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Jesus é Deus ou não? Se sim, Maria é mãe de Deus?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Jesus é Deus ou não? Se sim, Maria é mãe de Deus?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito importante, pois envolve duas verdades que precisamos compreender corretamente à luz das Escrituras: a divindade eterna do Senhor Jesus Cristo e a Sua verdadeira humanidade.

Primeiramente, a resposta é sim: Jesus Cristo é Deus. Entretanto, isso não significa que Maria seja a origem de Deus ou que tenha dado existência à Sua divindade. Precisamos distinguir cuidadosamente essas duas questões.

1. A Bíblia afirma claramente que Jesus Cristo é Deus

O Evangelho de João começa com uma das declarações mais importantes acerca da pessoa do Senhor Jesus:

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1).

Observe que o texto não diz que o Verbo passou a existir em determinado momento, mas que Ele já existia no princípio. O Verbo é eterno, estava com Deus e era Deus.

Mais adiante, lemos:

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós" (João 1:14).

Portanto, o Senhor Jesus não começou a existir quando nasceu em Belém. Aquele que nasceu de Maria já existia eternamente como o Filho de Deus.

Outras passagens confirmam Sua divindade:

  • João 20:28 — Tomé, diante do Senhor ressuscitado, declarou: "Senhor meu, e Deus meu!"
  • Colossenses 2:9 — "Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade."
  • Hebreus 1:8 — O próprio Pai dirige-Se ao Filho, dizendo: "Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos."
  • Primeira Epístola de João 5:20 — Jesus Cristo é apresentado como o verdadeiro Deus e a vida eterna.

Logo, negar a divindade de Cristo é contrariar o testemunho das Escrituras.

2. Então, Maria é mãe de Deus?

Aqui precisamos ter cuidado com o significado das palavras.

Maria foi escolhida por Deus para ser a mãe do Senhor Jesus quanto à Sua humanidade. Ela concebeu, pelo poder do Espírito Santo, e deu à luz Aquele que é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

O anjo Gabriel declarou:

"Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:35).

Observe que Maria não produziu a divindade de Cristo. O Filho de Deus já existia eternamente antes de Maria nascer.

Em Gálatas 4:4, encontramos uma declaração muito esclarecedora:

"Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei."

Note a ordem das palavras: Deus enviou Seu Filho. Não diz que Deus criou um Filho por intermédio de Maria, mas que enviou Aquele que já era Seu Filho.

Maria foi o instrumento humano escolhido para a encarnação do Filho eterno de Deus.

3. O próprio Jesus esclareceu essa distinção

Existe uma passagem particularmente interessante em Lucas 1:43. Isabel, cheia do Espírito Santo, referiu-se a Maria como "a mãe do meu Senhor".

Essa expressão reconhece a grandeza da pessoa que Maria trazia em seu ventre, sem atribuir a ela a origem da divindade.

Outro acontecimento esclarecedor encontra-se em Lucas 11:27-28.

Uma mulher, admirada com o Senhor Jesus, exclamou:

"Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste!"

O Senhor respondeu:

"Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam."

Cristo não estava desprezando Maria, mas ensinando que a verdadeira bem-aventurança espiritual não está no parentesco físico com Ele, e sim na relação com Deus mediante a Sua Palavra.

Maria foi uma mulher agraciada e bendita entre as mulheres (Lucas 1:28,42), mas continuou sendo uma criatura humana que também necessitava de salvação. Ela própria declarou:

"E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador" (Lucas 1:47).

4. Jesus é uma só pessoa, com duas naturezas

Precisamos evitar dois erros: pensar que Jesus era apenas um homem que posteriormente recebeu a divindade, ou imaginar que Sua humanidade era apenas uma aparência.

A Bíblia ensina que Ele é uma única pessoa, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

Como Deus, Ele é eterno, incriado e não possui princípio (João 1:1-3).

Como homem, nasceu de mulher, cresceu, sentiu fome, sede, cansaço e morreu verdadeiramente na cruz (Lucas 2:7,52; João 19:28,30).

Sua encarnação não diminuiu Sua divindade. Ele não deixou de ser Deus ao tornar-Se homem.

Filipenses 2:6-8 ensina que Aquele que subsistia em forma de Deus tomou a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens.

Portanto, Maria não foi mãe de uma pessoa meramente humana, separada do Filho eterno. Ela deu à luz Jesus Cristo, que é Deus manifestado em carne (Primeira Epístola a Timóteo 3:16).

Entretanto, isso não faz dela a origem da Sua natureza divina.

Conclusão

Se alguém utiliza a expressão "mãe de Deus" apenas para afirmar que Aquele que nasceu de Maria é verdadeiramente Deus, é necessário compreender o sentido teológico que pretende transmitir. A expressão, porém, pode facilmente gerar um entendimento equivocado, como se Deus tivesse começado a existir por intermédio de Maria.

Por essa razão, considero mais adequado utilizar a linguagem das próprias Escrituras: Maria é a mãe de Jesus (João 2:1), a mãe do Senhor (Lucas 1:43), e o Senhor Jesus é o Filho eterno de Deus que Se fez homem.

Maria não deu origem a Deus. Foi Deus quem deu existência a Maria e, pela Sua graça, escolheu-a para trazer ao mundo, segundo a carne, o Salvador.

Há uma diferença fundamental entre dar à luz Aquele que é Deus e ser a origem de Deus.

O Filho eterno não começou a existir no ventre de Maria; foi ali que assumiu a nossa humanidade.

E é precisamente essa verdade maravilhosa que encontramos em João 1:14: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós."

Josué Matos

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