Áudios

Pesquisar este blog

É errado dizer: O Céu Cheio de Pecadores Salvos?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Pura mentira.

Mentira. Mentira. No céu não entra pecado; Deus não é criador de porcos. Mude o título do seu vídeo: “O Céu Cheio de Pecadores Salvos — Josué Matos”.

O céu estará cheio de arrependidos salvos. Já não mais pecadores.

Minha Resposta:

Creio que houve um equívoco na compreensão do título do vídeo. Em nenhum momento a afirmação “O Céu Cheio de Pecadores Salvos” significa que o céu estará cheio de pessoas vivendo no pecado, muito menos que o pecado entrará na presença de Deus.

Nisto estamos de acordo: no céu não haverá pecado.

Apocalipse 21:27 afirma claramente: “E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”.

Entretanto, dizer que o céu estará cheio de “pecadores salvos” é uma maneira perfeitamente bíblica de destacar a graça de Deus. A expressão não descreve a condição moral dos salvos quando estiverem glorificados no céu, mas aquilo que eles eram por natureza e aquilo de que foram salvos.

Quem estará no céu? Pessoas que nunca foram pecadoras? Não. Estarão ali pessoas que foram pecadoras e que foram salvas exclusivamente pela graça de Deus mediante a obra do Senhor Jesus Cristo.

É exatamente por isso que o título fala de “pecadores salvos”.

O próprio apóstolo Paulo escreveu:

“Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (Primeira Epístola a Timóteo 1:15).

Observe algo interessante: Paulo não disse simplesmente “dos quais eu era o principal”, mas “dos quais eu sou o principal”. Ele jamais estava dizendo que continuava vivendo deliberadamente no pecado. O mesmo homem escreveu:

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum. Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Epístola aos Romanos 6:1-2).

Portanto, existe uma diferença importante entre ser um pecador salvo pela graça e viver na prática deliberada do pecado.

A salvação não transforma o pecador em uma pessoa que nunca pecou. Ela transforma um pecador condenado em um pecador perdoado, justificado, regenerado e santificado em Cristo. Enquanto ainda estamos neste corpo, porém, não alcançamos a perfeição sem pecado.

O apóstolo João escreveu aos crentes:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (Primeira Epístola de João 1:8).

E acrescenta:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (Primeira Epístola de João 2:1).

Veja o equilíbrio da Palavra de Deus. O propósito é “para que não pequeis”; portanto, o cristão não recebe licença para pecar. Contudo, João reconhece a possibilidade de um verdadeiro crente pecar: “se alguém pecar”. Nesse caso, temos um Advogado para com o Pai.

A Bíblia também chama os crentes de “santos”, mas isso não significa que eles já tenham alcançado, nesta vida, um estado de impecabilidade absoluta. A santificação posicional do crente em Cristo é uma realidade presente; a libertação completa da presença do pecado ainda é futura.

Podemos compreender a salvação em três aspectos.

Fomos salvos da condenação do pecado.

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Epístola aos Romanos 8:1).

Estamos sendo libertados do domínio do pecado em nossa vida prática.

“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências” (Epístola aos Romanos 6:12).

E seremos finalmente libertados da própria presença e de todos os efeitos do pecado quando Cristo transformar o nosso corpo.

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Epístola aos Filipenses 3:20-21).

É nesse momento que a obra será completa também quanto ao nosso corpo.

Primeira Epístola aos Coríntios 15:51-53 declara:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade.”

Portanto, não ensinamos que pessoas continuarão pecando no céu. Ensinamos exatamente o contrário. Aqueles que Cristo salvou serão finalmente apresentados em perfeição diante de Deus.

Primeira Epístola de João 3:2 diz:

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.”

Judas também apresenta esta maravilhosa esperança:

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” (Epístola de Judas 24).

Assim, quando estivermos na glória, não haverá natureza pecaminosa atuando em nós, corrupção, tentação ou possibilidade de queda. Seremos apresentados irrepreensíveis diante de Deus.

Mas isso não torna incorreta a expressão “pecadores salvos”.

Veja como Paulo descreve os próprios cristãos de Corinto. Depois de mencionar fornicadores, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores, ele declara:

“E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (Primeira Epístola aos Coríntios 6:11).

Que maravilhosa expressão: “é o que alguns têm sido”.

Quem eram aquelas pessoas? Pecadores.

O que aconteceu com elas? Foram lavadas, santificadas e justificadas.

Quem, então, estará no céu? Pecadores que foram salvos!

Não estarão no céu praticando aquilo que praticavam antes. Não estarão contaminados pelo pecado. Estarão glorificados e perfeitamente conformados à imagem de Cristo. Entretanto, jamais poderão dizer que chegaram ali porque nunca foram pecadores.

Pelo contrário, eternamente reconhecerão que estão ali por causa da graça de Deus e do sangue do Cordeiro.

Apocalipse 5:9 registra o cântico da redenção:

“Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação.”

É precisamente nisso que está a glória do Evangelho. O céu não será ocupado por pessoas que conseguiram tornar-se boas o suficiente para merecê-lo. Será ocupado por pessoas que estavam perdidas, condenadas e arruinadas pelo pecado, mas foram alcançadas pela graça de Deus através da obra de Cristo.

A Epístola aos Efésios declara:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).

Portanto, concordo com a frase: “O céu estará cheio de arrependidos salvos”. Sim. Mas arrependidos salvos de quê? Do pecado. E o que eram antes de serem salvos? Pecadores.

Logo, chamar essas pessoas de “pecadores salvos” enfatiza não a condição futura delas no céu, mas a grandeza da graça que as levou até lá.

O céu estará cheio de ex-mentirosos, ex-idólatras, ex-adúlteros, ex-ladrões, ex-imorais, ex-religiosos orgulhosos e toda espécie de pessoas que reconheceram sua condição diante de Deus e foram lavadas pelo sangue de Cristo. Nenhuma delas poderá dizer: “Estou aqui porque nunca fui pecador”. Todas estarão ali porque Cristo morreu pelos pecadores.

Aliás, retirar a palavra “pecadores” pode acabar retirando justamente a verdade que torna a graça tão maravilhosa.

Cristo não veio salvar pessoas que já eram santas.

Cristo veio salvar pecadores.

“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Evangelho segundo Lucas 19:10).

E quando esses pecadores salvos chegarem à glória, já não haverá neles qualquer presença ou efeito do pecado. Serão glorificados, incorruptíveis e semelhantes a Cristo. Então se cumprirá plenamente aquilo que Deus determinou para os que estão em Seu Filho:

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Epístola aos Romanos 8:29).

Portanto, não há contradição:

O céu não estará cheio de pecado.

O céu estará cheio de pecadores salvos do pecado.

Não haverá pecadores praticando pecado na glória; haverá pessoas que foram pecadoras na Terra, salvas pela graça, lavadas pelo sangue de Cristo e finalmente glorificadas.

E esta distinção é muito importante.

Se alguém chegar ao céu, não será porque conseguiu deixar de ser pecador por seus próprios esforços, mas porque Jesus Cristo salvou um pecador que não podia salvar a si mesmo.

Por isso, o título permanece adequado: “O Céu Cheio de Pecadores Salvos”.

Toda a glória será de Cristo, pois “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (Primeira Epístola a Timóteo 1:15).

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos: 

https://appscentralhub.com