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O “sono” do crente refere-se ao corpo, não à inexistência ou inconsciência do espírito

 Alguém que eu escrevi no YouTube:

Não acredito que o espírito esteja vivo e já desfrutando da promessa. Não faz sentido isso. Em 1 Coríntios 15, Paulo deixa claro que o que há de ressuscitar não é o corpo físico, mas o espírito, o que ele chama de corpo celestial. E repete isso aqui: 'Mas temos confiança e desejamos antes de deixar este corpo, para habitar com o Senhor' (2 Coríntios 5:8).

Um outro trecho que prova que o espírito só sobe após a ressurreição está em João 20:17, onde o Senhor Jesus diz para Maria Madalena: 'Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai'. Ora, se o próprio Jesus diz isso após a ressurreição, como podemos afirmar que há elevação do espírito sem ressurreição?

Minha resposta:

Obrigado pelo seu comentário. Entretanto, penso que há aqui uma confusão entre duas verdades bíblicas distintas: o estado do crente imediatamente após a morte e a ressurreição futura do seu corpo.

A Bíblia ensina ambas as coisas. Quando o crente morre, seu corpo permanece aguardando a ressurreição, mas ele, em seu estado consciente, vai estar com Cristo. Posteriormente, na vinda do Senhor, haverá uma renovação do corpo, quando o crente entrará no estado completo de glorificação.

  1. Em 1 Coríntios 15, não é o espírito que ressuscita

Este é o primeiro ponto que precisamos corrigir. Quando Paulo diz:

"Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual" (1 Coríntios 15:44),

ele não está dizendo que o espírito é sepultado e depois ressuscita.

Observe a palavra que Paulo repete: “corpo”.

“Semeia-se corpo natural.”

“Ressuscitará o corpo espiritual.”

Portanto, o contraste não é entre “corpo” e “espírito”, mas entre dois estados do corpo: o corpo na sua condição presente, natural, mortal e corruptível, e o corpo ressuscitado, transformado, incorruptível e adequado à esfera celestial.

O próprio contexto torna isso muito claro:

“Assim também a ressuscitar dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia; ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza; ressuscitará com vigor” (1 Coríntios 15:42-43).

O assunto é a elevação do corpo. O mesmo corpo que está semeado em corrupção será levantado numa condição própria pela operação do poder de Deus.

É por isso que Filipenses 3:20-21 diz que o Senhor Jesus Cristo “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso”.

Da mesma forma, Romanos 8:23 fala da “redenção do nosso corpo”.

Portanto, “corpo espiritual” não significa “espírito sem corpo”. Significa um verdadeiro corpo ressuscitado, glorificado e perfeitamente adequado à esfera celestial. O Senhor Jesus ressuscitado é o grande exemplo dessa verdade. Em Lucas 24:39, depois da ressurreição, Ele disse aos discípulos:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede.”

Assim, 1 Coríntios 15 não ensina a ressurreição do espírito, mas a ressurreição e transformação do corpo.

  1. Segunda aos Coríntios 5:8 ensina exatamente o contrário do que o irmão está propondo

Você citou:

“Mas temos confiança e desejamos antes de deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).

Mas esse versículo é justamente uma das passagens mais claras de que o crente pode estar com o Senhor enquanto está ausente do corpo.

Veja a sequência:

“Enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor” (2 Coríntios 5:6).

Depois:

“Desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).

Há, portanto, duas condições por Paulo:

estar no corpo — a condição atual;

deixar o corpo — estar com o Senhor.

Se Paulo estava ensinando que ninguém pode estar com Cristo antes da ressurreição, seria muito difícil entender por que ele coloca essas duas situações em contraste.

E esta verdade aparece ainda mais claramente em Filipenses 1.

Paulo diz:

“Mas de ambos os lados estou em abertura, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:23).

Observe atentamente a sequência:

“partir” — morrer;

“estar com Cristo” — consequência da partida.

Paulo não diz: “partir, permanecer inconsciente e, séculos depois, estar com Cristo”.

Ele simplesmente diz:

“partir e estar com Cristo”.

Isso é tão importante que Paulo considere essa condição “muito melhor”.

Se após a morte ele simplesmente deixou de ter consciência até a ressurreição, seria estranho descrevê-la dessa maneira. A esperança de Paulo era estar com Cristo.

  1. O caso de Estêvão confirma isso

Quando Estêvão estava sendo apedrejado, disse:

“Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (Atos dos Apóstolos 7:59).

Observe que ele não disse:

“Senhor Jesus, guarda o meu espírito inconsciente até a ressurreição”.

Ele disse:

“Recebe o meu espírito.”

O corpo de Estêvão morreu e ficou na terra, mas seu espírito foi recebido pelo Senhor Jesus.

Isso concorda perfeitamente com Eclesiastes 12:7:

“E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

Há, portanto, uma separação na morte. O corpo retorna ao pó, enquanto o espírito não permanece no túmulo aguardando ser ressuscitado.

  1. O próprio Senhor Jesus ensinou consciência após a morte

Veja o que o Senhor disse ao malfeitor convertido na cruz:

“Em verdade te digo que hoje estaremos comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).

O homem pediu uma vitória futura:

“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lucas 23:42).

Ele estava pensando no futuro. Porém, o Senhor lhe deu algo muito mais imediato:

“Hoje estarás comigo no Paraíso.”

Naquele mesmo dia o corpo daquele homem morreria e continuaria na terra. Ele certamente não ressuscitou naquele dia. Contudo, Cristo declarou que naquele mesmo dia ele estaria com Ele no Paraíso.

Isso estabelece uma distinção importante:

morte do corpo → presença consciente com Cristo → ressurreição futura do corpo.

  1. O “sono” do crente refere-se ao corpo, não à inexistência ou inconsciência do espírito

A Bíblia algumas vezes chama a morte do crente de “sono”.

Por:

“Não quero, porém, irmãos, que sejam ignorantes sobre os que já dormem” (1 Tessalonicenses 4:13).

Mas continue lendo:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16).

Aquilo que será levantado é o corpo.

É muito importante distinguir essas coisas. O corpo “dorme” na morte, aguardando a ressurreição; o espírito do crente está com Cristo.

Quando a ressurreição acontecer, Deus levantará o corpo numa condição glorificada e incorruptível.

  1. Apocalipse mostra pessoas conscientes antes da ressurreição final

Apocalipse 6:9-10 apresenta uma cena muito esclarecedora:

"Vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz..."

Independentemente das particularidades proféticas dessa passagem, uma coisa é evidente: João vê “as almas dos que foram mortos”, e elas estão conscientes.

Elas falam.

Elas clamam.

Elas se lembram do que aconteceu.

Elas aguardam acontecimentos futuros.

Isso seria muito difícil de conciliar com a ideia de que, depois da morte, não existe consciência até a ressurreição.

  1. E o que significa João 20:17?

Aqui também precisamos distinguir duas coisas.

O Senhor disse a Maria Madalena:

“Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20:17).

O assunto aqui não é o destino do espírito humano depois da morte.

O Senhor está falando da Sua ascensão corporal e gloriosa ao Pai depois da ressurreição.

Isso aconteceria posteriormente, conforme está registrado em Atos dos Apóstolos 1:9:

“E, quando disse isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebido, ocultando-o a seus olhos.”

João 20:17, portanto, não ensina que o espírito de Cristo encontra-se no túmulo até a ressurreição. Na verdade, o próprio Senhor havia dito ao Pai momentos antes da Sua morte:

“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46).

Depois disso:

“E, havendo dito isto, expirou.”

O corpo do Senhor foi colocado no sepulcro, mas Ele entregou Seu espírito ao Pai.

Por isso não convém confundir João 20:17 com o estado do espírito após a morte. Quando Cristo disse “ainda não subi para meu Pai”, estava falando da Sua ascensão como o Homem ressuscitado, que ocorreria depois e seria testemunhada pelos discípulos.

Maria queria apegar-se ao Senhor ressuscitado, mas uma nova condição estava começando. Ele não permaneceria fisicamente com os discípulos como antes. Ele subiu ao Pai.

  1. O próprio Senhor Jesus demonstra a diferença entre morte, ascensão e ascensão

A sequência dos acontecimentos é importante:

Cristo morreu → entregou Seu espírito ao Pai (Lucas 23:46).

Seu corpo foi colocado no sepulcro (Lucas 23:50-53).

Ele ressuscitou corporalmente ao terceiro dia (Lucas 24:1-7).

Apareceu aos discípulos durante quarenta dias (Atos dos Apóstolos 1:3).

Depois ascendeu corporalmente ao céu (Atos dos Apóstolos 1:9-11).

Portanto, João 20:17 não pode ser usado para ensinar que o espírito somente pode estar na presença de Deus depois da ressurreição, porque a ascensão mencionada ali é outro acontecimento.

  1. Há uma condição específica e uma condição definitiva

Talvez esta distinção resolva a dificuldade.

Quando um crente morre hoje, ele ainda não está em sua condição final de glorificação.

Seu espírito está com Cristo, mas seu corpo ainda aguarda a ressurreição.

Por isso, Paulo desejava a renovação e a transformação do corpo. Estar com Cristo depois da morte é maravilhoso, mas Deus tem algo ainda mais completo preparado.

Primeira aos Coríntios 15:51-52 diz:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num fechar e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.”

Então teremos a reunião daquilo que foi separado pela morte.

O crente estará completo — espírito, alma e corpo — numa condição glorificada.

Primeira aos Tessalonicenses 5:23 fala justamente dessas três dimensões:

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o nosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Portanto, não devemos confundir “estar com Cristo” com “já possuo o corpo glorificado”.

Uma coisa acontece após a morte; a outra ocorrência na ressurreição.

  1. A esperança cristã completa é a ressurreição

Isso também explica por que a Bíblia dá tanta importância à ressurreição.

Se o espírito do crente já está com Cristo, alguém poderia perguntar: “Então para que a ressurreição?”

Porque a salvação de Deus alcança o homem inteiro.

O corpo também pertence ao Senhor.

Paulo diz:

“Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6:20).

E Romanos 8:23 fala da:

“redenção do nosso corpo”.

Assim, a morte não representa o estado final do crente. Ela produz temporariamente a separação entre o corpo e a parte imaterial do homem. A ressurreição desfará essa separação.

Por isso, quando o Senhor vier, “os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16).

Depois:

“Nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

Conclusão

Portanto, precisamos manter juntas duas verdades que a Bíblia mantém juntas.

Primeira: quando o crente morre, seu corpo fica aguardando a ressurreição, enquanto ele parte para estar com Cristo.

“Desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).

“Desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:23).

“Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (Atos dos Apóstolos 7:59).

“Hoje estarão comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).

Segunda: quando Cristo vier, o corpo do crente será ressuscitado e transformado.

“Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual” (1 Coríntios 15:44).

“Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15:52).

Portanto, 1 Coríntios 15 não diz que o espírito é ressuscitado. Diz que o corpo é ressuscitado como “corpo espiritual”. Segunda aos Coríntios 5:8 não nega a presença consciente com Cristo antes da ressurreição; pelo contrário, afirma que estar ausente do corpo significa estar com o Senhor. E João 20:17 trata da ascensão do Senhor ressuscitado ao Pai, não de uma regra segundo a qual o espírito humano não pode estar na presença de Deus antes da ressurreição.

A esperança cristã é maravilhosa justamente porque envolve as duas coisas: se morrermos antes da vinda do Senhor, estaremos com Cristo; e, quando Ele vier, nosso corpo será ressuscitado e transformado à semelhança de Seu corpo glorioso.

Josué Matos

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O Crente Abstém-se de Escolher o Político?

Alguém que eu escrevi no YouTube: 

Irmão, nem sei se eu discordo do seu vídeo: “O Crente Abstém-se de Escolher o Político?”, mas não vejo problema, enquanto vivemos neste mundo, em andar de acordo com a lei, desde que a lei humana não transgrida a lei de Deus ou nos faça desobedecer a Deus.

Obedecer a Deus acima dos homens: “Mais importante obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

Não chame o mal de bem nem o bem de mal: Isaías 5:20.

Não pratique nem apoie a injustiça: Êxodo 23:2; Provérbios 17:15.

Buscar a justiça e o bem: Miqueias 6:8.

Orar pelas autoridades: 1 Timóteo 2:1-2.

Respeitar as autoridades contidas: Romanos 13:1-7 — sem que isso signifique obedecer a uma autoridade quando ela exige desobediência a Deus, como mostra Atos dos Apóstolos 5:29.

Minha resposta:

Agradeço pelo seu comentário. Na realidade, concordo com os princípios bíblicos que o irmão apresentou. Creio que a diferença está em distinguir duas coisas: a responsabilidade do cristão perante as autoridades e a participação do cristão na escolha e no sistema político deste mundo.

A Palavra de Deus ensina claramente que o cristão deve ser um cidadão exemplar. Dever respeitar as autoridades, cumprir as leis, pagar os seus impostos e comportar-se de maneira honesta e importadora. Romanos 13:1 diz: “Toda alma está sujeita às potestades superiores”. O mesmo princípio aparece em Tito 3:1: “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que eles obedeçam, e estejam preparados para toda boa obra”.

Pedro também escreveu: “Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor” (1 Pedro 2:13). Portanto, não defendo que o cristão se rebele contra o governo ou que despreze as leis do país onde vive. Pelo contrário, a sujeição à autoridade civil faz parte do testemunho cristão.

Há, naturalmente, um limite. Quando uma autoridade humana exige algo contrário à vontade revelada de Deus, prevalece a autoridade divina. Foi exatamente o que aconteceu quando os apóstolos receberam ordem para não ensinar no nome do Senhor Jesus. Pedro respondeu: “Mais importante obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

Observe, porém, que os apóstolos não utilizaram isso como justificativa para uma revolta contra o governo. Eles simplesmente obedeceram a Deus e aceitaram as consequências dessa obediência. Esse princípio continua válido para nós.

A questão do vídeo, entretanto, vai um pouco além. Não é simplesmente: “O cristão deve obedecer às leis?”. A resposta a isso é claramente sim. A questão é: “A Igreja recebeu de Deus a missão de participar do sistema político deste mundo e escolher aqueles que irão governá-lo?”

É aí que entendo haver uma diferença importante.

  1. O cristão pertence a uma cidadania celestial

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

A ideia envolve cidadania. Embora tenhamos uma cidadania terrena e as responsabilidades correspondentes a ela, nossa posição espiritual é celestial. Somos pessoas que aguardam dos céus o Senhor Jesus Cristo.

O Senhor também disse diante de Pilatos:

“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Se o Reino de Cristo fosse deste mundo, Seus servos lutariam por Ele. Mas o Senhor deixou claro que a origem e o caráter do Seu Reino não pertencem ao sistema presente.

  1. Romanos 13 ensina sujeição, não participação política

Esse ponto é muito importante.

Romanos 13:1-7 ensina como o cristão deve comportar-se diante das autoridades existentes. O texto não manda o cristão escolher as autoridades nem lhe atribui a responsabilidade de determinar quem deverá governar.

Paulo não diz: “Escolhei boas autoridades”. Ele diz:

“Toda alma esteja sujeita às potestades superiores” (Romanos 13:1).

Depois acrescenta:

“Porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Romanos 13:1).

Portanto, reconheço a autoridade que Deus permitiu que existisse, mesmo quando não concordo moralmente com tudo aquilo que essa autoridade faz.

Isso era especialmente significativo no primeiro século. Os cristãos não estavam vivendo sob governantes piedosos. Mesmo assim, foram ensinados a respeitar a autoridade civil.

  1. A responsabilidade indicada em relação aos governantes é principalmente a oração

Creio que 1 Timóteo 2:1-2 é particularmente importante:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.”

É interessante observar o que Paulo manda os cristãos fazerem em relação aos governantes: orar por eles.

O cristão pode exercer uma influência extraordinária diante do trono de Deus. Devemos orar para que haja condições de paz, liberdade e ordem que permitam uma vida piedosa e também a propagação do Evangelho.

Isso é muito diferente de transformar a Igreja numa força política.

  1. O cristão não pode chamar o mal de bem

Concordo plenamente com o irmão quanto a Isaías 5:20:

“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal.”

Porém, justamente aqui aparece uma dificuldade séria da política partidária.

Um partido ou candidato pode defender determinada posição que consideramos correta e, ao mesmo tempo, defender outras coisas contrárias à Palavra de Deus. Outro candidato pode acertar numa área e errar profundamente noutra.

Quando o cristão assume publicamente determinado partido ou candidato, pode acabar sendo identificado não somente com aquilo que aquele partido defende de correto, mas também com princípios e práticas que jamais poderia defender biblicamente.

Por isso, a separação política não significa neutralidade moral.

Posso dizer que o aborto é contrário aos princípios da Palavra de Deus sem pertencer a um partido político.

Posso dizer que o casamento foi estabelecido por Deus entre homem e mulher, conforme Gênesis 2:24 e Mateus 19:4-6, sem pertencer a um partido político.

Posso condenar a corrupção, a injustiça, a mentira e a opressão sem transformar-me em militante de determinado candidato.

O padrão que determina o que considero certo ou errado não é a esquerda, a direita ou o centro. É a Palavra de Deus.

  1. Miqueias 6:8 não transforma a Igreja numa instituição política

O irmão citou corretamente Miqueias 6:8:

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?”

Isso deve caracterizar nossa vida.

Mas praticar a justiça é diferente de assumir a responsabilidade pelo governo deste mundo.

Um cristão deve ser justo no emprego, na família, nos negócios, nos seus compromissos e no relacionamento com outras pessoas. Deve socorrer o necessitado, não fazer acepção de pessoas e jamais participar de corrupção ou fraude.

Nossa justiça deve aparecer em nossa maneira de viver.

O Senhor Jesus disse:

“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).

E também:

“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).

A luz não precisa ocupar o governo para ser luz. Ela precisa simplesmente brilhar.

  1. A missão principal da Igreja é outra

Antes de subir aos céus, o Senhor Jesus não ordenou aos discípulos que reformassem politicamente o Império Romano. Ele lhes disse:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

E também:

“Ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos dos Apóstolos 1:8).

A grande necessidade do homem não é primeiramente mudar de governo, mas mudar de coração.

Um homem pode viver numa excelente democracia e continuar perdido em seus pecados. Pode possuir todos os direitos civis e permanecer espiritualmente morto.

O Evangelho trata da raiz do problema: o pecado.

Por isso Paulo afirmou:

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16).

  1. Isso não significa indiferença diante do sofrimento

Abster-se da política partidária não significa fechar os olhos para o sofrimento humano.

Gálatas 6:10 diz:

“Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.”

O cristão deve ajudar, servir, socorrer, alimentar, consolar e defender biblicamente aquilo que é justo.

O Senhor Jesus andou fazendo o bem (Atos dos Apóstolos 10:38). Porém, nunca Se tornou partidário dos movimentos políticos de Seu tempo.

Havia romanos, herodianos, zelotes, fariseus e outros grupos com interesses políticos e religiosos. Cristo não Se colocou sob nenhuma dessas bandeiras.

Quando tentaram envolvê-Lo numa questão delicada relacionada ao governo romano, Ele respondeu:

“Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus” (Mateus 22:21).

Isso estabelece uma distinção que considero fundamental.

  1. Somos embaixadores de Cristo

Há ainda outra expressão que considera muito significativa:

“De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo” (2 Coríntios 5:20).

Um embaixador representa os interesses do país que o inveja. Da mesma forma, nossa principal responsabilidade neste mundo é representar Aquele que nos invejo.

Estamos aqui para apresentar Cristo aos homens.

Por isso Paulo também escreveu:

“Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de discutir aquele que o alistou para a guerra” (2 Timóteo 2:4).

Isso não significa abandonar as responsabilidades normais da vida. Paulo trabalhou, utilizou seus direitos civis quando necessário e respeitava as autoridades. A questão é não permitir que os sistemas deste mundo ocupem o lugar da nossa vocação celestial.

Portanto, irmão, penso que concordamos em pontos fundamentais: devemos obedecer às autoridades, respeitar as leis, pagar aquilo que devemos, buscar o bem, rejeitar a injustiça, não chamar o mal de bem vários e, quando houver conflito direto entre uma ordem humana e uma ordem divina, obedecer a Deus acima dos homens.

A diferença está apenas na conclusão de que tiramos esses princípios.

Não vejo em Romanos 13:1-7 uma ordem para escolher os governantes, mas uma ordem para nos sujeitarmos às autoridades competentes. Não vejo em 1 Timóteo 2:1-2 uma convocação para militância política, mas uma convocação para oração pelos governantes. E não vejo a missão dada pelo Senhor à Igreja uma ordem para reformar politicamente o mundo, mas para anunciar o Evangelho e viver nele como sal e luz.

Por isso, acredito que o cristão pode respeitar plenamente o governo sem fazer parte da política; pode obedecer às leis sem escolher partidos; pode denunciar biblicamente o pecado sem tornar-se militante; e você pode desejar o bem da sociedade sem perder de vista que sua esperança não está num terreno governante.

Nossa esperança é uma Pessoa.

“Mas a nossa cidade está nos céus, onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Enquanto Ele não vem, devemos viver de maneira honesta, importadora e piedosa, respeitar as autoridades, orar por elas e anunciar a todos — inclusive aos políticos e governantes — que a verdadeira necessidade do homem é reconciliar-se com Deus por meio do Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

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Quem é o irmão James Allen? Esse título do vídeo é de um livro de autoria do irmão James Allen?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Saudações, irmão! Quem é o irmão James Allen? Esse título do vídeo é de um livro de autoria do irmão James Allen?

Minha Resposta:

Saudações, meu irmão!

Sim. O James Allen a quem faço referência é um conhecido irmão e expositor das Escrituras ligado às assembleias dos irmãos, especialmente conhecido pelo seu ministério de ensino da Palavra de Deus.

Ele é autor de comentários e estudos bíblicos bastante apreciados entre os irmãos. Um dos seus trabalhos mais conhecidos é a exposição do livro de Apocalipse, publicada na série de comentários “What the Bible Teaches” (“O Que a Bíblia Ensina”). Esse comentário é reconhecido pela exposição cuidadosa do texto bíblico, seguindo uma interpretação literal das profecias e uma linha pré-milenista e dispensacional.

James Allen também exerceu ministério da Palavra em diferentes lugares, ensinando assuntos como profecia, o Tribunal de Cristo e outras verdades das Escrituras.

Portanto, é importante não confundi-lo com outro escritor também chamado James Allen, autor de obras de caráter filosófico e motivacional, como “As a Man Thinketh”. Não é a esse escritor que estou me referindo nos meus vídeos quando menciono o irmão James Allen.

Quanto à segunda pergunta, se o título específico do vídeo é também o título de um livro escrito por James Allen, a resposta é que foi extraído do comentário bíblico escrito por ele, que no Brasil é vendido pela editora "Sã Doutrina": https://www.lojasadoutrina.com.br/comentario/com-ritchie-vol-16-apocalipse-2a-edicao

Como sempre, embora seja proveitoso consultar bons expositores da Palavra de Deus, nossa autoridade final continua sendo a própria Escritura: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21). Também encontramos o belo exemplo dos bereanos, que recebiam o ensino e depois examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Josué Matos

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Hebreus 6:4-6 não está descrevendo simplesmente um crente que caiu em pecado?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A Bíblia afirma que Deus dá a vida eterna, aperfeiçoa a Sua obra, produz arrependimento e ninguém pode arrebatar as Suas ovelhas da Sua mão (João 10:28-29; Filipenses 1:6; 2 Coríntios 7:10). Ao mesmo tempo, ordena permanecer firmes na fé (Colossenses 1:23) e adverte contra se afastar de Deus (Hebreus 3:12; 2 Pedro 2:20-21).

Resumo: a salvação está segura no poder de Deus, e o crente é chamado a permanecer em Cristo até o fim.

Apocalipse 3:17-18 — “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo... e vestes brancas, para que te vistas...”

Hebreus 6:4-6 fala daqueles que foram iluminados e depois “recaíram”, sendo impossível renová-los novamente para arrependimento. Hebreus 10:26-29 fala de pecar deliberadamente depois de receber o conhecimento da verdade, rejeitando o único sacrifício de Cristo.

Irmão, essas passagens de Hebreus dizem respeito a alguém que pode abandonar a fé ou falam daquele que está preso a algum pecado? Como entender Hebreus?

Minha Resposta::

Prezado irmão, a sua pergunta é muito importante porque Hebreus 6:4-6 e Hebreus 10:26-29 estão entre as passagens que mais causam dúvidas quando tratamos da segurança da salvação. Entretanto, precisamos distinguir três coisas que a Bíblia não trata como sendo iguais: cair em pecado, afastar-se espiritualmente e apostatar da fé.

A chave para compreender essas passagens é perceber que o assunto principal não é um cristão que caiu em determinado pecado e está lutando para se libertar dele. O assunto é muito mais grave: trata-se da apostasia, isto é, da rejeição deliberada de Cristo e do Seu sacrifício depois de alguém ter recebido grande luz e ter estado profundamente exposto às bênçãos e verdades do cristianismo.

  1. O contexto da Epístola aos Hebreus

A Epístola aos Hebreus foi escrita num contexto em que pessoas de origem judaica haviam sido profundamente expostas ao cristianismo. Elas conheciam a verdade acerca do Senhor Jesus, estavam associadas aos cristãos e haviam experimentado grandes privilégios espirituais.

Por causa da perseguição, do sofrimento e da pressão que enfrentavam, havia o perigo de alguns voltarem atrás, retornando ao judaísmo e, consequentemente, rejeitando a suficiência de Cristo.

Por isso, Hebreus apresenta repetidas advertências: Hebreus 2:1-4; 3:7-19; 5:11–6:12; 10:26-39 e 12:15-29.

O grande argumento da epístola é que Cristo é superior a tudo aquilo que existia no sistema antigo. Ele é superior aos anjos, superior a Moisés, possui um sacerdócio superior ao de Arão, oferece um sacrifício superior e introduz o Seu povo numa posição muito superior.

Portanto, voltar ao antigo sistema significava abandonar a realidade para retornar às sombras.

  1. Hebreus 6:4-6 não está descrevendo simplesmente um crente que caiu em pecado

Observe a linguagem:

“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento” (Hebreus 6:4-6).

O texto descreve pessoas que receberam enormes privilégios.

Foram “iluminadas”.

“Provaram o dom celestial.”

Foram “participantes do Espírito Santo”.

“Provaram a boa palavra de Deus.”

Provaram “as virtudes do século futuro”.

Mas devemos notar algo muito importante: receber luz não é necessariamente o mesmo que possuir vida eterna.

Uma pessoa pode estar muito próxima das coisas de Deus, compreender o Evangelho, experimentar seus efeitos, conviver com verdadeiros cristãos e ainda assim nunca ter depositado verdadeiramente a sua fé em Cristo.

Judas Iscariotes é uma demonstração impressionante disso. Ele esteve com Cristo, ouviu Suas palavras, presenciou Seus milagres e participou dos privilégios apostólicos; contudo, o Senhor disse:

“Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo” (João 6:70).

  1. A ilustração de Hebreus 6 esclarece a passagem

Logo depois da advertência, o escritor apresenta uma ilustração:

“Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hebreus 6:7-8).

Observe que as duas terras recebem a mesma chuva.

A diferença aparece naquilo que produzem.

Assim também duas pessoas podem estar expostas às mesmas bênçãos espirituais, ouvir a mesma Palavra, participar das mesmas reuniões e receber a mesma luz. Uma manifesta a realidade da vida divina; outra finalmente demonstra que nunca houve nela verdadeira vida espiritual.

Por isso, imediatamente depois dessa severa advertência, o escritor acrescenta:

“Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação” (Hebreus 6:9).

Esta expressão é muito importante: “coisas que acompanham a salvação”.

Isso mostra que os privilégios mencionados anteriormente, por mais extraordinários que fossem, não deveriam automaticamente ser confundidos com a posse da salvação.

  1. O que significa “recaíram”?

Não significa simplesmente cometer um pecado.

Se Hebreus 6 ensinasse que qualquer pecado cometido depois da conversão tornasse impossível o arrependimento, nenhum cristão poderia permanecer salvo.

Pedro pecou gravemente depois de conhecer o Senhor. Ele negou Cristo três vezes. Contudo, foi restaurado.

Davi caiu em pecados gravíssimos e posteriormente confessou:

“Pequei contra o Senhor” (2 Samuel 12:13).

Em Salmos 51 encontramos o seu profundo arrependimento.

O próprio apóstolo João escreveu aos crentes:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).

Portanto, Hebreus 6 não pode estar dizendo que um crente que caiu em pecado não pode mais ser restaurado.

A questão é a apostasia: abandonar deliberadamente a posição cristã e repudiar o Cristo que anteriormente professava seguir.

  1. Hebreus 10:26 também não está falando simplesmente de estar “preso a algum pecado”

Aqui encontramos outra passagem muito solene:

“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hebreus 10:26).

Se interpretarmos “pecar voluntariamente” como qualquer pecado consciente cometido por um cristão, praticamente ninguém poderia ser salvo.

Qual cristão poderia afirmar que, depois da conversão, nunca praticou conscientemente algo que sabia estar errado?

O contexto explica de que pecado se trata.

Veja Hebreus 10:29:

“De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”

Temos aqui três características extremamente graves:

pisar o Filho de Deus;

considerar comum ou profano o sangue relacionado à aliança;

insultar o Espírito da graça.

Isso não descreve simplesmente um cristão lutando contra um pecado ou alguém que caiu numa fraqueza moral.

Descreve a rejeição deliberada de Cristo.

É como se alguém dissesse: “Conheci tudo isso, professei acreditar nisso, mas agora rejeito Cristo, rejeito Seu sangue e rejeito o testemunho do Espírito Santo.”

Isto é apostasia.

  1. Por que “não resta mais sacrifício pelos pecados”?

Porque não existe outro sacrifício.

Este é um ponto fundamental na Epístola aos Hebreus.

O Senhor Jesus ofereceu um único e perfeito sacrifício:

“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hebreus 10:14).

E novamente:

“Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” (Hebreus 10:18).

Portanto, se alguém rejeita deliberadamente o único sacrifício que Deus providenciou, para onde poderá ir?

De volta aos sacrifícios judaicos?

Eles não podem remover pecados.

Hebreus 10:4 afirma:

“Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados.”

Se alguém rejeita Cristo, não existe um segundo Salvador, uma segunda cruz ou outro sacrifício.

É nesse sentido que “já não resta mais sacrifício pelos pecados”.

  1. Então um verdadeiro crente pode perder a salvação?

Precisamos interpretar as passagens difíceis à luz das declarações claras das Escrituras.

O Senhor Jesus declarou:

“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai” (João 10:28-29).

Observe cuidadosamente as palavras do Senhor:

“dou-lhes a vida eterna”;

“nunca hão de perecer”;

“ninguém as arrebatará da minha mão”.

A segurança da ovelha não depende da força da mão da ovelha segurando Cristo, mas da mão de Cristo segurando a ovelha.

Paulo também escreveu:

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

Pedro diz que os crentes são:

“guardados na virtude de Deus para a salvação” (1 Pedro 1:5).

Romanos 8:38-39 declara que absolutamente nada poderá separar o crente do amor de Deus que está em Cristo Jesus.

Portanto, a segurança eterna do salvo repousa na obra consumada de Cristo, no poder de Deus e na fidelidade das Suas promessas.

  1. Então por que existem tantas advertências?

Porque Deus não apenas determina o destino dos Seus filhos; Ele também estabelece os meios pelos quais eles percorrem o caminho.

As advertências são reais e devem ser levadas a sério.

Quando a Escritura diz:

“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hebreus 3:12),

não devemos responder: “Como sou salvo, essa advertência não importa.”

Muito pelo contrário.

O verdadeiro crente ouve a advertência e treme diante dela. A própria advertência torna-se um instrumento usado por Deus para preservá-lo.

  1. E Colossenses 1:23: “se permanecerdes na fé”?

Paulo escreve:

“Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho” (Colossenses 1:23).

A perseverança não compra a salvação; ela evidencia a realidade da fé.

O Senhor Jesus explicou algo semelhante na parábola do semeador. Algumas sementes produziram uma aparência inicial de vida, mas desapareceram quando chegaram as dificuldades. A boa terra, porém, produziu fruto (Mateus 13:1-23).

João também explicou a apostasia de algumas pessoas:

“Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco” (1 João 2:19).

Observe que João não disse: “Eram de nós e deixaram de ser.”

Ele disse:

“não eram de nós”.

A saída revelou aquilo que anteriormente estava escondido.

  1. E 2 Pedro 2:20-22?

Pedro descreve pessoas que escaparam temporariamente das corrupções do mundo mediante o conhecimento de Cristo e depois voltaram para elas.

Mas a ilustração final esclarece a natureza dessas pessoas:

“O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama” (2 Pedro 2:22).

O cão continuou sendo cão.

A porca continuou sendo porca.

A porca foi lavada exteriormente, mas sua natureza não foi transformada.

O Evangelho pode produzir mudanças exteriores numa pessoa sem que tenha ocorrido o novo nascimento.

O verdadeiro cristão não é simplesmente uma porca lavada; é alguém que recebeu uma nova natureza mediante o novo nascimento (João 3:3-6; 2 Coríntios 5:17).

  1. E Apocalipse 3:17-18?

A passagem de Laodiceia também não ensina que um verdadeiro salvo perdeu a salvação.

O problema daquela igreja era sua terrível condição espiritual. Eles diziam:

“Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta.”

Cristo, porém, dizia:

“não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.”

A profissão exterior era grande, mas a realidade espiritual era extremamente pobre.

É significativo que o Senhor esteja do lado de fora:

“Eis que estou à porta, e bato” (Apocalipse 3:20).

A passagem mostra o perigo de uma profissão cristã sem verdadeira comunhão com Cristo.

  1. Uma distinção muito importante

Podemos resumir assim:

Queda em pecado — pode acontecer na vida de um verdadeiro crente. Deve haver confissão e restauração (1 João 1:9; 2:1).

Desvio espiritual — um verdadeiro crente pode esfriar, afastar-se da comunhão e precisar da disciplina restauradora do Pai (Hebreus 12:5-11).

Apostasia — é abandonar e repudiar deliberadamente a fé cristã depois de ter conhecido profundamente suas verdades e privilégios. Hebreus 6 e Hebreus 10 apresentam solenes advertências acerca disso.

Essas coisas não devem ser confundidas.

  1. O caso de Pedro ajuda muito a compreender

Pedro disse:

“Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei” (Mateus 26:35).

Pouco depois, negou três vezes conhecer o Senhor.

Se Hebreus 6 e 10 estivessem falando simplesmente de cometer deliberadamente um pecado grave, Pedro estaria perdido.

Entretanto, antes mesmo da queda de Pedro, o Senhor lhe disse:

“Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lucas 22:32).

Pedro caiu, mas Cristo não permitiu que sua fé fosse finalmente destruída.

Essa é uma bela ilustração da preservação divina.

  1. E aquele que está preso a algum pecado?

Essa parte da sua pergunta é especialmente importante.

Uma pessoa verdadeiramente salva pode entrar numa situação muito grave de pecado. A Bíblia nunca trata isso levianamente.

Deus pode disciplinar severamente Seus filhos:

“Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho” (Hebreus 12:6).

Em 1 Coríntios 11:30, alguns crentes estavam sendo disciplinados fisicamente por Deus:

“Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.”

Portanto, segurança eterna não significa liberdade para pecar.

Muito pelo contrário.

Quem pertence ao Senhor está sujeito à disciplina do Pai.

Porém existe uma enorme diferença entre um filho de Deus que caiu e está sofrendo por causa do pecado e um apóstata que deliberadamente rejeita Cristo.

Pedro caiu e chorou amargamente.

Judas abandonou definitivamente Cristo.

Essa diferença é fundamental.

  1. Hebreus termina mostrando os dois lados

Hebreus apresenta advertências muito severas, mas também apresenta uma segurança extraordinária.

“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hebreus 10:14).

E próximo do final da epístola encontramos:

“Ora, o Deus de paz, que pelo sangue da aliança eterna tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande Pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade” (Hebreus 13:20-21).

Veja como isso é precioso.

A mesma epístola que contém as advertências mais severas também apresenta Cristo como o Grande Pastor das ovelhas e Seu sangue como “o sangue da aliança eterna”.

Portanto, irmão, Hebreus 6:4-6 e Hebreus 10:26-29 não devem ser usados para ensinar que toda vez que um verdadeiro cristão cai num pecado ele perde a salvação e precisa ser salvo novamente.

O assunto central dessas passagens é muito mais solene: abandonar deliberadamente Cristo depois de receber grande luz acerca dEle, repudiando o único sacrifício que Deus ofereceu para a salvação.

Ao mesmo tempo, essas passagens jamais devem ser usadas para produzir descuido espiritual. Elas nos chamam à perseverança, à santidade, à vigilância e à firmeza na fé.

A segurança do crente está em Cristo; a evidência dessa realidade aparece numa vida que, apesar de lutas, quedas e disciplina, continua olhando para Cristo.

Por isso Hebreus nos dá uma das mais belas exortações:

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hebreus 12:2).

Não olhamos para nossa própria força para termos segurança. Olhamos para Cristo.

Ele começou a obra.

Ele realizou o sacrifício.

Ele intercede pelos Seus.

Ele guarda as Suas ovelhas.

E Ele completará aquilo que começou.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

A Igreja verá a manifestação do iníquo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa tarde, irmão.

Hoje fui visitar uns irmãos reunidos ao nome do Senhor em Sousas (distrito de Campinas).

Eu nem sabia que existiam. Estão na cidade desde 1974. Um casal de americanos (família Lipsi) foi enviado como missionário para Campinas. Compraram um terreno e construíram um local para reuniões. Desde o início, eles procuraram pregar o Evangelho nas escolas da região e fazem isso até hoje. Também construíram uma chácara para acampamento de crianças e jovens.

Fui até lá para conhecê-los e verificar a doutrina, sem nenhum tipo de julgamento. Do pouco tempo que estive lá, percebi uma mistura de doutrinas, pois o fundador dessa igreja fundou mais seis, sendo que uma delas é associada à doutrina batista, e eles mantêm comunhão.

Fui lá com o intuito de dar ou receber algum dom, assim como Paulo.

Essa semana também, meu cunhado (“ex-missionário” da JOCUM) voltou a morar no Brasil. A JOCUM é muito semelhante à Teologia da Libertação católica (viés comunista). Fizeram uma lavagem espiritual nele; voltou crendo na Teologia do Pacto.

Agora vejo o que Paulo sofreu pela Igreja. Atualmente, é uma salada, já beirando uma apostasia. Jesus não é o centro; só é chamado para resolver problemas e deixado de lado 90% do tempo.

Em 1 Tessalonicenses 3:1-6 fala da apostasia. O que entendi é que o iníquo não irá se manifestar até que a apostasia se instaure. Pelo que parece, a Igreja estará vendo isso acontecer, mas, por outro lado, sei que o iníquo não pode se manifestar se o Espírito Santo estiver atuando na era da Graça.

Pode me explicar, por gentileza?

Um grande abraço.

Minha Resposta:

Sobre a sua pergunta, penso que há primeiro uma pequena correção na referência bíblica. O texto que trata diretamente da apostasia e da manifestação do iníquo não é 1 Tessalonicenses 3:1-6, mas 2 Tessalonicenses 2:1-12.

Em 1 Tessalonicenses 3, Paulo está falando das tribulações dos crentes e da visita de Timóteo. Já em 2 Tessalonicenses 2 encontramos a apostasia, o homem do pecado, o mistério da iniquidade e Aquele que atualmente restringe a manifestação do iníquo.

É muito importante fazer essa distinção.

  1. A apostasia já está acontecendo?

Existe um processo de abandono da verdade desde os dias apostólicos. Paulo escreveu:

“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé” (1 Timóteo 4:1).

E também:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Timóteo 4:3-4).

João também escreveu:

“Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos” (1 João 2:18).

Portanto, o espírito de apostasia e o princípio da iniquidade já estavam operando no primeiro século. O próprio Paulo diz:

“Porque já o mistério da injustiça opera” (2 Tessalonicenses 2:7).

Isso significa que podemos observar hoje elementos que preparam o terreno para aquilo que alcançará sua expressão completa no futuro.

Entretanto, devemos tomar cuidado para não chamar toda confusão doutrinária de “a apostasia” de 2 Tessalonicenses 2:3.

Uma igreja pode ter doutrinas erradas, uma denominação pode abandonar verdades bíblicas, cristãos professos podem aceitar ensinos contrários às Escrituras, e tudo isso faz parte do desenvolvimento da corrupção dentro da cristandade. Porém, 2 Tessalonicenses 2 aponta para algo ainda mais profundo e futuro: “a apostasia”, relacionada diretamente à manifestação do homem do pecado.

  1. A Igreja verá a manifestação do iníquo?

Aqui está o ponto principal da sua pergunta.

Entendo que não.

Paulo começa 2 Tessalonicenses 2 dizendo:

“Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele” (2 Tessalonicenses 2:1).

Essa “reunião com ele” corresponde ao que Paulo já havia ensinado aos mesmos irmãos:

“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

Portanto, precisamos distinguir dois acontecimentos: Cristo vindo para os Seus, quando a Igreja será arrebatada para encontrá-Lo nos ares, e a posterior manifestação pública de Cristo em juízo.

A esperança da Igreja não é a manifestação do Anticristo. A esperança da Igreja é Cristo.

Paulo não disse aos tessalonicenses: “Esperem o homem do pecado”. Ele ensinou que eles haviam se convertido “para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho” (1 Tessalonicenses 1:9-10).

  1. Então o que significa a apostasia?

Paulo diz:

“Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2 Tessalonicenses 2:3).

Há discussões quanto ao alcance da palavra traduzida por “apostasia”, mas, tomando-a no sentido comum de afastamento ou abandono, o contexto aponta para uma grande rebelião religiosa que alcançará sua plenitude depois que a restrição atual for removida.

Hoje já vemos o “mistério da iniquidade” operando. Vemos abandono das Escrituras, relativização da verdade, rejeição da autoridade de Cristo e substituição da Palavra de Deus por filosofias humanas.

Mas ainda existe uma barreira.

  1. Quem está impedindo a manifestação do iníquo?

É exatamente aqui que entra a sua observação sobre o Espírito Santo.

Paulo escreve:

“E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo” (2 Tessalonicenses 2:6-8).

Observe a sequência:

O mistério da iniquidade já opera.

Existe Alguém que o restringe.

Essa restrição será retirada.

Então o iníquo será revelado.

Entendo que Aquele que restringe é o Espírito Santo atuando presentemente no mundo de uma maneira especial por meio da Igreja.

A Igreja é habitada pelo Espírito Santo. Paulo escreveu:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Coríntios 3:16).

Individualmente, cada crente também é habitado pelo Espírito Santo:

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós?” (1 Coríntios 6:19).

Enquanto a Igreja estiver neste mundo, o Espírito Santo exerce essa ação restritiva que impede que a iniquidade alcance sua manifestação final na pessoa do homem do pecado.

  1. O Espírito Santo sairá da Terra?

Precisamos ter cuidado com essa expressão.

O Espírito Santo é Deus e, portanto, é onipresente. Ele não deixará de existir ou de atuar na Terra depois do arrebatamento.

O que terminará será a Sua atuação peculiar relacionada à presente dispensação: Sua presença na Igreja como habitação permanente e, consequentemente, essa forma particular de restringir a manifestação final da iniquidade.

Quando a Igreja for arrebatada, todos os crentes que formam o Corpo de Cristo serão retirados deste mundo. Com isso, a atuação restritiva do Espírito Santo por meio dessa Igreja chegará ao fim.

Isso não significa que o Espírito Santo não atuará durante a Tribulação.

Haverá pessoas convertidas naquele período. Apocalipse fala de uma grande multidão que passará pela Grande Tribulação (Apocalipse 7:9-14). Ninguém jamais nasceu de novo sem a operação do Espírito de Deus. Portanto, o Espírito Santo continuará atuando, convencendo e vivificando, assim como atuava antes do Pentecostes.

O que muda é o caráter dispensacional da Sua presença.

  1. Então qual seria a sequência?

Podemos compreender a sequência desta maneira:

Primeiro, estamos atualmente na era da Igreja. O Espírito Santo habita na Igreja, e o mistério da iniquidade já está operando, porém sob restrição.

Depois ocorrerá aquilo que Paulo descreveu em 1 Tessalonicenses 4:16-17: o Senhor descerá do céu, os mortos em Cristo ressuscitarão e os crentes vivos serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.

Com a retirada da Igreja, termina essa atuação específica do Espírito Santo como o grande Restridor do desenvolvimento final da iniquidade.

Então o caminho estará aberto para a manifestação do homem do pecado descrito em 2 Tessalonicenses 2.

É por isso que Paulo diz:

“E então será revelado o iníquo” (2 Tessalonicenses 2:8).

A palavra “então” é muito importante. Existe algo que precisa acontecer antes de sua manifestação plena.

  1. A confusão religiosa atual é significativa?

Sim, mas precisamos evitar marcar datas ou afirmar que determinado acontecimento prova que o arrebatamento acontecerá imediatamente.

Paulo já dizia no primeiro século que “o mistério da injustiça opera” (2 Tessalonicenses 2:7). Portanto, a corrupção religiosa não começou em nossa geração.

Entretanto, as Escrituras deixam claro que os últimos dias seriam caracterizados por crescente abandono da verdade.

Em 2 Timóteo 3:1-5, Paulo descreve homens “amantes de si mesmos”, “avarentos”, “presunçosos”, “soberbos”, “mais amigos dos deleites do que amigos de Deus”, e acrescenta algo muito significativo: “tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”.

Observe que não se trata simplesmente do mundo pagão. Existe aparência religiosa.

Mais adiante, Paulo diz:

“Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13).

Por isso, compreendo a sua preocupação quando encontra ambientes onde muitas doutrinas diferentes são misturadas. Porém, devemos analisar cada situação pela Palavra de Deus e não simplesmente pelo nome denominacional ou pela origem histórica de determinado grupo.

O princípio bíblico continua sendo:

“Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

E ainda:

“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus” (1 João 4:1).

  1. Sobre visitar outros irmãos

Também penso ser importante acrescentar algo a respeito da sua visita.

É correto desejar conhecer irmãos e conversar sobre as Escrituras. Contudo, devemos ter cuidado com a expressão “dar ou receber algum dom, assim como Paulo”.

Em Romanos 1:11, Paulo diz:

“Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados.”

Mas o versículo seguinte esclarece:

“Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha” (Romanos 1:12).

Paulo era apóstolo e possuía uma autoridade que nós não temos. Portanto, podemos visitar irmãos desejando edificação mútua, comunhão na Palavra e oportunidade de servir, mas sempre reconhecendo que os dons espirituais são distribuídos soberanamente pelo Espírito Santo:

“Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Coríntios 12:11).

  1. Cristo deve continuar sendo o centro

Sobre aquilo que o irmão comentou — que muitas vezes Cristo deixa de ser o centro — esse realmente é um perigo muito sério.

Uma igreja pode possuir muitas atividades, projetos, eventos, trabalhos sociais, música, conferências e até intensa atividade evangelística; porém, nada disso substitui a centralidade de Cristo.

Paulo escreveu:

“E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Colossenses 1:17-18).

A questão fundamental não é apenas se determinado grupo possui um bom trabalho, uma longa história ou muitas atividades. Devemos perguntar: Cristo possui realmente a preeminência? A Palavra de Deus possui autoridade? A doutrina dos apóstolos é respeitada? Há submissão ao Espírito Santo? O Evangelho é claramente anunciado? A igreja procura seguir o padrão do Novo Testamento?

Os crentes de Bereia receberam elogio porque examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Esse continua sendo um excelente princípio.

Portanto, irmão, resumindo sua pergunta: sim, já vemos o princípio da apostasia operando e podemos observar um crescente afastamento da verdade. Entretanto, não devemos confundir todos esses desvios presentes com a manifestação plena de “a apostasia” associada ao homem do pecado em 2 Tessalonicenses 2.

O mistério da iniquidade já opera, mas existe uma restrição divina. Enquanto a Igreja estiver aqui e o Espírito Santo estiver exercendo Sua presente atuação restritiva por meio dela, o iníquo não poderá manifestar-se plenamente. A Igreja será retirada no arrebatamento; então cessará essa forma específica de restrição, embora o Espírito Santo, sendo Deus, continue presente e atuante no mundo. Depois disso, o homem do pecado poderá ser revelado, até que finalmente o próprio Senhor Jesus o destrua “pelo assopro da sua boca” e pela manifestação da Sua vinda (2 Tessalonicenses 2:8).

Por isso, nossa expectativa não deve estar concentrada no Anticristo, mas em Cristo.

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Tessalonicenses 4:16-18).

Um grande abraço.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Eu entendo o seu ponto de vista, porém precisamos entender que a mensagem central do Evangelho é a ressurreição dos mortos.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Eu entendo o seu ponto de vista, porém precisamos entender que a mensagem central do Evangelho é a ressurreição dos mortos. O objetivo dele é fazer com que o homem vença o seu maior inimigo, a morte, através do combate ao pecado. Sendo assim, todos os trechos que você menciona são exemplos de figuras de linguagem, sentido figurado e visões. Eles não me parecem ser fatos, mas sombras do que há de acontecer. Então, não devemos levá-los ao pé da letra.

Veja, por exemplo, a transfiguração, onde parecia que Jesus conversava com Moisés e Elias. O objetivo ali era mostrar aos discípulos a divindade de Jesus, e não que Elias e Moisés estavam vivos na Glória. O texto deixa claro que o episódio era uma visão.

Minha Resposta:

Agradeço pelo seu comentário. Concordo que a ressurreição ocupa um lugar fundamental na mensagem do Evangelho. O apóstolo Paulo deixa isso muito claro em 1 Coríntios 15. Se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é vã (1 Coríntios 15:14-17). Também concordo que a morte é chamada de “o último inimigo” (1 Coríntios 15:26) e que sua derrota definitiva está relacionada à ressurreição.

Entretanto, precisamos distinguir duas verdades que a Bíblia apresenta claramente: uma coisa é a existência consciente da pessoa depois da morte; outra coisa é a ressurreição do corpo. A primeira não elimina a necessidade da segunda.

A ressurreição não significa que uma pessoa que deixou completamente de existir volta a existir. Ressurreição, nas Escrituras, envolve o corpo. Por isso Paulo pergunta: “Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?” (1 Coríntios 15:35). Depois explica que aquilo que é semeado em corrupção ressuscitará em incorrupção (1 Coríntios 15:42-44).

É justamente aqui que está a diferença.

Quando um crente morre, seu corpo fica aguardando a ressurreição, mas ele não deixa de existir conscientemente diante de Deus.

O próprio Paulo escreveu:

“Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).

Observe a relação estabelecida pelo apóstolo: deixar o corpo e estar com o Senhor.

Paulo apresenta novamente essa mesma esperança em Filipenses:

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. [...] Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:21-23).

Se, ao morrer, Paulo simplesmente deixasse de ter existência consciente até a ressurreição, seria difícil entender por que ele descreveu a morte como “ganho” e afirmou que “partir e estar com Cristo” era “ainda muito melhor”.

Mas há ainda outros textos.

Na cruz, o Senhor Jesus disse ao malfeitor arrependido:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).

O homem estava pensando no futuro: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lucas 23:42). Entretanto, o Senhor lhe respondeu falando daquele mesmo dia: “Hoje estarás comigo no Paraíso”.

Portanto, sua esperança não precisava aguardar a ressurreição para começar. Seu corpo morreria e aguardaria a ressurreição, mas ele estaria com Cristo.

O mesmo princípio aparece em Lucas 16:19-31, na narrativa do rico e Lázaro. Depois da morte, ambos aparecem conscientes. Lázaro está consolado e o rico está em tormento. Abraão também aparece consciente. Independentemente da discussão sobre ser uma parábola ou não, o Senhor jamais construiria um ensino usando como fundamento uma condição falsa acerca dos mortos.

Agora chegamos à transfiguração.

É verdade que Mateus 17:9 registra a palavra “visão”:

“E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem seja ressuscitado dentre os mortos.”

Mas a palavra “visão” não significa necessariamente algo imaginário, irreal ou sem correspondência com aquilo que realmente estava acontecendo.

O próprio texto deixa isso evidente.

Lucas escreve:

“E eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias” (Lucas 9:30).

Observe que Lucas não diz que os discípulos imaginaram Moisés e Elias. Ele identifica claramente os dois homens.

E mais:

“Os quais apareceram com glória e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém” (Lucas 9:31).

Eles não estavam apenas aparecendo. Estavam conversando com Cristo, e Lucas informa inclusive o assunto da conversa: a morte que o Senhor Jesus realizaria em Jerusalém.

Moisés havia morrido muitos séculos antes. Deuteronômio registra claramente:

“Assim morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor. E o sepultou num vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém tem sabido até hoje a sua sepultura” (Deuteronômio 34:5-6).

Elias, por outro lado, não passou pela morte da maneira comum, pois foi levado por Deus (2 Reis 2:11).

Séculos depois, ambos aparecem com Cristo.

Há um detalhe ainda mais importante. Pedro estava presente naquele acontecimento e, muitos anos depois, explicou o que havia acontecido:

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2 Pedro 1:16).

Pedro não diz: “Tivemos uma imaginação” ou “assistimos a uma representação fictícia”.

Ele diz: “Nós mesmos vimos”.

E continua:

“E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo” (2 Pedro 1:18).

Portanto, a transfiguração foi uma visão no sentido de uma revelação sobrenatural concedida aos discípulos, mas aquilo que lhes foi mostrado comunicava uma realidade verdadeira. Eles realmente viram a majestade de Cristo, realmente ouviram a voz do Pai e realmente viram Moisés e Elias falando com o Senhor.

Além disso, é importante observar que a transfiguração não tinha apenas a finalidade de demonstrar a divindade de Cristo. Ela também antecipava a glória futura do Seu reino.

Pouco antes, o Senhor havia dito:

“Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino” (Mateus 16:28).

Logo depois vem a transfiguração (Mateus 17:1-8).

Pedro posteriormente relacionou aquela experiência à “virtude e à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Pedro 1:16). Portanto, o monte apresentou antecipadamente uma manifestação da glória do reino futuro de Cristo.

Moisés e Elias também são significativos nessa cena. Moisés havia passado pela morte; Elias havia sido trasladado sem passar pela morte comum. Assim, naquela cena gloriosa temos uma bela antecipação daquilo que ocorrerá quando Cristo vier: haverá santos que morreram e serão ressuscitados, e haverá crentes vivos que serão transformados.

Paulo ensina exatamente isso:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:16-17).

Portanto, precisamos evitar dois extremos.

O primeiro seria negar a ressurreição futura do corpo. Isso seria contrário a 1 Coríntios 15.

O segundo seria pensar que, porque haverá uma ressurreição futura, necessariamente não existe consciência entre a morte e a ressurreição. A Bíblia não ensina isso.

O corpo aguarda a ressurreição, mas a pessoa continua existindo.

É por isso que a Escritura pode chamar a morte física de “sono”. O Senhor disse acerca de Lázaro:

“Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono” (João 11:11).

Os discípulos entenderam literalmente e pensaram que Lázaro estivesse dormindo. Então o Senhor esclareceu:

“Lázaro está morto” (João 11:14).

Portanto, “dormir” é uma figura bíblica para a morte, especialmente porque o corpo do crente será despertado na ressurreição. Não significa necessariamente inconsciência da pessoa diante de Deus.

Apocalipse apresenta a mesma verdade quando João vê “as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus” (Apocalipse 6:9). Essas almas estão conscientes e clamam:

“Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Apocalipse 6:10).

Depois recebem uma resposta e lhes é dito que “repousassem ainda um pouco de tempo” (Apocalipse 6:11).

Novamente temos pessoas que morreram fisicamente, mas aparecem conscientes antes da ressurreição final.

Por isso, não considero correto classificar todos esses textos simplesmente como figuras de linguagem e concluir que não descrevem nenhuma realidade presente. Quando diferentes partes das Escrituras convergem para a mesma verdade, devemos permitir que uma passagem esclareça a outra.

A esperança cristã completa não é simplesmente a sobrevivência da alma depois da morte. Nossa grande esperança é Cristo e, juntamente com Sua vinda, a ressurreição e transformação do corpo.

“Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (1 Coríntios 15:53).

Então se cumprirá plenamente a palavra:

“Tragada foi a morte na vitória” (1 Coríntios 15:54).

Portanto, concordamos que a vitória definitiva sobre a morte será manifestada na ressurreição. A diferença está em afirmar que, até essa ressurreição, os mortos deixaram de existir conscientemente. É justamente isso que textos como Lucas 16:19-31; Lucas 23:43; 2 Coríntios 5:6-8; Filipenses 1:21-23; Apocalipse 6:9-11 e a própria transfiguração não nos permitem concluir.

A ressurreição continua sendo indispensável, porque Deus não salvará apenas uma parte do homem. O corpo também pertence ao propósito redentor de Deus. Por isso aguardamos “a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23).

Assim, quando um crente morre, seu corpo aguarda a ressurreição, enquanto ele está com Cristo. Quando Cristo vier, o corpo será ressuscitado e transformado, e então a obra de redenção será manifestada também nele.

Essa é a maravilhosa esperança cristã: morrer é estar com Cristo; ressuscitar é receber um corpo incorruptível e glorificado; e o destino final do salvo é estar para sempre com o Senhor.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Penso que ninguém irá se salvar, a julgar por nossa natureza e pelo nosso coração terrivelmente pecaminoso. Haverá graça e misericórdia para quem falhar na obediência?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Um tema difícil de entender, irmão. Penso que ninguém irá se salvar, a julgar por nossa natureza e pelo nosso coração terrivelmente pecaminoso. Haverá graça e misericórdia para quem falhar na obediência?

A aparente contradição desaparece quando se distingue justificação de santificação.

Justificação: ninguém é declarado justo diante de Deus por cumprir a Lei. Paulo diz: “pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Romanos 3:20; Gálatas 2:16). A salvação é pela graça, mediante a fé, e não como mérito humano (Efésios 2:8-9).

Santificação: depois de justificado, o cristão é chamado a viver em obediência e transformação. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).

Quem santifica? Deus, pelo Espírito Santo, mediante Cristo. O sangue de Jesus purifica do pecado (1 João 1:7; Hebreus 13:12), e o Espírito produz a santificação (2 Tessalonicenses 2:13; 1 Pedro 1:2).

Então, as obras não salvam? Não como causa da justificação. Mas a fé verdadeira produz uma vida obediente: “somos feitura sua... criados em Cristo Jesus para as boas obras” (Efésios 2:10).

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos” (1 João 1:8). João não está ensinando que o cristão pode viver deliberadamente no pecado. Está reconhecendo a realidade de que ainda precisamos de confissão e purificação (1 João 1:9).

A graça salva → Cristo justifica → o Espírito santifica → o cristão pratica boas obras como fruto da fé.

As obras não compram a salvação, mas uma vida de santidade é apresentada no Novo Testamento como evidência e fruto da obra de Deus na pessoa.

“Para que sejais irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.” — 1 Coríntios 1:8

E:

“Fostes selados para o dia da redenção.” — Efésios 4:30

Minha Resposta:

Irmão, você compreendeu corretamente uma distinção muito importante: justificação e santificação não são a mesma coisa. Entretanto, eu acrescentaria alguns pontos para que não fiquemos com a impressão de que a segurança da nossa salvação depende de alcançarmos determinado nível de obediência.

Se a nossa entrada no céu dependesse de chegarmos ao fim da vida sem falhar, realmente ninguém seria salvo. A Escritura é muito clara quanto à condição natural do homem: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). E ainda: “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10).

É justamente nesse cenário de completa incapacidade humana que aparece a grandeza da graça de Deus.

  1. A justificação é uma obra completa de Deus

Romanos 3:24 diz:

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.”

Observe a palavra “gratuitamente”. Deus não justifica o pecador porque encontrou nele algum mérito, nem porque previu que aquele pecador conseguiria posteriormente viver uma vida perfeita. Deus o justifica com base na obra consumada de Cristo.

Por isso Romanos 5:1 afirma:

“Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo.”

Não diz que talvez tenhamos paz com Deus se conseguirmos manter determinada quantidade de boas obras. A justificação coloca o crente numa nova posição diante de Deus.

Cristo pagou completamente a dívida na cruz. É por isso que Romanos 8:33-34 pergunta:

“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena?”

A segurança do crente repousa primeiramente naquilo que Cristo fez, e não naquilo que o crente consegue fazer.

  1. Isso não significa que o crente se torna impecável

Aqui está outra distinção necessária.

Quando Deus justifica uma pessoa, isso não significa que sua velha natureza pecaminosa desapareceu ou que ela se tornou incapaz de pecar.

O próprio apóstolo João escreve aos crentes:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 João 1:8).

Portanto, a Bíblia não ensina perfeição sem pecado durante a nossa vida presente.

Mas João também não permite que alguém utilize isso como desculpa para viver no pecado. Logo depois ele escreve:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).

Veja o equilíbrio maravilhoso desse versículo.

“Para que não pequeis” — esse é o padrão de Deus.

“Se alguém pecar” — essa é a possibilidade da nossa fraqueza.

“Temos um Advogado para com o Pai” — esse é o recurso da graça de Deus.

João não diz: “Se alguém pecar, deixou de ser filho e precisa ser salvo novamente”.

Ele diz que temos “um Advogado para com o Pai”.

A relação continua sendo de Pai e filho. O pecado prejudica a nossa comunhão com Deus, entristece o Espírito Santo e pode trazer disciplina do Pai, mas Cristo continua sendo nosso Advogado.

  1. Existe diferença entre cair em pecado e viver deliberadamente no pecado

Esse ponto é fundamental para compreendermos 1 João.

João não está dizendo que um verdadeiro crente jamais cometerá um pecado. Se fosse isso, 1 João 1:8-10 e 2:1 seriam contraditórios.

Quando chegamos a 1 João 3, encontramos:

“Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu” (1 João 3:6).

E:

“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado” (1 João 3:9).

O pensamento ali é a prática habitual do pecado como característica da vida. Há uma grande diferença entre um crente que cai e um homem cuja vida é caracterizada pela prática deliberada e contínua do pecado, sem arrependimento.

Pedro caiu terrivelmente. Negou o Senhor Jesus três vezes (Lucas 22:54-62). Mas sua queda não revelou amor pelo pecado. Quando percebeu o que havia feito, “saindo para fora, chorou amargamente” (Lucas 22:62).

O pecado entristece aquele que nasceu de Deus.

  1. Então haverá graça e misericórdia quando falharmos?

Sim. E isso não é uma licença para pecar; é justamente uma das grandes consolações do Evangelho.

Hebreus 4:15-16 diz:

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas... Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”

Observe as duas palavras: “misericórdia” e “graça”.

Deus conhece perfeitamente a nossa fraqueza.

O Senhor Jesus sabia que Pedro iria negá-Lo antes mesmo de Pedro cair. Disse-lhe:

“Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lucas 22:31-32).

Cristo não aprovou o pecado de Pedro, mas também não abandonou Pedro por causa de sua queda.

Depois da ressurreição, o Senhor restaurou aquele servo caído e ainda lhe disse:

“Apascenta as minhas ovelhas” (João 21:17).

Isso é graça.

  1. Mas a graça nunca deve ser usada como desculpa para pecar

Alguém poderia raciocinar: “Se Deus me perdoará quando eu pecar, então posso viver como quiser”.

Paulo responde diretamente:

“Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum” (Romanos 6:1-2).

A mesma graça que salva também começa a transformar a vida daquele que foi salvo.

Tito 2:11-12 declara:

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente.”

Portanto, a graça não apenas nos salva da condenação do pecado; ela também nos ensina a dizer “não” ao pecado.

  1. As boas obras são resultado da salvação, não sua causa

Você citou corretamente Efésios 2:8-10. A ordem desses versículos é muito importante.

Primeiro:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé.”

Depois:

“Não vem das obras, para que ninguém se glorie.”

Somente então Paulo acrescenta:

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras.”

Portanto, não fazemos boas obras para sermos salvos.

Fazemos boas obras porque fomos salvos.

A árvore não se torna viva porque produz fruto; ela produz fruto porque está viva.

Assim também acontece espiritualmente. As obras são evidências da vida que Deus concedeu, não o preço pago por essa vida.

É dessa perspectiva que devemos entender também Tiago 2:17:

“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.”

Tiago não está acrescentando obras ao preço da salvação. Ele está mostrando que uma fé verdadeira manifesta sua realidade na vida. Abraão foi declarado justo quando creu em Deus (Gênesis 15:6; Romanos 4:1-5). Muitos anos depois, sua obediência no oferecimento de Isaque demonstrou exteriormente a realidade daquela fé (Gênesis 22:1-18; Tiago 2:21-23).

As obras não produziram a fé; demonstraram que aquela fé era real.

  1. E Hebreus 12:14: “sem a qual ninguém verá o Senhor”?

Esse versículo não ensina salvação pelas obras.

A santidade é uma característica necessária da vida que Deus produz naquele que nasceu de novo. Não devemos inverter a ordem bíblica.

Não somos santos para nos tornarmos filhos de Deus; somos chamados a viver em santidade porque somos filhos de Deus.

Primeira Pedro 1:15-16 diz:

“Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”

A santificação prática é progressiva. O Espírito Santo trabalha no crente, utilizando a Palavra de Deus para conformá-lo cada vez mais à imagem de Cristo.

Por isso o Senhor Jesus orou:

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17).

E Paulo escreveu:

“Mas todos nós... somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Coríntios 3:18).

Essa transformação continuará enquanto estivermos neste mundo e será completada quando estivermos com Cristo.

  1. Nossa esperança final está em Cristo, não em nossa perfeição

Primeira João 3:2 apresenta uma verdade maravilhosa:

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.”

Hoje ainda não somos aquilo que seremos.

Ainda temos fraquezas.

Ainda enfrentamos tentações.

Ainda podemos falhar.

Ainda precisamos confessar pecados.

Ainda precisamos da intercessão e advocacia de Cristo.

Mas Deus não terminou Sua obra em nós.

Filipenses 1:6 diz:

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.”

Portanto, irmão, não devemos olhar para a nossa natureza pecaminosa e concluir: “Se depender de mim, nunca chegarei ao céu”.

Nesse ponto, eu concordaria plenamente: se dependesse de nós, ninguém chegaria.

Mas a salvação não depende da capacidade do pecador de conservar-se a si mesmo. Ela repousa na obra de Cristo.

O Senhor Jesus declarou:

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10:27-28).

Ao mesmo tempo, note que Ele diz: “elas me seguem”.

Temos, portanto, as duas verdades juntas: segurança e discipulado; graça e santidade; posição e prática.

  1. O selo do Espírito Santo confirma essa segurança

Você mencionou corretamente Efésios 4:30:

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.”

É muito significativo que Paulo diga isso justamente numa passagem que trata da possibilidade de um cristão entristecer o Espírito Santo.

Ele não diz: “Não entristeçais o Espírito, para não perderdes o selo”.

Ele diz que os crentes estão “selados para o dia da redenção”.

Efésios 1:13-14 acrescenta que, depois de crermos, fomos “selados com o Espírito Santo da promessa”, que é “o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida”.

Portanto, nossa esperança não está em conseguirmos manter uma vida absolutamente impecável até o último dia. Nossa esperança está naquele que nos salvou, nos justificou, nos selou e continua trabalhando em nós.

  1. Então, qual deve ser a atitude do cristão quando falha?

Não deve pensar: “Já que sou salvo, não importa”.

Também não deve concluir imediatamente: “Pequei, portanto perdi minha salvação”.

Deve reconhecer o pecado diante de Deus:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).

Deve abandonar o pecado:

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13).

E deve continuar olhando para Cristo:

“Temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).

Portanto, podemos resumir desta maneira:

Não somos salvos porque obedecemos perfeitamente.

Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo.

Não praticamos boas obras para conquistar a justificação.

Praticamos boas obras porque fomos criados em Cristo Jesus para elas.

Não buscamos santidade para comprar um lugar no céu.

Buscamos santidade porque pertencemos Àquele que é santo.

Quando pecamos, não devemos tratar o pecado levianamente.

Devemos confessá-lo, abandoná-lo e buscar restauração na presença de Deus.

E nossa confiança final não está na força com que seguramos Cristo, mas na perfeição da obra que Cristo realizou por nós e na fidelidade daquele que nos segura.

Por isso Paulo podia dizer:

“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:38-39).

A graça não nos dá liberdade para viver no pecado. A graça nos salva da condenação do pecado e nos conduz numa vida de santificação. E quando, em nossa fraqueza, falhamos, encontramos em Cristo não uma desculpa para continuar pecando, mas um Advogado, um Sumo Sacerdote e graça suficiente para sermos restaurados e continuarmos caminhando com Deus.

Josué Matos

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