Alguém que me escreveu no YouTube:
Aonde diz na Bíblia que o batismo é um testemunho público de fé? Absolutamente em LUGAR NENHUM. Essa interpretação é extremamente tardia. Na Bíblia, o batismo não é para mostrar algo às pessoas, mas é um compromisso com o Senhor. Leiam a Bíblia.
Minha Resposta:
A afirmação feita parte de um erro comum: exigir que a Escritura use exatamente uma expressão moderna (“testemunho público de fé”) para reconhecer uma verdade que está claramente ensinada no conjunto do ensino bíblico. A Bíblia não trabalha apenas com fórmulas técnicas, mas com princípios revelados por fatos, mandamentos e exemplos.
Primeiro, é correto afirmar que o batismo não é um ato social vazio nem um simples rito externo. Ele está, de fato, ligado ao compromisso do crente com o Senhor pela fé. Contudo, é igualmente bíblico afirmar que esse compromisso é confessado de maneira visível e pública. Uma coisa não exclui a outra.
O próprio ensino do Senhor Jesus estabelece o caráter público do discipulado. Ele disse: “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai” (Evangelho de Mateus 10:32-33). Essa confissão diante dos homens não é meramente interior; ela se manifesta por atos visíveis de obediência. No contexto do Novo Testamento, o primeiro desses atos é o batismo.
No livro de Atos dos Apóstolos, o padrão é claro e repetido. Aqueles que criam eram imediatamente batizados, e isso ocorria de forma pública, diante da comunidade. Em Atos dos Apóstolos 2:41 lemos: “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas”. Não se trata de um ato secreto entre o indivíduo e Deus, mas de uma identificação pública com Cristo e com o Seu povo, pois o texto diz que eles foram “agregados”.
O mesmo se vê no caso do eunuco etíope. Ele crê no Senhor Jesus e, ao ver água, pede para ser batizado (Atos dos Apóstolos 8:36-38). Filipe não apresenta o batismo como um mero compromisso interior, mas como um ato que sela publicamente a fé recém-confessada: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” (Atos dos Apóstolos 8:37). A confissão verbal precede o ato visível.
O apóstolo Paulo também associa o batismo à identificação externa com Cristo. Em Romanos 6:3-4 ele ensina que, pelo batismo, o crente é identificado com a morte e a ressurreição de Cristo. Essa identificação não é apenas espiritual no sentido invisível; ela é declarada diante de testemunhas. Por isso, em Gálatas 3:27, Paulo afirma: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo”. Revestir-se é uma linguagem visível, pública, de identificação.
Além disso, o próprio conceito bíblico de testemunho envolve algo manifesto. O Senhor Jesus disse aos discípulos: “Recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas” (Atos dos Apóstolos 1:8). Testemunha não é alguém que guarda algo apenas para si, mas alguém que dá evidência diante de outros. O batismo, nesse contexto apostólico, é a primeira evidência visível dessa nova posição em Cristo.
Quanto à afirmação de que essa interpretação é “tardia”, ela não se sustenta historicamente nem biblicamente. Desde o início da igreja, o batismo foi entendido como o marco público da entrada do crente na fé cristã e na comunhão dos santos. Ele não salva, não produz vida, mas declara, diante de Deus e dos homens, que aquele que foi batizado pertence agora a Cristo.
Portanto, dizer que o batismo é um compromisso com o Senhor está correto. Negar que ele seja também uma confissão pública da fé é ignorar o padrão claro do Novo Testamento, onde fé, confissão e batismo caminham juntos. O problema não está em “ler a Bíblia”, mas em lê-la de forma completa, respeitando o conjunto do seu ensino, e não exigindo que ela use terminologia moderna para validar verdades apostólicas evidentes.