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A “lei do marido”, mas a lei que é citada em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39 não seria a lei divina do matrimônio criada por Deus?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, estava lendo aqui, e você cita a “lei do marido”, mas a lei que é citada em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39 não seria a lei divina do matrimônio criada por Deus?

Minha Resposta:

Sim, irmão. É importante fazer essa distinção, porque a expressão “lei do marido”, em Romanos 7:2, não deve ser entendida simplesmente como uma referência à Lei de Moisés sobre divórcio, nem como se Paulo estivesse estabelecendo uma regra exclusivamente judaica. O princípio que Paulo usa é muito mais antigo. Ele está fundamentado na ordem divina estabelecida por Deus para o matrimônio desde a criação.

Em Romanos 7:2-3 lemos:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido.”

Observe a expressão: “enquanto ele viver”. Depois Paulo acrescenta: “morto o marido, está livre da lei do marido”.

Portanto, a morte aparece como aquilo que encerra o vínculo e dá liberdade para uma nova união.

Isso fica ainda mais claro quando comparamos Romanos 7 com 1 Coríntios 7:39:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Em Romanos 7, Paulo utiliza o matrimônio como uma ilustração para explicar nossa antiga relação com a lei e nossa nova relação com Cristo. Portanto, o assunto principal de Romanos 7 não é casamento e divórcio. Contudo, a ilustração somente funciona porque Paulo parte de um princípio matrimonial que seus leitores poderiam reconhecer: enquanto o cônjuge vive, permanece o vínculo; ocorrendo a morte, existe liberdade para uma nova união.

Mas de onde vem esse princípio?

Precisamos voltar a Gênesis, e não começar em Deuteronômio.

  1. A lei fundamental do casamento vem da criação

Antes de existir Israel, antes de Moisés, antes do Sinai e antes da antiga aliança, Deus já havia estabelecido o casamento.

Gênesis 2:24 declara:

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

Esse princípio foi estabelecido quando havia apenas um homem e uma mulher. Não existia ainda a nação de Israel nem a Lei mosaica.

Portanto, o casamento pertence à ordem criacional de Deus.

É muito significativo que, quando os fariseus perguntaram ao Senhor Jesus sobre o divórcio, Ele não começou por Deuteronômio 24. Ele voltou a Gênesis.

Mateus 19:4-6 diz:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”

Veja a expressão empregada pelo Senhor:

“no princípio”.

Esse detalhe é fundamental.

Os fariseus queriam discutir aquilo que Moisés havia permitido. O Senhor Jesus os levou àquilo que Deus havia estabelecido antes da permissão mosaica.

Depois eles perguntaram:

“Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?”

E o Senhor respondeu:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:7-8).

Novamente aparece a expressão decisiva:

“ao princípio não foi assim”.

Portanto, há uma diferença entre o princípio divino da criação e aquilo que posteriormente foi permitido por causa da dureza do coração humano.

  1. “A lei do marido” não deve ser confundida com a permissão de Deuteronômio 24

Esse ponto ajuda bastante a compreender Romanos 7.

Quando Paulo fala da “lei do marido”, ele não está dizendo que a carta de divórcio de Deuteronômio 24 constitui o fundamento permanente do matrimônio.

Pelo contrário, ele apresenta uma relação que permanece enquanto o cônjuge vive e que termina pela morte.

A própria ilustração seria enfraquecida se Paulo estivesse dizendo que o vínculo poderia terminar simplesmente por uma decisão humana. Seu argumento depende da permanência daquela relação enquanto houver vida.

Por isso ele diz:

“enquanto ele viver”.

E:

“morto o marido, está livre”.

Depois, em 1 Coríntios 7:39, praticamente o mesmo princípio aparece novamente:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive.”

Logo, podemos chamar isso de lei divina do matrimônio no sentido de ser o princípio estabelecido por Deus para a união conjugal.

  1. O casamento precede a Lei de Moisés

Isso também responde a uma questão importante que apareceu anteriormente em nossa conversa.

Não podemos colocar tudo o que o Senhor Jesus ensinou sobre casamento simplesmente dentro da categoria de “antiga aliança” e, depois, dizer que o ensino apostólico começou do zero após a cruz.

Há elementos especificamente mosaicos que pertenciam a Israel, mas o matrimônio não nasceu no Sinai.

Adão não era israelita.

Eva não estava sob a Lei mosaica.

Mesmo assim, Deus disse:

“serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

O Senhor Jesus confirmou esse princípio em Mateus 19:4-6 e Marcos 10:6-9.

Paulo voltou ao mesmo texto em Efésios 5:31:

“Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne.”

Assim temos uma sequência muito importante:

Gênesis 2 estabelece o princípio.

O Senhor Jesus confirma o princípio.

Paulo confirma o princípio.

Isso mostra a permanência da ordem divina para o matrimônio.

  1. “Uma só carne” é mais profundo do que um contrato humano

Outro detalhe importante é que Deus não descreve o casamento apenas como um contrato social.

Ele diz:

“serão uma só carne”.

O Senhor Jesus acrescenta:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Portanto, existe uma ação divina reconhecida nessa união.

Um tribunal humano pode declarar duas pessoas civilmente divorciadas, mas a pergunta bíblica é mais profunda: o que acontece com o vínculo que Deus estabeleceu?

É exatamente nesse ponto que Romanos 7:2-3 se torna tão importante:

“vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido”.

Por quê?

Porque o primeiro homem ainda está vivo e, portanto, o vínculo que serve de base à argumentação de Paulo permanece.

  1. 1 Coríntios 7 confirma essa compreensão

Esse princípio não aparece apenas incidentalmente em Romanos 7.

Em 1 Coríntios 7, Paulo está tratando diretamente de casamento.

Aos casados ele diz:

“Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (1 Coríntios 7:10-11).

Observe as duas possibilidades dadas à pessoa separada:

“que fique sem casar”;

ou

“que se reconcilie”.

Isso é muito significativo.

Paulo não apresenta a separação como oportunidade para começar outra união.

E quando chega ao final do capítulo, ele declara:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

A morte é apresentada novamente como o acontecimento que concede liberdade para casar novamente.

  1. Isso também explica Marcos 10 e Lucas 16

Marcos registra as palavras do Senhor:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Lucas registra:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Essas declarações harmonizam-se perfeitamente com Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39.

A razão pela qual uma nova união é chamada de adultério enquanto o primeiro cônjuge vive é justamente a permanência do vínculo matrimonial estabelecido por Deus.

  1. Portanto, irmão, sua observação está correta

Quando você pergunta se a “lei do marido” é a lei divina do matrimônio criada por Deus, eu diria que sim, desde que entendamos corretamente a expressão.

Romanos 7 está inserido numa discussão maior sobre a lei, e Paulo utiliza o matrimônio como ilustração. Porém, o princípio matrimonial utilizado por ele não começou com a legislação do divórcio dada a Israel.

Sua raiz está em Gênesis:

“serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

Foi confirmado pelo Senhor:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Foi reafirmado por Paulo:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

E novamente:

“vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido” (Romanos 7:3).

Assim, podemos fazer uma distinção importante:

A permissão do divórcio em Deuteronômio estava relacionada à legislação dada a Israel e à dureza do coração humano.

O princípio da união matrimonial, porém, é anterior à Lei de Moisés. Ele pertence à própria ordem estabelecida por Deus na criação.

Por isso o Senhor Jesus não disse aos fariseus: “Vamos descobrir como facilitar o divórcio”.

Ele disse, em essência: voltem ao princípio.

“Desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” (Marcos 10:6).

Essa é a chave.

O padrão não começa em Deuteronômio 24. Começa em Gênesis 2.

E é justamente esse princípio que encontramos novamente no ensino apostólico.

Josué Matos

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