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Da "trindade" cristã, eu só aceito Jesus; os outros dois eu rejeito totalmente.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Da "trindade" cristã, eu só aceito Jesus; os outros dois eu rejeito totalmente. Mas não estou falando do "jesusinho" da Bíblia; esse eu também deletei completamente da minha vida, eu me refiro ao VERDADEIRO Jesus: "Disse Jesus: Se aqueles que vos guiam vos disserem: 'Vede, o Reino está no céu', então as aves do céu vos precederão. Se vos disserem: 'Ele está no mar', então os peixes vos precederão. Mas o Reino está dentro de vós e está fora de vós. Quando vos conhecerdes, sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza, e vós sereis essa pobreza."

Minha Resposta:

Agradeço mais uma vez pelos R$ 5,00 enviados ao canal. Apesar das discordâncias, eu percebo que você continua refletindo sobre esses assuntos, e isso é melhor do que uma indiferença completa.

Você escreveu:

“Da ‘trindade’ cristã, eu só aceito Jesus, os outros dois eu rejeito totalmente, mas não estou falando do ‘jesusinho’ da Bíblia, esse eu também deletei completamente da minha vida, eu me refiro ao VERDADEIRO Jesus...”

E então citou o chamado “evangelho de Tomé”.

Aqui está um ponto muito importante: o “Jesus” do evangelho de Tomé não é o mesmo Jesus apresentado nos quatro evangelhos bíblicos.

O evangelho de Tomé surgiu muito depois dos apóstolos e carrega forte influência gnóstica. O gnosticismo ensinava que a salvação vinha através de um conhecimento secreto interior, quase como um despertar oculto dentro do homem. Por isso esse texto enfatiza tanto “conhecer a si mesmo” como caminho de iluminação.

Mas o Senhor Jesus dos evangelhos bíblicos nunca ensinou que o homem se salva olhando para dentro de si mesmo. Pelo contrário. Ele ensinou arrependimento, novo nascimento, fé nEle e reconciliação com Deus.

O problema do homem, segundo a Bíblia, não é falta de “autoconhecimento místico”, mas o pecado.

O Senhor Jesus declarou:

“Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios.” (Marcos 7:21)

Ou seja, olhar para dentro de si mesmo não produz salvação. O coração humano precisa ser transformado por Deus.

Além disso, você disse aceitar Jesus, mas rejeitar o Pai e o Espírito Santo. O problema é que o próprio Senhor Jesus falou constantemente sobre ambos.

Foi Jesus quem disse:

“Eu e o Pai somos um.” (João 10:30)

Foi Jesus quem disse:

“O Pai enviará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” (João 14:16)

Foi Jesus quem ordenou o batismo:

“Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mateus 28:19)

Portanto, não existe um “verdadeiro Jesus” separado da revelação bíblica dada pelos apóstolos. O Jesus apresentado pelos escritos gnósticos é reconstruído segundo ideias filosóficas posteriores.

Outra coisa importante: o evangelho bíblico não ensina que o Reino de Deus é simplesmente uma consciência escondida dentro do homem. O Reino está ligado à autoridade de Deus, à pessoa do Rei e à transformação produzida pela graça divina.

O homem moderno gosta da ideia de um “Jesus espiritualizado”, místico e sem confronto moral. Um Jesus que fala apenas de luz interior, mas não de pecado, juízo, cruz, arrependimento e santidade. Porém esse não é o Senhor Jesus revelado nas Escrituras.

O verdadeiro Cristo declarou:

“Se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” (Lucas 13:3)

E também:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas.” (João 8:12)

Perceba que Ele não apontou o homem para dentro de si mesmo como fonte de verdade absoluta. Ele apontou para Si mesmo.

O evangelho gnóstico exalta o “eu”. O evangelho bíblico exalta Cristo.

Josué Matos

Quer dizer que é gente como você que vai para o ‘céu’, passar a eternidade com ‘deus’?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Quer dizer que é gente como você que vai para o ‘céu’, passar a eternidade com ‘deus’? Então, eu prefiro ir para o ‘inferno’, viver eternamente na companhia de pessoas como Giordano Bruno, Galileu Galilei, Carl Sagan, Nikola Tesla, vai ser maravilhoso. O que ‘deus’ tem contra as pessoas inteligentes? Por que ‘ele’ prefere os crentes?

Minha Resposta:

Antes de responder, agradeço pelos R$ 5,00 que você enviou ao canal. Mesmo discordando profundamente do que eu creio, agradeço pela contribuição e pela sinceridade da sua mensagem.

Primeiramente, a Bíblia não ensina que Deus odeia pessoas inteligentes. Pelo contrário, toda inteligência humana vem do próprio Criador. Homens como Isaac Newton, Johannes Kepler, Blaise Pascal e tantos outros cientistas criam profundamente em Deus. O problema nunca foi inteligência. O problema é o coração humano diante de Deus.

A fé bíblica não é ausência de pensamento. Na realidade, o evangelho confronta tanto o ignorante quanto o intelectual. A questão não é QI, cultura, ciência ou capacidade intelectual. A questão é: o homem reconhece sua condição diante de Deus ou não?

A Bíblia declara:

“Diz o néscio no seu coração: Não há Deus.” (Salmos 14:1)

Note que o texto não diz “na sua inteligência”, mas “no seu coração”. A incredulidade bíblica não é apresentada como falta de capacidade intelectual, mas como rejeição moral e espiritual.

Outra coisa importante: o inferno não é descrito na Bíblia como um lugar de convivência alegre, debates filosóficos e admiração científica. O Senhor Jesus falou sobre ele como “trevas exteriores”, “pranto e ranger de dentes” (Mateus 8:12; Mateus 22:13). O homem moderno romantiza o inferno porque não acredita realmente nele. Mas o Senhor Jesus falou mais sobre juízo eterno do que qualquer outro personagem da Bíblia.

Além disso, ninguém será condenado por ser inteligente. O homem é condenado por seus pecados e por rejeitar a luz que Deus lhe deu. O evangelho é oferecido tanto ao simples quanto ao sábio. A diferença é que muitos intelectuais tropeçam exatamente no orgulho do próprio conhecimento.

O apóstolo Paulo escreveu:

“Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.” (Romanos 1:21-22)

E também:

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1:18)

O evangelho humilha o orgulho humano, porque ele declara que ninguém se salva por mérito intelectual, moral ou religioso. Todos precisam igualmente da graça de Deus.

Quanto ao Céu, o maior atrativo dele não são pessoas religiosas, mas a presença do próprio Senhor Jesus Cristo. O cristão verdadeiro não deseja o Céu apenas para “escapar do inferno”, mas porque ama Aquele que morreu e ressuscitou para salvá-lo.

E aqui está algo importante: Cristo morreu também por pessoas céticas, revoltadas, blasfemas e incrédulas. Muitos dos que hoje zombam do evangelho ainda podem se converter sinceramente antes da morte. Enquanto há vida, há oportunidade de arrependimento.

O Senhor Jesus disse:

“O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” (João 6:37)

A porta da graça ainda está aberta.

Josué Matos



Não é que deus exista, essa é outra mentira, mas vamos separar as mentiras

Alguém que me escreveu no YouTube:

A Bíblia fala de Yahweh, El Shaddai, não tem nada a ver com deus. Não é que deus exista, essa é outra mentira, mas vamos separar as mentiras, porque a mentira Yahweh e El Shaddai só vai virar a mentira deus séculos depois, nem pra contar mentiras essa gente serve.

Minha Resposta:

A sua afirmação mistura duas questões diferentes: os nomes e títulos usados para Deus nas Escrituras, e a existência do próprio Deus. A Bíblia realmente utiliza nomes hebraicos como “YHWH” (Jeová ou Yahweh, conforme a transliteração) e “El Shaddai”, mas isso não elimina o uso da palavra “Deus” em outras línguas. Pelo contrário, a própria Bíblia mostra que os nomes divinos foram traduzidos conforme os idiomas dos povos.

No Antigo Testamento hebraico aparecem palavras como “El”, “Elohim”, “El Elyon”, “El Shaddai” e o tetragrama YHWH. Quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego na Septuaginta, séculos antes de Cristo, os judeus tradutores utilizaram “Theos” para “Deus” e “Kyrios” para o nome divino YHWH. Portanto, a ideia de traduzir os títulos divinos não começou séculos depois como uma “corrupção”; isso já ocorria entre os próprios judeus antigos.

No Novo Testamento, escrito em grego, o Senhor Jesus e os apóstolos utilizaram “Theos” para Deus. Se fosse errado usar uma palavra traduzida em vez do hebraico original, então o próprio Novo Testamento estaria errado em não preservar sempre os termos hebraicos. Mas não está. O evangelho foi dado para todas as nações e línguas.

Em português dizemos “Deus”; em inglês, “God”; em espanhol, “Dios”; em francês, “Dieu”; em hebraico, “Elohim”; em grego, “Theos”. O termo muda conforme a língua, mas o Ser a quem ele se refere permanece o mesmo.

Além disso, “El Shaddai” não é um nome exclusivo separado de Deus, mas um dos títulos usados para revelar aspectos do caráter divino. Em Gênesis 17:1, Deus diz a Abraão: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso”. A expressão hebraica ali é “El Shaddai”. Já o nome YHWH é revelado especialmente em Êxodo 3:14-15, relacionado ao “EU SOU”. As Escrituras utilizam diversos títulos para revelar diferentes aspectos da majestade, eternidade, soberania e poder divinos.

O argumento de que “deus não existe” também entra em conflito com a própria realidade da revelação bíblica e da criação. A Bíblia declara:

“Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” (Salmos 19:1)

E ainda:

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas.” (Romanos 1:20)

A questão central não é a pronúncia hebraica de um nome, mas quem é o verdadeiro Deus revelado nas Escrituras. O próprio Senhor Jesus ensinou isso quando disse:

“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:24)

O cristianismo nunca ensinou que existe poder mágico numa pronúncia hebraica específica. A salvação não está em repetir foneticamente “Yahweh”, mas em conhecer o Deus verdadeiro revelado no Senhor Jesus Cristo.

Aliás, o Novo Testamento afirma claramente:

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)

Portanto, traduzir “Elohim” por “Deus” não é invenção moderna nem fraude religiosa. É algo que já aparece no próprio processo histórico das Escrituras e nas traduções usadas pelos judeus e pelos cristãos desde os primeiros séculos.

Josué Matos

Sempre cri que o batismo não estava ligado à regeneração

Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Um amigo luterano me inveja dessas questões sobre batismo e regeneração… parecem muito fortes. Sempre cri que o batismo não estava ligado à regeneração. Terei que reavaliar tudo isso?

Minha resposta:

Agradeço pela confiança e pela pergunta sincera. Esse tipo de questionamento realmente “faz pensar”, como o irmão disse — mas isso não significa que você esteja certo. Muitas vezes, o argumento parece forte porque junta vários versículos, mas sem considerar o contexto completo da Palavra de Deus. 

Vamos responder com calma e com base nas Escrituras.

1. O ponto central: o que salva — fé ou batismo?

A Palavra de Deus é absolutamente clara em um ponto fundamental:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9)

Se o batismo regenerasse, então a salvação dependeria de uma obra externa — e isso contradiz diretamente esse texto.

Além disso:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos 16:31)

Obs: não diz “crê e seja batizado para ser salvo”, mas coloca a fé como condição suficiente.

2. O novo nascimento não é pela água literal

João 3:5 (“nascer da água e do Espírito”) é frequentemente usado de forma literal, mas isso gera contradição com o restante da Escritura.

A própria Palavra explica como ocorre o novo nascimento:

“Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade” (Tiago 1:18)

“Sendo de novo gerado… pela palavra de Deus” (1 Pedro 1:23)

Ou seja, a “água” não é o batismo, mas a Palavra de Deus aplicada pelo Espírito Santo.

Separar isso cria um erro grave: colocar um ritual no lugar da obra interior de Deus.

3. O “lavar regenerador” não é o batismo

Tito 3:5 fala:

“...pelo lavar da regeneração e da renovação do Espírito Santo”

O texto não diz que a água batismal regenera, mas que a ópera capixaba é “lavar”.

Essa lavagem é espiritual, não física.

Se fosse literal, então a água teria poder de remover pecado — o que contradiz:

“Ó sangue de Jesus Cristo… nos purifica de todo o pecado” (1 João 1:7)

Nunca à água.

4. “O batismo salva” — o que significa?

1 Pedro 3:21 diz que o batismo salva, mas o próprio versículo explica:

“não sendo o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus”

Ou seja, não é a água que salva.

O batismo salva no sentido de:

  • Identificação com Cristo
  • Testemunho público
  • Expressão de uma consciência já transformada

Ele aponta para a salvação, mas não a produz.

5. Atos 2:38 e Atos 22:16 — ordem e significado

Esses textos ligam batismo e remissão, mas não como causa e efeito mecânico.

Na prática de Atos, vemos uma sequência:

  • A pessoa crê
  • É salva
  • É batizada como o

O batismo acompanha a fé, não a substituição.

Se fosse essencial para a salvação, então o ladrão na cruz estaria perdido — mas o Senhor disse:

“Hoje estaremos comigo no paraíso” (Lucas 23:43)

Sem batismo.

6. Romanos 6 e Colossenses 2 — realidade espiritual

Esses textos mostram que o batismo representa:

  • Morte com Cristo
  • Sepultamento
  • Ressurreição

Mas isso já aconteceu pela fé.

O batismo é a figura visível de uma realidade invisível já operada por Deus.

7. O erro de juntar textos sem distinguir contextos

As perguntas que seu amigo invejoso (  ) parecem fortes porque:

  • Misturam textos doutrinários com textos históricos
  • Ignoram simbólica
  • Não distingue causa de sinal

Isso cria uma aparência de “prova”, mas não sustentada quando comparado com o ensino completo da Escritura.

8. Sobre o batismo infantil

Outro ponto importante:

O batismo está sempre ligado à fé pessoal.

“Quem crer e for batizado será salvo” (Marcos 16:16)

A ordem é clara:

  1. Crer

  2. Ser batizado

Uma criança não pode exercer fé consciente.

Os casos de “casa inteira” em Atos não provam batismo infantil — são suposições.

9. Conclusão clara e segura

O ensino bíblico, de forma harmoniosa, é:

  • A salvação é pela fé em Cristo
  • O novo nascimento é obra do Espírito pela Palavra
  • O batismo é um testemunho externo dessa realidade

Não é meio de regeneração.

Resposta direta à sua dúvida

Não, meu irmão — o irmão não precisa reavaliar tudo.

Pelo contrário: o irmão precisa permanecer firme naquilo que a Palavra ensina de forma clara.

Esses argumentos parecem “inexpugnáveis”, mas apenas enquanto não são examinados à luz de toda a Escritura.

A base continua sendo:

“O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17)

Que o Senhor continue lhe dando discernimento, firmeza e descanso na verdade.

Josué Matos

Marchas, teologia da libertação, política dentro das igrejas, divisões entre irmãos — isso está correto à luz da Palavra de Deus?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Sobre essa questão do envolvimento da igreja evangélica e até a católica com a política… tudo isso que tenho visto ao longo dos anos — marchas, teologia da libertação, política dentro das igrejas, divisões entre irmãos — isso está correto à luz da Palavra de Deus? Estou errado em me afastar disso e considerar esse sistema como algo corrompido?

Minha Resposta:

Antes de tudo, agradeço pela sua mensagem, pela confiança e pela sinceridade com que o irmão abriu o seu coração. É evidente, pelo que o irmão escreveu, que há um desejo genuíno de permanecer na verdade bíblica, e isso é algo precioso diante de Deus.

Agora, sendo direto e objetivo, como convém à Palavra de Deus:

A inquietação que o irmão sentiu ao longo dos anos não é sem fundamento. Pelo contrário, ela encontra respaldo claro nas Escrituras.

A Palavra de Deus apresenta dois sistemas distintos: o sistema de Deus e o sistema do mundo. E esses dois não se misturam.

O Senhor Jesus foi absolutamente claro quando disse:

“Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou” (João 17:16)

E ainda:

“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36)

Isso já estabelece um princípio fundamental: a Igreja não pertence a este mundo, nem deve agir segundo os seus métodos.

1. A natureza da Igreja e sua posição no mundo

A Igreja é descrita como:

  • Corpo de Cristo (Efésios 1:22-23)
  • Peregrina e estrangeira (1 Pedro 2:11)
  • Embaixadora de Cristo (2 Coríntios 5:20)

Ou seja, ela não foi chamada para governar o mundo, mas para testemunhar ao mundo.

Quando a Igreja começa a se envolver com política, ela deixa sua posição celestial e passa a agir como uma instituição terrena.

Isso é exatamente o oposto do ensino apostólico.

O apóstolo Paulo escreve:

“Ninguém que milita se embaraça com os negócios desta vida” (2 Timóteo 2:4)

A política faz parte dos “negócios desta vida”. Quando o crente se envolve nisso como causa principal, ele inevitavelmente se embaraça.

2. O perigo de misturar o evangelho com sistemas humanos

O irmão mencionou dois extremos:

  • Teologia da prosperidade ligada à política
  • Teologia da libertação com enfoque social

Embora sejam diferentes em aparência, ambas têm algo em comum: desviam o foco do evangelho.

O evangelho não é:

  • Melhorar sistemas sociais
  • Transformar governos
  • Promover ideologias

O evangelho é:

“Cristo morreu por nossos pecados… foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia” (1 Coríntios 15:3-4)

Quando esse centro é perdido, tudo se torna terreno.

A Escritura já advertia:

“Acautelai-vos dos homens” (Mateus 10:17)

E também:

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há” (1 João 2:15)

3. A política como instrumento de divisão

O irmão percebeu algo muito importante: a política gera divisão, até mesmo entre crentes.

Isso acontece porque a política é alimentada por paixões humanas, interesses e ideologias.

Mas a Igreja foi chamada para outra coisa:

“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Efésios 4:3)

Quando irmãos discutem política, inevitavelmente surgem:

  • Contendas
  • Inimizades
  • Partidarismo

E isso é condenado nas Escrituras:

“Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais?” (1 Coríntios 3:3)

4. A ilusão de “cristianizar” o mundo

Outro ponto que o irmão mencionou é muito importante: a ideia de que políticos “cristãos” podem transformar uma nação.

A Bíblia nunca ensina isso.

O mundo não será melhorado — ele caminha para o juízo.

“O mundo inteiro jaz no maligno” (1 João 5:19)

E ainda:

“Nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2 Timóteo 3:1)

A esperança do crente não está em reformas políticas, mas na vinda do Senhor Jesus Cristo.

“Esperamos dos céus o Salvador” (Filipenses 3:20)

5. Babilônia: um sistema religioso corrompido

O irmão usou a expressão “sistema babilônico”, e isso é muito significativo.

Na Escritura, Babilônia representa a mistura de:

  • Religião
  • Poder humano
  • Influência sobre as massas

Em Apocalipse 17 vemos um sistema religioso que domina os reis da terra.

Isso mostra claramente que quando a religião se alia ao poder político, o resultado é corrupção espiritual.

6. Sua decisão de se afastar

À luz da Palavra de Deus, o princípio é claro:

“Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor” (2 Coríntios 6:17)

Isso não significa isolamento social, mas separação moral e espiritual.

Se um ambiente — mesmo entre irmãos — está sendo dominado por política, disputas e ideologias, o crente precisa discernir isso.

A comunhão cristã não pode ser baseada em opiniões políticas, mas em Cristo.

Conclusão

O irmão não está errado em sua percepção.

A Palavra de Deus mostra que:

  • A Igreja não deve se envolver com política como sistema
  • O evangelho não é um instrumento social ou ideológico
  • O mundo não será transformado por meios humanos
  • A verdadeira esperança está em Cristo, não em governos

O inimigo realmente tem usado esse meio para desviar muitos, exatamente como o irmão percebeu.

Mas o caminho do crente permanece o mesmo:

“Andar como Ele andou” (1 João 2:6)

E manter os olhos firmados:

“Em Jesus Cristo, autor e consumador da fé” (Hebreus 12:2)

Que o Senhor continue guardando o seu coração e dando discernimento para permanecer na verdade em meio a uma geração cada vez mais confusa.

Josué Matos

Satanás já sei quem é… e o diabo quem seria nessa hierarquia celestial?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Em Apocalipse fala que será expulso a antiga serpente (Satanás) e o diabo. Satanás já sei que é… e o diabo quem seria nessa hierarquia celestial? Algum assessor direto de Satanás que comanda o resto dos anjos caídos?

Minha Resposta:

É muito importante entender que a Palavra de Deus não apresenta “Satanás” e “o diabo” como duas pessoas diferentes dentro de uma hierarquia. Pelo contrário, trata-se do mesmo ser, descrito com diferentes nomes e títulos.

Em Apocalipse 12:9 está escrito claramente:

“A grande dragão foi precipitado, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo…”

Observe que o texto não separa, mas identifica:

  • “dragão”
  • “antiga serpente”
  • “diabo”
  • “Satanás”

Tudo isso refere-se a uma única pessoa: o mesmo ser espiritual maligno.

Cada nome revela um aspecto do seu caráter:

“Satanás” significa “adversário”
Esse nome mostra sua posição como inimigo de Deus e do povo de Deus.
Por exemplo: Jó 1:6-12; Zacarias 3:1.

  1. “Diabo” significa “acusador” ou “caluniador”
    Mostra sua obra de acusar os crentes diante de Deus.
    Apocalipse 12:10 diz:
    “o acusador de nossos irmãos, que os acusava de dia e de noite diante do nosso Deus”.

  2. “Antiga serpente”
    Remete a Gênesis 3, quando ele enganou Eva.
    Gênesis 3:1 — “a serpente era mais astuta…”

  3. “Dragão”
    Mostra seu caráter destruidor e violento, especialmente no contexto profético.

Portanto, não existe na Bíblia a ideia de que “o diabo” seja um subordinado de Satanás. Não são dois seres distintos, mas o mesmo ser com diferentes nomes.

Quanto à “hierarquia espiritual”, a Bíblia realmente fala de diferentes níveis de seres malignos:

Efésios 6:12 menciona:
“principados, potestades, príncipes das trevas deste século, hostes espirituais da maldade…”

Esses sim indicam uma organização no mundo espiritual maligno, composta por anjos caídos que seguem Satanás.

Além disso, Apocalipse 12:4 fala que ele arrastou “a terça parte das estrelas do céu”, entendidas como anjos que caíram com ele.

Assim, o quadro bíblico é este:

  • Satanás (ou diabo) é o líder supremo do mal
  • Os demônios são anjos caídos subordinados a ele
  • Existe organização entre esses seres, mas todos estão sob o comando de um só chefe

Não há, portanto, outro “diabo” separado ou um “assessor principal” com esse nome.

Tudo converge para uma única pessoa espiritual, extremamente ativa, mas já derrotada na cruz:

Colossenses 2:15 mostra que o Senhor Jesus “despojou os principados e potestades”.

E ainda:
Hebreus 2:14 declara que Ele “destruiu o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”.

E no futuro, conforme Apocalipse 20:10, esse mesmo ser será lançado definitivamente no lago de fogo.

Portanto, o ensino das Escrituras é simples e claro:
Satanás e o diabo são o mesmo ser, apenas com diferentes nomes que revelam seu caráter e suas obras.

Josué Matos