Alguém que me escreveu no YouTube:
Se Jesus fosse Deus literalmente, seriam mais de um Deus, e Jesus mesmo, não sendo mais humano, disse que continuava abaixo de seu Deus. Apocalipse 3:12 e 14. E Jesus não teria se comparado com os deuses simbólicos em João 10:34 a 36.
Minha Resposta:
Agradeço pela sua colocação, porque esse é um tema importante e precisa ser analisado com cuidado, olhando o conjunto completo das Escrituras, e não apenas textos isolados.
A primeira questão é esta: a Bíblia ensina que existe um só Deus. Isso é absolutamente claro: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6:4). Portanto, quem crê na divindade do Senhor Jesus não está defendendo dois deuses, mas reconhecendo a revelação bíblica de um único Deus subsistindo em distinção de Pessoas.
A dificuldade surge quando se tenta encaixar o Senhor Jesus apenas na categoria de criatura exaltada. O problema é que a própria Escritura atribui a Ele títulos, obras, honra e atributos que pertencem somente a Deus.
Por exemplo:
“E o Verbo era Deus.” (João 1:1)
Note que João não diz que o Verbo “veio a ser” Deus, mas que Ele já era.
Mais adiante:
“E o Verbo se fez carne.” (João 1:14)
Ou seja, Aquele que era Deus assumiu humanidade real.
Tomé, diante do Cristo ressurreto, declarou:
“Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28)
E o Senhor Jesus não o corrigiu.
Em Hebreus 1:8, o próprio Pai declara acerca do Filho:
“Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos.”
Se o Pai chama o Filho de Deus, então a questão não pode ser resolvida negando Sua divindade.
Sobre Apocalipse 3:12, quando o Senhor Jesus diz:
“Meu Deus...”
isso não nega Sua divindade. Explica Sua posição como Homem glorificado.
Aqui está um ponto essencial: o Senhor Jesus continua sendo homem verdadeiro após a ressurreição.
“Há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1 Timóteo 2:5)
Observe: não diz “que foi homem”, mas “homem”.
Logo, quando Ele fala como Homem dependente, obediente e mediador, isso não contradiz Sua divindade; revela a realidade da encarnação.
Filipenses 2:6-8 explica isso perfeitamente:
“Que, sendo em forma de Deus... aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo...”
Ele não deixou de ser Deus; assumiu a condição humana.
Quanto a Apocalipse 3:14:
“O princípio da criação de Deus”
alguns entendem isso como se Cristo fosse o primeiro ser criado. Mas a palavra aponta para origem, fonte, cabeça, causa primária.
Isso harmoniza com:
“Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (João 1:3)
Se tudo foi feito por Ele, Ele não pode fazer parte das coisas criadas.
Também:
“Porque nele foram criadas todas as coisas...” (Colossenses 1:16-17)
E ainda:
“Ele é antes de todas as coisas.”
Claríssimo.
Agora João 10:34-36.
O Senhor citou Salmo 82, onde certos juízes humanos foram chamados “deuses” num sentido representativo, por exercerem autoridade delegada.
Mas Ele não estava dizendo: “Sou apenas um deus simbólico como eles.”
Pelo contrário.
Seu argumento era: se a Escritura usou esse termo para homens falíveis investidos de autoridade, quanto mais legítimo é aplicá-lo Àquele que o Pai santificou e enviou ao mundo.
O contexto mostra que os judeus entenderam que Ele reivindicava igualdade com Deus:
“Porque tu, sendo homem, te fazes Deus a ti mesmo.” (João 10:33)
Se Ele estivesse apenas dizendo ser um representante humano, a acusação perderia sentido.
Além disso, o mesmo evangelho mostra:
“Eu e o Pai somos um.” (João 10:30)
Não uma unidade meramente moral, porque a reação imediata foi tentarem apedrejá-lo por blasfêmia.
Outro detalhe importante:
O Senhor Jesus recebe adoração.
- Mateus 14:33
- Mateus 28:9
- Hebreus 1:6
Mas Deus declarou:
“A minha glória, pois, a outrem não darei.” (Isaías 42:8)
Se Cristo não fosse Deus, aceitar adoração seria blasfêmia.
Conclusão:
A Bíblia não ensina dois deuses.
Ela ensina:
um só Deus (Deuteronômio 6:4),
- o Pai é Deus (João 6:27),
- o Filho é Deus (João 1:1; Hebreus 1:8),
- o Espírito Santo é Deus (Atos dos Apóstolos 5:3-4).
E o Senhor Jesus, tendo assumido verdadeira humanidade, fala em certos textos como Servo obediente e Mediador, sem que isso negue Sua natureza divina.
Negar a humanidade do Senhor Jesus gera erro.
Negar Sua divindade também.
A verdade bíblica preserva ambas.