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No caso de um irmão reunido ao nome do Senhor ser divorciado, ele não pode participar da Ceia. Correto?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Boa tarde, irmão.

No caso de um irmão reunido ao nome do Senhor ser divorciado, ele não pode participar da Ceia. Correto? Por causa do testemunho dele perante a igreja ou do testemunho da própria igreja? Ele participará das Bodas do Cordeiro?!

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito importante, pois envolve três assuntos que precisamos distinguir cuidadosamente à luz das Escrituras: o divórcio, a comunhão na igreja local e a posição eterna de uma pessoa verdadeiramente salva.

Primeiramente, precisamos esclarecer que o simples fato de uma pessoa ser divorciada não significa, automaticamente, que ela esteja impedida de participar da Ceia do Senhor. É necessário conhecer as circunstâncias do divórcio e, principalmente, sua situação matrimonial atual.

1. O divórcio e a participação na Ceia do Senhor

O Senhor Jesus estabeleceu claramente o princípio divino para o casamento:

"Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem" (Mateus 19:6).

O casamento, segundo o propósito original de Deus, é uma união permanente entre um homem e uma mulher, sendo desfeita pela morte de um dos cônjuges (Romanos 7:2-3; 1 Coríntios 7:39).

Entretanto, precisamos distinguir duas situações.

Uma pessoa pode estar divorciada, vivendo sozinha, sem ter contraído uma nova união. Talvez tenha sido abandonada pelo cônjuge, ou o divórcio tenha ocorrido contra a sua vontade. Não seria correto considerar essa pessoa culpada simplesmente por possuir um documento civil de divórcio.

Em 1 Coríntios 7:10-11, o apóstolo Paulo apresenta a orientação para os casados:

"Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher."

Observe que a Palavra de Deus reconhece a possibilidade de uma separação, embora não a apresente como o ideal divino. A orientação é permanecer sem casar ou buscar a reconciliação.

Portanto, uma pessoa divorciada que permanece sem contrair outra união não deve ser automaticamente excluída da comunhão da igreja.

Outra situação, porém, é quando alguém se divorcia e contrai um novo casamento enquanto o primeiro cônjuge ainda vive.

Em Marcos 10:11-12, o Senhor Jesus declara:

"Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera."

Considerando o princípio da permanência do vínculo matrimonial enquanto ambos vivem, uma nova união nessas circunstâncias constitui uma situação moral que não pode ser ignorada pela igreja local.

Nesse caso, não estamos tratando simplesmente de alguém que passou pela dolorosa experiência de um divórcio, mas de uma situação matrimonial contrária ao ensino das Escrituras.

2. A questão do testemunho da igreja local

Sua observação sobre o testemunho é muito pertinente.

A igreja local é apresentada em 1 Timóteo 3:15 como a casa de Deus, a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.

Isso significa que ela possui a responsabilidade de preservar, na prática, aquilo que ensina doutrinariamente.

Em 1 Coríntios 5, encontramos um caso de imoralidade que estava sendo tolerado pela igreja em Corinto. O apóstolo Paulo repreendeu a congregação porque ela não havia tomado as medidas necessárias diante daquela situação.

No versículo 6, ele escreveu:

"Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?"

O princípio é que o pecado moral conhecido e tolerado compromete o testemunho coletivo da igreja.

Portanto, quando uma pessoa vive numa situação moral contrária às Escrituras, sua participação na comunhão não envolve apenas o testemunho individual, mas também a responsabilidade da igreja que a recebe.

Isso não significa que os demais crentes sejam superiores ou que não tenham pecados. Todos dependemos diariamente da graça de Deus. Entretanto, existe uma diferença entre as falhas pelas quais o crente se humilha diante do Senhor e uma condição de pecado conhecida que ele pretende continuar mantendo.

A disciplina bíblica não tem como finalidade humilhar, desprezar ou destruir alguém, mas preservar a santidade da casa de Deus e procurar a restauração espiritual da pessoa envolvida.

3. A Ceia do Senhor e as Bodas do Cordeiro são a mesma coisa?

Aqui chegamos à parte principal da sua pergunta.

Não devemos confundir a participação na Ceia do Senhor com a participação nas Bodas do Cordeiro.

A Ceia do Senhor é uma reunião da igreja local, realizada enquanto estamos neste mundo, na qual os crentes recordam a morte do Senhor Jesus, conforme encontramos em 1 Coríntios 11:23-26.

A participação nessa comunhão está sujeita à responsabilidade individual e à ordem estabelecida por Deus para a igreja local.

Já as Bodas do Cordeiro, mencionadas em Apocalipse 19:7-9, estão relacionadas à união gloriosa de Cristo com a Sua Igreja.

A Igreja, apresentada como a esposa do Cordeiro, é composta por todos os verdadeiros salvos desta presente dispensação, desde o dia de Pentecostes até o arrebatamento.

Portanto, a pergunta fundamental não é se aquela pessoa estava participando da Ceia do Senhor quando deixou este mundo, mas se ela realmente pertence a Cristo.

4. Uma pessoa afastada da comunhão pode participar das Bodas do Cordeiro?

Sim, se ela for verdadeiramente salva.

Precisamos distinguir a comunhão eclesiástica da salvação eterna.

Uma igreja local possui a responsabilidade de reconhecer ou interromper a comunhão de alguém, conforme os princípios estabelecidos nas Escrituras. Entretanto, ela não possui autoridade para conceder ou retirar a vida eterna.

A salvação não é concedida pela igreja local, tampouco é mantida pela participação na Ceia do Senhor.

Em João 10:27-28, o Senhor Jesus declarou:

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão."

Observe também o ensino de 1 Coríntios 5:5. Ao tratar daquele homem que deveria ser afastado da comunhão devido à sua imoralidade, Paulo menciona como objetivo final da disciplina:

"Para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus."

Isso demonstra que a disciplina exercida pela igreja local não deve ser confundida com a condenação eterna de uma pessoa.

Aliás, em 2 Coríntios 2:6-8, encontramos a orientação apostólica para que um homem disciplinado, que havia demonstrado arrependimento, fosse perdoado, consolado e novamente cercado de amor.

A disciplina deve ter sempre um propósito restaurador.

Entretanto, precisamos acrescentar uma observação importante: a segurança eterna do verdadeiro salvo não deve ser utilizada como justificativa para permanecer deliberadamente no pecado.

Romanos 6:1-2 apresenta uma pergunta muito apropriada:

"Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum!"

Se alguém afirma pertencer a Cristo, mas insiste em viver numa condição contrária à Sua Palavra, essa pessoa precisa examinar seriamente sua profissão de fé.

Não cabe a nós determinar definitivamente a condição eterna de alguém, pois o Senhor conhece os que são Seus (2 Timóteo 2:19).

5. E quanto ao Tribunal de Cristo?

Existe ainda outro aspecto importante.

Embora a salvação eterna do verdadeiro crente esteja assegurada pela obra consumada de Cristo, sua vida e suas obras serão avaliadas diante do Tribunal de Cristo.

Em 2 Coríntios 5:10, lemos:

"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal."

Da mesma forma, 1 Coríntios 3:12-15 ensina que a obra de cada um será provada, podendo resultar em recompensa ou perda.

O versículo 15 declara:

"Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo."

Portanto, não devemos confundir a perda da comunhão na igreja local, a perda de recompensa diante do Tribunal de Cristo e a perda da salvação eterna. São questões distintas.

Conclusão

Respondendo diretamente às suas perguntas:

Uma pessoa divorciada não está automaticamente impedida de participar da Ceia do Senhor. É necessário considerar as circunstâncias do divórcio, sua condição matrimonial atual e sua conduta diante da Palavra de Deus.

Se estiver vivendo numa situação moral contrária às Escrituras, a igreja local tem a responsabilidade de tratar o assunto, não apenas por causa do testemunho individual daquela pessoa, mas também para preservar a santidade e o testemunho coletivo da congregação.

Quanto às Bodas do Cordeiro, se essa pessoa é verdadeiramente salva, pertence ao Corpo de Cristo e estará com o Senhor, mesmo que, por razões disciplinares, tenha sido afastada da comunhão de uma igreja local.

A disciplina da igreja não desfaz a obra redentora de Cristo.

Contudo, jamais devemos transformar essa maravilhosa segurança em licença para desobedecer ao Senhor.

A graça que nos salva também nos ensina a viver de maneira santa, justa e piedosa neste presente século (Tito 2:11-12).

Que possamos manter essas duas verdades em perfeito equilíbrio: a santidade que Deus exige da Sua casa e a segurança eterna que Cristo assegurou àqueles que verdadeiramente Lhe pertencem.

Josué Matos

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