INTRODUÇÃO
Este tratado surgiu a partir de um pedido de alguns jovens irmãos, depois de eu conversar com eles sobre o assunto da maneira de vestir do cristão.
Entretanto, não são apenas os jovens que se deparam com este tema. Pais de adolescentes frequentemente pedem orientação e direção sobre esta questão. Há neles o desejo sincero de que tanto eles quanto suas famílias procedam corretamente diante de Deus e vivam conforme a Sua Palavra.
Alguns talvez considerem este um assunto controverso e prefeririam que fosse ignorado ou negligenciado. Contudo, a fidelidade para com Deus não permite tal atitude.
Ao tratar deste assunto, procurei apresentar apenas princípios bíblicos. Meu sincero desejo é que tudo seja considerado com espírito de oração.
No livro clássico O Peregrino, John Bunyan descreve a Feira da Vaidade, pela qual Cristão e Fiel precisaram passar em sua jornada rumo à Cidade Celestial. Era um lugar extremamente movimentado, repleto de todo tipo de mercadorias e de pessoas.
Descrevendo aquela cena, Bunyan escreveu:
“Além disso, nesta Feira serão vistas fraudes, jogos, teatros, tolos, safados e velhacos a toda hora, e de todo tipo. Aqui também podem ser vistos roubadores, assassinos, adúlteros e tratantes.”
A Feira da Vaidade não era um lugar agradável para um cristão permanecer. Era um ambiente corrupto, perverso e pecaminoso. No entanto, os peregrinos precisavam passar por ela, pois fazia parte do caminho para a Cidade Celestial.
Porém, Bunyan fez questão de enfatizar que, embora os peregrinos estivessem NA Feira da Vaidade, eles não eram DELA.
Ele destacou três áreas em que esses homens eram diferentes:
A conversa deles
Os peregrinos falavam a língua de Canaã, e não a linguagem da Feira.
A falta de interesse pelas coisas mundanas
Eles não desejavam os tesouros terrenos oferecidos ali, porque o verdadeiro tesouro deles estava no céu.
O vestuário deles
Bunyan escreveu:
“Os peregrinos estavam vestidos com um tipo de vestuário diferente de qualquer outro usado por aqueles que negociavam naquela Feira.”
Com essa observação, John Bunyan sugere que o cristão deve ser distinto do mundo também em sua maneira de vestir.
Nos tempos modernos, essa sugestão tornou-se um assunto controverso dentro do cristianismo.
A controvérsia existe porque, para alguns, certos estilos de roupa representam mundanismo, pecado e baixos padrões morais. Para outros, essas mesmas roupas são consideradas apropriadas, justificadas como “mudanças dos tempos”, vistas como inofensivas, aceitáveis e compatíveis com a moda atual.
Cada lado desse debate costuma apresentar argumentos fortes, citando diversas “autoridades” e comentaristas para defender a sua posição.
Diante disso, surgem perguntas importantes:
• Nossa maneira de vestir realmente importa?
• Qual é a vestimenta aceitável para o cristão?
• Quais são os padrões cristãos?
• Devemos seguir a moda do mundo?
Estas são as perguntas que este folheto pretende responder.
Não se trata de um estudo exaustivo, mas de um esforço para destacar algumas verdades bíblicas fundamentais sobre um assunto importante e urgente.
Espero sinceramente que o leitor dedique tempo em oração, considerando as passagens bíblicas citadas e buscando, quanto ao vestir, fazer tudo para a glória de Deus.
1. NOSSO VESTIR — REALMENTE IMPORTA?
Há cristãos professos que rapidamente descartam a ideia de dedicar tempo a este assunto.
Dizem que Deus olha apenas para o coração, para o homem interior, e que, portanto, a aparência exterior tem pouca importância.
Mas a Bíblia não ensina isso.
É verdade que Deus olha para o coração (1 Samuel 16:7), porém isso de forma alguma significa que Ele ignore a aparência exterior.
Na verdade, como veremos, o contrário é verdadeiro.
DEUS TEM ALGO A DIZER!
Pensar que Deus não tem nada a dizer sobre o vestir é fechar os olhos ao claro testemunho da Sua Palavra infalível.
Os primeiros capítulos da Bíblia já nos introduzem a este tema.
Quando Adão e Eva pecaram ao comer o fruto proibido no jardim do Éden, imediatamente fizeram para si aventais de folhas de figueira.
Foi uma tentativa fraca e inadequada de cobrir sua vergonha.
Mesmo vestidos daquela forma, ainda sentiram necessidade de se esconder entre as árvores do jardim.
Mas ninguém pode se esconder de Deus.
Na viração do dia, Deus veio até eles, confrontou-os sobre o pecado, e o juízo veio.
Contudo, ali também se manifestou a Sua misericórdia.
“E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.” (Gênesis 3:21)
Deus mudou a vestimenta deles e os vestiu adequadamente.
Essa não é a única referência no Antigo Testamento sobre o envolvimento de Deus com a questão do vestir.
Por exemplo:
Em Êxodo, Deus deu instruções específicas sobre as vestes do sumo sacerdote:
“Farás também túnicas de linho fino...” (Êxodo 28:39-40)
Em Deuteronômio, Deus estabeleceu orientações relativas ao vestuário masculino e feminino:
“Não haverá traje de homem na mulher...” (Deuteronômio 22:5)
O Novo Testamento também mostra claramente o pensamento de Deus sobre este assunto.
Especialmente em 1 Timóteo 2, encontramos ensino direto sobre o vestir.
Seria extremamente tolo um cristão imaginar que Deus não se importa com a maneira como nos vestimos.
Se Deus julgou esse assunto digno de inclusão nas Escrituras, então ele é importante.
Ninguém sugeriria que o testemunho pessoal do crente não importa, ou que uma vida santa não é essencial, porque Deus fala claramente sobre esses temas.
O mesmo princípio se aplica ao vestir.
Talvez aqueles que ignoram o ensino de Deus sobre este assunto revelem, na verdade, resistência interior à autoridade da Sua Palavra.
Porque, se rejeitamos Sua Palavra aqui, o que nos impedirá de rejeitá-la em outros assuntos?
O século passado testemunhou um crescente espírito de rebelião, levando muitos cristãos professos a pensar que podem viver segundo seus próprios padrões, como se Deus não tivesse direito de interferir em suas vidas.
Mas isso é um pecado grave.
Isaías 5:24 declara:
“... rejeitaram a lei do SENHOR dos Exércitos, e desprezaram a palavra do Santo de Israel.”
Nenhum cristão tem o direito de rejeitar a Palavra de Deus.
Como filhos de Deus, devemos ouvi-Lo e honrar Sua Palavra.
EM RESUMO:
QUANDO DEUS FALA — NÓS DEVEMOS OBEDECER.
A GRANDE INFLUÊNCIA DO VESTIR
É um princípio básico da vida que nossas ações afetam outras pessoas.
“Porque nenhum de nós vive para si...” (Romanos 14:7)
Onde vamos, o que dizemos, como vivemos — e também o que vestimos — influencia aqueles ao nosso redor.
A Bíblia apresenta exemplos claros disso.
Tamar e Judá (Gênesis 38:14-15)
Tamar vestiu-se como uma prostituta.
Sua aparência transmitiu uma mensagem específica.
Judá interpretou aquela aparência exatamente dessa forma.
As ações dele foram pecaminosas e indesculpáveis.
Mas o fato permanece: a maneira como Tamar se vestiu influenciou sua decisão pecaminosa.
Josué e os homens de Gibeão (Josué 9:12-15)
Os gibeonitas usaram roupas velhas, sandálias gastas e provisões envelhecidas para criar uma falsa impressão.
Josué foi influenciado pela aparência deles e tomou uma decisão errada sem consultar ao Senhor.
Mais uma vez, a aparência influenciou o julgamento.
Saul e a feiticeira de En-Dor (1 Samuel 28:8-12)
Saul mudou suas roupas e disfarçou-se.
A mudança na aparência influenciou o comportamento da mulher.
Se ela soubesse imediatamente quem ele era, talvez não tivesse prosseguido.
O princípio é evidente:
NOSSAS ROUPAS INFLUENCIAM OUTROS.
E isso é algo muito sério para o cristão.
Uma mulher pode, por sua maneira de vestir, estimular cobiça e desejos pecaminosos num homem.
Isso não desculpa o pecado masculino.
Mas também não elimina a responsabilidade de quem deliberadamente se veste de forma provocante.
Talvez muitas modas escandalosamente imorais nunca fossem adotadas por mulheres cristãs se compreendessem a influência destrutiva que podem exercer sobre outros.
Precisamos pensar seriamente:
QUE INFLUÊNCIA NOSSAS ROUPAS ESTÃO EXERCENDO?
Enquanto jamais usaríamos nossas palavras para encorajar pensamentos pecaminosos, será que nossas roupas estão fazendo exatamente isso?
ROUPAS REVELAM ALGO SOBRE NOSSO PRÓPRIO CARÁTER
Existe um ditado popular:
“Não se julga um livro pela capa.”
Até certo ponto, isso é verdade.
Mas também é verdade que a capa frequentemente revela algo sobre o conteúdo.
Se um livro traz imagens de guerra, provavelmente tratará desse assunto.
Assim também acontece com as roupas.
Nossa aparência comunica mensagens.
Se eu aparecesse para pregar usando gravata amarela, casaco verde, calças roxas, sapatos azuis, camisa preta e cabelo tingido, seria evidente que algo está errado.
Minhas roupas revelariam alguma coisa sobre meu estado.
Quer aceitemos isso ou não:
NOSSAS ROUPAS COMUNICAM ALGO SOBRE NÓS.
Ou, mais precisamente:
COMUNICAM AQUILO QUE GOSTARÍAMOS QUE OS OUTROS PENSASSEM SOBRE NÓS.
Como devemos nos vestir?
Que padrões devemos seguir?
Onde podemos encontrar direção segura sobre este assunto?
Que princípios devemos adotar?
Essas são perguntas sérias que estão diante do cristão sincero.
Não falta conselho humano.
Alguns defendem que devemos simplesmente acompanhar o ritmo dos tempos, aceitando que as grandes casas de moda de Londres, Nova Iorque e Paris determinem a forma como devemos nos vestir.
Outros argumentam que os cristãos precisam parecer-se com o mundo para ganhar o mundo.
O apelo geral é:
“Vista-se como quiser.”
“Siga as tendências modernas.”
“Acompanhe a moda.”
Mas será isso correto?
Seria esse o padrão do cristão?
CERTAMENTE NÃO!
A Bíblia é nossa única regra de fé e conduta.
Ela não deve governar apenas aquilo em que acreditamos, mas também como vivemos.
A Confissão de Fé de Westminster afirma:
“Todo o conselho de Deus, relativo a todas as coisas necessárias para a Sua glória, a salvação do homem, fé e vida... ou está expressamente escrito na Bíblia ou temos nela princípios e exemplos para nos guiar.”
Isso significa que a Palavra de Deus deve orientar cada detalhe da vida cristã.
As ambições, atitudes, ações, desejos, associações e também a apresentação exterior do cristão devem ser governadas pelo que Deus revelou em Sua Palavra.
Alguns podem dizer:
“Mas a Bíblia é um livro antigo.”
“Ela não fala para o nosso tempo.”
Mas isso ignora uma verdade fundamental:
Os homens mudam.
Os tempos mudam.
A sociedade muda.
Mas Deus não muda.
Portanto, aquilo que Deus esperava do Seu povo no passado continua sendo aquilo que Ele espera do Seu povo hoje.
Então, quais princípios Deus estabeleceu?
NÓS DEVEMOS NOS VESTIR COM MODÉSTIA E DECÊNCIA
O apóstolo Paulo apresenta este princípio claramente em 1 Timóteo 2:9-10.
Embora o contexto imediato fale às mulheres, os homens não devem imaginar que estes princípios não se aplicam a eles também.
Homens igualmente têm responsabilidade diante de Deus quanto à modéstia, decência e sobriedade no vestir.
O texto diz:
“Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia...”
Este texto apresenta aquilo que o Espírito Santo chama de “traje honesto”.
A palavra traduzida como decente traz a ideia de:
bem organizado
conveniente
apropriado
ordenado
Já a palavra traje refere-se a vestimenta adequada, respeitável, e que não enfatiza sensualidade.
O princípio é claro:
A roupa deve cobrir com dignidade, e não expor com provocação.
Algumas diretrizes práticas podem ajudar:
1. O vestuário deve ter comprimento adequado
Isaías 47:2 sugere o princípio de cobertura apropriada.
Também devemos lembrar:
Uma roupa que parece aceitável quando a pessoa está em pé pode tornar-se inadequada quando ela se senta.
2. O vestuário deve ter tamanho adequado
Roupas extremamente apertadas dificilmente podem ser chamadas de modestas.
Quando a roupa marca exageradamente o corpo, ela contradiz o princípio bíblico da modéstia.
3. O vestuário deve ter estilo apropriado
A forma de vestir deve condizer com alguém que professa seguir a Jesus Cristo.
Muitas modas atuais, quando medidas por esse padrão, revelam-se profundamente inadequadas.
Algumas são francamente provocativas.
Outras transformam o corpo em vitrine.
Mas roupas foram dadas para cobrir, não para exibir.
O princípio deve ser:
NÃO USE ROUPAS QUE TRANSFORMEM O CORPO EM OBJETO DE EXIBIÇÃO.
Tenha respeito por si mesmo.
Vista-se com modéstia, dignidade e decência.
O exemplo de Rebeca
Rebeca nos oferece um exemplo instrutivo.
Quando soube que estava se aproximando de Isaque, seu futuro marido, lemos:
“Tomou ela o véu, e cobriu-se.” (Gênesis 24:65)
A ideia transmitida aqui é de recato, modéstia e respeito.
Ela não procurou atrair pela exposição indevida.
Vestiu-se com dignidade.
Isso confronta diretamente a mentalidade moderna que afirma:
“Para ser atraente, a mulher precisa vestir-se de modo provocante.”
A Palavra de Deus ensina outra coisa.
Deus exige modéstia e decência.
Mas atenção:
Isso não significa que o cristão deva vestir-se de forma desleixada, feia ou negligente.
Não há pecado em vestir-se bem.
Não há pecado em apresentar-se com cuidado, ordem e boa aparência.
O ponto não é abandonar a boa apresentação.
O ponto é:
boa apresentação sem sensualidade, sem vaidade exagerada e sem indecência.
NÓS DEVEMOS NOS VESTIR DE ACORDO COM NOSSO GÊNERO
Deus fez distinção entre homem e mulher.
“Macho e fêmea os criou.” (Gênesis 1:27)
Essa distinção aparece em toda a Escritura.
Há diferenças em:
posição
responsabilidades
papéis
serviço
testemunho
E isso também alcança o vestir.
Uma passagem central aqui é Deuteronômio 22:5:
“Não haverá traje de homem na mulher, e não vestirá o homem veste de mulher...”
Há várias interpretações sobre este texto.
Alguns afirmam que ele se refere apenas a práticas pagãs antigas.
Outros entendem que se refere exclusivamente a perversões morais da época.
Mas ainda que esses contextos possam existir, o princípio continua relevante.
O ponto moral é claro:
DEUS QUER DISTINÇÃO VISÍVEL ENTRE OS SEXOS.
Comentando esse texto, Matthew Henry afirmou:
“A distinção dos sexos deve ser mantida pelo vestuário, para preservação da pureza moral.”
Adam Clarke escreveu:
“Se isso fosse tolerado na sociedade, produziria grande confusão.”
Independentemente do debate técnico, o princípio permanece sólido.
Se Deus ensina distinção entre homem e mulher até mesmo no cabelo (1 Coríntios 11:14), seria incoerente pensar que a aparência geral não importa.
O vestuário não deve apagar a distinção criada por Deus.
A confusão moderna nesse campo não glorifica ao Senhor.
NÓS DEVEMOS NOS VESTIR DE MODO A NÃO FAZER OUTROS TROPEÇAREM
Em 1 Coríntios 8:9-13, encontramos um princípio vital:
Nossa conduta pode influenciar negativamente outros crentes.
Sim, cada cristão deve olhar para Cristo.
Mas, na prática, muitos observam outros cristãos.
Especialmente jovens observam outros jovens.
Por isso, devemos perguntar:
Minha forma de vestir fortalece ou enfraquece outros?
Ajuda ou prejudica?
Edifica ou escandaliza?
A liberdade cristã nunca deve ser usada para prejudicar irmãos.
Isso inclui também a maneira de vestir.
NÃO DEVEMOS NOS VESTIR DE MODO ASSOCIADO AO PECADO
Alguns estilos carregam associações evidentes.
Há roupas ligadas a:
rebeldia
sensualidade
imoralidade
violência
subculturas marcadas por pecado
A Bíblia ensina:
“Abstende-vos de toda aparência do mal.” (1 Tessalonicenses 5:22)
O cristão não deve desejar identificação com aquilo que desonra a Deus.
Isso exige discernimento.
A pergunta não deve ser:
“Posso usar?”
Mas:
“Isto glorifica a Deus?”
“Isto comunica pureza?”
“Isto recomenda meu testemunho cristão?”
PERGUNTAS NECESSÁRIAS
Agora precisamos ser honestos diante de Deus:
Eu sigo estes princípios?
Minha maneira de vestir reflete a Palavra de Deus?
Ou estou apenas seguindo a moda da época?
3. AGRADAR A DEUS OU AOS HOMENS? — NOSSA MOTIVAÇÃO
A indústria da moda não procura esconder qual é a sua verdadeira motivação.
Ela é impulsionada pelo desejo de criar aquilo que seja:
diferente
novo
chamativo
ousado
impactante
provocativo
sedutor
Em muitos casos, a moda moderna simplesmente ignora completamente os princípios de Deus.
Ela não se preocupa com decência, nem com modéstia, nem com pureza moral.
E infelizmente, muitos que adotam esses estilos compartilham exatamente da mesma mentalidade.
Desejam ser vistos.
Desejam chamar atenção.
Desejam causar impacto.
Desejam aprovação social.
Desejam despertar admiração.
Em muitos casos, desejam explicitamente provocar atração sensual.
Mas essa jamais deve ser a motivação do cristão.
O filho de Deus deve ser governado por outro princípio completamente diferente.
Toda a vida cristã deve girar em torno da nossa relação com Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
A Escritura declara:
“Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (1 Coríntios 6:20)
O cristão já não pertence a si mesmo.
Ele possui um novo Senhor.
Um novo Mestre.
Uma nova identidade.
Portanto, deve viver de forma que glorifique a Deus.
Isso inclui também a forma de vestir.
Paulo escreve:
“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31)
Observe:
“outra qualquer coisa”
Isso certamente inclui:
nosso comportamento
nossa fala
nossas escolhas
nossa aparência
nosso vestir
Diante disso, surgem perguntas muito importantes.
EU ME VISTO PARA AGRADAR A DEUS OU AOS HOMENS?
Vivemos numa geração profundamente orientada pela aprovação dos outros.
Muitos se vestem não porque consideram diante de Deus o que é correto.
Vestem-se para:
impressionar
ser aceitos
parecer modernos
não parecer antiquados
encaixar-se socialmente
Mas esse nunca foi o padrão de Cristo.
O Senhor Jesus declarou:
“Eu faço sempre o que lhe agrada.” (João 8:29)
Esse deve ser o padrão do cristão.
A pergunta central não é:
“Meus amigos gostam?”
“Está na moda?”
“As pessoas aprovam?”
Mas sim:
DEUS SE AGRADA DISSO?
MINHA APARÊNCIA RECOMENDA MINHA CONFISSÃO CRISTÃ?
O cristão é chamado a confessar publicamente a sua fé.
A Escritura diz:
“Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” (1 Pedro 3:15)
Mas há uma incoerência séria quando alguém professa Cristo e, ao mesmo tempo, adota aparência fortemente identificada com valores mundanos.
Assim como certos lugares podem prejudicar nosso testemunho...
Assim também certas formas de vestir podem prejudicá-lo.
A pergunta é:
Minha aparência fortalece ou contradiz meu testemunho cristão?
ESTOU PROMOVENDO O PECADO POR MEIO DA MINHA APARÊNCIA?
Hoje muitas roupas funcionam como verdadeiros meios de propaganda.
Camisetas, moletons, bonés e acessórios frequentemente exibem:
marcas
slogans
mensagens
símbolos
frases
Mas nem tudo o que aparece nelas é compatível com a fé cristã.
Muitas promovem:
álcool
tabaco
rebeldia
sensualidade
irreverência
materialismo
mensagens anticristãs
O filho de Deus deveria anunciar isso no próprio corpo?
A resposta é clara:
NÃO.
Nosso corpo pertence ao Senhor.
Nossa aparência não deve ser usada como painel publicitário para aquilo que Deus reprova.
MEUS PENSAMENTOS ESTÃO DOMINADOS PELA MODA?
Aqui existe outro perigo.
Não apenas vestir-se mal.
Mas tornar-se obsessivamente preocupado com aparência.
Há cristãos cuja mente está constantemente ocupada com:
tendências
marcas
novidades
estilos
aprovação visual
A preocupação principal passa a ser:
“Preciso estar atualizado.”
“Preciso acompanhar.”
“Preciso parecer moderno.”
Mas a Palavra de Deus nos lembra:
“A aparência deste mundo passa.” (1 Coríntios 7:31)
Tudo isso é temporário.
Passageiro.
Efêmero.
Há coisas infinitamente mais importantes para ocupar a mente de um cristão.
MINHA APARÊNCIA GLORIFICA A DEUS?
Embora este material não entre detalhadamente em debates sobre:
maquiagem
brincos
ornamentos
penteados
adornos
os princípios já apresentados se aplicam perfeitamente.
Mesmo quando a Bíblia não condena expressamente determinada prática, ainda assim devemos avaliar:
Qual a associação?
Qual a motivação?
Qual a mensagem transmitida?
Isto glorifica a Deus?
Um exemplo frequentemente citado é Jezabel:
“E, entrando Jeú em Jezreel, Jezabel o soube; e pintou em volta dos olhos...” (2 Reis 9:30)
Jezabel foi símbolo de perversidade, idolatria e oposição à verdade.
O ponto não é simplificar tudo mecanicamente.
Mas reconhecer que certas associações devem nos fazer refletir seriamente.
Quando há dúvida...
A prudência cristã deve prevalecer.
Porque não queremos:
ofender irmãos
ferir consciências
enfraquecer o testemunho
desagradar a Deus
O PRINCÍPIO CENTRAL
Em todas essas áreas, o cristão deve ser guiado por um desejo profundo:
FAZER O QUE É CERTO DIANTE DE DEUS.
Deus é nosso Pai.
E assim como uma criança deseja agradar um pai amoroso...
O cristão deve desejar agradar seu Pai celestial.
Mesmo quando o mundo pressiona na direção oposta.
Mesmo quando a sociedade ridiculariza padrões bíblicos.
Mesmo quando obedecer custa aceitação social.
A pergunta final permanece:
ESTOU ME VESTINDO PARA A GLÓRIA DE DEUS OU PARA A APROVAÇÃO DOS HOMENS?
4. EU TENHO OS VESTIDOS DE SALVAÇÃO?
O assunto do vestir é importante.
Não deve ser desprezado.
Não deve ser tratado com indiferença.
Não deve ser empurrado para segundo plano como se fosse irrelevante.
Mas, apesar de sua importância, não é o assunto mais importante de todos.
É perfeitamente possível que uma pessoa esteja vestida de forma:
modesta
decente
correta
respeitável
adequada
...e ainda assim esteja espiritualmente perdida, com a alma não salva e em seus pecados diante de Deus.
Aqui está uma verdade fundamental:
A APARÊNCIA EXTERIOR NÃO PODE MUDAR A CORRUPÇÃO INTERIOR.
Uma roupa correta não salva ninguém.
Uma aparência respeitável não transforma o coração.
Submissão a certos padrões externos pode ser boa e correta, mas jamais substitui a graça salvadora de Deus.
Algo infinitamente maior é necessário.
O pecador precisa daquilo que a Escritura chama de:
OS VESTIDOS DE SALVAÇÃO
Este não é um vestuário para o corpo.
É um vestuário para a alma.
Não trata do exterior.
Trata do homem interior.
Não é feito de tecido, algodão, linho ou qualquer material terreno.
É providenciado por Jesus Cristo, através do Seu sacrifício, da Sua justiça e da Sua obra redentora.
Não é temporário.
É eterno.
Não envelhece.
Não se desgasta.
Não perde o valor.
O profeta Isaías descreveu esta realidade gloriosa:
“Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegra no meu Deus, porque me vestiu de vestidos de salvação, me cobriu com o manto de justiça...” (Isaías 61:10)
Que expressão maravilhosa:
“me vestiu”
“me cobriu”
“manto de justiça”
Este é o vestuário que realmente importa diante de Deus.
Sem ele, todo ser humano está espiritualmente:
nu
culpado
exposto
vergonhoso
condenado
Não importa quão respeitável pareça exteriormente.
Não importa quão moral pareça aos olhos dos homens.
Sem a justiça de Cristo, o pecador permanece sem cobertura diante da santidade de Deus.
Mas com Cristo...
Tudo muda.
Porque este vestido nos torna:
aceitáveis diante de Deus
cobertos pela justiça divina
perdoados
reconciliados
preparados para a eternidade
O FILHO PRÓDIGO — UM EXEMPLO MARAVILHOSO
Quando o filho pródigo voltou ao pai (Lucas 15), ele voltou:
arrependido
quebrantado
confessando seu pecado
sem méritos próprios
E o que aconteceu?
O pai ordenou:
“Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho...”
Que retrato precioso da salvação.
O pecador que vem a Cristo em arrependimento e fé não recebe condenação.
Recebe cobertura.
Recebe aceitação.
Recebe justiça.
Recebe nova posição diante de Deus.
Assim também acontece com todo aquele que crê no Senhor Jesus Cristo.
O pecador arrependido é vestido com a justiça de Cristo.
VESTIDOS LAVADOS NO SANGUE DO CORDEIRO
A Bíblia encerra essa imagem de forma gloriosa em Apocalipse:
“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro...” (Apocalipse 22:14)
Que contraste impressionante.
De um lado:
roupas externas
aparência
moda
estilo
opiniões humanas
Do outro:
vestiduras lavadas no sangue do Cordeiro
Essa é a verdadeira preparação para a eternidade.
UM APELO FINAL AOS CRENTES
Meu sincero desejo é que a leitura deste material ajude aqueles que professam o nome de Cristo a considerarem seriamente sua maneira de vestir.
Que nunca tratemos este tema com superficialidade.
Que não sejamos guiados:
pela pressão da cultura
pela moda
pela opinião popular
pela busca de aceitação
pela vaidade
Mas sim pela Palavra de Deus.
Que nossa oração seja:
“SENHOR, COMO POSSO HONRAR-TE TAMBÉM NESTA ÁREA?”
Porque a Escritura declara:
“Aos que me honram honrarei...” (1 Samuel 2:30)
TEXTOS FINAIS PARA REFLEXÃO
“E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.” (Gênesis 3:21)
Desde o princípio, Deus demonstrou cuidado com cobertura, vergonha e provisão.
“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida...” (Apocalipse 22:14)
A verdadeira pureza está em Cristo.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
A salvação está em Cristo.
“Que é necessário que eu faça para me salvar? Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo...” (Atos 16:30-31)
Aqui está a resposta definitiva.
CONCLUSÃO GERAL
O cristão deve preocupar-se com sua maneira de vestir?
SIM.
Porque Deus fala sobre isso.
Porque nossa aparência comunica mensagens.
Porque influenciamos outros.
Porque devemos refletir modéstia, decência, distinção e reverência.
Mas acima de tudo:
A MAIOR NECESSIDADE NÃO É TROCAR DE ROUPA.
É RECEBER UMA NOVA POSIÇÃO DIANTE DE DEUS EM CRISTO.
Sem isso, toda aparência exterior é insuficiente.
Com isso, existe salvação eterna.
A. D.