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A diferença entre fé religiosa e fé salvadora

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, com o aumento de pessoas ligadas à fé cristã sendo mortas por causa de sua fé (católicos, siro-malabares, nestorianos, etc.) em países muçulmanos, por exemplo, pergunto: estas pessoas religiosas que não negaram sua fé — conforme melhor entendiam e praticavam — mas que não tinham a nossa fé (evangélica), qual seria o futuro eterno das mesmas? Elas podem ter sido salvas? Por quê?

Minha Resposta:

A sua pergunta é profundamente séria e precisa ser tratada com reverência, compaixão e fidelidade às Escrituras. Não podemos responder com base na emoção causada pelo sofrimento dessas pessoas, mas sim à luz da revelação divina.

  1. O fundamento da salvação

A Palavra de Deus é clara ao afirmar que a salvação é exclusivamente por meio da pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo declarou:

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6)

O apóstolo Pedro afirmou diante do Sinédrio:

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos dos Apóstolos 4:12)

Portanto, a salvação não é obtida pela sinceridade religiosa, nem pelo sofrimento suportado, nem pelo martírio em si, mas pela fé pessoal no Senhor Jesus Cristo, baseada na Sua morte expiatória e na Sua ressurreição.

  1. A diferença entre fé religiosa e fé salvadora

Há uma distinção essencial entre ter religião e ter vida eterna. Muitos podem professar fidelidade à sua tradição religiosa e até morrer por ela, mas isso não equivale necessariamente à fé bíblica.

Romanos 10:9-10 declara:

“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.”

A fé salvadora envolve:
– Reconhecimento da própria condição pecaminosa.
– Confiança exclusiva na obra consumada de Cristo.
– Arrependimento verdadeiro.
– Novo nascimento operado pelo Espírito Santo (João 3:3-8).

Morrer defendendo uma tradição não substitui o novo nascimento.

  1. O martírio salva?

O sofrimento por causa da fé não é, em si mesmo, meio de salvação. Ele é consequência da fé verdadeira, mas não sua causa.

Efésios 2:8-9 ensina:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.”

O martírio pode ser evidência de uma fé genuína, mas não produz salvação. Se a pessoa não confiou biblicamente no Senhor Jesus Cristo como único Salvador, o sofrimento não altera sua condição espiritual diante de Deus.

  1. E quanto à responsabilidade individual?

A Escritura ensina que Deus julga cada pessoa segundo a luz recebida (Romanos 2:12-16). No entanto, a revelação final e completa da salvação está em Cristo.

João 3:18 declara:

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.”

Não é a pertença a um sistema religioso que determina o destino eterno, mas a relação pessoal com Cristo.

  1. Pode haver salvos dentro de sistemas religiosos?

Sim, é possível que haja pessoas verdadeiramente regeneradas dentro de tradições religiosas históricas, se elas, pessoalmente, confiaram exclusivamente no Senhor Jesus Cristo para sua salvação, independentemente de práticas ou doutrinas adicionais do sistema ao qual pertencem.

O que salva não é o rótulo “evangélico”, “católico”, “siro-malabar” ou qualquer outro, mas a fé viva no Filho de Deus.

Por outro lado, se alguém permaneceu confiando em sacramentos, méritos pessoais, mediações humanas ou em qualquer outro fundamento além de Cristo somente, então a Escritura não oferece segurança quanto à sua salvação.

  1. A posição que devemos manter

Devemos manter dois princípios simultaneamente:

– Exclusividade da salvação em Cristo.
– Justiça perfeita de Deus em Seu julgamento.

Deus não é injusto. Ele conhece o coração. Ele sabe quem realmente creu no Seu Filho.

Mas nós não podemos substituir a revelação clara da Palavra por suposições baseadas na sinceridade ou no sofrimento humano.

A base permanece:

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1 Timóteo 2:5)

Conclusão

O futuro eterno dessas pessoas depende unicamente de sua relação pessoal com o Senhor Jesus Cristo. Se houve fé verdadeira no Filho de Deus, há salvação. Se não houve novo nascimento e confiança exclusiva na obra da cruz, a Escritura não oferece outra esperança.

Essa é uma resposta difícil, mas necessária, porque a fidelidade à verdade é também uma forma de amor.

Josué Matos

É permitido a uma irmã dar estudo bíblico em vídeo chamada ou no YouTube?

Alguém que me escreveu no WhatsApp:

A mulher não é permitido pregar numa reunião como Igreja num local, mas a uma irmã é permitido dar estudo bíblico em vídeo chamada ou no YouTube?

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito importante, porque hoje a tecnologia criou situações que não existiam no tempo apostólico, mas os princípios da Palavra de Deus continuam os mesmos.

A base para entendermos essa questão está, principalmente, em 1 Coríntios 14:34-35 e 1 Timóteo 2:11-12. Em 1 Coríntios 14:34 está escrito: “As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar”. E em 1 Timóteo 2:12: “Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio”.

É importante notar que o contexto de 1 Coríntios 14 é claramente a reunião da assembleia reunida como igreja. O capítulo trata da ordem na reunião, do falar em línguas, da profecia, do falar “na igreja” (1 Coríntios 14:19, 23, 26). Portanto, a restrição está ligada ao âmbito da assembleia reunida.

Já em 1 Timóteo 2, o apóstolo fundamenta a instrução não em cultura local, mas na ordem da criação: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva” (1 Timóteo 2:13). Isso mostra que não é algo meramente circunstancial, mas um princípio ligado à responsabilidade pública de ensino com autoridade.

Agora, precisamos distinguir duas coisas:

  1. A reunião da igreja como igreja.

  2. O testemunho individual fora da reunião formal.

A mulher pode e deve servir ao Senhor. Em Tito 2:3-4 vemos que as mulheres idosas devem ensinar as mais novas. Em Atos 18:26, Priscila, juntamente com Áquila, ajudou a explicar com mais precisão o caminho de Deus a Apolo. Em Atos 21:9, as quatro filhas de Filipe profetizavam. Portanto, não há silêncio absoluto da mulher em toda e qualquer esfera, mas há uma limitação específica quanto ao ensino com autoridade sobre homens e quanto ao falar na assembleia reunida.

Aplicando isso à sua pergunta:

Se uma irmã faz um estudo bíblico por videochamada ou no YouTube, precisamos perguntar: em que caráter isso está sendo feito?

Se for um ministério público de ensino dirigido indistintamente a homens e mulheres, assumindo posição de autoridade doutrinária sobre homens, isso entra no princípio de 1 Timóteo 2:12, mesmo que não seja dentro de uma reunião local. A tecnologia não altera o princípio espiritual. A internet não cria uma nova dispensação.

Por outro lado, se for ensino direcionado a mulheres, ou crianças, ou um testemunho pessoal, ou explicação informal da Palavra sem assumir autoridade pública sobre homens, a situação é diferente. A Escritura não proíbe a mulher de falar de Cristo, evangelizar, ensinar outras mulheres ou crianças, ou compartilhar a Palavra em conversas e contextos apropriados.

Portanto, o ponto central não é o meio (salão físico ou YouTube), mas o caráter do ministério: trata-se de ensino público com autoridade sobre homens? Está assumindo posição de liderança doutrinária geral? Ou é um exercício legítimo de dom dentro dos limites bíblicos?

Devemos sempre manter dois cuidados:

  1. Não restringir além do que a Escritura restringe.

  2. Não ampliar a liberdade além do que a Escritura permite.

O Senhor distribui dons como quer (1 Coríntios 12:11), mas nunca em contradição com a ordem que Ele mesmo estabeleceu.

Que o Senhor nos dê equilíbrio, submissão à Palavra e espírito humilde para aplicar corretamente esses princípios nos dias atuais.

Josué Matos

Se o pré-tribulacionismo fosse a posição clara dos apóstolos, esperaríamos encontrar essa estrutura nos escritos dos primeiros cristãos como Irineu, Justino ou Hipólito

Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão, se o pré-tribulacionismo fosse a posição clara dos apóstolos, esperaríamos encontrar essa estrutura nos escritos dos primeiros cristãos como Irineu, Justino ou Hipólito. Mas o que vemos neles é expectativa de perseguição da Igreja antes da volta de Cristo, não um arrebatamento anterior. O sistema como conhecemos hoje só aparece organizado no século XIX. Isso é um fato histórico documentado.

Minha Resposta:

Agradeço sua colocação e reconheço que a questão histórica é importante. No entanto, é preciso fazer algumas distinções fundamentais entre sistema teológico formalizado e verdade bíblica progressivamente compreendida.

Primeiro, o fato de um sistema estar organizado no século XIX não significa que seus elementos não estejam nas Escrituras desde o princípio. Muitas doutrinas fundamentais só foram sistematizadas séculos depois — por exemplo, a formulação precisa da doutrina da Trindade nos concílios dos séculos IV e V — e nem por isso alguém diria que a Trindade “nasceu” ali.

A questão central não é quando a doutrina foi sistematizada, mas se ela está claramente ensinada nas Escrituras.

1. A expectativa apostólica no Novo Testamento

No Novo Testamento vemos duas linhas proféticas distintas:

  1. A esperança da Igreja — descrita como iminente, sem sinais prévios.

  2. A manifestação pública de Cristo em juízo e glória.

Considere:

  • 1 Tessalonicenses 4:16-17 — o Senhor desce aos ares e os crentes são arrebatados para encontrá-Lo.

  • João 14:1-3 — Cristo vem buscar os Seus para levá-los para onde Ele está.

  • 1 Coríntios 15:51-52 — um mistério revelado: nem todos dormirão, mas todos serão transformados.

  • Apocalipse 3:10 — promessa de ser guardado “da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro”.

Esses textos apresentam um evento distinto da manifestação descrita em:

  • Mateus 24

  • 2 Tessalonicenses 2

  • Apocalipse 19

Na segunda vinda em glória, Cristo vem com os Seus (Apocalipse 19:14); no arrebatamento, Ele vem para os Seus (1 Tessalonicenses 4:17).
Na manifestação, Ele toca a terra (Zacarias 14:4); no arrebatamento, os santos sobem aos ares.

Essas distinções são bíblicas antes de serem sistemáticas.

2. Sobre os Pais da Igreja

É verdade que alguns escritores antigos, como:

  • Irineu de Lyon

  • Justino Mártir

  • Hipólito de Roma

demonstraram expectativa de perseguição antes da volta de Cristo. Mas alguns pontos precisam ser considerados:

  1. Eles não tinham uma escatologia sistemática desenvolvida.

  2. Misturavam frequentemente Israel e Igreja.

  3. Muitos eram claramente quiliastas (pré-milenistas), o que já mostra desenvolvimento parcial da profecia.

Além disso, a teologia patrística primitiva não era uniforme nem infalível. A autoridade final não é o consenso patrístico, mas a Escritura.

Importante também notar que os primeiros séculos estavam sob intensa perseguição romana. A leitura deles era naturalmente moldada por esse contexto histórico. Sofrimento presente não significa necessariamente que a Igreja passe pela tribulação futura descrita como “hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro” (Apocalipse 3:10).

3. Desenvolvimento doutrinário não é invenção doutrinária

O pré-tribulacionismo como sistema organizado no século XIX é um fato histórico. Mas o mesmo ocorre com:

  • A sistematização da escatologia dispensacional

  • A formulação técnica da doutrina da inspiração verbal

  • A definição precisa da justificação forense na Reforma

Organização teológica tardia não significa origem tardia da verdade.

4. A distinção entre Israel e Igreja

Grande parte da discussão depende de reconhecer ou não distinção entre:

  • A Igreja (corpo de Cristo — Efésios 1:22-23)

  • Israel como nação terrena com promessas específicas (Jeremias 31:35-37; Romanos 11)

A tribulação é descrita nas Escrituras como:

  • “Tempo de angústia para Jacó” (Jeremias 30:7)

  • Relacionada ao cumprimento das setenta semanas de Daniel 9:24-27

Se a Igreja é um mistério revelado posteriormente (Efésios 3:3-6), não revelado no Antigo Testamento, é coerente entender que a última semana de Daniel diz respeito a Israel, não à Igreja.

5. Expectativa iminente

Os apóstolos ensinavam uma expectativa constante da vinda do Senhor:

  • Filipenses 3:20

  • Tito 2:13

  • Tiago 5:8-9

Se a Igreja tivesse que esperar necessariamente o Anticristo, os juízos das trombetas e das taças antes da vinda de Cristo para ela, essa expectativa iminente seria teologicamente enfraquecida.

Conclusão

O ponto não é negar que muitos cristãos antigos esperavam perseguição. O ponto é perguntar:

A Escritura ensina que a Igreja passa pela tribulação escatológica específica descrita em Apocalipse 6–18?

Ou ensina que a Igreja aguarda a vinda do Senhor para si antes do derramamento da ira divina?

A questão precisa ser resolvida exegeticamente, não apenas historicamente.

Com respeito fraternal, a discussão não deve ser:
“Quando o sistema foi organizado?”

Mas sim:
“O que o texto bíblico realmente ensina quando analisado de forma coerente e progressiva?”

Josué Matos

Fazem um corredor de pessoas na reunião e as pessoas que passam por ele — algumas caem — falava que era a unção do Espírito Santo

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Uma consulta com o irmão — vieram me perguntar se aqueles que congregam em sistemas denominacionais e vêm um pastor de fora convidado para pregar e fazem um corredor de pessoas na reunião e as pessoas que passam por ele — algumas caem — falava que era a unção do Espírito Santo — o que eu respondo para essa pessoa?

Minha Resposta:

O que precisamos avaliar nessas situações não é o efeito produzido nas pessoas, mas a origem e o fundamento bíblico da prática. No Novo Testamento, a atuação do Espírito Santo nunca é apresentada como algo mecânico, induzido por gestos humanos, filas, corredores ou comandos de um homem.

Quando lemos o livro de Atos dos Apóstolos, vemos pessoas prostrando-se diante de Deus em ocasiões específicas, mas sempre como resultado direto da revelação da glória divina ou da convicção profunda do pecado, e não como resultado de uma técnica, encenação ou ambiente criado artificialmente. Nunca encontramos apóstolos organizando filas para que pessoas passassem por eles a fim de “receber unção”.

O Espírito Santo é soberano. Ele não é transmitido por toque humano como se fosse uma energia, nem age de forma desordenada ou espetacular para impressionar. A Palavra de Deus ensina que o Espírito Santo glorifica a Cristo, convence do pecado, da justiça e do juízo, e produz fruto visível no caráter do crente, como santidade, domínio próprio e submissão à verdade.

Além disso, o Senhor Jesus advertiu claramente que, nos últimos dias, surgiriam sinais e manifestações capazes de enganar, se possível, até os eleitos. Por isso, somos chamados a provar os espíritos e a examinar todas as coisas à luz das Escrituras, retendo apenas o que é bom.

Portanto, a queda de pessoas, por si só, não é prova de que algo venha do Espírito Santo. A pergunta correta não é “o que aconteceu?”, mas “onde isso está claramente ensinado na Palavra de Deus?”. Se a prática não encontra respaldo nas Escrituras, deve ser rejeitada, ainda que produza forte impacto emocional.

Nosso padrão não são experiências, nem manifestações visíveis, mas a Palavra de Deus. O verdadeiro agir do Espírito Santo conduz à reverência, à edificação da igreja e à exaltação do Senhor Jesus Cristo, nunca à centralização em homens ou em fenômenos.

Josué Matos