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Não é difícil entender que o Batismo é necessário a salvação!

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Não é difícil entender que o Batismo é necessário a salvação, Atos 2:38, Mc 16:16, Atos 22:16. O senhor está agarrado com o Sola Fide de Calvino, não com a palavra de Deus. Batismo não é um símbolo, mas a participação na morte e ressurreição de Cristo, Romanos 6.

Minha Resposta:

A questão não é dificuldade de compreensão, mas fidelidade ao conjunto do ensino das Escrituras. O erro surge quando textos verdadeiros são isolados do seu contexto e transformados em condição para aquilo que a Palavra de Deus apresenta como dom gratuito da graça.

Quando Pedro diz em Atos dos Apóstolos 2:38: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado… para remissão dos pecados”, ele está falando a judeus culpados pela rejeição e morte do Messias. O batismo ali não é apresentado como meio de expiação, mas como identificação pública com Aquele que eles haviam rejeitado. A remissão dos pecados, em todo o livro de Atos, está ligada ao arrependimento e à fé, não à água em si, como fica claro em Atos dos Apóstolos 10:43-48, onde os gentios recebem o Espírito Santo antes do batismo.

Marcos 16:16 afirma: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” Note que a condenação não é atribuída à falta de batismo, mas à incredulidade. Se o batismo fosse condição indispensável para a salvação, o texto deveria dizer: “quem não for batizado será condenado”, o que não diz.

Em Atos dos Apóstolos 22:16, quando Ananias diz a Paulo: “Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor”, a própria frase esclarece o ponto central: a invocação do nome do Senhor. A lavagem dos pecados, em toda a Escritura, é atribuída ao sangue de Cristo, conforme Hebreus 9:14 e Apocalipse 1:5, nunca à água do batismo.

Quanto a Romanos 6, o texto não está ensinando que a água do batismo nos une à morte e ressurreição de Cristo, mas que o crente, pela fé, foi identificado com Cristo em Sua morte e ressurreição. Paulo fala de uma realidade espiritual já consumada, não de um rito. Se Romanos 6 ensinasse regeneração batismal, entraria em contradição direta com Romanos 3:24-28 e Romanos 5:1, onde a justificação é declarada como resultado exclusivo da fé.

Não se trata de seguir o “Sola Fide” de João Calvino, mas de reconhecer que essa verdade é bíblica antes de ser reformada. Efésios 2:8-9 afirma claramente que a salvação é pela graça, mediante a fé, e isso não vem de obras — e qualquer rito humano, por mais ordenado que seja, é uma obra.

O batismo não é um símbolo vazio, mas também não é um meio de salvação. Ele é uma ordenança para os que já foram salvos, um testemunho público de identificação com Cristo, conforme Mateus 28:19 e Atos dos Apóstolos 8:36-38. Confundir o sinal com a realidade é inverter a ordem bíblica.

Se o batismo salvasse, o ladrão na cruz não poderia ter sido salvo, mas o próprio Senhor Jesus lhe disse: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). Isso encerra a questão com autoridade divina.

Portanto, o ensino consistente das Escrituras é claro: somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo; o batismo vem depois, como fruto da obediência, não como causa da salvação.

Josué Matos