Áudios

Pesquisar este blog

O diabo é inocente e merece ir para o céu?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Isaías 45:7 diz: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.”

Diante desse versículo, alguém concluiu: o diabo é inocente e merece ir para o céu?

Minha Resposta:

A conclusão de que o diabo seria inocente não está de acordo com o ensino geral das Escrituras. Para compreender Isaías 45:7 é necessário considerar o significado da palavra “mal” nesse contexto e também o que a Bíblia ensina sobre a origem do pecado e o destino de Satanás.

Primeiro, em Isaías 45:7 o “mal” não significa pecado moral. A palavra hebraica usada nesse versículo é frequentemente empregada no Antigo Testamento para descrever calamidade, juízo ou adversidade. O sentido do texto é que Deus é soberano sobre todas as coisas e pode trazer tanto prosperidade quanto juízo sobre as nações. Um exemplo semelhante aparece em Amós 3:6: “Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?” Nesse caso também se refere a juízo ou calamidade, não ao pecado moral.

A Bíblia ensina claramente que o pecado não procede de Deus. Em Tiago 1:13 lemos: “Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.” Deus é absolutamente santo e não é o autor do pecado. O mal moral surgiu por meio da rebelião de criaturas que foram criadas boas.

Sobre Satanás, as Escrituras mostram que ele foi criado por Deus, mas caiu por causa do orgulho e da rebelião. Em Ezequiel 28:15 está escrito: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti.” Esse texto revela que a iniquidade surgiu nele; não foi criada por Deus.

O mesmo princípio aparece em Isaías 14:12-15, onde se descreve a queda daquele que disse em seu coração: “Subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono.” Essa ambição orgulhosa foi a raiz da sua queda.

Além disso, o Novo Testamento declara que Satanás é o adversário de Deus e o enganador da humanidade. Em João 8:44 o Senhor Jesus disse que ele “foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade”. Em Apocalipse 12:9 ele é chamado “o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo”.

Quanto ao seu destino, a Bíblia é igualmente clara. Em Apocalipse 20:10 lemos: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre.” Portanto, longe de ser inocente ou merecedor do céu, ele é apresentado como um ser rebelde que será julgado definitivamente por Deus.

Assim, Isaías 45:7 não ensina que Deus cria o pecado nem que o diabo é inocente. O versículo afirma a soberania de Deus sobre a história e sobre os acontecimentos do mundo, inclusive sobre os juízos que Ele traz às nações. O pecado, porém, entrou no universo por meio da rebelião de criaturas responsáveis por suas próprias escolhas.

A Bíblia mantém duas verdades ao mesmo tempo: Deus é absolutamente soberano e santo, e as criaturas que se rebelaram contra Ele são responsáveis pelo mal que praticam.

Josué Matos