Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Graça e paz, irmão Josué. Uma consulta — quando Paulo recebeu o dom, ele começou a executar seu ministério. Pergunta — Por que Paulo depois teve que voltar e esperar os irmãos estenderem a destra para ele continuar seu campo missionário? Se foi Jesus que deu o dom — não homens. Pergunto, isso devido ao fato de que hoje, na ruína que chegou o Ministério — uma pessoa nascida do Alto deve solicitar a Destra a algum irmão ou não se aplica — devido eu ter um dom — mas solicitaria a Destra a irmãos EXCLUSIVISTAS? Não creio assim, irmão — aprecio sua orientação. Com amor, seu irmão em Cristo Ou isso era no começo da igreja primitiva? Hoje a Ruína aumentou muito e muito mais do que há 2000 anos.
Minha Resposta:
A sua pergunta é muito importante, porque toca em dois pontos que muitas vezes são confundidos: o dom que o Senhor concede e o reconhecimento prático desse ministério entre os irmãos.
Primeiro, precisamos lembrar que o ministério, em sua origem, vem exclusivamente do Senhor. Foi o próprio Senhor Jesus quem chamou e enviou Paulo. Em Gálatas 1:1 ele afirma claramente: “Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)”. Portanto, o dom e o chamado não procedem de homens. Nenhuma assembleia e nenhum grupo de irmãos pode conferir um dom espiritual a alguém. O dom vem de Cristo glorificado.
Em Efésios 4:11 está escrito: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores.” Observe que é o Senhor quem dá. Portanto, o ministério verdadeiro nunca nasce de uma autorização humana.
No caso de Paulo, vemos que ele recebeu seu chamado diretamente do Senhor no caminho de Damasco (Atos 9:3-6; Atos 26:16-18). Contudo, depois disso, ele não atuou de forma independente ou isolada. Deus, em Sua sabedoria, quis que houvesse comunhão e reconhecimento entre os irmãos.
Em Gálatas 2:9 lemos: “E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras de comunhão.” Note bem o detalhe do texto: eles não deram o dom a Paulo. Eles reconheceram “a graça que lhe havia sido dada”. Ou seja, aquilo que Cristo já tinha feito.
Portanto, a destra de comunhão não era uma autorização para que Paulo começasse a pregar. Ele já estava pregando muito antes disso (Atos 9:20-22; Atos 13:1-3). A destra foi apenas um reconhecimento público de que Deus realmente estava operando naquele ministério.
Isso nos ensina um princípio importante: o ministério vem do Senhor, mas a comunhão no serviço é reconhecida pelos irmãos.
Também vemos algo semelhante em Atos 13:2-3. O Espírito Santo já havia separado Barnabé e Saulo para a obra, mas a assembleia em Antioquia os recomendou ao Senhor. Não foi a assembleia que os enviou no sentido de dar o chamado, mas ela expressou comunhão e recomendação.
Agora, aplicando isso aos nossos dias.
Vivemos, de fato, em dias de grande ruína no testemunho cristão. A unidade visível da igreja foi profundamente fragmentada. Mesmo assim, os princípios das Escrituras permanecem.
Se um irmão recebeu um dom do Senhor — seja para evangelizar, ensinar ou pastorear — ele não precisa pedir autorização a homens para exercer aquilo que Cristo lhe deu. Se tivesse que depender disso, muitos servos de Deus jamais teriam servido.
Por outro lado, é saudável e bíblico que o ministério seja reconhecido pelos irmãos espirituais que discernem a obra de Deus. Isso não significa submissão a um sistema humano, mas comunhão no serviço.
Quanto à questão de solicitar “a destra” de irmãos exclusivistas ou de qualquer outro grupo religioso, isso não é algo que a Escritura exija. O reconhecimento verdadeiro não depende de uma estrutura denominacional ou de um grupo específico. O que importa é se há irmãos espirituais que reconhecem a graça de Deus naquele ministério.
Aliás, o próprio apóstolo Paulo não buscava aprovação de sistemas humanos. Ele diz em Gálatas 1:16-17 que, após sua conversão, “não consultei carne nem sangue”. Seu ministério não dependia da autorização de Jerusalém.
Portanto, podemos resumir assim:
O dom vem exclusivamente do Senhor Jesus Cristo.
Nenhum homem ou grupo pode conceder esse dom.
A destra de comunhão é apenas reconhecimento, não autorização.
O ministério verdadeiro manifesta-se pelo fruto e pela graça de Deus.
Em tempos de ruína, o servo do Senhor continua responsável diante do próprio Senhor.
Por isso Paulo escreveu em 1 Coríntios 4:1-2:
“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel.”
Em última análise, o servo responde ao Senhor que o chamou.
Se Deus concedeu um dom, o caminho não é esperar aprovação humana, mas servir com fidelidade, humildade e dependência do Senhor, mantendo comunhão com todos os que andam na verdade.
Com amor fraternal.