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Quando o anticristo se manifestar, fazendo sinais e prodígios de mentira sob a eficácia de Satanás, a esperança da Igreja vai continuar a estar no Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Pastor, pela última vez, quando o anticristo se manifestar, fazendo sinais e prodígios de mentira sob a eficácia de Satanás, a esperança da Igreja vai continuar a estar no Dia do Senhor, porque a Igreja não foi feita para a ira de Deus, que é quando Jesus vier em chama de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Este é que é o verdadeiro contexto. Acerca do arrebatamento, você dá uma importância ao anticristo que ele não tem, a ponto de dizer que a Igreja vai ser arrebatada ainda antes dessa figura aparecer. O arrebatamento é no Dia do Senhor. Essa é que é a esperança da Igreja para não passar pela ira de Deus.

Se a ira de Deus é no Dia do Senhor, por que a Igreja tem que ser arrebatada antes do homem do pecado aparecer? Você é que pensa que a ira de Deus começa quando esse homem aparecer.

Agora, pense o que você quiser. E está tudo dito da minha parte. Não respondo mais.

Resposta bíblica:

Mais uma vez, sua argumentação revela um problema que já procurei demonstrar nas respostas anteriores: você parte de uma conclusão previamente estabelecida, seleciona as passagens que aparentemente a favorecem e exige que todas as demais Escrituras sejam interpretadas de acordo com essa conclusão.

Isso não é uma exposição contextual das Escrituras. É uma leitura seletiva que desconsidera distinções fundamentais da revelação profética.

Também já esclareci anteriormente que não sou pastor. Entretanto, você continua utilizando esse título, o que demonstra, no mínimo, falta de atenção ao conteúdo das respostas que recebe. Se nem mesmo uma informação tão simples é considerada, torna-se difícil desenvolver uma discussão séria sobre assuntos que exigem leitura cuidadosa, comparação de textos e atenção aos detalhes.

Não pretendo repetir toda a exposição que já apresentei. Entretanto, sua última mensagem contém erros de interpretação que precisam ser identificados, especialmente porque você insiste em chamar sua conclusão de verdadeiro contexto bíblico.

1. O problema de interpretar uma passagem isoladamente

O apóstolo Pedro escreveu:

"Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação." (2 Pedro 1:20).

O contexto imediato trata da origem divina da profecia, conforme o versículo 21 esclarece. Portanto, Pedro não está simplesmente apresentando uma regra técnica de interpretação. Contudo, a própria origem divina das Escrituras exige que não tratemos uma passagem como se estivesse desligada das demais revelações dadas pelo mesmo Espírito Santo.

Uma interpretação profética precisa considerar o conjunto das Escrituras.

Você insiste em Segunda Tessalonicenses 2 como se esse capítulo, interpretado segundo sua compreensão particular, tivesse autoridade para anular tudo aquilo que o apóstolo Paulo já havia ensinado em Primeira Tessalonicenses 4 e 5.

Esse procedimento inverte a ordem natural da exposição bíblica.

Paulo não escreveu Segunda Tessalonicenses para contradizer sua primeira epístola. Escreveu para corrigir um equívoco que estava perturbando aqueles crentes.

2. Você continua confundindo a vinda de Cristo para os seus com sua manifestação em juízo

Em Primeira Tessalonicenses 4:13-18, Paulo apresenta uma revelação específica acerca dos santos que morreram em Cristo e daqueles que estiverem vivos por ocasião de sua vinda.

Observe os elementos da passagem:

  • O próprio Senhor descerá do céu.
  • Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.
  • Os crentes vivos serão arrebatados juntamente com eles.
  • Todos encontrarão o Senhor nos ares.
  • Estarão para sempre com Ele.

O texto termina dizendo:

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras." (1 Tessalonicenses 4:18).

Onde está o anticristo nessa passagem? Onde Paulo determina que a Igreja precisa aguardar a manifestação do homem do pecado? Onde estabelece a Grande Tribulação como condição para o encontro dos santos com Cristo?

Em lugar nenhum.

Agora compare com Segunda Tessalonicenses 1:7-10. Ali encontramos o Senhor Jesus revelado do céu, com os anjos do seu poder, em chama de fogo, exercendo vingança sobre aqueles que não conhecem a Deus e não obedecem ao evangelho.

O caráter dos acontecimentos é diferente.

Em uma passagem, os santos são arrebatados para encontrar Cristo nos ares. Na outra, Cristo é manifestado em julgamento.

A interpretação pré-tribulacionista distingue esses acontecimentos, compreendendo-os como fases da segunda vinda de Cristo. Não se trata de duas pessoas ou de dois salvadores, mas de aspectos distintos do cumprimento de sua promessa.

Você simplesmente reúne essas passagens, ignora suas diferenças e declara que tudo precisa acontecer no mesmo momento.

Entretanto, afirmar repetidamente uma conclusão não equivale a demonstrá-la exegeticamente.

3. Segunda Tessalonicenses 2 não ensina aquilo que você está tentando impor ao texto

Paulo começa o capítulo dizendo:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele." (2 Tessalonicenses 2:1).

Em seguida, no versículo 2, explica que os tessalonicenses não deveriam ficar perturbados, como se o Dia do Senhor já tivesse chegado.

Aqui está uma distinção que você continuamente deixa de considerar.

Paulo menciona a vinda de Cristo e nossa reunião com Ele e, em seguida, trata do erro relacionado ao Dia do Senhor.

Os tessalonicenses estavam sendo perturbados por um falso ensinamento acerca desse Dia. Paulo demonstra que os acontecimentos proféticos que caracterizam aquele período não haviam ocorrido.

A manifestação do homem do pecado é apresentada no contexto dessa explicação.

O apóstolo não está ensinando que a Igreja deve aguardar o anticristo para, somente depois, começar a esperar por Cristo.

Pelo contrário, a esperança da Igreja já havia sido apresentada na primeira epístola.

É necessário ainda observar Segunda Tessalonicenses 2:6-8. Paulo declara que existe algo que detém a manifestação do iníquo, até que seja afastado do caminho aquilo que atualmente o restringe.

Na compreensão pré-tribulacionista, essa restrição está relacionada à presente atuação do Espírito Santo por meio da Igreja. Isso não significa que o Espírito Santo deixará de existir ou de operar na terra depois do arrebatamento, mas que sua presente atuação restritiva será retirada.

Somente então o iníquo será revelado.

Portanto, não é o anticristo que determina a esperança da Igreja. É o propósito soberano de Deus que determina o tempo da manifestação do anticristo.

Você está colocando a ordem dos acontecimentos de cabeça para baixo.

4. A ira de Deus não se limita à manifestação final de Cristo em chama de fogo

Este é outro erro fundamental da sua argumentação.

Você afirma que a ira de Deus ocorre quando Cristo vier em chama de fogo, como se a Escritura não apresentasse manifestações anteriores do juízo divino durante o período tribulacional.

Leia Apocalipse 6:15-17.

Depois da abertura do sexto selo, os reis da terra, os grandes, os ricos, os poderosos e os demais homens procuram esconder-se da presença daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro.

O versículo 17 declara:

"Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?"

Observe que ainda estamos no capítulo 6 de Apocalipse.

Os juízos das trombetas e das taças ainda serão apresentados nos capítulos seguintes.

Em Apocalipse 15:1, encontramos sete anjos com as últimas sete pragas, nas quais se consuma a ira de Deus.

Logo, sua afirmação de que a ira divina se restringe ao momento da manifestação gloriosa de Cristo não corresponde à sequência profética apresentada no livro de Apocalipse.

A manifestação final de Cristo em juízo não deve ser confundida com a totalidade do período em que Deus estará executando seus juízos sobre a terra.

Também não estou afirmando que a ira de Deus começa simplesmente no instante em que o homem do pecado aparece. Essa é uma conclusão que você atribui à minha posição, mas não representa o argumento que venho apresentando.

A questão é que a Igreja não foi destinada ao período da ira divina, e a revelação profética não limita essa ira ao último instante da Tribulação.

5. A promessa feita à Igreja é muito mais específica do que você admite

Em Primeira Tessalonicenses 5:9, Paulo declara:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."

Essa promessa precisa ser considerada juntamente com Primeira Tessalonicenses 1:10, onde lemos que aguardamos dos céus o Filho de Deus, Jesus, que nos livra da ira futura.

Observe também Apocalipse 3:10:

"Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra."

O Senhor não promete apenas preservar os seus durante uma determinada prova. A expressão utilizada é guardar da hora da provação.

Na interpretação pré-tribulacionista, isso aponta para a preservação da Igreja em relação ao próprio período de provação mundial.

Você pode discordar dessa interpretação, mas não pode simplesmente ignorar a passagem e continuar afirmando que sua leitura de Segunda Tessalonicenses 2 encerra toda a discussão.

É precisamente esse tipo de procedimento que impede uma compreensão equilibrada da profecia bíblica.

6. Você também precisa considerar a distinção entre Israel e a Igreja

Daniel 9:24 estabelece expressamente que as setenta semanas estão determinadas sobre o povo de Daniel e sobre sua santa cidade.

O povo de Daniel é Israel. Sua santa cidade é Jerusalém.

A septuagésima semana, apresentada em Daniel 9:27, pertence ao cumprimento desse programa profético.

Em Jeremias 30:7, encontramos a expressão "tempo de angústia para Jacó", seguida da promessa de que ele será livrado dela.

Jacó é uma designação relacionada a Israel, não um título profético da Igreja.

Isso não significa que somente judeus estarão presentes ou serão afetados pelos acontecimentos daquele período. Significa que a finalidade profética desse tempo não pode ser compreendida sem considerar os propósitos de Deus para Israel e para as nações.

A Igreja, por sua vez, é apresentada no Novo Testamento como o Corpo de Cristo, um mistério que não havia sido revelado às gerações anteriores da mesma maneira como foi manifestado aos apóstolos e profetas pelo Espírito (Efésios 3:3-6).

Misturar indiscriminadamente Israel e Igreja compromete a compreensão de toda a estrutura profética.

7. A esperança da Igreja é Cristo, não a manifestação do anticristo

Você afirma que estou dando importância excessiva ao anticristo por ensinar que a Igreja será arrebatada antes de sua manifestação.

O argumento é contraditório.

Quem está colocando o anticristo como referência necessária para o arrebatamento é você, ao insistir que sua manifestação precisa acontecer antes que a Igreja seja reunida ao Senhor.

Minha esperança não está no aparecimento do homem do pecado. Está na pessoa do Senhor Jesus Cristo.

Em Tito 2:13, Paulo escreve:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo."

Em Filipenses 3:20, declara que aguardamos dos céus o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

Em Primeira Tessalonicenses 1:10, a expectativa dos crentes é apresentada como aguardar dos céus o Filho de Deus.

Nenhuma dessas passagens apresenta o anticristo como objeto da esperança cristã.

É evidente que a Escritura revela acontecimentos que precedem a manifestação pública e gloriosa de Cristo. Entretanto, não se deve transformar os sinais relacionados ao Dia do Senhor em condições necessárias para que a Igreja possa esperar por seu Salvador.

Essa é justamente uma das distinções que você insiste em desconsiderar.

Considerações finais

Não considero necessário prolongar indefinidamente uma discussão na qual os mesmos argumentos são repetidos sem que as passagens apresentadas anteriormente sejam examinadas com a devida atenção.

Você encerrou mensagens anteriores afirmando que seriam suas últimas palavras e agora volta a fazer a mesma declaração. Naturalmente, tem toda a liberdade de escrever ou deixar de escrever. Entretanto, uma declaração de encerramento não transforma uma interpretação em verdade bíblica.

Também não é suficiente escrever "este é que é o verdadeiro contexto". É preciso demonstrá-lo mediante uma exposição coerente das Escrituras, respeitando o assunto, os destinatários, o propósito e a sequência de cada passagem.

A questão não é aquilo que eu penso ou aquilo que você pensa. A questão é aquilo que Deus revelou.

E, se realmente desejamos compreender sua Palavra, precisamos estar dispostos a permitir que uma passagem esclareça outra, em vez de obrigar toda a revelação bíblica a submeter-se à nossa interpretação preferida.

Recomendo que examine cuidadosamente Primeira Tessalonicenses 4 e 5, Segunda Tessalonicenses 1 e 2, Daniel 9, Jeremias 30 e Apocalipse 3 a 19, considerando suas distinções e sua relação com o conjunto da profecia bíblica.

A leitura de um capítulo isolado, acompanhada de repetidas afirmações de certeza, não substitui o estudo sério, exegético e contextual das Escrituras.

Convicção pessoal não é sinônimo de fidelidade ao texto bíblico.

Como está escrito:

"Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21).

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Congreguei em um ministério progressista no qual, no dia da Santa Ceia, qualquer pessoa participava.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Congreguei em um ministério progressista no qual, no dia da Santa Ceia, qualquer pessoa participava.

Minha Resposta:

Agradeço por compartilhar sua experiência. Essa é uma questão muito importante, pois envolve não apenas a maneira como uma determinada congregação realiza suas reuniões, mas também o significado da Ceia do Senhor e a responsabilidade da igreja local diante da Palavra de Deus.

Precisamos compreender que a Ceia do Senhor não é uma cerimônia religiosa aberta indiscriminadamente a qualquer pessoa. Trata-se de uma reunião especialmente destinada aos salvos, na qual os cristãos, reunidos em nome do Senhor Jesus Cristo, participam do pão e do cálice em memória daquele que morreu por eles.

O próprio Senhor Jesus instituiu essa celebração, conforme lemos em Lucas 22:19-20, e posteriormente o apóstolo Paulo recebeu instruções específicas do Senhor acerca da sua observância:

"Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão." (1 Coríntios 11:23).

Observe que a Ceia não foi estabelecida segundo as preferências humanas, mas por determinação do próprio Senhor Jesus. Portanto, não temos liberdade para modificar seu significado ou estabelecer nossas próprias condições de participação.

1. A Ceia do Senhor é destinada aos salvos

Em Atos dos Apóstolos 2:41-42, encontramos a ordem seguida pelos primeiros cristãos:

"De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e, naquele dia, agregaram-se quase três mil almas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações."

Observe a sequência apresentada:

  1. Receberam a Palavra de Deus.
  2. Foram batizados.
  3. Foram agregados à comunhão dos discípulos.
  4. Perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.

Não encontramos aqui uma reunião indiscriminada, na qual qualquer pessoa, independentemente de sua condição espiritual, participava da Ceia.

Aqueles que partiam o pão eram pessoas que haviam recebido a mensagem do Evangelho e sido identificadas publicamente com Cristo.

Isso também nos ensina que a Ceia não é um meio de salvação. Ninguém se torna salvo porque participa do pão e do cálice. Pelo contrário, a pessoa participa porque já recebeu a salvação pela fé no Senhor Jesus Cristo.

A salvação é exclusivamente pela graça, mediante a fé, e não por cerimônias religiosas, conforme Efésios 2:8-9.

2. Existe uma responsabilidade coletiva na participação

Em 1 Coríntios 10:16-17, Paulo escreve:

"Porventura, o cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos participamos do mesmo pão."

Essa passagem demonstra que a Ceia possui um aspecto coletivo. Não se trata simplesmente de uma decisão individual, como se cada pessoa pudesse aproximar-se da mesa independentemente da comunhão e da responsabilidade da igreja local.

A participação expressa comunhão com Cristo e também com aqueles que estão reunidos ao Seu nome.

Por isso, uma igreja que procura seguir o padrão do Novo Testamento deve exercer cuidado quanto àqueles que são recebidos à comunhão.

Isso não significa que a igreja tenha autoridade para determinar quem está salvo ou quem não está. Somente Deus conhece perfeitamente o coração humano (2 Timóteo 2:19). Entretanto, a igreja possui responsabilidade de reconhecer uma profissão de fé acompanhada de testemunho coerente com as Escrituras.

3. Nem mesmo todo cristão deve participar em qualquer circunstância

Esse é outro aspecto frequentemente esquecido.

Em 1 Coríntios 5, encontramos um homem que estava em comunhão com a igreja em Corinto, mas vivia numa condição de pecado moral grave e conhecida publicamente.

O apóstolo Paulo não orientou a igreja a ignorar aquela situação em nome do amor ou da inclusão. Pelo contrário, determinou que aquele homem fosse retirado da comunhão, enquanto permanecesse naquela condição.

Em 1 Coríntios 5:11, lemos:

"Mas, agora, escrevi-vos que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais."

Portanto, a comunhão cristã envolve responsabilidade moral e doutrinária.

Isso não significa que somente pessoas perfeitas possam participar da Ceia. Se essa fosse a exigência, ninguém poderia participar, pois todos os cristãos ainda estão sujeitos a falhas.

A diferença está entre um cristão que reconhece seus pecados, julga a si mesmo e procura andar em obediência à Palavra de Deus, e alguém que permanece deliberadamente numa prática pecaminosa, recusando-se a abandoná-la.

A disciplina bíblica não tem como objetivo humilhar ou destruir uma pessoa, mas preservar a santidade da casa de Deus e conduzir aquele que errou ao arrependimento e à restauração (2 Coríntios 2:6-8).

4. O que significa examinar-se antes de participar?

Algumas congregações justificam a participação indiscriminada utilizando 1 Coríntios 11:28:

"Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice."

Entretanto, precisamos observar o contexto.

Paulo estava escrevendo à igreja de Deus que estava em Corinto (1 Coríntios 1:2). Suas instruções eram dirigidas àqueles que já participavam da comunhão cristã.

O exame pessoal mencionado nesse versículo não elimina a responsabilidade coletiva da igreja, nem transforma a Ceia numa celebração aberta a qualquer pessoa.

Na realidade, existem duas responsabilidades distintas:

  • A responsabilidade individual de cada cristão diante de Deus, examinando sua própria condição espiritual.
  • A responsabilidade coletiva da igreja de preservar a comunhão conforme os princípios estabelecidos nas Escrituras.

Uma não anula a outra.

Além disso, o exame pessoal não significa que o cristão deva esperar até considerar-se digno por seus próprios méritos. Nossa dignidade está exclusivamente em Cristo. O que Paulo condena é participar de maneira indigna, isto é, sem o devido discernimento, reverência e consideração pelo significado da Ceia.

5. E quando alguém visita uma igreja no dia da Ceia?

Uma pessoa que visita uma igreja local deve ser recebida com respeito, cordialidade e amor cristão. Entretanto, receber alguém como visitante e recebê-lo à comunhão da Ceia são duas coisas distintas.

Uma pessoa ainda não convertida pode assistir à reunião, ouvir a Palavra de Deus e conhecer o testemunho daquela congregação, mas isso não significa que deva participar do pão e do cálice.

Da mesma forma, quando um cristão visita uma igreja na qual ainda não é conhecido, é apropriado que os responsáveis procurem conhecer sua profissão de fé, seu testemunho e sua situação quanto à comunhão cristã.

Encontramos no Novo Testamento exemplos de cartas de recomendação entre as igrejas, como em Atos dos Apóstolos 18:27, Romanos 16:1-2 e 2 Coríntios 3:1.

Essas referências demonstram que a comunhão entre os cristãos não era tratada de maneira descuidada.

Naturalmente, a carta de recomendação não salva ninguém e não constitui uma exigência para entrar no céu. Trata-se de um testemunho prático que auxilia uma igreja local a receber alguém que ainda não conhece.

O objetivo não é criar barreiras denominacionais, mas reconhecer aqueles que pertencem ao Senhor e procuram andar de acordo com Sua Palavra.

Conclusão

O problema de permitir que qualquer pessoa participe da Ceia do Senhor está em desconsiderar as instruções bíblicas relativas à salvação, à comunhão e à santidade da igreja local.

A mesa do Senhor não pertence a um pastor, a uma organização religiosa ou a uma denominação. Ela pertence ao próprio Senhor. Justamente por isso, não podemos administrá-la segundo nossas preferências pessoais.

O amor cristão deve ser demonstrado a todas as pessoas, mas o amor verdadeiro jamais exige que abandonemos a verdade revelada por Deus.

A igreja deve ser acolhedora com os visitantes, anunciar gratuitamente o Evangelho aos perdidos e manifestar o amor de Cristo. Entretanto, deve também preservar aquilo que o Senhor estabeleceu para os que estão em comunhão com Ele.

Em 1 Timóteo 3:15, a igreja local é apresentada como a casa de Deus, coluna e firmeza da verdade. Portanto, sua responsabilidade não é adaptar a Palavra de Deus às tendências religiosas de cada geração, mas permanecer fiel ao ensino apostólico.

Finalmente, devemos recordar que o centro da Ceia não somos nós, nem nossas tradições, mas a pessoa bendita do Senhor Jesus Cristo.

"Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha." (1 Coríntios 11:26).

Que possamos preservar essa preciosa celebração com amor, reverência, santidade e obediência à Palavra de Deus, até o glorioso dia em que nosso Senhor voltar.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Se você não entende assim, então continue à espera da vinda secreta de Cristo a qualquer momento, que eu fico à espera do Dia do Senhor.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Pastor, os tessalonicenses, por causa das perseguições e tribulações que sofriam, aguardavam o arrebatamento a qualquer momento para terem descanso, ou aguardavam o descanso através do arrebatamento.

Quando Paulo escreveu: "E vós, que sois atribulados, descanso", a palavra "descanso", no contexto, tem o mesmo significado de arrebatamento, que só vai acontecer quando Jesus vier em chama de fogo, ou seja, no Dia do Senhor, e não numa vinda secreta a qualquer momento.

Que Jesus viesse a qualquer momento era o que os tessalonicenses estavam esperando. A manifestação do anticristo não tem nada a ver com a ira de Deus. A ira de Deus é quando Jesus vier em chama de fogo, no Dia do Senhor, e é quando acontece o arrebatamento.

Se você não entende assim, então continue à espera da vinda secreta de Cristo a qualquer momento, que eu fico à espera do Dia do Senhor.

E está tudo dito da minha parte, e não vale a pena prolongar mais esta discussão que, pelo visto, nunca terá a concordância de ambos.

Minha resposta:

Sua nova mensagem apenas confirma aquilo que venho observando ao longo desta discussão: você continua repetindo as mesmas afirmações, mas não apresenta uma refutação bíblica dos textos que já lhe foram apresentados.

É lamentável perceber tamanha limitação na compreensão das Escrituras, especialmente quando ela parece resultar de uma escolha pessoal de permanecer numa interpretação sem disposição para examinar os textos que a contrariam.

Pelo visto, você sequer teve o cuidado de ler atentamente os versículos que apresentei anteriormente. Não se trata de concordar comigo, mas de ter a honestidade intelectual de examinar o que a Bíblia realmente afirma.

Você estabeleceu uma regra para esta discussão: apresentar provas bíblicas. Pois bem, vamos continuar seguindo essa mesma regra. Não me interessa saber o que você imagina que Paulo deveria ter escrito. Interessa-me aquilo que ele efetivamente escreveu.

E, mais uma vez, suas afirmações confundem acontecimentos distintos, ignoram o contexto das duas epístolas aos Tessalonicenses e atribuem às palavras do apóstolo significados que elas não possuem.

1. A palavra "descanso" não significa arrebatamento

Você afirma que, em Segunda Tessalonicenses 1:7, a palavra "descanso" tem o mesmo significado de arrebatamento.

Onde está escrito isso?

A palavra grega empregada por Paulo é anesis, que transmite a ideia de alívio, repouso ou cessação de uma aflição. Não é a palavra utilizada para descrever o arrebatamento em Primeira Tessalonicenses 4:17.

Nesse último texto, Paulo emprega uma forma do verbo harpazo, que significa arrebatar, tomar ou retirar repentinamente.

Portanto, você está tratando duas palavras diferentes como se fossem sinônimas e, a partir dessa associação, construindo uma conclusão doutrinária que o próprio texto não apresenta.

Leia Segunda Tessalonicenses 1:6-10 com atenção.

Paulo está tratando da justa retribuição divina. Aqueles que perseguem os santos receberão tribulação, enquanto os que agora sofrem serão encontrados em descanso quando Cristo Se manifestar em juízo.

O assunto central da passagem não é explicar como acontecerá o arrebatamento da Igreja, mas apresentar o contraste entre o destino dos perseguidores e o dos perseguidos na manifestação gloriosa de Cristo.

A expressão "quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu" estabelece o cenário da retribuição pública e definitiva. Não transforma a palavra descanso em um termo técnico para arrebatamento, nem declara que os santos somente poderão experimentar descanso a partir daquele instante.

Aliás, Paulo já havia ensinado que o crente que morre parte para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Filipenses 1:23). Também afirmou que estar ausente do corpo é estar presente com o Senhor (Segunda Coríntios 5:8).

Você pretende afirmar que esses crentes não desfrutam de descanso enquanto aguardam a manifestação gloriosa de Cristo?

O erro começa quando se tenta transformar uma palavra comum em uma definição profética que ela não possui.

2. Paulo já havia explicado o arrebatamento na primeira epístola

Antes de escrever Segunda Tessalonicenses, Paulo havia apresentado uma revelação específica acerca do arrebatamento.

Observe Primeira Tessalonicenses 4:15-17:

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor."

Agora responda, utilizando apenas o texto bíblico:

Onde Paulo menciona o anticristo nessa passagem?

Onde afirma que a Igreja precisa atravessar a grande tribulação?

Onde menciona Cristo descendo à terra para executar juízo sobre as nações?

Onde aparecem as chamas de fogo de Segunda Tessalonicenses 1:8?

A resposta é simples: em lugar nenhum.

O acontecimento descrito em Primeira Tessalonicenses 4 possui características próprias. Os mortos em Cristo ressuscitam, os santos vivos são transformados e ambos são arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.

Em Segunda Tessalonicenses 1, o cenário é outro: Cristo manifesta-Se em glória, acompanhado dos anjos do Seu poder, executando juízo contra os que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho.

Não estou afirmando que existem dois Cristos ou duas segundas vindas independentes. Estou afirmando que a segunda vinda de Cristo compreende acontecimentos distintos, com propósitos diferentes, que não devem ser confundidos.

No arrebatamento, Cristo vem buscar os Seus. Na manifestação gloriosa, Ele aparece em juízo e glória.

Essa distinção não nasceu da imaginação de alguém. Resulta da comparação cuidadosa das passagens bíblicas.

3. A Igreja não foi destinada à ira divina

Sua afirmação de que a manifestação do anticristo nada tem a ver com a ira de Deus revela outra dificuldade em sua interpretação: você restringe a ira divina exclusivamente ao momento da manifestação de Cristo em chamas de fogo.

Entretanto, a Bíblia não faz essa restrição.

Primeira Tessalonicenses 1:10 declara:

"E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura."

Observe que a esperança apresentada aos tessalonicenses não era aguardar a manifestação do anticristo, mas esperar dos céus o Filho de Deus.

Posteriormente, Paulo acrescenta:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (Primeira Tessalonicenses 5:9).

O contexto imediato desse versículo trata precisamente do Dia do Senhor.

Em Primeira Tessalonicenses 5:2-3, Paulo explica que esse dia virá como ladrão de noite e que, quando disserem "Há paz e segurança", sobrevirá repentina destruição.

Em seguida, faz uma distinção entre aqueles que estão nas trevas e os crentes, que são filhos da luz e do dia.

A Igreja não foi destinada à ira.

E essa verdade concorda com Apocalipse 3:10, onde o Senhor promete guardar os Seus da hora da provação que há de vir sobre todo o mundo.

Observe que não se trata simplesmente de proteção contra determinado sofrimento, mas de uma promessa relacionada à própria hora da provação.

Além disso, Apocalipse 6:16-17 demonstra que a ira divina não está limitada à manifestação final de Cristo em Apocalipse 19.

Na abertura do sexto selo, os habitantes da terra já reconhecem a chegada do grande dia da ira do Cordeiro.

Portanto, sua afirmação de que a ira de Deus acontece somente quando Cristo aparece em chamas de fogo não corresponde à apresentação progressiva dos juízos no livro de Apocalipse.

É necessário distinguir a perseguição que os crentes sofrem neste mundo da ira judicial que Deus derramará sobre a terra.

O próprio Senhor Jesus declarou:

"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." (João 16:33).

A Igreja nunca recebeu a promessa de escapar das aflições deste mundo. Recebeu, porém, a promessa de livramento da ira futura.

Confundir essas duas realidades é comprometer toda a interpretação profética.

4. Segunda Tessalonicenses 2 não coloca a Igreja à espera do anticristo

Este talvez seja o ponto que mais claramente demonstra a fragilidade da sua argumentação.

Leia Segunda Tessalonicenses 2:1:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele."

Paulo começa mencionando dois aspectos relacionados: a vinda do Senhor e a nossa reunião com Ele.

Essa reunião corresponde à esperança já explicada em Primeira Tessalonicenses 4:13-18.

Em seguida, no versículo 2, Paulo pede que os tessalonicenses não se deixem perturbar, como se o Dia do Senhor já tivesse chegado.

Por quê?

Porque estavam enfrentando perseguições e tribulações, e falsas informações estavam causando confusão quanto ao período profético em que se encontravam.

Paulo não lhes escreve dizendo que deveriam aguardar a manifestação do anticristo para somente depois começarem a esperar por Cristo.

Ele distingue a reunião dos santos com o Senhor do Dia do Senhor, cuja chegada estava sendo falsamente anunciada.

Nos versículos seguintes, explica que esse dia não virá sem que determinados acontecimentos proféticos se cumpram, incluindo a manifestação do homem do pecado.

A questão é muito simples: os sinais apresentados por Paulo dizem respeito à chegada do Dia do Senhor, não constituem uma lista de condições que a Igreja precisa cumprir antes de ser arrebatada.

Você está transferindo para o arrebatamento as condições proféticas apresentadas em relação ao Dia do Senhor.

E é precisamente essa confusão que impede uma compreensão harmoniosa das duas epístolas.

5. O próprio Senhor Jesus distinguiu a esperança da Igreja da Sua manifestação ao mundo

Em João 14:2-3, o Senhor Jesus fez uma promessa aos discípulos:

"E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também."

Observe o propósito dessa vinda: receber os Seus para Si mesmo.

Agora compare com Zacarias 14:4, onde está escrito que os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras, quando Ele intervier em favor de Jerusalém.

Compare também com Apocalipse 19:11-21, onde Cristo aparece como Rei dos reis e Senhor dos senhores, vindo para julgar e pelejar com justiça.

Em João 14, Ele vem receber os Seus para estarem onde Ele está.

Em Zacarias 14 e Apocalipse 19, Ele manifesta-Se publicamente para exercer Seu domínio e juízo sobre a terra.

São descrições com propósitos diferentes.

A interpretação pré-tribulacional reconhece essa distinção e compreende o arrebatamento e a manifestação gloriosa como fases distintas da segunda vinda de Cristo.

Você pode discordar dessa compreensão, mas precisa refutá-la com as Escrituras, não simplesmente classificá-la como uma invenção.

6. A expectativa dos primeiros crentes era Cristo, não o anticristo

Existe ainda uma pergunta que você continua evitando.

Se a Igreja precisa necessariamente aguardar a manifestação do anticristo e atravessar a grande tribulação antes do arrebatamento, por que os apóstolos apresentaram a vinda de Cristo como uma esperança presente?

Considere:

  • Filipenses 3:20 — Nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

  • Primeira Tessalonicenses 1:10 — Os convertidos aguardavam dos céus o Filho de Deus.

  • Tito 2:13 — Aguardamos a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.

  • Tiago 5:8 — A vinda do Senhor está próxima.

  • Primeira João 3:2-3 — A esperança de vê-Lo como Ele é produz purificação na vida presente.

  • Apocalipse 22:20 — "Certamente cedo venho. Amém. Ora, vem, Senhor Jesus."

Onde está a instrução apostólica para que a Igreja coloque sua expectativa na manifestação do anticristo?

A Bíblia apresenta Cristo como o objeto da esperança cristã.

Isso não significa marcar datas, ignorar os acontecimentos proféticos ou afirmar que conhecemos o momento do arrebatamento. Significa reconhecer que a Igreja deve viver em constante expectativa da vinda do seu Senhor.

É por isso que a doutrina do arrebatamento possui também uma aplicação moral e espiritual: ela estimula a vigilância, a santificação e a fidelidade.

7. Sobre sua expressão "vinda secreta"

Você insiste em utilizar a expressão "vinda secreta" como se ela, por si só, invalidasse o arrebatamento pré-tribulacional.

Entretanto, essa expressão não é a definição bíblica que apresentei.

Primeira Tessalonicenses 4:16 menciona alarido, voz de arcanjo e trombeta de Deus. Portanto, não estou ensinando um acontecimento silencioso.

O ponto em discussão não é o volume do som, mas a natureza, os participantes e o propósito do acontecimento.

No arrebatamento, o Senhor reúne os que Lhe pertencem e os recebe para Si.

Na Sua manifestação gloriosa, Ele aparece publicamente para executar juízo e estabelecer Seu reino.

Tentar ridicularizar uma posição doutrinária por meio de uma expressão popular não constitui refutação bíblica.

Se deseja contestar o arrebatamento pré-tribulacional, faça-o enfrentando os textos que fundamentam essa interpretação.

Considerações finais

Você encerra sua mensagem dizendo que continuará esperando o Dia do Senhor, enquanto eu continuarei esperando a vinda de Cristo.

Respeito sua decisão de encerrar a conversa. Contudo, preciso esclarecer que a minha esperança não está fundamentada numa preferência pessoal, mas nas promessas que encontro nas Escrituras.

É lamentável que, depois de tantas explicações e referências bíblicas, você continue apresentando as mesmas conclusões sem demonstrar onde os textos anteriormente citados estariam errados ou teriam sido interpretados indevidamente.

Discordar é legítimo. Ignorar os argumentos bíblicos apresentados e simplesmente repetir uma afirmação não é uma demonstração de conhecimento das Escrituras.

A ignorância das verdades bíblicas pode ser corrigida pelo estudo diligente da Palavra. Permanecer nela por falta de disposição para examinar aquilo que contraria nossas ideias é uma escolha pessoal.

Lembro-lhe ainda que não estou pedindo que aceite a minha palavra como autoridade. A autoridade pertence exclusivamente à Palavra de Deus.

Os bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo lhes ensinava era realmente assim (Atos dos Apóstolos 17:11).

Esse é o procedimento que deveria orientar qualquer discussão doutrinária.

E, já que você considera encerrado o assunto, deixo uma última observação: não é necessário que nós dois cheguemos a um acordo para que a verdade bíblica permaneça sendo verdade. A Palavra de Deus não depende da concordância humana.

Quanto a mim, continuo aguardando o Senhor Jesus Cristo, conforme a promessa que Ele mesmo deixou:

"E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." (João 14:3).

Minha esperança não é encontrar o anticristo. Minha esperança é encontrar Cristo.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

No Reino, as pessoas são submissas ao Rei; na Graça, não temos um Rei, e sim um Pai. Confere?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Graça, irmão Josué!

Um irmão me perguntou e necessito da sua orientação.

A comissão dada aos discípulos foi específica para Israel? Nesse caso, será pregada novamente após o Arrebatamento?

E a dispensação de Paulo foi específica para a Igreja?

Pergunta: No Reino, as pessoas são submissas ao Rei; na Graça, não temos um Rei, e sim um Pai. Confere?

Minha Respasta:

Sua pergunta é muito interessante, pois envolve algumas distinções importantes no estudo das Escrituras, especialmente no que diz respeito a Israel, à Igreja, ao Reino de Deus e à presente dispensação da Graça.

Entretanto, precisamos ter cuidado para não fazer uma separação tão acentuada entre essas verdades a ponto de criar uma oposição que a própria Bíblia não estabelece.

Vou procurar responder por partes, porque há elementos corretos no seu raciocínio, mas a última afirmação necessita de um ajuste importante.

1. A comissão dada aos discípulos foi especificamente para Israel?

Primeiramente, precisamos distinguir duas comissões que encontramos no Evangelho segundo Mateus.

Em Mateus 10:5-7, quando o Senhor Jesus enviou os doze discípulos durante Seu ministério terreno, deu-lhes uma ordem bastante específica:

"Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel; e, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus."

Observe que essa comissão tinha um caráter expressamente judaico. Os discípulos não deveriam ir aos gentios nem aos samaritanos, mas exclusivamente às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Isso estava relacionado à apresentação do Messias prometido à nação de Israel e à proclamação da proximidade do Reino dos Céus.

Entretanto, quando chegamos a Mateus 28:18-20, encontramos uma comissão com características diferentes.

O Senhor Jesus já havia morrido e ressuscitado. Agora, apresentando-Se com toda a autoridade recebida, declarou:

"É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações..."

Observe a mudança: em Mateus 10, a missão estava restrita a Israel; em Mateus 28, o alcance é ampliado para todas as nações.

Portanto, não seria correto afirmar que toda a comissão dada aos discípulos era exclusivamente destinada a Israel.

Precisamos distinguir a missão restrita de Mateus 10 da comissão mais ampla de Mateus 28.

2. Essa pregação será retomada depois do Arrebatamento?

Aqui entramos no campo profético.

A Igreja, que é o Corpo de Cristo, será arrebatada antes do período da Grande Tribulação, conforme encontramos em Primeira Tessalonicenses 4:13-18 e na promessa de Apocalipse 3:10.

Após o Arrebatamento, Deus retomará Seu trato profético com Israel, sem que isso signifique que Israel tenha deixado de existir durante a presente dispensação.

O capítulo 9 de Daniel apresenta as setenta semanas determinadas sobre o povo de Daniel e sobre sua santa cidade, isto é, Israel e Jerusalém (Daniel 9:24).

A última dessas semanas ainda aguarda seu cumprimento profético.

Durante esse período futuro, haverá novamente a proclamação do Evangelho do Reino.

O próprio Senhor Jesus declarou:

"E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim." (Mateus 24:14).

Esse versículo está inserido no contexto profético de Mateus 24, que trata dos acontecimentos relacionados à tribulação e à manifestação futura do Filho do Homem.

Em Apocalipse 7, encontramos os 144 mil assinalados dentre as tribos de Israel. O mesmo capítulo apresenta uma grande multidão de todas as nações, tribos, povos e línguas, que vem da grande tribulação.

Embora o texto não declare expressamente que todos esses convertidos sejam resultado exclusivo da pregação dos 144 mil, as passagens mostram que haverá um testemunho divino durante aquele período.

Assim, dentro da compreensão dispensacional das Escrituras, entendemos que, depois do Arrebatamento, a proclamação do Reino terá novamente um lugar destacado no programa profético de Deus.

Contudo, precisamos esclarecer algo: isso não significa que haverá outro Salvador ou outro meio de salvação.

Em todas as dispensações, a salvação depende da obra de Cristo. Ninguém jamais foi salvo por méritos próprios, e ninguém será salvo independentemente do sangue do Cordeiro.

Apocalipse 7:14 declara que aqueles que vieram da grande tribulação lavaram suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.

O conteúdo e a ênfase da proclamação podem variar conforme o período dos propósitos divinos, mas a base da salvação permanece sendo a obra redentora do Senhor Jesus Cristo.

3. A dispensação revelada a Paulo foi especificamente para a Igreja?

Sim, mas precisamos compreender corretamente essa afirmação.

O apóstolo Paulo recebeu do Senhor uma revelação especial acerca do mistério de Cristo e da Igreja.

Em Efésios 3:2-6, ele escreve sobre a dispensação da graça de Deus que lhe foi confiada e explica que esse mistério não havia sido manifestado às gerações anteriores da maneira como agora foi revelado pelo Espírito Santo.

Qual era esse mistério?

Que os gentios seriam coerdeiros, membros do mesmo Corpo e participantes da promessa em Cristo pelo Evangelho.

Isso é extraordinário!

No Antigo Testamento, Deus havia feito promessas específicas à nação de Israel. Entretanto, a Igreja, como um só Corpo formado por judeus e gentios unidos a Cristo, não havia sido revelada daquela maneira.

Paulo escreve:

"Porque todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito." (Primeira Coríntios 12:13).

Essa é uma característica da presente dispensação.

A Igreja não é uma continuação de Israel, tampouco substituiu Israel nas promessas nacionais e territoriais que Deus lhe fez.

A Igreja é um povo celestial, unido a Cristo, sua Cabeça glorificada.

Paulo também recebeu a responsabilidade especial de anunciar essa verdade, como podemos observar em Colossenses 1:24-27.

Entretanto, isso não significa que Paulo tenha anunciado um Salvador diferente daquele anunciado pelos demais apóstolos.

Em Gálatas 2:7-9, encontramos uma distinção entre o apostolado de Pedro, particularmente relacionado à circuncisão, e o de Paulo, especialmente direcionado aos gentios. Contudo, ambos reconheciam a mesma graça divina e mantinham comunhão no serviço do Senhor.

Portanto, podemos afirmar que Paulo recebeu uma administração especial da verdade relativa à Igreja, mas não devemos transformar essa distinção em dois cristianismos ou dois caminhos de salvação.

Também precisamos lembrar que a presente dispensação não começou simplesmente porque Paulo se converteu. A Igreja teve seu início no Pentecostes, com a descida do Espírito Santo, conforme Atos dos Apóstolos 2, enquanto a revelação acerca de sua natureza, posição e privilégios foi desenvolvida progressivamente no Novo Testamento.

4. No Reino temos um Rei, mas na Graça temos somente um Pai?

Aqui está o ponto principal da sua pergunta.

A afirmação contém uma verdade importante, mas, colocada dessa maneira, não está inteiramente correta.

É verdade que, na presente dispensação, desfrutamos de uma relação maravilhosa com Deus como nosso Pai.

Essa é uma das grandes bênçãos da nossa posição em Cristo.

Romanos 8:15 declara:

"Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai."

Também lemos em Gálatas 4:6:

"E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai."

Portanto, o crente não se aproxima de Deus simplesmente como um súdito diante de um soberano, mas como um filho que foi recebido na família divina.

Essa é uma diferença preciosa.

Entretanto, seria incorreto concluir que, por estarmos na dispensação da Graça, não temos um Rei ou não estamos sujeitos à autoridade de Cristo.

Precisamos distinguir a posição da Igreja em relação ao Reino messiânico futuro da autoridade que Cristo exerce sobre os crentes atualmente.

O Senhor Jesus não é apresentado à Igreja, em seu relacionamento específico com ela, simplesmente como seu Rei, mas como sua Cabeça.

Efésios 1:22-23 declara:

"E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos."

Observe a expressão: Cabeça da Igreja.

Essa é a relação especial de Cristo com Seu Corpo.

Em Efésios 5:23, encontramos outra figura: Cristo é apresentado como a Cabeça da Igreja e seu Salvador, assim como o marido é a cabeça da mulher.

Portanto, a relação entre Cristo e a Igreja é muito mais íntima do que aquela existente entre um monarca terreno e seus súditos.

Somos membros do Seu Corpo e estamos unidos a Ele pelo Espírito Santo.

Contudo, essa intimidade não elimina Sua autoridade.

Em João 13:13, o próprio Senhor declarou:

"Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou."

E Paulo, escrevendo aos crentes, afirmou:

"Porque foi para isto que morreu Cristo e tornou a viver, para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos." (Romanos 14:9).

Assim, embora a Igreja tenha uma relação particular com Cristo como Cabeça, ela permanece inteiramente sujeita ao Seu senhorio.

A graça não significa ausência de governo, autoridade ou obediência.

Pelo contrário, a graça nos ensina a viver de maneira santa, justa e piedosa, conforme Tito 2:11-14.

5. Qual é, então, a diferença entre o Reino e a Igreja?

Essa distinção é fundamental.

O Reino, em seu aspecto messiânico futuro, está relacionado ao cumprimento das promessas feitas a Israel, quando o Senhor Jesus Cristo estabelecerá Seu governo sobre a Terra.

Em Lucas 1:32-33, o anjo anunciou a Maria que Deus daria ao Senhor Jesus o trono de Davi, Seu pai, e que Ele reinaria eternamente sobre a casa de Jacó.

Em Apocalipse 20:1-6, encontramos o período de mil anos associado ao reinado de Cristo.

Esse Reino terá uma manifestação pública, gloriosa e universal.

A Igreja, por sua vez, possui uma vocação celestial. Ela é o Corpo de Cristo e também é apresentada como Sua Noiva, conforme Efésios 5:25-32 e Apocalipse 19:7-9.

Entretanto, não devemos concluir que os crentes da presente dispensação não tenham qualquer relação com o Reino.

Paulo escreveu aos colossenses:

"O qual nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor." (Colossenses 1:13).

Observe que essa declaração foi dirigida à Igreja!

Em Romanos 14:17, o mesmo apóstolo afirma que o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

Portanto, existe uma realidade presente do Reino, embora sua manifestação pública e gloriosa ainda seja futura.

O crente já reconhece a autoridade de Cristo e está moralmente sujeito ao Seu governo, mas aguarda a manifestação futura do Reino em glória.

A Igreja não deve ser confundida com o Reino, embora os crentes estejam sujeitos ao mesmo Senhor que futuramente reinará sobre toda a Terra.

6. Como poderíamos expressar corretamente essa distinção?

Eu formularia a questão da seguinte maneira:

No Reino messiânico futuro, Cristo será manifestado publicamente como Rei, governando as nações e cumprindo as promessas feitas a Israel.

Na presente dispensação da Graça, os salvos desfrutam de uma relação especial com Deus como Pai e com Cristo como Cabeça da Igreja, sem que isso diminua a autoridade soberana do Senhor Jesus sobre suas vidas.

Há ainda uma observação importante.

Quando dizemos que temos Deus como Pai, estamos falando de nossa relação familiar com Ele. Quando dizemos que Cristo é a Cabeça da Igreja, estamos falando da união orgânica entre Cristo e Seu Corpo. Quando falamos de Cristo como Rei, destacamos Sua autoridade e Seu governo.

Essas verdades não se contradizem. São diferentes aspectos da revelação divina.

O mesmo Cristo que hoje é a Cabeça glorificada da Igreja será manifestado como Rei dos reis e Senhor dos senhores, conforme Apocalipse 19:16.

E a Igreja estará associada a Ele em Sua glória, pois Paulo declarou:

"Se sofrermos, também com ele reinaremos." (Segunda Timóteo 2:12).

Conclusão

Portanto, respondendo diretamente às suas perguntas:

  1. A comissão de Mateus 10 foi especificamente dirigida a Israel, enquanto a comissão de Mateus 28 possui alcance universal.

  2. Após o Arrebatamento, a proclamação do Evangelho do Reino terá novamente destaque no cumprimento dos propósitos proféticos de Deus, especialmente em relação a Israel e às nações.

  3. Paulo recebeu uma revelação especial acerca da Igreja, o Corpo de Cristo, formada por judeus e gentios em igualdade espiritual, durante a presente dispensação da Graça.

  4. Na dispensação atual, temos Deus como Pai e Cristo como Cabeça da Igreja. Entretanto, isso não significa que Cristo deixe de ser nosso Senhor ou que estejamos fora de Sua autoridade soberana.

  5. A Igreja e Israel possuem posições distintas nos propósitos divinos, mas ambos encontram em Cristo o centro de todas as bênçãos e promessas de Deus.

Finalizo com uma consideração que considero muito importante: não devemos estudar as dispensações apenas para identificar diferenças entre os períodos bíblicos, mas também para contemplar a maravilhosa unidade dos propósitos de Deus em Cristo.

A dispensação da Graça não é um período sem governo, assim como o futuro Reino não será um período sem graça.

A graça caracteriza a maneira como Deus nos trouxe à Sua família, enquanto a obediência caracteriza a resposta daqueles que reconhecem Jesus Cristo como Senhor.

Que Deus nos conceda sabedoria para distinguir corretamente as Escrituras, sem separar aquilo que Ele uniu e sem confundir aquilo que Ele distinguiu.

Josué Matos

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