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Como os irmãos tratam situações em que um irmão pecou?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, como os irmãos tratam situações em que um irmão pecou, por exemplo: má doutrina, mal moral ou eclesiástico, foi disciplinado e depois veio a arrepender-se? Ele poderá exercer ministério para o ensino da Palavra e oração? Agradeço.

Minha Resposta:

Prezado irmão, esta é uma questão importante, porque precisamos distinguir três coisas que, embora relacionadas, não são exatamente iguais: perdão, restauração à comunhão e qualificação para determinado serviço ou responsabilidade na igreja local.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que o objetivo da disciplina bíblica não é destruir o irmão que pecou, mas levá-lo ao arrependimento e, sendo possível, à restauração. Em 1 Coríntios 5, encontramos um caso grave de pecado moral que exigiu que aquele homem fosse tirado da comunhão da igreja. Entretanto, em 2 Coríntios 2:6-8, encontramos um homem disciplinado que havia demonstrado arrependimento, e Paulo escreve:

“Basta-lhe ao tal esta repreensão feita por muitos. De maneira que, pelo contrário, deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja, de modo algum, devorado de demasiada tristeza. Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.”

Portanto, quando existe verdadeiro arrependimento, a disciplina alcançou o seu propósito. A igreja não deve continuar tratando aquela pessoa como se permanecesse impenitente. Deve haver perdão, consolo, amor e restauração à comunhão. O mesmo princípio aparece em Gálatas 6:1: “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão”.

Mas a pergunta do irmão vai um pouco além: depois de restaurado à comunhão, poderá novamente ensinar a Palavra e participar publicamente em oração?

Não creio que seja correto estabelecer uma regra dizendo que todo irmão disciplinado jamais poderá exercer qualquer ministério público novamente. A Bíblia não ensina que todo pecado disciplinar produza automaticamente uma proibição vitalícia de toda participação pública. Entretanto, também seria errado pensar que, pelo simples fato de ter sido recebido novamente à comunhão, imediatamente tudo volta a ser exatamente como era antes.

Uma coisa é restauração à comunhão; outra coisa é restauração da confiança e da capacidade para determinado serviço.

Por exemplo, quando Pedro negou o Senhor Jesus, seu pecado foi extremamente sério. Ele negou três vezes que conhecia o Senhor. Todavia, houve verdadeiro arrependimento: “E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente” (Lucas 22:62). Mais tarde, o próprio Senhor tratou com ele e o restaurou: “Apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas” (João 21:15-17). Pedro não somente foi perdoado, mas voltou a ser usado poderosamente por Deus.

Portanto, devemos tomar cuidado para não estabelecer uma lei humana dizendo que alguém que caiu nunca mais poderá ser usado pelo Senhor.

Ao mesmo tempo, cada caso precisa ser considerado segundo a natureza do pecado, as circunstâncias, as consequências que ficaram, a evidência do arrependimento e o testemunho posterior daquele irmão.

Se o problema foi má doutrina, por exemplo, não basta simplesmente dizer: “Eu me arrependi”. É necessário que fique evidente que aquele irmão abandonou realmente o erro e agora está firme na verdade. Paulo menciona Himeneu e Alexandre em 1 Timóteo 1:19-20, e também Himeneu e Fileto em 2 Timóteo 2:17-18, mostrando como o erro doutrinário pode causar grande dano entre os santos. Quem ensinou publicamente um erro precisa demonstrar claramente que agora reconhece e rejeita aquele erro antes de voltar a ensinar outros.

Se foi um pecado moral, também será necessária muita prudência. O arrependimento pode ser verdadeiro e a restauração à comunhão também, mas a confiança necessária para o ministério público normalmente precisará ser reconstruída ao longo do tempo. Não seria sábio disciplinar hoje, receber novamente amanhã e imediatamente colocá-lo novamente numa posição de destaque. O tempo muitas vezes revela a realidade do arrependimento e os frutos produzidos por ele.

João Batista dizia: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8). Paulo também falou de obras “dignas de arrependimento” (Atos dos Apóstolos 26:20). Portanto, o verdadeiro arrependimento produz evidências.

Devemos ainda fazer uma distinção importante quando se trata de um irmão que anteriormente exercia responsabilidade como ancião ou presbítero. As qualificações para esse trabalho são muito elevadas. Paulo diz que “convém, pois, que o bispo seja irrepreensível” (1 Timóteo 3:2), e acrescenta que “convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora” (1 Timóteo 3:7). Em Tito 1:6-9 encontramos novamente o requisito de ser “irrepreensível”.

Por isso, pode acontecer que um irmão seja plenamente perdoado, restaurado à comunhão e amado pelos santos, mas que determinado pecado tenha comprometido permanentemente sua qualificação para uma responsabilidade específica. Perdão não significa necessariamente recuperação de todo cargo, responsabilidade ou confiança anterior.

Davi nos oferece um princípio importante. Seu pecado foi perdoado. Quando confessou: “Pequei contra o Senhor”, Natã respondeu: “Também o Senhor traspassou o teu pecado; não morrerás” (2 Samuel 12:13). Porém, apesar do perdão, permaneceram consequências sérias em sua vida e em sua casa. Isso mostra que perdão e consequências não são a mesma coisa.

Quanto à oração pública, eu também evitaria criar uma proibição absoluta que a Escritura não estabelece. Se o irmão foi verdadeiramente restaurado, está novamente em comunhão e apresenta um testemunho coerente, não devemos tratá-lo para sempre como alguém que continua debaixo de disciplina. A restauração bíblica precisa ser real. Se Deus perdoou e a igreja reconheceu o arrependimento, não devemos conservar sobre aquele irmão uma marca de condenação permanente.

Entretanto, especialmente quanto ao ministério da Palavra, deve haver maior cuidado, porque ensinar envolve responsabilidade diante de Deus. Tiago 3:1 diz: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo”. Portanto, não se trata apenas de perguntar: “Ele está novamente em comunhão?”, mas também: “Ele está espiritualmente preparado para voltar a ensinar? Recuperou a confiança dos irmãos? Sua vida confirma aquilo que ele ensina? O problema anterior compromete a natureza do ministério que pretende exercer?”

Assim, eu resumiria desta maneira:

O irmão verdadeiramente arrependido deve ser perdoado, consolado, amado e restaurado à comunhão. Não devemos manter alguém indefinidamente debaixo de disciplina depois que o propósito da disciplina foi alcançado. Isso contrariaria o espírito de 2 Coríntios 2:6-8.

Porém, restauração à comunhão não significa necessariamente restauração imediata — ou, em determinadas situações, restauração completa — de todas as responsabilidades que exercia anteriormente.

Para voltar ao ministério público da Palavra, é necessário considerar a natureza do pecado, a profundidade e evidência do arrependimento, o tempo decorrido, o testemunho posterior, a confiança da igreja e, sobretudo, se as qualificações bíblicas necessárias continuam presentes.

Também precisamos evitar dois extremos. O primeiro é a tolerância que trata o pecado como algo sem importância. O segundo é uma severidade que praticamente afirma que não existe restauração depois de uma queda. A Palavra de Deus não permite nenhum dos dois.

Paulo foi muito firme em 1 Coríntios 5 quando o homem precisava ser disciplinado; mas foi igualmente firme em 2 Coríntios 2 quando aquele homem precisava ser perdoado, consolado e novamente cercado pelo amor dos irmãos. A mesma Palavra que ordena disciplina também ordena restauração.

Cada caso, portanto, precisa ser tratado pelos irmãos responsáveis com oração, temor de Deus, conhecimento completo dos fatos e submissão à Palavra. Não devemos ter uma fórmula automática para todos os casos, pois uma queda moral, um erro doutrinário, um comportamento eclesiástico desordenado e uma falha que compromete as qualificações de um presbítero não possuem necessariamente as mesmas consequências.

O princípio fundamental é este: disciplina tem como objetivo a restauração; restauração significa verdadeira comunhão; mas comunhão restaurada e qualificação para determinado ministério não são necessariamente a mesma coisa.

E, quando houver verdadeira restauração, devemos lembrar das palavras de 2 Coríntios 2:7-8: “Deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo... confirmeis para com ele o vosso amor”.

Josué Matos

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