Alguém que me escreveu no YouTube:
O “profeta” Daniel nunca existiu!
Minha Resposta:
Essa afirmação é bastante categórica, mas ela não resiste a uma análise séria das Escrituras. Negar a existência histórica de Daniel exige ignorar não apenas o testemunho do livro que leva o seu nome, mas também o testemunho de outros livros bíblicos e, sobretudo, as palavras do próprio Senhor Jesus Cristo.
Primeiramente, o profeta Ezequiel, contemporâneo de Daniel, menciona Daniel nominalmente, e não como personagem fictício ou alegórico:
“Filho do homem, quando uma terra pecar contra mim, procedendo perfidamente, e eu estender a minha mão sobre ela... ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça livrariam apenas a sua alma, diz o Senhor JEOVÁ.” (Ezequiel 14:13-14)
E novamente:
“Eis que és mais sábio que Daniel; não há segredo algum que se possa esconder de ti.” (Ezequiel 28:3)
Observe que Daniel é colocado lado a lado com Noé e Jó como personagem real, conhecido e respeitado. Ezequiel não fala de um mito.
Mas a evidência mais decisiva vem do próprio Senhor Jesus Cristo. Ao falar sobre os eventos futuros, Ele disse:
“Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo...” (Mateus 24:15)
O Senhor Jesus não disse “o personagem Daniel”, nem “o livro atribuído a Daniel”, mas “o profeta Daniel”. Se alguém diz que Daniel nunca existiu, então precisa explicar se o Senhor Jesus estava enganado — algo impossível para quem crê na Sua divindade, perfeição e verdade absoluta.
Além disso, o livro de Daniel contém detalhes históricos extremamente específicos sobre Babilônia, reis como Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro. Daniel 1 apresenta o contexto do cativeiro babilónico. Daniel 5 descreve a queda da Babilônia. Daniel 6 mostra a administração medo-persa. O texto está inserido em contexto histórico real, não em fantasia religiosa.
Alguém poderia argumentar: “Mas e se foi escrito muito depois?”. Ainda que alguém tentasse sustentar isso, continuaria sem resolver o ponto principal: o Senhor Jesus reconheceu Daniel como profeta real.
Mais ainda, Hebreus 11 parece fazer clara alusão aos acontecimentos ligados a Daniel:
“Taparam a boca dos leões.” (Hebreus 11:33)
Referência evidente a Daniel 6.
“Apagaram a força do fogo.” (Hebreus 11:34)
Referência aos companheiros de Daniel em Daniel 3.
Portanto, negar Daniel é entrar em conflito com Ezequiel, com o testemunho geral das Escrituras e com o próprio Senhor Jesus Cristo.
A verdadeira questão talvez não seja histórica, mas espiritual: se Daniel existiu, então suas profecias precisam ser levadas a sério. E isso incomoda muitos, porque Daniel fala do governo soberano de Deus sobre os reinos humanos (Daniel 2:21), do juízo futuro e da vinda do Messias (Daniel 9:24-27).
Daniel existiu, sim. E mais importante: o Deus de Daniel continua vivo.