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Os “cristãos” têm um livro niilista na Bíblia, mas acham que vão para o “céu”.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

“Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais... como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem do homem sobre o animal não é nenhuma... Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó e todos voltarão ao pó.”
Eclesiastes 3:19-20

“Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho... Desfruta a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida de vaidade.”
Eclesiastes 9:7-9

Os “cristãos” têm um livro niilista na Bíblia, mas acham que vão para o “céu”.
“Quando você chegar lá, não haverá nenhum lá, lá.”
Provérbio Zen

minha Resposta:

A sua observação parte de uma leitura de trechos isolados de Eclesiastes, sem considerar o propósito do livro inteiro. Eclesiastes não foi escrito para ensinar niilismo*, mas para mostrar o vazio da vida quando observada “debaixo do sol”, isto é, apenas da perspectiva humana, terrena e limitada.

O niilismo (do latim nihil, "nada") é uma corrente filosófica que nega a existência de um sentido objetivo, propósitos intrínsecos ou valores morais absolutos para a vida. A existência é encarada como um vazio fundamental, onde noções como verdade e bem não passam de construções humanas.

Essa expressão “debaixo do sol” aparece repetidamente justamente porque Salomão está descrevendo o que a vida parece ser quando Deus é removido da equação prática da existência.

Quando Eclesiastes 3:19-20 diz que homens e animais morrem e voltam ao pó, o foco é o corpo físico, não o destino eterno da alma. Aliás, o próprio contexto corrige a leitura superficial. Logo depois lemos:

“Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e o fôlego do animal para baixo da terra?” (Eclesiastes 3:21)

E mais claramente:

“E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Eclesiastes 12:7)

Portanto, o próprio livro faz distinção entre corpo e espírito.

Quanto ao texto de Eclesiastes 9, novamente o contexto importa. O capítulo fala da perspectiva da vida presente, do tempo em que o homem ainda está vivo nesta terra. Não é um convite ao hedonismo desenfreado, mas o reconhecimento de que as bênçãos simples da vida são dádivas de Deus enquanto estamos neste mundo.

Mas Eclesiastes não termina com desespero. Termina com conclusão moral e espiritual:

“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra...” (Eclesiastes 12:13-14)

Isso está muito longe de niilismo.

Quanto à questão do céu, isso não depende de Eclesiastes isoladamente, mas da revelação progressiva completa das Escrituras.

O Senhor Jesus disse:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar.” (João 14:2)

Paulo escreveu:

“Desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor.” (2 Coríntios 5:8)

E também:

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho... tendo desejo de partir e estar com Cristo.” (Filipenses 1:21,23)

O ladrão arrependido ouviu do próprio Senhor:

“Hoje estarás comigo no paraíso.” (Lucas 23:43)

E Apocalipse mostra conscientemente almas na presença de Deus (Apocalipse 6:9-11).

Portanto, não, a Bíblia não ensina que a morte é aniquilação ou vazio absoluto.

O problema é tentar transformar literatura sapiencial, que descreve a perplexidade da experiência humana, em doutrina final sobre eternidade, ignorando o restante da revelação divina.

Quanto ao provérbio zen citado, ele expressa uma filosofia oriental, não a revelação bíblica.

A fé cristã não ensina um “nada” após a morte, mas responsabilidade diante de Deus, juízo para os que rejeitam Sua graça (Hebreus 9:27) e presença consciente com Cristo para os salvos.

A verdadeira pergunta não é se existe um “lá”.

A verdadeira pergunta é: onde cada pessoa estará quando partir desta vida?

Josué Matos