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Mateus 11:12 diz que a salvação é pelas obras, e qual relação tem com Mateus 7:13?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Mateus 11:12 diz que a salvação é pelas obras, e qual relação tem com Mateus 7:13?

Minha resposta:

Bem, vamos começar com Mateus 11:12, quando o Senhor Jesus diz:

“E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.”

É realmente um texto que pode causar alguma dificuldade, principalmente porque às vezes ele é usado para ensinar que o crente precisa fazer uma espécie de “violência espiritual”, um esforço extraordinário, para conquistar as coisas de Deus ou “tomar o céu à força”. Mas não creio que esse seja o pensamento da passagem.

Para entendermos o versículo, precisamos olhar para João Batista, o reino e a rejeição do Rei.

João Batista apareceu anunciando: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 3:2). Depois, o próprio Senhor Jesus começou Seu ministério proclamando a mesma coisa: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 4:17). Ou seja, o reino havia se aproximado porque o Rei estava presente. O Messias prometido a Israel estava no meio deles.

Entretanto, em vez de Israel, especialmente seus líderes, receber o Rei e se submeter à Sua autoridade, começou a surgir uma oposição cada vez maior. É dentro desse desenvolvimento que devemos entender Mateus 11:12. O reino estava sendo anunciado, mas estava encontrando violência e oposição. Os homens não estavam simplesmente se submetendo à autoridade de Deus; havia aqueles que queriam controlar, resistir e agir segundo os seus próprios interesses.

E veja como o próprio contexto confirma isso. João Batista estava preso quando chegamos a Mateus 11. Por quê? Porque havia sido fiel à Palavra de Deus. Mais tarde, em Mateus 14:3-12, vemos que Herodes chegaria ao ponto de mandar decapitá-lo. Portanto, aquele que anunciou a chegada do reino estava sofrendo literalmente a violência dos homens.

Ao mesmo tempo, a oposição ao próprio Senhor Jesus estava aumentando. Ela vai crescendo até chegarmos a Mateus 12:24, quando os fariseus atribuem a Satanás aquilo que o Senhor realizava pelo poder do Espírito de Deus. A rejeição se torna tão grave que, a partir de Mateus 13, o Senhor começa a apresentar os mistérios do reino dos céus.

Por isso, eu teria bastante cuidado com a interpretação de que Mateus 11:12 está ensinando que precisamos ser “violentos espiritualmente” para conquistar o céu, receber bênçãos ou alcançar um nível espiritual superior. Esse não parece ser o assunto principal do texto.

Existe uma passagem semelhante em Lucas 16:16: “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele”. Ali existe, sim, a ideia de pessoas que, diante da mensagem do reino, procuram entrar apesar da oposição. Portanto, há um aspecto de seriedade e decisão diante da mensagem de Deus. Mas isso não significa conquistar a salvação por força humana. A entrada no reino está ligada ao arrependimento, à fé e à obra de Deus, não ao mérito ou à energia da carne.

Há ainda algo muito bonito no contexto. O Senhor acabara de falar da grandeza de João Batista:

“Entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Mateus 11:11).

João estava no encerramento de uma dispensação. Ele era o precursor do Messias, aquele que apontava para Cristo e dizia: “Eis o Cordeiro de Deus” (João 1:29). Contudo, ele próprio disse: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). O Senhor estava mostrando que uma grande mudança estava acontecendo nos caminhos de Deus.

Então eu entenderia Mateus 11:12 dentro desse cenário: o Rei chegou, o reino foi anunciado, mas encontrou resistência e violência por parte dos homens. João já estava sofrendo essa violência; o próprio Cristo sofreria uma rejeição ainda maior, culminando na cruz.

Portanto, não usaria esse versículo para ensinar: “Temos que tomar o céu à força”, como se bênçãos espirituais fossem conquistadas pela intensidade do nosso esforço. A vida cristã certamente exige diligência, renúncia, perseverança e combate espiritual — Primeira Epístola aos Coríntios 9:24-27; Epístola aos Efésios 6:10-18; Segunda Epístola a Timóteo 2:3-5 —, mas isso é outro assunto. Mateus 11:12 precisa permanecer dentro do contexto do reino dos céus, de João Batista, da apresentação do Rei a Israel e da oposição que essa apresentação encontrou.

Sobre Mateus 7 e Mateus 11, sim, existe uma relação, mas é importante não misturar os dois textos.

Quando o Senhor Jesus diz em Mateus 7:13: “Entrai pela porta estreita”, Ele está falando da necessidade de entrar pelo caminho que conduz à vida. Há duas portas, dois caminhos e dois destinos. A maioria segue pelo caminho largo, mas o verdadeiro discípulo entra pela porta estreita.

Isso exige uma decisão pessoal diante de Cristo, mas não significa conquistar a salvação pela força ou pelo esforço humano. A porta é estreita porque não há vários caminhos para Deus, nem podemos entrar levando conosco a nossa justiça própria, a religião ou as condições que desejamos impor. É preciso receber aquilo que Deus estabelece.

Mateus 11:12 tem outro enfoque. Ali o Senhor está falando do reino dos céus num período em que o Rei já estava presente, mas encontrava forte oposição. João Batista anunciou: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”; depois o próprio Senhor Jesus anunciou a mesma coisa. Contudo, em vez de se submeterem ao Rei, especialmente os líderes religiosos começaram a resistir à sua autoridade.

Portanto, eu não entenderia “os violentos o tomam à força” como uma ordem para que nós usemos uma espécie de violência espiritual para conquistar o céu. O contexto de Mateus mostra justamente a crescente oposição ao Rei e ao seu reino.

Mateus 7 ajuda-nos a compreender outro aspecto: não basta dizer que pertencemos ao reino. Logo depois, em Mateus 7:21, Jesus diz: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus”. Havia pessoas que professavam conhecer o Senhor e até apresentavam grandes obras religiosas, mas não eram realmente conhecidas por Ele.

Então podemos colocar assim: Mateus 7 apresenta a necessidade de entrar verdadeiramente pela porta estreita; Mateus 11 mostra a oposição que o reino e o Rei estavam encontrando. Em nenhum dos dois casos a ideia é de que o homem conquista a salvação ou o céu pela força.

Há, sim, seriedade, decisão, renúncia e perseverança no caminho cristão. Mas isso é diferente de dizer que precisamos “tomar o céu à força”. A salvação é recebida pela graça de Deus, enquanto o discípulo verdadeiro demonstra, depois, pela sua vida, que realmente entrou pela porta estreita.

Mateus 7:21-23 provavelmente estabelece uma ligação ainda mais direta com o assunto do reino do que apenas a expressão “porta estreita”: alguém pode tentar associar-se exteriormente ao reino, fazer obras impressionantes e até chamar Jesus de “Senhor”, sem ter entrado verdadeiramente. Isso ajuda bastante a entender por que “tomar o reino à força” não pode significar simplesmente manifestar grande esforço ou intensidade religiosa.

Josué Matos

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