Alguém que me escreveu no YouTube:
Irmão, eu já sei o que você vai responder. É a mesma resposta do Mário Persona e de todos os darbystas. Se você fizer uma pesquisa rápida, vai ver que todos os que defendem a sua interpretação são exclusivistas. Sei que é difícil para você entender isso. Foi salvo e viveu a vida toda recebendo instruções de grandes servos de Deus, porém exclusivistas. Eu também bebi da mesma fonte que você. Sugiro que faça um bom curso sobre história da igreja. Vai entender que essa uniformidade de pensamento e liturgia de culto nunca existiu.
Os apóstolos ensinaram unidade; Darby ensinou uniformidade. As igrejas ‘Salão do Evangelho’ ou ‘Salão Evangélico’ surgiram no século XIX. O problema é que vocês não aceitam a história e ficam achando que são os únicos remanescentes dos apóstolos. Irmão, tome cuidado. Toda seita tem essa interpretação: separam-se de todos e se colocam na posição de únicos guardiões da verdade. É o mesmo que a Igreja Romana faz: todos os que não fazem parte dela são hereges e pagãos.
Desejo que você entenda isso. Não estou criticando a liturgia das igrejas do Sul, mas não compactuo com sua interpretação darbysta de Mateus 18:20.
Minha Resposta:
Você afirma que já sabe o que vou responder e, por isso, decidiu não ler a resposta que preparei. Nesse caso, chegamos a um problema muito simples: se você não está disposto a examinar a resposta, não existe propriamente um diálogo. Existe apenas a repetição da sua própria posição.
Também chama a minha interpretação de “darbysta”, “exclusivista” e chega a aproximá-la de uma seita. Entretanto, repetir esses rótulos não responde aos textos bíblicos apresentados.
E há algo curioso: você continua voltando ao meu canal para escrever longamente sobre o assunto. Se está tão seguro de que aquilo que defendo é apenas um erro histórico do século XIX, não vejo necessidade de tanta insistência. Você pode fazer exatamente aquilo que eu faço: crie um canal e exponha aquilo em que acredita; crie um site e publique seus estudos; produza materiais e aplicativos e disponibilize-os às pessoas. Quem desejar ouvir poderá ouvir, e quem desejar ler poderá ler. É assim que tenho trabalhado. Não preciso ir aos canais de quem pensa diferente para insistir repetidamente que aceite minha interpretação.
Quanto a Mateus 18:20, sua própria argumentação acaba confirmando uma parte importante daquilo que estou dizendo.
Sim, o contexto de Mateus 18:15-20 envolve disciplina. Nunca neguei isso. Mas observe cuidadosamente o desenvolvimento:
“Dize-o à igreja” (Mateus 18:17).
“Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu” (Mateus 18:18).
“Se dois de vós concordarem na terra” (Mateus 18:19).
“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).
Portanto, justamente porque o contexto é disciplina, Mateus 18:20 não pode ser reduzido simplesmente às duas ou três testemunhas de Mateus 18:16.
No versículo 16, os dois ou três estão relacionados ao estabelecimento do testemunho, conforme o princípio de Deuteronômio 19:15. Mas o assunto prossegue. Se o homem não os ouvir, o caso deve ser levado à igreja (Mateus 18:17). Depois disso, o Senhor fala da autoridade de ligar e desligar (Mateus 18:18), da concordância (Mateus 18:19) e, finalmente, da Sua presença no meio dos reunidos em Seu Nome (Mateus 18:20).
Primeira Coríntios 5:4 confirma precisamente esse princípio quando Paulo trata de disciplina na igreja de Corinto:
“Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo.”
Portanto, não precisamos de John Nelson Darby para estabelecer a ligação entre o Nome do Senhor, a reunião da igreja e o exercício da autoridade coletiva. Paulo já fazia essa ligação em Primeira Coríntios 5.
Você diz ainda que nenhuma epístola foi dirigida à “igreja que se reúne em Nome do Senhor Jesus”. Evidentemente, porque isso não é um título denominacional. Ninguém está propondo colocar numa placa: “Igreja que se reúne ao Nome do Senhor Jesus”.
As igrejas eram identificadas pelas localidades: “a igreja de Deus que está em Corinto” (Primeira Coríntios 1:2); “às igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2); “à igreja dos tessalonicenses” (Primeira Tessalonicenses 1:1). O Nome que deveria governar sua comunhão não era “Paulo”, “Apolo” ou “Cefas”, exatamente porque Paulo condenou esse espírito partidário em Primeira Coríntios 1:10-13.
Por isso, minha questão continua sendo bíblica, não histórica.
Você insiste que eu deveria estudar mais história da Igreja. História é útil, mas ela não possui autoridade para estabelecer a doutrina da igreja local. Minha fé e prática não podem ser determinadas pelo que aconteceu no século II, no século XVI, no século XIX ou no século XXI. A pergunta deve continuar sendo: “Que diz a Escritura?” (Romanos 4:3).
Aliás, permita-me uma comparação. Quem trabalha com identificação de dinheiro verdadeiro não precisa conhecer cada falsificação já produzida para reconhecer uma nota autêntica. As falsificações podem mudar constantemente; o padrão verdadeiro permanece o mesmo. Da mesma maneira, não preciso conhecer cada movimento, divisão ou sistema religioso que surgiu em dois mil anos para saber o padrão que encontro no Novo Testamento. Preciso conhecer bem o original.
Os crentes de Bereia foram elogiados não porque dominavam a história religiosa, mas porque “cada dia examinavam nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).
Por fim, o argumento de que determinadas igrejas estão envelhecendo, diminuindo ou perdendo jovens também não determina se uma doutrina é verdadeira ou falsa. Se números, crescimento e capacidade de atrair novas gerações fossem critérios para determinar a verdade, precisaríamos considerar corretos muitos movimentos religiosos que crescem extraordinariamente enquanto abandonam claramente princípios das Escrituras.
A verdade não é decidida por maioria, juventude, modernidade ou popularidade.
Quando muitos discípulos abandonaram o Senhor Jesus, Ele não modificou Sua mensagem para tornar-se mais atraente. Pelo contrário, perguntou aos doze: “Quereis vós também retirar-vos?” (João 6:67). Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:68).
Portanto, você é livre para discordar de mim. Não tenho qualquer problema com isso. Mas, como você mesmo declarou que já sabe qual será minha resposta e não está disposto a lê-la, penso que não há utilidade em continuarmos repetindo indefinidamente os mesmos argumentos.
Já apresentei minha posição e os textos bíblicos que a sustentam. Agora deixo que cada leitor faça aquilo que os bereanos fizeram: examine as Escrituras e veja se estas coisas são assim.
Josué Matos