Alguém que me escreveu no YouTube:
A Bíblia fala de Yahweh, El Shaddai, não tem nada a ver com deus. Não é que deus exista, essa é outra mentira, mas vamos separar as mentiras, porque a mentira Yahweh e El Shaddai só vai virar a mentira deus séculos depois, nem pra contar mentiras essa gente serve.
Minha Resposta:
A sua afirmação mistura duas questões diferentes: os nomes e títulos usados para Deus nas Escrituras, e a existência do próprio Deus. A Bíblia realmente utiliza nomes hebraicos como “YHWH” (Jeová ou Yahweh, conforme a transliteração) e “El Shaddai”, mas isso não elimina o uso da palavra “Deus” em outras línguas. Pelo contrário, a própria Bíblia mostra que os nomes divinos foram traduzidos conforme os idiomas dos povos.
No Antigo Testamento hebraico aparecem palavras como “El”, “Elohim”, “El Elyon”, “El Shaddai” e o tetragrama YHWH. Quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego na Septuaginta, séculos antes de Cristo, os judeus tradutores utilizaram “Theos” para “Deus” e “Kyrios” para o nome divino YHWH. Portanto, a ideia de traduzir os títulos divinos não começou séculos depois como uma “corrupção”; isso já ocorria entre os próprios judeus antigos.
No Novo Testamento, escrito em grego, o Senhor Jesus e os apóstolos utilizaram “Theos” para Deus. Se fosse errado usar uma palavra traduzida em vez do hebraico original, então o próprio Novo Testamento estaria errado em não preservar sempre os termos hebraicos. Mas não está. O evangelho foi dado para todas as nações e línguas.
Em português dizemos “Deus”; em inglês, “God”; em espanhol, “Dios”; em francês, “Dieu”; em hebraico, “Elohim”; em grego, “Theos”. O termo muda conforme a língua, mas o Ser a quem ele se refere permanece o mesmo.
Além disso, “El Shaddai” não é um nome exclusivo separado de Deus, mas um dos títulos usados para revelar aspectos do caráter divino. Em Gênesis 17:1, Deus diz a Abraão: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso”. A expressão hebraica ali é “El Shaddai”. Já o nome YHWH é revelado especialmente em Êxodo 3:14-15, relacionado ao “EU SOU”. As Escrituras utilizam diversos títulos para revelar diferentes aspectos da majestade, eternidade, soberania e poder divinos.
O argumento de que “deus não existe” também entra em conflito com a própria realidade da revelação bíblica e da criação. A Bíblia declara:
“Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” (Salmos 19:1)
E ainda:
“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas.” (Romanos 1:20)
A questão central não é a pronúncia hebraica de um nome, mas quem é o verdadeiro Deus revelado nas Escrituras. O próprio Senhor Jesus ensinou isso quando disse:
“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:24)
O cristianismo nunca ensinou que existe poder mágico numa pronúncia hebraica específica. A salvação não está em repetir foneticamente “Yahweh”, mas em conhecer o Deus verdadeiro revelado no Senhor Jesus Cristo.
Aliás, o Novo Testamento afirma claramente:
“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)
Portanto, traduzir “Elohim” por “Deus” não é invenção moderna nem fraude religiosa. É algo que já aparece no próprio processo histórico das Escrituras e nas traduções usadas pelos judeus e pelos cristãos desde os primeiros séculos.