Alguém que me escreveu no YouTube:
Não existe essa famigerada salvação.
O que existe é o tempo, que já chegou, de se libertar de toda essa parafernália religiosa.
Minha Resposta:
Agradeço por deixar seu comentário e expressar sua opinião. Gostaria, porém, de convidá-lo a considerar algumas questões à luz das Escrituras, especialmente porque o vídeo que motivou seu comentário trata da: "A Salvação de Deus não é comprada, nem merecida?".
Primeiramente, permita-me concordar com uma parte de sua afirmação: o ser humano realmente precisa ser liberto de muitas coisas que a religião produziu ao longo dos séculos. Há sistemas religiosos que escravizam as pessoas pelo medo, pela superstição, por tradições humanas e até pela exploração financeira. Entretanto, seria um grande equívoco confundir essas práticas com a salvação apresentada nas Escrituras.
O Evangelho não anuncia que o homem precisa aderir a uma organização religiosa para conquistar o favor de Deus. Pelo contrário, anuncia que Deus veio ao encontro do homem na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, oferecendo gratuitamente aquilo que nenhum esforço humano poderia alcançar.
Em Efésios 2:8-9, lemos:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie."
Observe que a salvação bíblica não é uma recompensa por frequentar uma igreja, cumprir determinados rituais, praticar boas obras ou acumular méritos espirituais. Ela é um presente de Deus, recebido mediante a fé em Jesus Cristo.
Mas, afinal, de que precisamos ser salvos?
Essa talvez seja a questão mais importante.
A Bíblia ensina que o maior problema da humanidade não é simplesmente a ignorância espiritual, a falta de evolução moral ou a ausência de uma religião adequada. O problema fundamental é o pecado, que separa o ser humano de Deus.
"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." (Romanos 3:23).
O pecado não se limita aos grandes crimes ou às atitudes que a sociedade considera moralmente condenáveis. Ele envolve nossa própria natureza caída, nossos pensamentos, intenções e atitudes diante de um Deus perfeitamente santo.
E o resultado do pecado é apresentado em Romanos 6:23:
"Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor."
Portanto, quando a Bíblia fala em salvação, não está oferecendo uma fantasia religiosa para tranquilizar pessoas diante da morte. Está anunciando a resposta de Deus para a condição espiritual do homem.
E quanto à reencarnação?
Como seu comentário foi feito em um vídeo sobre esse assunto, considero importante esclarecer uma diferença fundamental entre a reencarnação e o Evangelho.
A doutrina da reencarnação, presente em diferentes tradições espiritualistas, ensina, de modo geral, que o espírito passa por sucessivas existências corporais, nas quais teria oportunidades de aprendizado, reparação e aperfeiçoamento.
Entretanto, esse não é o ensino das Escrituras.
Em Hebreus 9:27, encontramos uma declaração muito clara:
"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo."
A Bíblia não apresenta a existência humana como uma sucessão de vidas nas quais o indivíduo retorna à Terra para corrigir os erros anteriores. Ela ensina que temos uma existência terrena, seguida da morte e do juízo divino.
É interessante observar que o versículo seguinte apresenta justamente a solução de Deus:
"Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." (Hebreus 9:28).
A diferença é extraordinária!
Na reencarnação, conforme a concepção espiritualista, o aperfeiçoamento depende de sucessivas experiências e do progresso do próprio espírito. No Evangelho, a salvação depende da obra perfeita e consumada de Jesus Cristo.
Não precisamos retornar inúmeras vezes à Terra para tentar pagar uma dívida espiritual. Cristo veio uma vez, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou, realizando uma obra que jamais poderíamos realizar por nós mesmos.
Quando estava na cruz, o Senhor Jesus declarou:
"Está consumado." (João 19:30).
Ele não disse que havia apenas iniciado um processo de salvação que cada pessoa deveria completar ao longo de muitas existências. Sua obra redentora foi plenamente realizada.
A verdadeira libertação não consiste em rejeitar Deus
Você mencionou que chegou o tempo de se libertar de toda essa parafernália religiosa. Gostaria de chamar sua atenção para algo que o próprio Senhor Jesus declarou:
"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32).
Pouco depois, Ele acrescentou:
"Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." (João 8:36).
A liberdade anunciada por Cristo é muito mais profunda do que abandonar uma instituição religiosa ou deixar de acreditar em determinados ensinamentos humanos. É a libertação da condenação do pecado e a reconciliação com Deus.
Aliás, o próprio Senhor Jesus fez severas críticas à religiosidade hipócrita de Sua época. No capítulo 23 do Evangelho segundo Mateus, denunciou aqueles que impunham pesados fardos sobre as pessoas, enquanto negligenciavam aquilo que verdadeiramente importava diante de Deus.
Cristo não veio estabelecer mais um sistema de escravidão religiosa. Ele veio salvar pecadores.
Deus não deseja sua condenação
Há algo particularmente belo na mensagem do Evangelho: Deus não tem prazer na perdição do ser humano.
O Senhor Jesus declarou:
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16).
Veja que a iniciativa partiu de Deus. Não foi o homem que encontrou um caminho para chegar ao Céu; foi Deus quem enviou Seu Filho para abrir esse caminho.
E por que Cristo precisou morrer?
Porque Deus é amor, mas também é santo e justo. Ele não poderia simplesmente tratar o pecado como algo sem importância. Na cruz, porém, o Senhor Jesus assumiu voluntariamente o lugar do pecador, sofrendo pelos nossos pecados.
"Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus." (1 Pedro 3:18).
Observe a finalidade de Sua morte: levar-nos a Deus.
Essa é a essência da salvação bíblica.
Não se trata de evolução espiritual, aperfeiçoamento por sucessivas existências ou conquista de méritos religiosos. Trata-se de um Salvador que morreu pelos culpados para que estes pudessem receber gratuitamente o perdão e a vida eterna.
Uma última consideração
Você tem toda a liberdade de rejeitar a religião, discordar de minhas palavras e até considerar desnecessária a salvação. Entretanto, gostaria de convidá-lo a não rejeitar a Pessoa de Jesus Cristo simplesmente por causa daquilo que determinados sistemas religiosos fizeram em Seu nome.
Examine os Evangelhos. Considere Suas palavras, Sua vida, Sua morte e Sua ressurreição.
O Senhor Jesus não apresentou a salvação como uma possibilidade distante, a ser alcançada depois de incontáveis existências. Ele ofereceu vida eterna para o presente.
Em João 5:24, declarou:
"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida."
Observe os tempos verbais: tem a vida eterna; passou da morte para a vida. Não é uma promessa condicionada a futuras reencarnações, mas uma realidade presente para aquele que crê.
O apóstolo Paulo também escreveu:
"Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação." (2 Coríntios 6:2).
Portanto, se existe um tempo que verdadeiramente chegou, é o tempo de considerar seriamente a mensagem de Deus e a salvação que Ele oferece por meio de Seu Filho.
Não estou convidando você a trocar uma religião por outra, nem a aceitar cegamente tradições humanas. Meu convite é que examine pessoalmente as Escrituras e considere a maior pergunta que alguém pode fazer nesta vida: qual é a minha situação diante de Deus e o que acontecerá comigo depois da morte?
A resposta do Evangelho não está em uma religião, mas em uma Pessoa:
"E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." (Atos 4:12).
Esse nome é Jesus Cristo.
Que você possa conhecer não apenas o que os homens dizem a respeito de Deus, mas aquilo que Deus revelou a respeito de Seu Filho e da salvação eterna que, por Sua graça, oferece a todos os que nele creem.
Josué Matos
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