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Você recomenda ler livros de teologia, como Teologia Sistemática, por exemplo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Olá, tudo bem? Você recomenda ler livros de teologia, como Teologia Sistemática, por exemplo? Pode sugerir alguns livros de Teologia Sistemática mais confiáveis?

Minha Resposta:

Olá! Tudo bem, graças a Deus.

Sim, recomendo a leitura de bons livros de teologia, inclusive de Teologia Sistemática. Entretanto, faria uma observação importante antes de indicar qualquer obra: nenhum livro de teologia deve ocupar o lugar da leitura e do estudo direto da Palavra de Deus.

A Bíblia não foi dada apenas aos teólogos ou aos estudiosos. Ela é a revelação de Deus e deve ser a autoridade final para todo cristão. Paulo escreveu:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16-17).

Portanto, livros de teologia, comentários bíblicos, dicionários, léxicos e outras obras são ferramentas. Podem nos ajudar muito, mas devem sempre nos conduzir de volta à Bíblia.

Isso é especialmente importante quando falamos de Teologia Sistemática. A Teologia Sistemática procura reunir aquilo que a Bíblia ensina sobre determinados assuntos e organizá-lo em categorias: Deus, Cristo, Espírito Santo, homem, pecado, salvação, Igreja, acontecimentos futuros etc.

Isso pode ser muito útil. O problema surge quando começamos a interpretar a Bíblia para que ela se ajuste ao nosso sistema teológico, em vez de permitir que o nosso sistema seja corrigido pela Bíblia.

Devemos seguir o princípio encontrado em Atos dos Apóstolos 17:11. Os bereanos receberam a palavra, mas examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”. Até aquilo que ouviam do apóstolo Paulo era comparado com as Escrituras.

É exatamente assim que devemos proceder com qualquer escritor cristão.

Nenhum autor é infalível.

Por isso, pessoalmente, considero muito proveitoso não depender somente de uma Teologia Sistemática. Eu procuraria combinar três formas de estudo:

  1. Estudo direto e consecutivo da Bíblia.

Leia livros inteiros da Bíblia procurando compreender o contexto, o propósito do escritor e o desenvolvimento do assunto. Por exemplo, para compreender a justificação, estude cuidadosamente a Epístola aos Romanos e a Epístola aos Gálatas. Para compreender a Igreja como Corpo de Cristo, Efésios e Colossenses são fundamentais. Para compreender a ordem de uma igreja local, precisamos especialmente de Atos dos Apóstolos, 1 Coríntios, 1 Timóteo e Tito.

  1. Bons comentários expositivos.

Um comentário bíblico acompanha o texto e procura explicar aquilo que determinada passagem está dizendo. Considero esse método muito importante porque reduz o perigo de construirmos uma doutrina a partir de textos isolados.

Um comentário que considero bastante útil é o Comentário Bíblico Popular, de William MacDonald. É uma obra acessível, expositiva e útil para quem deseja acompanhar o texto bíblico.

Também considero muito proveitosa a coleção What the Bible Teaches (“O que a Bíblia Ensina”), publicada originalmente por John Ritchie. É uma coleção de exposição bíblica feita por vários autores e muito útil para quem deseja estudar os livros da Bíblia com mais profundidade.

Outros autores antigos cujos escritos considero muito proveitosos são William Kelly, C. H. Mackintosh, F. W. Grant, W. E. Vine e outros escritores que procuram trabalhar diretamente com o texto das Escrituras.

  1. Teologia Sistemática.

Aqui eu teria um pouco mais de cuidado.

Há boas Teologias Sistemáticas, mas praticamente todas refletem, em maior ou menor grau, a posição doutrinária de seus autores. Portanto, eu não recomendaria comprar uma Teologia Sistemática pensando: “Aqui encontrarei tudo aquilo que a Bíblia ensina exatamente como está na Bíblia”.

Use-a como ferramenta, não como autoridade final.

Uma obra conhecida é a Teologia Sistemática de Augustus Hopkins Strong. É uma obra clássica e bastante extensa. Pode ser útil para consulta e comparação, embora, naturalmente, eu não concorde necessariamente com todas as conclusões do autor.

Também são conhecidas as Teologias Sistemáticas de Charles Hodge, Louis Berkhof e outros autores. Entretanto, aqui é necessário discernimento, especialmente na escatologia, eclesiologia e interpretação das alianças, porque diferentes sistemas teológicos chegam a conclusões bastante distintas nessas áreas.

Por exemplo, Louis Berkhof representa uma linha teológica reformada e amilenista. Assim, se você entende pela leitura das Escrituras que Israel e a Igreja não devem ser confundidos, que haverá o cumprimento literal das promessas feitas a Israel e que haverá um reino milenar de Cristo, perceberá diferenças importantes ao ler uma obra desse tipo.

Se a sua linha de estudo é dispensacional e pré-milenista, considero mais proveitoso complementar os estudos com autores como Charles C. Ryrie, John F. Walvoord e J. Dwight Pentecost.

Neste último caso, recomendo especialmente o Manual de Escatologia, de J. Dwight Pentecost. Não é uma Teologia Sistemática completa, pois trata particularmente da escatologia, mas é uma obra extensa e muito útil para compreender assuntos como as alianças bíblicas, Israel e a Igreja, arrebatamento, tribulação, segunda vinda de Cristo, reino milenar, ressurreições, julgamentos e estado eterno.

Entretanto, quero acrescentar algo que considero ainda mais importante.

Não devemos estudar teologia simplesmente para acumular conhecimento.

Esdras nos apresenta um belo modelo:

“Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos” (Esdras 7:10).

Observe a ordem:

Primeiro, buscar.

Depois, praticar.

Finalmente, ensinar.

Esse equilíbrio é muito importante.

Há pessoas que estudam para ensinar aquilo que nunca aprenderam a viver. O conhecimento bíblico deve produzir transformação espiritual.

Paulo escreveu:

“A ciência incha, mas o amor edifica” (1 Coríntios 8:1).

Por outro lado, isso não significa que devemos desprezar o estudo profundo. Paulo também disse a Timóteo:

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).

Portanto, estudar profundamente é bom. Consultar bons livros é bom. Conhecer o significado das palavras gregas e hebraicas pode ser muito útil. Conhecer história, geografia, costumes bíblicos e contexto cultural também pode ajudar. Ler bons comentários e obras doutrinárias pode nos poupar de muitos erros.

Mas tudo precisa permanecer subordinado à Palavra de Deus.

Se eu fosse montar uma biblioteca para alguém que está começando um estudo bíblico mais sério, não começaria comprando dez Teologias Sistemáticas. Eu começaria com uma boa Bíblia para estudo, uma concordância, um bom dicionário bíblico, um léxico das palavras do Novo Testamento, um ou dois bons comentários expositivos e, posteriormente, acrescentaria obras de teologia.

E procuraria desenvolver um hábito muito importante: comparar Escritura com Escritura.

“Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali” (Isaías 28:10).

Além disso, devemos depender do Senhor em oração. O objetivo não é simplesmente conhecer mais sobre a Bíblia, mas conhecer melhor Aquele de quem a Bíblia fala. O próprio Senhor Jesus declarou:

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39).

Cristo é o grande tema das Escrituras.

Portanto, sim: leia Teologia Sistemática. Leia comentários. Leia bons escritores cristãos. Compare autores diferentes quando necessário. Mas leia muito mais a Bíblia.

Nunca permita que um sistema teológico determine antecipadamente aquilo que um texto bíblico deve significar.

O melhor livro cristão é aquele que, depois de você lê-lo, faz você voltar à Bíblia para conferir o que está escrito.

E a melhor atitude continua sendo a dos bereanos:

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Esse princípio nos protege tanto da ignorância quanto do erro teológico.

Josué Matos

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