Santo conduz à reverência, à edificação da igreja e à exaltação do Senhor Jesus Cristo, nunca à centralização em homens ou em fenômenos.

Josué Matos

J.N. Darby sistematizou verdades proféticas, porém a Bíblia é suficiente em si mesma

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Darby sistematizou verdades proféticas, porém a Bíblia é suficiente em si mesma. Quando lida com sinceridade e em dependência do Espírito Santo, ela não apresenta um arrebatamento secreto anterior à apostasia e à manifestação do homem do pecado. Essa ideia surge quando o texto é lido a partir de um sistema, neste caso (o de Darby, Dispensacionalismo), e não quando o sistema é submetido ao texto bíblico.

O arrebatamento secreto existe apenas dentro do sistema; fora dele, o texto não aponta para um arrebatamento secreto. Quando se dá um passo fora do sistema, o filtro desaparece e a leitura muda.

Minha Resposta:

Agradeço a sua colocação, feita de forma respeitosa e preocupada com a fidelidade ao texto bíblico. Concordamos plenamente em um ponto fundamental: a Bíblia é suficiente em si mesma e deve governar qualquer sistema teológico. Nenhuma estrutura doutrinária tem autoridade própria; ela é válida apenas na medida em que se submete às Escrituras. É justamente nesse terreno que a questão do arrebatamento precisa ser examinada.

  1. Bíblia e sistemas teológicos
    É correto afirmar que John Nelson Darby sistematizou verdades proféticas, mas é incorreto concluir que ele as tenha criado. A sistematização não gera a doutrina; ela organiza aquilo que já está presente no texto bíblico. O mesmo ocorreu com a Trindade, com a justificação pela fé ou com a cristologia: nenhum desses ensinos nasceu de um “sistema”, embora tenham sido posteriormente organizados de forma sistemática. A pergunta decisiva não é se há um sistema, mas se o sistema faz justiça ao conjunto das Escrituras.

  2. O arrebatamento e a distinção dos eventos
    O Novo Testamento apresenta, de forma consistente, duas linhas distintas de esperança futura.
    Há textos que descrevem a vinda do Senhor Jesus Cristo para buscar os Seus, com linguagem de consolo, esperança e reunião nos ares:
    – “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido… e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares” (Primeira Epístola aos Tessalonicenses 4:16–17).
    – “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados” (Primeira Epístola aos Coríntios 15:51–52).

Esses textos não mencionam juízo sobre o mundo, nem sinais prévios, nem manifestação pública do Senhor à terra. O foco é a Igreja e a transformação dos crentes.

Por outro lado, há textos que tratam claramente da manifestação pública de Cristo em glória, acompanhada de juízo, sinais cósmicos e restauração do reino:
– “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem… e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Evangelho segundo Mateus 24:30).
– “Quando o Filho do Homem vier em sua glória… então se assentará no trono da sua glória” (Evangelho segundo Mateus 25:31).

Confundir esses dois conjuntos de textos é que gera tensões artificiais. A distinção não nasce de um sistema, mas da leitura comparativa e honesta das passagens.

  1. Apostasia e homem do pecado
    A afirmação de que a Igreja deve atravessar a apostasia e a manifestação do homem do pecado normalmente se baseia na Segunda Epístola aos Tessalonicenses 2. Contudo, o próprio texto ensina uma ordem clara:
    – Há algo e Alguém que detém a plena manifestação do iníquo (Segunda Epístola aos Tessalonicenses 2:6–7).
    – Somente depois que esse impedimento for removido, o homem do pecado será revelado (Segunda Epístola aos Tessalonicenses 2:8).

Além disso, a Igreja é explicitamente ensinada como não destinada à ira:
– “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (Primeira Epístola aos Tessalonicenses 5:9).
– “E esperar dos céus a seu Filho… Jesus, que nos livra da ira futura” (Primeira Epístola aos Tessalonicenses 1:10).

A grande tribulação, associada ao governo do homem do pecado, é apresentada em toda a Escritura como período de juízo divino sobre o mundo e de disciplina sobre Israel, não como o caminho normal da Igreja.

  1. O argumento do “arrebatamento secreto”
    A Escritura não usa a expressão “arrebatamento secreto”, mas isso não invalida a realidade ensinada. A palavra “Trindade” também não aparece na Bíblia, e nem por isso a doutrina é antibíblica. O arrebatamento é descrito como repentino, inesperado para o mundo e acompanhado de sinais perceptíveis apenas aos que pertencem a Cristo. Ele não é secreto no sentido absoluto, mas distinto da manifestação pública e judicial do Senhor.

  2. Leitura dependente do Espírito Santo
    Ler a Bíblia em dependência do Espírito Santo não significa ignorar comparações, distinções e progressão da revelação. O mesmo Espírito que inspirou as Escrituras não Se contradiz. Quando se respeita a diferença entre Israel e a Igreja, entre esperança celestial e reino terreno, entre graça e juízo, o texto bíblico harmoniza-se sem violência.

Conclusão
Portanto, o arrebatamento da Igreja antes da apostasia e da revelação do homem do pecado não é produto de um sistema imposto ao texto, mas resultado de uma leitura que permite que todas as passagens falem com o seu próprio peso e contexto. Sistemas falham quando dominam a Escritura; são úteis quando se curvam diante dela. O ponto não é seguir Darby ou qualquer outro homem, mas seguir a Palavra de Deus em toda a sua extensão.

Josué Matos

Qual a base bíblica para refutar ou desconsiderar o quarto mandamento do próprio Deus?

Alguém que me escreveu por e-mail: (Também enviou-me um anexo do adventismo que defende a guarda do sábado)

A paz do Senhor, presbítero, qual a base bíblica para refutar ou desconsiderar o quarto mandamento do próprio Deus?

Minha Resposta:

A base bíblica para refutar ou, mais corretamente, não impor o quarto mandamento (a guarda do sábado) ao cristão está na distinção clara que as Escrituras fazem entre a Lei dada a Israel e a posição do crente na nova dispensação da graça, em Cristo. Não se trata de desprezar um mandamento de Deus, mas de compreender a quem ele foi dado, com que propósito e até quando ele vigorou como obrigação legal.

A seguir, apresento uma resposta organizada e estritamente bíblica.

  1. O quarto mandamento faz parte da Lei dada especificamente a Israel

O sábado foi dado como sinal do concerto entre Deus e a nação de Israel, e não como mandamento universal para toda a humanidade.

Êxodo 31:16–17 declara explicitamente:
“Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre”.

O próprio texto define:
– destinatários: os filhos de Israel
– função: sinal do concerto
– natureza: nacional e pactual

Nenhum texto afirma que o sábado foi dado como sinal entre Deus e a Igreja.

  1. O sábado está ligado à Lei mosaica como um todo, não isoladamente

O quarto mandamento não existe de forma independente. Ele faz parte de um sistema legal indivisível.

Tiago 2:10 afirma:
“Qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos”.

Quem defende a obrigatoriedade do sábado está, biblicamente, obrigado a assumir toda a Lei mosaica, incluindo sacrifícios, penalidades, festas judaicas e ordenanças civis — algo que o Novo Testamento explicitamente rejeita.

Gálatas 5:3:
“Todo o homem que se deixa circuncidar fica obrigado a guardar toda a lei”.

  1. Cristo cumpriu a Lei e encerrou sua vigência como sistema legal

O Senhor Jesus afirmou que veio cumprir a Lei, não perpetuá-la como código obrigatório.

Mateus 5:17 não ensina continuidade da Lei como sistema, mas seu cumprimento pleno em Cristo.

Romanos 10:4 é decisivo:
“Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê”.

“Fim” aqui não significa apenas objetivo, mas término funcional. A Lei cumpriu seu papel.

Colossenses 2:14 declara:
“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças… cravou-a na cruz”.

O sábado está incluído nessas ordenanças.

  1. O Novo Testamento afirma explicitamente que o sábado não deve ser imposto ao cristão

Este ponto é central e incontornável.

Colossenses 2:16–17:
“Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras; mas o corpo é de Cristo”.

Aqui o sábado é classificado como:
– sombra
– elemento transitório
– não pertencente à realidade final, que é Cristo

Romanos 14:5:
“Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo”.

Se o sábado fosse mandamento obrigatório para a Igreja, essa afirmação seria impossível.

  1. A Igreja nunca foi instruída a guardar o sábado

Em Atos 15, quando os apóstolos trataram da relação dos gentios com a Lei, nenhuma referência ao sábado foi feita.

Atos 15:28–29:
“Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo algum, senão estas coisas necessárias…”.

O sábado não aparece na lista. O silêncio aqui é teológico e intencional.

  1. Paulo frequentava sinagogas aos sábados por estratégia missionária, não por obrigação

Atos 18:4 e Atos 16:13 descrevem Paulo pregando aos sábados porque era quando os judeus se reuniam. Isso não é mandamento doutrinário, mas contexto histórico.

O mesmo apóstolo declara:
“Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus” (1 Coríntios 9:20).

Não há um único texto ensinando que Paulo guardava o sábado como obrigação cristã.

  1. O “Dia do Senhor” no Novo Testamento não é o sábado

Apocalipse 1:10 menciona “o Dia do Senhor”, mas não o identifica como sábado. Em toda a Escritura, “Dia do Senhor” é expressão ligada à autoridade, ao juízo e à revelação, não ao sétimo dia da semana.

O Novo Testamento mostra a Igreja reunindo-se no primeiro dia da semana:
– Atos 20:7
– 1 Coríntios 16:2

Isso não é “mudança de mandamento”, mas expressão da nova criação em Cristo, ligada à ressurreição.

  1. O verdadeiro descanso não é um dia, mas uma Pessoa

Hebreus 4 é frequentemente usado para defender o sábado, mas ensina exatamente o oposto.

Hebreus 4:9–10:
“Resta um repouso para o povo de Deus; porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras”.

O descanso não é semanal, ritual ou legal, mas espiritual e contínuo, encontrado em Cristo.

Mateus 11:28:
“Vinde a mim… e eu vos darei descanso”.

  1. A Igreja não despreza a Lei, mas vive em um princípio superior

Romanos 7:4:
“Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo”.

Gálatas 3:24–25:
“A lei nos serviu de aio até Cristo… mas depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio”.

A vida cristã não é regulada por mandamentos externos, mas pela vida de Cristo no crente, pelo Espírito Santo.

Conclusão

A base bíblica para não impor o quarto mandamento à Igreja é sólida, ampla e coerente:

– O sábado foi sinal do concerto com Israel
– Faz parte da Lei mosaica como sistema indivisível
– Foi cumprido e encerrado em Cristo
– É chamado de “sombra” no Novo Testamento
– Nunca foi imposto à Igreja
– O verdadeiro descanso é Cristo

Não se trata de rejeitar um mandamento de Deus, mas de honrar o cumprimento perfeito da vontade de Deus em Seu Filho.

Josué Matos

Por que a Bíblia diz: “Arrependei-vos e crede no evangelho”, se já existem pessoas certas, eleitas, predestinadas à salvação?

Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Se Deus já elegeu pessoas para serem salvas, se é que Ele faz acepção de pessoas, ao mesmo tempo por que a Bíblia diz: “Arrependei-vos e crede no evangelho”, se já existem pessoas certas, eleitas, predestinadas à salvação?

Efésios 1
4 Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;
5 E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

Romanos 8
30 E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.
31 Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
32 Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?
33 Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.

Segundo essas passagens, já existem pessoas privilegiadas, eleitas à salvação, e outras não?

Minha Resposta:

A pergunta levantada é antiga, profunda e legítima, e já estava presente nos dias dos apóstolos. Ela não nasce de incredulidade, mas do desejo sincero de harmonizar tudo o que Deus revelou em Sua Palavra. As Escrituras afirmam, sem contradição, tanto a soberania absoluta de Deus quanto a responsabilidade real do homem. O erro surge quando tentamos explicar uma verdade bíblica anulando a outra.

Para responder com clareza, é necessário distinguir alguns pontos fundamentais que a própria Bíblia apresenta.

  1. Eleição e predestinação: o que elas realmente significam

Efésios 1:4–5 afirma que Deus “nos elegeu nele antes da fundação do mundo” e “nos predestinou para filhos de adoção”. Romanos 8:29–30 mostra uma sequência perfeita: os que Deus conheceu, predestinou; os que predestinou, chamou; os que chamou, justificou; e os que justificou, glorificou.

Esses textos ensinam, sem dúvida alguma, que a salvação tem origem em Deus, não no homem. Ela não nasce da vontade humana, nem de méritos, nem de obras, mas do propósito eterno de Deus, conforme também lemos em João 1:12–13 e em Tito 3:5.

No entanto, é essencial observar que a eleição, nesses textos, está sempre “em Cristo”. Deus não elege pessoas isoladamente como indivíduos escolhidos arbitrariamente para o céu ou para o inferno. Ele elegeu um povo em Cristo. Cristo é o Eleito por excelência (Isaías 42:1; 1 Pedro 2:4). Todos os que estão “nele” participam dessa eleição.

A predestinação, em Efésios 1, não é apresentada como predestinação para crer, mas como predestinação para um destino: sermos conformes à imagem do Filho (Romanos 8:29) e filhos adotivos. O texto responde ao “para quê”, não ao “como”.

  1. Deus faz acepção de pessoas?

A Escritura responde claramente que não. “Deus não faz acepção de pessoas” (Atos dos Apóstolos 10:34; Romanos 2:11). Se entendermos a eleição como privilégio arbitrário de alguns em detrimento de outros, entramos em conflito direto com essas declarações claras da Palavra de Deus.

Além disso, a Bíblia afirma repetidas vezes que o desejo de Deus é universal quanto à oferta da salvação:
– “Deus deseja que todos os homens sejam salvos” (1 Timóteo 2:4).
– “O Senhor… não quer que alguns se percam, senão que todos venham ao arrependimento” (2 Pedro 3:9).
– “Cristo morreu por todos” (2 Coríntios 5:14–15).
– “Ele é a propiciação… pelos pecados do mundo inteiro” (1 João 2:2).

Essas declarações não podem ser esvaziadas sem violentar o texto bíblico.

  1. Por que então a Bíblia diz: “Arrependei-vos e crede no evangelho”?

Porque o chamado ao arrependimento e à fé é o meio determinado por Deus para que os eleitos cheguem à salvação. Romanos 8:30 mostra isso claramente: “aos que predestinou, a estes também chamou”. O chamado acontece no tempo, por meio da pregação do evangelho.

Jesus disse: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15). Pedro pregou: “Arrependei-vos” (Atos dos Apóstolos 2:38). Paulo afirmou que Deus “manda que todos, em todo lugar, se arrependam” (Atos dos Apóstolos 17:30).

Se a fé e o arrependimento fossem desnecessários, esses convites seriam inúteis, e os apóstolos estariam anunciando algo meramente simbólico. Mas a Escritura nunca trata esses apelos como formais ou aparentes; eles são reais e dirigidos a todos os ouvintes.

  1. O equilíbrio bíblico: soberania divina e responsabilidade humana

A Bíblia nunca tenta explicar filosoficamente como essas duas verdades se harmonizam; ela simplesmente as afirma lado a lado.

– Deus é absolutamente soberano na salvação (João 6:37; Romanos 9:16).
– O homem é verdadeiramente responsável por responder ao evangelho (João 3:18; João 5:40).

Jesus disse: “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim” (soberania), e imediatamente acrescenta: “e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (responsabilidade e convite aberto).

Não existe na Escritura a ideia de pessoas desejando sinceramente a salvação e sendo impedidas por não estarem “eleitas”. A condenação nunca é atribuída à falta de eleição, mas à incredulidade: “não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40).

  1. Então existem pessoas privilegiadas e outras excluídas?

À luz do conjunto das Escrituras, a resposta é não. Não há um grupo privilegiado salvo sem fé e arrependimento, nem um grupo excluído que desejaria crer, mas não pode. O privilégio da salvação está disponível a todos os que ouvem o evangelho. A diferença final não está no valor das pessoas, mas na resposta à revelação recebida.

Quando alguém crê, descobre depois que essa fé foi fruto da graça eterna de Deus. Quando alguém rejeita, a responsabilidade recai sobre sua própria incredulidade, nunca sobre um decreto oculto que o impediu de crer.

Assim, a eleição não anula o chamado; ela o garante. A predestinação não elimina o arrependimento; ela o produz. E o evangelho pode ser pregado com plena sinceridade a todos, sabendo que Deus salvará eficazmente aqueles que são Seus, por meio da fé em Cristo.

Josué Matos