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No seu vídeo: ‘É bíblico levar a ceia na casa dos doentes e idosos?’ Você diz que não!

 Alguém que me escreveu no YouTube:

No seu vídeo: ‘É bíblico levar a ceia na casa dos doentes e idosos?’ Você diz que não! Então ficou doente e é descartado da ceia, por quê? Será que os pastores e diáconos doentes também ficam fora?

Minha Resposta:

A sua pergunta é importante, porque muita gente entende esse assunto apenas pelo lado emocional, mas precisamos olhar primeiro para o ensino das Escrituras.

A Ceia do Senhor não foi apresentada no Novo Testamento como um ato individual, privado ou doméstico. Ela é um ato coletivo da igreja reunida. Em 1 Coríntios 11:18 Paulo escreveu: “quando vos ajuntais na igreja”. Depois, no versículo 20: “quando vos ajuntais num lugar”. E ainda em 1 Coríntios 10:16-17 vemos que o pão representa a comunhão de muitos reunidos em um só corpo: “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos participamos do mesmo pão”.

Portanto, a Ceia não é apenas comer pão e beber vinho. O ponto central é a reunião da igreja ao redor do Senhor Jesus Cristo.

Quando um crente fica doente, idoso ou impossibilitado de estar presente, ele não é “descartado” da comunhão com Cristo. Jamais. Sua salvação, sua posição em Cristo e seu valor diante de Deus permanecem intactos. Porém, ele fica impedido fisicamente de participar daquele privilégio coletivo da assembleia reunida.

Isso acontece também em outras áreas da vida cristã. Um crente preso injustamente, hospitalizado ou acamado também não consegue participar fisicamente das reuniões da igreja local, e isso não significa rejeição espiritual.

A Bíblia mostra que havia irmãos impossibilitados de acompanhar certas atividades dos santos. Em 2 Timóteo 4:20 Paulo disse: “Trófimo deixei em Mileto doente”. Nem por isso Trófimo deixou de ser amado pelo Senhor.

A questão não é “quem merece” participar, mas “como” o Senhor instituiu a Ceia. E nas Escrituras nunca encontramos a Ceia sendo levada de casa em casa para irmãos isolados, doentes ou idosos como prática da igreja.

Atos 20:7 mostra os discípulos reunidos para partir o pão. A ideia constante é de congregação, reunião, comunhão coletiva.

Alguém poderia perguntar: “Mas e os anciãos, diáconos ou pregadores doentes?” Sim, o mesmo princípio vale para todos. Nenhum homem possui privilégio acima da Palavra de Deus. Se um presbítero estiver impossibilitado de reunir-se com a igreja, ele também ficará privado daquele privilégio coletivo enquanto durar sua impossibilidade física.

Isso pode ser triste? Sim. Mas muitas coisas dolorosas fazem parte das limitações humanas neste mundo. Há irmãos que passaram anos presos por causa do evangelho e ficaram sem participar da Ceia com a igreja. Nem por isso estavam afastados do amor de Cristo.

Também é importante lembrar que a igreja deve visitar, cuidar, consolar e ajudar os doentes e idosos. Tiago 1:27 fala de visitar os necessitados, e Gálatas 6:2 diz: “Levai as cargas uns dos outros”. O erro seria transformar a Ceia do Senhor em um ritual portátil, separado do testemunho da assembleia reunida.

A Ceia não foi instituída para ser um ato clerical administrado por líderes a indivíduos isolados, mas um memorial coletivo do Senhor Jesus no meio dos santos congregados em Seu nome.

Josué Matos