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A assembleia que se desviar da doutrina é disciplinada pelas demais?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A assembleia que se desviar da doutrina é disciplinada pelas demais? Havendo correção, essa assembleia volta à comunhão com as demais? Assim como um crente que pecou e se arrependeu, ou é mais difícil?

Minha Resposta:

Essa é uma excelente pergunta, porque trata da responsabilidade coletiva de uma assembleia local diante do Senhor e da comunhão prática entre as assembleias.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que, segundo o Novo Testamento, cada igreja local é diretamente responsável diante do Senhor Jesus Cristo. Ele é o Cabeça da Igreja (Efésios 5:23), e é Ele quem anda no meio dos candeeiros, examinando e julgando o estado espiritual de cada assembleia (Apocalipse 2 e 3). Portanto, nenhuma assembleia possui autoridade hierárquica sobre outra.

Ao mesmo tempo, as assembleias não são independentes umas das outras no sentido de poderem ensinar ou praticar qualquer coisa sem consequências. Elas vivem em comunhão prática, reconhecendo a mesma doutrina dos apóstolos, a mesma disciplina e o mesmo Senhor. Foi exatamente esse princípio que levou as igrejas a reconhecerem as decisões tomadas em Jerusalém, conforme Atos 15, preservando a unidade da doutrina e da comunhão.

Quando uma assembleia abandona deliberadamente a sã doutrina ou se recusa a julgar o pecado conhecido em seu meio, as demais assembleias podem interromper a comunhão prática com ela. Isso não significa que estejam "disciplinando" aquela assembleia como uma autoridade superior, mas que estão reconhecendo que já não podem andar juntas enquanto permanecer o erro. A base da comunhão é a verdade. A Palavra de Deus diz: "Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" (Amós 3:3).

Se houver arrependimento verdadeiro, abandono do erro e retorno à doutrina dos apóstolos, não existe razão bíblica para manter a separação. Assim como um crente disciplinado que demonstra arrependimento deve ser restaurado (2 Coríntios 2:6-8), também uma assembleia que reconhece seu erro e volta ao ensino bíblico deve ser novamente recebida em comunhão.

É claro que, na prática, restaurar uma assembleia pode exigir mais tempo do que restaurar um indivíduo. Isso porque normalmente o problema envolve várias pessoas, liderança, ensino público e, muitas vezes, erros que se espalharam durante anos. As demais assembleias precisam verificar cuidadosamente se houve uma mudança real e permanente, e não apenas uma declaração verbal.

O objetivo nunca é punir, mas restaurar. O Senhor deseja que Seu povo permaneça na verdade, na santidade e na comunhão. Gálatas 6:1 ensina o espírito com que toda restauração deve ser feita: "Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão."

Portanto, a resposta é: sim. Havendo arrependimento genuíno, correção do erro e retorno à doutrina bíblica, a comunhão pode e deve ser restaurada. A disciplina bíblica nunca tem como finalidade excluir para sempre, mas produzir arrependimento, restauração e a glória do Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

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