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Minha realidade é complexa.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Minha realidade é complexa. Saí de 10 anos de ateísmo radical, tive experiências com Deus, me converti, fui discipulado e batizado por uma pastora. Hoje, depois de um ano, saí da igreja por divergências pessoais e teológicas. Atualmente estou desigrejado, mas com fé em Deus de que encontrarei uma igreja para me tornar membro. No momento, visito uma igreja presbiteriana, mas há algumas coisas lá sobre as quais ainda tenho dúvidas. Deus tenha misericórdia. Muitos questionamentos me cercam.

Minha Resposta:

Agradeço por expressar aqui seus conflitos espirituais. Em primeiro lugar, é motivo de gratidão saber que, depois de tantos anos no ateísmo, você foi alcançado pela graça de Deus. A salvação não é obra da religião, nem de uma instituição, nem de um sistema humano. A salvação é pela graça de Deus, mediante a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nossos pecados e ressuscitou dentre os mortos. Como está escrito: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Epístola aos Efésios 2:8-9).

Também entendo a complexidade da sua situação. Você saiu de um ambiente de incredulidade, teve contato com uma igreja, foi discipulado, foi batizado, mas depois começou a perceber divergências pessoais e teológicas. Isso não deve ser tratado como algo simples, nem como rebeldia automática da sua parte. Muitas vezes, quando uma pessoa realmente nasce de novo, o Espírito Santo começa a despertar nela um zelo pela Palavra de Deus. O verdadeiro crente não consegue ficar em paz quando percebe práticas e ensinos que não estão de acordo com as Escrituras.

O Senhor Jesus disse que o Espírito Santo guiaria os Seus na verdade (Evangelho segundo João 16:13). Portanto, quando um salvo começa a sentir incômodo diante de práticas que não têm fundamento bíblico, isso pode ser justamente o Espírito de Deus despertando nele o desejo de obedecer ao Senhor, e não simplesmente seguir tradições religiosas.

É necessário dizer com clareza: não podemos confundir as igrejas locais do Novo Testamento com o sistema denominacional moderno. As igrejas do primeiro século tinham problemas, sim. Corinto tinha desordens, Galácia tinha influência legalista, algumas igrejas da Ásia foram repreendidas pelo Senhor. Mas elas não eram denominações com sede central, filiais, hierarquia organizada, governo humano distante, sistema clerical e tradições estabelecidas acima ou ao lado das Escrituras.

No Novo Testamento, vemos igrejas locais autônomas, reunidas ao nome do Senhor Jesus Cristo, perseverando na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (Atos dos Apóstolos 2:42). Não vemos uma sede denominacional governando várias congregações. Não vemos um homem único controlando a igreja como autoridade central. Não vemos um sistema em que um pastor assalariado concentra em si o governo, o ensino, a liderança e a direção espiritual de todo o rebanho.

A Escritura apresenta pluralidade de presbíteros ou anciãos em cada igreja local (Atos dos Apóstolos 14:23; Epístola a Tito 1:5). O governo espiritual não era entregue a um único homem, mas a homens qualificados, reconhecidos entre os irmãos, que cuidavam do rebanho de Deus. Também não vemos no Novo Testamento uma mulher exercendo autoridade doutrinária e pastoral sobre a igreja, pois a ordem apostólica é clara quanto ao papel do homem e da mulher na assembleia (Primeira Epístola a Timóteo 2:11-14; Primeira Epístola aos Coríntios 14:34-35).

Portanto, quando você menciona que foi discipulado e batizado por uma pastora, e que veio de um ambiente dirigido por pastora, é compreensível que, ao estudar melhor as Escrituras, surjam dúvidas sérias em seu coração. A questão não é atacar pessoas, nem negar que Deus possa ter usado alguma circunstância para despertar você. Deus é soberano e pode alcançar alguém mesmo em meio a muita confusão religiosa. Mas isso não significa que devemos aprovar tudo o que existe nesses sistemas. Deus pode salvar uma pessoa apesar do erro do ambiente onde ela estava, mas depois deseja conduzi-la à obediência da Sua Palavra.

Também é necessário examinar outras práticas comuns em muitas denominações. A cobrança obrigatória do dízimo, especialmente quando apresentada como condição de bênção, fidelidade superior ou até ligada à salvação, não corresponde ao ensino dado à igreja no Novo Testamento. O cristão deve contribuir voluntariamente, com alegria, conforme propôs no coração, e não por imposição legalista (Segunda Epístola aos Coríntios 9:7).

A ceia do Senhor também não é um meio de salvação, nem um sacramento que garante vida eterna. A salvação está na obra consumada de Cristo, e não no ato de participar do pão e do cálice. A ceia é memorial: "Fazei isto em memória de mim" (Primeira Epístola aos Coríntios 11:24-25). Além disso, o padrão apresentado em Atos dos Apóstolos mostra os discípulos reunidos no primeiro dia da semana para partir o pão (Atos dos Apóstolos 20:7), e não apenas uma celebração mensal tratada como formalidade religiosa.

Por isso, meu irmão, o fato de você ter saído de um ambiente onde percebeu erros não deve ser considerado necessariamente uma queda espiritual. Pode ser exatamente o contrário: pode ser o início de uma caminhada mais séria, mais bíblica e mais consciente diante de Deus. A Palavra diz: "Sai do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei" (Segunda Epístola aos Coríntios 6:17). E também: "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados" (Apocalipse 18:4).

Isso não significa que você deva viver isolado para sempre. O cristão não foi chamado para andar sozinho. A vontade de Deus é que os salvos estejam em comunhão, reunidos ao nome do Senhor Jesus, edificando uns aos outros, perseverando na doutrina dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. Mas é melhor esperar no Senhor e procurar com cuidado do que se apressar em unir-se a um sistema que você já percebe não estar de acordo com as Escrituras.

Quanto à igreja presbiteriana que você está visitando, faça tudo com calma e discernimento. Examine se o ensino, a prática, o governo, a ceia, a liderança e a forma de reunião estão realmente de acordo com o Novo Testamento. A pergunta principal não deve ser: "Eu me sinto bem aqui?", mas: "Isto está conforme a Palavra de Deus?" Os bereanos foram elogiados porque examinavam cada ensino pelas Escrituras (Atos dos Apóstolos 17:11).

Meu conselho é: continue lendo a Bíblia, ore pedindo direção, não sufoque esses questionamentos quando eles surgirem da Palavra de Deus, e não aceite como normal aquilo que o Espírito Santo lhe mostra que está fora das Escrituras. Ao mesmo tempo, guarde seu coração contra amargura, orgulho ou espírito de contenda. A separação do erro deve ser feita com temor, humildade e obediência ao Senhor.

Deus não o tirou do ateísmo para deixá-lo perdido na confusão religiosa. Ele é poderoso para guiá-lo a irmãos que desejam reunir-se somente ao nome do Senhor Jesus Cristo, tendo a Palavra de Deus como única regra de fé e prática.

Que o Senhor lhe dê sabedoria, firmeza e paz para seguir a Cristo, não segundo os sistemas dos homens, mas segundo as Escrituras.

Josué Matos

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Não me agradeça e não tente me converter, eu nasci na CCB!

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Eu não dou 'opinião', eu te mando dados históricos e científicos. Contra fatos não há argumentos! Sua religiãozinha é uma fraude TOTAL! Não me agradeça e não tente me converter, eu nasci na CCB! Posso não saber o que é a VERDADE, mas sei o que ela NÃO é! Não existe Cristianismo, o que existe é Mentirismo!

Minha Resposta:

Agradeço por expor sua opinião de forma direta. Contudo, afirmar que algo é falso não o torna falso, assim como afirmar que algo é verdadeiro não o torna verdadeiro. Tanto a história quanto a ciência possuem seus campos de atuação, mas nenhuma delas é capaz de responder plenamente às perguntas espirituais sobre o pecado, o perdão, a vida eterna e o relacionamento do homem com Deus.

Você afirma que me envia "dados históricos e científicos". A história é uma disciplina importante, mas ela não pode provar nem refutar milagres ou a inspiração das Escrituras. A ciência, por sua vez, estuda os fenômenos naturais observáveis; ela não foi criada para julgar questões metafísicas, como a existência de Deus ou a ressurreição de Cristo.

Quanto ao cristianismo, é importante distinguir entre Cristo e os homens que dizem representá-Lo. Ao longo da história existiram abusos, heresias, divisões e incoerências. A própria Bíblia já advertia que isso aconteceria. O Senhor Jesus disse que surgiriam falsos profetas (Mateus 7:15), e o apóstolo Paulo advertiu que homens introduziriam ensinos perversos (Atos dos Apóstolos 20:29-30). Portanto, a existência de erros entre pessoas religiosas não invalida a mensagem do evangelho.

Você disse que nasceu na CCB. Nascer em determinada religião, porém, não torna alguém salvo nem perdido. Da mesma forma, eu não defendo uma denominação religiosa como fundamento da fé. A Bíblia ensina que a salvação é pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo, e não por pertencer a uma organização religiosa (Efésios 2:8-9).

Você também afirma que não sabe o que é a verdade, mas sabe o que ela não é. Permita-me lembrar as palavras do próprio Senhor Jesus:

"Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (João 14:6)

A verdade, segundo a Bíblia, não é apenas um conceito filosófico; ela é revelada na pessoa de Cristo. Além disso, o Senhor declarou:

"Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade." (João 17:17)

Por isso, o cristianismo bíblico não se fundamenta em tradições humanas, mas na Palavra de Deus.

Se algum dia você desejar discutir evidências históricas sobre a confiabilidade dos manuscritos bíblicos, a ressurreição de Cristo, as profecias cumpridas ou qualquer outro tema específico, será um prazer conversar com respeito. O diálogo baseado em argumentos é sempre mais proveitoso do que ataques pessoais.

Meu desejo não é vencer uma discussão, mas apontar para Aquele que pode transformar qualquer vida: o Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

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A total incoerência do "cristianismo" e da Bíblia

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A total incoerência do "cristianismo" e da Bíblia:

  1. O bug inicial: Um Deus supostamente onisciente e perfeito cria um universo infinito, mas decide focar toda a sua atenção em um planeta minúsculo. Lá, ele cria um casal de humanos e coloca no jardim uma árvore com a instrução explícita de não comer o fruto. Como ele é onisciente, já sabia, antes de criar o mundo, que os humanos iriam falhar. Mesmo assim, deixa todo o cenário preparado.

  2. A culpa herdada: Os humanos comem o fruto. Em vez de o Criador assumir a falha de projeto da sua própria criação, ele joga a culpa na criatura. Pior: estabelece que todos os descendentes daquele casal, bilhões de pessoas milhares de anos depois, já nasçam afetados pelo chamado "pecado original". Assim, cada pessoa nasceria condenada por algo que não praticou.

  3. A solução: Para resolver o problema, Deus não simplesmente perdoa, mas estabelece um sistema de sacrifícios que culmina no envio de Seu Filho ao mundo para morrer na cruz.

  4. O ultimato: O sacrifício foi realizado, mas a salvação não seria automática. Ela dependeria da fé em Cristo. Quem não acredita nessa mensagem estaria condenado ao juízo eterno.

Na minha opinião, esse roteiro não faz sentido. Quando leio a Bíblia e encontro leis severas, guerras e relatos difíceis, concluo que ela é apenas um documento antigo produzido por homens para controlar pessoas por meio do medo e da promessa de recompensa futura.

Minha Resposta:

Agradeço por expor sua opinião de forma clara. As questões que você levanta são antigas e, em grande parte, já eram debatidas nos primeiros séculos do cristianismo. A diferença está em que muitas dessas críticas partem de pressupostos que a própria Bíblia nunca afirma.

Primeiro, Deus criou o homem com liberdade moral. Se Adão e Eva fossem incapazes de escolher, não haveria amor verdadeiro nem responsabilidade moral. A existência da árvore do conhecimento do bem e do mal não foi uma armadilha, mas uma oportunidade para que a obediência fosse voluntária. Deus conhecia o futuro, mas conhecer um acontecimento não significa causá-lo. A Escritura distingue claramente entre a presciência de Deus e a responsabilidade humana (Deuteronômio 30:19; Josué 24:15; Tiago 1:13-15).

Segundo, a Bíblia não ensina que as pessoas são condenadas porque cometeram pessoalmente o pecado de Adão. Ela ensina que, por causa da queda, toda a humanidade passou a possuir uma natureza pecaminosa e, por isso, todos pecam. "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:23). Cada pessoa também responde diante de Deus pelos seus próprios pecados (Ezequiel 18:20).

Terceiro, quanto à morte de Cristo, ela não foi Deus tentando convencer a Si mesmo a perdoar. Foi o próprio Deus demonstrando simultaneamente Sua justiça e Seu amor. A justiça divina exige que o pecado seja julgado; o amor divino providenciou o substituto. "Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito..." (João 3:16). A cruz revela tanto a gravidade do pecado quanto a grandeza da graça.

Quarto, a salvação mediante a fé não é um pedido para acreditar sem evidências. A fé bíblica é confiança baseada no testemunho de Deus. Os apóstolos afirmavam que Cristo morreu, foi sepultado e ressuscitou, apresentando testemunhas oculares desses acontecimentos (1 Coríntios 15:3-8). Deus convida o homem a crer, mas não obriga ninguém. O mesmo Deus que oferece gratuitamente a salvação também respeita a decisão daqueles que a rejeitam.

Sobre as leis severas e os juízos registrados no Antigo Testamento, é importante lembrar que eles ocorreram em contextos históricos específicos e revelam a santidade e a justiça de Deus diante do pecado. Ao mesmo tempo, a Bíblia apresenta um Deus paciente, misericordioso e pronto a perdoar os que se arrependem (Êxodo 34:6-7; Salmo 103:8-13). O Novo Testamento mostra o pleno desenvolvimento desse propósito em Cristo, que veio "buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19:10).

Por fim, afirmar que a Bíblia é apenas um instrumento de controle social não explica sua preservação ao longo de milênios, a unidade de sua mensagem escrita por cerca de quarenta autores em aproximadamente quinze séculos, nem a profunda transformação produzida na vida de incontáveis pessoas que encontraram em Cristo perdão, esperança e uma nova vida. A mensagem central das Escrituras não é a do medo, mas a da reconciliação: "Reconciliai-vos com Deus" (2 Coríntios 5:20).

Cada pessoa é livre para aceitar ou rejeitar essa mensagem, mas a decisão deve ser tomada após examinar cuidadosamente aquilo que a Bíblia realmente ensina, e não apenas as caricaturas frequentemente feitas a seu respeito.

Josué Matos

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Por que razões alguns afirmam que o Evangelho de Mateus foi escrito em língua hebraica ou aramaica?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, irmão Josué.

Por favor, por que razões alguns afirmam que o Evangelho de Mateus foi escrito em língua hebraica ou aramaica? Isto é verdade? Por que é importante para essas pessoas afirmarem isso?

Alguns também afirmam que a Grande Comissão, no último capítulo, seria de origem posterior para induzir as pessoas a crerem na doutrina bíblica da Trindade.

Como podemos responder a isso, irmão Josué?

Obrigado desde já.

Minha Resposta:

Essa é uma excelente pergunta, pois envolve tanto a história da transmissão do Novo Testamento quanto a confiabilidade das Escrituras.

Em primeiro lugar, é verdade que alguns escritores antigos, como Papias (século II), mencionaram que Mateus teria organizado os "oráculos" do Senhor em "língua hebraica". Entretanto, essa afirmação tem sido entendida de diferentes maneiras.

Alguns estudiosos acreditam que Papias estivesse se referindo a uma coleção inicial dos ensinos de Cristo em hebraico ou aramaico, usada entre os judeus. Outros entendem que ele se referia ao próprio Evangelho de Mateus. O problema é que nenhum manuscrito hebraico ou aramaico antigo desse Evangelho chegou até nós.

Todos os manuscritos antigos de Mateus que possuímos, inclusive os mais antigos conhecidos, são em língua grega. Além disso, o texto apresenta características típicas de uma composição originalmente grega, como jogos de palavras, construções gramaticais e numerosas citações do Antigo Testamento seguindo, muitas vezes, a tradução grega conhecida como Septuaginta.

Portanto, não existe evidência manuscrita de que o Evangelho de Mateus preservado pela Igreja tenha sido originalmente escrito em hebraico ou aramaico. A evidência disponível favorece fortemente o texto grego que chegou até nós.

Quanto ao motivo de alguns insistirem numa origem hebraica, muitas vezes isso ocorre porque desejam defender determinadas teorias segundo as quais o texto grego teria sido alterado posteriormente. Entre essas teorias está a alegação de que Mateus 28:19 teria sido modificado para incluir a fórmula:

"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo."

Alguns afirmam que essa expressão teria sido acrescentada séculos depois para apoiar a doutrina da Trindade.

Entretanto, essa teoria não encontra apoio nas evidências históricas.

Todos os manuscritos gregos conhecidos que contêm Mateus 28 apresentam essa leitura. Da mesma forma, antigas versões em latim, siríaco e copta também a preservam. Além disso, escritores cristãos dos séculos II e III já citavam esse texto muito antes do Concílio de Niceia.

Outro argumento frequentemente apresentado é que, no livro de Atos dos Apóstolos, os convertidos eram batizados "em nome de Jesus Cristo" (Atos 2:38; 8:16; 10:48; 19:5).

Mas isso não representa uma contradição.

Em Mateus 28:19, o Senhor Jesus estabeleceu a fórmula do batismo. Já em Atos, a expressão "em nome de Jesus Cristo" identifica a autoridade sob a qual aquelas pessoas eram batizadas, distinguindo o batismo cristão dos demais batismos conhecidos pelos judeus, como o batismo de João Batista.

É semelhante a alguém dizer hoje que determinada pessoa foi presa "em nome da lei". Isso não significa que essas palavras precisem ser pronunciadas literalmente no momento da prisão, mas indica sob qual autoridade o ato foi realizado.

Outro detalhe importante é que a doutrina da Trindade não depende apenas de Mateus 28:19.

A Bíblia inteira apresenta o Pai como Deus (João 6:27), o Filho como Deus (João 1:1; João 20:28; Tito 2:13; Hebreus 1:8) e o Espírito Santo como Deus (Atos dos Apóstolos 5:3-4). Ao mesmo tempo, afirma claramente que existe um só Deus (Deuteronômio 6:4; Isaías 45:5; 1 Coríntios 8:4-6).

Portanto, a doutrina da Trindade não foi construída sobre um único versículo, mas sobre o conjunto da revelação bíblica.

Devemos lembrar ainda da promessa do próprio Senhor:

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar." (Mateus 24:35)

E também:

"Toda a Escritura é inspirada por Deus." (2 Timóteo 3:16)

Assim, não temos razão para desconfiar da autenticidade de Mateus 28:19. A evidência manuscrita, o testemunho da Igreja primitiva e a harmonia das Escrituras apontam para a preservação fiel desse texto.

Josué Matos

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