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Qual o significado da palavra "condenação", utilizada por Paulo, em 1 Coríntios 11:29?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão Josué, qual o significado da palavra "condenação", utilizada por Paulo, em 1 Coríntios 11:29? Não seria meramente "disciplina", pois, se assim fosse, seria utilizada outra palavra, não é mesmo? Obrigado pela ajuda imensurável.

"Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor." (1 Coríntios 11:29)

Minha Resposta:

Irmão, a sua pergunta é muito pertinente, porque a palavra utilizada por Paulo em 1 Coríntios 11:29 realmente exige atenção cuidadosa ao contexto.

O texto diz:

“Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.” (1 Coríntios 11:29)

A palavra traduzida por “condenação” não está falando de condenação eterna, isto é, de perdição ou juízo final. O próprio contexto imediato demonstra isso com absoluta clareza.

  1. O Significado da Palavra

O termo grego usado por Paulo aqui é krima, que significa “juízo”, “sentença”, “disciplina judicial”. É diferente de katakrima, que é o termo usado para condenação final e eterna, como em Romanos 8:1:

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”

Ali, trata-se de condenação eterna. Em 1 Coríntios 11, não é esse o caso.

Paulo não está falando de perdição eterna de um crente, mas de juízo disciplinar da parte do Senhor dentro do tempo presente.

  1. O Próprio Contexto Explica

O versículo seguinte resolve a questão:

“Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.” (1 Coríntios 11:30)

Aqui vemos claramente que a “condenação” do versículo 29 se manifesta como:

– fraqueza
– enfermidade
– e até morte física (“dormem”)

Isso não é condenação eterna, mas disciplina governamental de Deus na vida de crentes que estavam participando da Ceia de forma leviana, sem discernir o corpo do Senhor.

E Paulo continua:

“Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.” (1 Coríntios 11:31)

Aqui vemos a mesma raiz da palavra. Julgar-se a si mesmo evita ser julgado pelo Senhor.

Depois ele afirma de maneira definitiva:

“Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (1 Coríntios 11:32)

Este versículo é a chave.

Observe:

– Há juízo do Senhor sobre o crente (disciplina).
– Esse juízo tem como finalidade evitar que o crente seja condenado com o mundo.

Portanto, não pode estar falando de condenação eterna. Pelo contrário, é exatamente o oposto: é disciplina para preservar o crente da condenação do mundo.

  1. Disciplina, Não Perdição

A disciplina do Senhor é um princípio constante nas Escrituras.

Em Hebreus 12:6 lemos:

“Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.”

A disciplina é prova de filiação, não de perdição.

Em 1 Coríntios 5, Paulo trata de um caso grave de pecado moral e diz:

“Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.” (1 Coríntios 5:5)

Novamente, disciplina severa, mas com finalidade restauradora.

  1. O Problema em Corinto

O erro dos coríntios não era pequeno. Eles estavam transformando a Ceia do Senhor em algo comum, com divisões, egoísmo e falta de discernimento espiritual.

“Porque, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor.” (1 Coríntios 11:20)

Eles estavam desprezando o significado profundo da Ceia: a memória do sacrifício do Senhor Jesus, Seu corpo entregue e Seu sangue derramado.

Participar “indignamente” não significa ser indigno (pois ninguém é digno em si mesmo), mas participar de maneira irreverente, sem autoexame, sem discernimento, sem consciência do que está sendo lembrado.

Por isso Paulo diz:

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.” (1 Coríntios 11:28)

Note que não é: “examine-se e deixe de participar”, mas “examine-se e assim participe”.

  1. Conclusão Doutrinária

Portanto, a palavra “condenação” em 1 Coríntios 11:29 significa:

– juízo disciplinar
– correção governamental
– intervenção do Senhor na vida do crente

Não significa condenação eterna.

O próprio versículo 32 prova isso de forma irrefutável:

“… para não sermos condenados com o mundo.”

O mundo caminha para juízo eterno. A Igreja é disciplinada agora para ser preservada daquele juízo.

Assim, a distinção é clara:

– O mundo: condenação final.
– O crente desordenado: disciplina temporal.

A santidade da Ceia do Senhor é algo extremamente sério. A graça não elimina a responsabilidade. A obra de Cristo nos livra da condenação eterna, mas não nos livra do governo santo de Deus em nossa vida presente.

Que o Senhor nos conceda sempre espírito de reverência, discernimento e autoexame diante da Ceia.

Josué Matos