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Se Existe Um Só Corpo, Então Toda Forma de Reunião Cristã Está de Acordo com a Bíblia?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Não existem “igrejas diferentes”; só existe uma Igreja, que é o Corpo de Cristo. O que existe são linhas de interpretações teológicas, mas, na Cristologia e Soteriologia, todos os cristãos pensam igual. Não há dúvida sobre a pessoa de Cristo e a salvação pela graça. Isso foi estudado exaustivamente pelos reformadores. Se algum grupo não reconhece o senhorio de Cristo e a salvação pela graça, então não é igreja, e sim uma seita.

O grande problema é a liturgia do culto e os usos e costumes. Quando entendemos que o “nosso modelo” é o único correto, então vamos criar “as nossas igrejas”. Isso não é unidade, e sim sectarismo.

A base para a unidade da Igreja já foi revelada pelo apóstolo Paulo:

  1. Há um só Corpo.

  2. Há um só Espírito.

  3. Há uma só esperança.

  4. Há um só Senhor.

  5. Há uma só fé.

  6. Há um só batismo.

  7. Há um só Deus.

Efésios 4:4-6.

Muitos excelentes irmãos ignoram que, durante mais de mil anos, a Igreja ficou sob autoridade papal. O povo não tinha acesso à verdade, pois a Bíblia só existia no idioma latim. Somente após a Reforma do século XVI, com a ajuda da máquina de imprensa, a Bíblia começou a ser produzida em vários idiomas e a verdade da justificação pela fé foi amplamente divulgada.

Todos os grupos cristãos evangélicos de hoje são pós-Reforma. Não existe ninguém hoje que possa reivindicar sucessão apostólica. Só a Igreja Romana faz isso; por isso, tornou-se a maior seita cristã que já existiu.

Essa ideia de colocar o nosso grupo como não denominacional é uma utopia religiosa. Devemos servir a Deus na medida da revelação que temos na Santa Escritura, mas também temos nossas fraquezas e limitações. Devemos proclamar o senhorio de Cristo, a salvação pela fé e uma vida separada do pecado. O resto, o próprio Senhor vai colocar em ordem no Tribunal de Cristo.

Muitos excelentes irmãos poderiam trabalhar juntos, mas estão separados por questões insignificantes, como instrumento musical, placa e títulos eclesiásticos. Essas diferenças não deveriam existir, mas não são doutrinas fundamentais para promover a unidade.

Precisamos nos esforçar para promover a comunhão, e não a separação do povo de Deus.

Se buscarmos uma linha histórica das igrejas locais no Brasil, vamos chegar, no máximo, ao século XIX, no chamado “Movimento dos Irmãos”. As igrejas locais que não usam placa de identidade surgiram nesse período. Os irmãos derrubaram as barreiras denominacionais e se reuniam unicamente ao nome do Senhor Jesus. Toda pessoa salva era recebida na comunhão simplesmente como irmão em Cristo. Hoje, não usar uma placa, infelizmente, tornou-se uma denominação sem nome. Essa é a nossa identidade cristã; negar isso é resistir à realidade dos fatos.

Eu percebo que as igrejas locais que querem se afastar da história e manter um modelo muito conservador estão diminuindo. Não estão conseguindo alcançar o objetivo da expansão do Evangelho. Precisamos refletir sobre isso. A mensagem do Evangelho não pode ser alterada, mas a forma como anunciamos talvez precise ser “reformulada”. Enfim, irmãos, precisamos da ajuda de Deus nestes dias difíceis.

Abraços a todos os irmãos que amam o Senhor e trabalham na causa do Reino de Deus. Maranata!

Minha Resposta:

Há vários pontos importantes em seu comentário com os quais podemos concordar. Realmente há um só Corpo de Cristo. Todo aquele que verdadeiramente nasceu de novo e possui o Espírito Santo pertence a esse Corpo, independentemente do lugar onde se reúne. A Palavra de Deus declara:

“Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres” (1 Coríntios 12:13).

E Efésios 4:4 confirma: “Há um só corpo e um só Espírito”.

Portanto, não existem vários Corpos de Cristo. Não existe um Corpo batista, outro presbiteriano, outro pentecostal e outro dos chamados “irmãos”. Há somente um Corpo, e Cristo é a Cabeça desse Corpo (Efésios 1:22-23; Colossenses 1:18).

Entretanto, justamente aqui precisamos fazer uma distinção que considero fundamental para compreender o assunto: uma coisa é a Igreja que é o Corpo de Cristo; outra coisa são as igrejas locais.

A Bíblia diz que há “um só corpo” (Efésios 4:4), mas fala também das “igrejas de Deus” (1 Coríntios 11:16; 1 Tessalonicenses 2:14), das “igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2), das “igrejas da Ásia” (1 Coríntios 16:19) e da “igreja de Deus que está em Corinto” (1 Coríntios 1:2).

Portanto, biblicamente, podemos dizer: há uma Igreja, que é o Corpo de Cristo, mas existem muitas igrejas locais.

Isso resolve boa parte da aparente dificuldade.

Todo verdadeiro crente pertence ao Corpo de Cristo desde a sua conversão, porque essa posição não depende de uma organização humana. É obra de Deus. Entretanto, pertencer ao Corpo de Cristo não significa automaticamente estar na comunhão de determinada igreja local.

Saulo já era salvo quando chegou a Jerusalém, mas Atos dos Apóstolos 9:26 diz que ele “procurava ajuntar-se aos discípulos”. Houve, portanto, uma identificação prática com aquela companhia local. Barnabé apresentou Saulo aos apóstolos, e depois ele passou a estar com eles, entrando e saindo em Jerusalém (Atos dos Apóstolos 9:27-28).

A mesma distinção aparece quando a Escritura fala de recepção, disciplina e restauração na igreja local. Um verdadeiro crente pode ser colocado fora da comunhão de uma igreja local por causa de pecado, conforme 1 Coríntios 5:11-13, sem deixar de ser, por isso, alguém por quem Cristo morreu.

Assim, Corpo de Cristo e igreja local estão intimamente relacionados, mas não são expressões idênticas.

A UNIDADE DE EFÉSIOS 4 NÃO SIGNIFICA IGNORAR A VERDADE

O irmão citou corretamente Efésios 4:4-6, mas devemos começar no versículo 3:

“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.”

Observe que Paulo não manda criar a unidade. O Espírito Santo já a criou. Nós devemos guardá-la.

Mas como?

Não abandonando partes da verdade para encontrar um mínimo denominador comum entre os cristãos. A própria passagem mostra que essa unidade possui conteúdo doutrinário: um Corpo, um Espírito, uma esperança, um Senhor, uma fé, um batismo e um Deus e Pai.

Além disso, alguns versículos depois Paulo diz que Cristo concedeu dons à Igreja para que os santos não fossem “meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina” (Efésios 4:14).

E imediatamente acrescenta:

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15).

Temos, portanto, dois elementos inseparáveis: verdade e amor.

Amor sem verdade pode terminar em tolerância ao erro. Verdade sem amor pode terminar em dureza e orgulho espiritual. A Escritura não nos permite escolher entre os dois.

A unidade do Espírito nunca pode exigir que desobedeçamos à Palavra que o próprio Espírito inspirou.

NEM TODAS AS DIFERENÇAS SÃO MERAMENTE “USOS E COSTUMES”

Aqui está um ponto no qual precisamos ter bastante cuidado.

Certamente existem diferenças entre cristãos que não justificam hostilidade, desprezo ou espírito sectário. Romanos 14 ensina claramente que há questões nas quais irmãos sinceros podem chegar a conclusões diferentes e, ainda assim, devem receber uns aos outros sem julgamento carnal.

Mas não podemos colocar tudo na categoria de “usos e costumes”.

Por exemplo: a Ceia do Senhor é simplesmente costume?

Não. O Senhor disse: “Fazei isto em memória de mim” (1 Coríntios 11:24).

O exercício dos dons na igreja é apenas costume?

Não. Primeira Coríntios 12–14 apresenta instruções extensas sobre o assunto.

A pluralidade de presbíteros é apenas costume?

Não. Atos dos Apóstolos 14:23; Atos dos Apóstolos 20:17,28; Filipenses 1:1; 1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9 e 1 Pedro 5:1-4 tratam disso.

A disciplina da igreja é apenas costume?

Não. Mateus 18:15-20 e 1 Coríntios 5 mostram que é responsabilidade da igreja local.

A participação da mulher e do homem nas reuniões da igreja é simplesmente uma questão cultural?

O apóstolo dedica instruções específicas a isso em 1 Coríntios 11 e 14 e em 1 Timóteo 2.

Portanto, é perigoso colocar tudo aquilo que não pertence diretamente à Soteriologia ou à Cristologia na categoria de “questões insignificantes”.

Se Deus julgou importante colocar determinada instrução na Sua Palavra para orientar a igreja, não cabe a nós classificá-la como irrelevante simplesmente porque não interfere diretamente na salvação de uma pessoa.

A IGREJA NÃO COMEÇOU NA REFORMA NEM NO MOVIMENTO DOS IRMÃOS

Concordo plenamente que nenhum grupo atual deve reivindicar uma suposta linhagem histórica que chegue aos apóstolos para provar que é “a verdadeira igreja”.

Mas aqui está justamente o ponto: nossa autoridade não vem de uma sucessão histórica.

Vem da Palavra de Deus.

As igrejas locais não precisam provar uma linhagem organizacional desde o século I. Se precisassem, teríamos de aceitar justamente o argumento da sucessão institucional.

A pergunta correta não é: “De qual movimento histórico vocês descendem?”

A pergunta é: “O que ensina o Novo Testamento?”

Imagine que durante mil anos ninguém praticasse determinada verdade bíblica. Se um grupo de cristãos abrisse a Bíblia e começasse novamente a praticá-la, aquela verdade se tornaria errada porque ficou esquecida durante mil anos?

Evidentemente que não.

A autoridade está na Escritura, e não na antiguidade de uma organização.

Quando o rei Josias recebeu o Livro da Lei que havia sido negligenciado, ele não disse: “Já que nossos pais não fizeram isso durante tanto tempo, não podemos voltar agora”. Pelo contrário, quando ouviu a Palavra de Deus, humilhou-se e procurou obedecer ao que estava escrito (2 Reis 22–23).

Esse princípio continua importante: quando descobrimos pela Escritura que determinada prática nossa está errada, devemos corrigir a prática pela Escritura, e não reinterpretar a Escritura para preservar nossa tradição.

OS IRMÃOS DO SÉCULO XIX NÃO CRIARAM MATEUS 18:20

Também precisamos separar duas coisas.

Historicamente, houve no século XIX um movimento de cristãos que abandonou estruturas denominacionais e procurou reunir-se simplesmente como cristãos. Isso é um fato histórico.

Mas Mateus 18:20 não surgiu no século XIX:

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

Primeira Coríntios 1 também não surgiu no século XIX.

Quando os coríntios começaram a dizer:

“Eu sou de Paulo”;
“Eu, de Apolo”;
“Eu, de Cefas”;

Paulo perguntou:

“Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:12-13).

Essa pergunta é extremamente importante.

O problema não era que Paulo, Apolo ou Cefas fossem homens maus. Eram servos de Deus. O problema era usar nomes para criar identificação partidária entre aqueles que pertenciam a Cristo.

Mais adiante Paulo diz:

“Portanto, ninguém se glorie nos homens” (1 Coríntios 3:21).

Por isso, reunir-se simplesmente ao nome do Senhor Jesus não significa afirmar: “Nós somos melhores do que todos os outros cristãos”.

Se alguém pensa assim, já perdeu o espírito da própria verdade que afirma defender.

Reunir-se ao nome do Senhor deveria produzir humildade, e não superioridade.

O nome importante não é “Irmãos”, “Assembleia”, “Casa de Oração”, “Salão Evangélico” ou qualquer outra designação. O nome importante é o nome do Senhor Jesus Cristo.

E devemos ter muito cuidado para que “não denominacional” não se transforme, na prática, em outra denominação. Nesse ponto, a advertência do irmão é válida. Podemos rejeitar um nome denominacional exterior e, ao mesmo tempo, desenvolver interiormente todo o espírito de uma denominação. Podemos até transformar a expressão “os irmãos” numa espécie de título denominacional.

Isso seria uma contradição.

Mas o abuso de um princípio não invalida o princípio.

O fato de alguém transformar uma reunião sem denominação em uma “denominação sem nome” não prova que reunir-se somente ao nome do Senhor esteja errado. Prova apenas que o coração humano consegue introduzir sectarismo até mesmo onde originalmente se procurava rejeitá-lo.

COMUNHÃO NÃO SIGNIFICA IGNORAR O ERRO

O irmão escreveu: “Precisamos nos esforçar para promover a comunhão e não a separação do povo de Deus”.

Concordamos que devemos amar todo verdadeiro filho de Deus.

Entretanto, a Bíblia também ensina separação em determinadas circunstâncias.

Paulo escreveu:

“Qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade” (2 Timóteo 2:19).

Depois acrescentou:

“De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 2:21).

E logo depois:

“Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (2 Timóteo 2:22).

Observe o equilíbrio maravilhoso.

Existe separação: “aparte-se da iniquidade”.

Existe purificação: “se alguém se purificar”.

Mas existe também comunhão: “com os que, com um coração puro, invocam o Senhor”.

Portanto, a Bíblia não ensina isolamento, mas também não ensina comunhão indiscriminada.

O mesmo Paulo que escreveu Efésios 4:3 sobre “guardar a unidade do Espírito” ordenou aos coríntios que removessem da comunhão o homem que vivia em pecado (1 Coríntios 5:1-13). Não existe contradição. A unidade do Espírito é uma unidade santa.

A UNIDADE NÃO PODE SER MAIOR DO QUE O SENHORIO DE CRISTO

Também concordo com a afirmação de que devemos proclamar o senhorio de Cristo. Entretanto, precisamos perguntar: o que significa reconhecer o senhorio de Cristo?

Não significa apenas dizer: “Jesus é Senhor”.

Significa obedecer-Lhe.

O próprio Senhor perguntou:

“E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” (Lucas 6:46).

Se Cristo é Senhor da igreja, então não temos autoridade para organizar Sua igreja simplesmente segundo aquilo que funciona melhor, atrai mais pessoas ou corresponde melhor à cultura contemporânea.

Devemos perguntar: “Senhor, como Tu queres?”

Essa é a verdadeira consequência do senhorio de Cristo.

O crescimento numérico também não pode ser o teste definitivo para determinar se uma igreja está ou não seguindo o caminho correto. Se fosse assim, teríamos de concluir que os maiores movimentos religiosos são necessariamente os mais aprovados por Deus.

O Senhor Jesus falou de uma “porta estreita” e de um “caminho apertado” (Mateus 7:13-14). Paulo avisou que chegaria tempo em que muitos não suportariam a sã doutrina, mas procurariam mestres segundo seus próprios desejos (2 Timóteo 4:3-4).

Portanto, números podem nos fazer refletir sobre métodos de evangelização, dedicação, linguagem, acessibilidade e zelo missionário, mas nunca podem se tornar a autoridade para modificar princípios bíblicos.

PODEMOS REFORMULAR A MANEIRA DE EVANGELIZAR?

Sim, nesse ponto há uma observação importante.

Podemos e devemos avaliar nossos métodos.

Paulo adaptava sua abordagem às pessoas que procurava alcançar, sem alterar a mensagem:

“Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9:22).

Podemos utilizar internet, vídeos, redes sociais, aplicativos, literatura, reuniões públicas, conversas pessoais e outros meios legítimos. Podemos melhorar nossa comunicação. Podemos evitar linguagem desnecessariamente complicada. Podemos procurar alcançar novas gerações.

O método pode mudar.

A mensagem, não.

E os princípios da Palavra de Deus também não podem ser sacrificados para tornar a igreja mais atraente.

A SOLUÇÃO NÃO É SECTARISMO NEM ECUMENISMO, MAS OBEDIÊNCIA

Creio que aqui encontramos o equilíbrio.

Devemos rejeitar o espírito sectário que diz: “Somente nós somos o povo de Deus”.

Isso seria contrário à verdade do único Corpo de Cristo.

Há muitos irmãos sinceros e piedosos espalhados entre diferentes grupos cristãos, e todo verdadeiro crente é nosso irmão em Cristo. Devemos amá-los como membros do mesmo Corpo.

Mas reconhecer todos os verdadeiros crentes como irmãos não significa reconhecer como bíblico todo sistema religioso ao qual um irmão possa estar associado.

Precisamos distinguir pessoas de sistemas.

Posso amar profundamente um irmão em Cristo e, ao mesmo tempo, entender pela Escritura que determinadas práticas eclesiásticas com as quais ele está associado não correspondem ao padrão do Novo Testamento.

Da mesma forma, ele pode discordar de mim e continuar me reconhecendo como irmão.

Isso não precisa produzir arrogância, hostilidade ou ataques pessoais.

“Seguindo a verdade em amor” (Efésios 4:15).

Essa pequena expressão resolve grande parte do problema.

Não abandonar a verdade em nome do amor.

Não abandonar o amor em nome da verdade.

Por fim, penso que todos nós devemos ter a humildade de colocar nossas próprias práticas diante da Palavra de Deus.

Não devemos perguntar: “O que os Irmãos fazem?”

Nem: “O que os batistas fazem?”

Nem: “O que os presbiterianos fazem?”

Nem: “O que os pentecostais fazem?”

Nem mesmo: “O que os reformadores fizeram?”

A pergunta deve ser:

“O que está escrito?”

Os bereanos foram considerados nobres justamente porque examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Se descobrirmos que algo que praticamos não tem fundamento bíblico, devemos estar dispostos a abandoná-lo.

Se descobrirmos uma verdade que não estamos praticando, devemos estar dispostos a obedecê-la.

E se descobrirmos que transformamos princípios bíblicos em motivo de orgulho denominacional ou sectário, também precisamos nos humilhar diante de Deus.

A Igreja é uma.

Cristo é a Cabeça.

Todos os verdadeiros salvos são membros do Seu Corpo.

Mas exatamente porque Cristo é a Cabeça, a igreja local não pertence a nós. Não temos liberdade para organizá-la segundo nossa preferência. Devemos procurar humildemente aquilo que Ele revelou em Sua Palavra.

Nosso objetivo não deve ser provar que “nosso grupo” está certo.

Nosso objetivo deve ser que Cristo tenha a preeminência:

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Colossenses 1:18).

Se todos nós nos aproximarmos da Palavra com essa disposição, haverá menos orgulho, menos sectarismo, menos confiança nas tradições humanas e, ao mesmo tempo, mais verdade, mais amor, mais santidade e mais verdadeira comunhão entre aqueles que pertencem ao Senhor.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Você tem uma visão muito radical e estranha sobre o que a Bíblia diz sobre a política

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão Josué, você tem uma visão muito radical e estranha sobre o que a Bíblia diz sobre a política. Você citou muitos versículos que não fazem nenhum sentido para o século XXI, nem para a presente dispensação.

Nosso sistema político hoje não tem nada a ver com o período bíblico. Não faz nenhum sentido ler um versículo do profeta Daniel e aplicá-lo a nós hoje.

Vou lhe sugerir um documentário no YouTube:
“Avivamento nas Ilhas Fiji”.

Observe o que Deus fez quando os cristãos buscaram a presença do Senhor em oração para trazer solução para a pobreza e a violência que assolavam o país, e líderes cristãos foram chamados para participar do governo. Isso faz apenas 25 anos.

Minha Resposta:

Agradeço pela sua mensagem e pela oportunidade de esclarecer melhor o assunto. Concordo com uma parte importante do que você disse: realmente, precisamos ter cuidado para não retirar textos bíblicos do seu contexto e aplicá-los indiscriminadamente à Igreja. Israel, a Igreja e as nações não são a mesma coisa, e uma interpretação dispensacional das Escrituras exige justamente que façamos essas distinções.

Entretanto, isso não significa que um princípio revelado por Deus em uma dispensação necessariamente deixe de existir quando começa outra. Precisamos perguntar se o próprio Novo Testamento confirma ou revoga aquele princípio. E, no caso do governo humano, o Novo Testamento confirma claramente que a autoridade civil continua sendo uma instituição permitida e ordenada por Deus.

É justamente aqui que Daniel continua sendo importante.

  1. O princípio apresentado em Daniel continua válido

Daniel declarou acerca de Deus:

“Ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis” (Daniel 2:21).

Mais tarde, Nabucodonosor precisou aprender:

“...o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:25).

Alguém poderia dizer: “Mas isso aconteceu no Antigo Testamento e não pode ser aplicado à presente dispensação”.

Se tivéssemos somente Daniel, precisaríamos analisar cuidadosamente até onde poderíamos levar essa aplicação. Porém, encontramos o mesmo princípio no Novo Testamento, dirigido diretamente aos cristãos:

“Toda alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Romanos 13:1).

Portanto, não estou simplesmente pegando Daniel e transferindo uma regra de Israel para a Igreja. O próprio Novo Testamento confirma o princípio da soberania de Deus sobre as autoridades humanas.

Daniel diz que Deus remove reis e estabelece reis. Romanos diz que as autoridades existentes foram ordenadas por Deus.

O princípio permanece.

  1. O sistema político mudou, mas o princípio não mudou

Concordo que o sistema político do século XXI é muito diferente daquele existente nos dias de Daniel, do Senhor Jesus e dos apóstolos.

Hoje temos democracias representativas, eleições, parlamentos, partidos políticos, presidentes, primeiros-ministros e outras estruturas que não existiam daquela forma no primeiro século.

Mas Romanos 13 não estabelece uma forma específica de governo. Paulo não diz que somente uma monarquia é instituída por Deus, nem que somente um império pode ser reconhecido como autoridade.

Ele apresenta um princípio muito mais amplo:

“...não há potestade que não venha de Deus” (Romanos 13:1).

Isso é importante porque, quando Paulo escreveu essas palavras, os cristãos estavam sujeitos ao Império Romano. Mesmo assim, Deus não orientou os cristãos a reformar politicamente Roma, conquistar cargos públicos ou organizar um movimento cristão para assumir o governo.

A orientação foi:

“Toda alma esteja sujeita às potestades superiores” (Romanos 13:1).

Pedro ensina a mesma coisa:

“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores...” (1 Pedro 2:13-14).

E Paulo escreve a Tito:

“Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam e estejam preparados para toda boa obra” (Tito 3:1).

Portanto, embora as formas de governo mudem, os princípios divinos permanecem: o cristão respeita as autoridades, obedece às leis, paga os seus tributos, procura viver honestamente e reconhece que Deus continua soberano sobre os governos humanos.

  1. Qual é, então, a participação política ensinada especificamente à Igreja?

Aqui está um ponto que considero muito importante.

Quando Paulo orienta a Igreja acerca dos governantes, observe o que ele manda fazer:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2:1-2).

Veja a diferença.

Paulo não diz: “Procurem colocar cristãos no governo para que a sociedade seja transformada”.

Ele diz: orem pelos governantes.

Isso não é passividade. É confiança na soberania de Deus.

O cristão pode exercer uma influência imensa na sociedade, mas a influência característica do cristianismo não é política; é espiritual e moral.

O Senhor Jesus disse:

“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).

E:

“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).

Uma vida santa, uma família conduzida segundo a Palavra de Deus, uma igreja fiel, boas obras e, sobretudo, a proclamação do Evangelho podem produzir consequências profundas numa sociedade.

Mas devemos distinguir entre o efeito do Evangelho sobre pessoas e a missão da Igreja neste mundo.

A missão da Igreja não é cristianizar os governos, mas anunciar Cristo.

  1. O exemplo do Senhor Jesus é muito significativo

Quando o Senhor Jesus esteve neste mundo, havia injustiça política, opressão, pobreza, corrupção e violência.

Roma dominava Israel.

Havia governantes perversos. Herodes é um exemplo evidente.

Mesmo assim, não encontramos o Senhor organizando um movimento político para reformar o Império Romano.

Quando tentaram envolvê-Lo numa questão política relacionada ao pagamento de tributos, Ele respondeu:

“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mateus 22:21).

Mais tarde, diante de Pilatos, o Senhor declarou:

“O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos...” (João 18:36).

Isso define de maneira extraordinária a posição do discípulo de Cristo.

Nós pertencemos a um Reino que não tem sua origem neste sistema mundial.

  1. Nossa cidadania principal está no céu

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

A palavra usada aqui envolve a ideia de cidadania. O cristão pode possuir cidadania brasileira, portuguesa, americana ou qualquer outra, e deve cumprir corretamente as responsabilidades civis que essa cidadania lhe impõe.

Mas sua cidadania fundamental é celestial.

Paulo também escreve:

“De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo” (2 Coríntios 5:20).

A figura do embaixador é muito significativa. Um embaixador vive em determinado país, respeita suas leis e autoridades, mas representa outro governo.

Da mesma maneira, o cristão está neste mundo, mas pertence a Cristo.

  1. E o exemplo das Ilhas Fiji?

Não tenho dificuldade alguma em aceitar que cristãos sinceros possam orar intensamente por uma nação e que Deus, em Sua providência, produza grandes mudanças sociais.

Aliás, isso está perfeitamente de acordo com 1 Timóteo 2:1-4.

Devemos orar pelos governantes e pelas condições da sociedade para que possamos viver “uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade”.

Também não nego que um homem que professe ser cristão possa ocupar determinado cargo político e até procurar exercer esse cargo com honestidade. A questão que estou tratando é outra: devemos estabelecer experiências contemporâneas como padrão doutrinário para definir qual é a vocação da Igreja?

A resposta deve ser não.

Um documentário pode relatar acontecimentos interessantes. Uma transformação social pode ser extraordinária. Entretanto, nossa doutrina não pode ser construída sobre documentários, experiências nacionais, resultados sociais ou acontecimentos recentes.

A pergunta sempre precisa ser:

“O que dizem as Escrituras?”

Se amanhã surgir outro documentário mostrando uma nação onde milhares de cristãos entraram na política e tudo terminou em corrupção, isso também não estabeleceria nossa doutrina.

Nossa regra continua sendo a Palavra de Deus.

  1. Precisamos distinguir providência de mandamento

Deus pode colocar alguém em determinada posição de autoridade para cumprir Seus propósitos sem que isso estabeleça uma regra para a Igreja.

José foi governador no Egito (Gênesis 41:39-44).

Daniel ocupou uma posição elevada na Babilônia (Daniel 2:48).

Mardoqueu chegou a uma posição de grande autoridade no Império Persa (Ester 10:2-3).

Mas nenhum desses homens fazia parte da Igreja, que ainda não existia.

Eles estavam inseridos em outros momentos do programa de Deus.

Por isso, seria incoerente rejeitar Daniel 4 quando ele ensina a soberania de Deus sobre os governos porque “é de outra dispensação” e, ao mesmo tempo, usar Daniel como exemplo para justificar a participação política do cristão na presente dispensação.

Precisamos aplicar o mesmo princípio hermenêutico aos dois casos.

  1. O Novo Testamento apresenta outro caminho para a Igreja

Quando chegamos ao livro de Atos dos Apóstolos, encontramos uma oportunidade excelente para observar o cristianismo funcionando na prática.

Os apóstolos viveram sob autoridades frequentemente injustas.

Pedro foi preso.

Paulo foi preso.

Tiago foi morto por Herodes.

Os cristãos foram perseguidos.

E qual foi a reação da Igreja?

Quando Pedro e João foram ameaçados pelas autoridades em Atos dos Apóstolos 4, eles voltaram para os seus irmãos. A Igreja não organizou uma manifestação política nem tentou substituir os governantes.

Eles oraram.

“E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” (Atos dos Apóstolos 4:31).

Isso é extremamente instrutivo.

A resposta apostólica à hostilidade do mundo foi oração e testemunho.

  1. Existe um limite para a submissão ao governo

Evidentemente, submissão às autoridades não significa obediência absoluta.

Existe uma autoridade superior ao Estado: Deus.

Quando as autoridades proibiram os apóstolos de anunciar Cristo, Pedro respondeu:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

Esse é o limite bíblico.

Enquanto o governo não exigir do cristão algo contrário à vontade de Deus, devemos ser cidadãos submissos, respeitadores e honestos.

Quando o Estado exige algo contrário à Palavra de Deus, obedecemos a Deus e aceitamos as consequências dessa fidelidade.

  1. A esperança da Igreja não está na transformação política do mundo

Aqui está talvez nossa diferença principal.

Eu não encontro no Novo Testamento a promessa de que a Igreja transformará gradualmente os governos deste mundo até estabelecer uma sociedade cristã.

Pelo contrário, Paulo advertiu:

“Nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2 Timóteo 3:1).

Também lemos que:

“...os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13).

A esperança do cristão não é que finalmente consigamos eleger governantes suficientes para preparar o Reino de Cristo.

Nossa esperança é uma Pessoa:

“...aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13).

E Filipenses 3:20 acrescenta:

“...donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”.

  1. Portanto, Daniel continua tendo muito a nos ensinar

Por isso, irmão, não considero estranho usar Daniel para demonstrar a soberania de Deus sobre as nações.

Daniel não está ensinando que a Igreja deve governar politicamente o mundo. Isso seria realmente uma aplicação indevida.

Mas quando Daniel declara:

“...o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:25),

ele revela um princípio sobre o governo soberano de Deus.

E esse mesmo princípio reaparece claramente no Novo Testamento:

“...não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Romanos 13:1).

Portanto, Daniel 4 e Romanos 13 não estão em contradição. Pelo contrário, Romanos confirma para a presente dispensação o princípio da soberania divina sobre as autoridades civis.

A nossa responsabilidade como cristãos está igualmente clara: respeitar as autoridades (Romanos 13:1-7); pagar aquilo que lhes é devido (Romanos 13:7); sujeitar-nos às instituições civis (1 Pedro 2:13-17); obedecer às autoridades enquanto isso não significar desobedecer a Deus (Tito 3:1; Atos dos Apóstolos 5:29); não difamar aqueles que governam (Tito 3:2); orar por todos os que estão em autoridade (1 Timóteo 2:1-2); viver como luz neste mundo (Filipenses 2:15); anunciar o Evangelho (Marcos 16:15); e esperar do céu o nosso Salvador (Filipenses 3:20).

Podemos desejar governantes honestos. Podemos lamentar a corrupção, a violência, a pobreza e a injustiça. Podemos ajudar os necessitados, fazer o bem a todos e orar fervorosamente pelo país em que vivemos. Devemos ser cidadãos exemplares.

Mas não devemos confundir isso com a missão celestial da Igreja.

A Igreja não recebeu de Cristo a comissão de conquistar o poder político para consertar o mundo. Recebeu algo infinitamente maior: anunciar ao mundo um Salvador que pode transformar o homem.

A grande necessidade do ser humano não é primeiramente um novo partido, um novo presidente, um novo parlamento ou um novo sistema econômico.

É uma nova vida.

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).

Governos podem modificar leis. Cristo transforma pessoas.

Governos podem restringir determinados males. Cristo liberta o pecador do domínio do pecado.

Governos são temporários. O Reino de Cristo é eterno.

Por isso, enquanto aguardamos o Senhor Jesus Cristo, nossa responsabilidade é clara: orar pelos governantes, respeitar as autoridades, fazer o bem, viver piedosamente e anunciar fielmente o Evangelho.

Josué Matos

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É errado dizer: O Céu Cheio de Pecadores Salvos?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Pura mentira.

Mentira. Mentira. No céu não entra pecado; Deus não é criador de porcos. Mude o título do seu vídeo: “O Céu Cheio de Pecadores Salvos — Josué Matos”.

O céu estará cheio de arrependidos salvos. Já não mais pecadores.

Minha Resposta:

Creio que houve um equívoco na compreensão do título do vídeo. Em nenhum momento a afirmação “O Céu Cheio de Pecadores Salvos” significa que o céu estará cheio de pessoas vivendo no pecado, muito menos que o pecado entrará na presença de Deus.

Nisto estamos de acordo: no céu não haverá pecado.

Apocalipse 21:27 afirma claramente: “E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”.

Entretanto, dizer que o céu estará cheio de “pecadores salvos” é uma maneira perfeitamente bíblica de destacar a graça de Deus. A expressão não descreve a condição moral dos salvos quando estiverem glorificados no céu, mas aquilo que eles eram por natureza e aquilo de que foram salvos.

Quem estará no céu? Pessoas que nunca foram pecadoras? Não. Estarão ali pessoas que foram pecadoras e que foram salvas exclusivamente pela graça de Deus mediante a obra do Senhor Jesus Cristo.

É exatamente por isso que o título fala de “pecadores salvos”.

O próprio apóstolo Paulo escreveu:

“Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (Primeira Epístola a Timóteo 1:15).

Observe algo interessante: Paulo não disse simplesmente “dos quais eu era o principal”, mas “dos quais eu sou o principal”. Ele jamais estava dizendo que continuava vivendo deliberadamente no pecado. O mesmo homem escreveu:

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum. Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Epístola aos Romanos 6:1-2).

Portanto, existe uma diferença importante entre ser um pecador salvo pela graça e viver na prática deliberada do pecado.

A salvação não transforma o pecador em uma pessoa que nunca pecou. Ela transforma um pecador condenado em um pecador perdoado, justificado, regenerado e santificado em Cristo. Enquanto ainda estamos neste corpo, porém, não alcançamos a perfeição sem pecado.

O apóstolo João escreveu aos crentes:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (Primeira Epístola de João 1:8).

E acrescenta:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (Primeira Epístola de João 2:1).

Veja o equilíbrio da Palavra de Deus. O propósito é “para que não pequeis”; portanto, o cristão não recebe licença para pecar. Contudo, João reconhece a possibilidade de um verdadeiro crente pecar: “se alguém pecar”. Nesse caso, temos um Advogado para com o Pai.

A Bíblia também chama os crentes de “santos”, mas isso não significa que eles já tenham alcançado, nesta vida, um estado de impecabilidade absoluta. A santificação posicional do crente em Cristo é uma realidade presente; a libertação completa da presença do pecado ainda é futura.

Podemos compreender a salvação em três aspectos.

Fomos salvos da condenação do pecado.

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Epístola aos Romanos 8:1).

Estamos sendo libertados do domínio do pecado em nossa vida prática.

“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências” (Epístola aos Romanos 6:12).

E seremos finalmente libertados da própria presença e de todos os efeitos do pecado quando Cristo transformar o nosso corpo.

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Epístola aos Filipenses 3:20-21).

É nesse momento que a obra será completa também quanto ao nosso corpo.

Primeira Epístola aos Coríntios 15:51-53 declara:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade.”

Portanto, não ensinamos que pessoas continuarão pecando no céu. Ensinamos exatamente o contrário. Aqueles que Cristo salvou serão finalmente apresentados em perfeição diante de Deus.

Primeira Epístola de João 3:2 diz:

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.”

Judas também apresenta esta maravilhosa esperança:

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” (Epístola de Judas 24).

Assim, quando estivermos na glória, não haverá natureza pecaminosa atuando em nós, corrupção, tentação ou possibilidade de queda. Seremos apresentados irrepreensíveis diante de Deus.

Mas isso não torna incorreta a expressão “pecadores salvos”.

Veja como Paulo descreve os próprios cristãos de Corinto. Depois de mencionar fornicadores, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores, ele declara:

“E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (Primeira Epístola aos Coríntios 6:11).

Que maravilhosa expressão: “é o que alguns têm sido”.

Quem eram aquelas pessoas? Pecadores.

O que aconteceu com elas? Foram lavadas, santificadas e justificadas.

Quem, então, estará no céu? Pecadores que foram salvos!

Não estarão no céu praticando aquilo que praticavam antes. Não estarão contaminados pelo pecado. Estarão glorificados e perfeitamente conformados à imagem de Cristo. Entretanto, jamais poderão dizer que chegaram ali porque nunca foram pecadores.

Pelo contrário, eternamente reconhecerão que estão ali por causa da graça de Deus e do sangue do Cordeiro.

Apocalipse 5:9 registra o cântico da redenção:

“Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação.”

É precisamente nisso que está a glória do Evangelho. O céu não será ocupado por pessoas que conseguiram tornar-se boas o suficiente para merecê-lo. Será ocupado por pessoas que estavam perdidas, condenadas e arruinadas pelo pecado, mas foram alcançadas pela graça de Deus através da obra de Cristo.

A Epístola aos Efésios declara:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).

Portanto, concordo com a frase: “O céu estará cheio de arrependidos salvos”. Sim. Mas arrependidos salvos de quê? Do pecado. E o que eram antes de serem salvos? Pecadores.

Logo, chamar essas pessoas de “pecadores salvos” enfatiza não a condição futura delas no céu, mas a grandeza da graça que as levou até lá.

O céu estará cheio de ex-mentirosos, ex-idólatras, ex-adúlteros, ex-ladrões, ex-imorais, ex-religiosos orgulhosos e toda espécie de pessoas que reconheceram sua condição diante de Deus e foram lavadas pelo sangue de Cristo. Nenhuma delas poderá dizer: “Estou aqui porque nunca fui pecador”. Todas estarão ali porque Cristo morreu pelos pecadores.

Aliás, retirar a palavra “pecadores” pode acabar retirando justamente a verdade que torna a graça tão maravilhosa.

Cristo não veio salvar pessoas que já eram santas.

Cristo veio salvar pecadores.

“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Evangelho segundo Lucas 19:10).

E quando esses pecadores salvos chegarem à glória, já não haverá neles qualquer presença ou efeito do pecado. Serão glorificados, incorruptíveis e semelhantes a Cristo. Então se cumprirá plenamente aquilo que Deus determinou para os que estão em Seu Filho:

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Epístola aos Romanos 8:29).

Portanto, não há contradição:

O céu não estará cheio de pecado.

O céu estará cheio de pecadores salvos do pecado.

Não haverá pecadores praticando pecado na glória; haverá pessoas que foram pecadoras na Terra, salvas pela graça, lavadas pelo sangue de Cristo e finalmente glorificadas.

E esta distinção é muito importante.

Se alguém chegar ao céu, não será porque conseguiu deixar de ser pecador por seus próprios esforços, mas porque Jesus Cristo salvou um pecador que não podia salvar a si mesmo.

Por isso, o título permanece adequado: “O Céu Cheio de Pecadores Salvos”.

Toda a glória será de Cristo, pois “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (Primeira Epístola a Timóteo 1:15).

Josué Matos

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Em João 6, o Senhor Jesus fala sobre a ceia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, a celebração da Ceia não é um rito físico desnecessário? Há passagem que mostra que celebrar a morte de Cristo é pela fé no que Ele fez na cruz. Há necessidade de comer pão e beber suco?

O sentido é espiritual, como Jesus apresenta em João 6. Participar do corpo e do sangue de Cristo está ligado à fé e à apropriação de Cristo pela fé, e não simplesmente ao ato físico de comer pão e beber suco.

Jesus diz:

‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna’ (João 6:54).

Mas, no mesmo discurso, Ele explica a natureza dessa participação:

‘Quem crê em mim tem a vida eterna’ (João 6:47).

E também:

‘O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida’ (João 6:63).

Portanto, ‘comer’ e ‘beber’ em João 6 não precisam ser entendidos como mastigar literalmente a carne de Jesus e beber literalmente o Seu sangue. É uma linguagem de receber, permanecer e depender de Cristo pela fé.

Há ainda uma diferença importante entre João 6 e a Ceia do Senhor de 1 Coríntios 11. Na Ceia, Paulo fala de pão e cálice como sinais/participação naquilo que Cristo realizou, mas o Novo Testamento não ensina que o pão físico se transforme literalmente em carne, nem que o vinho/suco se transforme literalmente em sangue.”

Minha Resposta:

Irmão, você está correto em uma parte muito importante da sua interpretação de João 6, mas a conclusão de que, por isso, não seria necessário participar fisicamente do pão e do cálice na Ceia do Senhor não corresponde ao ensino completo do Novo Testamento.

A chave está justamente na distinção que você mencionou: João 6 e a Ceia do Senhor não estão ensinando a mesma coisa.

Em João 6, realmente, o Senhor Jesus não está instituindo a Ceia do Senhor. Naquele momento, a Ceia sequer havia sido instituída. Isso aconteceria posteriormente, na noite em que Ele foi traído, conforme Mateus 26:26-29, Marcos 14:22-25 e Lucas 22:19-20.

Em João 6, comer a carne do Filho do Homem e beber o Seu sangue descreve figuradamente a apropriação pessoal de Cristo pela fé.

O próprio capítulo ajuda a interpretar essa linguagem. O Senhor diz:

“Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede” (João 6:35).

Observe o paralelismo: “vir a mim” e “crer em mim” correspondem à ideia espiritual de comer e beber. Portanto, concordo que João 6:54 não ensina que alguém recebe a vida eterna por ingerir literalmente pão e vinho, muito menos que estes elementos se transformem fisicamente no corpo e no sangue de Cristo.

Se João 6:54 estivesse falando literalmente da Ceia do Senhor, teríamos um sério problema, pois isso faria da participação na Ceia uma condição para receber a vida eterna. Mas o Evangelho segundo João ensina repetidamente que a vida eterna é recebida pela fé no Filho de Deus: João 3:16; 3:36; 5:24; 6:40; 6:47.

Portanto, neste ponto precisamos fazer uma distinção clara:

João 6 fala da apropriação de Cristo pela fé para a vida eterna.

A Ceia do Senhor fala de crentes que já possuem a vida eterna e que, obedecendo ao Senhor, lembram-se dEle por meio do pão e do cálice.

Uma coisa não elimina a outra.

O problema do seu argumento está em concluir que, porque a realidade espiritual é recebida pela fé, o símbolo físico ordenado pelo Senhor tornou-se desnecessário. O Novo Testamento não permite essa conclusão.

Na noite em que foi traído, o próprio Senhor Jesus tomou pão, deu graças, partiu-o e entregou-o aos discípulos, dizendo:

“Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim” (Lucas 22:19).

Depois tomou o cálice:

“Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20).

Observe especialmente as palavras: “Fazei isto”.

O Senhor não disse simplesmente: “Lembrem-se da minha morte”. Ele estabeleceu uma maneira pela qual os Seus discípulos deveriam recordá-Lo durante a Sua ausência.

Portanto, comer o pão e beber do cálice não é uma tentativa de obter salvação por meio de uma cerimônia física. É um ato de obediência de pessoas que já foram salvas pela fé.

Anos depois da morte, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus, o apóstolo Paulo voltou ao mesmo assunto. E isto é muito importante, porque demonstra que a Ceia não era uma cerimônia temporária destinada apenas aos apóstolos.

Paulo escreveu:

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” (1 Coríntios 11:23-24).

Depois acrescentou:

“Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (1 Coríntios 11:25).

E então temos uma declaração que praticamente resolve a questão:

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Coríntios 11:26).

Veja os verbos empregados pelo Espírito Santo: “comerdes” e “beberdes”.

Portanto, existe uma ação física. Mas essa ação física possui um significado espiritual.

O erro estaria em cair em um de dois extremos.

O primeiro seria transformar os elementos físicos em algo que a Bíblia nunca diz que eles se tornam. O pão não se transforma literalmente no corpo de Cristo, e o conteúdo do cálice não se transforma literalmente no sangue de Cristo.

Aliás, depois de dizer “isto é o meu corpo”, Paulo continua chamando o elemento de “pão”:

“Todas as vezes que comerdes este pão...” (1 Coríntios 11:26).

E novamente:

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (1 Coríntios 11:28).

Continua sendo pão.

O segundo extremo, porém, seria dizer: “Já que o pão é somente um símbolo e a realidade é espiritual, então não precisamos mais do símbolo”.

Isso também ultrapassa as Escrituras, porque foi o próprio Senhor que escolheu os símbolos e disse: “Fazei isto em memória de mim”.

Podemos fazer uma comparação com o batismo.

A salvação não vem da água do batismo. Somos salvos pela graça mediante a fé, conforme Efésios 2:8-9. Entretanto, isso não torna o batismo desnecessário. O Senhor ordenou que aqueles que creem fossem batizados (Mateus 28:19; Marcos 16:16), e vemos essa prática repetidamente em Atos dos Apóstolos.

O ato exterior não produz a realidade espiritual, mas expressa uma realidade espiritual segundo uma ordem do Senhor.

O mesmo princípio pode ser observado na Ceia.

O pão não salva.

O cálice não salva.

Participar da Ceia não comunica vida eterna.

Não recebemos novamente o sacrifício de Cristo.

Cristo não é sacrificado novamente.

O pão não se transforma no corpo de Cristo.

O conteúdo do cálice não se transforma no sangue de Cristo.

Mas tudo isso não significa que comer o pão e beber do cálice sejam desnecessários. São precisamente as ações que o Senhor ordenou como memorial de Si mesmo.

Há ainda outro aspecto importante em 1 Coríntios 10:

“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Coríntios 10:16).

Novamente, isso não significa transformação física dos elementos. O pão permanece pão e o cálice permanece cálice. Entretanto, ao participarmos deles conjuntamente, expressamos comunhão com aquilo que eles representam.

Paulo prossegue:

“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão” (1 Coríntios 10:17).

Aqui aparece também o caráter coletivo da Ceia. Não se trata apenas de um crente, sozinho, pensando na cruz. A Ceia do Senhor é apresentada no Novo Testamento em relação à comunhão dos santos reunidos.

Por isso lemos:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (Atos dos Apóstolos 2:42).

E mais tarde:

“E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão...” (Atos dos Apóstolos 20:7).

Veja como o ensino se completa.

Nos Evangelhos, o Senhor instituiu a Ceia.

Em Atos dos Apóstolos, os discípulos praticaram a Ceia.

Em 1 Coríntios, o Espírito Santo explicou a doutrina da Ceia.

E em 1 Coríntios 11:26 foi estabelecido até quando ela deveria continuar:

“Até que venha.”

Portanto, enquanto o Senhor Jesus não vier buscar a Sua Igreja, permanece válida a ordem: “Fazei isto em memória de mim”.

Há ainda algo muito precioso aqui. A Ceia olha em três direções.

Olhamos para trás: “anunciais a morte do Senhor”.

Olhamos para o presente: “fazei isto em memória de mim”.

Olhamos para o futuro: “até que venha”.

Assim, a Ceia está situada entre a cruz e a vinda do Senhor.

A cruz diz que a obra foi consumada. A Ceia não acrescenta absolutamente nada ao sacrifício de Cristo. Hebreus deixa claro que Cristo ofereceu um único sacrifício pelos pecados e assentou-Se à direita de Deus (Hebreus 10:10-14).

Mas, enquanto aguardamos Sua volta, o próprio Senhor deixou aos Seus uma maneira simples, visível e coletiva de recordá-Lo.

Por isso, eu não chamaria a Ceia de “rito físico desnecessário”. Se fosse uma invenção humana destinada a transmitir graça ou produzir salvação, poderíamos rejeitá-la. Mas não foi inventada pela Igreja, por uma denominação ou por uma tradição religiosa. Foi instituída pelo próprio Senhor Jesus.

Sua simplicidade é justamente uma das suas belezas: um pão e um cálice. Nada de altar, sacerdote humano, transubstanciação ou repetição do sacrifício de Cristo. Apenas crentes reunidos, obedecendo àquele que disse:

“Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22:19).

Portanto, podemos resumir assim: João 6 ensina que precisamos receber Cristo pela fé para termos vida eterna; 1 Coríntios 10 e 11 ensinam que aqueles que já receberam Cristo pela fé devem reunir-se e participar do pão e do cálice em memória dEle.

A realidade espiritual não anula o símbolo que Cristo instituiu. Pelo contrário, é justamente porque conhecemos pela fé a realidade da Sua Pessoa e da Sua obra que podemos compreender o significado do pão e do cálice.

Não comemos o pão para receber Cristo.

Comemos o pão porque já recebemos Cristo.

Não bebemos do cálice para obter perdão.

Participamos do cálice porque confiamos no sangue que já foi derramado para nossa redenção.

Não celebramos a Ceia para repetir o Calvário.

Celebramos porque o sacrifício realizado no Calvário foi perfeito, suficiente e definitivo.

E continuaremos fazendo isso, conforme Ele mesmo determinou, “até que venha”.

Josué Matos

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