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Qual era a idade dos discípulos de Jesus?

 Alguém que me escreveu no YouTube, depois de assistir ao meu vídeo :

Assim como não diz que eram adultos, não diz que eram adolescentes. Lembrando que no judaísmo com 13 anos o jovem já fazia a leitura da lei diante da sinagoga e já era considerado homem. Não vejo problemas em mostrá-los com menos de 20 anos. A idade pouco importa na questão de responsabilidades e compromissos.

Minha Resposta:

A sua colocação levanta um ponto interessante, e é importante tratá-lo com equilíbrio à luz das Escrituras.

Primeiramente, é verdade que a Bíblia não declara explicitamente a idade exata dos discípulos. Não encontramos em textos como Mateus, Marcos, Lucas ou João uma afirmação direta dizendo se eram adolescentes ou homens mais velhos. Portanto, qualquer afirmação categórica sobre a idade exata entra no campo de inferência, e não de revelação bíblica.

No entanto, quando analisamos o conjunto das Escrituras e o contexto histórico-cultural, alguns elementos ajudam a formar um entendimento mais consistente.

  1. O perfil dos discípulos indica maturidade, não juventude precoce

Os discípulos eram, em sua maioria, homens que já exerciam profissões estabelecidas. Por exemplo:

  • Pedro, André, Tiago e João eram pescadores (Mateus 4:18-22)
  • Mateus era cobrador de impostos (Mateus 9:9)

Essas funções, especialmente a de publicano, exigiam responsabilidade civil, experiência e reconhecimento social. Não eram funções normalmente atribuídas a adolescentes.

Além disso, Pedro era casado (Mateus 8:14), o que, no contexto judaico, pressupõe maturidade e responsabilidade familiar.

  1. A relação com o imposto do templo (Mateus 17:24-27)

Esse texto é muito significativo. O imposto do templo era cobrado de homens adultos. Quando perguntam a Pedro se o Senhor pagava o tributo, o Senhor Jesus manda pagar por Ele e por Pedro.

Isso sugere que Pedro era reconhecido como alguém sujeito ao imposto — ou seja, um homem adulto. Ao mesmo tempo, não há menção de pagamento pelos outros discípulos, o que alguns interpretam como possível indício de que nem todos estavam na mesma faixa etária, mas isso não é suficiente para afirmar que eram adolescentes.

  1. A formação espiritual e responsabilidade doutrinária

Os discípulos foram preparados para uma missão extremamente séria: serem testemunhas do Senhor Jesus e fundamentos da Igreja (Atos dos Apóstolos 1:8; Efésios 2:20).

Mais tarde, vemos esses homens assumindo liderança, ensino doutrinário e responsabilidade espiritual:

  • Pedro pregando em Atos 2
  • João escrevendo suas epístolas
  • Mateus registrando o evangelho

Esse nível de responsabilidade não corresponde ao perfil de jovens ainda em formação inicial, mas de homens amadurecidos pelo convívio com o Senhor.

  1. O conceito judaico de maioridade não equivale à maturidade plena

É verdade que, no judaísmo, aos 13 anos o jovem era considerado responsável pela Lei. Contudo, isso não significa que ele fosse socialmente equivalente a um homem plenamente estabelecido.

Há uma diferença entre responsabilidade religiosa inicial e maturidade plena para exercer profissão, liderar, casar e assumir encargos públicos.

  1. Conclusão equilibrada

Portanto, embora a Bíblia não declare explicitamente a idade dos discípulos, os indícios apontam que eram, em sua maioria, homens adultos, possivelmente jovens adultos em alguns casos, mas não adolescentes no sentido comum.

A questão da idade, de fato, não é o ponto central — como você bem observou — pois Deus pode usar tanto jovens quanto adultos. Vemos isso em exemplos como:

  • Jeremias, chamado ainda jovem, cuja idade não sabemos (Jeremias 1:6-7)
  • Timóteo, já tendo quase 40 anos, é exortado a não desprezarem sua mocidade (1 Timóteo 4:12)
  • O Senhor Jesus começou seu ministério público já tendo 30 anos (Lucas 3:23)

Mas, no caso específico dos apóstolos, o conjunto das evidências bíblicas inclina-se mais para um grupo de homens já formados na vida.

Assim, é possível dizer com segurança:

  • A Bíblia não define a idade
  • Mas os elementos do texto indicam maturidade adulta, não adolescência

Isso nos ajuda a manter uma interpretação fiel, sem ir além do que está escrito (1 Coríntios 4:6), e ao mesmo tempo respeitando o contexto histórico e espiritual apresentado nas Escrituras.

Josué Matos

Quando surgiu e quando terminou a era apostólica?

Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Você tem algum estudo específico de quando surgiu e quando terminou a era apostólica? E outra pergunta: no Novo Testamento existem apóstolos além dos doze; uma interpretação equivocada não poderia dar margem para defender a continuidade do apostolado hoje?

Minha Resposta:

Suas perguntas são muito pertinentes, e realmente precisam ser tratadas com cuidado bíblico, porque hoje há muita confusão nesse assunto.

  1. Quando começou e quando terminou a era apostólica?

A chamada era apostólica começa com a formação do fundamento da Igreja, que está ligado diretamente à vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, conforme Atos dos Apóstolos 2. Ali inicia-se uma nova dispensação, a da graça, e também o testemunho apostólico.

Os apóstolos foram escolhidos diretamente pelo Senhor Jesus Cristo. Em Lucas 6:13 vemos que Ele chamou os seus discípulos e escolheu doze, aos quais deu também o nome de apóstolos. Posteriormente, em Atos dos Apóstolos 1:21-26, vemos a escolha de Matias para substituir Judas, mostrando que havia critérios muito claros: tinha que ser alguém que tivesse acompanhado o Senhor Jesus desde o princípio e fosse testemunha da sua ressurreição.

Além disso, o apóstolo Paulo também foi chamado de forma extraordinária pelo próprio Senhor glorificado, conforme Atos dos Apóstolos 9 e confirmado em 1 Coríntios 15:8.

A função dos apóstolos era fundamental e única: lançar o fundamento da Igreja. Efésios 2:20 declara claramente que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o Senhor Jesus Cristo a principal pedra da esquina.

Ora, fundamento não se lança repetidamente. Uma vez colocado, a construção continua sobre ele.

Assim, a era apostólica se estende desde o início da Igreja em Atos dos Apóstolos até o período em que os apóstolos ainda estavam vivos e completaram a revelação divina. Isso inclui também o fechamento do cânon do Novo Testamento.

Historicamente e biblicamente, entende-se que essa era se encerra com a morte do último apóstolo, João, por volta do final do primeiro século. A partir daí, não há mais apóstolos no sentido fundacional.

O próprio caráter dos apóstolos confirma isso: eles eram testemunhas oculares do Senhor Jesus ressuscitado (Atos 1:22), tinham autoridade para revelar a verdade divina (João 16:13) e realizar sinais apostólicos (2 Coríntios 12:12).

Esses sinais tinham o propósito de autenticar o ministério deles no início, quando o Novo Testamento ainda não estava completo.

  1. Existem outros “apóstolos” no Novo Testamento?

Sim, o termo “apóstolo” aparece em alguns casos com um sentido mais amplo, como “enviado”. Por exemplo, em Atos dos Apóstolos 14:14, Barnabé também é chamado apóstolo. Em Romanos 16:7, Andrônico e Júnias são mencionados como notáveis entre os apóstolos.

Porém, isso não significa que eles tinham a mesma posição dos doze ou de Paulo. Aqui é fundamental distinguir:

  • Apóstolos do Cordeiro (os doze + Paulo) → autoridade única e fundacional

  • Outros enviados (missionários) → uso mais geral da palavra “apóstolo”

Confundir essas duas coisas é exatamente o erro que hoje muitos cometem.

  1. Há continuidade do apostolado hoje?

Não. E aqui precisamos ser firmes, porque a Escritura não dá base para isso.

Como já vimos, os apóstolos tinham requisitos que não podem mais ser cumpridos hoje:

  • Ter visto o Senhor ressuscitado (1 Coríntios 9:1)

  • Ter sido chamado diretamente por Ele

  • Ter participado do fundamento da Igreja

Além disso, Efésios 2:20 deixa claro que o fundamento já foi lançado.

Permitir a ideia de “novos apóstolos” hoje é, na prática, negar que o fundamento já está completo e abrir espaço para novas autoridades e revelações, o que contradiz textos como Judas 1:3, que fala da fé que uma vez foi dada aos santos.

O próprio desenvolvimento do Novo Testamento mostra que, após o período apostólico, a Igreja passa a ser edificada pelo ensino já revelado, e não por novas revelações.

  1. Aplicação ao caso que você mencionou

Essa questão de “apóstola” hoje é fruto exatamente dessa confusão: pegar o uso amplo da palavra e aplicar ao ofício fundacional.

Mas isso não se sustenta biblicamente.

Além disso, 1 Coríntios 1:10-13 já adverte contra divisões e sistemas humanos, e Mateus 7:21 mostra que nem todo aquele que usa o nome do Senhor está realmente em submissão à sua vontade.

A autoridade hoje está na Palavra de Deus, não em homens com títulos.

Portanto, seu sentimento de tristeza é compreensível, e sua preocupação é correta. Ore por esse irmão Adriano Júnior, sim, e procure ajudá-lo com mansidão, mostrando essas verdades das Escrituras.

Conclusão

A era apostólica foi um período único, irrepetível, ligado ao início da Igreja e à revelação do Novo Testamento. O apostolado, no sentido bíblico pleno, não continua hoje. O que permanece é o ensino dos apóstolos, registrado nas Escrituras, que continua sendo a base e autoridade para a Igreja.

Josué Matos

Estou reunindo em uma denominação insatisfeito

Alguém que me escreveu no YouTube: 

Estou passando exatamente por essa situação, estou em uma das maiores cidades do mundo praticamente sozinho. Estou reunindo em uma denominação insatisfeito, sem conseguir me desenvolver, já tentei pedir ajuda a alguns irmãos mas sem sucesso. Oro ao Senhor para que haja um pouco mais de empenho porque aqui tem 12 milhões de pessoas onde a grande maioria está perdida e estamos sem conseguir trabalhar porque a fidelidade está diminuindo.

Minha Resposta:

Olá, a sua situação não é nova na história do povo de Deus. Desde os dias apostólicos já havia lugares com muitos habitantes e pouca fidelidade, e isso nunca impediu o Senhor de operar. Pelo contrário, muitas vezes é exatamente nesses cenários que Ele manifesta mais claramente a Sua obra.

Primeiramente, é importante compreender que a obra de Deus não depende de estruturas humanas ou de grandes organizações, mas da fidelidade individual daqueles que desejam honrá-Lo. O apóstolo Paulo escreveu: “Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel” (1 Coríntios 4:2). Note que ele não fala de resultados visíveis, mas de fidelidade. A responsabilidade do crente é ser fiel; o resultado pertence ao Senhor.

Você menciona estar reunindo em uma denominação e sentir-se limitado. Isso é algo que muitos crentes experimentam quando percebem que o sistema humano não corresponde ao padrão das Escrituras. Em Atos dos Apóstolos, vemos que os crentes se reuniam simplesmente ao nome do Senhor Jesus, dependendo do Espírito Santo e da Palavra, sem depender de sistemas organizacionais humanos. A igreja primitiva crescia não por estruturas, mas porque “a palavra de Deus crescia e se multiplicava” (Atos 12:24) .

Quanto ao sentimento de estar sozinho, lembre-se que o próprio Senhor disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20). Isso mostra que a presença do Senhor não depende de número, mas de realidade espiritual. Mesmo que você esteja sozinho por um tempo, isso não significa abandono, mas pode ser um período de preparação.

Outro ponto importante é que a obra do evangelho não está limitada à coletividade organizada. Em Atos 8, por exemplo, os crentes foram dispersos, e “iam por toda parte anunciando a palavra” (Atos 8:4). Ou seja, mesmo fora de um contexto estruturado, o testemunho continuou. Isso mostra que você pode ser usado por Deus exatamente onde está.

Sobre a grande quantidade de pessoas ao seu redor, isso deve ser visto não como um peso, mas como um campo missionário. O Senhor Jesus disse: “A seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros” (Mateus 9:37). O problema nunca foi a falta de pessoas para alcançar, mas a falta de trabalhadores disponíveis e fiéis.

Quanto à falta de apoio de outros irmãos, isso também já ocorreu no passado. O apóstolo Paulo disse: “Na minha primeira defesa ninguém foi comigo, antes todos me desampararam” (2 Timóteo 4:16). No entanto, ele acrescenta: “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me” (2 Timóteo 4:17). Isso mostra que, mesmo quando faltam homens, o Senhor permanece suficiente.

Portanto, o caminho diante de você envolve algumas atitudes claras:

  1. Permanecer na Palavra de Deus, pois ela é o fundamento de todo crescimento espiritual (Atos 20:32).
  2. Manter uma vida de oração constante, buscando direção do Senhor.
  3. Não depender de sistemas humanos para servir, mas da direção do Espírito Santo.
  4. Estar disposto a testemunhar individualmente, mesmo que de forma simples.
  5. Buscar comunhão com outros que desejam andar segundo a verdade, ainda que poucos.

Por fim, lembre-se de que Deus sempre trabalhou com remanescentes. Em tempos de declínio, Ele não procura grandes números, mas corações fiéis. Como está escrito: “Os olhos do Senhor passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele” (2 Crônicas 16:9).

Permaneça firme. O Senhor conhece o seu desejo, vê a sua dificuldade e sabe usar até mesmo a solidão para moldar e preparar um servo útil para a Sua obra.

Josué Matos

Não se pode usar os judeus para fazer as pessoas aceitarem Jesus?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Não se pode usar os judeus para fazer as pessoas aceitarem Jesus? Podemos usar o Espírito Santo como na pregação de Pedro em Atos, cheio do Espírito Santo, pregando para uma multidão — e eram quem? Eram judeus. Ele estava onde? No templo. Hoje é difícil encontrar Pedro nas igrejas?

Minha Resposta:

A sua colocação mistura algumas verdades com conclusões que precisam ser ajustadas à luz das Escrituras.

Em primeiro lugar, é verdade que em Atos 2 o apóstolo Pedro, cheio do Espírito Santo, pregou a judeus. O próprio contexto mostra isso claramente: “homens judeus e todos os que habitais em Jerusalém” (Atos dos Apóstolos 2:14). Isso está em perfeita harmonia com o plano de Deus naquele momento, pois o evangelho começou sendo anunciado aos judeus primeiro, conforme o próprio Senhor havia dito em Lucas 24:47: “que em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”.

O livro de Atos mostra exatamente esse desenvolvimento: primeiro aos judeus, depois aos samaritanos (Atos dos Apóstolos 8), e finalmente aos gentios (Atos dos Apóstolos 10). Esse avanço não foi humano, mas dirigido pelo Espírito Santo.

Portanto, usar o exemplo de Pedro pregando aos judeus não significa que o evangelho deva ficar restrito a eles, nem que os judeus sejam um “meio” para levar outros a Cristo. O propósito de Deus sempre foi mais amplo. Como está escrito: “em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (Atos dos Apóstolos 10:35).

Em segundo lugar, é correto afirmar que a verdadeira conversão não é produzida por argumentos humanos, nem por estratégias baseadas em pessoas ou grupos, mas pela ação do Espírito Santo através da Palavra de Deus. O Senhor Jesus disse em João 16:8 que o Espírito convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo. E em Romanos 10:17 lemos que “a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”.

Logo, não é uma questão de “usar judeus” ou qualquer outro grupo, mas de pregar fielmente o evangelho, confiando que o Espírito Santo fará a obra no coração.

Em terceiro lugar, quanto à afirmação de que “hoje é difícil encontrar Pedro nas igrejas”, é importante entender que Pedro não é um modelo exclusivo de lugar (templo) ou método (pregação pública a judeus), mas um exemplo de dependência do Espírito Santo e fidelidade à mensagem.

A pregação de Pedro não estava ligada ao templo como instituição permanente, mas a uma fase inicial da história da igreja. O próprio desenvolvimento do livro de Atos mostra que as reuniões cristãs passaram a ocorrer em casas (Atos dos Apóstolos 2:46), e não centradas no templo.

Além disso, o ministério apostólico não era uniforme. Pedro teve um papel mais voltado aos judeus (Gálatas 2:7-8), enquanto Paulo foi levantado como apóstolo dos gentios. Isso demonstra que Deus usa diferentes instrumentos, mas sempre com o mesmo fundamento: Cristo e a Sua obra.

Em resumo:

  • Pedro pregou aos judeus porque era o início do evangelho, não um padrão exclusivo.
  • O evangelho é para todas as nações, não apenas para um povo específico.
  • A conversão é obra do Espírito Santo por meio da Palavra, não de métodos humanos.
  • O modelo apostólico não está preso a templos ou formas externas, mas à fidelidade à verdade.

O essencial não é “encontrar Pedro nas igrejas”, mas encontrar homens e mulheres que, como ele, sejam cheios do Espírito Santo e fiéis à Palavra de Deus.

Josué Matos