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Pastor, não existe capítulo um nem versículo um, existe capítulo primeiro, versículo primeiro

Alguém que me escreveu no YouTube:

Pastor, não existe capítulo um nem versículo um, existe capítulo primeiro, versículo primeiro. 

Minha Resposta:

Prezado amigo,

A divisão da Bíblia em capítulos e versículos não faz parte do texto inspirado original. Quando os livros foram escritos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, não havia capítulos numerados nem versículos numerados. Essa organização foi introduzida muitos séculos depois, com o objetivo de facilitar a leitura, o ensino e a localização dos textos.

O sistema de capítulos foi amplamente difundido no século XIII, e a divisão em versículos, como usamos hoje, consolidou-se posteriormente. Portanto, dizer “capítulo um, versículo um” ou “capítulo primeiro, versículo primeiro” não altera em nada o sentido, a reverência ou a exatidão do texto bíblico. Trata-se apenas de uma forma gramatical de referência numérica.

Na língua portuguesa, tanto o uso de numerais ordinais (“primeiro”) quanto cardinais (“um”) pode ocorrer em enumerações, dependendo do contexto e do costume. No uso comum — inclusive acadêmico — é perfeitamente aceitável dizer “capítulo 1, versículo 1” ou “capítulo um, versículo um”.

O que realmente importa não é a forma de mencionar a numeração, mas a fidelidade ao conteúdo inspirado. A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hebreus 4:12), independentemente da forma como indicamos suas divisões técnicas.

Se formos rigorosos, devemos lembrar que nem “capítulo” nem “versículo” existiam no texto original. O essencial é compreendermos corretamente o ensino das Escrituras e aplicá-lo à vida.

Com respeito e consideração.

Josué Matos

Por que nas vossas igrejas não usam instrumentos musicais?

Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Por que nas vossas igrejas não usam instrumentos musicais? Onde na Bíblia proíbe-se usar instrumentos musicais nas reuniões da igreja? Paulo disse para os crentes salmodiar e os salmos não eram cantados com instrumentos musicais?

Minha Resposta:

Irmão, agradeço a sua pergunta, porque ela é feita com sinceridade por muitos crentes.

Primeiro, é importante deixar claro: não usamos instrumentos musicais nas reuniões da igreja não porque exista um versículo que diga explicitamente “é proibido usar instrumentos”, mas porque entendemos que o padrão do Novo Testamento para a assembleia é outro.

A questão não é: “Onde a Bíblia proíbe?”, mas: “O que a Bíblia ensina e apresenta como prática da igreja?”

  1. A diferença entre Israel e a Igreja

No Antigo Testamento, especialmente no livro dos Salmos, encontramos abundantes referências a instrumentos: harpa, saltério, címbalos, trombetas (Salmos 150). Mas é fundamental lembrar que esses cânticos estavam ligados ao culto levítico no templo, sob a Lei de Moisés.

Em 2 Crônicas 29:25, por exemplo, vemos que os instrumentos foram estabelecidos “segundo o mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do Senhor por meio dos seus profetas”. Ou seja, os instrumentos faziam parte de um sistema sacerdotal, cerimonial e nacional, ligado ao templo e ao sacrifício.

A igreja, porém, não está debaixo da Lei, nem possui templo físico, nem sacerdócio levítico, nem altar material. O culto cristão não é uma continuação do culto judaico reformado; é algo novo, de natureza espiritual.

  1. O padrão do Novo Testamento para o cantar da igreja

Quando chegamos ao Novo Testamento, o cenário muda completamente.

Em Efésios 5:19 lemos:

“Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração.”

Note que o instrumento mencionado é “o coração”. O verbo “salmodiar” (psallo, no grego) não exige instrumento externo; no contexto, ele é claramente qualificado por “no vosso coração”.

Em Colossenses 3:16:

“Ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.”

Outra vez, o foco não está em acompanhamento instrumental, mas no conteúdo espiritual e na edificação mútua.

Em 1 Coríntios 14:15, Paulo diz:

“Cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.”

Nada é dito sobre instrumentos. Ao contrário, todo o capítulo enfatiza inteligibilidade, edificação e participação consciente da assembleia.

É muito significativo que, em todas as instruções sobre a reunião da igreja (1 Coríntios 11–14), não haja qualquer referência a instrumentos musicais.

  1. “Mas Paulo disse para salmodiar…”

É verdade. A palavra “salmo” aparece. Porém, no uso do Novo Testamento, “salmo” não significa necessariamente o livro dos Salmos cantado com harpa, como no templo.

A igreja primitiva cantava “salmos, hinos e cânticos espirituais”. Isso inclui composições cristãs. O centro agora não é o templo em Jerusalém, mas Cristo glorificado; não é a arca, mas o trono celestial; não é a sombra, mas a realidade.

Além disso, é notável que, historicamente, os primeiros cristãos não usaram instrumentos nas reuniões por vários séculos. Isso mostra como eles entenderam o ensino apostólico.

  1. A natureza espiritual do culto cristão

O Senhor Jesus disse em João 4:23-24:

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”

A ênfase está na realidade interior, não em aparato exterior. O culto cristão não depende de estímulos sensoriais, mas da ação do Espírito Santo no coração regenerado.

No Antigo Testamento, havia sacerdotes separados, instrumentos consagrados, vestes especiais, incenso, altar, sacrifícios. No Novo Testamento, todos os crentes são sacerdotes (1 Pedro 2:5), e o sacrifício é espiritual: “fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15).

  1. Uma questão de obediência ao modelo apostólico

Não afirmamos que um instrumento em si seja pecado. A questão é outra: o que a Palavra apresenta como prática da igreja reunida?

Quando o Novo Testamento regula a Ceia do Senhor, o ministério, o exercício dos dons, o papel da mulher, o silêncio, a ordem na reunião — ele é específico. E nesse mesmo contexto, nunca há menção de instrumentos.

Se algo fez parte do culto judaico e desaparece completamente nas instruções apostólicas para a igreja, devemos pelo menos considerar que isso não pertence ao modelo da assembleia cristã.

Portanto, nossa prática não é baseada em uma proibição explícita, mas em um princípio: seguir o padrão simples, espiritual e apostólico do Novo Testamento.

Concluindo

Os salmos no Antigo Testamento eram, sim, acompanhados por instrumentos no contexto do templo e da nação de Israel. Mas a igreja não é Israel, e a reunião da igreja não é o templo levítico.

Na assembleia, o instrumento é o coração regenerado. O louvor sobe não por cordas vibrando, mas por vidas transformadas.

Assim, nossa posição não é uma crítica a quem usa instrumentos, mas um desejo de permanecer o mais próximo possível do modelo que vemos nas Escrituras para a igreja reunida.

Com estima cristã,

Josué Matos

Para se crer em Deus, tem que ser muito insano ao ponto de ir contra todos os estudos científicos

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Para se crer em Deus, tem que ser muito insano ao ponto de ir contra todos os estudos científicos comprovando a idade da Terra de 4,5 bilhões de anos, evolução e demais coisas, e mesmo assim, crer que tudo foi criado em 6 dias e, para piorar, tudo isso foi há 6 mil anos atrás… É muita fé mesmo.

Minha Resposta:

Meu amigo, chamar de “insano” quem crê em Deus não é um argumento científico, é apenas uma opinião. A ciência trabalha com modelos explicativos baseados em observação e interpretação de dados; ela não tem autoridade para declarar inexistente aquilo que está além do método científico.

Primeiro ponto: a idade estimada da Terra (4,5 bilhões de anos) é baseada em pressupostos interpretativos, especialmente no uniformitarismo — a ideia de que os processos atuais sempre ocorreram na mesma taxa no passado. Isso é um modelo. Não é uma observação direta de bilhões de anos. Nenhum cientista estava lá. São inferências feitas a partir de dados atuais.

Segundo ponto: evolução biológica no sentido de adaptação dentro de espécies (microevolução) é observável. Mas a transformação gradual de formas simples em toda a diversidade da vida (macro­evolução universal) continua sendo uma construção teórica baseada em interpretação de evidências fósseis e genéticas. Há debates reais dentro da própria comunidade científica sobre lacunas, complexidade irreduzível e origem da informação biológica.

Terceiro ponto: crer que tudo surgiu por acaso, a partir de matéria inanimada, que por si mesma produziu informação genética altamente organizada, consciência, moralidade e racionalidade — isso também exige fé filosófica. A ciência descreve mecanismos; ela não explica a origem última da matéria, das leis naturais ou da própria racionalidade humana.

Além disso, a própria existência de leis físicas constantes, ajuste fino do universo, ordem matemática e inteligibilidade do cosmos são argumentos que muitos cientistas veem como compatíveis com a ideia de um Criador.

Quanto aos “seis dias”, a discussão não é simplesmente científica, mas também hermenêutica. Existem diferentes interpretações entre cristãos sobre como entender Gênesis 1. Mas independentemente disso, a questão central não é o número de anos — é se o universo é fruto de mente ou de acidente.

A fé bíblica não é fé contra evidências; é fé baseada na revelação histórica, especialmente na pessoa do Senhor Jesus Cristo. O cristianismo se ancora em fatos históricos verificáveis: vida, morte e ressurreição. Se Cristo ressuscitou, então a cosmovisão bíblica merece ser levada muito a sério.

No fim, todos têm pressupostos. A pergunta não é “quem tem fé”, mas “em quê está sendo depositada a fé?”. Em matéria impessoal que, sem propósito, gerou mente e moralidade? Ou em um Deus pessoal que criou o universo com propósito?

Chamar o outro lado de insano não resolve o debate. O que precisamos é de argumentos, não de rótulos.

No fim das contas, a questão não é apenas quantos bilhões de anos a Terra teria, mas o que acontece depois que nossos poucos anos aqui terminam. A ciência pode medir matéria, energia, fósseis e radiação; mas ela não responde à pergunta mais profunda: o que acontece com a consciência, com a alma, com a responsabilidade moral do ser humano após a morte?

Se não há Criador, então a morte é apenas extinção. Não há prestação de contas, não há justiça final, não há esperança além do túmulo. Tudo termina no silêncio da decomposição. Mas se há um Deus pessoal, santo e justo, então a morte não é o fim — é transição. E, nesse caso, cada ser humano terá de responder diante dEle.

A mensagem bíblica vai além de afirmar que existe um Criador. Ela revela que o próprio Criador entrou na história. O Filho de Deus veio ao mundo não apenas para mostrar poder, mas para salvar pecadores. Ele não veio apenas como Criador, mas como Salvador. A cruz não foi um acidente; foi substituição. Ali, o Senhor Jesus levou sobre Si o juízo que cabia a nós.

A salvação não é por mérito, religião ou boas obras. É pela fé. Arrependimento diante de Deus e confiança pessoal na obra de Cristo. Reconhecer que somos pecadores, incapazes de nos justificar, e descansar somente no sacrifício dEle.

A pergunta final não é se alguém crê em bilhões de anos ou seis dias. A pergunta é: você está preparado para morrer? Se Cristo é quem disse ser, então a decisão mais racional da vida é confiar nEle enquanto há tempo.

Josué Matos

A profissão de policial não parece seguir as pegadas de Cristo, estou certa?

Alguém que me escreveu no YouTube:

Me escreveu depois de assistir ao vídeo: O Cristão e a Guerra  - C. H. Mackintosh(1820-1896) - (Áudio Livro/Audiobook)

Ela disse-me:

Irmão Josué, depois de ouvir esse áudio, eu fiquei a pensar que a profissão de policial não parece seguir as pegadas de Cristo, estou certa?

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito sincera, e mostra um coração que deseja andar nas pegadas do Senhor Jesus.

Quando lemos os Evangelhos, especialmente em Evangelho de Mateus 5:38-44, vemos o Senhor ensinando: “Não resistais ao mal... amai os vossos inimigos”. Em Evangelho de João 18:36, Ele declara: “O meu reino não é deste mundo”. E, quando Pedro usou a espada, o Senhor lhe disse: “Embainha a tua espada” (João 18:11). Tudo isso revela claramente que o caráter pessoal do cristão é marcado por mansidão, paciência, perdão e disposição para sofrer injustiça.

Sob esse aspecto, é compreensível a sua inquietação. A função policial envolve o uso legítimo da força, e às vezes até o uso de armas. À primeira vista, isso parece distante da atitude do Senhor, que Se entregou voluntariamente à cruz.

No entanto, é importante considerar também o ensino das Escrituras acerca das autoridades civis. Em Epístola aos Romanos 13:1-4, lemos que “não há autoridade que não venha de Deus” e que a autoridade “não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, vingador para castigar o que faz o mal”. Aqui não se trata de vingança pessoal, mas da função do Estado na manutenção da ordem.

Portanto, há uma distinção fundamental entre:

  1. A conduta pessoal do cristão.

  2. A responsabilidade delegada por Deus às autoridades civis.

O cristão, como indivíduo, não deve buscar vingança (Romanos 12:19). Mas o Estado, como instituição estabelecida por Deus para conter o mal, tem o direito e o dever de punir o criminoso.

A questão, então, não é simplesmente a profissão em si, mas como ela é exercida. Um policial pode agir com senso de justiça, sem crueldade, sem ódio, sem abuso de poder. Pode exercer sua função como um serviço à sociedade, preservando vidas e protegendo inocentes. Nesse caso, ele estaria atuando dentro da esfera de autoridade que Deus permitiu.

Por outro lado, é verdade que essa profissão expõe a pessoa a situações moralmente complexas e espiritualmente desafiadoras. Nem todos conseguem manter uma consciência sensível e dependente de Deus nesse ambiente. Por isso, trata-se de uma decisão que deve ser considerada diante do Senhor, com oração e convicção pessoal.

As pegadas de Cristo são marcadas por amor, verdade, justiça e submissão à vontade do Pai. A pergunta que cada crente deve fazer não é apenas “qual é minha profissão?”, mas “posso exercer essa função com uma consciência limpa diante de Deus, refletindo o caráter de Cristo?”.

Se a resposta for não, então a inquietação é um alerta. Se for sim, e houver equilíbrio entre justiça e misericórdia, então a pessoa pode entender sua função como parte da ordem estabelecida por Deus neste mundo ainda marcado pelo pecado.

Que o Senhor lhe conceda discernimento e paz ao considerar essa questão.

Josué Matos