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Quando o anticristo se manifestar, fazendo sinais e prodígios de mentira sob a eficácia de Satanás, a esperança da Igreja vai continuar a estar no Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Pastor, pela última vez, quando o anticristo se manifestar, fazendo sinais e prodígios de mentira sob a eficácia de Satanás, a esperança da Igreja vai continuar a estar no Dia do Senhor, porque a Igreja não foi feita para a ira de Deus, que é quando Jesus vier em chama de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Este é que é o verdadeiro contexto. Acerca do arrebatamento, você dá uma importância ao anticristo que ele não tem, a ponto de dizer que a Igreja vai ser arrebatada ainda antes dessa figura aparecer. O arrebatamento é no Dia do Senhor. Essa é que é a esperança da Igreja para não passar pela ira de Deus.

Se a ira de Deus é no Dia do Senhor, por que a Igreja tem que ser arrebatada antes do homem do pecado aparecer? Você é que pensa que a ira de Deus começa quando esse homem aparecer.

Agora, pense o que você quiser. E está tudo dito da minha parte. Não respondo mais.

Resposta bíblica:

Mais uma vez, sua argumentação revela um problema que já procurei demonstrar nas respostas anteriores: você parte de uma conclusão previamente estabelecida, seleciona as passagens que aparentemente a favorecem e exige que todas as demais Escrituras sejam interpretadas de acordo com essa conclusão.

Isso não é uma exposição contextual das Escrituras. É uma leitura seletiva que desconsidera distinções fundamentais da revelação profética.

Também já esclareci anteriormente que não sou pastor. Entretanto, você continua utilizando esse título, o que demonstra, no mínimo, falta de atenção ao conteúdo das respostas que recebe. Se nem mesmo uma informação tão simples é considerada, torna-se difícil desenvolver uma discussão séria sobre assuntos que exigem leitura cuidadosa, comparação de textos e atenção aos detalhes.

Não pretendo repetir toda a exposição que já apresentei. Entretanto, sua última mensagem contém erros de interpretação que precisam ser identificados, especialmente porque você insiste em chamar sua conclusão de verdadeiro contexto bíblico.

1. O problema de interpretar uma passagem isoladamente

O apóstolo Pedro escreveu:

"Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação." (2 Pedro 1:20).

O contexto imediato trata da origem divina da profecia, conforme o versículo 21 esclarece. Portanto, Pedro não está simplesmente apresentando uma regra técnica de interpretação. Contudo, a própria origem divina das Escrituras exige que não tratemos uma passagem como se estivesse desligada das demais revelações dadas pelo mesmo Espírito Santo.

Uma interpretação profética precisa considerar o conjunto das Escrituras.

Você insiste em Segunda Tessalonicenses 2 como se esse capítulo, interpretado segundo sua compreensão particular, tivesse autoridade para anular tudo aquilo que o apóstolo Paulo já havia ensinado em Primeira Tessalonicenses 4 e 5.

Esse procedimento inverte a ordem natural da exposição bíblica.

Paulo não escreveu Segunda Tessalonicenses para contradizer sua primeira epístola. Escreveu para corrigir um equívoco que estava perturbando aqueles crentes.

2. Você continua confundindo a vinda de Cristo para os seus com sua manifestação em juízo

Em Primeira Tessalonicenses 4:13-18, Paulo apresenta uma revelação específica acerca dos santos que morreram em Cristo e daqueles que estiverem vivos por ocasião de sua vinda.

Observe os elementos da passagem:

  • O próprio Senhor descerá do céu.
  • Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.
  • Os crentes vivos serão arrebatados juntamente com eles.
  • Todos encontrarão o Senhor nos ares.
  • Estarão para sempre com Ele.

O texto termina dizendo:

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras." (1 Tessalonicenses 4:18).

Onde está o anticristo nessa passagem? Onde Paulo determina que a Igreja precisa aguardar a manifestação do homem do pecado? Onde estabelece a Grande Tribulação como condição para o encontro dos santos com Cristo?

Em lugar nenhum.

Agora compare com Segunda Tessalonicenses 1:7-10. Ali encontramos o Senhor Jesus revelado do céu, com os anjos do seu poder, em chama de fogo, exercendo vingança sobre aqueles que não conhecem a Deus e não obedecem ao evangelho.

O caráter dos acontecimentos é diferente.

Em uma passagem, os santos são arrebatados para encontrar Cristo nos ares. Na outra, Cristo é manifestado em julgamento.

A interpretação pré-tribulacionista distingue esses acontecimentos, compreendendo-os como fases da segunda vinda de Cristo. Não se trata de duas pessoas ou de dois salvadores, mas de aspectos distintos do cumprimento de sua promessa.

Você simplesmente reúne essas passagens, ignora suas diferenças e declara que tudo precisa acontecer no mesmo momento.

Entretanto, afirmar repetidamente uma conclusão não equivale a demonstrá-la exegeticamente.

3. Segunda Tessalonicenses 2 não ensina aquilo que você está tentando impor ao texto

Paulo começa o capítulo dizendo:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele." (2 Tessalonicenses 2:1).

Em seguida, no versículo 2, explica que os tessalonicenses não deveriam ficar perturbados, como se o Dia do Senhor já tivesse chegado.

Aqui está uma distinção que você continuamente deixa de considerar.

Paulo menciona a vinda de Cristo e nossa reunião com Ele e, em seguida, trata do erro relacionado ao Dia do Senhor.

Os tessalonicenses estavam sendo perturbados por um falso ensinamento acerca desse Dia. Paulo demonstra que os acontecimentos proféticos que caracterizam aquele período não haviam ocorrido.

A manifestação do homem do pecado é apresentada no contexto dessa explicação.

O apóstolo não está ensinando que a Igreja deve aguardar o anticristo para, somente depois, começar a esperar por Cristo.

Pelo contrário, a esperança da Igreja já havia sido apresentada na primeira epístola.

É necessário ainda observar Segunda Tessalonicenses 2:6-8. Paulo declara que existe algo que detém a manifestação do iníquo, até que seja afastado do caminho aquilo que atualmente o restringe.

Na compreensão pré-tribulacionista, essa restrição está relacionada à presente atuação do Espírito Santo por meio da Igreja. Isso não significa que o Espírito Santo deixará de existir ou de operar na terra depois do arrebatamento, mas que sua presente atuação restritiva será retirada.

Somente então o iníquo será revelado.

Portanto, não é o anticristo que determina a esperança da Igreja. É o propósito soberano de Deus que determina o tempo da manifestação do anticristo.

Você está colocando a ordem dos acontecimentos de cabeça para baixo.

4. A ira de Deus não se limita à manifestação final de Cristo em chama de fogo

Este é outro erro fundamental da sua argumentação.

Você afirma que a ira de Deus ocorre quando Cristo vier em chama de fogo, como se a Escritura não apresentasse manifestações anteriores do juízo divino durante o período tribulacional.

Leia Apocalipse 6:15-17.

Depois da abertura do sexto selo, os reis da terra, os grandes, os ricos, os poderosos e os demais homens procuram esconder-se da presença daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro.

O versículo 17 declara:

"Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?"

Observe que ainda estamos no capítulo 6 de Apocalipse.

Os juízos das trombetas e das taças ainda serão apresentados nos capítulos seguintes.

Em Apocalipse 15:1, encontramos sete anjos com as últimas sete pragas, nas quais se consuma a ira de Deus.

Logo, sua afirmação de que a ira divina se restringe ao momento da manifestação gloriosa de Cristo não corresponde à sequência profética apresentada no livro de Apocalipse.

A manifestação final de Cristo em juízo não deve ser confundida com a totalidade do período em que Deus estará executando seus juízos sobre a terra.

Também não estou afirmando que a ira de Deus começa simplesmente no instante em que o homem do pecado aparece. Essa é uma conclusão que você atribui à minha posição, mas não representa o argumento que venho apresentando.

A questão é que a Igreja não foi destinada ao período da ira divina, e a revelação profética não limita essa ira ao último instante da Tribulação.

5. A promessa feita à Igreja é muito mais específica do que você admite

Em Primeira Tessalonicenses 5:9, Paulo declara:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."

Essa promessa precisa ser considerada juntamente com Primeira Tessalonicenses 1:10, onde lemos que aguardamos dos céus o Filho de Deus, Jesus, que nos livra da ira futura.

Observe também Apocalipse 3:10:

"Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra."

O Senhor não promete apenas preservar os seus durante uma determinada prova. A expressão utilizada é guardar da hora da provação.

Na interpretação pré-tribulacionista, isso aponta para a preservação da Igreja em relação ao próprio período de provação mundial.

Você pode discordar dessa interpretação, mas não pode simplesmente ignorar a passagem e continuar afirmando que sua leitura de Segunda Tessalonicenses 2 encerra toda a discussão.

É precisamente esse tipo de procedimento que impede uma compreensão equilibrada da profecia bíblica.

6. Você também precisa considerar a distinção entre Israel e a Igreja

Daniel 9:24 estabelece expressamente que as setenta semanas estão determinadas sobre o povo de Daniel e sobre sua santa cidade.

O povo de Daniel é Israel. Sua santa cidade é Jerusalém.

A septuagésima semana, apresentada em Daniel 9:27, pertence ao cumprimento desse programa profético.

Em Jeremias 30:7, encontramos a expressão "tempo de angústia para Jacó", seguida da promessa de que ele será livrado dela.

Jacó é uma designação relacionada a Israel, não um título profético da Igreja.

Isso não significa que somente judeus estarão presentes ou serão afetados pelos acontecimentos daquele período. Significa que a finalidade profética desse tempo não pode ser compreendida sem considerar os propósitos de Deus para Israel e para as nações.

A Igreja, por sua vez, é apresentada no Novo Testamento como o Corpo de Cristo, um mistério que não havia sido revelado às gerações anteriores da mesma maneira como foi manifestado aos apóstolos e profetas pelo Espírito (Efésios 3:3-6).

Misturar indiscriminadamente Israel e Igreja compromete a compreensão de toda a estrutura profética.

7. A esperança da Igreja é Cristo, não a manifestação do anticristo

Você afirma que estou dando importância excessiva ao anticristo por ensinar que a Igreja será arrebatada antes de sua manifestação.

O argumento é contraditório.

Quem está colocando o anticristo como referência necessária para o arrebatamento é você, ao insistir que sua manifestação precisa acontecer antes que a Igreja seja reunida ao Senhor.

Minha esperança não está no aparecimento do homem do pecado. Está na pessoa do Senhor Jesus Cristo.

Em Tito 2:13, Paulo escreve:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo."

Em Filipenses 3:20, declara que aguardamos dos céus o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

Em Primeira Tessalonicenses 1:10, a expectativa dos crentes é apresentada como aguardar dos céus o Filho de Deus.

Nenhuma dessas passagens apresenta o anticristo como objeto da esperança cristã.

É evidente que a Escritura revela acontecimentos que precedem a manifestação pública e gloriosa de Cristo. Entretanto, não se deve transformar os sinais relacionados ao Dia do Senhor em condições necessárias para que a Igreja possa esperar por seu Salvador.

Essa é justamente uma das distinções que você insiste em desconsiderar.

Considerações finais

Não considero necessário prolongar indefinidamente uma discussão na qual os mesmos argumentos são repetidos sem que as passagens apresentadas anteriormente sejam examinadas com a devida atenção.

Você encerrou mensagens anteriores afirmando que seriam suas últimas palavras e agora volta a fazer a mesma declaração. Naturalmente, tem toda a liberdade de escrever ou deixar de escrever. Entretanto, uma declaração de encerramento não transforma uma interpretação em verdade bíblica.

Também não é suficiente escrever "este é que é o verdadeiro contexto". É preciso demonstrá-lo mediante uma exposição coerente das Escrituras, respeitando o assunto, os destinatários, o propósito e a sequência de cada passagem.

A questão não é aquilo que eu penso ou aquilo que você pensa. A questão é aquilo que Deus revelou.

E, se realmente desejamos compreender sua Palavra, precisamos estar dispostos a permitir que uma passagem esclareça outra, em vez de obrigar toda a revelação bíblica a submeter-se à nossa interpretação preferida.

Recomendo que examine cuidadosamente Primeira Tessalonicenses 4 e 5, Segunda Tessalonicenses 1 e 2, Daniel 9, Jeremias 30 e Apocalipse 3 a 19, considerando suas distinções e sua relação com o conjunto da profecia bíblica.

A leitura de um capítulo isolado, acompanhada de repetidas afirmações de certeza, não substitui o estudo sério, exegético e contextual das Escrituras.

Convicção pessoal não é sinônimo de fidelidade ao texto bíblico.

Como está escrito:

"Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21).

Josué Matos

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