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A Bíblia enfatiza o ato contínuo e presente da fé (“quem crê” ou “quem crer”), indicando uma relação viva com Cristo, e não apenas um evento passado

Alguém que me escreveu no YouTube:

Jesus fala que se conhece a árvore pelo fruto, pois alguém pode até falar de forma metódica ou correta, mas a vida não condizer com a certeza que afirma.
A palavra arrependimento vem do grego metanoia, que significa mudança de pensamento.
A Bíblia enfatiza o ato contínuo e presente da fé (“quem crê” ou “quem crer”), indicando uma relação viva com Cristo, e não apenas um evento passado. Versículos como João 3:18, João 11:25-26 e Marcos 9:23 mostram isso.

Minha Resposta:

A observação que você fez envolve três verdades importantes ensinadas nas Escrituras: o fruto que revela a vida, o verdadeiro arrependimento e a natureza da fé salvadora.

Primeiramente, quando o Senhor Jesus disse que a árvore se conhece pelos frutos, Ele estava ensinando que a realidade interior do coração inevitavelmente se manifesta na vida. Em Mateus 7:16-20 está escrito:

“Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.”

O Senhor Jesus não estava ensinando que a salvação depende das obras, mas que as obras revelam a natureza da vida interior. O fruto não é a causa da salvação, mas a evidência dela. Quando Deus concede nova vida ao pecador, essa vida começa a manifestar-se de alguma forma.

Entretanto, é importante esclarecer algo que muitas vezes gera confusão: o fato de um crente verdadeiro produzir frutos não significa que ele esteja isento de falhas ou pecados. A Bíblia é muito realista quanto a isso.

Em 1 João 1:8 está escrito:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.”

E no versículo seguinte lemos:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

Isso mostra que o crente ainda pode falhar, cair e pecar. A diferença, porém, está no princípio de vida que agora existe nele. O crente possui uma nova natureza recebida no novo nascimento. Essa nova vida faz com que ele não possa viver em paz no pecado.

Por isso, em 1 João 3:9 está escrito:

“Qualquer que é nascido de Deus não vive na prática do pecado.”

O sentido não é que o crente nunca peca, mas que ele não pode viver continuamente dominado pelo pecado como estilo de vida. Há uma diferença profunda entre um crente que cai e se levanta, e uma pessoa que nunca recebeu vida espiritual.

Um exemplo claro disso é o próprio apóstolo Pedro. Ele negou o Senhor três vezes (Lucas 22:54-62), falhou gravemente, mas aquela falha não era o fruto de uma vida sem Deus. Ele chorou amargamente, foi restaurado pelo Senhor e continuou servindo.

Isso mostra que a presença de falhas não prova ausência de vida. O que revela a vida é a ação interior de Deus levando a pessoa ao arrependimento, à confissão e à restauração.

Em segundo lugar, você mencionou corretamente a palavra arrependimento. O termo grego metanoia significa mudança de mente. Trata-se de uma mudança profunda na maneira de pensar sobre Deus, sobre o pecado e sobre Cristo.

Essa mudança leva o pecador a abandonar a confiança em si mesmo e voltar-se para Deus. Por isso a pregação apostólica sempre uniu arrependimento e fé. Em Atos dos Apóstolos 20:21 está escrito:

“Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.”

O arrependimento prepara o coração para confiar em Cristo como o único Salvador.

Em terceiro lugar, a Bíblia realmente enfatiza a fé como uma realidade viva e contínua. Por exemplo:

João 3:18 — “Quem crê nele não é condenado.”
João 11:25 — “Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.”
Marcos 9:23 — “Tudo é possível ao que crê.”

Essas expressões mostram que a fé não é apenas um acontecimento isolado do passado. A salvação ocorre em um momento definido quando o pecador crê, mas essa fé continua como uma relação viva com o Senhor.

O próprio Senhor Jesus declarou em João 5:24:

“Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna.”

Nesse momento o pecador recebe a vida eterna e nasce de novo. A partir daí passa a viver pela fé. Como diz Habacuque 2:4, citado em Romanos 1:17:

“O justo viverá da fé.”

Assim, podemos resumir o ensino bíblico da seguinte forma:

O arrependimento é a mudança de mente que leva o pecador a voltar-se para Deus.
A fé é a confiança pessoal no Senhor Jesus Cristo como Salvador.
A salvação ocorre no momento em que o pecador crê.
Essa fé continua ao longo da vida e produz frutos.

Mas esses frutos não significam perfeição sem falhas. O crente ainda luta contra o pecado, porém possui uma nova vida que o leva a confessar, arrepender-se e buscar a Deus.

Por isso a diferença entre quem tem vida e quem não tem não está na ausência total de falhas, mas na presença de uma nova natureza que responde a Deus.

Como diz 2 Coríntios 5:17:

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”

Josué Matos