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Então, como ficam milhões de cristãos solteiros que são tentados todos os dias pelo desejo sexual, que é algo espontâneo e fisiológico?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

1 Coríntios 7: ⁵ Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa intemperança. 

Então, como ficam milhões de cristãos solteiros que são tentados todos os dias pelo desejo sexual, que é algo espontâneo e fisiológico? O próprio texto diz que pessoas casadas não devem se privar, mesmo sendo nascidas de novo. Se pessoas não casadas não conseguirem se conter, isso anula o sacrifício de Cristo, mesmo tendo fé nEle? Isso indica que não são nascidas de novo?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito importante, porque toca em três áreas distintas da Palavra de Deus: a natureza humana, a responsabilidade do crente e a base da salvação.

Primeiro, é necessário entender que a tentação, em si mesma, não é pecado. A Palavra de Deus mostra que o próprio Senhor Jesus foi tentado em todas as coisas, mas sem pecado, conforme Hebreus 4:15. Logo, o fato de um cristão — casado ou solteiro — sentir desejos naturais não anula sua salvação nem prova que não nasceu de novo. O problema não está na tentação, mas em ceder a ela.

Tiago 1:14-15 explica claramente o processo: “cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado”. Ou seja, o desejo pode existir, mas o pecado acontece quando há consentimento da vontade.

Segundo, 1 Coríntios 7 trata de uma provisão prática para o casamento, não de um requisito para a salvação. O apóstolo Paulo está lidando com uma necessidade humana legítima dentro da ordem de Deus. Ele mesmo diz em 1 Coríntios 7:7 que alguns têm o dom de permanecer solteiros. Portanto, nem todos são chamados ao casamento, mas todos são chamados à santidade.

Para os solteiros, a Palavra não deixa vazio. Em 1 Coríntios 6:18 está escrito: “Fugi da prostituição”. E em 1 Tessalonicenses 4:3-4: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição; que cada um saiba possuir o seu vaso em santificação e honra”. Isto mostra que há responsabilidade pessoal diante de Deus, mas não condenação automática pela existência da luta. Paulo diz mais: "Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo" (1 Coríntios 7:8,9).

Terceiro, quanto à salvação, ela não depende da capacidade do homem de controlar perfeitamente seus desejos, mas da obra completa de Cristo. Efésios 2:8-9 afirma que somos salvos pela graça, mediante a fé, e não pelas obras. Se a salvação dependesse de nunca falhar em desejos ou pensamentos, ninguém seria salvo.

Ao mesmo tempo, a Palavra também ensina que o novo nascimento produz uma nova vida. Como está escrito: “Qualquer que é nascido de Deus não vive na prática do pecado” (1 João 3:9). Isso não significa ausência de luta, mas uma nova direção, um novo princípio de vida. O crente pode cair, mas não vive deliberadamente no pecado sem arrependimento.

Aqui entra um ponto muito importante: a diferença entre luta e prática. Um verdadeiro crente pode lutar intensamente contra desejos e até falhar, mas há tristeza, arrependimento e busca por restauração. Já aquele que vive no pecado sem conflito interior demonstra não ter essa nova vida.

Além disso, Deus não deixa o crente sozinho nessa batalha. Em 1 Coríntios 10:13 está escrito que Deus não permite que sejamos tentados acima do que podemos suportar, mas dá também o escape. E esse escape muitas vezes envolve disciplina espiritual, vigilância, oração e ocupação com as coisas de Deus.

A própria Palavra mostra que o novo nascimento não elimina imediatamente a presença da natureza caída. Romanos 7 descreve esse conflito: “o bem que quero não faço, mas o mal que não quero esse faço”. Isso não é descrição de um incrédulo, mas da luta de alguém que já conhece a lei de Deus e deseja agradá-Lo.

Portanto, respondendo diretamente:

Não, a luta com desejos não anula o sacrifício de Cristo.

Não, isso por si só não prova que a pessoa não nasceu de novo.

Mas sim, revela a necessidade de vigilância, dependência de Deus e crescimento espiritual.

O sacrifício de Cristo é perfeito e suficiente. O novo nascimento traz uma nova vida, mas também uma batalha. E essa batalha é uma evidência de que há vida, pois onde não há vida, não há conflito.

Josué Matos