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O QUE FAZER PARA TER CERTEZA, QUE, NÃO IREI OUVIR, NÃO TE CONHEÇO?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

A PAZ DO SENHOR JESUS PRESBÍTERO, NA SUA EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS DENOTA QUE NÃO É SUFICIENTE APENAS CRER QUE JESUS CRISTO É O SENHOR E QUE DEUS O RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS, O QUE EXATAMENTE É NECESSÁRIO ALÉM DE CRER? 

As prudentes representam aqueles que possuem realidade espiritual, isto é, vida produzida pelo Espírito de Deus. As loucas representam os que têm apenas profissão externa.

Elas não perdem algo que tinham; elas descobrem, tarde demais, que nunca possuíram o essencial. Por isso o Noivo diz: “Não vos conheço”. Isso é linguagem de relacionamento, não de perda de salvação. Não basta estar perto do Reino, é necessário ter vida; não basta esperar o Noivo, é necessário conhecê-lo e ser conhecido por Ele.

O QUE FAZER PARA TER CERTEZA, QUE, NÃO IREI OUVIR, NÃO TE CONHEÇO?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito séria, necessária e profundamente bíblica: “O que fazer para ter certeza de que não ouvirei: ‘Não te conheço’?”

Ela toca exatamente no ponto central da parábola das dez virgens e também no cerne do evangelho.

Vou responder de forma organizada, procurando ir além de fórmulas superficiais, mantendo o equilíbrio entre a segurança da salvação e a realidade espiritual que a Escritura exige.

  1. O que NÃO está sendo exigido além de crer

Antes de dizer o que é necessário, é importante deixar claro o que não é.

A parábola das dez virgens não ensina que é preciso acrescentar obras, méritos pessoais, práticas religiosas ou perseverança própria para “completar” a fé.
Ela não contradiz Romanos 10:9-10, que afirma claramente que a salvação é pela fé no Senhor Jesus Cristo.
Ela também não ensina perda de salvação, porque as loucas nunca tiveram o essencial.

Portanto, não se trata de crer e depois “manter-se salvo” por esforço humano. Isso seria negar o evangelho da graça, como ensinado em Efésios 2:8-9 e Tito 3:5.

  1. O que a parábola realmente revela como essencial

A diferença entre as prudentes e as loucas não está na lâmpada, nem na espera, nem no convite, nem na aparência externa. Todas essas coisas são iguais.

A diferença está no azeite.

Na linguagem das Escrituras, o azeite aponta para a vida espiritual produzida pelo Espírito Santo. Não é símbolo de dons, ministérios ou atividades, mas de vida interior.

As prudentes tinham lâmpadas porque tinham luz, e tinham luz porque havia vida.
As loucas tinham lâmpadas, mas não tinham vida. Tinham forma, mas não realidade.

Isso harmoniza perfeitamente com outras passagens:

Romanos 8:9 afirma que, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é d’Ele.
1 João 5:12 declara que quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
João 3:3-6 ensina que sem o novo nascimento ninguém pode ver o Reino de Deus.

Portanto, o essencial não é apenas crer como um ato intelectual, mas crer de modo que o resultado seja vida.

  1. O que significa ser conhecido pelo Noivo

Quando o Senhor diz: “Não vos conheço”, Ele não está dizendo: “Eu esqueci vocês”.
Conhecer, na linguagem bíblica, é relacionamento real.

O Senhor Jesus disse em João 10:14: “Eu conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”.
E em Mateus 7:23 Ele usa a mesma expressão: “Nunca vos conheci”.

Observe bem: nunca.
Não é “conheci e deixei de conhecer”, mas “nunca houve relacionamento”.

Isso confirma que as virgens loucas nunca tiveram vida espiritual. Elas estavam próximas do Reino, participavam da expectativa, mas não pertenciam ao Noivo.

  1. Então, o que fazer para ter certeza de que não ouvirei “não te conheço”?

A resposta bíblica é simples, profunda e objetiva.

a) Examinar se há vida, não apenas profissão

2 Coríntios 13:5 diz: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé”.
Não é examinar sentimentos, mas a realidade da vida recebida.

A pergunta não é: “Eu faço coisas cristãs?”
A pergunta é: “Eu tenho o Filho?”
Porque a vida está no Filho, não nas obras.

b) Ter descanso na obra consumada de Cristo

A certeza não vem da análise da própria fidelidade, mas da confiança na fidelidade de Cristo.

Hebreus 10:14 afirma que, com uma só oferta, Ele aperfeiçoou para sempre os que são santificados.
João 5:24 declara que quem ouve a Palavra e crê naquele que enviou o Filho tem a vida eterna e não entra em condenação.

Quem vive tentando garantir a salvação por esforço próprio demonstra, muitas vezes, que ainda não descansou plenamente na obra da cruz.

c) Reconhecer o testemunho do Espírito Santo

Romanos 8:16 diz que o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
Isso não é misticismo, nem emoção passageira, mas a consciência espiritual produzida pela Palavra recebida com fé.

Onde há vida, há sensibilidade espiritual, há convicção, há direção interior, mesmo em meio a lutas e fraquezas.

d) Permanecer em Cristo, não para ser salvo, mas porque foi salvo

João 15:4 diz: “Permanecei em mim”.
Não é um chamado para conquistar a vida, mas para viver a partir da vida recebida.

As virgens prudentes não estavam ansiosas; estavam preparadas.
Quem tem vida não vive com medo constante de ser rejeitado, mas com reverência, vigilância e esperança.

  1. Um resumo claro e bíblico

Vivemos dias marcados por uma profunda superficialidade no campo religioso. Em muitos lugares, proclama-se um evangelho raso, que não trata da raiz do problema do homem: o pecado. Usa-se uma linguagem bem elaborada, discursos que encantam o intelecto e despertam emoções, levando pessoas a uma aceitação meramente mental da mensagem. O resultado é um cristianismo de aparência, onde muitos pensam estar salvos quando, na realidade, apenas passaram por uma experiência intelectual ou emocional.

Frequentemente, o apelo é feito como se o Senhor Jesus estivesse em busca de adesão, como partidos ou movimentos humanos que precisam de apoio popular. Convida-se o ouvinte a “decidir por Jesus” ou a “passar para o lado de Cristo”, como se o homem estivesse em posição neutra. Porém, o evangelho de Deus apresenta um quadro completamente diferente. O homem natural não está neutro; ele está perdido, morto em seus delitos e pecados, em rebelião contra Deus, necessitando desesperadamente de salvação.

O Senhor Jesus não pede que o pecador simplesmente Lhe entregue o coração como um gesto simbólico. Ele chama o pecador ao arrependimento e à fé. Arrependimento envolve reconhecer o próprio estado de perdição diante de Deus, abandonar toda confiança em si mesmo e voltar-se para Cristo. Fé, por sua vez, não é apenas concordar mentalmente com verdades bíblicas, mas confiar de coração. É por isso que a Escritura afirma que é com o coração que se crê para a justiça, e não apenas com a mente.

Para ilustrar essa diferença, imagine alguém numa estação rodoviária. Essa pessoa chega à plataforma correta e vê um ônibus com o destino claramente indicado. Ela acredita que aquele ônibus realmente vai para o lugar anunciado. Não tem dúvidas sobre o trajeto, nem sobre a capacidade do veículo, nem sobre a habilidade do motorista. Ainda assim, se essa pessoa permanecer na plataforma, por mais convicção que tenha, jamais chegará ao destino.

Para que ela chegue ao destino desejado, é necessário algo mais do que acreditar que o ônibus vai até lá. É preciso entrar no ônibus, sentar-se e confiar que ele a conduzirá até o fim da viagem. Esse ato simples demonstra uma fé que vai além do conhecimento; é uma fé que se expressa em confiança e entrega.

Assim acontece com a salvação. Não basta ouvir o evangelho, reconhecer que Jesus Cristo salva e admitir que tudo isso é verdadeiro. O pecador precisa, por um ato definido de fé, entregar-se a Cristo. Ele precisa colocar toda a sua confiança nEle, descansando exclusivamente em Sua pessoa e em Sua obra. Essa atitude mostra que ele deixou de confiar em si mesmo, em suas boas obras, em sistemas religiosos, em ritos, em líderes ou em qualquer outro recurso humano.

A fé salvadora é aquela que entra “no ônibus”, por assim dizer. Ela se lança inteiramente sobre Cristo. Se Cristo salva, esse pecador está salvo. Se Cristo falhasse, não haveria esperança alguma. Mas a Escritura afirma que Ele salva perfeitamente todos os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

É essa confiança exclusiva em Cristo que resulta na justificação diante de Deus. O pecador é declarado justo não por causa de obras, nem por observar a lei, mas pela justiça de Deus concedida mediante a fé. Essa é a fé que produz vida, que gera novo nascimento e que distingue uma simples profissão religiosa de uma realidade espiritual verdadeira.

É exatamente isso que a parábola das dez virgens ensina. As prudentes tinham vida; as loucas tinham apenas aparência. As prudentes possuíam o essencial; as loucas descobriram tarde demais que nunca o tiveram. Por isso, a segurança de não ouvir “não te conheço” não está numa decisão superficial do passado, mas numa fé viva, de coração, que descansa exclusivamente no Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos