Alguém que me escreveu no YouTube:
Irmão Josué, se você entende que um cristão não deve votar nesta pátria, então você não deveria fazer vídeos com esse conteúdo. Faça vídeos sobre a pátria celestial; não perca tempo falando dessas coisas. Além do mais, podem confundi-lo com os cristãos esquerdistas que vivem postando vídeos dizendo que o cristão não deve se envolver com política, mas, no final, vão votar nos candidatos que apoiam aborto, ideologia de gênero, feminismo e ridicularização da Bíblia. Você é um homem inteligente, já deve ter percebido que é justamente esse tipo de conteúdo que os anticristãos estão promovendo na internet.
Minha Resposta:
Agradeço pela sua preocupação e compreendo o ponto que você está apresentando. Entretanto, penso que precisamos fazer uma distinção importante: uma coisa é o cristão participar da política deste mundo; outra coisa é ensinar biblicamente qual deve ser a posição do cristão diante dela.
Se eu entendo, pelas Escrituras, que o cristão não deve se envolver na política deste mundo, isso não significa que eu não possa falar sobre política. Pelo contrário, justamente porque muitos irmãos têm dúvidas sobre votar, apoiar candidatos, participar de partidos, manifestações e movimentos políticos, é necessário explicar por que entendo que o Novo Testamento apresenta ao cristão um caminho diferente.
Quando faço um vídeo sobre esse assunto, não estou tentando convencer ninguém a votar na esquerda, na direita ou no centro. Também não estou defendendo neutralidade moral diante do pecado. Estou procurando mostrar que a posição celestial do cristão está acima dessas divisões políticas.
O cristão não deixa de condenar o pecado porque não participa da política.
Precisamos deixar isso muito claro.
A Bíblia condena aquilo que é contrário à vontade de Deus independentemente de quem o defenda. O cristão deve permanecer firme contra tudo aquilo que a Palavra de Deus chama de pecado. Não precisamos pertencer a um partido político para dizer que determinada prática é contrária às Escrituras.
João Batista, por exemplo, denunciou diretamente o pecado de Herodes:
“Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18).
Ele não precisou tornar-se membro de um movimento político para denunciar o pecado de um governante.
O Senhor Jesus também denunciou os pecados dos homens e das autoridades religiosas de Seus dias. Os apóstolos fizeram o mesmo. Todavia, não encontramos o Senhor Jesus nem os apóstolos organizando movimentos políticos para transformar o Império Romano.
Portanto, não participar da política não significa permanecer calado diante do pecado.
Há uma enorme diferença entre testemunho moral e participação política.
O cristão pode dizer claramente: “Isto é pecado”, porque Deus assim diz em Sua Palavra, sem acrescentar: “Portanto, vote neste candidato”.
Essa diferença é fundamental.
O Senhor Jesus declarou diante de Pilatos:
“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).
Observe que Ele estava falando justamente diante de uma autoridade política. Pilatos representava o poder de Roma. Se houvesse ocasião apropriada para o Senhor ensinar Seus discípulos a disputar o poder político, aquela seria uma excelente oportunidade. Mas Ele declarou exatamente o contrário: Seu reino não procedia daquele sistema.
Isso não significa que Deus não tenha estabelecido o governo humano. Estabeleceu, sim.
Romanos 13:1 diz:
“Não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.”
O cristão deve, portanto, respeitar as autoridades.
Romanos 13:7 acrescenta:
“Dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.”
Pedro ensina a mesma coisa:
“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor” (1 Pedro 2:13).
Portanto, não estou ensinando rebelião contra o Estado. O cristão deve ser um cidadão exemplar: deve obedecer às leis, pagar seus impostos, respeitar as autoridades e viver de maneira honesta. A exceção acontece quando o governo exige algo contrário à vontade de Deus. Nesse caso permanece o princípio:
“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).
Mas existe algo muito interessante. Quando o Novo Testamento ensina como o cristão deve relacionar-se com os governantes, a orientação não é: “Escolham os melhores governantes”. A orientação é:
“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência” (1 Timóteo 2:1-2).
Esta é uma das grandes responsabilidades políticas do cristão, se podemos usar essa expressão: orar pelas autoridades.
Podemos entrar na presença de Deus e interceder por reis, presidentes, primeiros-ministros, governantes e autoridades. E fazemos isso independentemente de concordarmos ou não com suas ideias.
Nossa confiança não está no voto, mas em Deus.
Daniel disse:
“Ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis” (Daniel 2:21).
E Daniel 4:17 declara que:
“O Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer.”
Isto não significa que todos os governantes sejam bons. Nabucodonosor certamente não era um homem piedoso quando recebeu aquela declaração. Significa que Deus continua soberano sobre a História.
Agora chegamos ao ponto principal.
Paulo escreveu:
“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).
A ideia é de cidadania. Nossa cidadania verdadeira está nos céus.
Pedro acrescenta outra descrição:
“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros...” (1 Pedro 2:11).
Essas duas palavras são extremamente importantes: peregrinos e forasteiros.
O peregrino está viajando para sua pátria.
O forasteiro está vivendo numa terra que não é a sua.
Portanto, o cristão está neste mundo, mas não pertence moralmente ao sistema deste mundo.
Paulo apresenta ainda outra figura:
“De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo” (2 Coríntios 5:20).
Pense na figura de um embaixador.
Um embaixador vive em outro país, mas representa os interesses de sua própria pátria. Ele não foi enviado para tornar-se parte do governo da nação onde está temporariamente. Ele representa outro governo.
Assim também acontece conosco.
Nossa pátria está nos céus.
Nosso Rei é Cristo.
Nossa mensagem é o Evangelho.
Nossa missão é representar Cristo neste mundo.
E qual é a mensagem do embaixador?
O próprio contexto responde:
“Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” (2 Coríntios 5:20).
Esta é nossa grande mensagem ao mundo.
Não dizemos ao pecador simplesmente: “Mude seu voto”.
Dizemos:
“Reconcilie-se com Deus.”
Porque um homem pode votar no candidato politicamente mais conservador possível e continuar perdido eternamente.
Pode ser contra o aborto e continuar perdido.
Pode defender a família tradicional e continuar perdido.
Pode defender valores morais e continuar perdido.
Nicodemos era um homem religioso, moral e respeitado, mas o Senhor Jesus lhe disse:
“Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).
Esse é o problema fundamental do homem.
O problema da humanidade não será resolvido simplesmente colocando pessoas melhores nos governos. O problema está no coração humano.
O Senhor Jesus disse:
“Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Marcos 7:21-22).
A política pode criar leis, mas não pode produzir novo nascimento.
Pode restringir determinadas manifestações do mal, e devemos agradecer a Deus quando isso acontece, mas não pode transformar o coração humano.
Somente Cristo pode fazer isso.
Quanto à possibilidade de alguém me confundir com cristãos de esquerda, compreendo sua preocupação, mas não posso definir minha posição bíblica pelo receio de ser confundido com determinado grupo.
Também não quero ser confundido com cristãos de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política.
Quero ser reconhecido simplesmente como alguém que pertence ao Senhor Jesus.
Paulo escreveu:
“Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Romanos 14:7-8).
Se alguém disser: “O cristão não deve participar da política porque precisamos apoiar determinado partido de esquerda”, eu discordarei.
Se outro disser: “O cristão precisa participar da política porque precisa apoiar determinado partido de direita”, também não encontro esse mandamento no Novo Testamento.
Minha posição não depende da esquerda nem da direita.
Depende daquilo que entendo das Escrituras.
Aliás, existe um perigo muito sério quando começamos a identificar a causa de Cristo com um movimento político. Em pouco tempo, podemos começar a tratar determinados políticos como se fossem defensores oficiais da fé cristã.
Mas nenhum partido representa Cristo.
Nenhum candidato representa o Reino de Deus.
Nenhuma ideologia humana pode ser identificada com o Evangelho.
A Igreja não foi enviada ao mundo para colocar um partido no poder. Foi enviada para anunciar Cristo.
Paulo disse:
“Porque não me propus saber entre vós coisa alguma, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Coríntios 2:2).
E também:
“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).
Por isso, quando falo sobre política, meu objetivo não é entrar na disputa política, mas justamente explicar por que entendo que o cristão deve conservar sua posição celestial.
Também concordo com você numa coisa importante: não devemos permitir que assuntos políticos ocupem o lugar central da nossa mensagem.
Cristo precisa ocupar esse lugar.
Se eu passasse a maior parte do meu tempo falando de eleições, candidatos, partidos e governos, ainda que fosse para criticar tudo isso, também poderia perder de vista nossa verdadeira missão.
Nossa grande mensagem é:
Cristo morreu pelos nossos pecados.
Cristo ressuscitou.
Cristo salva o pecador.
Cristo está edificando Sua Igreja.
Cristo voltará.
Cristo estabelecerá Seu reino.
Cristo finalmente governará este mundo em justiça.
O governo perfeito não surgirá das urnas.
Ele virá quando o Rei perfeito vier.
Isaías profetizou:
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros” (Isaías 9:6).
E Apocalipse anuncia antecipadamente aquele grande dia:
“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Apocalipse 11:15).
É esse governo que aguardo.
Enquanto isso, respeito as autoridades, obedeço às leis, pago meus impostos, oro pelos governantes, procuro fazer o bem a todos, condeno biblicamente aquilo que Deus chama de pecado e anuncio o Evangelho.
Mas minha esperança não está em Brasília, Lisboa, Washington ou qualquer outra capital deste mundo.
Minha esperança está no céu.
“Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hebreus 13:14).
Portanto, meu irmão, agradeço sinceramente sua advertência. Concordo que precisamos ter cuidado para que Cristo e a Pátria celestial sejam sempre o centro da nossa atenção. Mas falar biblicamente sobre a relação do cristão com a política não significa participar dela. Pelo contrário, às vezes precisamos falar exatamente para explicar por que não participamos.
E, se alguém quiser saber qual é o meu candidato, minha esperança ou o Rei a quem entreguei minha vida, não preciso procurar um nome numa urna.
Meu Rei já foi escolhido por Deus:
Jesus Cristo.
“E no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16).
Josué Matos
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