Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Graça, irmão Josué!
Tenho uma pergunta:
- Besta: líder do sistema católico?
- Anticristo: líder do sistema protestante?
- E o falso profeta, de qual linhagem será: Roma ou Israel?
Sua pergunta envolve três personagens importantes das profecias bíblicas. Entretanto, precisamos esclarecer algumas questões, pois existe certa confusão quando se procura identificar a Besta, o Anticristo e o Falso Profeta como se fossem três personagens distintos, cada um representando uma determinada organização religiosa.
Na interpretação profética que considero mais coerente com o conjunto das Escrituras, o Anticristo e o Falso Profeta são a mesma pessoa, enquanto a Besta que sobe do mar, mencionada em Apocalipse 13, é outro personagem.
Vamos considerar o que a Bíblia realmente revela.
1. A primeira Besta: o líder político do futuro Império Romano
Em Apocalipse 13:1-10, João contempla uma besta subindo do mar, com sete cabeças e dez chifres.
Essa primeira Besta representa o último grande governante gentílico, que exercerá autoridade sobre o futuro Império Romano restaurado.
Sua relação com Roma é estabelecida especialmente pela comparação entre Apocalipse 13 e Daniel 7:7-8, 23-25.
Daniel apresenta quatro grandes impérios gentílicos, sendo o quarto identificado historicamente com Roma. Sua manifestação final será caracterizada por uma confederação de dez reis, entre os quais surgirá um governante que alcançará extraordinário poder.
Apocalipse 17:12-13 confirma que os dez chifres representam dez reis que entregarão sua autoridade à Besta.
Portanto, a primeira Besta será essencialmente um governante político, embora também reivindique adoração e exerça influência religiosa.
Não encontramos fundamento bíblico suficiente para afirmar que ela será simplesmente o líder da Igreja Católica. Sua ligação profética é com o poder imperial romano, e não necessariamente com a ocupação de um cargo eclesiástico.
2. A segunda Besta: o Anticristo e Falso Profeta
Em Apocalipse 13:11, João apresenta outro personagem:
"E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão."
Observe que essa segunda Besta apresenta uma aparência semelhante à de um cordeiro, mas sua voz revela sua verdadeira natureza satânica.
Ela procura imitar Cristo, mas conduz os homens à adoração da primeira Besta.
Posteriormente, esse mesmo personagem é identificado como o Falso Profeta (Apocalipse 19:20).
Na interpretação que distingue o governante romano do líder religioso que atuará em Israel, essa segunda Besta corresponde ao Anticristo, também relacionado ao homem do pecado apresentado em Segunda Tessalonicenses 2:3-4.
Ele exercerá uma função essencialmente religiosa, promovendo a apostasia e procurando ocupar o lugar que pertence exclusivamente a Deus.
3. O Falso Profeta será de Roma ou de Israel?
Considero mais provável que esteja relacionado a Israel.
Existem algumas razões bíblicas para essa compreensão.
Primeiramente, enquanto a primeira Besta sobe do mar, a segunda sobe da terra (Apocalipse 13:1,11). Alguns intérpretes compreendem o mar como uma representação das nações gentílicas, conforme Apocalipse 17:15, enquanto a terra, nesse contexto profético, estaria relacionada à terra de Israel.
Entretanto, devemos reconhecer que essa identificação da terra não é explicitamente definida no próprio texto.
Outro aspecto importante é que o Senhor Jesus declarou aos judeus:
"Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis." (João 5:43).
Essa declaração é frequentemente relacionada à futura recepção do Anticristo por parte da nação judaica.
Além disso, em Segunda Tessalonicenses 2:4, encontramos o homem do pecado procurando estabelecer-se no templo de Deus, apresentando-se como se fosse o próprio Deus.
Daniel 9:27 também descreve uma aliança futura, seguida pela interrupção dos sacrifícios e pela manifestação da abominação desoladora.
Esses acontecimentos possuem uma ligação muito particular com Israel e Jerusalém.
Assim, dentro dessa compreensão profética, o Anticristo será um falso messias, associado à apostasia de Israel, e atuará em cooperação com o governante gentílico representado pela primeira Besta.
Contudo, a Bíblia não declara expressamente sua genealogia ou nacionalidade. Por isso, não devemos transformar uma conclusão interpretativa em uma afirmação absoluta das Escrituras.
4. E quanto ao sistema católico e protestante?
Aqui precisamos fazer outra distinção importante.
Apocalipse 17 apresenta uma mulher identificada como Babilônia, a Grande, assentada sobre uma besta escarlate.
Essa mulher representa um sistema religioso corrupto, associado ao poder político e caracterizado pela infidelidade espiritual.
Sua relação com a cidade dos sete montes (Apocalipse 17:9,18) estabelece uma importante ligação com Roma.
Entendo que esse sistema religioso futuro poderá reunir diferentes expressões do cristianismo meramente nominal e apóstata, incluindo elementos provenientes tanto do catolicismo quanto do protestantismo liberal e de outras manifestações religiosas.
Entretanto, não seria correto afirmar que todos os católicos ou protestantes individualmente pertençam necessariamente a esse sistema futuro.
Também precisamos distinguir a mulher de Apocalipse 17 da primeira Besta de Apocalipse 13. Elas estão associadas, mas não são a mesma coisa.
Aliás, Apocalipse 17:16 revela que a própria Besta e os dez reis acabarão destruindo a mulher, demonstrando que o poder político e o sistema religioso não permanecerão unidos até o fim.
Conclusão
Resumindo, a compreensão profética apresentada é esta:
- Primeira Besta: o futuro governante gentílico, relacionado ao Império Romano restaurado (Apocalipse 13:1-10).
- Anticristo ou Falso Profeta: a segunda Besta, um líder religioso que enganará os homens, promoverá a adoração da primeira Besta e estará particularmente relacionado a Israel (Apocalipse 13:11-18; 19:20).
- Babilônia, a Grande: o sistema religioso apóstata apresentado em Apocalipse 17, que inicialmente exercerá influência sobre o poder político, mas posteriormente será destruído por ele.
Portanto, não considero biblicamente correto estabelecer a divisão de que a Besta será o líder católico, o Anticristo será o líder protestante e o Falso Profeta será um terceiro personagem.
A profecia apresenta dois grandes instrumentos humanos de Satanás: um governante político e um líder religioso, ambos atuando sob o poder do dragão (Apocalipse 13:2,11-12).
Finalmente, é importante lembrar que esses acontecimentos pertencem ao cenário profético que se desenvolverá após o arrebatamento da Igreja, conforme a compreensão pré-tribulacional. A esperança da Igreja não é aguardar a manifestação do Anticristo, mas a vinda do Senhor Jesus Cristo para buscar os Seus (Primeira Tessalonicenses 4:16-17; Tito 2:13).
Josué Matos