Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Boa tarde, irmão. Uma dúvida: Apolo ainda não era salvo, apesar de ter conhecimento “da letra”? Ele falava de Jesus com eloquência, mas não tinha o Espírito Santo? “Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e poderoso nas Escrituras” (Atos 18:24). “A letra mata, mas o Espírito vivifica.” Ele ainda não tinha sido selado com o Espírito Santo? Somente o conhecimento, apesar do dom para pregar, não garante salvação a ninguém, correto? Por maior das boas intenções?
Minha Resposta:
A sua pergunta exige distinguir bem três situações diferentes nas Escrituras: Nicodemos, Apolo e os discípulos de João em Atos 19. Sem essa distinção, o assunto fica confuso.
Primeiro, Nicodemos. Ele era um homem religioso, mestre em Israel, conhecedor das Escrituras e convencido de que o Senhor Jesus vinha de Deus (João 3:2). No entanto, o Senhor lhe disse claramente: “necessário vos é nascer de novo” (João 3:7). Isso mostra que todo o seu conhecimento e posição religiosa não significavam salvação. Ele precisava de vida nova. Portanto, Nicodemos é um exemplo claro de alguém com conhecimento, mas sem novo nascimento.
Segundo, os discípulos de João em Atos 19. Esses são ainda mais claros. Eles criam em algo, mas quando Paulo perguntou: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?”, responderam: “nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo” (Atos 19:2). Isso revela que eles não estavam na posição cristã. O próprio texto mostra que eles conheciam apenas o batismo de João, que era de arrependimento e apontava para alguém que viria depois. Eles ainda não tinham crido no Senhor Jesus como apresentado no evangelho completo. Por isso, precisaram ouvir, crer, ser batizados em nome do Senhor Jesus e então receberam o Espírito Santo. Portanto, não eram cristãos ainda.
Agora, Apolo. Aqui está o ponto mais delicado. Ele não se encaixa exatamente como Nicodemos, nem como os de Atos 19.
Apolo já tinha um conhecimento mais avançado e era salvo: ele era eloquente, poderoso nas Escrituras, instruído no caminho do Senhor, fervoroso de espírito e ensinava diligentemente (Atos 18:24-25). Porém, o texto diz que ele conhecia apenas o batismo de João. Ou seja, seu entendimento ainda era incompleto.
Ele não era um simples ignorante espiritual como Nicodemos antes do ensino do Senhor, nem um grupo que sequer tinha ouvido sobre o Espírito Santo como em Atos 19. Ele já ensinava corretamente até certo ponto, mas faltava-lhe a plena compreensão da obra consumada de Cristo e das verdades ligadas à posição cristã.
Por isso, Priscila e Áquila “expuseram-lhe mais precisamente o caminho de Deus” (Atos 18:26). Não se trata de uma repreensão por incredulidade, mas de um aperfeiçoamento do entendimento.
Assim, a melhor forma de entender é:
Nicodemos: conhecimento religioso sem novo nascimento.
Discípulos de João (Atos 19): fé preparatória, mas ainda não cristãos, sem o Espírito Santo.
Apolo: um homem salvo e sincero, instruído e já avançado, mas com entendimento incompleto, que precisou ser ajustado à luz completa do evangelho.
E quanto à sua conclusão final, ela está correta e é fundamental:
Conhecimento, eloquência, zelo ou até mesmo habilidade para falar das Escrituras não garantem salvação.
A Palavra de Deus é clara:
“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (João 3:36).
A salvação não está em saber sobre Cristo, mas em crer nEle de forma pessoal. O conhecimento pode conduzir até a porta, mas somente a fé no Senhor Jesus Cristo introduz o pecador na vida eterna e na recepção do Espírito Santo.