27 de Setembro
A Dispensação da Lei (1ª Parte – As revelações)
(Leituras: Êxodo 19:3-6; 24:4-7; 2 Reis 17:7-14, 18-20; Mateus 24:15-22)
Esta quinta dispensação, a da Lei, é extensa, abrangendo quase todo o Antigo Testamento e uma boa parte do Novo Testamento. A quarta dispensação começou com Deus chamando Abraão de Ur dos Caldeus para conduzi-lo à terra prometida. Agora, nesta quinta dispensação, começa de maneira semelhante, mas em uma escala muito maior. Nesta dispensação, Deus separa uma nação. Assim como tirou Abraão de Ur dos Caldeus, Ele separa a nação de Israel da terra do Egito. É a nação que Ele prometeu a Abraão. A promessa foi que, de Abraão, Ele faria uma grande nação. E essa nação nasceu no Egito e agora Deus dá início à quinta dispensação, tirando-os do Egito. Deus abre o mar Vermelho e conduz aquele povo pelo deserto até o monte Sinai, onde Ele se revela novamente a eles.
Pensando nas revelações dessa dispensação, vemos que são muitas, e não podemos entrar em todos os detalhes, mas podemos mencionar que Deus revelou primeiramente Sua vontade, Seus mandamentos para aquele povo. Mandamentos que governariam a vida deles como povo, como nação. Ele deu leis para o povo, e algumas dessas leis Deus mesmo escreveu com Seu próprio dedo em tábuas de pedra: os dez mandamentos. Além destes dez, Ele deu muitos outros mandamentos, que foram escritos no livro da lei. O livro foi escrito por Moisés e aspergido com sangue.
Além dessas leis civis e morais, Deus deu muitas instruções e ordenanças sobre a vida espiritual do povo. Ele ensinou sobre os sacrifícios, o sacerdócio e a maneira pela qual esse povo poderia chegar a Ele.
Na segunda dispensação, já observamos que o caminho de reconciliação era por meio do sacrifício, substituindo algo. Agora, nesta quinta dispensação, Deus entra em detalhes, especificando vários tipos de sacrifícios para diferentes fins. Ele também detalha o sacerdócio e os elementos relacionados a isso.
Além de todas essas leis, Deus revelou algo extremamente precioso: Sua vontade de habitar no meio do Seu povo. Em Êxodo 25, Ele diz que o povo deveria fazer um Tabernáculo para que Ele pudesse habitar no meio deles. Era uma casa simples, feita de tábuas e panos; por fora parecia simples, sem nada atraente na aparência externa. No entanto, se entrássemos lá, seríamos surpreendidos pela beleza interna. As tábuas eram cobertas de ouro puro, os móveis também eram cobertos de ouro. Ao olhar para cima, veríamos cortinas de lindas cores, adornadas com querubins. Por dentro, era rica e encantadora, mas por fora não tinha beleza alguma.
Naquela casa, Deus habitou no meio do Seu povo peregrino. No entanto, Ele mandou cercá-la com uma cerca alta, para que o povo entendesse: "Deus habita ali, mas nós não podemos chegar perto, precisamos manter distância." Havia uma entrada, e apenas uma. O povo estava lá fora, mas havia uma forma de entrar, uma maneira de chegar até Deus. Ao entrar, a primeira coisa que se via era um altar de bronze, onde os sacrifícios eram oferecidos. Para chegar à casa de Deus, era necessário passar pelo altar de sacrifício. Além disso, havia uma pia de água para purificação. Portanto, o povo podia entender que é possível chegar a Deus, mas não de qualquer maneira e nem para todos.
O povo em geral não podia chegar perto, mas os levitas podiam chegar até o pátio, embora não pudessem ir além disso. Os sacerdotes podiam entrar no lugar santo, mas também não podiam ir mais além. Somente uma pessoa, o sumo sacerdote, podia entrar no lugar santíssimo, uma vez por ano. Não era para qualquer um, nem por qualquer meio que se podia chegar a Deus. Ele estava ali, mas havia condições rigorosas para se aproximar d'Ele.
Deus estava revelando que, embora Ele quisesse habitar no meio do Seu povo, exigia santidade na Sua casa. E, em nossos dias, devemos lembrar que Deus também tem uma casa. Já sabemos que Ele não habita em casas feitas por mãos de homens. Hebreus 13 diz que a casa de Deus somos nós, os salvos desta dispensação da graça. Em 1 Timóteo 3:16, nos é ensinado que a igreja local é a casa de Deus. O Senhor Jesus disse que onde estivessem dois ou três reunidos em Seu nome, Ele estaria no meio deles (Mateus 18:20). Porém, ainda hoje, a santidade é necessária na casa do Senhor. Se o Deus Santo habita entre nós, Ele exige santidade em nossas vidas. Não podemos nos aproximar de Deus de qualquer maneira; deve haver reverência, temor e santidade, condizentes com Sua Pessoa.
28 de Setembro
A
Dispensação da Lei (2ª Parte – A Responsabilidade)
Quando Deus os tirou da terra do Egito e os levou ao
monte Sinai para dar estas revelações, após ouvirem tudo, disseram a Deus:
“Tudo o que o Senhor mandar, faremos!” (Êxodo 19). Assumiram essa responsabilidade.
Quando Deus deu aquela lei no capítulo 20 e aquelas
palavras foram escritas, não apenas em tábuas de pedra, mas também no resto em
livros, e o povo ouviu a leitura dessas palavras, tornaram a dizer: “Tudo o que
o Senhor mandou, faremos!” E, após a leitura, repetiram pela terceira vez:
“Tudo o que o Senhor falou, faremos e obedeceremos!”.
E realmente, era isso que Deus queria deles: obediência
total. O Senhor disse: “Se ouvirdes a minha voz e fizerdes diligentemente o que
eu mando, sereis, para mim, a minha propriedade peculiar.” Entre todos os
povos, vocês terão um lugar especial. Um lugar de intimidade, disse Deus, perto
de mim! “Diligentemente ouvirem a minha voz e obedecerem ao que vos mando.”
A responsabilidade daquele povo era obedecer às ordens
do Senhor.
Em todas as dispensações, o povo tem o dever de
obedecer a Deus. Porém, nesta dispensação, que era da lei, eles assumiram
perante Deus aquele dever. Logo no início, na primeira dispensação, Deus deu
uma lei para Adão e Eva: “Não comerás”, e eles quebraram aquela lei. Na segunda
dispensação, Deus os deixou sem lei, ficando à luz da consciência que
adquiriram, mas desobedeceram e contaminaram sua consciência. Na terceira
dispensação, Deus estabeleceu um governo humano, dando ao homem o direito de decretar
as leis e governar para Deus, mas os homens corromperam o governo, abusaram de
sua autoridade e desrespeitaram as leis. Tudo fracassou!
Agora temos algo diferente na quinta dispensação,
porque Deus estabelece a Sua lei e coloca homens em autoridade, como Moisés.
Mas a lei vem de Deus. E os homens assumem a responsabilidade de obedecer,
fazendo tudo o que Deus manda. Um grande privilégio na dispensação da lei:
receber tantas revelações; uma grande responsabilidade: obedecer ao que Deus
mandou.
Mas é bom observar nesta dispensação o relacionamento
entre Deus e aquele povo. Ele não fez aquela aliança com todo o mundo; Ele
escolheu aquela nação e fez aliança com ela. E Ele disse (Êxodo 19): “Se
diligentemente ouvirdes a minha voz e obedecerdes, sereis minha propriedade
peculiar.” E ainda mais, Ele disse: “Sereis, para mim, um reino sacerdotal.”
Seriam um povo santo, separado para Deus. Mas com esta finalidade: ser um reino
sacerdotal.
Nisso vemos o plano de Deus para esta dispensação. Para
que Deus separou uma nação? Para que aquela nação fosse uma nação sacerdotal. O
que quer dizer isso? Qual a função de um sacerdote? Resumindo em poucas
palavras: a função do sacerdote é dupla: ele tem uma função para com o povo e
uma função para com Deus.
Diante do povo, ele deve representar a Deus, trazendo a
lei de Deus, a Palavra de Deus, e reproduzindo Deus ao povo. Perante Deus, ele
representa o povo, orando e intercedendo por eles. Um reino sacerdotal!
Era isso que Deus queria: que aquele povo, no meio do
qual Ele mesmo habitaria, fosse um reino de sacerdotes. Estando na presença de
Deus, ouviriam a Sua voz e levariam esta mensagem às nações, disseminando a
verdade nos quatro cantos da terra. Estando perto de Deus, aquele povo chegaria
à Sua presença, intercedendo pelas massas da humanidade lá fora. Seriam o
representante de Deus no mundo e o representante do mundo perante Deus. Era um
plano maravilhoso da parte de Deus para esta nação: um reino sacerdotal. O
fracasso entrou logo, e Deus modificou isso, escolhendo uma família de
sacerdotes. Mas o plano era esse: que toda a nação fosse um reino sacerdotal.
29 de Setembro
A
Dispensação da Lei (3ª Parte – O Fracasso)
Em 2 Reis 17, vemos que aquele povo, que deveria ser um
reino sacerdotal, representando Deus e intercedendo pelo povo, se entregou à
idolatria. Você consegue entender o tamanho desse fracasso? Um povo escolhido
por Deus para ser o Seu representante, e eles abandonam a Deus, adorando as
imagens das nações. Seus pais haviam feito isso no Egito, e o seu antepassado
Abraão havia feito isso em Ur dos Caldeus. Mas eles foram tirados de tudo isso.
O Deus vivo manifestou o Seu poder a eles e neles. Josué os exortou a que
deveriam servir ao Deus vivo, e ele até lhes deu a escolha: “Resolvam se vão
servir os deuses que os seus antepassados adoravam na terra da Mesopotâmia ou
os deuses dos amorreus, na terra de quem vocês estão morando agora. Porém, eu e
a minha família serviremos a Deus, o Senhor.” O povo respondeu: “Nunca
poderíamos pensar em abandonar o Senhor para servir outros deuses! Foi o
Senhor, nosso Deus, quem nos tirou, a nós e aos nossos pais, da escravidão na
terra do Egito. E vimos as grandes coisas que Ele fez. Ele nos guardou pelos
caminhos por onde andamos e no meio dos países por onde passamos” (Josué 24:15-17).
Então, Josué lhes mostrou as consequências por estarem
escolhendo servir ao Senhor, dizendo: “Vocês não podem, porque Deus exige
santidade; Ele exige obediência.” E aquele povo reafirmou: “Nós serviremos ao
Senhor, estamos dispostos a isso.” Porém, em 2 Reis 17, vemos que eles se
entregaram à idolatria, divididos em duas nações: a casa de Israel e a casa de
Judá. A casa de Israel se entregou à idolatria devido à mistura com as nações.
Mistura em casamentos, jugo desigual; misturas em festas pagãs e imorais. E o
resultado foi que aquelas dez tribos do norte de Israel foram entregues ao rei
da Assíria, removidos da sua terra pelo juízo de Deus.
Judá ficou, mas também não se manteve fiel. Se Israel
imitou as nações, Judá imitou Israel. O mesmo que fizeram os israelitas
imitando os egípcios na terra do Egito, agora Judá imitou as dez tribos do
norte, chamadas de Israel. Portanto, Judá também foi entregue por Deus ao
cativeiro, sendo levado para Babilônia, não sobrando nada. Isso foi o fracasso
total daquele reino sacerdotal que Deus havia planejado para toda a nação de
Israel.
Depois de muitos anos na Babilônia, Deus, pela Sua
graça, cumprindo a Sua promessa e sendo fiel, trouxe um remanescente de volta
para a terra prometida. Deus os trouxe em fraqueza para continuarem naquela
terra, mas com a presença e bênção de Deus com eles. Lamentavelmente, também
falharam. Quando o próprio Filho de Deus apareceu no meio deles, o entregaram
para Pilatos, o gentil, clamando em alta voz: “Fora daqui com este, não queremos
que Ele reine sobre nós; crucifique-o, crucifique-o!”
30 de Setembro
A
Dispensação da Lei (4ª Parte – O Reino Sacerdotal)
Aqueles que Deus havia planejado para ser um reino
sacerdotal, ao contemplarem o próprio Filho de Deus em seu meio, não puderam
suportá-lo e clamaram: “Fora com este, crucifica-o!”. Aquele “reino sacerdotal”
foi espalhado entre as nações e continua espalhado até hoje.
Um pequeno remanescente tem voltado, em cegueira
espiritual e na incredulidade. Alguns deles estão morando em uma parte daquela
terra, porém a nação continua espalhada entre as nações gentílicas, oprimidos.
Portanto, esta dispensação ainda não terminou; algo inédito aconteceu nas
dispensações, pois Deus interrompeu aquela dispensação, a da Lei, na morte de
Cristo. Aquele “reino sacerdotal” foi espalhado no ano 70 d.C. e até hoje está
debaixo do juízo de Deus. Deus está fazendo algo diferente em nossos dias;
vivemos em um intervalo no qual Deus trabalha pela Igreja no mundo. Porém, a
qualquer dia destes, seremos arrebatados pelo Senhor Jesus, sendo levados à
glória do céu, e então começará novamente a mesma dispensação da Lei. Restam
ainda sete anos daquela dispensação. Sete anos que começarão a contar logo após
o nosso arrebatamento.
Naqueles sete anos, aquele reino sacerdotal sentirá o
peso da vara do Senhor. Já fracassou, já sofreu muito, mas o que vai sofrer
nesses sete anos que vêm, só Deus sabe compreender. Lendo Mateus 24, que se
refere àqueles dias, percebemos que serão dias de tribulação como nunca houve
desde o começo do mundo, nem jamais haverá outros dias semelhantes.
O profeta Jeremias descreveu aquele tempo como “o tempo da angústia de Jacó”.
Será o juízo de Deus sobre o reino sacerdotal que fracassou.
A dispensação da Lei é uma dispensação extensa, na qual
Deus deu uma revelação muito grande do Seu propósito, completando o que Ele
vinha revelando desde a primeira dispensação. Preparando tudo para este tempo
presente em que estamos vivendo.
Lemos em Gálatas 3 que aquela lei foi dada até que
viesse o Cristo. Tudo apontava para Ele: o Tabernáculo é uma figura de Cristo,
como também é uma figura da igreja local da nossa dispensação. Os sacrifícios
no Tabernáculo falavam de Cristo e são figuras sobre o caminho, o plano de
salvação. Na realidade, desde a primeira até a quinta dispensação, todas
apontam para Cristo. E agora, há quase dois mil anos, essa quinta dispensação
foi interrompida e Deus começou a sexta dispensação, na qual nós vivemos. Paulo
disse aos Coríntios: “Os fins dos séculos já chegaram sobre nós” (1 Coríntios
10:11).