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Tanto o homem quanto a mulher salvos podem anunciar o Evangelho sem precisar de autorização da assembleia local para testemunhar de Cristo.?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Tanto o homem quanto a mulher salvos podem anunciar o Evangelho sem precisar de autorização da assembleia local para testemunhar de Cristo. O IDE é uma responsabilidade individual, mas não anula a coletiva. Para pregar o Evangelho, o cristão não precisa de autorização da assembleia, se Cristo já deu essa autorização.

Minha Resposta:

Agradeço pelo comentário. Concordo que todo aquele que foi salvo pela graça de Deus tem a responsabilidade de testemunhar de Cristo e anunciar o Evangelho. Entretanto, considero importante fazermos algumas distinções bíblicas para não confundirmos o testemunho individual do cristão com o exercício público de um ministério ou com uma obra evangelística realizada em nome de uma assembleia local.

O problema não está em reconhecer a responsabilidade individual de evangelizar, mas em compreender que a autoridade recebida de Cristo não elimina os princípios que o próprio Cristo estabeleceu para o funcionamento da Sua Igreja.

1. Todo salvo é chamado a testemunhar de Cristo

O Senhor Jesus disse aos Seus discípulos:

"Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra" (Atos dos Apóstolos 1:8).

Embora essas palavras tenham sido dirigidas inicialmente aos apóstolos, o livro de Atos demonstra que a divulgação do Evangelho não ficou limitada a eles.

Em Atos dos Apóstolos 8:1-4, encontramos um exemplo muito esclarecedor. Após a perseguição que se levantou contra a igreja em Jerusalém, os crentes foram dispersos por diversas regiões, enquanto os apóstolos permaneceram em Jerusalém.

O versículo 4 declara:

"Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra."

Observe que não eram apenas os apóstolos que anunciavam a Palavra. Aqueles crentes, mesmo dispersos pela perseguição, continuaram testemunhando de Cristo.

Não encontramos qualquer indicação de que precisassem solicitar uma autorização formal da assembleia em Jerusalém para falar do Salvador às pessoas que encontravam pelo caminho.

Portanto, um cristão não precisa pedir autorização aos anciãos para conversar com um vizinho sobre a salvação, entregar um folheto evangelístico, anunciar Cristo a um colega de trabalho ou compartilhar o Evangelho com familiares e conhecidos.

A responsabilidade de testemunhar decorre da sua relação pessoal com o Senhor Jesus Cristo.

2. A mulher salva também pode anunciar o Evangelho

Neste ponto, também precisamos distinguir o testemunho pessoal da atuação pública nas reuniões da igreja.

A Bíblia apresenta mulheres que testemunharam de Cristo e foram instrumentos para que outras pessoas ouvissem a verdade.

Em João 4:28-30, encontramos a mulher samaritana, que, depois do seu encontro com o Senhor Jesus, deixou o cântaro, foi à cidade e falou aos homens sobre Aquele que havia conhecido.

O resultado aparece em João 4:39:

"E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher."

Temos também o exemplo de Priscila, que, juntamente com Áquila, ajudou Apolo a compreender mais exatamente o caminho de Deus (Atos dos Apóstolos 18:24-26).

Em Filipenses 4:3, Paulo menciona mulheres que trabalharam com ele no Evangelho.

Essas passagens demonstram que a mulher cristã não está impedida de testemunhar de Cristo, anunciar a salvação ou cooperar na divulgação da verdade.

Entretanto, isso não significa que desapareçam as distinções estabelecidas por Deus quanto às responsabilidades do homem e da mulher na igreja local.

Em 1 Coríntios 14:34-35 e 1 Timóteo 2:11-12, encontramos instruções específicas relacionadas à participação feminina no ensino e nas reuniões da assembleia.

Essas passagens não proíbem a mulher de falar de Cristo a uma pessoa não salva, mas estabelecem limites quanto ao exercício de ensino e autoridade no contexto da igreja.

Assim, precisamos preservar ambas as verdades, sem utilizar uma para anular a outra.

3. Existe diferença entre testemunhar individualmente e representar uma assembleia

Aqui chegamos ao ponto que considero fundamental nesta questão.

Uma coisa é um cristão anunciar o Evangelho por sua responsabilidade pessoal diante do Senhor. Outra coisa é alguém assumir uma obra pública, apresentar-se como representante de determinada assembleia ou desenvolver um ministério em nome dela.

No primeiro caso, não encontramos nas Escrituras a exigência de uma autorização formal da igreja local para cada oportunidade de testemunho.

No segundo caso, porém, entram em consideração a comunhão, a responsabilidade coletiva, a ordem e o reconhecimento daqueles que exercem responsabilidades espirituais na assembleia.

Em Atos dos Apóstolos 13:1-3, encontramos um exemplo importante.

O Espírito Santo disse:

"Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado."

Observe que a chamada partiu do Espírito Santo, não da assembleia. Entretanto, os crentes em Antioquia, depois de jejuarem e orarem, impuseram-lhes as mãos e os despediram.

A assembleia não criou a chamada daqueles servos, mas reconheceu a obra para a qual o Espírito Santo os havia separado e expressou a sua comunhão com eles.

Isso demonstra que a direção divina e a comunhão da assembleia não são princípios contraditórios.

Em Atos dos Apóstolos 14:26-27, quando Paulo e Barnabé regressaram, reuniram a igreja e relataram tudo quanto Deus havia feito por meio deles.

Havia, portanto, um relacionamento de comunhão e responsabilidade entre aqueles servos e a assembleia da qual haviam partido.

É importante acrescentar que esse exemplo não estabelece a necessidade de uma autorização eclesiástica para todo testemunho pessoal, mas demonstra a importância da comunhão coletiva numa obra missionária reconhecida pela igreja.

4. A autoridade de Cristo não deve ser usada para desprezar a ordem estabelecida por Ele

A afirmação de que Cristo já autorizou os Seus servos a anunciar o Evangelho é verdadeira. Entretanto, precisamos ter cuidado para não transformar essa verdade num argumento que dispense qualquer responsabilidade perante a igreja local.

O mesmo Senhor que ordenou a divulgação do Evangelho também estabeleceu princípios para a vida coletiva dos salvos.

Em 1 Coríntios 14:40, lemos:

"Mas faça-se tudo decentemente e com ordem."

Em 1 Tessalonicenses 5:12-13, Paulo ensina os crentes a reconhecerem aqueles que trabalham entre eles e os presidem no Senhor.

Em Hebreus 13:17, encontramos a responsabilidade de considerar aqueles que velam pelas almas dos crentes.

Isso não significa que os anciãos tenham autoridade para impedir arbitrariamente um salvo de testemunhar de Cristo. A autoridade espiritual nunca deve ser confundida com domínio sobre a consciência dos demais crentes.

O próprio apóstolo Pedro advertiu os anciãos para que não exercessem domínio sobre a herança de Deus, mas servissem de exemplo ao rebanho (1 Pedro 5:2-3).

Entretanto, também não seria correto alguém utilizar a sua liberdade individual para agir de maneira independente, desprezando deliberadamente a comunhão, a orientação e a responsabilidade da assembleia à qual pertence.

A liberdade cristã não deve produzir independência espiritual.

5. O testemunho individual e a responsabilidade coletiva devem caminhar juntos

O Novo Testamento apresenta tanto a responsabilidade pessoal como a participação coletiva na divulgação do Evangelho.

Em Filipenses 1:5, Paulo agradece a Deus pela cooperação dos filipenses no Evangelho desde o primeiro dia.

Em Filipenses 1:27, ele deseja que os crentes permaneçam firmes num mesmo espírito, combatendo juntamente pela fé do Evangelho.

Por outro lado, em 1 Pedro 3:15, encontramos uma responsabilidade que pertence individualmente a cada cristão:

"Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós."

Portanto, não devemos colocar essas duas responsabilidades em oposição.

O cristão pode e deve testemunhar pessoalmente de Cristo, mas também deve valorizar a comunhão e a participação na obra coletiva da assembleia.

Conclusão

Concordo com a essência do comentário: nenhum cristão precisa receber uma autorização humana para cumprir a sua responsabilidade pessoal de testemunhar do Senhor Jesus Cristo. Essa responsabilidade pertence tanto ao homem quanto à mulher que foram salvos.

Contudo, precisamos acrescentar que o testemunho pessoal, o exercício de um ministério público e a representação de uma assembleia local não são exatamente a mesma coisa.

A ordem do Senhor Jesus para anunciar o Evangelho não elimina as demais instruções que Ele nos deixou por intermédio dos apóstolos.

Não devemos criar exigências que as Escrituras não estabelecem, mas também não devemos utilizar uma verdade bíblica para desconsiderar outra.

O equilíbrio está em reconhecer que todo salvo pertence a Cristo e deve testemunhar dEle, mas também faz parte de uma comunhão espiritual na qual existem responsabilidades coletivas, ordem e submissão à Palavra de Deus.

Afinal, não pregamos para afirmar a nossa independência, nem para promover uma assembleia, mas para tornar conhecido o Senhor Jesus Cristo, que morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1 Coríntios 15:3-4).

Que tanto o nosso testemunho individual como o trabalho coletivo da igreja tenham sempre um único propósito: a glória de Deus e a salvação das almas.

Josué Matos

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