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Hades (grego) e Sheol (hebraico) são termos bíblicos que se referem ao mundo dos mortos ou à sepultura comum da humanidade

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Hades (grego) e Sheol (hebraico) são termos bíblicos que se referem ao mundo dos mortos ou à sepultura comum da humanidade, com o Hades sendo a tradução grega do hebraico Sheol, especialmente na Septuaginta (tradução grega do AT) e no Novo Testamento, embora o conceito do Hades no NT ganhe nuances, como a separação entre justos (Seio de Abraão) e ímpios (lugar de tormento) antes do julgamento final, culminando no (Geena/Lago de Fogo) como destino.

Minha Resposta:

A sua colocação está, em linhas gerais, correta e bem alinhada com o testemunho progressivo das Escrituras, mas vale fazer alguns esclarecimentos e ajustes para evitar imprecisões conceituais.

De fato, Sheol (hebraico) no Antigo Testamento e Hades (grego) no Novo Testamento referem-se ao estado intermediário dos mortos, isto é, ao lugar ou condição para onde vão as almas após a morte física, antes da ressurreição. O Hades é, sim, o equivalente funcional do Sheol, especialmente quando observamos o uso desses termos na Septuaginta, onde Sheol é majoritariamente traduzido por Hades.

Entretanto, é importante notar que nem o Sheol nem o Hades significam simplesmente “sepultura comum” no sentido físico do túmulo. Embora, em alguns textos poéticos do Antigo Testamento, o termo possa ser usado de forma figurada para a morte ou para o destino dos mortos, o ensino bíblico como um todo aponta para uma realidade consciente após a morte, além da sepultura física. Isso fica claro, por exemplo, quando se afirma que no Sheol há consciência, memória e expectativa, ainda que sem possibilidade de retorno ou ação entre os vivos, conforme textos como Salmos 16:10, Salmos 49:14-15 e Isaías 14:9-11.

No Novo Testamento, essa realidade é apresentada com maior clareza. Em Lucas 16:19-31, o Senhor Jesus descreve o Hades como um lugar com duas condições distintas: o Seio de Abraão, onde o justo encontra consolo, e um lugar de tormento, onde o ímpio sofre conscientemente. Essa passagem não deve ser reduzida a uma simples parábola moral, pois o Senhor trata o tema com detalhes que apontam para uma realidade espiritual concreta e coerente com o restante da revelação bíblica.

Outro ponto importante é que nem o Sheol nem o Hades são o destino final de ninguém. Ambos pertencem ao estado intermediário. Segundo Apocalipse 20:13-14, o Hades entregará os mortos que nele há, e então ele próprio será lançado no Lago de Fogo. Isso mostra claramente que o Hades é temporário, enquanto o Lago de Fogo, associado ao termo Geena nos Evangelhos, é o destino eterno dos ímpios após o juízo final.

Quanto aos justos, a revelação do Novo Testamento mostra um avanço significativo em relação ao Antigo Testamento. Textos como 2 Coríntios 5:6-8 e Filipenses 1:23 indicam que, após a obra redentora do Senhor Jesus, o crente, ao morrer, passa a estar consciente e imediatamente na presença do Senhor. Isso não contradiz Lucas 16, mas indica que, após a cruz, a condição dos justos no estado intermediário é descrita de forma ainda mais elevada e direta.

Portanto, resumindo:
– Sheol e Hades referem-se ao estado intermediário dos mortos.
– Ambos envolvem consciência após a morte, não aniquilação.
– Há distinção entre justos e ímpios nesse estado.
– Nenhum deles é o destino eterno.
– O destino final dos ímpios é o Lago de Fogo.
– O destino final dos salvos é a ressurreição gloriosa e a habitação eterna com Deus.

Essa harmonia entre Antigo e Novo Testamento reforça a coerência da revelação bíblica e evita tanto a ideia de inconsciência da alma quanto a confusão entre estado intermediário e estado eterno.

Josué Matos