Alguém que me escreveu no YouTube:
Você mentiu sobre a desordem e confusão e falou que em Atos 2 passaram a falar em outras línguas que cada um entendia em sua língua, não que cada um falava idiomas diferentes. Deus é Espírito e os carnais não vão entender e sempre avaliarão por sua experiência pessoal.
Minha Resposta:
Não houve mentira alguma, apenas leitura cuidadosa do texto bíblico dentro do seu contexto.
Em Atos dos Apóstolos 2, o próprio texto deixa claro dois fatos simultâneos e inseparáveis:
Os discípulos falaram línguas reais, idiomas humanos distintos.
As pessoas de várias nações ouviram cada um na sua própria língua materna.
O texto diz:
“E todos ficaram maravilhados e não sabiam o que pensar, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?” (Atos dos Apóstolos 2:7-8)
Note que o milagre não está apenas no ouvir, mas no falar. Os galileus não tinham conhecimento natural daqueles idiomas, mas passaram a falar línguas identificáveis: partos, medos, elamitas, moradores da Mesopotâmia, da Judeia, da Capadócia, do Ponto, da Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito, da Líbia, romanos, cretenses e árabes (Atos dos Apóstolos 2:9-11). Isso não é linguagem celestial nem sons ininteligíveis, mas idiomas humanos reconhecidos.
Se o milagre fosse apenas “cada um ouvir do seu jeito”, o espanto não seria: “como os ouvimos falar”, mas apenas “como entendemos”. O texto afirma explicitamente: “os ouvimos falar em nossas línguas as grandezas de Deus” (Atos dos Apóstolos 2:11).
Quanto à afirmação de que “Deus é Espírito e os carnais não vão entender”, isso não pode ser usado para anular a clareza do texto bíblico. A Escritura não é interpretada pela experiência pessoal, mas pela própria Escritura. A revelação do Espírito Santo nunca contradiz aquilo que Ele mesmo inspirou a ser escrito.
O mesmo livro de Atos mostra que línguas tinham propósito definido: sinal para judeus incrédulos e confirmação da inclusão dos gentios, nunca como confusão nas reuniões da igreja. Por isso o apóstolo Paulo escreve que Deus não é Deus de confusão, mas de paz (Primeira Epístola aos Coríntios 14:33), e que, sem interpretação, o falar em línguas não edifica a igreja (Primeira Epístola aos Coríntios 14:2-5, 27-28).
Espiritualidade não é medida pela experiência subjetiva, mas pela submissão humilde à Palavra de Deus. Quando o texto é claro, não cabe espiritualizar para acomodar práticas posteriores. Em Atos 2 houve ordem, clareza, entendimento e edificação — exatamente o oposto da confusão.