Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Como devemos entender a expressão de Paulo em 1 Coríntios 15, quando ele diz que “Deus será tudo em todos”? Isso significa que Cristo deixará de ser homem ou que desaparecerá a distinção entre o Pai e o Filho?
Minha Resposta:
O texto citado está em 1 Coríntios 15:24-28, onde o apóstolo Paulo descreve o momento final do plano redentor de Deus. Ele escreve que, depois da derrota de todos os inimigos — inclusive da morte — o Senhor Jesus entregará o reino ao Pai:
“Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força.” (1 Coríntios 15:24)
E mais adiante:
“E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.” (1 Coríntios 15:28)
À primeira vista, algumas pessoas pensam que isso significa que Cristo deixará de exercer sua posição ou até que deixará de existir como homem. Porém, essa não é a ideia do texto. Paulo não está ensinando que o Filho deixará de ser quem Ele é, mas que o propósito mediador do reino será concluído.
Para compreender corretamente, é importante lembrar três verdades ensinadas nas Escrituras.
Primeiro, o Senhor Jesus permanece para sempre o Deus-homem.
A encarnação não foi temporária. Quando o Filho de Deus se fez homem, Ele assumiu uma natureza humana real e permanente. Mesmo depois da ressurreição, Ele continuou sendo homem na glória, com um corpo ressuscitado. Ele é apresentado eternamente como o Homem que vive para sempre.
Essa humanidade glorificada é essencial para o seu papel como Cabeça da nova criação e como mediador entre Deus e os homens.
Segundo, o reino mediador de Cristo tem um propósito específico dentro do plano de Deus.
Hoje e durante o reino futuro, o Senhor Jesus exerce autoridade como o Rei designado por Deus. Ele governa como o Filho do homem, cumprindo as promessas feitas a Davi e estabelecendo justiça sobre a terra.
Mas quando toda rebelião tiver sido derrotada — Satanás, o pecado, a morte e todo poder contrário — o objetivo desse reino mediador terá sido plenamente realizado.
Nesse momento, o Filho entregará o reino ao Pai, não porque perde sua autoridade ou divindade, mas porque a missão para a qual recebeu esse reino terá sido completada.
Terceiro, a expressão “Deus será tudo em todos” descreve o estado eterno de perfeita harmonia no universo.
Isso significa que toda a criação estará completamente sujeita a Deus, sem qualquer rebelião, pecado ou oposição. Não haverá mais inimigos a serem subjugados nem um governo redentor em andamento.
O universo inteiro estará perfeitamente alinhado com Deus, e a sua glória encherá todas as coisas.
Isso não elimina a pessoa de Cristo nem sua humanidade. Pelo contrário, Ele continua sendo eternamente o Filho e o Cabeça da nova criação. O que muda é apenas a função mediadora do reino.
Em outras palavras:
Cristo não deixará de ser homem.
Cristo não deixará de ser Deus.
Cristo não desaparecerá na eternidade.
O que termina é a fase do governo redentor que subjugava os inimigos de Deus. Uma vez concluída essa obra, a ordem eterna estará plenamente estabelecida, e toda a criação viverá em perfeita submissão e comunhão com Deus.
Assim, quando Paulo diz que “Deus será tudo em todos”, ele está descrevendo a consumação final do propósito divino: um universo completamente restaurado, onde a glória de Deus permeia tudo, e onde Cristo, o Deus-homem glorificado, permanece eternamente como o centro dessa nova criação.