Alguém que me escreveu no YouTube:
Muito boa a exposição acerca das sete dispensações. Não obstante, pode ser que eu esteja errado, mas se o teste é para a humanidade, as dispensações da quarta até à quinta dispensação não podem ter um caráter universal, mas nacional, a saber, elas estão restritas ao povo judeu. Se não, vejamos: A quarta dispensação, ESCRAVIDÃO NO EGITO; a quinta dispensação, PERDA DA NACIONALIDADE. A sexta dispensação, apesar de ter o seu caráter universal, não tem a ver com a igreja que é constituída de bilhões que serão arrebatados. O que acha?
Minha Resposta:
A sua observação é interessante, e mostra atenção cuidadosa ao assunto. Penso, porém, que aqui precisamos distinguir entre o palco onde Deus atua e o princípio moral que Ele está testando.
Quando falamos em dispensações, não estamos dizendo necessariamente que cada evento histórico envolva literalmente todos os povos da terra ao mesmo tempo, mas que Deus está testando o homem segundo uma responsabilidade específica revelada naquela etapa da história.
Por exemplo:
A dispensação da consciência (após a queda) teve caráter universal, porque toda a humanidade descendia de Adão.
A dispensação do governo humano (após o dilúvio) igualmente teve caráter universal, porque toda a humanidade descendia de Noé.
Mas quando Deus chama Abraão em Gênesis 12, há uma mudança importante. Deus passa a tratar de forma especial com uma nação específica, Israel. Isso não significa que o restante da humanidade deixou de existir ou deixou de estar moralmente responsável diante de Deus. Significa apenas que Deus escolheu Israel como povo-testemunha.
Romanos 3:19 diz:
“Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz.”
Ou seja, a Lei mosaica foi dada especificamente a Israel.
Mas Romanos 2:12 mostra:
“Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão.”
Isto mostra que os gentios não estavam fora da responsabilidade divina. Apenas não estavam sendo testados sob a mesma administração.
Então o caráter nacional e o caráter representativo podem coexistir.
Israel funcionava como uma vitrine moral da humanidade.
Em Deuteronômio 4:6-8, Deus mostra que as nações observariam Israel e aprenderiam com aquilo.
Assim, embora a administração fosse nacional, a lição moral era universal.
Quanto à sua observação sobre a escravidão no Egito e a perda da nacionalidade, eu faria apenas uma ressalva: tecnicamente, esses acontecimentos são eventos históricos dentro de dispensações maiores, e não necessariamente dispensações em si.
Por exemplo:
A escravidão no Egito pertence ao período da promessa.
A perda da nacionalidade (cativeiro) pertence ao fracasso de Israel sob a lei.
O teste não era “ser escravo” ou “perder a nacionalidade”, mas como o homem responderia à revelação recebida.
Sobre a presente dispensação:
Concordo parcialmente com a sua observação.
A dispensação da graça tem alcance universal porque o evangelho é proclamado a toda criatura:
Marcos 16:15:
“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”
Mas nem toda a humanidade fará parte da Igreja, que é o Corpo de Cristo.
A Igreja é um povo chamado para fora dentre judeus e gentios:
Atos 15:14:
“Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome.”
Então a dispensação atual não se limita à Igreja, embora a Igreja seja a principal obra celestial deste período.
O mundo inteiro está sendo testado quanto à sua resposta ao evangelho, mas apenas os salvos compõem a Igreja.
Em resumo:
- Nem toda dispensação precisa envolver todos os povos da mesma forma administrativa.
- Algumas têm administração nacional (Israel).
- Mas o princípio moral pode continuar universal.
- Israel muitas vezes representa a humanidade em miniatura.
- A presente dispensação alcança universalmente pela pregação do evangelho, embora a Igreja seja um corpo específico dentro dela.
Portanto, a sua observação ajuda a refinar a linguagem, mas não necessariamente invalida a estrutura dispensacional; apenas exige distinguir entre administração histórica e responsabilidade moral diante de Deus.