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Se você inventa um ‘deus’ que é ‘bonzinho’, mas que deixa um diabo fazendo desgraças, você jogou ‘deus’ na lata de lixo.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

“Se você inventa um ‘deus’ que é ‘bonzinho’, mas que deixa um diabo fazendo desgraças, você jogou ‘deus’ na lata de lixo.”
Osvaldo Luiz Ribeiro

Pesquise no YouTube:
A TENDA DO NECROMANTE a origem do Diabo Pérsia
Assista ao vídeo, o pior cego é aquele que não quer ver.

Minha Resposta:

Prezado, a sua objeção parte de uma premissa muito comum: a de que, se Deus existe e é bom, então a existência do mal provaria que Ele não existe ou que seria moralmente falho. Mas a Bíblia trata exatamente dessa questão de forma aberta, sem fugir dela.

Primeiro, o diabo não é um rival de Deus, como se houvesse duas forças equivalentes disputando o universo. Isso seria dualismo, não ensino bíblico. Satanás é criatura, não Criador. Em Ezequiel 28:15 lemos: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti.” Ainda que o contexto imediato trate do rei de Tiro, há ali linguagem que muitos entendem apontar para a queda de um ser angelical. Em qualquer caso, a Escritura é clara que os anjos são seres criados (Colossenses 1:16).

Logo, Deus não “inventou um diabo mau”; Deus criou seres morais com responsabilidade. O mal moral entrou pela rebelião da criatura, primeiro no mundo angelical e depois na humanidade (Gênesis 3:1-19; Romanos 5:12).

A pergunta então passa a ser: por que Deus permite isso?

Porque a permissão não significa aprovação. Deus permite temporariamente aquilo que julgará definitivamente. Se um juiz ainda não executou a sentença, isso não significa cumplicidade, mas que há um tempo determinado para o julgamento.

A Bíblia mostra isso claramente:

2 Pedro 3:9:
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”

Ou seja: o tempo presente é de tolerância divina, não de impotência divina.

Veja o caso de Jó. Satanás não agiu livremente como soberano do universo. Precisou de permissão limitada:

Jó 1:12:
“E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão.”

Jó 2:6:
“E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; poupa, porém, a sua vida.”

Isso demonstra que Satanás não opera independentemente.

Outro ponto: muito do mal que as pessoas atribuem ao diabo nasce do próprio coração humano.

Tiago 1:14:
“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”

Jeremias 17:9:
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”

Muitas guerras, assassinatos, corrupção, perversões e crueldades não exigem ação demoníaca direta; bastam seres humanos pecadores.

Agora, sobre a origem do diabo associada à Pérsia ou necromancia, é preciso separar especulação histórica de revelação bíblica.

Daniel 10 menciona o “príncipe do reino da Pérsia” resistindo a um mensageiro celestial (Daniel 10:13), indicando atuação espiritual por trás de poderes terrenos. Mas isso não significa que o diabo tenha “origem” na Pérsia. Satanás já aparece muito antes, em Jó, texto situado em período patriarcal, e o princípio da serpente enganadora aparece em Gênesis 3.

O argumento “Deus é culpado porque permite o mal” também enfrenta outra dificuldade: sem Deus, com base em quê chamamos algo de “mal”?

Se o universo é mero acaso material, então “mal” seria apenas preferência química cerebral, não realidade moral objetiva.

Quando alguém chama algo de injusto, implicitamente apela para um padrão absoluto de justiça.

Mas de onde viria esse padrão sem um Legislador moral?

Romanos 2:15 fala da lei moral escrita no coração humano.

O ponto central da fé cristã é este: Deus não ficou distante olhando o sofrimento.

Ele entrou na história.

Romanos 5:8:
“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.”

Na cruz, Deus não ignorou o mal; enfrentou-o judicialmente.

Hebreus 2:14:
“...para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.”

Apocalipse 20:10 mostra o destino final de Satanás:

“E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre...”

Portanto, a existência temporária do mal não prova a inexistência de Deus; prova apenas que a história ainda não chegou ao seu julgamento final.

O verdadeiro problema não é “por que Deus permite o diabo por um tempo?”, mas “por que Deus ainda mostra misericórdia a pecadores rebeldes?”

Porque ainda há graça.

Josué Matos