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A Bíblia não diz que as 3 pessoas da trindade sejam o mesmo Deus.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A Bíblia não diz que as 3 pessoas da trindade sejam o mesmo Deus. Ela diz que o Pai é o único Deus em vários versículos, não num texto isolado. Ela chama os anjos e muitos homens de deuses, e Jesus se comparou com eles. Portanto, não existe um coletivo de 3 pessoas ou 3 deuses em um; isso é invenção dos homens sem conhecimento da Palavra, e um Deus em 3 pessoas é autocontraditório, ou um Deus mentiroso fingindo ser 3.

Minha Resposta:

Agradeço pela sua colocação, porque este é um assunto sério e precisa ser tratado com reverência às Escrituras, não com slogans teológicos nem com caricaturas.

Antes de tudo, é importante esclarecer algo: a doutrina bíblica não ensina “três deuses”. O monoteísmo bíblico é absoluto. “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronómio 6:4). “Eu sou o Senhor, e fora de mim não há outro” (Isaías 45:5).

Portanto, qualquer ideia de triteísmo (três deuses independentes) é antibíblica.

Mas a questão real é: a Bíblia apresenta somente o Pai como divino, ou revela distinção pessoal dentro da unidade da Divindade?

A resposta bíblica é clara.

Quando o Pai é chamado Deus:
“Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai” (1 Coríntios 1:3).

Ninguém discute isso.

Mas o Filho também é chamado Deus:

“E o Verbo era Deus” (João 1:1).

Note que João não diz que o Verbo era apenas um representante de Deus. Ele afirma Sua divindade.

Ainda:

“Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28).

Se Tomé estivesse blasfemando, o Senhor Jesus o teria corrigido. Mas aceitou essa confissão.

Hebreus também declara:

“Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos” (Hebreus 1:8).

Tito 2:13:

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.”

Romanos 9:5:

“Cristo, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente.”

E quanto ao Espírito Santo?

Em Atos 5:3-4, Pedro diz a Ananias:

“Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?”

Logo depois:

“Não mentiste aos homens, mas a Deus.”

Mentir ao Espírito Santo foi mentir a Deus.

Agora, sobre o argumento de que homens e anjos são chamados “deuses”.

Sim, a Escritura usa “deuses” em sentido representativo ou funcional.

Salmo 82:6:
“Eu disse: Vós sois deuses.”

Mas isso não significa divindade essencial.

O próprio contexto mostra que eram homens mortais:

“Todavia morrereis como homens” (Salmo 82:7).

Quando o Senhor Jesus cita isso em João 10, Ele não está dizendo “sou igual a esses juízes humanos”.

Pelo contrário.

O argumento é: se a Escritura pode usar “deuses” num sentido inferior para representantes humanos, quanto mais Aquele que foi santificado e enviado pelo Pai pode reivindicar um título infinitamente maior.

Aliás, o contexto mostra claramente isso:

“Eu e o Pai somos um” (João 10:30).

Os judeus entenderam perfeitamente a implicação:

“Porque, sendo tu homem, te fazes Deus” (João 10:33).

Se o Senhor estivesse sendo mal compreendido, ali era a hora de corrigir.

Mas Ele reforça a Sua singularidade.

Outro ponto decisivo:

No batismo do Senhor Jesus (Mateus 3:16-17), vemos simultaneamente:

  • o Filho sendo batizado,
  • o Espírito descendo como pomba,
  • o Pai falando do céu.

Não é uma única pessoa “fingindo três papéis”.

São distinções reais.

Na grande comissão:

“Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19).

Observe: “nome” (singular), não “nomes”.

Unidade de essência, distinção pessoal.

Em 2 Coríntios 13:13:

“A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo.”

Novamente, distinção clara.

Quanto à afirmação de que “o Pai é o único Deus”, isso precisa ser entendido dentro do contexto.

Em João 17:3:

“Que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

Alguns usam isso para negar a divindade do Filho.

Mas se forçar esse raciocínio, teria de negar também a divindade do próprio Filho contradizendo João 1:1, João 20:28 e Hebreus 1:8.

O ponto ali é distinguir o Pai dos falsos deuses pagãos, não excluir o Filho da natureza divina.

Além disso, Apocalipse mostra o Cordeiro recebendo a mesma honra reservada a Deus:

“Àquele que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Apocalipse 5:13).

Nenhuma criatura pode legitimamente receber essa adoração.

Em resumo:

A Bíblia ensina:

  • há um só Deus;
  • o Pai é Deus;
  • o Filho é Deus;
  • o Espírito Santo é Deus;
  • o Pai não é o Filho;
  • o Filho não é o Espírito;
  • o Espírito não é o Pai.

Isto não é contradição.

Contradição seria dizer:
“Deus é um e Deus não é um no mesmo sentido.”

Mas a Bíblia não diz isso.

Ela ensina um só Deus em unidade de essência e distinção pessoal.

A mente humana não esgota Deus.

Se Deus pudesse ser plenamente reduzido à lógica limitada humana, Ele deixaria de ser Deus.

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus!” (Romanos 11:33).

Josué Matos